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Até o início desta sexta-feira, nenhum candidato havia se cadastrado no site Ficha Limpa, no ar desde ontem. Mas, por enquanto, sem desespero ou pré-julgamento. Não significa que nenhum esteja interessado em se comprometer com a causa. Justifica-se a ausência, neste momento, pela necessidade deles terem de levantar uma série de documentos e encaminhá-los para avaliação.
Por e-mail, fui questionado por uma candidata ao cargo de deputado estadual, interessada em se cadastrar no Ficha Limpa. Ela não havia encontrado o caminho para enviar a documentação e ter seu nome listado no site. “Não teremos este direito”, me perguntou.
Fui consultar os organizadores que me explicaram que, neste ano, apenas os cargos nacionais estão disponíveis, devido a questões técnicas. Se estendessem o programa aos candidatos a deputado estadual haveria uma demanda que superaria a capacidade de armazenamento do serviço. A intenção é que isto se amplie já com a inclusão de prefeitos, em 2012, e para todos os cargos, em 2014.
Isto não quer dizer que o candidato à Assembleia Legislativa não tenha de ser Ficha Limpa, muito menos que não deva se comprometer com as ideias que movem o serviço desenvolvido pela Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade (ABRACCI) e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) .
Um dos compromissos é o de realizar a prestação de contas da campanha eleitoral, informando semanalmente a origem dos recursos obtidos e os gastos efetivados. Para tal, basta o candidato abrir um blog ou um site e tornar estas informações públicas.
Na eleição à prefeitura de São Paulo, em 2008, durante a série de entrevistas que realizei no CBN SP, todos os candidatos foram convidados a fazer a prestação de contas da campanha antes mesmo do prazo determinado pela lei eleitoral. Muitos alegaram que não iriam fazer a divulgação para não criar constrangimento às empresas e pessoas que financiavam a campanha. Ou seja preferiam manter compromisso com o doador do que com o eleitor.
Apenas Soninha Francine (PPS) e Ivan Valente (PSOL) aceitaram declarar antecipadamente quem havia feito doações a candidatura deles.
Sobre a importância de se ter acessos a estas informações, conversei nesta semana com Fabiano Angélico, da Transparência Brasil. A ONG mantém o site Excelências, onde é possível encontrar uma quantidade enorme de dados sobre os atuais parlamentares, muitos dos quais candidatos à reeleição. Cruzar informações sobre projetos de lei que apresentaram ou propostas que defendem com o nome dos grupos econômicos interessados na candidatura do político pode ajudar a traçar um perfil mais apurado dele.
Ouça aqui a entrevista com Fabiano Angélico, da Transparência Brasil.




