As grandes vaias

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

As vaias que Blatter e Dilma receberam no sábado resultaram em infinitas análises. As ciências humanas foram requisitadas para explicá-las. Um exagero!

 

A vaia nos estádios sempre foi usada para desaprovar os intrusos ao espetáculo que viria. Simples assim! Nos anos 1970, no auge do futebol brasileiro, o estádio do Morumbi com 100 mil torcedore,s duas horas antes do inicio do jogo, recebeu equipes de futebol formadas pelas coelhinhas da revista Playboy, “vestidas” a caráter. A ideia de entreter não funcionou. Foram recepcionadas com uma vaia e um coro fenomenal: “queremos homens, queremos homens…”.

 

O Morumbi fizera o que Nelson Rodrigues preconizara para o Maracanã, quando afirmava que lá se vaiava até mulher nua. Não antes de ter dito num programa da TV Rio uma frase que se tornou antológica. Quando se comentava que o Marechal Castelo Branco teve seu velório no Clube Militar anunciado pelos alto-falantes do Maracanã pedindo um minuto de silêncio antes do jogo América x Botafogo, e o Maracanã inteiro vaiou. Ao que Nelson comentou: “O Maracanã é implacável, vaia até minuto de silêncio”.

 

O torcedor que vaiou Blatter e Dilma faz parte do público da pesquisa do Datafolha que constatou que 77% apoia a Copa e naquele momento queria mesmo é assistir à partida Brasil x Japão. Entretanto, parte deste mesmo público da pesquisa, fora do Mané Garrincha, dava seu recado aos políticos e seus desmandos. As passagens reajustadas era apenas um pretexto inicial. E o movimento tomou uma seriedade respeitável. Um movimento sem um líder único e sem um inimigo específico, mas com a cara de um Brasil atualizado. De repente o país do futebol, está se transformando com a ajuda das mídias sociais na democracia a caminho da República ideal.

 

Por isso que o incessante barulho de helicópteros durante horas na noite de terça-feira não me impediram que o humor aflorasse ao passar em frente ao Palácio dos Bandeirantes, ontem pela manhã, e lesse o cartaz empunhado por uma bela jovem remanescente da ação: “Acorda Brasil”.

 

Também na terça-feira foi anunciado que R$ 400 milhões de dinheiro público federal seriam creditados ao estádio de Itaquera para se somar aos R$ 420 milhões que a Prefeitura de São Paulo já tinha doado. Na próxima semana, a PEC 37 será votada, quando correremos o risco do Ministério Público ser esvaziado. “Acorda Brasil”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Serviço público: procuram-se talentos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A evidência da diferença entre os setores público e privado se comprova na dificuldade em que os talentos privados têm para obter sucesso na área pública e vice-versa. Bloomberg na prefeitura de New York, Meirelles no Banco Central do Brasil são bons exemplos de executivos de sucesso que tiveram êxito na vida pública. Exceções à regra. Provavelmente! O que, é um pouco desconcertante, pois temos hoje um punhado de empresas brasileiras no topo do mercado global, dirigidas por competentes executivos nacionais. Cujos talentos poderiam servir no governo das nossas cidades, estados, municípios e mesmo do país.

 

As páginas amarelas da Veja, que me trouxeram a essas ponderações, sinalizam através da entrevista com Abílio Diniz um conhecimento do público através da ótica do privado que não podemos prescindir. Até mesmo para não transgredir com a nação, pela simplicidade e pela objetividade. Diniz lembra que sugeriu à Presidenta Dilma reduzir o ministério, que tinha 37 membros. Hoje são 40. O aconselhável de acordo com as melhores práticas de administração, é que um dirigente tenha no máximo 12 subordinados. Número também adotado por Abílio. Defensor da Reforma Tributária, Diniz dá hoje preferência à Reforma Política em função do potencial de corrupção que o financiamento das eleições oferece.

 

Considerando que a gestão moderna foca processos e pessoas, não admite a morosidade do governo. Fato que o faz considerar 10 anos perdidos quando participou do CMN Conselho Monetário Nacional. Como sequestrado que foi não deixou de observar o sistema penal brasileiro, levando-o a sugerir a segmentação da legislação do menor em três faixas específicas: 16 anos, 16 a 18 e 18 a 21.

 

Se as ações dos dirigentes privados não garantem o resultado no setor público, ao menos a sua visão precisa ser considerada. Estas considerações, compartilhadas certamente por um punhado de brasileiros ficam esperando pela ação do setor público. A habilitação terá que ser dada na votação. Quando, não sabemos. Talvez nas próximas eleições?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Franquia, um bom negócio?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

É comum ouvir em conversas informais que bancos ou shoppings são tão bons negócios, que bem ou mal administrados dão resultados. E as franquias, tema do Mundo Corporativo da semana passada e evidência da próxima com a Feira ABF, serão tão bons negócios também?

 

A princípio é fácil adiantar que à má-administração não há negócio que se sustente. Quanto às franquias, é necessário investigar alguns aspectos fundamentais. Os dados gerais do setor são favoráveis. O Brasil é hoje um dos maiores mercados mundiais de franquia. Sendo o 4º no ranking, possui o maior crescimento em faturamento, a maior elevação em relação ao PIB, e tem a maior feira comercial. Com o faturamento de 103 bilhões de reais, 2.400 redes, 104.000 unidades franqueadas, e o intangível favorável da adequação da cultura nacional ao sistema de franquias, poderíamos antecipar que franquia é um bom negócio. Entretanto, a experiência de mais de 20 anos deste mercado, tem sinalizado que ao lado destes indicadores, vários fatores específicos precisam ser considerados.

 

 

Para o franqueado, além da autoanálise, deverá estudar o setor, levantar opções, investigar a região, apurar o capital próprio disponível e, principalmente, se aprofundar sobre o franqueador. Um bom método para investigar o franqueador, é partir do perfil ideal, que seria:

 

– Larga experiência como empresa e como franqueadora
– Ter fabricação própria
– Possuir lojas próprias e franqueadas
– Nenhum histórico de lojas fechadas
– Fornecer assistência total nos cinco Ps – ponto, pessoal, produto, propaganda e promoção
– Nenhuma restrição dos atuais franqueados ao franqueador
– Oferecer taxa de retorno condizente ao mercado
– Estabelecer regra segura sobre expansão

 

Para o franqueador será importante que o franqueado tenha:

 

– Perfil empreendedor, técnico, motivacional e adequação ao produto ou serviço da franquia
– Disponibilidade de tempo necessário ao tipo de franquia
– Capacitação profissional adequada
– Capacidade financeira para arcar com o investimento necessário

 

Se estas condições em sua maioria forem preenchidas, a franquia será um bom negócio. Aos interessados vale ouvir a entrevista do Jae Ho Lee no mundo corporativo, e do dia 12 a 15 de junho visitar a Feira ABF.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Brasileirão teima em não entrar na moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Essa gente que dirige o futebol é realmente coerente. Quando se trata de organização, métodos, processos e tecnologia, são todos do passado. Envelhecidos até na idade, o que neste caso é um problema, porque ao seu envelhecimento cresce simultaneamente o envilecimento. Ao mesmo tempo, quando a oportunidade de altos investimentos se apresenta, como no caso de novos estádios, surge uma surpreendente modernidade celebrada por unanimidade entre o futebol e a política. O início do campeonato brasileiro de futebol e a pesquisa com os atuais jogadores de futebol ilustram estas coerências tão incoerentes dessa tribo de “velhos” que manda no futebol.

 

Aficionado do futebol e partícipe da moda, a comparação entre estes setores me é inevitável. Em qualquer parte do mundo, o mundo da moda celebra o lançamento das coleções, mais do que o sucesso final delas, como o momento supremo desta atividade que exalta antes de tudo a criatividade e o talento. No futebol brasileiro isto não faz sentido. Muito pelo contrário, só se festeja no final e se ignora o lançamento. Por insegurança, ou pura ignorância, não sabemos. O mais provável é que ambos expliquem o que foi feito até então. Ainda mais porque este ano agregou-se o espírito de “vira-latas”. A cúpula da CBF e seus convidados abandonaram a primeira rodada do Brasileirão para assistir à final da Liga dos Campeões da Europa em Londres. Colonialismo puro!

 

Esta mesma CBF, auxiliada pela FIFA, ignorou o estádio do Morumbi para abertura da COPA. É justamente o estádio que, em recente pesquisa com os jogadores, é apontado como o preferido pelos atletas. Esta é a outra face da coerência pela modernidade de todos estes dirigentes. De clubes, de federações e de confederações. Tudo pelo maior gasto. Onde surgem números inexplicáveis, como os 350 milhões privados gastos na arena do Grêmio comparados aos 800 milhões públicos previstos para o estádio do Corinthians. E a arena gaúcha é bem maior que a corintiana.

 

Em plena época da espetacularização, o grande espetáculo do Brasileirão 2013 foi coerente a estas incoerências. O único ganhador fora da primeira rodada deu 44 passes errados, e foi impedido de levar a sua torcida por falha do mandante, que levou a própria para se auto digladiar. Enquanto no novo Mané Garrincha o também novo recorde de renda passava distante do subserviente Santos, que de R$ 7 milhões ficara com R$ 800 mil.

 

O nosso futebol está numa fria, mas parece que Nero vem aí.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Libertadores: o Brasil acuado e manipulado

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O episódio do Corinthians no Pacaembu, há uma semana, quando dois gols foram anulados e uma penalidade máxima não foi marcada, já foi vivenciado por outros clubes brasileiros. E, se não bastasse o corriqueiro do evento, este fato de má-arbitragem é tão mais grave quanto a solução fácil do recurso eletrônico não ser adotada justamente para manter o poder amador dos árbitros e seus dirigentes.

 

Entretanto, ocorrências mais contundentes e que, certamente, comprovam uma situação de inferioridade no âmbito latino americano de nosso país têm acontecido. Como o regulamento proibindo times de mesma nacionalidade avançar às semifinais, criado depois de seguidas finais brasileiras – uma afronta ao esporte e diretamente ao Brasil, país mais poderoso do continente. Quer em termos de economia, de democracia e, principalmente, de futebol. O absurdo desta questão é que ao normatizar esta inovação, a Conmebol, entidade que congrega as 10 federações do futebol da América do Sul, não recebeu nenhum contra da CBF nem dos maiores times brasileiros.

 

Nesta mesma linha, os jogos acima da altitude de 2.000 metros ainda continuam. De vez em quando algum time tem reclamado e ameaçado não jogar, mas nada foi feito em conjunto, com a força evidente de camisas fortes e unidas de clubes brasileiros.

 

Mais recentemente, a Fox, empresa mexicana que dispõe dos direitos de transmissão, exigiu a inclusão de equipes mexicanas. Elas participam, mas não se classificam ao Mundial de Clubes, porque pertencem a América do Norte. Se forem campeãs, é o segundo colocado que vai ao Mundial.

 

A Conmebol manipula deixando de punir ou punindo em excesso, privilegiando os “amigos”. A Fox manipula incluindo times do país de seu dono e impondo o calendário que lhe fique melhor. Resta saber o que a Bridgestone, o novo patrocinador irá impor. E vamos todos aceitar. Vamos mesmo?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Menores: acorda Brasil!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Crianças de rua

 

Ontem, Mílton Jung reforçou seu artigo de sexta, que pedia isenção e reflexão sobre a criminalidade de menores. Registrou os dados de Sonia Racy publicados no Estado de domingo, colhidos na Fundação Casa, informando que 3.600 internos de um total de 9.000, foram para lá em função do tráfico de drogas. Crime que encontra o despreparo do estado em 70% dos municípios paulistas, pois apenas 30% tem estrutura para lidar com as drogas.

 

Ainda ontem, a Folha em seu editorial “A rua vence a escola” publicou que pesquisa do Datapopular registrava que 44% dos professores do estado tinham recebido agressões físicas ou verbais, além de 84% saberem da violência nas escolas, das quais 42% originadas pelas drogas.

 

Na capital paulista, pesquisa publicada na semana passada indica que a maior preocupação do paulistano é o receio das drogas.

 

Atendendo a sugestão do artigo do Mílton procurei abastecer-me da necessária isenção sabendo das barreiras do juízo de valor, e refletindo dentro das minhas possibilidades, cheguei à conclusão que precisamos de atualização. De um lado, o jovem contemporâneo não pode ser visto dentro do perfil comportamental de antigamente. O amadurecimento é evidente, e a evolução da espécie já não é tabu, de forma que tratar o adolescente de 16 a 18 anos como criança, é no mínimo imprudente. De outro lado, o aparato estatal precisa estar equipado para atuar no mundo de hoje, considerando o universo do bem e do mal que cerca a juventude atual.

 

Acredito, portanto, que antes de refazer a antiga e certamente ultrapassada legislação do menor, precisamos definir a verdadeira idade dos adolescentes diante das prerrogativas e responsabilidades que deverão arcar. Sob este aspecto visualizo a necessária técnica da segmentação das faixas etárias, abrindo uma moderna escala especifica para cada grupo.

 

Ao Estado deverá caber a tarefa de se preparar com o conhecimento e habilidade necessária para enfrentar o desafio de administrar e controlar as causas antes dos efeitos, do mundo das drogas e afins, que ora estão atingindo a juventude.

 

Se a precipitação em torno da maioridade penal é contraindicada, a aceleração do processo de análise é essencial.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Passageiros secretos flagram motoristas sem respeito

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Sem-ponto de ônibus

 

Não se sabe se a inspiração veio de Ian Fleming, o criador de James Bond, ou de modernas corporações que usam o cliente secreto. O fato é que as velhinhas cariocas estão se vingando dos motoristas de ônibus que não estavam parando para elas e para os demais idosos que tem o direito de viajar gratuitamente.

 

As autoridades cariocas decidiram contratar senhorinhas voluntárias para surpreender os motoristas desrespeitadores da lei, juntando-as a fiscais que, no ato da ocorrência, solicitam por rádio o bloqueio do veículo. Ao parar, o motorista recebe a multa de R$ 1.183,00, ouve a informação da obrigatoriedade de um curso de reciclagem e assiste ao fiscal expondo a sua falta diante dos passageiros para justificar o tempo de espera.

 

A prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Transportes, lidava com a informação que idosos, e estudantes, não estavam conseguindo usar o transporte público com regularidade. Foi criada então a Operação Gratuidade, em novembro de 2012, que já arrecadou R$ 566 mil, multando 478 coletivos.

 

Podemos prever que, dentro em breve, o problema de idosos e estudantes terá sido resolvido. E o passageiro secreto será mantido como manutenção. Um final feliz que poderia servir de exemplo pioneiro do uso do cliente secreto para o poder público. As mesmas vantagens obtidas no mundo corporativo com as técnicas de pesquisa do comprador camuflado poderiam ser potencializadas no setor público, que é muito mais amplo e suscetível a desvios.

 

Obras gigantescas com orçamentos de bilhões de reais poderiam ser mais bem controladas por fornecedores e clientes secretos. Temos a COPA, as OLIMPÍADAS, as obras do PAC e usinas hidroelétricas, metrôs, aeroportos, rodovias, ferrovias, portos, etc.. O cliente secreto como sistema, poderia vigiar, controlar, punir, motivar e premiar.

 

A propósito, também no Rio de Janeiro nos dias 5 e 6 de agosto haverá a 2ª Conferência Internacional do cliente secreto, coordenada pela MSPA – Mistery Shopping Providers Association Latin America. Que não será secreta, e exporá os mistérios do comprador misterioso.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

No Reino das Biografias

 

Por Carlos Magno Gibrail

Roberto Carlos não gosta nem mesmo de caricatura

 

Essa nossa mania de chamar de “Rei” personalidades do mundo pop tinha mesmo que sair da metáfora e extrapolar ao mundo das divindades. É o que está acontecendo com Roberto Carlos, o cantor. E, com o beneplácito geral, até mesmo da mídia, que nem liga ao fato de RC não atender jornalistas. Exemplo disto é o tom da coluna da Mônica Bergamo, ontem, destacando ações dos advogados do cantor a quem usar o nome ou a imagem do “Rei”.

 

Tema antigo, mas atualizado em virtude da tramitação no Congresso, através da CCJ Comissão de Constituição de Justiça, cujo relator Alessandro Molon (PT-RJ) conseguiu aprovar, há duas semanas, em caráter conclusivo, isto é, sem necessidade de ir a plenário, o Projeto das Biografias 393/2011. Entretanto o deputado Marcos Rogério (PDT-RO), evangélico, apresentou recurso, sem data prevista para votação em Plenário. Desta forma, o Projeto não vai direto ao Senado e a parte mais importante que é a liberação para biografar pessoas com dimensão pública será ponto central das discussões. Marcos Rogério exemplifica sua preocupação: “Imagine que um adversário seu resolva fazer uma biografia para te atacar ou até mesmo que um aliado resolva te promover”. Por aí percebemos qual é a intenção do deputado que registra também a dificuldade de estabelecer a dimensão pública do biografado, obstáculos visivelmente sem consistência.

 

Diante disso, a preocupante demora na futura tramitação no Congresso recebeu um alento. Eis que o “Rei” Roberto Carlos não gostou de um desenho seu estampado em uma dissertação de mestrado e enviou uma notificação extrajudicial à autora, Maíra Zimmermann. Aluna do Centro Universitário SENAC, com o apoio da FAPESP, publicou pela Editora Estação das Letras e Cores o livro “Jovem Guarda, Moda Música e Juventude”. A obra contempla seu trabalho acadêmico que se propõe a analisar o contexto da formação do mercado consumidor jovem resultante dos novos aspectos comportamentais da década de 60, e associado ao início da sedimentação do prêt-à-porter brasileiro.

 

A sintonia fina do trabalho, a extensão estritamente acadêmica, o específico mercado potencial, nada disso inibiu o “Rei”, cujos advogados argumentaram: “a própria capa do livro contém caricatura do notificante e dos principais integrantes da jovem guarda sem que eles nem sequer fossem notificados”.

 

Nem D.Pedro II, Imperador de fato, numa época em que havia escravos, ousou usurpar o direito da caricatura aos súditos.

 

Acreditamos que a extrapolação de Roberto Carlos contribua para chamar a atenção dos parlamentares ao exagero a que a atual legislação permite chegar. Além do impedimento às informações históricas de personalidades relevantes da vida brasileira, cria-se combustível para ações doentias como esta.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Qual é o seu número?

 

Por Carlos Magno Gibrail

Há pessoas que se interessam pela moda, e a seguem. Outras nem tanto. Mas, a grande maioria se importa com o tamanho adequado ao seu corpo e ao seu modo de ser. Modelagem de acordo com a tendência, modelagem em função do estilo independente da moda, modelagem para exibir o corpo, são preferências que ainda exigem parte do ritual da época das costureiras e alfaiates. Provar as roupas.

 

A roupa feita, ou o “pronto para vestir” (prêt-à-porter) não conseguiu manter a etiqueta de tamanho como a indicação necessária e suficiente para representar as dimensões do produto. A fragmentação do setor de confecção, com milhares de produtores e marcas, a competição, e a diversidade de tipos físicos tornaram o padrão de medida tão necessário quanto complexo determiná-lo.

 

Esta semana o SENAI-CETIQT se apresentou na mídia com um projeto de levantar 10000 amostras de pessoas escaneadas em 100 pontos de medida computadorizada e mais 21com fita métrica. Ressaltando que estas medidas estão sendo realizadas por região geográfica.

 

Uma novidade, pois apresentada como ação para finalmente estabelecer um padrão de tamanhos brasileiros, não traduz toda a verdade histórica.

 

O fato é que a ABRAVEST em 1987, presidida por Roberto Chadad, através do CB17 Comitê Brasileiro do Setor Têxtil iniciou os estudos para a determinação de um padrão de medidas.

 

Procuramos então Chadad, que ainda hoje preside a ABRAVEST , e nos informou que já existe o padrão para a moda masculina, estabelecida na resolução ABNT 16060 em vigor a partir de 9/5/2012 com determinação da obrigatoriedade em seis anos, ou seja, 9/5/2018, cuja fiscalização será feita pelo IPEM. Dentro de um ano sairá a regulamentação para o setor feminino, mesmo com o Sindicato patronal de confecção feminina sendo contrário.

 

Roberto Chadad acredita que o estudo do pessoal do CETIQT deverá apenas auxiliar na validação da norma do CB17, embora os critérios sejam bem diferentes e sem o poder de normatizar.

 

O CB17 começou com os levantamentos e estudos dos componentes de toda a cadeia têxtil. Principalmente com estilistas, modelistas, confeccionistas e varejistas. Os dados de cada componente do setor foram trazidos e analisados em 12 reuniões técnicas. A primeira informação é a altura, a seguir ombro, manga, cintura, comprimento entre perna, comprimento lateral e diagrama do esqueleto apresentando graficamente estas medidas, que serão mostradas em todas as etiquetas no varejo. Esta configuração está segmentada para três tipos físicos. Especiais, normais e esportistas.

 

Chadad lembra ainda que a amostra do CB17 é imensamente maior, pois envolve o resultado de grande quantidade de empresas fornecedoras, com total pluralidade de perfis.

 

O padrão de medidas certamente beneficiará a grande maioria do mercado de moda, que desde já adverte: não crie confusão siga o padrão.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Interlagos fora da pista?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

São Paulo é a cidade brasileira com mais tradição em automóvel e em competições automobilísticas. Creio eu, fluminense de Paraty, sem dúvida e sem bairrismos. O pioneirismo da indústria automobilística e, antes disso, o vanguardismo do autódromo de Interlagos, são provas reais desta vocação da cidade, efetivando uma cultura paulistana ligada à velocidade. Provavelmente por isto, a direção da F1 tem tido tanta paciência com os prefeitos paulistanos.

 

Se a cidade de São Paulo vier a perder a Fórmula 1 não será por falta de aviso, mas por falha de gestão. É preciso visão e determinação para trazer e manter eventos globais cobiçados pelas grandes cidades do mundo. Qualidades que foram demonstradas por Luiza Erundina em 1990, quando resgatou para o Brasil e para Interlagos o Grande Prêmio Brasil de F1. A Prefeita, mulher e nordestina, como se orgulhava de apresentar, teve que enfrentar inúmeros obstáculos. As duras investidas do PT, seu partido, e da oposição, redundaram em acusação de favorecimento à Shell, que tinha lhe dado um “cheque em branco” para iniciar o empreendimento. Erundina defendeu-se:
“Não favoreci ninguém, a não ser a cidade de São Paulo. Por contraditório que pareça, um Grande Prêmio de Fórmula – 1 favorece a periferia, o trabalhador pobre. Vou ter mais imposto com a F1 – milhões de dólares de ISS. Vou dinamizar o turismo, projetar a cidade para o mundo. Vou estimular os investimentos no setor. Vou ter um serviço médico em Interlagos que continuará funcionando o ano todo – para a população pobre da região. Vou ter uma oficina mecânica para ensinar uma profissão aos jovens das favelas. Como achava que a F1 era de absoluto interesse para a cidade, negociei com a Shell, assim como negociaria com qualquer outra empresa.”

 

Os cinco anos do contrato de Erundina seguiram e até hoje Interlagos teve o privilégio de sediar a F1, embora a Prefeitura venha sendo cobrada para efetivar uma reforma na estrutura do autódromo, que segundo os dirigentes da competição tem um dos mais perfeitos traçados de pista, se não o melhor.

 

Erundina investiu US$ 18 milhões e embora fosse pressionada pelo PT a utilizar a área de Interlagos para habitação popular, jamais cogitou em transferir o autódromo. As contas atuais estimam investimento em torno de US$ 120 milhões para as reformas necessárias de novos boxes, e sistema de esgoto para a região, dentre outras melhorias necessárias. Valor que agregado ao hábito em voga de inflacionar obras cogita-se em erguer um novo autódromo que de inicio custaria o dobro. Mas como já temos experiência, este valor deverá ser dobrado mais uma vez, ou até mesmo quadruplicado.

 

Será que São Paulo, que se curvou diante da FIFA, e atendeu a tudo, vai deixar de atender a FIA, que deseja manter Interlagos, preservando traçado e pista? Sem falar nos feitos de Emerson Fittipaldi, Antonio Carlos Pace, Nelson Piquet, Ayrton Senna, e Felipe Massa, gravados na memória de Interlagos?

 

Esperamos que Haddad não abandone Interlagos e o mantenha com a pista da F1.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.