Brasileirão teima em não entrar na moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Essa gente que dirige o futebol é realmente coerente. Quando se trata de organização, métodos, processos e tecnologia, são todos do passado. Envelhecidos até na idade, o que neste caso é um problema, porque ao seu envelhecimento cresce simultaneamente o envilecimento. Ao mesmo tempo, quando a oportunidade de altos investimentos se apresenta, como no caso de novos estádios, surge uma surpreendente modernidade celebrada por unanimidade entre o futebol e a política. O início do campeonato brasileiro de futebol e a pesquisa com os atuais jogadores de futebol ilustram estas coerências tão incoerentes dessa tribo de “velhos” que manda no futebol.

 

Aficionado do futebol e partícipe da moda, a comparação entre estes setores me é inevitável. Em qualquer parte do mundo, o mundo da moda celebra o lançamento das coleções, mais do que o sucesso final delas, como o momento supremo desta atividade que exalta antes de tudo a criatividade e o talento. No futebol brasileiro isto não faz sentido. Muito pelo contrário, só se festeja no final e se ignora o lançamento. Por insegurança, ou pura ignorância, não sabemos. O mais provável é que ambos expliquem o que foi feito até então. Ainda mais porque este ano agregou-se o espírito de “vira-latas”. A cúpula da CBF e seus convidados abandonaram a primeira rodada do Brasileirão para assistir à final da Liga dos Campeões da Europa em Londres. Colonialismo puro!

 

Esta mesma CBF, auxiliada pela FIFA, ignorou o estádio do Morumbi para abertura da COPA. É justamente o estádio que, em recente pesquisa com os jogadores, é apontado como o preferido pelos atletas. Esta é a outra face da coerência pela modernidade de todos estes dirigentes. De clubes, de federações e de confederações. Tudo pelo maior gasto. Onde surgem números inexplicáveis, como os 350 milhões privados gastos na arena do Grêmio comparados aos 800 milhões públicos previstos para o estádio do Corinthians. E a arena gaúcha é bem maior que a corintiana.

 

Em plena época da espetacularização, o grande espetáculo do Brasileirão 2013 foi coerente a estas incoerências. O único ganhador fora da primeira rodada deu 44 passes errados, e foi impedido de levar a sua torcida por falha do mandante, que levou a própria para se auto digladiar. Enquanto no novo Mané Garrincha o também novo recorde de renda passava distante do subserviente Santos, que de R$ 7 milhões ficara com R$ 800 mil.

 

O nosso futebol está numa fria, mas parece que Nero vem aí.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

8 comentários sobre “Brasileirão teima em não entrar na moda

  1. Acredito que, assim como em todas as demais atividades econômicas, o futebol é uma amostra de nossa pobre conduta.
    Talvez pela sua popularidade tenhamos as evidências mais claras.
    Fica claro que a divisão do bolo, exemplificada na arrecadação do “Mané Garrincha”, espelha as formas de conduta em todo o processo econômico, social e político.
    Ainda de quebra, temos de assistir os jogos enfadonhos.

    No caso do futebol, caso de paixão, é duro virar as costas e trocar o entretenimento.
    É mais fácil trocar de partidos e candidatos. Ai não tem paixão, tem consciência.

    • A paixão tem de ser explorada, Carlos. Imagine quantas marcas adorariam ter torcedores em vez de apenas consumidores. O futebol tem, mas não sabe explorar inteligentemente este sentimento. Apenas explora o torcedor, no pior sentido.

  2. Milton, é verdade. A paixão que somente as grandes marcas possuem, é conseguida por elas através de muito trabalho e longos anos. No caso do futebol os clubes tem os torcedores que são apaixonados por definição e consequentemente consumidores potenciais.
    É preciso lembrar que neste contexto não é apenas o clube que pode fidelizar os apaixonados torcedores. Há os jogadores e todo o pessoal envolvido. Treinadores, médicos, fisioterapeutas, massagistas, que inseridos no futebol e identificados aos clubes também podem potencializar a exposição que naturalmente recebem.
    Em todos os esportes com visibilidade é comum constatar que os ganhos com imagem e campanhas publicitárias de serviços e produtos é maior do que com salários. Que o diga o inglês Beckham, e também o Neymar.

  3. Nossa nem sei em q planeta vc vive… vc sabe quantas milhares de familias assinam tv paga exclusivamente pelo inicio do brasileirao? é a maior expectativa do mundo em esporte de pontos corridos.

  4. Pois eu não consigo entender cetas coisas, talvez por não ser “letrado” o suficiente (neste caso, sem curso superior, sem MBA, sem mestrado, sem doutorado, sem isso e aquilo), pois leio sempre, ouço sempre que a pessoa precisa estar sempre se atualizando, fazendo curso e escambaus. Aí pego o futebol. Como é mal administrado aqui no Brasil. E fica a pergunta: será que estes que estão no comando, são todos “iletrados” como eu? Vale também para outros casos, tipo líderes que mandam nos governos federais, estaduais, municipais.
    E ao Luis Flavio: pago sim TV para assistir futebol. Ok, pode me taxar de burro e idiota.
    Mas fico com o Rafael: No caso do futebol, caso de paixão, é duro virar as costas e trocar o entretenimento. É mais fácil trocar de partidos e candidatos. Ai não tem paixão, tem consciência.

  5. Gunar, é isso mesmo, política, governo, são grandes problemas, pois os melhores profissionais certamente não estão dispostos a enfrentar a agruras do status quo.
    Quanto ao futebol , parece que tem atraído o que há de pior.
    Não é por isso que vamos desistir.Não é mesmo?
    Também sou assinante do pacote de esportes. Uma coisa que também me intriga é que vejo estatísticas sobre torcidas que fazem parte dos assinantes, enquanto que há anos sou assinante e nunca me perguntaram qual o clube que torço.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s