Avalanche Tricolor: a velha imagem na minha TV do quarto

Ponte Preta 0x0 Grêmio

Brasileiro – Moisés Lucarelli, Campinas/SP

O quarto que escolhi para assistir à estreia do Grêmio na série B era o mesmo da final de 2005. Está bem mais mobiliado e decorado, com espaços distribuídos para o vestir e o dormir, móveis bem acabados e feitos à medida. Antes era um vazio com uma cama de casal em uma ponta, um armário de roupa que quase não era capaz de acolher todas as vestes e, do outro lado, uma bancada simples de duas portas para sustentar a televisão de tubo — a que está pendurada na parede, atualmente, não traz as mais modernas funcionalidades nem apresenta-se com imagem de mega, ultra, super-qualidade, mas dá para o gasto.

Confesso que não fui parar no quarto por escolha própria. Foi a dinâmica da casa, no sábado à tarde, que  me fez deixar a sala onde costumo torcer pelo Grêmio — lá onde mantenho a cadeira do Olímpico  e as camisas de meus ídolos, que já foram assunto recente desta Avalanche. Porém, quando percebi que o espaço que ocupava era o mesmo em que assisti à “Batalha dos Aflitos”, entendi que poderia haver ali um sinal positivo, afinal, mesmo que por linhas tortas —- tivemos de contar com a incompetência do adversário, a destreza de Galatto e uma sorte inacreditável —, naquele ano nos tornamos campeões da Série B e fizemos história com um resultado aparentemente impossível, diante das circunstâncias.

Claro que os tempos são outros. O Grêmio mudou. Nós todos mudamos. Sou 17 anos mais maduro —- não que isso faça diferença quando eu esteja com o modo torcedor ativado. E os meninos, que acolheram o pai que chorava com o título de 2005, têm hoje vida própria. Dos dois, o mais velho foi quem se manteve ao meu lado nas partidas do Grêmio. Esteve comigo nesse sábado. E ficou bastante incomodado com o comentário que fiz pouco antes da cobrança de pênalti por Lucas Silva. Não que ele seja superticioso, mas parece ser adepto da máxima “no creo en brujas pero que las hay las hay”. Falei em voz alta: esse pênalti vai dizer muito do que será a Série B para o Grêmio, em 2022.

Minha sensação era que a chance de marcar um gol na metade do primeiro tempo, em partida que tínhamos superioridade técnica e contra uma equipe ainda abalada pelo rebaixamento no campeonato estadual, daria uma enorme tranquilidade na estreia do campeonato e começaríamos na ponta da tabela, mesmo jogando fora de casa. Ao mesmo tempo que desperdiçar aquela oportunidade seria a demonstração de que o destino está disposto a nos proporcionar mais uma saga forjada por sofrimento e dor. 

O que aconteceu na cobrança, o caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, já deve saber a essa altura do campeonato — se não, basta olhar o placar no alto deste texto. Por sua vez, se minha premonição se confirmará, somente as próximas rodadas dirão. Por via das dúvidas, sexta-feira que vem já me programei: estarei na Arena para torcer pelo Grêmio. Quem sabe a imagem que verei, ao vivo, seja melhor do que a que passou na tela da minha velha televisão do quarto. 

Avalanche Tricolor: redivivo e pentacampeão!

Grêmio 2×1 Ypiranga

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Festa gremista em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Puxei a cadeira azul claro, de ferro, relíquia original do saudoso Olímpico, pra frente da TV, pouco antes de a decisão dessa tarde de sábado se iniciar. Foi a maneira que encontrei de reviver as finais que me levavam ao estádio da Azenha, geralmente ao lado do pai. Hoje, substituo aquela companhia incrível com quem confidenciava minhas preocupações e ansiedades com a performance de nosso time pela dos filhos, especialmente a do mais velho, o Gregório. E talvez pela presença deles — e dele —, tenho, também, muito mais pudor em revelar meu sentimento e entusiasmo, por juvenil que costumam parecer.

Não foram apenas o estádio e o meu decoro que mudaram. Naqueles tempos de Olímpico, às decisões eram reservadas o domingo, dia santo, sagrado e de festa para algumas culturas e religiões. Dia de futebol para todos os brasileiros — hoje não mais. As finais eram um privilégio dos dois grandes de Porto Alegre, com as exceções de praxe. Atualmente, os times do interior se mostram presentes e tem beliscado a taça com muito mais frequência. Haja vista que os cinco títulos seguidos conquistados pelo Grêmio foram disputados contra quatro times diferentes.

Tudo é muito diferente se comparar com o que vivenciei no passado, quando levantar o troféu de campeão Gaúcho era a maior das vitórias almejadas. Desde lá, sonhamos mais alto, ganhamos o Brasil, estendemos nossas fronteiras ao continente e alcançamos o topo do Mundo.

Nessas reviravoltas da vida da bola, cá estávamos nós, mais um vez, depositando todas nossas fichas nessa competição — e assistir à decisão sentado em um cadeira do Olímpico, mesmo que em frente a televisão, fez do sábado um “domingo de final”.

Redivivos no gramado estavam Everaldo, Babá, Alcindo e Joãozinho. Havia Anchieta, Tarcísio, Iura e Loivo. Não faltaram Bonamigo, Cristovão, Cuca e Valdo. Nem Danrlei, Adilson, Paulo Nunes e Jardel. Todos craques que de alguma maneira ficaram na minha memória. E na história do Grêmio.

Redivivo na cadeira do Olímpico estava eu, o guri que forjou sua personalidade nas dependências do velho estádio, apreciando o sabor de uma conquista estadual.

Redivivo, na Arena, neste sábado, estava Roger que entrou para o seleto grupo de gremistas que conquistaram o título gaúcho como jogador e técnico, completando um ciclo que havia sido interrompido em 2016 quando desperdiçou o direito de ser campeão no comando do time com uma derrota na semifinal.

Redivivo estava o Grêmio, de Geromel, que, após o revés de 2021 e os tropeços no início de 2022, volta a ser campeão. Penta Campeão!

Avalanche Tricolor: marca alto, marca forte e marca gol!

Ypiranga 0x1 Grêmio

Gaúcho — Colosso da Lagoa, Erechim/RS

Lucas Silva comemora o gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

Parafraseando locutores de futebol de televisão que descrevem o momento em que a torcida está mais empolgada com um “canta alto e canta forte” —- acho que o autor do jargão é o Luiz Carlos Júnior, da SporTV —. o time do Grêmio, montado por Roger, “marca forte e marca alto”. É isso que faz toda a diferença no sistema defensivo, e jamais retranqueiro, que o treinador conseguiu montar em pouco mais de um mês de trabalho.

O adversário ter mais de 60% de bola em todo o jogo, significa muito pouco para Roger. Ele sabe que sua equipe está posicionada para dar o bote lá na frente, e com poucos toques e velocidade chegar com perigo, como aconteceu em todo o primeiro tempo da partida de sábado à tarde, pela semifinal do Gaúcho.

Caso a bola não seja roubada ainda antes de passar o meio de campo, o time recua fechando os espaços de tal maneira que ao adversário cabe a troca de passes entre os seus defensores na esperança de que aparecerá alguém livre na intermediária para dar sequência à jogada. Mesmo quando esse movimento tem sucesso, ainda será necessário superar a última linha da nossa defesa que se antecipa bem, dobra marcação e, em último caso, ainda tem Geromel para resolver. 

O lance que culminou no malabarismo estético em cima de Diogo Barbosa, ainda no primeiro tempo, ilustra bem o que digo —- por mais lindo que tenha sido, assim que o drible se completou já havia Villasanti na cobertura para impedir a sequência e o perigo ao nosso gol.

É isso que surpreende os analistas de futebol e os críticos (não os da crônica esportiva, mas esses que tem prazer em falar mal do próprio time em rede social). É difícil de entender como a equipe tem tão pouco a bola nos pés e chuta tanto a gol, como no primeiro tempo, em que por duas vezes o poste ou o travessão foram seu destino.

Quando o esquema parecia perder força —  e estava —-, Roger fez mudanças que deixaram a turma eriçada e cheia de argumentos para provar o acerto das críticas que fazem ao time, ao técnico, a diretoria, a Arena e ao raio que os parta. Tirou Campaz e Elias, dois dos melhores em campo, para colocar Janderson e Gabriel Silva. “Que absurdo!”.

Roger estava apenas recompondo seu esquema, porque os dois por melhores que tenham sido, tiveram desgaste físico acima do normal que os impedia de fechar os espaço quando necessário — espaço que se traduzia em ameaça ao nosso gol. Mais adiante, ainda entraram Churín e Vini Paulista em lugar de Diego Souza e Bitello — outro gigante no meio de campo.  “Tá louco!”.

Por curioso e não por coincidência, assim que fez a primeira mudança, o Grêmio voltou à partida, roubou a bola, saiu no contra-ataque com Janderson pela direita, que cruzou em direção ao gol para a chegada de Gabriel Silva, que por pouco não abriu o placar. Da mesma forma, diminuiu o risco lá atrás, onde ao adversário cabia apenas arriscar de fora da área.

O gol aos 43 minutos, começa com Janderson na intermediária, que abre para Lucas Silva, que se desloca por trás dos marcadores para receber na ponta direita. De primeira e para o centro da área, nosso volante —- escolhido o Homem do Jogo — cruza. Vini Paulista deixa a bola passar e Churín é derrubado quando tentava concluir a gol. Gabriel Silva também já fechava em direção ao gol. 

Lucas Silva cobrou muito bem. O Grêmio manteve 100% de aproveitamento em cobranças de pênalti —- o que é um fato a ser comemorado, especialmente depois daquela sequência de desperdícios no fim do ano passado. E leva uma vantagem importante para a final na Arena, sábado que vem, especialmente porque está diante de um adversário que precisa ser respeitado. 

Roger sabe o que faz. Sabe com quem pode contar. E quando pode contar com cada um deles. Em pouco tempo, fez-se entender pelo elenco —- como o próprio Lucas Silva disse ao fim da partida  —, montou um time que “marca alto e marca forte” e está prestes a levar o Grêmio ao pentacampeonato, o que, certamente, fará a torcida, cantar alto e cantar forte — menos aqueles que preferem desperdiçar suas energias falando mal do time pelo qual deveriam estar torcendo. Que se danem!

Avalanche Tricolor: mantida a tradição!

Grêmio 0x1 Inter

Gaúcho — Arena Grêmio

Geromel em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Estou diante de uma página em branco há algum tempo, a espera de criatividade para conversar com você sobre o Gre-Nal Corujão que assistimos na noite de ontem, disputado em Porto Alegre. Pode ser falta de foco, provocada  pelas poucas horas de sono; pode ser falta de inspiração, por não ter encontrado em campo a mesma precisão no ataque que nos garantiu a passagem à final do Gaúcho, ainda no primeiro jogo da semifinal. Talvez, porque fiquei tentado a falar da violência que voltamos a assistir dentro do estádio, e, confesso, o assunto não me é atrativo, a despeito da sua relevância e necessidade de encontrarmos alguma saída civilizada — até porque essas cenas tem se transformado em marca do clássico, e isso é ruim. Uma tradição a ser abandonada o mais breve possível!

Sobre o tema, a fala de Geromel ao fim do jogo além de cirúrgica foi simbólica ao ser interrompida por outro inusitado caso de violência, em que um funcionário, contratado pela administração da Arena Grêmio, e colorado pelo que se pode entender, resolveu “zoar” os jogadores gremistas ao fim da partida e provocou a reação agressiva de agentes de segurança e atletas. 

“Infelizmente, teve confusão desnecessária, a gente cobra paz, mas tem que começar pela gente para dar exemplo. Conversar para não acontecer novamente. Como eu disse, temos que ser exemplo. A gente reclama, cobra paz e chega aqui e dá mau exemplo”.

Antes de ser interrompido, Geromel falava do embate dos jogadores quase ao fim da partida em que Ferreirinha foi derrubado com um encontrão por um adversário em resposta a comemoração efusiva por alguma conquista que a televisão não me mostrou muito bem. Nosso atacante acabou expulso sem sequer ter reagido a agressão. Punido e fora da primeira partida da final por vibrar em um jogo vibrante? Estranho! Depois, como dois moleques de colégio, os envolvidos e expulsos tentaram se engalfinhar no corredor do vestiário. Dessa vez, os agentes de segurança fizeram seu papel. Proteger!

Quem se protegeu bem foi o Grêmio, apesar do sofrimento que ofereceu aos torcedores — achei que teve proteção de mais para ataque de menos. 

Fiquemos com a parte boa da proteção: Breno está de volta, ganha segurança, fez uma defesa importante e no gol que tomou nada podia fazer. Geromel … esse é gigante! Impressionante o que joga nosso zagueiro, além de ser uma pessoa exemplar dentro e fora de campo. Colocou mais um atacante no bolso; e com o apoio de Bruno Alves que tem se mostrado cada vez mais equilibrado na posição. Quem também não deu chance enquanto esteve em campo, foi Rodrigues que, claramente, tem apoio total do torcedor. 

No meio de campo, Lucas Silva jogou por dois — se é que você me entende. E com a bola no pé, mesmo que mais lento na saída de jogo, soube acionar Campaz, nosso melhor jogador do ataque. O colombiano está cada vez mais à vontade jogando pelo lado direito e tem uma fome de gol que impressiona. Chutar é quase uma obsessão!

Se a vitória não veio, o resultado foi na medida certa. Manteve a decisão na Arena e a tradição: pelo sexto ano consecutivo estamos na final do Campeonato Gaúcho. Essa sim uma tradição que podemos manter por um bom tempo!

Avalanche Tricolor: o Gre-Nal de Roger!

Inter 0x3 Grêmio

Gaúcho – Beira-Rio, Porto Alegre/RS

Roger em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Roger completou, neste sábado, um mês no comando do Grêmio, nesta sua segunda passagem como técnico. A estreia dele na ‘casamata’ foi em 19 de fevereiro, com uma goleada pelo Campeonato Gaúcho. Quatro semanas e seis jogos depois, voltou a golear, agora no clássico e na casa do adversário —- um resultado que deixa o time muito próximo da final da competição.

Se Elias, Bitello e Diego Souza foram os jogadores que fizeram os três gols gremistas, a goleada foi por obra e graça de Roger, que soube, no pouco tempo que teve para trabalhar, entender o elenco que tem em mãos e construir uma estratégia apropriada para essa primeira “semi-decisão”.

A mão do técnico começou a funcionar nas escolhas que passou a fazer algumas partidas atrás, quando ainda estava tateando o grupo e tentando enxergar as soluções disponíveis. No gol, deu segurança a Breno, definindo-o como titular. 

Não se acanhou em deslocar o zagueiro Rodrigues para a lateral direita, ao perceber que ele tem força na marcação, habilidade para levar a bola e velocidade para sair de trás. Com isso, ainda pode contar com o cacoete do zagueiro que fecha na área, ao lado de Geromel e Bruno Alves. Eles, a dedicação de Nicolas na esquerda, e o sistema defensivo de Roger foram imbatíveis, nesta tarde de sábado.

Roger também mexeu no meio de campo, recuando Lucas Silva e deixando Villasanti e Bitello um pouco mais à frente — os dois com boa saída de bola e chegando rápido ao ataque. Todos com a missão de não dar espaço ao adversário —- o que havia sido fatal no último clássico. 

No ataque, mesclou o talento de Campaz, a velocidade de Elias e o incômodo que Diego Souza provoca nos marcadores — só de estar em campo já causa frisson entre os zagueiros que conhecem o histórico de gols dele em clássicos. Como nosso treinador sabia da necessidade de um sistema compacto para evitar o toque de bola adversário, fez com que os dois atacantes que jogavam aberto, se revezassem na volta para a defesa; sempre ficando um mais à frente para escapar em direção ao gol. 

Foi em uma dessas escapadas, ainda aos dez minutos de partida, que se iniciou a goleada, construída por Roger no vestiário. Depois de a defesa interceptar duas tentativas de ataque, Nicolas encontrou Elias correndo por trás dos marcadores. Aos 22, foi a vez de Bitello fazer o seu com mais um chute atrevido de fora da área, em uma bola que o Grêmio interceptou quando forçava a marcação perto do gol adversário. O terceiro, já no segundo tempo, também foi fruto de uma roubada de bola, que culminou no pênalti em Elias, muito bem cobrado por Diego Souza.

Roger ainda tem muito a fazer neste time. E sabe disso. Está ainda tentando implantar o futebol de aproximação, triangulação e movimentação rápida do qual é admirador. Precisará de um pouco mais de tempo, apesar de nos poucos lances em que estivemos com a bola, se perceber que alguns jogadores já conseguem rascunhar a ideia do treinador. 

Com um mês ao lado do campo, Roger corrigiu defeitos, ajustou peças, e tirou o que pode de cada um dos jogadores à disposição. 

O Gre-Nal 436 foi o Gre-Nal de Roger!

Avalanche Tricolor: Limonada vive!

Grêmio 2×0 Ypiranga

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Campaz comemora gol olímpico. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Sou do tempo do Banha, massagista que fez história no Grêmio. Resolveu a situação de muito jogador com a musculatura desajustada. O fisico avantajado e a gordura que lhe renderam o apelido eram superados por uma habilidade e velocidade impressionante sempre que era chamado a intervir no gramado. Naquela época, massagista fazia parte da estratégia de jogo: conforme o placar e os interesses do técnico e do time, entrava com maior ou menor rapidez no gramado, assim como estendia ou buscava um atalho no tratamento de emergência,. Na foto clássica do título mundial, de 1983, lá estava perfilado, ao lado do time, o saudoso Banha.

Outros nomes entraram para a história do clube, sem que necessariamente tivessem tido a oportunidade de vestir a camisa do time. De presidentes inesquecíveis, como Hélio Dourado, a treinadores geniais, como Oswaldo Rolla, o Foguinho. Dos massagistas, além do Banha, a quem conheci pessoalmente, e fui cliente, havia o Limonada, que cheguei a usar os serviços quando ele estava iniciando carreira e eu era um eterno lesionado nas quadras de basquete.

Neste fim de semana, Limonada teve seu nome lembrado na Arena do Grêmio. Nome e sobrenome: Darli João da Silva. Foi após a assessoria de imprensa do clube anunciar que seria realizado um minuto de silêncio em homenagem ao funcionário tão querido que teria nos deixado, aos 83 anos. Nas emissoras de rádio, colegas jornalistas reproduziram a informação em tom de lamento; tristeza que durou pouco — ainda bem.

O Grêmio até já havia aberto o placar, com um gol olímpico de Campaz, e o intervalo não havia chegado quando o telefone tocou em um das redações de rádio do Rio Grande do Sul: “Limonada está vivo!”, teria dito o interlocutor que denunciou a “barrigada” gremista. Alertado por uma sobrinha, Dona Liberaci da Silva disse que “o Limão está vivinho aqui em casa. Ele está vivo e bem. Limpa a casa, faz de tudo”. 

Consta que o futebol do Grêmio, também. Graças a Deus!

Avalanche Tricolor: onde está você?!?

Inter 1×0 Grêmio

Gaúcho – Beira Rio, Porto Alegre/RS

Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Abri a porta do armário e na terceira gaveta de cima para baixo, encontrei minha coleção de camisas tricolores. Lá tem modelos de anos históricos e outros esquecíveis. Todas devidamente dobradas, com o escudos à mostra. 

Fui até a sala de televisão e encontrei a camisa de Geromel, estendida, e emoldurada na parede, com destaque para o autógrafo de nosso zagueiro. Ao lado dela, está a de Danrlei, com o branco em destaque e listras transversais em preto e azul nos braços e no peito. Foi de um dos muitos títulos conquistados pelo goleiro que fez história no Grêmio.

No outro canto, encontrei a icônica cadeira de metal que adornava o saudoso estádio Olímpico, devidamente recuperada e repintada no azul claro original, com meu nome. No encosto dela, tem a camisa com o número e nome de Pepê às costas.

Os LPs com o registro de áudio de glórias passada, como o do título brasileiro de 1981, uma série de livros contando nossa história e mais algumas quinquilharias em azul, preto, branco seguiam sobre a estante, que fica abaixo da televisão de tela ampla onde assisto aos jogos do Grêmio.

Depois de me certificar da presença gremista nos armários, paredes e estantes, deitei, fechei os olhos e vasculhei meu coração. E, claro, lá estava meu Grêmio.

Fui dormir com a certeza de que o Grêmio segue por aí, só não foi mesmo a campo, ontem à noite, na rodada do Campeonato Gaúcho! Que volte logo!

Avalanche Tricolor: saudade, esperança e paciência!

Nova Hamburgo 1×1 Grêmio

Gaúcho — Novo Hamburgo, RS

Geromel sorri, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Um livro para escrever, um prazo de entrega prestes a expirar e um futebol claudicante não me permitem refletir muito sobre o que está acontecendo pelos lados de Humaitá — ah, saudade da época em que escrevia “pelos lados do Olímpico”. Interrompi as tarefas literárias na tarde de sábado para assistir ao Grêmio que voltava seu foco ao Campeonato Gaúcho após o desastre da Copa do Brasil.

Poucas coisas boas — se é que tiveram — apareceram no péssimo gramado do estádio do Vale. Até em posições em que não havia muito com que se preocupar —- no gol, por exemplo —- as dúvidas surgem. E isso é extremamente significativo porque sinaliza que o time está contaminado pelos maus resultados de 2020, ainda não foi capaz de superar o baque do rebaixamento. Que ninguém seja ‘cancelado’ sem que se considere essa situação. Corremos o risco de desperdiçarmos talentos.

O passe sai com a perna curta, o bote na hora errada e a escolha do que fazer é recheada de dúvidas. O futebol decai e ficamos  na dependência da sorte, do erro do adversário ou de uma bola rebatida —- como a que nos permitiu o empate na parte final do jogo. 

Se disse ali em cima que “poucas coisas boas” apareceram, lembro de uma delas agora: o sorriso de Geromel voltou, mesmo que fugaz, na comemoração de um gol que acabou não sendo de autoria dele. Ao menos uma saudade amenizada! Aliás, resumo as coisas boas a um só lance, porque foi nele que me veio a outra alegria, saber do primeiro gol de Gabriel Silva, no time prossional, o guri atrevido com a bola no pé que ainda tinha um motivo especial para homenagear: o avô morto dois dias antes.

Entre saudades e tempo escasso fico aqui na esperança de que Roger tenha um mínimo espaço para fazer o time jogar do jeito que ele gosta. Para isso será necessário também paciência com o treinador, porque a aproximação de jogadores, as triangulações nas diversas partes do campo, o toque rápido da bola não reaparecem de uma hora para outra. 

Saudade, esperança e paciência!

Avalanche Tricolor: cai o Rei de Copas!

Mirassol 3×2 Grêmio

Copa do Brasil – Mirassol/SP

Foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Elis Regina, gremista que era, cantou Cartomante, e foi minha única inspiração após assistir ao Grêmio cair de forma inédita da Copa do Brasil, na primeira rodada. Sim, o Grêmio, o Rei de Copas caiu, Elis!

Nos dias de hoje é bom que se proteja .
Ofereca a face pra quem quer que seja
Nos dias de hoje, esteja tranquilo
Haja o que houver pense nos seus filhos
Não ande nos bares, esqueça os amigos
Não pare nas praças, não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não ponha o dedo na nossa ferida

Nos dias de hoje não dê um motivo
Porque na verdade eu te quero vivo
Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço.
Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias

Cai o rei de espadas, cai o rei de ouros
Cai o rei de paus, cai, não fica nada!

Avalanche Tricolor: que bonito é!

Grêmio 4×0 São Luiz

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Que bonito é … 

ver a bola rodando no meio de campo e jogadores se movimentando com rapidez pelos lados do gramado, mesmo que o que vimos tenha sido apenas um esboço do projeto que Roger desenha para o Grêmio. .

Que bonito é … 

ver Janderson se deslocando com a bola no pé e tabelando com Diego Souza, deixando-o no caminho do gol.

Que bonito é …

ver Diego Souza tocar por baixo da bola com a sutileza do craque, elevá-la o suficiente para fugir do alcance do goleiro e do zagueiro, e assistí-la descer alisando a rede pelo lado de dentro.

Que bonito é …

ver Rildo encarar os marcadores dentro da área, de cabeça erguida e bola colada no pé. Driblá-los com a tranquilidade de quem sabe o rumo a seguir e concluir em gol.

Que bonito é …

ver o menino Gabriel Silva desarmando seus adversários, escapando com o corpo franzino dos pontapés que cruzam seu caminho, deixando todos para trás e oferecendo a Nicolas a oportunidade de mais um gol. 

Que bonito é …

ver Elias explodindo em músculos a caminho do ataque, encarar seus marcadores e, em contradição ao corpo que nos lembra um brutamonte, trocar a força por um toque preciso que coloca o companheiro em condições de gol. Pênalti. Mais um pênalti marcado com confiança, desta vez, na cobrança de Janderson.

Independentemente do que venha a acontecer no nosso destino — e a incerteza é a sua marca — , e da facilidade com que me iludo e me apaixono pelo tricolor, quero dizer a você, caro e raro leitor desta Avalanche, que bonito é torcer para o Grêmio treinado por Roger Machado.