Cobradores devem voltar aos ônibus de Santo André

 

Após recesso, vereadores da cidade do ABC Paulista discutem o retorno da função dos cobradores de ônibus. Há proposta, inclusive, para extinguir os micro-ônibus

Curuçá, micro-ônibus em Santo André

Por Adamo Bazani

A pauta da Câmara de Vereadores de Santo André está lotada. Além de o Orçamento Municipal, a polêmica questão do Código de Ética e Decoro Parlamentar Municipal que se arrasta há mais de 12 anos promete muitas discussões. Mas os vereadores também têm outros assuntos considerados delicados para discussão. A maior parte deve ser debatida após as eleições de outubro.

Entre os temas em destaque está a volta dos cobradores nos ônibus do sistema municipal. Um dos vereadores a encabeçar a proposta é José Montoro Filho, o Montorinho, do PT. Segundo o parlamentar, a ausência dos cobradores acarreta vários problemas. O primeiro é a falta de segurança no trânsito. Para receber o dinheiro das passagens, fazer troco e liberar a catraca, os motoristas, segundo ele, correm o risco de se distrair e se envolver em acidentes. Isso porque, após fechar as portas, para evitar congestionamentos e driblar a impaciência até mesmo de colegas de trabalho parados no ponto logo atrás, o motorista já tem de colocar o ônibus em funcionamento, mesmo ainda cobrando as passagens dos usuários que acabaram de embarcar.

Outro aspecto é em relação à qualidade de vida e de trabalho dos funcionários. Numa reunião entre os vereadores e o Sindicato dos Rodoviários do ABC Paulista, na Câmara, a entidade representativa dos trabalhadores afirmou que aumentou o número de afastamentos por conta de estresse e depressão (leia mais sobre o assunto aqui). “O motorista se sente muito pressionado, é muita responsabilidade para ele” – afirmou Montorinho.

O Sindicato afirma que o acúmulo de funções é ilegal e fere dispositivos constitucionais.

A preferência dos usuários pela figura do cobrador nos ônibus também foi discutida. Segundo os debates, os passageiros se sentem mais seguros com a presença do profissional no ônibus, que acaba não servindo apenas para receber dinheiro e dar troco, mas torna-se um auxiliar do motorista, informando os passageiros, identificando itinerários para condutores novos e controlando a entrada e saída de usuários.

Atualmente, na cidade de Santo André não possuem cobradores apenas os micro-ônibus e os midis (micrões) que juntos, representam cerca da metade do sistema municipal que conta com quase 300 ônibus. Há empresas que sequer possuem uma única linha com cobradores.

Montorinho pede a presença destes profissionais até nos micro-ônibus.

Já o vereador Antônio Leite, também do PT, foi mais enfático. Ele quer a retirada dos micro-ônibus da cidade. Afirma que os veículos são inseguros e impróprios para horários com lotação maior, tirando todo o conforto e impedindo a locomoção fácil dos passageiros dentro dos veículos.

Em entrevista ao Jornal ABCD Maior, o presidente da AETC-ABC – Associação das Empresas de Transportes Coletivos do ABC, Baltazar José de Souza, afirmou que se fossem retirados os micros e colocados os cobradores, os custos do sistema aumentariam e seriam necessários reajustes no valor das passagens. Além disso, enfatiza a dificuldade de operação de ônibus grandes em alguns locais. Baltazar diz que a população gosta dos micrões – veículos um pouco menores que os convencionais, mas que não possuem cobradores.

A persistirem em suas posições, os vereadores aprovarão o retorno dos cobradores:

Vereadores favoráveis a obrigatoriedade dos cobradores 

-

Montorinho (PT), Tiago Nogueira (PT), Antônio Leite (PT), Cláudio Malatesta (PT), Jairo Bafile (PT), Jurandir Gallo (PT), Pinheirinho (PT), Alemão do Cruzado (PSL), Marcos Cortez (PSDB), Donizeti Pereira (PV), Gilberto do Primavera (PTB), Isqueiro (DEM), Ailton Lima (PDT), José Ricardo (PSB), Sargento Juliano (PMDB)

Vereador contrário a obrigatoriedade dos cobradores –
José de Araújo (PMDB)

Vereadores indecisos –
Paulinho Serra (PSDB), Bahia (DEM), Israel Zekcer (PTB), Marcelo Chehade (PSDB)

Adamo Bazani é jornalista da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung

5 comentários sobre “Cobradores devem voltar aos ônibus de Santo André

  1. Ônibus sem cobrador é super exploração do motorista.
    Micro ônibus é super apertamento de passageiros (é insuportável).
    As empresas de ônibus prestam um péssimo serviço, parabéns ao legislativo de Santo André que está defendendo o interesse da população e não de grandes empresários descomprometidos com a qualidade da prestação de serviço.

  2. Acho mais que justo o reotrno dos cobradores conforme artigo acima.
    O motorista ja tem que passar por grande stress durante a sua atividade.
    E para somar ao stress tem que somar a função de cobrador.
    Se por acaso ocorrer alguma falha na cobrança de passagem, a resposabilidade sera do motorista
    Os empresários de onibus choram de barriga cheia e só pensam neles, em seus lucros
    Gostaria de saber se um empresario de alguma empresa que aboliu o cobrador se por acaso ja experimentou dirigir um onibus carregado e ainda ter que fazer o trabalho de cobrador.

  3. Tirar o cobrador, e atribuir esta função ao motorista é um absurdo! Ônibus sem cobrador, só dá certo com bilhetagem eletrônica, como no caso do corredor metropolitano do ABD…

    Parabens pela matéria Adamo

    Abraços

    Renato Lobo
    twitter.com/viatrolebus

  4. Com a “mentalidade” sindical é melhor abolir os motoristas também.
    Seria interessante os ônibus sem condutor, visto que a eletrônica na maiorias das vezes não faz greve. É lógico que o que eu estou falando é um absurdo, mas a revolta frente às greves por motivos políticos me deixam revoltado.
    Bilhetes eletrônicos já….

  5. O Código de Trânsito proíbe expressamente que motoristas falem ao celular ou dirigam sem uma das mãos ao volante. Quem, em sã consciência, acha admissível que um motorista transportando dezenas de passageiros durante várias horas tenha que cuidar da cobrança de passagens? É um atentado à segurança pública!
    Quanto a retirar os microônibus, discordo. Linhas com pouco movimento podem muito bem ser servidas por eles, com economia de combustível, espaço e oxigênio. Só não devem ser usados em linhas com grande demanda, como ocorre em Sampa, e os assentos devem ter espaço decente.
    Abraços,
    Grilo D

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