Na Cidade Limpa, o poder público pode sujar

A prefeitura pode. O comerciante não pode. O governo do Estado pode. O dono da padaria não pode. O governo Federal pode. O prestador de serviço nem pensar. É assim a Lei Cidade Limpa que não inclui os painéis indicativos de obras públicas como esta registrada pelo ouvinte-internauta Bernardo Berger, na avenida Senador Feijó, 128, em São Paulo.

No início houve a promessa de que as placas seriam adaptadas a legislação, mas a poluição visual continua sendo causada para atender a vaidade política de agentes públicos que precisam contar para todos que eles estão fazendo obras aqui ou acolá – como se não fosse uma obrigação investir o dinheiro nestas melhorias.

Sem dúvida, é importante que o cidadão saiba quem é responsável pela obra, de onde vem o dinheiro, quanto de dinheiro está sendo investido e os prazos previstos no contrato. Mas esta transparência não deixaria de ocorrer se as placas fossem mais comedida atendendo a Lei Cidade Limpa.

Canto da Cátia: Cidade Limpa, cortina suja

Foi em busca das faixas que sinalizam a área de restrição para circulação dos caminhões que a Cátia Toffoletto encontrou esta que oferece serviço para cortina e persianas, na Zona Leste. A que você vê gravada nas imagens feitas pelo celular dela está na rua Tuiuti com a Pitangui, no Tatuapé. Mas se andar pelo bairro, próximo da Marginal Tietê, a fiscalização da prefeitura poderá encontrar outras do mesmo comerciante que desrespeita a Lei Cidade Limpa. A multa é de R$ 10 mil por faixa. Pesada, desde que o punido pague.

Bicicletada faz festa sem praça


Imagem divulgada pelo pessoal da Bicicletada

Há seis anos, um grupo de ciclistas “tomou” um espaço sem-vida no fim da Avenida Paulista e o transformou em ponto de encontro. No meio das pistas por onde os carros cruzam, sobre o túnel que dá acesso a Rebouças, há alguns passos da Consolação e da Bela Cintra, a turma do pedal se reúne, na última sexta-feira de cada mês, para promover a Bicicletada.

Hoje, quando os primeiros ciclistas começarem a chegar, perto das seis da tarde, plena hora do rush, encontrarão o espaço de “cabeça para baixo” devido a obra de restauração da avenida. Os paraciclos que haviam ali foram arrancados. Outra surpresa desagradável: o grafite da artista Mona Caron, de São Francisco, de novembro de 97, foi raspado como se estivessem tentando limpar a “sujeira” no muro de cimento – não é o primeiro grafite que sofre este ataque na cidade. Não bastasse o fato de até agora a prefeitura não ter providenciado uma placa para identificar o espaço, apesar da lei assinada em outubro de 2007 ter oficializado o nome de batismo dado ao local pelos ciclistas.

O que torna mais desconfortável esta situação é que, nesta sexta-feira, o pessoal estará lá para comemorar os seis anos da Bicicletada, evento que chama atenção para a necessidade de se combater as políticas de privilégio dos automóveis que imperam na administração pública brasileira.

O ciclista André Pasqualini, um dos líderes do movimento, me informa sobre o diálogo que mantém, por e-mail, com o secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo. Ontem, o secretário propôs que o encontro dos ciclistas fosse transferido para a praça José Molina, próxima dali devido a reforma na avenida. Idéia que não foi aceita pelo que representa o espaço conquistado.

De boa notícia, a promessa de Matarazzo de que, finalmente, vai colocar a placa com o nome da praça e será feito reforço nas barras de proteção para quem passa pelo local.

Em uma das mensagens enviadas ao secretário, Pasqualini dá a dimensão da desigualdade que existe no tratamento de pedestres e ciclistas em relação aos motoristas: “Acho uma tremenda injustiça a distribuição de espaços que temos naquela região, calçadas estreitas para acomodar os milhões de pedestres que lá passam diariamente, e 8 faixas largas de rolamento para 90 mil carros”.

Agora o outro lado

A Secretaria Municipal das Subprefeituras responde:

“O espaço conhecido como Praça do Ciclista, assim como toda a Avenida Paulista, recebeu obras de revitalização, com troca do piso, implantação de acessibilidade e novo paisagismo. O nível do passeio teve de ser elevado para o melhor escoamento e drenagem das águas das chuvas. Por conta desta mudança, o muro de proteção ficou mais baixo, razão pela qual a Secretaria das Subprefeituras está providenciando a instalação de gradis de segurança. Os pára-ciclos removidos por conta das intervenções serão recolocados até a próxima semana. É importante ressaltar que as intervenções foram realizadas de forma a proporcionar conforto para todos os usuários que por ali passam, lembrando que o local, além de ter sido adotado pelos ciclistas, iniciativa que tem total apoio da Prefeitura, é também uma área pública de passagem com grande fluxo diário de pedestres.

Secretaria das Subprefeituras”

Avalanche Tricolor: Furacão tricolor


Perea arrasador como o “vento”

Figueirense 1 x 7 Grêmio

Brasileiro – Florianópolis

Mal havia começado a partida e o comentarista da SporTV dizia que havia um vento forte que varria o gramado do estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis. Soprava a favor do Grêmio. Fazia a bola chegar com maior rapidez ao gol do adversário. Permitia efeitos nas cobranças de escanteio. Facilitava o lançamento dos meias aos atacantes.

Bem se viu que o cronista entendia de esporte. Não de meteorologia. Patrícia Madeira, nossa colega de todas as manhãs, se sairia melhor e logo batizaria a tal ventania com seu verdadeiro nome: furacão. Um arrasador furacão que soprou apenas para um lado. O do Grêmio. Do lado que o Grêmio estivesse.

Que empurrou Perea na direção do gol uma, duas, três vezes. Que levou Reinaldo para dentro da goleira uma, duas, três vezes, também. Que permitiu Marcel pular com facilidade e desviar a bola para a rede nem que fosse uma só vez. Que tornou mais leve os pés de Tcheco e permitiu que ele passasse ou cruzasse com categoria. Que jogou por terra uma história de quase cinco anos sem vitória contra o Figueirense.

Que fez do Grêmio, o meu Grêmio do coração, líder do Campeonato Brasileiro de futebol. Com toda a modéstia, é lógico.

“É uma homenagem ao governador Serra”

Foi a desculpa usada pelo prefeito-candidato Gilberto Kassab (DEM) sobre o panfleto distribuído pela campanha dele ao lado da imagem do governador José Serra (PSDB). Kassab disse que não pediu autorização para o tucano, mas que “ele deve ter gostado”.

Não esqueça que, teoricamente, Serra teria de apoiar Geraldo Alckmin à prefeitura de São Paulo.

Aqui nasce um parque para o paulistano

Um imbróglio jurídico está chegando ao fim e a última área verde preservada da Consolação vai se transformar em parque. O local é este que você vê na imagem acima, onde funcionava o colégio francês Des Oiseaux, na Avenida Augusta, no número 400. Coincidência ou não, o nome da escola significa Parque das Aves.

Nesta quinta-feira, o secretário do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge declarou a área verde de utilidade pública e determinou a avaliação do imóvel. O parque levará o nome da famosa avenida que ilustrou música da Jovem Guarda, nos anos 60.

O local tem 24 mil metros quadrados e a comunidade, há algum tempo, se mobilliza para impedir que seja ocupado por mais prédios, comum naquela região. Outra ameaça era a instalação de um hipermercado que provocaria volume ainda maior de tráfego. Uma vitória da cidade, sem dúvida, que deve agradecer a Sociedade dos Amigos, Moradores, Comércio e Serviços de Cerqueira César (Sammorc), entidade que representa os moradores do entorno, e sempre esteve a frente das mobilizações populares.

Denunciada tortura em ex-Febem, em SP

Jovens com cortes na parte posterior da cabeça é um dos indícios de que tenham sido vítimas de tortura dentro da Unidade 21 do Complexo Franco da Rocha da Fundação CASA (Exx-Febem), em São Paulo, conforme denúncia das ongs Conectas Direitos Humanos e Instituto Pro Bono.

A advogada Eloísa Machado, da Conectas, esteve na unidade, conversou com adolescentes infratores e fala da situação que encontrou:


Agora o outro lado

A presidente da Fundação Casa Berenice Gianela considera levianas as denúncias de que tenha havido tortura em uma das unidades de Franco da Rocha:

Uma visita– merecida– à tradição



Por Ailim Aleixo
Editora da Revista Época SP

As dicas da Ailim que comanda o boletim “Época SP na CBN”, que vai ao ar de segunda a quinta, no CBN SP:

Marcel

Em funcionamento há 53 anos, a casa mantém as tradições que merecem ser mantidas– caso dos incríveis suflês, que sempre foram o carro chefe do lugar– e renova o que precisa ser renovado. A decoração, por exemplo. O salão, ganhou tons mais claros e um lindo jardim interno. Na cozinha, o sopro de juventude vem nas mãos do chef Rafael Durand Despirite, neto do fundador, Jean Durand. Ao lado dos sete tipos de suflês salgados (o de espinafre e gruyére é sensacional) e seis doces (incluindo cupuaçu), figuram pratos de base mais contemporânea:as coxinhas de rã com purê de feijão branco, por exemplo.

Rua da Consolação, 3555, Jardim paulistano

Pratos principais de R$ 29 a R$ 89

Di torino

A cantina que Raimundo Firmino, do rio grande do norte, comanda há 30 anos superam muitas casas genuinamente italianas. Ex- garçom do Gigetto, aprendeu tudo no antigo fasano, onde foi maître– e de onde levou o cozinheiro. As massas fabricadas pela Di Torino são um primor. Até o nhoque de abóbora, tão difícil de dar ponto, desmancha na boca. Não deixe de provar o delicioso tiramisú, ser vido em fatias.

R. Dr. Homem de Melo, 380, Perdizes

Pratos principais de R$ 25,80 a R$ 39,80

sobremesas de R$ 6,80 a R$ 10,80

Raful

Inaugurado há 40 anos, fica escondidinho nos fundos de uma antiga lanchonete na região da 25 de março. A cozinha e o serviço continuam primorosos. Vá fundo nas iguarias árabes: o rodízio custo R$ 38. Do cardápio, vale a pena provar a cafta, assada no ponto certo, que chega suculenta à mesa e vai muito bem com o arroz de lentilha coberto por cebolas crocantes.

R. comendador Abdo Schahin, 118, centro

Pratos principais de R$ 15 a R$ 17