Avalanche Tricolor: líderes, invictos e felizes!

 

Grêmio 2×0 Coritiba
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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A felicidade de Everton, na foto de LUCAS UEBEL/GREMIOFBPA

 

Quatro campeões brasileiros nas quatro primeiras rodadas. Três vitórias e um empate. Seis gols marcados, nenhum tomado.

 

Ser líder do Campeonato Brasileiro não é obra do acaso. É obra de Roger e sua equipe. Uma gente que decidiu responder as críticas ouvidas após as desclassificações do início da temporada trabalhando duro a cada treino, acertando o que estava desacertado e levando para campo o futebol qualificado que começou ser desenhado no ano passado.

 

O passe, na partida de hoje, demorou para entrar. Mas quando entrou, não havia retranca capaz de segurar nosso ataque. Everton tentou uma primeira vez pegando a bola sem deixar cair no chão. E foi muito feliz na segunda, quando se antecipou ao zagueiro e marcou o gol que abriria nossa vitória.

 

Foi feliz, Everton, sim. E somente o foi graças ao trabalho de equipe, pois nas duas jogadas foi a troca de passe precisa e o deslocamento dos jogadores pelo lado esquerdo que colocaram nosso ataque em condições de gol.

 

E a felicidade foi ainda maior quando o mesmo Everton misturou velocidade e técnica para dar duas meias-luas em seus marcadores e provocar o pênalti, no segundo tempo. Pênalti cobrado com muita tranquilidade pelo goleador Luan.

 

E se nosso ataque foi feliz, foi porque nossa defesa soube segurar as tentativas do adversário. Aquela mesma defesa da qual muitos de nós reclamamos – e muitas vezes com justiça – acertou a passada, a despeito de ter de buscar sua formação no banco de reserva nos últimos jogos.

 

E se o ataque e a defesa foram felizes, nós estamos felizes, é lógico.

 

Felizes e conscientes de que a maratona do Brasileiro cobra preço alto das equipes de ponta e esta corrida está apenas se iniciando. Outros campeões cruzarão nosso caminho, e azarões também estarão dispostos a nos surpreender.

 

Agora, independentemente do que possa acontecer daqui pra frente, e quero crer que este Grêmio tem muita coisa boa para fazer ainda, hoje é momento de aproveitar e curtir as alegrias que Roger e sua equipe nos oferecem.

 

Sejamos felizes!

Avalanche Tricolor: uma noite de gala e com direito a traquinagem

 

Atlético MG 0x3 Grêmio
Brasileiro – Independência BH/MG

 

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torcida do Grêmio em BH, foto: reprodução da SporTV

 

Darei-me a liberdade de cometer uma traquinagem daquelas, algo que jamais tive coragem de fazer nestes anos todos de Avalanche.

 

Justifico-me: apesar de hoje ser feriado, amanhã não o é (perdão pelo excesso de ênclise, temo estar contaminado pelas falas do presidente em exercício).

 

Hoje, como sempre, o jogo terminará tarde. E amanhã acordo cedo, ainda de madrugada.

 

Apesar da sexta servir de “ponte” para muita gente, a minha está com a agenda lotada, da manhã à noite. Ou seja nem o recurso de escrever mais tarde e no dia seguinte, teria à disposição.

 

Poderia simplesmente não cumprir a tarefa de falar do desempenho gremista sempre após nossa participação em campo – obrigação a qual me impus desde 2008, se não me falha a memória. Mas nunca deixei de fazê-la mesmo nos piores momentos. Imagine em uma noite como essa. Noite de gala (sem trocadilho, por favor).

 

Claro que você já deve imaginar sobre qual traquinagem me refiro: escrever esta Avalanche antes de a partida se encerrar. Mais do que isso: escrevê-la no intervalo do jogo. Sim, logo que o Grêmio marcou o seu terceiro gol, após um futebol arrasador de toque de bola veloz, movimentação inteligente de seus jogadores e precisão nos chutes.

 

Por mais que o adversário tenha boa fama de virador e guerreiro – valores que respeitamos muito nesta Avalanche e lá pelos lados de Humaitá, também – a impressão que tinha é que nada poderia dar errado nesta noite. Como não deu.

 

Desde o início deste campeonato, viu-se que a bola voltou a rolar a nosso favor. A defesa acertou a passada. Os passes começaram a dar certo, novamente. E, hoje à noite, até os gols, que vinham fazendo falta saíram com uma tranquilidade impressionante.

 

Nem mesmo as ausências antes da partida e as três substituições que tiveram de ser feitas ainda no primeiro tempo devido a lesões pareciam fazer diferença para o Grêmio.

 

Prometo que não repetirei esta “brincadeira” em outras oportunidades, pois sabemos que se o Grêmio passou invicto as três primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, mesmo tendo três clássicos no seu caminho,e sem tomar gol, o fez graças a humildade de enxergar seus defeitos, treinar duro para corrigi-lo e jogar de forma séria.

 

Mas, hoje, por favor, não me cobre tanta seriedade: hoje é feriado, amanhã cedo tem trabalho duro e o meu Grêmio deu um show em campo.

Avalanche Tricolor: dois clássicos, quatro pontos

 

Grêmio 1×0 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Fred comemora o nosso gol em foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

A tabela do Campeonato Brasileiro impôs ao Grêmio dois clássicos logo na abertura. Um fora e o de hoje em casa. Clássicos costumam ser jogos difíceis por seu próprio histórico: no caso dos nacionais, reúnem equipes que disputaram finais de competição, ganharam títulos e construíram com o tempo rivalidade.

 

Diante das dificuldades que a tabela proporcionou, saímo-nos bem e deixamos registrado no placar dois resultados que também podemos chamar de clássicos: 0x0 fora de casa; 1×0 dentro de casa.

 

E saímo-nos bem a despeito do desempenho coletivo da equipe. Não que tenhamos feito partidas ruins, mas alternamos bons e maus momentos dentro do próprio jogo.

 

No desta tarde de domingo, isso ficou evidente. No primeiro tempo, equilibramos as forças e tivemos mais chances efetivas do que o adversário. A novidade na equipe, o lateral Edílson, cumpriu seu papel, defendendo com segurança e atacando de maneira produtiva. A persistirem os sintomas iniciais, o lado direito do campo estará bem resolvido com ele (e Ramiro a subistuí-lo quando necessário).

 

No segundo tempo, vimos nos primeiros dez minutos, o Grêmio que Roger nos ensinou a gostar. Movimentação rápida dos jogadores, deslocamentos inteligentes e próximos, bola de pé em pé, rodando com velocidade e para a frente, e chutes a gol. O goleiro defendeu um, dois, erramos o terceiro, quase chegamos lá … Dava prazer torcer!

 

Até que veio o escanteio para Fred fulminar de cabeça, a ponto de a bola explodir no “fundo do poço” (como diria nosso Milton Gol-gol-gol Jung), e dar a oportunidade do nosso zagueiro comemorar com a emoção de quem é contestado e esperava a chance sorrir para ele. Sorriu para ele e para nós, também. Foi o único gol da partida.

 

Dali pra frente, foi um sofrimento só, na bola jogada e no risco do empate. Até um incrível quase-e-raro-frango de Marcelo Grohe fomos obrigados a assistir nos minutos finais da partida. As poucas oportunidades que criamos foram desperdiçadas no passe errado, no chute no travessão ou na defesa do goleiro.

 

Um parêntese, por favor: é impressão minha ou a dupla Geromel-Fred, desde a partida anterior, acertou seu posicionamento e não deixa mais nada passar por cima, menos ainda por baixo?

 

Ao fim e ao cabo, somamos mais três pontos na tabela. Já ganhamos quatro, em dois clássicos.

 

Na semana que começa, no feriado de quinta-feira, teremos o terceiro clássico seguido – isso mesmo, a tabela do Campeonato Brasileiro nos premiou com esta sequência de jogos logo no seu início. Mais uma prova de fogo, fora de casa e contra adversário que nos tem entalado na garganta desde o ano passado quando marcamos o mais belo gol da Era Roger.

 

Mais uma decisão no nosso caminho!

 

Avalanche Tricolor: foi bom, meu amigo!

 

Corinthians 0x0 Grêmio
Brasileiro – Arena Corinthians

 

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Roger em foto de arquivo (LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA)

 

Foi oxo mas foi bom, meu amigo!

 

Foi bom porque vimos o Grêmio marcando alto e pelo alto, quase sem nenhuma falha. Nossos atacantes não se furtaram de impedir que o adversário saísse jogando com tranquilidade ao pressionar a saída de bola. Enquanto a turma que ficava na nossa área foi testada o jogo todo com cruzamentos e bolas lançadas por cima. E, amigo, digo sem pestanejar: nossa turma lá de trás passou no teste.

 

Foi bom, também, porque, ao contrário do que um dos jogadores deles disse ao fim da partida, não fomos (ou viemos) a São Paulo na retranca. É curioso, meu amigo, como ainda tem quem entenda ser retranqueiro o time que marca bem e no campo todo. O Grêmio marcou bem e no campo todo. E não foi retranqueiro. Foi eficiente.

 

Foi bom, ainda, porque vimos Roger investir em nova escalação com dois jogadores que atuam mais avançados: Bobô e Bolaños. Tinha ainda Luan, Giuliano e depois Everton (sem contar Henrique Almeida), que também gostam de jogar próximo da área do adversário. E, saiba amigo, mesmo com esta gente toda acostumada ao ataque, Roger conseguiu dar consistência na marcação, graças a intensa movimentação e dedicação deles.

 

Eu sei, amigo, que poderia ter sido melhor: se aumentasse a precisão do passe, especialmente quando nos aproximamos da área adversária; se Luan atuasse à altura do futebol que lhe é peculiar; se nossos atacantes acertassem o pé no chute final.

 

Mesmo assim, insisto, foi bom. Até porque você não tem ideia da quantidade de amigo corintiano que me cerca no trabalho, aqui em São Paulo. Um tropeço contra eles e a vontade que tenho é de sumir no dia seguinte. Porque você sabe, quando o assunto é futebol, os amigos não perdoam.

 

Portanto, digo e repito, meu amigo: foi oxo, mas foi bom!

Avalanche Tricolor: reflexão, conserto e recuperação

 

Rosário Central 3×0 Grêmio
Libertadores – Rosário (ARG)

 

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Ramiro briga pelo alto em foro de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Lá se foram quase 24 horas desde que o Grêmio começou a disputar sua última partida pela Libertadores 2016. Desde então, já dormi, já madruguei e já trabalhei. Também já rezei (e não foi pelo Grêmio, não.) Entrevistei deputado, jurista e especialistas em política, economia, cultura e mais uma variedade de temas. Assisti ao Cunha fora da Câmara; e à aprovação do relatório aceitando a abertura do processo de impeachment contra Dilma. Diverti-me em mesa redonda promovida pelos estudantes da FEA e da Poli, em São Paulo, onde falamos sobre carreira e negócio com executivos e diretores de grandes empresas.

 

Como se percebe, fiz muita coisa mas ainda não havia me atrevido a parar para escrever esta Avalanche. Talvez por falta de tempo e, com certeza, por falta de ânimo.

 

Começa que gosto pouco de falar mal do Grêmio, e o caro e raro leitor desta Avalanche já deve ter percebido isso. Prefiro deixar este papo chato para nossos adversários, que são especialistas em encontrar defeito no Imortal; e ofereço espaço aqui no blog para que exerçam essa tarefa àqueles torcedores que têm a crítica (quando não os ataques pessoais) como seu esporte favorito.

 

Mesmo quando ocupava as cadeiras azuis do Estádio Olímpico, e fiz isso desde de os duros anos de 1970, época em que os títulos eram escassos e nossas pretensões não iam além da fronteira gaúcha, me incomodava os torcedores que vaiavam no primeiro passe errado. Tinha gente que dava a impressão de ir aos jogos para descarregar no time todas suas frustrações.

 

Lembro quando trabalhava de “pombo correio” (acho que já contei isso nesta Avalanche) para meu “padrinho” Ênio Andrade. Exercia a função de gandula ao lado da casamata e levava instruções para o time no gramado sempre que Seu Ênio entendesse necessário. Naquele tempo, não era permitido que o técnico deixasse o banco de reservas.

 

O Grêmio tinha Picasso no gol, Anchieta na defesa, Iura no meio de campo e Loivo na ponta esquerda. Eram todos meus ídolos, especialmente Loivo. Fomos eliminados de um Campeonato Brasileiro e a torcida revoltada soltava rojões no banco de reservas. Cheguei no vestiário e chorei de raiva, não pela desclassificação mas por não entender como o torcedor era capaz de despejar seu ódio em alguém que tanto amava.

 

De volta aos dias de hoje: entendo plenamente a indignação dos torcedores diante de mais um título desperdiçado, mesmo levando-se em consideração que esse era, certamente, o mais difícil a ser conquistado na temporada. Mas, também, era o que mais sonhávamos ganhar. Permita-me um parênteses: não esqueçam jamais de que se um dia alguém ousou sonhar em ser campeão da Libertadores no Sul do Brasil este alguém tem nome e história: é o Grêmio.

 

Especialmente nas duas últimas partida, gostei de poucas ou quase nenhuma das coisas que vi em campo. E tenho certeza de que Roger e boa parte de nossos jogadores também não gostaram. Temos consciência de que nos deixamos dominar por um adversário de futebol qualificado, mas não imbatível. Desejávamos ver em campo um time que expressasse esta mesma gana pela conquista que o torcedor exerce. Algo, porém, não deu certo. Muita coisa não deu certo.

 

Isso contudo não deve ser razão para transformarmos o Grêmio em terra arrasada. É preciso, sim, reflexão, conserto e recuperação, a partir daquilo que vem sendo construído desde o ano passado com a chegada de Roger. Precisamos de reforços, é claro. Ao mesmo tempo, há jogadores qualificados com potencial para render muito mais. Torná-los bode expiatório é perder duas vezes: no campo e na razão.

 

Posso ter visto o Grêmio perder mais um campeonato, mas não perco jamais minha esperança de vê-lo campeão.

 

Que venha o Brasileiro! Que venha a Copa do Brasil! Que venha de volta o espirito do Imortal Tricolor!

Avalanche Tricolor: não te mixa, gurizada

 

Grêmio 0x1 Rosário Central
Libertadores – Arena Grêmio

 

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Luan, um dos guris, encara a marcação na foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

O tempo é o senhor da razão – frase que ouço com frequência nas mais diferentes circunstâncias e hoje voltou à lembrança assim que pensei em iniciar esta Avalanche.

 

Se a tivesse escrito ontem à noite, logo após a partida, temo pelo que escreveria. Eu, assim como você, caro e raro gremista que me lê no blog, certamente não gostamos nada do que vimos na Arena.

 

Ao contrário da maior parte dos jogos, mesmo aqueles em que não alcançamos o resultado esperado, nestes últimos meses, ontem esquecemos de jogar futebol, jogamos fora tudo que vinha sendo construído até aqui e tomamos um baile do adversário – daquelas coisas que há muito não se via.

 

A quarta à noite foi o que meu “padrinho” Ênio Andrade costumava chamar de “Dia do Não”. Nada dava certo pra nós, tudo dava certo pra eles. Roger poderia tirar da cartola qualquer que fosse a solução, dissesse o que dissesse no vestiário e continuaríamos na mesma pasmaceira. Passe errado, falta de criatividade, sem espaço para chutar a gol e falhas …. muitas falhas em todos os setores do campo.

 

Como o sofrimento só se encerrou perto da meia-noite, tive que aguentar uma noite mal dormida, levantar de madrugada, trabalhar, preocupar-me com as notícias do dia e somente agora, no meio da manhã, sentar para escrever esta Avalanche.

 

E como disse: o tempo é o senhor da razão. Esse período entre o fim da partida e o inicio desta escrita, me fez lembrar também de momentos de superação, das vitórias heróicas de outros tempos, das viradas inimagináveis e da imagem de Imortal que construímos.

 

As lembranças da história tricolor me fizeram acreditar que, com a cabeça no lugar e o pé calibrado, o Grêmio tem chances de surpreender a todos que o criticam hoje (dentro os quais estamos muitos de nós). Tem chance, principalmente,de surpreender o seu adversário, assim como este fez com a gente na noite passada.

 

Quero crer que estejamos prestes a alcançar mais uma façanha em campos argentinos. E para isso basta voltar a jogar o futebol que Roger nos ensinou a gostar.

 

Ao Roger, que é um treinador ainda em formação, e aos meninos que vestem nossa camisa e precisam ganhar maturidade, vale outra frase que também marcou minha infância no Rio Grande do Sul: não tem mixa, gurizada! (recado que mando também pra você que já desistiu da batalha)

Avalanche Tricolor: já dizia o Tio Ernesto

 

Juventude 2×0 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi/Caxias do Sul

 

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Domingo tem a volta, gente! – foto de Lucas Lebel/Grêmio FBPA

 

Paga-se um preço por construir equipe competitiva e disposta a vencer tudo que está no seu caminho. Chega-se a uma decisão aqui e outra acolá. Tem jogo difícil na terça, na quinta e, como já se sabe, nos próximos dias, também. Por mais que o time seja preparado, treinado, descansado … chega uma hora que não se consegue driblar o calendário nem o adversário.

 

Não bastasse tudo isso ainda tinha uma caxumba no meio do caminho que, nesta quinta-feira, tirou nosso melhor zagueiro de campo. E (com todo respeito aos demais envolvidos) como fez falta Geromel.

 

Hoje pagamos mais caro do que precisávamos. Mesmo com parte do time titular assistindo ao jogo no banco, tínhamos potencial para muito mais. A impressão que fiquei, porém, é que a própria escolha por uma equipe mista tenha feito com que alguns jogadores tenham entendido errado o recado e, em lugar da intensidade que sempre nos marcou, se buscou cadenciar a partida.

 

E como dizia Tio Ernesto: “não da pra bobear contra os gringos”.

 

Não pense, também, que nesta Avalanche vai alguma desculpa para o resultado negativo desta noite de quinta-feira. Até porque este jogo só termina no domingo, lá na Arena, quando teremos excelente teste para conhecermos melhor a capacidade de recuperação deste time.

 

E como, também, dizia Tio Ernesto: “não tá morto quem peleia”.

Avalanche Tricolor: fizemos por merecer

 

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Libertadores – Arena Grêmio

 

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O gigante Ramiro marca o gol aos 15min na foto de Lucas Lebel/GrêmioFBPA

 

A sensação de assistir à partida pela Libertadores sem a tensão da busca pelo resultado é incomum. Verdade que esta tranquilidade só pode ser conquistada porque muito esforço, suor e talento foram despendidos até aqui. Sofremos na primeira, na segunda e em todas as demais rodadas desta competição porque assim é a Libertadores. Superamos todos os desafios impostos por adversários considerados pelos críticos, assim que os grupos foram sorteados, como os mais difíceis a serem vencidos. E nos demos ao luxo de chegar a esta última partida da fase classificados, sem riscos e ainda jogando diante da torcida.

 

A tranquilidade desta noite se construiu, também, quando a bola começou a rolar, pois fomos capazes de impor o futebol que tem sido nossa marca desde que Roger assumiu o comando da equipe: marcação intensa, sem espaço para o adversário, toque de bola veloz, muita aproximação e deslocamento.

 

Tenho chamado atenção também para outro fator que se repete jogo após jogo, ao menos a seis jogos seguidos: gols marcados nos primeiros 15 minutos. Hoje, após alguns chutes sem muita pretensão, quando o relógio já se aproximava do primeiro quarto de hora, diante de forte marcação do adversário, e depois uma série de troca de passes com presença de quase toda a equipe, Luan e Ramiro protagonizaram belíssima jogada feita de categoria e atitude.

 

Luan, como sempre, com a bola dominada no pé e a cabeça erguida, deu um passe magistral, foi talentoso e preciso. Ramiro, redescoberto lateral, se agigantou entre os zagueiros. Antes de disparar para dentro da área acenou para seu companheiro de equipe e surpreendeu a todos. Um golaço para tornar a noite ainda mais tranquila.

 

Uma noite tão tranquila que consegui, pela primeira vez neste ano, escrever esta Avalanche durante o segundo tempo da partida. Eu merecia. Nós fizemos por merecer.

 

Mas, como diria Tio Ernesto, é bom não acostumar, porque daqui pra frente só tem decisão.

Avalanche Tricolor: alguém aí tinha medo de jogar no Grupo da Morte?

 

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Libertadores – Estádio Casa Blanca,Quito(Equador)

 

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Festa nas alturas, foto de Lucas Lebel/Grêmio FBPA

 

Desde a classificação às oitavas-de-final, na noite de ontem, até o momento em que começo a escrever este texto, já se passaram muito mais horas do que geralmente costumam passar quando transcrevo para esta Avalanche a história escrita pelo Grêmio em campo.

 

A partida se encerrou tarde e prendeu minha atenção até muitos minutos depois do jogo, dada a tensão e emoção provocadas pelo desempenho gremista na altitude de Quito. Difícil colocar a cabeça no travesseiro logo após o apito final do árbitro, enquanto o coração ainda bate acelerado e sabendo que se tem de madrugar para trabalhar no dia seguinte. E o dia seguinte começou sob um turbilhão de informações no campo político e uma dezena de obrigações profissionais. Sim, a cobertura jornalística também está tensa e emocionante.

 

Nada, porém, seria capaz de me impedir de compartilhar com você, caro e raro leitor desta Avalanche, a satisfação de ver o Grêmio jogar com a maturidade com que jogou. Momentos como os vividos na noite dessa quarta-feira precisam ser saboreados. Porque não resultaram do acaso, do imponderável que muitas vezes cruza nosso caminho – a favor e contra. São fruto do planejamento; de um time que teve paciência para se reconstruir no início de temporada, da persistência para preservar seus valores; do cuidado em recolocar as peças no lugar; e da sensibilidade para preparar a cabeça (e o pulmão) de jovens e veteranos para os desafios que teriam de enfrentar.

 

O temor da altitude, justificável pelos transtornos gerados nos times da planície que são obrigados a jogar lá no alto da montanha, foi driblado com maestria, chegando-se cedo, tomando todos os cuidados possíveis e jogando com inteligência. Os mesmos fatores que permitiram que se superasse o prejuízo provocado pelo gramado encharcado.

 

Claro que altitude e charque atrapalham muito e oferecem vantagens ao adversário. Sempre vão exigir, como exigiram, esforço extra, superação e muita confiança. Porém se somarmos talento, planejamento e coragem seremos, como fomos, capazes de vencer a todos.

 

Dos muitos aspectos que me agradaram, está o fato de termos sabido substituir o medo da altitude pelo respeito, o que nos permitiu jogar de forma mais confortável mesmo diante da pressão adversária. Soubemos fazer a bola passar de pé em pé, esticando-a para fugir das poças d’água e encurtado-a para chegar na área, onde o campo parecia mais seco. Houve eficiência, também, pois atacamos duas vezes e marcamos nas duas – aliás, você já percebeu que pelo quinto jogo consecutivo marcamos antes dos 15 minutos. Ainda tivemos maturidade, a medida que mesmo com a ameaça no início do segundo tempo, mantivemos o controle, a ponto de ampliarmos a vantagem no placar. E diante de alguns sustos, soubemos nos defender.

 

O conjunto desta obra, orquestrada por Roger, permitiu que, com uma rodada de antecedência, o Grêmio já esteja classificado à próxima fase da Libertadores. Se alguém pensou que ter caído no grupo da morte seria fatal para as pretensões gremistas, esqueceu da escrita de nossa imortalidade.