Novos prefeitos e velhas farsas

 

Por Carlos Magno Gibrail

O politicamente correto tem invadido as falas sociais apontando para a defesa das minorias, gerando uma tomada de posição dos setores menos radicais num processo positivo de debates.
Até mesmo o exagero do humorismo mais agressivo e grosseiro tem recebido providenciais puxões de orelha.

 

É de espantar, mas não surpreendente, o espetáculo politicamente incorreto que vários prefeitos das capitais demonstraram em suas falas de posse. Passaram das promessas em recursos e investimentos na campanha e apresentaram planos de cortes de despesas na posse. As palavras de campanha prometendo maravilhas em serviços e obras foram substituídas por “suspensão de todos os pagamentos”, “corte de gastos”, “contenção de salários”, “solicitação aos governos estadual e federal de recursos”, etc.

 

No Rio, Eduardo Paes do alto da reeleição com 64,6% dos votos, sem poder culpar o antecessor fez uma autocrítica e anunciou um “pacote de austeridade carioca”. Em Salvador, ACM Neto, em Manaus, Arthur Virgilio, em São Paulo, Fernando Haddad, em Recife, Geraldo Julio, assim como em Florianópolis, Campo Grande, etc, o mote foi a falta de recursos e o recurso do corte. Tudo muito diferente da campanha. Certamente é hora de mudar este status quo, buscando entender a formação e a evolução deste animal político para efetivar sua melhoria.

 

Danilo Gentili, o humorista politicamente incorreto, diz que o aluno ruim ou vira roqueiro ou vira humorista, e quem nunca foi aluno vira pagodeiro. Não há certeza de como se origina o político, mas temos convicção que através de um processo evolutivo darwiniano poderemos chegar a um padrão mais ético. Sabemos que Darwin concluiu que a evolução das espécies vem através de adaptações às novas condições ambientais, quando os mais aptos às mudanças sobrevivem, distanciando-se dos estados primitivos.

 

Ora, se mudarmos o tamanho do mercado eleitoral, isto é, restringirmos os eleitores àqueles que desejam votar, acabando portanto com o voto obrigatório, os candidatos terão que se entender provavelmente com menos consumidores/eleitores, embora mais envolvidos e mais conhecedores de política. Como na teoria de Darwin, quem ficará não serão nem os mais fortes nem os mais espertos. Apenas os mais aptos permanecerão enquanto os menos preparados serão excluídos.
Tudo indica que vale apostar e apoiar o voto facultativo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

6 comentários sobre “Novos prefeitos e velhas farsas

  1. Mas o voto aqui no Brasil não é obrigatório, mas sim o comparecimento a urna. Uma vez diante dela, você pode anular o seu voto. Lógico que um cenário de voto facutativo seria diferente, sem a obrigação de sair de casa, muitos não iriam votar e, talvez, ganharíamos em qualidade no voto. No entanto, vejo o que mais favorece o antagonismo entre o discurso de campanha e o discurso de posse dos candidatos eleitos, além do cinismo e irresponsabilidade destes, é a falta de interesse do povo em conhecer a real situação de seu município no que diz respeito a gestão e fiscalização da administração pública. Precisamos de cidadãos mais conscientes (que conheçam a realidade e as potencialidades de seus municípios, que cobrem melhorias e fiscalizem a aplicação de recursos) e órgãos de controle mais fortes e comprometidos com o seu propósito (Camara Municipal, Promotoria, Tribunais de Conta etc.).

  2. Carlos, mas estas barbaridades não acontecem só nas grandes cidades ou capitais, mas imagine o quanto de “capacidade” mostram os prefeitos ao assumir o mandato pelo Brasil afora.
    Em Mandirituba, região metropolitana de Curitiba, um ficha suja que concorreu até a véspera da eleição, colocou seu vice como prefeito, mas na urna aparecia o seu “retrato”!E agora pasmem, o prefeito eleito o nomeou secretário de finanças.
    É, deste jeito só abolindo mesmo esta nossa tão falada democracia…
    E a Justiça Eleitoral, com seus juízes ganhando muito bem, estão é pouco se ligando para o que é correto e justo. Querem mais é ver o fim do mês chegar e ter o seu bom salário na conta.
    O povo, que pague a conta!

  3. Interessante…

    Mas me surje uma indagação:
    Todo ‘corrupto é criminoso’?
    Todo ‘criminoso é corrupto’?

    Pois bem, nas minhas andancias e proseadas em diversos lugares,
    Muitos criminosos não se julgam corruptos…
    Também os corruptos não se julgam criminosos…
    Rsrs, pois é, é serio…
    Quanto à criminosos que não sejam corruptos até concordo (em alguns casos)
    Mas quanto aos corruptos não serem criminosos ja discordo totalmente !!!

    Isso é evolução ???
    Quanto o voto facultativo existir (e tal acontecera), teremos uma proximidade maior com a nossa ‘CF’, sobre Democracia, mas ainda assim, infelizmente acredito que ainda estaremos longe do que realmente é uma Democracia, pois ainda somos tomados de conceitos e preconceitos no mínimo duvidosos, cultivados por um sistema que por enquanto é historinha do Mundo de Faz de conta..

    Mas estamos acordando, lentos, mas estamos.
    Como VC mesmo disse (escreveu) muitos fizeram muitas promessas, mas já no primeiro dia, o dia da posse, mudaram seus discursos, e nós cidadãos aceitamos isso meio que normal, meio que tal faz parte ou pior, que é assim mesmo.

    Porém estou preocupado, muito mesmo, pois vejo muito de nós se organizando para mudar isso, porém as crianças ainda não estão aprendendo nada sobre isso, ou poucas das muitas que aqui estão no nosso Brasil. Penso a acredito que tal deveria vir desde a escolinha, antes do mesmo do primeiro ano do ensino fundamental.

    Sabemos que a corrupção faz mal, e muitas crianças também, apesar que estas ainda não tem bem de fato, o que é tal e muito menos como combate-la.
    E algo para se pensar, quanto mais rápido melhor ou talvez só menos pior.
    Chegaremos la, apesar que temos que ficar ‘espertos’ com tais ‘debates’,. Debates que sem sombra de dúvidas devem sempre existir, mas atentos devemos ficar que tais debates não sejam somente manobras para se ganharem tempo e/ou encobrir outros fatos.

    Resumindo tudo (ufa, rs), não basta só fiscalizarmos, temos que ensinar os pequeninos a já fazerem também, se não será aquela velha historia:
    “…avançõu dez casas,mas logo depois retorcede cem casas…”

    Tenhão todos (menos os corruptos, é claro, rs) um ótimo 2013
    .
    ass:Douglas Silvino
    .
    http://nuncios.wordpress.com/
    .
    20014424189N92(@X6PTI025DC2.4ASPPJSLESTM14143851090113

  4. Marcio Abreu, imagine que você tenha um negócio que ofereça serviço não essencial, mas obrigatório a toda a população que esteja entre 18 e 70 anos. Imagine ainda que além da sua empresa apenas mais 3 marcas ofereçam o mesmo serviço.
    Agora imagine esta mesma empresa em um mercado em que não haja obrigatoriedade de comprar este serviço não essencial .
    No primeiro caso qualquer produto será vendido. A concorrência é entre 4. No segundo caso só irão comprar os aficionados do serviço, que deverá ser altamente desejado. Antes de concorrer entre si, os 4 terão que efetivar muito esforço e apresentar tal qualidade que inspire desejo de consumo.
    Diferença brutal.

  5. Gunar, o mercado cativo em função do voto obrigatório cria uma acomodação aos políticos a ponto de focarem apenas em suas carreiras. Para tal o expediente de aumentar a arrecadação através de impostos é uma das premissas básicas. Pois assim terão mais dinheiro para obras de aparência. ao mesmo tempo que beneficiam os patrocinadores das campanhas.
    De outro lado o aumento do funcionalismo quantitativo e qualitativo nos salários é outro meio de posicionar-se para as eleições seguintes.

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