Terminar o dia em paz

 

Abigail Costa

Um dos prazeres em ser jornalista é conhecer gente. Todo o dia tem uma pessoa nova. A semana toda ouvindo histórias de encher os olhos de otimismo, outras que são a cara da dor de tanta amargura.

– Oi, prazer, como vai?

– Eu? indo né filha, a vida você sabe…

Começou por aí já sei que é melhor nem esticar a conversa. Dispenso o cafezinho e vamos direto ao assunto. É o tempo de ligar o microfone, duas ou três perguntas e fui.

Se já sei que não vou gostar do enredo pra que aceitar a dança?

Estou em fase de seleção. Quem oferece otimismo pra esse lado. Pessimismo, senhor? Lá atrás da fila, por favor.

Sabe que tem funcionado. A volta pra casa é mais leve. Isso acaba atraindo outros na mesma sintonia.

Tive o prazer de conhecer pais, mães, irmãos dos Mamonas Assassinas. Treze anos depois do acidente áereo, os filhos deixaram saudade, claro! Tristeza não.

Em nenhum momento ouvi:

Por quê? Justo com eles?

A lembrança é amorosa e você se pega quase que “enrolando” para o assunto render mais.

De volta pra casa penso que eles apesar do sofrimento pela perda, não se alimentaram do problema, não ficaram doentes.

Bom demais terminar o dia em paz.

Aprendizado que satisfaz a alma da gente.


Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung quando está em paz.

Conversa de manicure

 

Por Abigail Costa

Estava na manicure. Falamos do dia em que São Paulo travou por conta da chuva. Do marido que teve de andar duas horas a pé de volta pra casa. De uma possível gravidez (dela).

A família continuou na “roda” da conversa, mas o rumo do casal já não era o mesmo.

Separação. É, cada um para um lado. Não dá mais. Tchau.

Enquanto lixava a unha, o assunto ia sendo desenrolado.

– É assim, sem mais nem menos. Cinco, 10 anos de casamento. Meu amor, querida, minha vida. Aí ele chegou em casa e disse que não dá mais.
– Sem mais nem menos? Não teve briga? Ela não torrava o cartão de crédito dele ?
– Nada. A coitada até economizava. No super, ia com a calculadora nas mãos. No jantar, tinha sempre uma receita do cozinheiro bonitão da tv. Vai ver o marido, ou ex, ficou enciumado!

A frase não serviu pra descontrair.
Mas de fato, o que houve ?

-Encontrou outra.
-Mais bonita?
-Não! Mais nova. Ai que medo!

Rapidamente desenhei a história. Filhos, jantar sempre quentinho, conversas sobre o trabalho, fins de semana em família.

Por que o cara desistiu de tudo ? Só porque o outra era nova ?

Esse passar da idade para a mulher é realmente preocupante, No caso de algumas, pra evitar as rugas decidem pelo fim. Pela morte antecipada.

Peraí. Calma! Nem lá, nem cá.

Pense comigo. Você vem aproveitando tudo o que os 20, os 30, os ‘enta’ te trazem de bom e nem tão bom assim.

A gente não fica eternamente no primário, não é?
A gente não fica eternamente jovem, concorda?
Já é difícil enfrentar tudo, agora só falta pensar que “ele” vai te trocar por uma mais nova.

A manicure pensou no que eu disse. Pra ficar mais fácil resolvi fechar a conversa com um tom de auto-ajuda.

-Se isso te acontecer, você ficou com a melhor parte.
-Como assim ?
-Você teve a juventude dele!

Ela fez uma cara de…. então tá.

Pelo sim, pelo não, marquei com a minha dermatologista, estou interessada em novos cremes!

Hã, sobre uma eventual dor de cabeça, indisposição noturna, você me entende….. Nunca tive!

E não sei por que a conversa ganhou um outro rumo.


Abigail Costa é jornalista, escreve no Blog do Mílton Jung às quintas-feiras, e motra em seus textos como é possível amadurecer sem deixar de ser jovem.

Carta a uma amiga

 

Por Abigail Costa

Hoje, sei que quando chegar ao trabalho não ouvirei aquela voz marcante gritando pelos corredores para mim: gataaaaaaa!!!! Sei que enquanto estiver driblando o trânsito e o calor, você estará longe dessa loucura. Aproveite esse tempo para ser mais feliz. Para ficar ainda mais bonita (se é que isso é possível).

Passe mais tempo na academia. Vá mais vezes à loja da sua amiga. E entenda, nem é pra comprar. Vá, admire os anéis, os colares. Tá bom, se gostar, compre, se dê de presente, mais um ou vários.

Passe um protetor solar e vá curtir o sol! Aproveite, sem a preocupação de borrar a maquiagem.
Por um tempo, livre-se das escovas e chapinhas diárias. Dê um sossego para os cabelos. Deixe sua pele respirar.

Longe da luz e do calor, preseve seu rimel, seu blush, seu batom. Eles não vão demorar pra encher sua necessaire outra vez.

Nesse tempo, apareça de surpresa no trabalho dele e ofereça um almoço.

Ele só tem 15 minutos? Que tal um suco?

O importante é ter você como companhia.

Não se preocupe, a gente vai se encontrar sempre. Se quiser, pode ser na minha casa neste fim de semana. Na próxima, num restaurante. Ou melhor, quero lhe ver hoje para desejar, pessoalmente, toda a sorte do mundo.

Beijos!

Abigail Costa é jornalista e às quintas-feiras está no Blog do Mílton Jung. Hoje, escreve especialmente para alguém que você não reconhece. Mas pode ser uma amiga sua ou, quem sabe, você mesma.

Um sonho realizado

Por Abigail Costa
De Roma

Conheci Eros Ramazzzotti no começo de 2.000. Quem fez o meio de campo foi minha irmã. Passávamos férias em família e ela me presenteou com um CD do Eros. Ouvi as músicas várias vezes. Me encantei com aquela voz anasalada e romântica.

Comecei a me interessar pelas palavras. As letras das músicas dele tem palavras mais modernas, incluíam gírias, dialetos italianos. Fui parar numa scuola italiana.

Já na primeira aula fiquei encantada. Na hora de me apresentar, dizer por que o interesse pela língua, falei tudo em italiano – engraçado como pegava uma palavra de uma letra daqui outra dali, e falei … O resultado foi surpreendente para mim, ninguém acreditava que estava tendo a minha primeira aula. Falaram que o meu acento italiano tem um “Q” de romano.

Romano ? Eros Ramazzotti nasceu em Roma, sei disso, já tinha lido na autobiografia “Eros Lo Giuro” (Armando Mondadori Editore). Aliás, pobre de escrita e conteúdo. Ma vá bene, nessuno é perfetto !

Se lançava um CD, corria a comprar. Numa dessas viagens a Roma, fiz a limpa na seção da letra E. Achei CDs, DVDs antigos, e me coloquei a ouvir.

Qualquer pessoa que entrasse no meu carro, logo eu perguntava:

– Conhece Eros ?

A maioria, não !

– Quer ouvir ?

Nem sempre o interesse era o mesmo que eu tinha e tenho. Tudo bem, pensava, também não gosto do Sting !

Em casa compramos dois cachorros para as crianças. O labrador cor de mel tem pinta de Deus Grego, então cabe à ele o nome EROS. Para o menorzinho, o shitsu com pelo achocolatado, sobrou RAMAZZOTTI, com direito a apelido: Rama!

Pois bem, cachorro em casa, DVDs em casa, CDs por todo canto, faltava o show. Não que Eros – o cantor – não tivesse aparecido por aqui. Deve ter vindo umas três vezes depois que fiquei sabendo da existência dele. A verdade é: nem fiquei sabendo da apresentação, em São Paulo!

Que espécie de fã você é ? – perguntavam os outros. Até que … de novo minha irmã me alertou: – O cara vai cantar aqui em Roma!

Convite feito, convite aceito. Foi uma das melhores experiências da minha vida. Não era só pelo lugar. Não era só pela voz ou pela música. Não era só porque Eros Ramazzotti estava ali. Claro que vê-lo há poucos metros foi demais !

Era por mim. Por um sonho. Um sonho sonhado de olhos abertos, na plateia do Palalottomatica di Roma.

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung sobre seus desejos e sentimentos.

Dedicação total a você !

 

Por Abigail Costa

Sem meias voltas para dizer a mim mesma: “Eu sou a pessoa mais importante na vida”. Sei que minha mãe me ama, meu marido, meus filhos, minhas irmãs…. meus poucos amigos. Mas eu me amo mais.

Me gosto a ponto de me proteger para não sofrer.

Compro um vestido novo pra me sentir bem diante do espelho antes de arrancar elogios dos outros. Me perfumo a ponto de sentir meu próprio frescor e saber que quando os outros perceberem … eu fui a primeira!

Leio o que vai me deixar feliz! Compro a revista, folheio as páginas e paro naquela que vai me encher os olhos.

Cremes, lançamento de coleções. Nem vou comprar! Mas me delicío.

Conhecimento que me faz bem.

Outro dia numa revista, vi uma joia, ma-ra-vi-lho-sa, italiana, ca-rís-si-ma. LINDA de viver. Pensei num jeito de ter uma. Não aquela. Não uma parecida. Queria uma igual. Comentei com um amigo, joalheiro. Expliquei a foto, a cor, a corrente. Queria tudo da mesma forma.

-É possível?
-Claro que sim, faço pra você.
-Espera, quero tudo igual, menos o preço que vi!

O colar ficou divino no meu pescoço. Liguei pra ele. Tinha que agradecer.

-Tô ligando pra dizer que você foi responsável pra que eu me sinta mais bonita!
-Que ótimo. Essa é a primeira ligação desse tipo que recebo. Obrigado.

Ele feliz pelo reconhecimento do trabalho realizado.
Eu feliz, por ter conseguido realizar mais um sonho para me agradar.

Trabalho para isso. Para pequenos … ok, não dá pra enganar … também, para grandes mimos.

Sabe por quê?
Eu mereço, e não fico esperando que eles venham em datas especiais.

Não vou negar, às vezes exagero! Gosto tanto tanto de mim que….

Foi numa conversa nesse rumo que encontrei uma companheira de trabalho. Ela o oposto de mim.

-Isso é novo?
-É ! – respondi meio sem-graça, sei o jeito dela.
-Você não precisa de tudo isso!
-E você, precisa de quantos imóveis?

Para relaxar o clima e terminar a conversa, disse:

-Sabe qual será a diferença entre nós, nas escritas de nossa lápide?
-Credo! Claro que não!
-Na sua estará assim: “Essa moça ,apesar de precisar de apenas uma moradia para viver, teve a necessidade de comprar e manter oito apartamentos em vida”.

– E na sua ?

“Aqui jaz o corpo de uma mulher que não soube economizar para viver e ser feliz !”

Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung sempre afim de mostrar que sabe viver e ser feliz.

Amigos e o prazo de validade

 

Por Abigail Costa

Confesso já tive mais amigos do que tenho hoje, muito mais. A conta de dimiuição nesse caso tem um por quê. Lá atrás, com menos idade, mais paciência, menos desconfiada e mais aberta, conhecia, gostava, era amigo.

Em alguns casos, até era de verdade; na grande maioria amizade de passagem.
Isso, amigo com prazo de validade.

Considere até laços por conveniência. Entra na faculdade. Com sorte pra sair dela serão quatro, seis ou mais anos. Nesse tempo, encontrando a mesma turma, nos mesmos horários, vidas mais ou menos parecidas, conversas, confidências e AMIZADE.

Diploma, festa, os encontros diários são reduzidos, as ligações do tipo: hã acabei de me lembrar que…. Tô ligando pra dizer que acabei de ver o….

Rotinas diferentes podem até interferir quando essa amizade tem prazo de validade e, sem se dar conta, não tivemos tempo de ler o rótulo.

Alguém já teve um amigo, amigão no trabalho.

– Oi! vou me atrasar! você pode abrir o computador, estou precisando de uma informação, está na pasta pessoal. A senha é….

– Calma que eu já estou abrindo….

A senha foi passada sem desconfiança, não é preciso pedir sigilo. É amigo.
Você sai da empresa, ele fica. No meio do caminho vão ficando as sobras, as lembranças e um dia, nada.

O nada vem não pela falta do “cultivar aquilo que és responsável”. O fim do relacionamento chega por conta do prazo de validade.

Impossível escrever e não se lembrar de nomes. Um é da turma da igreja. No colégio pelo menos mais um. Minha primeira viagem ao nordeste foi a convite de uma amiga da faculdade. A Cleide, a Izilda, a Sandra….. nos despedimos um dia e ninguém se preocupou em trocar os telefones.

Uns saem, outros entram na nossa vida. Às vezes saem mais do que chegam….
Ultimamente tenho motivos para comemorar. Tenho amigos. Poucos, mas dos bons. E confesso, tenho usado meios para conservá-los !

Espero que com prazo LONGO de validade.

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung sem prazo de validade.

Mudança

 

Por Abigail Costa

Estou com essa palavra na cabeça não é de hoje. Mudança.

Acordo pensando em mudar. Trocar de lugar, de cor, de assunto, de conceitos, de opiniões.

Aí, parece aquela coisa quando você decide trocar de carro. De repente ele aparece sempre na sua frente, ao seu lado, estacionado… Ali, da mesma cor, modelo. E você tem a impressão que as ruas estão tomadas do que te encanta.

Tem acontecido com a palavra mudança. Músicas, conversas com amigos e, principalmente, quando é um desejo seu.

Ninguém escreve ou determina: a partir de amanhã serei outra pessoa, vou caminhar pela esquerda e não pela direita. Com fulano vou me comportar assim ou assado. Tá, pode até ser por uns dias. Só que nesse caso o interessante é ir devagar, ao que realmente interessa.

O poema já diz, não interessa a velocidade da mudança e sim onde você quer chegar.

Buscamos… sim no plural, por mais organizado, amado, pós-graduado ou curso fundamental incompleto, buscamos a mudança para se alcançar o equilíbrio. Difícil, às vezes pesado, mas é desse jeito mesmo. Um passo de cada vez.

Custamos a executar a lição de casa. Elas (as pessoas) não mudam por nossa causa, nós é que temos que mudar … não por elas, mas por nós mesmos.

Qual a graça disso? Tenho no mínimo algumas centenas de motivos – Calma! Vou te poupar dessa leitura -, digo apenas um “qualidade de vida”.

Já que conheço a resposta, já que sei que não vou me agradar, eu mudo. Pulo a pergunta. Não deixo de questionar, só não quero a mesma postura.

Não sofremos.

Um amadurecimento gostoso. Uma mudança necessária.

Tudo tem que começar aos poucos sem querer mostrar para o outro que “tá vendo, agora é do meu jeito. Não é isso, falo de uma mudança pra melhor.

Na vida isso acontece naturalmente.

Não é do dia pra noite que acordamos cheios de rugas, pele flácida! Tá louco? Já imaginou a situaçao diante do espelho? Aos poucos. É assim que ando mudando.

Se é bom? Outro dia, numa visita rápida ouvi um baita elogio de uma das pessoas mais importantes da minha vida. Não encontrava a mamãe há pelo menos quatro meses. Hoje, ela mora longe de mim.

Numa frase dita pela minha irmã, ganhei três estrelinhas num boletim que não tiro da bolsa.

– A mamãe falou que você está tão mudada! Até parece outra pessoa.

Então estou no caminho certo, minha irmã.

Em tempo: estou aqui ouvindo bombas e alguns gritos. Um deles, meu velho conhecido: meu marido feliz com um gol do time dele…. Tá aí, algumas coisas não se pode mudar.

Abigail Costa é jornalista e às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung sempre propondo mudanças para você, para mim, para ela e para todos que acreditam ser possível mudar para melhor.

De volta

 

Por Abigail Costa

Agora é quase fim de semana. Não tenho do que reclamar.

Trabalho concluído e…. mesa de um boteco. Situação com a qual, quem me conhece sabe, não sou muito chegada, mas estou de mudança. Gostando do que ontem nem ousaria em pensar.

Pois bem, aperitivos e cerveja. Cerveja? Mas não engorda? Entre um gole e outro, engulo o que tanto disse a respeito desta bebida.

Ao meu lado um colega de trabalho. Um cara de 20 e poucos anos, com cabeça de gente grande. Bom de papo, ótimo profissional e a quem, daqui a pouco, terei o prazer de chamar de amigo. Na minha frente meu camarada (é assim que ele me chama). Naná foi uma grande surpresa na minha vida que chegou quando eu tinha só 22 anos e aprendendo a conhecer o jornalismo. Fomos apresentados, trabalhamos juntos, viajamos e enquanto ele ficou na empresa, eu decidi por outra.

Vinte e poucos anos depois, trocamos juntos de empresa. Ele lá e eu do outro lado, acabamos nos reencontrando. Naná mais velho, como eu. Ele absolutamente terra, eu, a eterna Alice no País das Maravilhas.

Novas surpresas, novos descobrimentos. Ele, não mais assistente, agora um baita repórter cinematográfico. Eu, repórter desde de sempre.

Dentre os 20 e poucos profissionais da “firma”, ele é o meu preferido. Não pense você que é só porque ele acerta o foco. Ele é diferente. Diferente no jeito de ser, diferente na maneira de pensar. Diferente porque ele é amigo. Daqueles que entendem o universo femino, desde a TPM, até escolher a camiseta pisicodélica para o meu filho usar numa feira da escola.

Estamos quase para encerrar o expediente, e Naná me pergunta:

– Onde estão os seus textos?
– Dei um tempo….
– Eu procurei por eles….

Decidi retomá-los….

Assim, pra dizer que coisa boa é ter alguém pra chamar de meu. MEU AMIGO. Daqueles de amor declarado. Porque ele é terra, mas tem sentimento.

Abigail Costa é jornalista e volta a escrever às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

Inferno astral

 

Por Abigail Costa

Meu amigo desfrutava as últimas horas do fumódromo permitido dentro da empresa. Entre uma tragada e outra uma conversa entre virginianos. Como estamos próximos de completar mais um ano de vida, tudo o que não vem dando muito certo é culpa do inferno astral.

– Relaxa! Deixa pra resolver depois. São esses dias!

– Calma! Esse tipo de preocupação vai passar assim que chegar o dia do seu aniversário.

– Sério? Isso existe? De verdade?

Sabe que em determinados momentos é até bom acreditar em horóscopo, meditar nas palavras escritas no adesivo do pára-brisa do carro na sua frente.

“Deus deu a vida para cada um cuidar da sua”.

Essa li outro dia e costumo repetir a frase em tom de brincadeira.

Já pensou se a gente pudesse entregar a nossa vida nas mãos de alguém que durante um tempo zelasse por ela com paciência, amor, carinho, e nos devolvesse com juros, cotação lá nas alturas? Assim como um investidor cuida do nosso dinheiro, vez ou outra? Ações, euro, dólar, imóveis. Não quero nem pensar, faça o melhor por mim.

Acontece isso quando o mundo parece despencar na nossa cabeça. Vem de lá, de cá. Aparecem problemas até no pé da mesa!

Jesus apaga a luz ! Quando acender de novo tudo estará resolvido.

Enquanto ninguém toca na tomada, vou acreditando neste tal Inferno Astral, um jeito malandro que meu amigo me ensinou de ganhar tempo pra pensar melhor. No balanço das contas a gente percebe que alguns problemas não são assim tão urgentes.

Eles aparecem pra testar a nossa fé.

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung sem nunca perder a fé