Avalanche Tricolor: 29, 17, 13 … Era jogo de bairro

Grêmio 2 x 2 Inter
Sul-americana – Olímpico

Em campo chovia muito. Havia camisas molhadas carregando nas costas números estranhos para um cara como eu que aprendi a torcer para um time que começava no número 1 e se encerrava no 11. Mas estavam lá o 14, o 17, o 19, o 27 … Parecia sorteio da mega-sena.

Os nomes que vestiam aquelas camisas também não eram familiares. Mas o locutor na televisão insistia em dizer que quem estava em campo era o Grêmio.

E aquilo que disputava era uma competição sul-americana. Mas a que eu conheço e importa é a Libertadores da América. E essa só no ano que vem e para quem é o campeão brasileiro ou no máximo ficar no G4. Coisa que está muito próxima do caminho do Grêmio, diga-se de passagem.

Houve quem garantisse que, inclusive, aquele jogo era um Gre-Nal, clássico dos mais famosos do futebol brasileiro. Mas pela quantidade de gente na arquibancada, quando muito uma boa pelada no bairro do Menino Deus.

Tinha uma turma que corria, dava carrinho, errava, brigava, errava de novo, pedia o fim do jogo desesperadamente, e voltava a errar. Fazia daquilo final de Copa do Mundo. O outro, brincava. Tocava bola. Ensaiava jogadas. Testava movimentos. Seus jogadores até sorriam uns para os outros.

Cheguei ligar para Porto Alegre para entender o que era aquilo que eu estava vendo na televisão, às sete e meia da noite de uma quarta-feira. Nem hora de jogo de verdade era. Foi, então, que me explicaram. Era apenas um treino entre dois times de bairro: Azenha x Beira Rio.

E o Grêmio ? Não, disse meu interlocutor, esse só joga domingo contra o Vasco. É o líder do campeonato. Só entra em campo quando o adversário está à sua altura. Contra os outros, manda a garotada da Azenha. Aliás, concluiu, os meninos da Azenha não perdem para os veteranos da Beira Rio desde 2006.

Vereadores repetem coronéis do passado

A constatação é do professor de Ciência Política da FGV-SP Marco Antônio Teixeira ao analisar o comportamento de vereadores-candidatos que disputam a reeleição em São Paulo. Reportagem do jornal Diário de SP mostra que para manterem seus currais eleitorais estes políticos distribuem de cadeiras de roda a fraldas geriátricas.

Ouça a entrevista do professor Marco Antonio ao CBN SP:

Hora de conhecer pizzas incríveis fora do circuito Itaim-Jardins

Nesta quinta-feira, nossa Ailin Aleixo fala da preferida do paulistano no “Época SP na CBN”:

Antonieta

Com apenas seis meses de inauguração, a pizzaria virou um acontecimento na Mooca – e olha que estamos falando de um bairro com tradição em pizza. Os discos de massa fina servidos num galpão todo estiloso atraem gente de toda a redondeza. Para fugir das filas de espera e do atendimento ainda um pouco confuso, vá numa segunda-feira ou chegue cedo. O cardápio lista quase cem opções, contando quatro calzones e uma opção infantil. Entre as mais pedidas estão a margherita e a inventiva vitto, que leva mussarela de búfala, filé desfiado e queijo parmesão. Tiro certo é a jesuína, combinação de queijo brie, rúcula e peito de peru. Além da pizza, outro trunfo do lugar é a área reservada para as crianças brincarem enquanto os pais jantam com mais tranqüilidade. As sobremesas ficam expostas num carrinho. Difícil é controlar a meninada que não resiste aos pirulitos de chocolate.

R. Guaimbé, 354 – Moóca, tel.: 2076-3788

Rito

Longe do circuito agitado da cidade, a pizzaria ocupa um agradável galpão com pé-direito alto, jardim e um salão inteiro dedicado aos vinhos. O espaço reservado para degustações de tintos e brancos armazena garrafas pouco comuns em casas do gênero. Bordeaux Grand Cru, Chiantis e Brunello di Montalcino figuram ao lado de rótulos nacionais, chilenos e argentinos. Para uma pizzaria, sem dúvida, é uma das cartas mais surpreendentes. Entre as pizzas, há coberturas tradicionais, opções sem molho e versões como a de mussarela com presunto cru, lascas de gorgonzola e azeitonas. Antes de encerrar, peça sem medo uma piadina. Trata-se de uma massa finíssima, muito crocante com coberturas na medida. A de abacaxi traz geléia da fruta, mascarpone, uma rodela de abacaxi, raspas de limão siciliano e calda de laranja. E ainda acompanha uma taça de vinho de sobremesa.

R. Nanuque, 243 – Vila Leopoldina, tel.: 3836-2166

Valentina

Fica numa rua sossegada, num cantinho meio escondido que só quem é da área conhece. Uma delícia de lugar, com mesas no jardim, deque e três tendas. O salão principal guarda mais uma grata surpresa para famílias com crianças pequenas: espaço de recreação com bastante brinquedo e monitor. De entrada, experimente o pão de calabresa quentinho. No capítulo das pizzas, elas são divididas em três grupos: light, tradicional e especial. Uma das coberturas mais saborosas é a do nonno, combinação de calabresa, mussarela, manjericão e rodelas de tomate-cereja. A carta de vinhos traz exemplares do Chile, da Argentina, França, Espanha, Portugal, Itália e Brasil.

R. Luis dos Santos Cabral, 201 , Vila Formosa,tel.: 2671-2215

Corpo consular, o sem-lei

Ninguém sabe explicar quem fiscaliza. Então, o cidadão decidiu fazer ele mesmo o papel que o Estado não cumpre. Carros que circulam na cidade com placas azuis do corpo consular não costumam respeitar a lei e estacionam em lugar proibido, passam sinal fechado e cometem mais uma série de irregularidades.

O Rogério Fernandes, ouvinte-internauta do CBN SP, comentou que eles devem ser do consulado de Espertolândia.

O Allan Reisler flagrou este sobre a calçada da Avenida Paulista próximo da Peixoto Gomide:

A Pétria Chaves, nossa colega de trabalho, também clicou este carro do corpo consular estacionando em local proibido:

“Nós vamos estar querendo seu voto”



Muita gente tem reclamado de ligações telefônicas recebidas em casa a partir das campanhas dos candidatos à prefeitura. Na maior parte das vezes é uma gravação com a voz do candidato ou da candidata pedindo o seu voto e lhe informando sobre ações que serão feitas na sua região.

A Associação Brasileira de Telesserviços alerta aos eleitores para as regras que devem ser seguidas pelos candidatos:

– Sempre que o eleitor manifestar sua contrariedade quanto ao prosseguimento do contato naquele momento, sua vontade deverá ser respeitada.

– Os responsáveis pelo serviço também devem respeitar o desejo do eleitor de retirar suas informações das bases de dados.

– Os contatos só podem ser feitos de segunda à sexta-feira, das 9h às 21h, e aos sábados das 10h às 16h.

– Não são admitidas ligações a cobrar nem ligações aos domingos e feriados nacionais.

Se algum candidato infringir qualquer uma das regras que constituem o Código de Ética do setor de telesserviços, o eleitor pode fazer reclamações à Ouvidoria do PROBARE através do site www.probare.org.

MP vai investigar ajuda de vereadores a eleitores

Compra de voto é crime. Difícil é comprová-lo. São tantas as possibilidades de o candidato escapar que a gente chega a desconfiar de que as leis foram criadas para pegar só quem não precisa. Verdade que a lei anti-corrupção, única de iniciativa popular aprovada pelo Congresso Nacional, já conseguiu derrubar muito prefeito e parlamentar pelo interior do Brasil.

Teremos, em São Paulo, uma boa oportunidade de testar a eficiência das instituições e da legislação, a partir da denúncia do jornal Diário de São Paulo de que vereadores-candidatos estão oferecendo de tudo para ganhar o eleitor: de ovos de Páscoa a fralda geriátrica, sem deixar de abrir as portas do ônibus para assistir à um showzinho de graça, distribuir muleta e cadeira de roda e facilitar a vida de quem precisa de médico.

O Ministério Público Eleitoral anunciou no CBN SP que vai investigar a ação dos vereadores-candidatos na capital. Ouça parte da entrevista com o promotor eleitoral Eduardo Rheingantz e depois me diga se você acredita na possibilidade de punição dos envolvidos:

Rodizio de sushi, tão paulistano quanto pizza?

?

Só a Ailin Aleixo para me convencer que rodízio de sushi vale como sugestão. Então, vamos nessa:

Nakasa

Japonês moderninho, transformou sua área de espera em um modernoso sakebar. Decorado em tons de amarelo e rosa e repleto de toy arts, tem um pequeno balcão aberto para a rua e oferece várias marcas de saquê, além de drinques especiais como o Noichigo Cosmopolitan (shochu curtido em morango silvestres). Alguns passos para frente, já com a luz mais baixa e clima intimista, fica o balcão oval percorrido pela esteira rolante que distribui as pequenas e frescas porções de peixes– a área reservada para o rodízio, a maior atração da casa. No jantar e finais de semana (R$ 54 por pessoa), é possível comer boas ostras, vieiras, além de temakis bem feitos, sashimis corretos e pratos quentes à vontade. Ao fundo, no último ambiente, bem escurinho, fica o belo salão exclusivo para pedidos à la carte.
Rua da Consolação, 3147 – Jardins, tel.: 3064-0970

Todai Garden

Decoração caprichada, salão amplo, tatames, mesas ao ar livre e uma lojinha de produtos importados ao fundo. O Todai Garden em nada se parece com restaurante de bairro, o tão comuns na região. Além da boa estrutura, apostou na contratação do experiente Toninho Araújo, ex- sushiman do Aoyama. A melhor pedida da casa é o convidativo rodízio de sushi no jantar. Por R$ 39,50 é possível comer bons sashimis, uramakis, niguiris, tempurás, shitake e shimeji na chapa, gyoza, yakissoba, missoshiro, entre outros pratos. No almoço, o rodízio custa R$ 28,90 e oferece menos opções de pratos quentes, além de não possibilitar a repetição da porção de sashimi.

R. Diana, 149/161 – Pompéia, tel.: 3803-8398

Nakombi

O Nakombi, idealizado e construído por Paulo Barossi, está em São Paulo desde 1997, quando inaugurou sua matriz na Vila Olímpia. Possui endereços nos bairros de Pinheiros e Morumbi, além de estar presente também no Rio de Janeiro. Na unidade visitada, de Pinheiros, o rodizio na hora do almoço impressionou– além de ter uma decoraçao extremamente agradável, a sequencia de bolinhos de salmão (salmãoshinjo), guioza, niguiri, tepan de anchova, temakis, uramakis e sashimis estavam impecáveis tanto na temperatura quanto no corte.

Av. Brigadeiro Faria Lima, 25, pinheiros, tel.: 3814-9898

Ambulância, consulta médica em serviço público, fralda geriátrica e ovos de Páscoa são alguns dos presentinhos que os vereadores-candidatos oferecem aos eleitores para que sejam lembrados no dia da eleição. A reportagem completa está no jornal Diário de São Paulo.

Olimpíadas: Três ouros por um tesouro

Por Carlos Magno Gibrail

Pelo PIB, somos o 9º país do mundo; pelo poder de compra o 6º; e pela população o 5º. Em Beijing, ficamos em 23º lugar. Incompatibilidade. E daí?

Daí que, segundo o Comitê Olímpico Brasileiro, houve progresso: “COB constata evolução do esporte brasileiro e registra conquistas inéditas em Pequim” é o que está escrito no site http://www.cob.org.br .

A verdade é que 23º lugar é inferior a classificação no ano da primeira participação brasileira, 1920, na Antuérpia, quando obteve o 15º lugar. Moscou, em 1980, 18º lugar; Los Angeles, em 1984, 19º lugar; Atenas, em 2004, 16º lugar; também são melhores que a posição de Pequim 2008.

De 1920 até 1956, diferentemente de hoje, não havia apoio formal aos atletas, mas tivemos Guilherme Paraense, na Antuérpia, ganhando ouro em tiro, e Adhemar Ferreira da Silva com ouro, em 1952 e 1956, no salto triplo.

Adhemar, que foi descontado do salário na Prefeitura de São Paulo pelo prefeito Jânio Quadros, dos dias em que esteve ausente representando o Brasil nas Olimpíadas, recebeu apenas apoio do São Paulo Futebol Clube, onde treinava. Na camisa do São Paulo, existem duas estrelas douradas que simbolizam as medalhas de Helsinque e Melbourne.

Juca Kfouri comenta que “nunca antes neste país se deu tanto dinheiro ao esporte de competição, nada menos do que 1,2 bilhões de reais, nos últimos quatro anos. Cada medalha custou, portanto a monstruosidade de 80 milhões de reais. E não se investe quase nada na prática de esportes nas escolas…”.

É preciso estabelecer um sistema que considere o esporte como fator agregador de saúde, educação, e inclusão social. Além dos crescentes recursos públicos, o sistema capitalista demonstra cada vez mais interesse em atuar nesta área. O COB tem como patrocinadores oficiais Olympikus, Petrobrás, Caixa, Sadia, Sol, Oi. Empresas estatais como o Banco do Brasil, Correios, Eletrobrás e Infraero também participam. Esperamos que a exigência do capitalismo aos seus executivos por resultado, permaneça tal qual nas suas empresas. Aguardemos.

De outro lado, iniciativas como as do Pão de Açúcar, que criou um Projeto de Esportes ambicioso, serão sempre bem vindas.

Nuno Cobra insere: “O homem global é formado por corpo, mente, espírito e emoção. Parece até coisa sabida, praticada, mas não é! Vive-se parcialmente.”.

“Para seu perfeito funcionamento o corpo necessita de movimento. Mas movimento ordenado, sem sacrifícios. O esforço faz bem desde que o prazer o acompanhe.” Do grego Hipócrates, pioneiro ao valorizar o exercício físico e do poeta romano Juvenal, que em latim se expressou “Mens sana in corpore sano”, mente sã em corpo são, temos a base científica e filosófica a que Nuno se refere.

Kfouri arremata: “A Organização Mundial de Saúde afirma que para cada dólar investido na massificação do esporte poupam-se três dólares na saúde”.

Cabe apenas um alerta, bem apresentado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte :

“A grande exigência do esporte competitivo tem provocado sérias conseqüências em atletas envolvidos em treinamento de alto nível. Por sua vez, a mudança dos padrões estéticos tem levado indivíduos a buscarem, por meio do exercício físico, a redução da massa corporal, o aumento da massa muscular e do condicionamento aeróbico. É comum atletas e não-atletas excederem os limites de suas capacidades físicas e psicológicas ocasionando o desenvolvimento da síndrome do excesso de treinamento (over training),”

Com tanta tecnologia e recordes quebrados até onde iremos? De acordo com o Instituto de Pesquisa Biomédica da França, até 2068: “A progressão dos recordes nas provas esportivas caminha para um limite absoluto que é o da espécie humana e não do indivíduo”.

Causa e efeito, meio e fim, acredito que o caminho para medalha de ouro não é apontar para as Olimpíadas, que deve ser apenas efeito. Causa, meio e fim, estaremos trabalhando nas bases, com crianças nas escolas, nos clubes, nas associações, nas comunidades, de todas as classes sociais. E por que não, com adultos e idosos?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e usa a camisa do São Paulo não apenas porque é fã do Adhemar Ferreira da Silva. Toda quarta, ele escreve aqui o blog e durante a semana bate papo com os ouvintes-internautas nos comentários.