Brasil em Davos: saem os holofotes, aparece a sombra

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O pequeno crescimento brasileiro em 2012 resultou no desapontamento do Fórum Econômico Mundial em nosso país, que até então era o queridinho nas análises desenvolvimentistas. Certamente o 1% fez com que reaparecessem os antigos e saturados buracos estruturais. Impostos altos, maquina estatal grande e emperrada, corrupção endêmica, etc.

 

O brasileiro Carlos Ghosn, presidente mundial da Renault-Nissan em debate sobre o Brasil, ressaltou a exportação de matéria prima sem valor agregado, e a questão dos impostos. Efeito e causa.

 

Alexandre Tombini, do Banco Central, apontou que deveremos crescer 3% em 2013, o que segundo sua ótica é bom. Mas excelente é a relação entre o crescimento e o pleno emprego em que o Brasil vive, graças inclusive ao um milhão de postos de trabalho criados neste ano.

 

Então, qual dos olhares é o correto, o externo da incerteza, ou o interno da popularidade de Dilma e do otimismo de Tombini?

 

Pela característica da população economicamente ativa usufruindo do bônus demográfico, e pela riqueza dos recursos naturais, o Brasil poderá contrabalançar as fraquezas da estrutura geral. Governamental, tributária, política e moral. A questão é saber quanto tempo vamos precisar para extirpar os nossos problemas estruturais. Segundo o jornalista Clóvis Rossi, Davos acaba de demonstrar que a fila anda e já aparecem países com chances de substituir os Brics. Encabeçado pelo México, surgem, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Turquia.

 

Sem bola de cristal, podemos exercitar o exercício futuro através de Darwin. Os países que melhor se adaptarem às novas condições de competição sobreviverão com as melhores posições. Podemos também usar a velha piada dos dois executivos na floresta, sobreviventes de uma queda de avião. Diante de um leão faminto um deles tira da maleta um tênis. O outro não entende:

 

– “Você acha que vai correr mais que o leão com esse tênis?”.
– “Não, eu só preciso correr mais do que você”.

 

É melhor irmos preparando um bom tênis, qualquer que seja a nova fera que apareça .

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

A alma das marcas: Gallery, São Paulo, 1982

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

A Cidade de São Paulo, das décadas de 60 a 80, seguindo uma tendência das grandes metrópoles do mundo, possuiu locais de entretenimento bastante sofisticados e exclusivos, onde a elite paulistana pode desfilar e desfrutar de boa música, shows refinados e gastronomia requintada.

 

Neste concorrido mercado, o Gallery se destacou. Predominou nos anos 1980 de forma absoluta com seus salões que serviram para namoros, casamentos e para o marketing de produtos e eventos de luxo. Foi neste contexto que, dirigindo a marca de moda infantil Caramelo, e tendo filhos ainda pequenos, percebi que também as crianças não estavam alheias ao prestígio do Gallery. Afinal era o lugar que os pais eram sócios, mas elas não podiam ir. Oportunidade e tanta para divulgar a marca dentro do segmento desejado.

 

Convidamos então os filhos dos sócios através do Jornal do Gallery, com uma chamada feita pela Angélica. Naquela época a sensação das passarelas infantis e Top Model da marca Caramelo:

 

 

Bem, o evento ficou como marco da marca Caramelo. Além de provar que as marcas realmente têm alma, pois Caramelo e Gallery já não tem mais corpo, mas a alma permanece. Se duvidar, pergunte a quem as conheceu.

 

Visite o álbum de fotos e veja se você reconhece algumas das personalidades que eram e são destaque da sociedade paulista. Vale a pena ampliar as imagens, clicando no canto inferior à direita, para aproveitar a festa:

 

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

Saga brasileira

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Entrada do Mappin
A foto do antigo Mappin, em SP, faz parte do álbum em homenagem ao aniversário da cidade

 

Ao terminar a leitura do livro “Saga brasileira, a longa história de um povo por sua moeda” de Miriam Leitão, recomendei-o a muitas pessoas. E com o mesmo entusiasmo que senti pela forma e conteúdo da obra. A linguagem jornalística enriquece a narrativa e facilita o leitor. Confirma o propósito da autora de contar uma história que se passa no governo, mas também na casa das pessoas. E não sendo economista nem historiadora procurou ser uma jornalista relatando e analisando a luta de 30 anos dos brasileiros por uma moeda confiável. Deu certo. O livro se manteve em primeiro lugar em vendas por muitas semanas e no fim do ano veio a consagração pelo “Livro do Ano”, título outorgado pelo Prêmio Jabuti.

 

Neste início de 2013, quando se refazem expectativas, principalmente na área econômica, é uma boa experiência rever fatos e análises da obra de Miriam Leitão, que relata o passado, mas não é extemporânea. O período de 30 anos que é a referência, efetivamente merecia o foco jornalístico embasado nos fatos econômicos, políticos e sociais. Foram 6 planos econômicos, 5 moedas, 9 zeros cortados, divisão por 2.750, 16 ministros da fazenda, 18 presidentes do banco central, 2 calotes internacionais e 1 calote nacional.

 

Dentre os fatos mais significativos, a questão da conta movimento, o grande ralo dos gastos, é muito bem dissertada, até chegarmos à Lei da Responsabilidade Fiscal. Entremeado do diálogo de Maílson, recém-chegado como Secretário Geral do Ministério da Fazenda, nordestino por exigência de Sarney, Presidente, com o Bresser, Ministro da Fazenda.

 

-Precisamos de alguma coisa dura na área fiscal, pediu Bresser.
-Minha proposta, ministro, é que o senhor perca poder.
-Mas, por quê?
-Porque se o senhor tiver o poder de gastar, o senhor não vai aguentar a pressão dos políticos.

 

A força dos números foi respeitada, mas possibilitou que o livro contivesse fotos de pessoas ao invés de fórmulas ou gráficos econômicos. E, as imagens conseguem refletir a seriedade da matemática econômica. Que foi exorbitante. Da maxi desvalorização em 1979 de Delfim ao Plano Real em 1994 de Fernando Henrique foram 15 anos com 13,3% trilhões de inflação. Os seguintes 15 anos, de 1994 a 2009, apresentaram 196,8 % de inflação.

 

O sucesso do Plano Real de FHC e o desastre do Plano Collor podem ser reflexos não só da bagagem de cada um, mas também resultante de suas personalidades.

 

Domingo agora na Folha, em matéria sobre o cerimonial do Palácio do Planalto, Laudemir Filippin conta que ao errar a pronúncia apresentando Francisco Grow ao invés de Gros, Collor parou a cerimônia e mandou corrigir, constrangendo todos, principalmente Gros e Laudemir. Fernando Henrique por sua vez, ao ouvi-lo trocar Ronaldo Sardenberg por Rolando caiu na gargalhada. Sardenberg aproveitou e brincou “Ainda bem que não ficou como Rolando Lero”. Laudemir ainda ouviu que se preparasse para permanecer 8 anos com FHC.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

Novos prefeitos e velhas farsas

 

Por Carlos Magno Gibrail

O politicamente correto tem invadido as falas sociais apontando para a defesa das minorias, gerando uma tomada de posição dos setores menos radicais num processo positivo de debates.
Até mesmo o exagero do humorismo mais agressivo e grosseiro tem recebido providenciais puxões de orelha.

 

É de espantar, mas não surpreendente, o espetáculo politicamente incorreto que vários prefeitos das capitais demonstraram em suas falas de posse. Passaram das promessas em recursos e investimentos na campanha e apresentaram planos de cortes de despesas na posse. As palavras de campanha prometendo maravilhas em serviços e obras foram substituídas por “suspensão de todos os pagamentos”, “corte de gastos”, “contenção de salários”, “solicitação aos governos estadual e federal de recursos”, etc.

 

No Rio, Eduardo Paes do alto da reeleição com 64,6% dos votos, sem poder culpar o antecessor fez uma autocrítica e anunciou um “pacote de austeridade carioca”. Em Salvador, ACM Neto, em Manaus, Arthur Virgilio, em São Paulo, Fernando Haddad, em Recife, Geraldo Julio, assim como em Florianópolis, Campo Grande, etc, o mote foi a falta de recursos e o recurso do corte. Tudo muito diferente da campanha. Certamente é hora de mudar este status quo, buscando entender a formação e a evolução deste animal político para efetivar sua melhoria.

 

Danilo Gentili, o humorista politicamente incorreto, diz que o aluno ruim ou vira roqueiro ou vira humorista, e quem nunca foi aluno vira pagodeiro. Não há certeza de como se origina o político, mas temos convicção que através de um processo evolutivo darwiniano poderemos chegar a um padrão mais ético. Sabemos que Darwin concluiu que a evolução das espécies vem através de adaptações às novas condições ambientais, quando os mais aptos às mudanças sobrevivem, distanciando-se dos estados primitivos.

 

Ora, se mudarmos o tamanho do mercado eleitoral, isto é, restringirmos os eleitores àqueles que desejam votar, acabando portanto com o voto obrigatório, os candidatos terão que se entender provavelmente com menos consumidores/eleitores, embora mais envolvidos e mais conhecedores de política. Como na teoria de Darwin, quem ficará não serão nem os mais fortes nem os mais espertos. Apenas os mais aptos permanecerão enquanto os menos preparados serão excluídos.
Tudo indica que vale apostar e apoiar o voto facultativo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

Para onde vão os livros?

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

Mílton Jung, ontem no jornal da CBN iniciou a sua conversa com Viviane e Cony informando que o livro digital passava a ser usado por 23% dos americanos, subindo 7% em relação aos 16% do ano anterior. O livro impresso caía de 72% para 67%. Enquanto Viviane explicitava o uso pessoal de ambos em ocasiões pertinentes, em função do ambiente ou da velocidade a ser executada, Cony também externava a sua crença nas duas hipóteses, mesmo não sendo usuário do digital, e ainda lembrou o abandono aos papiros e pergaminhos quando surgiu a imprensa.

 

A pauta é das mais atuais e relevantes, pois no momento em que assistimos ao sucesso das mudanças nas grandes livrarias, ao atrair o público para o lazer em suas lojas, terão agora que competir com as novidades do mundo digital.

 

Será uma briga entre os grandes. Já está clara a concentração de títulos no ambiente das lojas, quando se nota a repetição de exposição dos livros mais promovidos. Em detrimento de lançamentos menos robustos. Segundo a FOLHA de segunda, as livrarias justificam a locação de espaço de exposição para melhorar as condições de negociação com as editoras. Entretanto, a variedade ficou reduzida e abre espaço para o mundo digital, justamente quando a Amazon e a Livraria Cultura disputam os leitores com os e-books.

 

Interessante notar que a batalha ora iniciada tem objetivos diferentes entre os contendores. A Amazon não ganha no Kindle ou nos livros vendidos para o iPad ou nos tablets Android, mas nos demais produtos de sua extensa linha. A Apple está neste mercado para vender iPad e seu interesse é apresentar uma completa biblioteca que alavanque o seu produto. A Livraria Cultura, com o Kobo, visa provavelmente uma posição preventiva e de atendimento a um novo hábito de leitura.

 

E as editoras? Bem, estão sendo forçadas a baixar preços, enquanto há torcida para que sejam pressionadas em virtude da democratização do meio eletrônico. Ao mesmo tempo, os best sellers deverão ficar com elas, pois seu investimento é alto.

 

Então, para onde vão os livros?

 

Considerando os papiros e pergaminhos do Cony, a menina que lê um livro por dia no iPhone, e mesmo amando os meus 2.000 livros, concordo com William Uricchio do IMT que diz sobre o livro:

Não precisa de luz, não precisa de internet, não fica sem baterias, é reciclável, e o mais importante: o compramos só uma vez.

 

Entretanto, ao imaginar o mundo sem esta geração e dentro da inovação que certamente ocorrerá, fico com o paradigma dos papiros e pergaminhos. O livro deixará de existir. Ao menos com a função atual.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

Brasileiros conservadores

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O conservadorismo brasileiro não é novidade, mas os dados apresentados pelo Datafolha ontem, resultante de pesquisa realizada no dia 13, em 160 municípios, com 2.588 entrevistas, merecem ser comentados.

 

86% acham que acreditar em Deus torna as pessoas melhores
83% aprovam a proibição do uso de drogas
58% atribuem à criminalidade a maldade das pessoas
46% afirmam que os sindicatos fazem política e não defendem os empregados
42% são favoráveis a pena de morte
37% acreditam que a pobreza é devido à preguiça
30% defendem o porte de armas
25% combatem o homossexualismo

 

Como podemos observar, mesmo nos itens em que o percentual é abaixo de 50%, como no caso da pena de morte e da pobreza, 42% e 37%, respectivamente, para itens tão conservadores, é significativo. São indices muito altos para fatores tão radicais.

 

O regime democrático em que indubitavelmete vivemos convive com uma população que aceita o autoritarismo do sistema. Principalmente o financeiro. Daí os impostos crescentes. E, pior, com burocracia e penalidades cada vez mais draconianas para os contribuintes.

 

A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, impede o contribuinte prestador de serviço de emitir nota fiscal se estiver inadimplente, criando um ciclo burocrático infernal ao pequeno empresário. Esta mesma prefeitura atualiza o IPTU pela valorização do imóvel, como se cada proprietário fosse um sagaz investidor imobiliário e estivesse de posse de algo que está sempre à venda, à espera de um bom negócio.

 

Os impostos sobre veículos podem ocasionar apreensão se não estiverem pagos, mas o proprietário não pode quitar ao ser flagrado. É obrigado a deixar o carro onde estiver, a qualquer hora e em qualquer lugar, mesmo correndo risco de vida. O estado pune, mas não protege.

 

Até o Supremo Tribunal Federal, como analisou Cony em sua coluna, ontem, na Folha, poderia ter levado em consideração que no mensalão não houve “fatto di sangue”, e, portanto, opina que a maioria dos crimes deveria ser punida adequadamente à natureza dos mesmos, ou seja, dinheiro. O conservadorismo provavelmente influenciou mais na prisão do que no ressarcimento aos cofres públicos do montante desviado. E ficaram todos felizes.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

O trote na rainha e o trote da rainha

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A rainha Isabel II da Inglaterra, em 1995, por ocasião do referendo sobre a Independência do Canadá recebeu no Palácio de Buckingham um telefonema do humorista Pierre Brassard imitando o primeiro ministro canadense Jean Chrétien, então preocupado com o separatismo de Quebec. O trote transmitido pela rádio CKOI FM, que começou com sotaque britânico, ao passar para o quebequiano, fez a rainha demonstrar certo embaraço. Logo completado quando o humorista passou da política para o preparativo com os trajes do dia das bruxas. Sua Majestade, ainda assim continuou e disse que era assunto que interessava aos netos. Ao que o comediante desfechou: “Mas para vossa Majestade é simples; basta colocar um chapéu”.

 

A mesma rainha, 17 anos depois, como Elizabeth II da Inglaterra, por ocasião do internamento de sua neta por afinidade, voltou a estar envolvida com trote. Parece que o inigualável humor britânico é exclusivo dos ingleses, que não conseguiram passar os bons modos às colônias do Império Britânico. Ao mesmo tempo em que a Corôa é alvo potencial de ataques de humor duvidoso. E, como sabemos desta vez com final trágico. A enfermeira indiana Jacintha Saldanha não aguentou a ridicularização a que foi exposta pelos radialistas da 2DayFM da Austrália e se suicidou. Os radialistas Mel Greig e Michael Christian, depois de curtirem projeção mundial instantânea, imitando a rainha Elizabeth II no trote à Jacintha, caíram na verdadeira extensão do ato. Menos mal que reconheceram a infeliz forma de fazer humor e se retrataram. Ainda que por forte pressão, talvez da própria mídia e do público que inicialmente se divertiu, mas agora os repreende ferozmente.

 

O recrudescimento dos programas de humor grosseiro em nosso país e as atitudes criminosas internacionais embrionadas em bullying são testemunhas de que não se respeita mais nada. Bebês, crianças, costumes, direitos humanos, etc.

 

É preciso parar, e respeitar a todos.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Grêmio dá show de campo, mas ninguém dá bola

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

Arena do Grêmio

 

Tostão em sua coluna na Folha lembra que Chico Buarque escreveu que os europeus eram os donos do campo, e os brasileiros, da bola. Hoje há controvérsias.

 

Enquanto os maiores espaços da mídia esportiva em geral estão sendo ocupados pelo mundial de clubes, focando particularmente o Corinthians, ontem, dois eventos deveriam ter dividido as atenções. Deveriam, mas não dividiram.

 

No ginásio do Ibirapuera, depois de longos anos, os maiores tenistas da atualidade exibiram-se em torneio que leva o nome de Roger Federer, o melhor de todos os tempos. Evento que só não teve a chancela de primeiro mundo porque evidenciou o terceiro mundo de nossa infraestrutura, quando dez mil pessoas que pagaram mil reais o ingresso tiveram que amargar um estádio sem ar condicionado num dia de temperatura escaldante.
Já em Porto Alegre, o Grêmio patrocinou um espetáculo com perfeição absoluta. Indubitavelmente o fato mais importante do fim de semana esportivo. Além do que um feito e tanto sob o aspecto da gestão do futebol, tão tímida e poluída pelos clubes brasileiros em geral.

 

O Grêmio Futebol Porto Alegrense, simplesmente construiu um estádio para 60 000 pessoas, dentro do rigoroso padrão FIFA, a um custo total de 540 milhões de reais. Com 61% de recursos da iniciativa privada e 39% de financiamento do BNDES.

 

Ao compararmos com outros estádios da COPA 14, vamos verificar que o Grêmio conseguiu cumprir uma promessa não cumprida pela CBF quando assumiu a COPA 14, ao se comprometer em empreender com a iniciativa privada e não utilizar recursos públicos. Fato que fica visível na comparação com o Itaquerão. Estádio para 48 000 pessoas com extensão para a abertura de 20 000 lugares, perfazendo o total de 68 000 assentos. No estádio corinthiano o valor estimado é de 890 milhões de reais. 60% do investimento será público e 40% de financiamento do BNDES. A prefeitura de São Paulo doará 420 milhões e o governo do Estado 70 milhões.

 

Duas perguntas deveriam estar pressionando os dirigentes e os políticos:

 

Como se explica o custo da Arena do Grêmio?

 

Por que a Arena do Grêmio não receberá jogos da COPA 14?

 

Plagiando Chico, podemos dizer que o Grêmio é o dono do campo, mas a bola está com a CBF. Em todos os sentidos.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve no Blog do Mílton Jung

O complexo de “vira-lata”

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Nelson Rodrigues, em 31 de maio de 1958, na última crônica antes da estreia da seleção brasileira de futebol na copa do mundo na Suécia titulou sua coluna “Personagem da Semana”, na revista Manchete, com o provocativo: “Complexo de vira-latas”. E explicou: “Por complexo de vira-latas entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol”. Ainda assim apostou na vitória, e, como sabemos, veio o primeiro título mundial. Nelson só não acertou nas consequências: “Só imagino uma coisa – se o Brasil vence na Suécia, e volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício”.

 

Nem hospício, nem a fé se tornaram referência. Ganhamos cinco copas, temos o maior número de campeonatos mundiais, exportamos enxurradas de craques. Na América Latina o domínio é tanto que decidiram proibir final de campeonatos continentais entre nossos times. Mas, o complexo voltou. Nas vésperas de sediar o próximo mundial, Ronaldo o Fenômeno, legítimo produto nacional, o maior goleador de mundiais, eleito três vezes o melhor do mundo, e hoje Diretor do COL, consegue fora dos gramados o que nunca tinha feito dentro deles, pisar na bola: “O futebol brasileiro não vive o seu melhor momento. Talvez até esteja no seu pior momento da Historia”.

 

Fora do Brasil, o pessoal do futebol se aproveita. Breitner, alemão campeão do mundo em 1974, na Soccerex do Rio disse que ficamos fora das mudanças do futebol mundial nos últimos anos. E, em relação ao mundial de clubes, a fala em algumas ocasiões é míope ao avaliar o campeonato da FIFA. Quando não é, é até de desprezo. Atitude que alguns conterrâneos nossos tem endossado ingenuamente, pois a simples observação do comportamento dos europeus após os jogos finais no mundial de clubes constata que a fala dos homens precisa sempre ser reavaliada. Explosões dos europeus de alegria ou tristeza relacionadas com vitória e derrota são visíveis a olho nu.

 

O velho e sábio Nelson Rodrigues viveria hoje uma assertividade invejável, pois enquanto o complexo ainda persiste a paixão também explode. No tricolor campeão que tanto amou e nos “loucos” que chegam amanhã em Tókio.

 

Felipão tem mesmo que levar este espírito dos clubes à Seleção.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

A moda na República Federativa do Brasil

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Os nossos Estados Federados, há tempos em combate agressivo na disputa pelas montadoras de automóveis e caminhões, seguiram no mesmo ritmo na questão das cidades sede da COPA 14. Surpreendentemente se uniram agora no caso do petróleo. Partiram para assaltar as riquezas futuras do Rio e do Espírito Santo. Chegamos então ao limite. A competição passa a ser usurpação.

 

Em resposta, o Rio de Janeiro, através de seu governador Sergio Cabral, informou que o estado não poderia realizar a COPA nem a Olimpíada sem o capital do petróleo. Insensatez que o prefeito Eduardo Paes assimilou. E, após apresentar o velódromo e o autódromo da cidade do Rio para demolição, ao receber um terreno para a futura construção do novo autódromo, atacou São Paulo, advertindo que tiraria dos paulistanos a F1 e a levaria para os cariocas. Fala bélica e inoportuna.

 

Mas, voltando ao universo competitivo padrão, percebe-se que os Estados deveriam ter mais foco e menos abrangência, competindo, mas apostando no talento e na cultura regional para apresentar produtos e serviços diferenciados ao mercado nacional. Evitando assim a oferta exagerada do mesmo, que não fortalece, enfraquece. Na literatura, na música, no cinema, no esporte, na gastronomia, enfim nas múltiplas possibilidades, será mais eficiente escolher setores peculiares ao Estado do que apostar a esmo.

 

Uma moda que a própria atividade industrial e comercial da Moda também se defrontou. Caminha agora para o equacionamento deste canibalismo. A Moda como indústria tem tido muitas cidades competindo para se tornar polo de criação e comercialização. Justamente numa fase de transição, onde um processo de concentração de empresas se intensificou ao mesmo tempo em que grande número de novos players internacionais aporta no país.

 

Ao encerrar o ciclo de lançamentos com a feira mineira, que também apresentou diminuição de marcas e de público, como já tinha ocorrido em São Paulo e no Rio, desponta uma tendência positiva. É a provável segmentação de estilos e produtos, de acordo com o potencial natural de cada cidade.

 

São Paulo, historicamente com a moda mais urbana e atualmente mais autoral, fica com o SPFW e a porta de entrada das grandes operações internacionais de moda.

 

O Rio, imbatível na modinha, hoje “fast fashion”, dominará a moda praia e a moda descartável, levando ao mundo o alegre espírito carioca através do Fashion Rio.

 

Belo Horizonte, através do Minas Trend Preview, dominará na moda festa e nos tricôs.

 

Tudo indica que desta forma os talentos da indústria de moda de cada região estarão fortalecidos e contribuirão para a maior racionalidade das marcas, dos compradores e da imprensa. Uma moda que deveria ser copiada por todos. Inclusive os de fora da moda.

 

O Brasil agradece. A todos, e aos Estados Federados.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung