Avalanche Tricolor: Há 30 pontos e uma loucura

 

Coritiba 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Couto Pereira Curitiba (PR)


Há quem considere normal perder fora de casa. Marquinhos, a quem coube organizar o meio de campo gremista no início da noite de sábado, é um deles, principalmente se o jogo for no Couto Pereira, disse na entrevista ao fim do jogo. Compreendo a afirmação de um jogador que tenta justificar e não se abater com o mau resultado, assim como sei que ele chegou não faz muito ao Olímpico e talvez ainda não tenha compreendido bem a nossa saga.

Para o Grêmio, Marquinhos, nada é normal. A anormalidade é a marca que nos consagrou Imortal, nos fez não aceitar passivamente a derrota definitiva e fazer história quando todos – ou quase todos – acreditam que seremos apenas figurantes. Era isso que fazia cada um daqueles torcedores que foram ao Couto Pereira cantar e vibrar mesmo com a dupla desvantagem no placar, a ponto de chamarem atenção do narrador da partida na Sport TV. Nós sempre estamos a espera de um gol heróico, uma virada histórica ou um lance capaz de impressionar o adversário, mesmo quando olhamos para o time e vemos tantos desfalques e pouca inspiração para estes feitos.

Você ainda vai se acostumar com o poder desta camisa. E enquanto se concentra na normalidade do futebol, Marquinhos, nós seguiremos a crer que algo incrível está para acontecer na disputa dos 30 pontos que nos restam no campeonato. Quando esta loucura tomar conta de você, verá que não é normal perder fora de casa. Nada é normal para quem é gremista. Seja mais um.

Avalanche Tricolor: Steve Jobs, o Imortal

 

Grêmio 1 x 0 Santos
Brasileiro – Olímpico Monumental

Vibrava com as jogadas de um time que se transformou neste campeonato; vibrava ao ver Douglas jogar como um guerreiro, do que jamais imaginei lhe chamar um dia; assim como vibrava com os dribles de Escudero e as descidas alucinadas de nossos laterais; quando um torpedo aterrissou em meu celular com a não inesperada notícia da morte de Steve Jobs.

Nasci no jornalismo, em 1984, quando o mentor da Apple trazia ao mundo o Mac II, que tinha como grande façanha permitir o acesso dos cidadãos comuns a um mundo até então reservado aos nerds. Mas apenas fui descobrir as coisas fantásticas que ele e sua equipe criaram muitos anos depois ao comprar o primeiro PowerBook, na virada do século. Rapidamente me apaixonei pela praticidade e criatividade das máquinas e da marca. Airbook, MacBook, IMac, Ipod, Iphone, Itouch e, finalmente, o Ipad se misturaram aos móveis da minha casa. E da minha vida. Consumi cada novo livro que citava Jobs, cada página de revista que trazia informações sobre ele. Considero-me relativamente informado sobre o homem que liderou uma das empresas mais revolucionárias do mundo a ponto de não me iludir com as fantasias e mitos que surgiram em torno dele. Nada me tirou, porém, a paixão por sua obra e criatividade. A arte de Steve Jobs é a inovação e isto nos marcará para todo e sempre.

O ritmo alucinado do Grêmio na tela da televisão, porém, arrancou a tristeza que me abatia. E sem perceber estava novamente ligado pelas emoções do futebol fascinante que o time impôs no estádio Olímpico. Voltei a vibrar e socar o ar quando a vitória de realizou.

Grêmio, só tu pra me fazer sorrir nesta noite em que lamento a morte de um dos grandes gênios que já passaram entre nós.

Pensando bem, Steve Jobs é como o Grêmio, um Imortal.

Adote um Vereador para fiscalizar conselheiros do Grêmio

 

Clubes de futebol tendem a ser pouco fiscalizados por seus torcedores, muitos mais propensos a chorar e vibrar com os resultados em campo do que em caixa. Esquecem-se, porém, que as contas em dia, o dinheiro bem aplicado, a compra e venda de jogadores baseadas na sustentabilidade financeira são fundamentais para a construção de um time qualificado e tranquilidade da comissão técnica e seu elenco. Os conselhos deliberativos, com as exceções de praxe, reproduzem este comportamento e, na maioria das vezes, tendem a se transformar em clubes de amigos, com gente muito mais interessada nas benesses do cargo, ingressos de graça para distribuir aos conhecidos e a proximidade com o poder. Algo muito parecido com o que ocorre com o Congresso Nacional e as demais casas legislativas no país.

Faço este paralelo, depois de ler post publicado no Blog Grêmio 1903 (que, lamentavelmente, aparecerá em vermelho neste link), escrito por um coletivo de gremistas, no qual denunciam que o clube não está cumprindo ao menos uma das regras do Conselho Deliberativo: afastar do órgão os conselheiros que se ausentam por três sessões seguidas ou cinco intercaladas, no período de um ano (art 66, parágrafo 1º). Dentre os conselheiros que perderiam a vaga, está o prefeito de Porto Alegre José Fortunatti que apareceu em apenas uma das reuniões de 15 realizadas neste ano, sem dar qualquer justificativa. Até acredito que o prefeito tenha coisas mais importantes para fazer na cidade, desafios não lhe faltam na capital gaúcha, mas se não pode cumprir com suas obrigações com o clube, deveria abrir mão do cargo, assim como todos os demais conselheiros que têm se omitido do papel de poder fiscalizador.

A sugestão de Bruno Coelho, autor do post citado acima, e desde já agradeço pela lembrança, é que os torcedores levem para o Grêmio a ideia do Adote um Vereador, que lançamos em 2008, aqui em São Paulo, com o objetivo de incentivar os sócios a fiscalizarem a atuação dos conselheiros, exigindo que eles exerçam a função para a qual foram eleitos. Assim como os vereadores, deputados e senadores, os conselheiros são os nossos representantes no clube.

Um conselho deliberativo atento e fiscalizador teria impedido que o Grêmio entrasse na aventura da ISL que destruiu com o patrimônio tricolor, corroendo os cofres do clube, o que o levou para a Segunda Divisão. Antes que novos aventureiros cometam os mesmos erros Adote um Conselheiro.

Como o Adote um Vereador não tem partido nem time de futebol, que a ideia se espalhe nos demais clubes, promovendo a transparência da gestão do esporte.

Avalanche Tricolor: Os titulares

 

Grêmio 2 x 0 Cruzeiro
Brasileiro – Olímpico Monumental

Escudero em foto do site Gremio.net

Muitas vezes ouvi de meus colegas do esporte, que costumam entender muito mais do que eu de futebol – não que precise muito para tanto -, que um dos sinais que revelam o equilíbrio e a qualidade de uma equipe é o fato de o torcedor conhecer, de cor e salteado, os 11 titulares. Evidentemente que em uma competição longa como o Brasileiro, é muito difícil manter a mesma escalação por muitos jogos seguidos. São jogadores cansados, machucados ou suspensos em um “turnover” (perdão, estou contaminado pelos meus entrevistados do Mundo Corporativo) capaz de desestabilizar tanto o planejamento de um time de futebol quanto o de uma empresa. Mas quanto mais a escalação se repete, ao menos a sua base principal, maior é a tendência de se encontrar um equilíbrio na competição.

Nesta temporada, parece-me que pela primeira vez, o Grêmio encontrou os seus 11 titulares. Tira um daqui, tira outro dali, pelos motivos que citei no parágrafo anterior, mas quando a partida vai começar é bem provável que a gente acerte boa parte dos nomes escalados. Vitor, Mário Fernandes, Ed Carlos, Saimon, Julio César, Rochenback, Fernando, Douglas, Marquinhos, Escudero e André Lima são os titulares de Celso Roth. O técnico talvez tenha dúvidas em uma posição da defesa e outro no comando do ataque (eu tenho, principalmente, no ataque), mas tem mantido o mesmo time em campo, sem invenções ou milagres, buscando regularidade – um expressão que no futebol significa uma sequência de vitórias.

Na partida deste fim de domingo, a marcação forte, a troca de passe rápida, a descida veloz pelas laterais e a movimentação talentosa do meio de campo mostraram que a estabilidade está sendo alcançada a 12 rodadas do fim da competição. Antes que você me corrija, enquanto a maioria dos adversários terá 11 partidas, no caso do Grêmio ainda faltam 12 a serem disputadas, devido ao jogo adiado contra o Santos (aliás, azar dos santistas que vão nos encontrar neste meio de semana embalados). Portanto, temos 36 pontos em jogo e, a persistirem os sintomas, tudo para fazermos uma arrancada final de ficar na história.

Neste domingo, destacou-se Escudero que tem melhorado a cada partida e oportunidade que recebe. Um argentino que dribla os esteriótipos ao jogar calado, concentrado e disposto a aparecer apenas com o seu talento. No gol que fez demonstrou apuro técnico seja ao receber a bola, seja ao desviar do goleiro. Justiça seja feita, o passe de Marquinhos do outro lado do campo foi um primor.

De minha parte, um desejo privado: ver na escalação principal o outro argentino, Miralles, em lugar de André Lima.

A morte de Escurinho

 

Por Airton Gontow

Eu não lembro bem em que Gre-Nal foi. Mas o Grêmio ganhava por 1 a 0 e parecia que dessa vez tinha tudo para quebrar a terrível e torturante hegemonia colorada no futebol gaúcho. A torcida gremista, em maioria no estádio Olímpico, festejava o resultado e a ampla supremacia do time na partida. Até que faltando poucos minutos, 15 talvez, o treinador colorado mandou Escurinho aquecer.

Um murmúrio tomou conta do lado azul. No canto do estádio, os colorados se agitaram. Até que ele, negro, alto e esguio, entrou em campo. Parecia que já estava escrito. Ao primeiro cruzamento, os até então inexpugnáveis zagueiros gremistas sentiram as pernas pesadas. A torcida tricolor sentiu a espinha gelada, como se um vento minuano tivesse rapidamente passado pelo estádio. Escurinho subiu alto, muito alto, mais alto ainda do que você, leitor, imagina e, de cabeça marcou o gol de empate do Inter.

Como poucos, Escurinho personificou o jogador “Camisa 12”, aquele que entra no segundo tempo e resolve o jogo. Aquele herói que nunca consegue conquistar um lugar na equipe titular, mas que é decisivo ao entrar para salvar a Pátria, fundamental nas partidas difíceis, essencial para a conquista de títulos. Nunca vi alguém cabecear como ele.

Chego a dizer que daquele time colorado que foi octa gaúcho e tricampeão brasileiro (Escurinho participou de sete conquistas estaduais e de duas nacionais), eu não temia os craques, mas sim o Escuro, que tinha o poder de tornar meus domingos menos azuis.

Nos últimos anos, o ídolo colorado teve uma vida muito difícil. Com diabetes e insuficiência renal passou longos períodos hospitalizado. Chegou a ter amputadas ambas as pernas, triste ironia da vida para quem saltava tão alto nos tempos de jogador. A direita em 2009. A esquerda este ano. Felizmente, encontrou a solidariedade e o reconhecimento dos antigos colegas, da torcida vermelha e da diretoria colorada, que doou para ele a bilheteria do filme “Nada vai nos Separar”, que narra os 100 anos do time gaúcho.

Na última terça-feira, 27 de setembro, recebi ao final da tarde de um lindo dia a notícia de que Luís Carlos Machado, o Escurinho, morreu, de parada cardíaca, aos 61 anos. Olhei para o céu. Nuvens vermelhas começavam a tornar meu dia menos azul. Imaginei o Escuro subindo, subindo, subindo…Um frio congelou minha espinha. Mas logo abri um sorriso. “Escurinho finalmente pode voltar a saltar, a voar sobre todos nós”, pensei, enquanto uma lágrima escorria pelo meu rosto. Olhei novamente para cima. Agora não havia nem azul, nem vermelho. O céu estava quase escuro. Estava Escurinho…

-Descanse em paz, meu querido e inesquecível rival…


Airton Gontow, 49 anos, é cronista, jornalista e gremista

Avalache Tricolor: E da-lhe, da-lhe, da-lhe Mário !

 

Avaí 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Florianópolis (SC)

Nossa torcida, na Ressacada, em foto no site gremista aovivo.ducker.com

Foram seis toques com o pé direito até a bola ser ajeitada para o esquerdo, que concluiu cambaleante mas com força suficiente para passar pelos braços do goleiro adversário. Douglas que acabara de escapar para dentro da área pelo lado direito, certo de que seria o destino final da jogada, não teve tempo de reclamar pela decisão individual de seu colega. Foi sensível o suficiente para, com os braços abertos, pedir que André Lima deixasse a bola escorregar para dentro do gol que premiaria um dos jogadores mais incríveis do Grêmio, nesta temporada: Mário Fernandes.

Com apenas 21 anos – completados no início da semana – , Mário foi centro-avante nas primeiras peladas, chegou ao futebol profissional zagueiro e, pelas circunstâncias, se travestiu e ala direito. E foi nesta posição que, recentemente, teve sua primeira convocação para a seleção brasileira principal. Haverá alguém para lembrar que esta apenas se fez devido a restrição imposta a Mano Menezes de chamar os jogadores “estrangeiros”. Que pense assim ! Nosso lateral (como sempre gostei de chamar os que atuam nesta posição) demonstra enorme capacidade para estar entre os titulares do Brasil na Copa 2014, a persistirem os sintomas. É moderno, não no cabelo nem no modo de se vestir, mas na performance, no jeito com que avança em direção ao gol. Mistura força e talento como na arrancada que resultou na abertura do placar na tarde deste domingo, em Florianópolis.

Sempre que o vejo, fico com a impressão de que não vive aquele ambiente. Olha para algum lugar, sem definição. Expressa uma leve depressão no semblante. Quando a bola chega a seus pés escapa pela lateral do campo até a linha de fundo, fazendo atalhos entre as pernas dos marcadores a caminho da área, atropelando quem se atreve a parar na frente. É quase irresponsável nestas escapadas. Uma irresponsabilidade saudável, ressalte-se, pois se beneficia da falta de medo em errar. E se errar, volta com velocidade pronto a abortar o contra-ataque adversário e começar todo o trajeto, novamente. Faz tudo isso como extrema simplicidade. Sem reclamar, espernear ou chiar. E, assim, se transforma em um guerreiro (desculpe-me André Lima, mas este, sim, merece o apelido).

Por tudo isso, merecia aquele gol. E merecia marcá-lo em uma tarde na qual o Grêmio reencontraria a vitória com todos os percalçados e defeitos que nos são comuns nesta temporada.

Em tempo: não bastasse tudo isso, Mário Fernandes ainda carrega nas costas o meu número 13. Dá-lhe, Mário !

Veja mais foto da vitória em Florianópolis, no site Ducker.com

Avalanche Tricolor: Alucinações

 

Grêmio 0 x 1 Botafogo
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foram impressionantes os chutes a gol, havia precisão e força, surpreendendo a defesa. A troca de passes veloz confundia a marcação quase não permitindo a organização tática do adversário. E, claro, mais uma vez nossos jogadores foram cruelmente caçados em campo, alguns dentro da área, sem que a punição fatal fosse imposta pelo árbitro. Este mesmo árbitro que congelou no momento em que deveria sinalizar a irregularidade flagrante no único gol que o inimigo foi capaz de marcar. Nem preciso dizer que os nossos gols, estes sim, foram anulados, em mais um ato de injustiça com o Imortal. Na realidade – se é que algo de real existe neste cenário – não sei bem se a bola chegou a tocar as redes, mas tinha esta intenção com certeza.

Escrevia esta Avalanche quando alguém, bisbilhotando sobre o ombro, teve o atrevimento de me alertar de que nada do que teclava havia acontecido no jogo da noite de ontem. Mandei-o às favas. Quem era ele para achar que eu estava louco, que escrevia insanidades? Mas agora, quando arrumei um tempo para publicar este post, comecei a ter dúvidas sobre meu comportamento. Teria meu amigo razão? Teríamos perdido porque esquecemos como se marca gols? Ou porque não conseguimos mais anular os goleadores inimigos?

Confesso, não sei mais o que é real. O Grêmio, ultimamente, tem me deixado alucinado.

Avalanche Tricolor: Eu acredito

 

Vasco 4 x 0 Grêmio
Brasileiro – Olímpico Monumental

Se eu disser que o Grêmio jogou bem no primeiro tempo, mesmo tendo saído com desvantagem de dois gols, você acredita? Claro que não. Isso só pode ser ilusão de torcedor fanático, pensará.

Se eu disser que chutamos a gol e mantivemos a bola na primeira etapa tanto quanto nosso adversário, você acredita? Claro que não. No primeiro tempo a derrota já estava desenhada, responderá.

Se eu disser que mais uma vez o árbitro esqueceu de marcar um penâlti a favor do Grêmio quando ainda tínhamos o domínio da partida, você acredita? Claro que não. É coisa de gente que não sabe perder, dirá.

E se eu disser que mesmo com o resultado desta noite de sábado, o Grêmio ainda está na disputa pela vaga da Libertadores, você acredita?

Não precisa responder, não. Pouco me importa o que você pensa do meu time numa hora dessas – e não entenda esta linha como desrespeito porque você sabe o tanto que me orgulho de tê-lo como leitor deste espaço. Respondo assim apenas porque depois de um jogo como dessa noite só dá pra refrescar a cabeça, sacudir a poeira e sair por ai dizendo aos amigos: eu acredito, eu sempre acreditarei no meu Grêmio.

Avalanche Tricolor: O sorriso do Campeão

 

Grêmio 1 x 0 São Paulo
Brasileiro – Olímpico Monumental

Jogadores com a cor do Grêmio estarão sempre na nossa memória. E Tarciso é um desses. Sua imagem nos leva a um passado de incríveis resultados, tempos em que superar adversários de Rio e São Paulo ainda eram vistos como feitos quase impossíveis. E, também, está ligada a uma fase de transição do Imortal Tricolor, momento em que deixávamos de ser um time apenas para consumo interno para sermos temidos pelos grandes clubes do País. Era ele o ponteiro direito do time campeão brasileiro em 1981, treinando pelo meu querido padrinho Ênio Andrade, que conquistou o título após duas difíceis disputas contra o São Paulo.

Hoje cedo, antes da partida com o mesmo São Paulo, Christian, meu irmão, e Fernando, meu sobrinho, que moram em Porto Alegre, tiveram a feliz oportunidade de encontrá-lo próximo do Estádio Olímpico. Se apresentaram e pediram para tirar uma foto. Nada mais natural para fãs que encontram seu ídolo. Na conversa, Tarciso soube que eram filho e neto de Milton Ferretti Jung, o homem do Gol-gol-gol, que você, caro e raro leitor deste blog, conhece seja pela própria história dele, seja pelos posts de toda quinta-feira. Na mesma hora deu aquele sorriso que meu irmão definiu como o de Campeão do Mundo. Sim, Tarciso também fez parte daquele time que conquistou o Planeta, em 1983. E mandou “um abração para o velho Milton”. Abraço enviado.

Foi Milton, o pai, quem o batizou de Flecha Negra, apelido que refletia bem a velocidade com que Tarciso escapava dos adversários e chegava na cara do gol. Uma característica que, aliás, o levou para o Grêmio após marcar um gol contra o próprio, na época em que ainda vestia a camisa do América do Rio, em 1973. Durante os 13 anos em que jogou pelo Grêmio sua postura em campo, a forma como se entregava em cada jogada e as disparadas com a bola no pé o transformaram em eterno ídolo.

Tarciso é um exemplo para todos estes que hoje jogam no nosso time. Sei lá quantos deles serão capazes de repetir a mesma história e serem lembrados para sempre pelos torcedores. O que sei é que a disposição de cada um, desde que Celso Roth assumiu o comando, tem um pouco da raça, da determinação, da coragem e da personalidade com as quais apenas alguns foram capazes de se consagrar. E, tenha certeza, Tarciso foi um desses.

Nenhum comentarista viu, os narradores não falaram, o adversário jamais poderia imaginar e duvido que o atual elenco tenha percebido. Mas o espírito de Tarciso estava em campo nesta vitória que reforça a Avalanche Tricolor recém iniciada, que só vai sossegar quanto estiver de volta a Libertadores.

N.B: Os números estranhos (tema da última Avalanche) estiveram de volta no jogo de hoje. Nada porém supera a criatividade dos pais de alguns jogadores de futebol no momento de batizá-los. Um dos zagueiros do São Paulo, estava grafado na camisa, se chama Rhodolfo. Assim mesmo, com um intrometido “h” na primeira sílaba. Haja imaginação!

Avalanche Tricolor: Aposto com você

 

Bahia 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Salvador (BA)

Sou de um tempo em que os jogadores de futebol levavam nas camisas números de 1 a 11, sendo o goleiro o número 1 e o ponteiro esquerdo, o 11. O 5 era o centro-médio, hoje apelidado de volante de contenção; o 10 era sempre o craque (quanto tínhamos um) e o 9, o centro-avante. As camisas a partir do 12 cabiam aos reservas e estas não eram as mais cobiçadas.

Começo este atrasado post sobre a vitória gremista com memórias do futebol devido ao espanto que me causou a escalação dos dois times que entraram em campo no estádio do Pituaçu, em Salvador. Os números eram os mais estaparfúdios possíveis. De um lado havia 54, 28, 22, 55, 19, 80 e 79; de outro 13, 15, 17 19, 24 e 26. O anúncio feito pelo locutor na televisão me lembrou sorteio da Mega Sena.

Compreendo que esta mania está contaminada pelo marketing que tenta identificar cada camisa com seu craque (nem sempre tão craque assim), um hábito em outros esportes como o basquete e o futebol americano. No próprio Grêmio, lembro da decisão de Andre Lima, ano passado, que colocou dois noves nas costas para se diferenciar de Jonas, o nove de verdade (e de direito). Dizem que isto ajuda a vender camisas. Imagino que se cobrassem mais barato, venderiam mais.  Para gente como eu, que admira o esporte muito mais do que entende dele, torna-se quase impossível saber em que posição cada um estará durante o jogo.

E se as escalações pareciam jogo da Mega Sena, nossos números deram mais sorte, ontem à noite. Como sabemos, a sorte está do lado dos bons, e fomos melhores em quase toda a partida, portanto merecemos os três pontos. É incrível como nosso futebol está se transformando a cada momento com a participação coletiva dos 11 jogadores; descobrimos um camisa 6, ops, uma camisa 15, fazendo com que o time fique mais forte no lado esquerdo com as decidas de Julio César; e temos um camisa 24 que é nota 10, falo de Escudero.

Entusiasmado com o resultado, arrisco uma aposta com você, caro e raro leitor deste blog. Se passarmos pelo São Paulo no domingo, será difícil controlar a Avalanche que nos levará ao topo da tabela de classificação e de volta à Libertadores. Quer apostar?