A Palestina é aqui (em Mogi)

A Palestina é aqui (em Mogi)

Por Fernanda Campagnucci

Uma tarde de férias escolares em Mogi das Cruzes, São Paulo. Dois garotos correm para dentro de casa com uma pipa na mão e irrompem no quarto para jogar videogame. O joguinho violento da tela da TV não passa de ficção: nada comparado ao que Hussan, de 9 anos, e seu irmão, Mohmoud, de 5, viveram no Iraque e no campo de refugiados Ruweished, na Jordânia.

Eles fazem parte do grupo de 107 palestinos que fugiram do Iraque em guerra, viveram no deserto da Jordânia por quase cinco anos e, em setembro do ano passado, foram reassentados no Brasil. Parte do grupo foi para três cidades do Rio Grande do Sul, e 56 pessoas estão em Mogi, na região metropolitana de São Paulo.

O pai das crianças, Walid Sad Tamimi, dedica seus dias a escrever toda essa história. Sentado em frente ao seu computador, ele lê, em árabe, um trecho que escolheu para mostrar seu livro. Sua família tinha uma vida confortável em Bagdá. Mas foram obrigados a fugir para a Jordânia, depois de receber de milícias de oposição a Saddam Hussein uma carta ameaçadora: você tem que sair dessa área, desaparecer daqui. Nós sabemos que você é palestino, os mesmos palestinos que receberam de Saddam Hussein a ajuda do povo iraquiano.
Há nove meses no Brasil, o maior desafio das famílias palestinas é aprender o português e se integrar a ponto de deixar de receber a ajuda financeira mensal do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. São cerca de 200 reais por pessoa, mais o aluguel – valor que só receberão por dois anos.

As crianças, claro, têm menos dificuldade. Hussan desata a falar sobre as brincadeiras que mais gosta – pipa, pega-pega, esconde-esconde, videogame – num português quase perfeito, não fosse pelo som de “bê” que escapava no lugar do “pê” [já que em árabe não há esse som].

Eu diria até que as crianças já se adaptaram completamente. Mas os conflitos não vão deixar de existir nessa casa. Huda, esposa de Walid, é xiita. Ele, sunita. Entre os dois nunca houve problemas – eles negaram mesmo que houvesse esse conflito no Iraque, antes da invasão dos americanos. Mas Hussan diz que torce para o Corinthians, e diz com convicção. E seu irmão também não vacila: é palmeirense.

Em outro bairro de Mogi, uma senhora abre o portão com uma touca de crochê na cabeça. Oferece café árabe, mais espesso. Sorri bastante, mas disse em poucas palavras que ainda não fala português. Aliás, das palavras que disse, saiu mais francês do que português. Se tivéssemos ficado na mímica, eu não saberia muito sobre ela. Não imaginaria que aquela senhora, Doniah, que mostrou os cômodos da casa e os bordados que faz para vender, era libanesa – seu francês é fluente -, cientista política formada em Beirute e tradutora. Ela contou que a família de seu marido morava em Haifa, cidade onde hoje é Israel, e se tornou refugiada na guerra de 1948, junto com outros 800 mil palestinos.

Na sala, um quadro com um verso do Alcorão está pendurado acima da estante com a televisão; em uma das prateleiras, um porta-retrato mostra seu filho Ali, de 18 anos, vestido com o uniforme do Brazsat Futebol Clube, time da terceira divisão do Distrito Federal. O site do clube traz a mesma foto, com a legenda “primeiro árabe a atuar como jogador profissional no Brasil”. Doniah também fala dos outros dois filhos: um deles esta namorando com uma brasileira, e o outro é marceneiro e esculpe molduras de quadros e espelhos, como o que se vê no corredor de sua casa.

A maioria das famílias é muçulmana. Huda está feliz por poder ir à mesquita de Mogi. Diz que sua vizinha e amiga brasileira a acompanha, assim como ela também acaba freqüentando a igreja católica do bairro. “Esse povo têm o coração muito grande”, diz, depois de tentar traduzir uma palavra que significava “mais que vivo”, “mais que alegre”. Terminado o chá preto com hortelã que ela nos trouxe, nos despedimos. Ela ainda fez um convite para o almoço. A cordialidade não é só dos brasileiros – veio da Palestina, passou pelo Iraque, sobreviveu na Jordânia e veio parar em Mogi.

Fernanda Campagnucci é quase-jornalista, estagiária da CBN e já esteve tomando chá preto com hortelã pelo oriente médio. Escreve sobre essa e outras histórias do conflito israelo-palestino em seu trabalho de conclusão de curso.

Nesta quinta e sexta, a repórter Luciana Marinho apresentará duas reportagens que mostram a situação destes palestinos que deixaram sua terra para viver na região metropolitana de São Paulo.

Candidatos participam de game no CQC

O humorístico da TV Bandeirantes, comandado pelo Marcelo Tas, procurou os candidatos a prefeito de São Paulo e os convidou a participarem de um game. A idéia era que eles revelassem seu conhecimento sobre a capital paulista.

A nossa colega Rosângela Silva assistiu e sugeriu à reprodução de um trecho do material aqui no blog. Há quem tenha visto a reportagem e concluído que o quadro será mais útil do que a Lista da AMB para decidir em quem vai votar.

Contrários a filosofia não pensam em formar cidadãos

No debate sobre a inclusão das disciplinas de filosofia e sociologia no currículo da rede pública, o professor da Faculdade de Educação da USP Amaury César Moraes entende que a lei, aprovada recentemente, é importante na formação do cidadão. Para ele, os que criticam a medida pensam apenas em formar alunos para que este passem no vestibular.

Ouça a entrevista de Amaury César Moraes, professor da Faculdade de Educação da USP:

Leia mais abaixo a opinião da professora Rose Neubauer sobre o mesmo assunto.

As dicas da Ailin Aleixo aqui no blog

A jornalista Ailin Aleixo está de segunda à sexta no CBN SP apresentando o quadro “Época SP na CBN” no qual traz informações sobre a gastronomia e a cultura paulistana. A partir de hoje, você terá aqui no blog as dicas da Ailin que, nesta quarta-feira, fez as seguintes sugestões sobre carne à moda argentina:

Cabaña Del Asado

A casa fica num curioso complexo de lazer, a Vila do Jardineiro, que tenta reproduzir o clima country em pleno Butantã: além de vários restaurantes e lanchonetes enfileirados, como numa cidadezinha do interior, há lojinhas. No Cabana, a especialidade são os cortes argentinos na parrilla. Porções generosas de carne chegam a mesa no ponto pedido—embora o “ao ponto” do argentino seja mais sangrento que o brasileiro. Os acompanhamentos são pagos à parte: farofa de ovo, batata suflê, cebola assada… todos gostosos e bem servidos. Av. Eliseu de Almeida, 1077, Butantã

Pratos principais de R$ 29,90 a R$ 42,90

Ávila

Aqui, a parceria vinho e comida é levada a sério. O lugar também funciona como enoteca e a curtição é fazer a escolha da bebida direto das prateleiras, com orientação do sommelier.

Da grelha à moda Argentina saem cortes altos, como o bife de chorizo, o vacio e a tapa de quadril. Entre as sobremesas, há duas opções imperdíveis: a panqueca de doce de leite argentino (com uma deliciosa calda de laranja e açúcar queimado) e a limonada Ávila, uma taça de sorvete de limão batido com vodca e hortelã.

R. Bandeira Paulista, 520, Itaim

Pratos principais de R$ 36 a R$ 59

Sobremesas de R$ 10 a R$ 14

La frontera

O belíssimo salão arte decó foi inspirado nos antigos bares de Buenos Aires. Quem pede um ojo de bife tem não só a chance de escolher o peso do corte, de 200 ou 300 gramas, como ainda decide o acompanhamento: não dispense os nhoques quadradinhos de batata assados na grelha com creme de parmesão.

R. Coronel José Eusébio, 105, Consolação

Pratos principais: de R$ 22 a R$ 74″

Mais informações no site da Época São Paulo

Presidente da OAB/SP critica lista da AMB

O presidente da OAB de São Paulo Luis Flávio Borges D’Urso critica a forma como a Associação dos Magistrados Brasileiros divulgou a lista de processos respondidos pelos candidatos às prefeituras. Apesar de entender que as informações são públicas e um direito do cidadão, D’Urso fala que a AMB “ingenuamente” pode estar prestando um mau serviço.

Ouça e opinie sobre a entrevista do presidente da OAB/SP Luis Flávio Borges D’ Urso:

Lista da AMB: Candidatos não respondem no site

Nenhum dos candidatos a prefeito em São Paulo usou o espaço destinado a comentários destinado a eles pela Associação dos Magistrados Brasileiros que divulgou o que vem sendo chamado de “Lista Suja”. Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP) preferiram divulgar nota imprensa que reproduzo aqui no blog:

MARTA RESPONDE:

Os partidos da “Coligação Uma Nova Atitude para São Paulo” vêm a público manifestar seu mais profundo repúdio à decisão arbitrária, tendenciosa e leviana da Associação dos Magistrados Brasileiros de divulgar uma lista de candidatos que “respondem a ações penais de improbidade administrativa e eleitoral”, e que atinge, de forma injusta, a imagem de nossa candidata Marta Suplicy.
A lista, que transgride os preceitos mínimos da ética e do direito, faz referência a uma ação movida por oposicionistas contra a então prefeita, ainda sem julgamento em qualquer instância, e na qual Marta Suplicy já obteve uma liminar favorável do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Uma das regras sagradas do Direito é a de que ninguém pode ser considerado culpado antes de julgamento definitivo e de dispor de amplo direito de defesa. Surpreende que uma associação, cujos integrantes têm a responsabilidade de administrar a justiça, cometa um gesto que caracteriza pre-julgamento ou rito simbólico de execução sumária.
Vale ressaltar que a candidatura de Marta Suplicy teve seu registro aprovado pela Justiça Eleitoral, sem sofrer pedido de impugnação do Ministério Público ou dos seus adversários, o que demonstra que a candidata não tem nenhum tipo de problema com a justiça.
Não por acaso, minutos após a sua divulgação, a tal lista já recebia a contundente reprovação de um grande número de juristas e de membros da Justiça, entre eles o o presidente do Supremo Tribunal Federal.
A Coligação Uma Nova Atitude por São Paulo estuda as medidas judiciais que tomará contra os responsáveis pelos danos causados à imagem pública de nossa candidata e pede uma reflexão à sociedade sobre as motivações políticas deste gesto da AMB.”

MALUF RESPONDE:

“Paulo Maluf tem 41 anos de vida pública e foi o mais realizador prefeito dessa cidade e governador desse Estado. Se for novamente eleito vai colocar a cidade de São Paulo sem problemas, como sempre aconteceu. As acusações nesses processos não tem base legal, jurídica ou administrativa. O Estado de Direito seria melhor conduzido sem politização dos juizes. Juizes não devem se meter em política. Juiz só fala nos autos.”

Canto da Cátia: Fogo na avenida

O fogo era tão alto que chamou atenção da Pétria Chaves, no helicóptero da CBN. Chamou atenção, também, da Cátia Toffoletto que foi até a Avenida do Estado e constatou que o incêndio havia sido provocado pelo capim que é jogado na margem da avenida. O material, segundo a Cátia contou, é sempre despejado no local depois de ser usado para acondicionar as frutas entregues no Mercado Municipal. Desta vez, o fumaça além de poluir o ambiente ainda atrapalhou a visibilidade de motoristas que passam próximo do local.

Agora o outro lado

A Secretaria Municipal das Subprefeituras esclarece o uso do canteiro lateram da Avenida do Estado como depósito clandestino:

“Sobre comentário em relação ao entorno do Mercado Municipal, informamos que os transtornos na região são decorrentes do comércio clandestino de horti-frutis que ocorre nas madrugadas, ocasionando transtornos no trânsito e muita sujeira no local. Desde 2005 foram feitas diversas ações para coibir esta feira e a Prefeitura busca um local alternativo para que estes vendedores não realizem suas atividades em via pública.

A região fica completamente tomada por vendedores ilegais e caminhões de grande porte, o que gera cerca de 24 toneladas de lixo por dia, retirados das ruas diariamente pelas equipes de limpeza da Subprefeitura da Sé, que é formada, durante a manhã, por 60 homens, 5 caminhões, sendo 2 caminhões-carroceria, 2 pipas e um compactador; à tarde: por 24 homens, 3 caminhões, sendo 2 caminhões-carroceria, 1 compactador e, à noite, por 12 homens, 3 caminhões, sendo 2 caminhões-carroceria, 1 caminhão-pipa e um compactador.”

Dossiê HB: A Satiagraha das pantufas

As pantufas do Heródoto

Fotos exclusivas obtidas por este blog revelam detalhes sobre as pantufas do mestre HB. Depois de desvendarmos as notas fiscais que comprovavam a compra do calçado pós-cama, divulgarmos o retrato-falado das mesmas, em um esforço de reportagem “agarramos a verdade” sobre a Máfia das Pantufas.

Em momento de descontração, durante apresentação do Jornal da CBN, o professor esticou as canelas e uma câmera escondida foi capaz de registrar as cenas que estão a sua disposição no álbum de fotos do Blog do Milton no Flickr. Basta clicar na imagem acima.

Bicha, cola, file, line, fila é tudo igual, só muda a língua

Por Carlos Magno Gibrail

O ordenamento de pessoas por ordem de chegada, quer para esperar um exame de sangue, ou para pagar um serviço ou produto que nos dará prazer, sempre trará uma sensação de desconforto.

É um fato que conhecemos e, algumas vezes reagimos, mas e as empresas?

As companhias aéreas reconhecem, que o momento de maior “stress” dos passageiros, quer turistas ou trabalhadores, é o” check-in”. Entretanto não há progressos nesta área. Salvo casos esporádicos, como o da SINGAPORE AIRLINES, primeiro lugar no “Ranking Mundial das Marcas Sensoriais” e única empresa de aviação na lista.

A ToysR`Us , ícone dos brinquedos do varejo americano, coloca uma roda gigante dentro da loja, estimula as crianças a brincar, mas na hora do pagamento não o exime de esperar na fila do caixa.

A extinção das filas pode advir de percepção natural ou, pura matemática, através da “Teoria das Filas”.

Desde as padarias, casas lotéricas, pipocas nos cinemas, bancos, lojas de serviços públicos, até os gigantes do varejo, os consumidores são obrigados a perder tempo.

Nem sempre. Algumas empresas já introduziram pequenas modificações e ganharam substanciais melhorias de atendimento e custos.

Os recursos eletrônicos tem tido resposta crescente nos bancos e ingressos.

Na cobertura dos picos, quando previsíveis, há que flexibilizar os horários e quadro dos funcionários. As loterias e as pipocas nos cinemas têm muito a aprender.

No socorro de autos e no gás residencial apenas uma pessoa é motorista, vendedor, caixa e técnico.

A polivalência é e será um grande trunfo. O vendedor pode e deve ser o caixa onde prevalecer à atenção ao consumidor. Evita-se o corte do atendimento mantendo continua a experiência de compra para o cliente. Elimina-se definitivamente a possibilidade do consumidor ter alguém a sua frente na fila do caixa. E é, o que várias empresas como a CORI, RICHARDS, LA LAMPE, estão fazendo.

Entretanto, a maioria das empresas, por preconceito ou desconhecimento, ainda expõe o seu maior ativo – o cliente – à incômoda fila. E, algumas vezes, o obriga a despender mais tempo na fila do que na compra.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing, escreve toda quarta-feira aqui no blog, troca mensagens com os ouvintes-internautas todos os dias e há muito tempo já trocou as filas pelo computador.

Foto-ouvinte: Kit-preso é arremessado pelo muro

Seis telefones celulares e um “tijolo” de maconha foram arremessados sobre o muro de uma das prisões que costumamos enxergar quando passamos pela Rodovia Dutra, em Guarulhos. Foram os agentes penitenciários que encontraram o “kit-preso” e entregaram para a polícia. O material teria sido jogado por parentes de presos. Com a foto e o ato, esperam mudar um pouco a imagem que a população tem dos profissionais que atuam neste setor.