Brasileiros conservadores

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O conservadorismo brasileiro não é novidade, mas os dados apresentados pelo Datafolha ontem, resultante de pesquisa realizada no dia 13, em 160 municípios, com 2.588 entrevistas, merecem ser comentados.

 

86% acham que acreditar em Deus torna as pessoas melhores
83% aprovam a proibição do uso de drogas
58% atribuem à criminalidade a maldade das pessoas
46% afirmam que os sindicatos fazem política e não defendem os empregados
42% são favoráveis a pena de morte
37% acreditam que a pobreza é devido à preguiça
30% defendem o porte de armas
25% combatem o homossexualismo

 

Como podemos observar, mesmo nos itens em que o percentual é abaixo de 50%, como no caso da pena de morte e da pobreza, 42% e 37%, respectivamente, para itens tão conservadores, é significativo. São indices muito altos para fatores tão radicais.

 

O regime democrático em que indubitavelmete vivemos convive com uma população que aceita o autoritarismo do sistema. Principalmente o financeiro. Daí os impostos crescentes. E, pior, com burocracia e penalidades cada vez mais draconianas para os contribuintes.

 

A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, impede o contribuinte prestador de serviço de emitir nota fiscal se estiver inadimplente, criando um ciclo burocrático infernal ao pequeno empresário. Esta mesma prefeitura atualiza o IPTU pela valorização do imóvel, como se cada proprietário fosse um sagaz investidor imobiliário e estivesse de posse de algo que está sempre à venda, à espera de um bom negócio.

 

Os impostos sobre veículos podem ocasionar apreensão se não estiverem pagos, mas o proprietário não pode quitar ao ser flagrado. É obrigado a deixar o carro onde estiver, a qualquer hora e em qualquer lugar, mesmo correndo risco de vida. O estado pune, mas não protege.

 

Até o Supremo Tribunal Federal, como analisou Cony em sua coluna, ontem, na Folha, poderia ter levado em consideração que no mensalão não houve “fatto di sangue”, e, portanto, opina que a maioria dos crimes deveria ser punida adequadamente à natureza dos mesmos, ou seja, dinheiro. O conservadorismo provavelmente influenciou mais na prisão do que no ressarcimento aos cofres públicos do montante desviado. E ficaram todos felizes.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

4 comentários sobre “Brasileiros conservadores

  1. Boa noite Carlos,
    A mesma pesquisa englobando temas tão discrepantes entre si, é mostra de um conservadorismo a toda prova. Me parece que sobre estes mesmos temas, a população não vem recebendo esclarecimento adequado. Ao menos se considerarmos o que a ciência nos traz sobre cada um deles, a exceção do que concerne à crença religiosa.
    Mas concordo plenamente contigo com relação a nosso individualismo exagerado, que só nos deixa mais frágeis.
    Imagino que a mesma Folha poderia dar uma contribuição valiosa no sentido de fazer as pessoas pensarem um pouco mais no que não é de ninguém e de todos ao mesmo tempo. Veja que se com sindicatos ruins, os trabalhadores penam, sem eles como seria?
    Um abraço forte e felicidades em 2013. A você e aos seus.

  2. Prezado Sérgio, é interessante observar que após qualquer matéria que mostre o conservadorismo seguem comentários do público que o confirmam. Ontem a Folha publicou dois comentários sobre o artigo do Cony, e ambos refletiam forte reação contrária.

    Reitero para você e familiares os votos de um feliz ano novo.

  3. Olá, meu querido Milton Young!

    Sou professor de Filosofia e Sociologia aqui na rede pública de ensino do Distrito Federal e ouvi, na programação de quinta-feira (24/01/13) você falando sobre uma pesquisa do comportamento dos brasileiros à vista dos próprios brasileiros. Não estou conseguindo acessar essa informação que é, a meus olhos, importantíssima sob o ponto de vista ético e moral. Foi feito um livro? Foi feita uma pesquisa com resultados em gráficos e percentuais? É uma matéria? Se possível for, gostaria de ter acesso à mesma.
    Agradeço de antemão pelo excelente trabalho seu, e dos seus companheiros de profissão que afastam mais e mais a população do grande lixo que se tornou a programação televisiva mundial.

    Atenciosamente,

    Cícero Carlos

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