Tragédia anunciada, assimilada e dissimulada

 

Por Carlos Magno Gibrail

Estádio do Corinthians

A COPA 14 fez com que em dias recentes, Dilma (Presidenta), Orlando Silva (Ministro) e Kassab (Prefeito) tivessem falsas falas, além das simulações habituais ao poder.

A presidenta para defender a MP aprovada na Câmara, que dificulta a fiscalização e aumenta os gastos, disse para toda a mídia, em tom solene e incisivo, que os críticos não estavam entendendo. A virtualidade ou o simulacro que Dilma optou deixa no chinelo o pessoal do Matrix e consagra o sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard, cuja imaginação ponderou a que grau a dissimulação humana pode atingir.

O ministro Orlando Silva informou que irá tirar da internet os dados necessários para acompanhamento das obras. Como se sabe vários estádios iniciaram a execução sem todos os projetos necessários e boa parte sem o projeto definitivo com todos os detalhamentos técnicos.

Neste caso posso informar que essa gente do futebol e da política não conseguiria nem abrir uma loja em qualquer um dos shoppings centers brasileiros, pois as exigências técnicas estão dentro de normas que não estão sujeitas a acertos. E todos os projetos precisam ser apresentados e aprovados.

O prefeito Kassab enviou à Câmara Municipal de São Paulo projeto de lei – a ser votado nesta quarta-feira- que dá ao Corinthians o direito de abater o ISS e o IPTU por dez anos até o valor de R$ 420 milhões e insiste que isso não é dinheiro público.

Depois do episódio dos R$ 20 milhões do Palocci e do segredo eterno do Sarney, esta dissimulação ainda é pior, pois vem de fora, é a FIFA no comando, casada com a CBF e o COL Comitê Local, na mão de Teixeira e sua filha, cujos resultados serão depositados em conta pessoal dele próprio, Ricardo Teixeira.

A FIFA, portanto, dominará o operacional, o administrativo e o financeiro. O social também, pois ela escolherá os convidados e determinará até os preços que irá pagar pela cortesia, que segundo informações veiculadas chegam a 1/5 do valor real.

A submissão às ordens coercitivas da FIFA remonta ao Império Romano, quando o Senado controlava tudo, e seus membros acumulavam poder e fortuna. Cada vez mais se entende porque a FIFA atrai dirigentes que não querem mais sair.

Depois de assistir à impressionante reação por parte da mídia informativa e também dos mais respeitados colunistas e âncoras nacionais, com críticas severas à atitude de Dilma, de Orlando Silva e de Kassab e nada se modificar, é apostar nas marcas globais.

Na medida em que as marcas é que fazem os países, e não mais os países que fazem as marcas, resta esperar que o Marketing das corporações patrocinadoras potenciais e reais possam colocar um novo rumo nesta situação. Enquanto na Câmara, Romário apela para Jesus Cristo intervir e pede para Ricardo Teixeira, aniversariante, presenteie a todos com a sua saída de Presidente do COL.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

República feminina dos pampas

 

Por Carlos Magno Gibrail

Lucia Hippolito, segunda feira no programa da rádio CBN pela manhã, cumprimentou Mílton Jung pela presença gaúcha, catarinense e paranaense no poder central, denominando-a de República dos Pampas.

Imediatamente, pela importância do setor da Moda e diante da semana da SPFW São Paulo Fashion Week, ao ouvir a animada saudação de Lucia, veio um link natural com o celeiro que é a região sul de modelos internacionais, e, não menos espetacular, sede de um globalizado centro têxtil, de confecção e de acessórios.

Com uma dose de Marketing na República Feminina dos Pampas poderíamos juntar este acervo de moda característico da região sulina e faturar para o negócio do vestuário.

A senhora Obama, segundo a revista VEJA e, de acordo com estudos realizados pela Universidade de New York, contribuiu para aumentar o faturamento das marcas que usa e planejadamente as divulga, em mais de US$ 3 bilhões de dólares.

Por sua vez, os ingleses estão apostando na Duquesa de Cambridge, a esposa do Príncipe William. Que já está colaborando, pois no primeiro baile de gala vestiu Jenny Packham de US$ 10 mil, mas teve o cuidado de usar um sapato de L. K. Bennett, bem mais barato. Kate, ao que tudo indica, não irá decepcionar a moda inglesa.

Dilma Rousseff, Ideli Savatti e Gleisi Hoffman como Presidenta da República, Ministra Chefe da Casa Civil e Ministra das Relações Institucionais, certamente, se acentuarem o feminino no ser e no parecer ser poderão dar grande contribuição não só ao setor de moda nacional, mas também à imagem da mulher brasileira na sua polivalência, competente no trato do conteúdo e da forma.

Dariam uma lição de Marketing sob os aplausos das escolhidas, talvez Renner, Grandene, Arezzo, Hering, Colcci, para ficar só nas do sul.

Carlos Magno Gibrail é especialista em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Franquias: começar e multiplicar

 

Por Carlos Magno Gibrail

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Hoje, a partir das 13hs, temos em São Paulo, a abertura da maior feira de franquia da América Latina, e a segunda do mundo. É a ABF Franchising EXPO 2011.

É um tema relevante pelos aspectos econômicos, sociais e culturais envolvidos, na medida em que as características do brasileiro como mão de obra empreendedora tem mostrado apetite e aptidão para o sistema de franquias. Como franqueador ou franqueado.

Fatores, que somados ao atual crescimento da economia nacional, aliadas ainda a identificação de problemas na empregabilidade da mão de obra mais qualificada, valorizam sobremaneira a possibilidade das franquias.

Os dados refletem este panorama, pois os 76 bilhões de reais de 2010 correspondem a um crescimento de 20% sobre o ano anterior. Das 600 redes existentes em 2001 passamos para 1.855 e de 51.000 unidades chegamos a 86.355. O número de empregados foi de 459.000 em 2001 para 777.285 em 2010. Estas cifras nos colocam em 6º lugar no mundo como unidades franqueadas e em 4º como franqueadores.

A expansão do sistema tem apresentado estratificação que reflete uma concentração nos estados mais cosmopolitas. São Paulo abriga 56% das sedes franqueadores, o Rio 13% e Paraná 7%, enquanto as unidades distribuem-se 37% em São Paulo, 12% no Rio e 8% em Minas Gerais.

De acordo com Filomena Garcia, entrevistada pelo jornalista Mílton Jung no Mundo Corporativo, as franquias no Brasil amadureceram e hoje é excelente a opção de investimento e realização profissional.

Realmente, a experiência acumulada dos últimos anos sinaliza que vivenciamos as condições ideais para franqueados e franqueadores. A maturação é retratada pelo menor crescimento de novas marcas, 264 em 2009 para 212 em 2010, contrapondo ao maior número de novas unidades.

Para os franqueados, o espírito e o talento empreendedor são condições favoráveis, excetuando apenas os excessos de cuidado ou de empreendedorismo. Os cuidadosos em demasia devem continuar como empregados e os muito criativos devem criar suas próprias marcas.

Para ser franqueador é necessário ter marca claramente posicionada, planejamento estratégico, conhecimento do mercado, profunda informação sobre o consumidor alvo e plano de negócios para si e para as unidades a serem franqueadas. E, acima de tudo, ter vocação e disposição para ensinar e treinar os novos parceiros.

Aos 420 franqueadores presentes na feira e aos milhares de potenciais franqueados que estarão participando, abre-se novamente o ciclo do desenvolvimento empreendedor. Começar e multiplicar.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, às quartas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung


A foto neste post é do álbum digital de Rufino Uribe, no Flickr

Listas, muros e bons pagadores

 

Por Carlos Magno Gibrail

Innocente

Os muros, por mais que a história das civilizações demonstre que nunca funcionaram, são usados até hoje com o propósito de proteger ou de isolar. Foi assim em Berlim, está sendo no Oriente Médio. Bem, em São Paulo crescem para proteger moradores que ainda não perceberam que os bandidos chegam pela entrada social, com metralhadoras ou controle remoto.

As listas, intencionadas em premiação ou punição, dificilmente conseguem alcançar funcionalmente o objetivo inicial. Com o decorrer do tempo as de privilégios são aumentadas e as punitivas reduzidas.

Em suma, listas e muros não se sustentam, nascem com o mesmo objetivo e morrem do mesmo modo. Imprestáveis.

O Legislativo nacional acaba de aprovar o Cadastro Positivo, uma lista que pretende beneficiar os totalmente adimplentes. E, que mesmo depois de vetado pelo Executivo e receber muitas retificações, não deve beneficiar os consumidores, foco aparente do projeto.

A redução do custo do dinheiro, argumento básico do lobby do sistema financeiro é falácia, pois hoje existem vasos comunicantes afiados dentro destas entidades e o inadimplente é automaticamente identificado.

A autorização do cidadão à inclusão do seu nome no Cadastro Positivo é discutível, pois a negação levará a considerá-lo mau pagador, e ficar do outro lado do muro.

Ao permitir incluir o seu nome, estará dentro do muro, mas correndo o risco de informações financeiras particulares serem divulgadas e manipuladas para ofertas comerciais e financeiras.

A advogada Maria Inês Dolci, Coordenadora do Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) questiona: “Pessoas que atrasaram parcelas de um empréstimo não são, necessariamente, péssimos pagadores ou caloteiros. Podem ter enfrentado problemas de saúde ou desemprego. Governos caloteiam os precatórios. Estarão fora da lista positiva? E quem garante que os cadastros positivos não serão vendidos em CDs, na Rua 25 de março, em São Paulo, como as nossas declarações de Imposto de Renda?”.

Até o Estadão de domingo em seu editorial vê que a vantagem será apenas do gestor das listas. Poderá trabalhar com a segmentação de mercado, que irá informar os diferentes perfis de consumidor, gerando um banco de dados sofisticado e devastador como privacidade para os participantes na lista.
Estamos caminhando para uma dura realidade, em que o cidadão comum ficará cada vez mais exposto e imposto, enquanto os blindados pelo poder político e/ou econômico, menos sujeito a prestar contas, e, portanto, acima do muro.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung


A foto deste post é do álbum digital de Funcky64, no Flickr

O que Palocci, Teixeira, Kahn e Trier têm em comum

 

Por Carlos Magno Gibrail

O traço mais evidente entre todos é o poder, que, conscientemente, usam e abusam. Cada um em sua área de atuação. Política, Futebol, Economia e Cinema.

Suspeitos, arrogantes, tiranos e competentes encontram agora o questionamento, embora tardio, bastante oportuno.

Lars Von Trier, o cineasta, em Cannes foi expulso do festival e teve seu filme desclassificado, embora tivesse tentado explicar-se, atribuindo sua declaração de admiração à Hitler pela provocação que tinha recebido.

O presidenciável francês, economista Dominique Strauss Kahn, celebridade do FMI, depois de assédios inclusive a européias esclarecidas, foi encontrar numa camareira imigrante uma denúncia de estupro que o levou à prisão em New York.

Ricardo Teixeira, mandatário longevo da CBF, incólume a CPIs graças à bancada da bola, invulnerável a pesadas acusações de coronelismo e corrupção, se defronta com denúncias sérias de dirigentes do futebol inglês. Dá-se ao luxo de soberanamente se recusar a responder.

Antonio Palocci, médico, ex-coordenador de caixa de campanha política, ex-ministro da Fazenda, atual Chefe da Casa Civil da Presidenta Dilma Rouseff, ganha 20 milhões em 1 ano, dos quais metade em dois meses entre o término da eleição e o inicio do atual cargo, e se recusa a dar explicação. O governo que serve, o serve; e ministros e governadores peso pesados e em peso o defendem:

Ministro da Justiça – José Eduardo Cardozo: “Palavras ao vento”.

O presidente nacional do PT – Rui Falcão, e os governadores petistas Tião Viana, Jacques Wagner, Agnelo Queiroz, Tarso Genro e Marcelo Déda: “O único fato é o faturamento da empresa por um ano”.

Ex-Chefe da Casa Civil – José Dirceu: “Mais uma crise forjada”.

Como podemos verificar, dos quatro citados, apenas os dois brasileiros não foram punidos, embora as suspeitas sejam tão forte quanto aquelas de Kahn e Trier.

Entretanto, o que mais desponta e desaponta é que estamos num sistema em que o brasileiro comum cada vez mais precisa estar dentro da lei, quanto mais distante do poder estiver. A inadimplência mesmo curta pode custar corte de luz, água, telefone, internet e, até mesmo, retenção de carro em estrada à sorte de uma carona. Ou qualquer restrição de crédito pode gerar seqüestro de contas bancárias. As grandes corporações, públicas e privadas, através de eficientes lobbies tem conseguido sistemas de blindagem de seus patrimônios. E justamente este fenômeno contemporâneo que é o lobby é o móvel principal do caso Palocci.

Causa e efeito, preceito e conceito, Palocci bem exemplifica a disfunção lobista. Não temos dúvida, Palocci deve explicação e o lobby a regulamentação.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mexa-se*

 

Por Carlos Magno Gibrail

A capital paulista depois de impedir o movimento de veículos, está prestes a fazer o mesmo com os paulistanos que desejarem se exercitar em campos de futebol society ou nas quadras de tênis.

O mesmo processo que tirou o futebol de várzea da capital, levando-o para as quadras ou para os campinhos, começa agora a desalojar futebolistas e tenistas. É a oferta e procura de terrenos para incorporações, também conhecida como especulação imobiliária. Tão acentuada quanto à liberalidade excessiva que tais empreendimentos possuem.

Os governos, responsáveis por um planejamento que preserve as modalidades e não interfira no poder econômico estabelecido, precisará exercer seu papel, criando condições na cidade para a prática destes esportes.

A revista VEJA desta semana edita reportagem na qual ressalta o problema para os praticantes do tênis e do futebol e, avalia como perspectiva a retirada destas atividades para cidades limítrofes.

Certamente a solução não é essa, pois a função do Estado é exatamente regular e atender atividades em que a iniciativa privada não tem interesse, mas a população precisa dispor destes serviços ou produtos.

De 2008 até hoje, segundo a VEJA, mais de 60 campos de futebol foram fechados. De acordo com a Federação Paulista de Futebol Society, há 30mil praticantes registrados e 650 unidades, enquanto no tênis não há estatística em relação às quadras públicas, tão necessárias a este esporte mais caro.

Em Salvador, Aracaju, Florianópolis, as Federações de tênis oferecem quadras. No Rio, Porto Alegre, Vitória e Recife há quadras públicas. Entretanto, Buenos Aires é um espetáculo, tanto na região central quanto na periférica. Há tenistas e futebolistas por toda a cidade.

Cidade e Estado, através de seus governantes precisam se mexer, para que os adeptos destes esportes possam também se mexer nas quadras e nos campos.

A tarefa não vai ser fácil, se a Sub-Prefeitura do Butantã servir de exemplo, pois acaba de desapropriar uma área na Super Quadra Morumbi, onde hoje há o CAT uma das últimas academias de tênis da região. Seu proprietário, Leonardo Cunha, um apaixonado pelo esporte, se dispôs a ignorar a especulação imobiliária e planejar uma expansão das quadras. Obteve embargo com alegação de restrição de zona. Entretanto, a administração pública projeta a construção de Cingapuras para complementar a favelização que as administrações anteriores não só permitiram, mas incentivaram.

Aos cidadãos civilizados resta o recado da TV Globo:

Mexa-se

*Campanha premiada da TV Globo em 1976

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung


A imagem que ilustra este post é da galeria de Juan Pablo, no Flickr

A montanha a Maomé

 

Por Carlos Magno Gibrail

Ainda sem recompor as apreensões e energias despendidas nas discussões sobre o novo Código Florestal, eis que a Câmara procede à votação de dois projetos sobre a criação de novos Estados federativos.

Sem voto nominal, apenas em votação simbólica, na qual apenas os líderes partidários comparecem, foram aprovados os plebiscitos para os desmembramentos do Estado do Pará:

O Projeto do senador Mozarildo Cavalcanti do PTB–RR que trata do Estado de Tapajós a oeste, com 27 municípios, 58% da área e 1,3 milhões de habitantes.

O Projeto do ex-senador Leomar Quintanilha do PMDB–TO sobre o Estado de Carajás no sul e sudoeste, com 39 municípios, 25% da área e 1,6 milhões de pessoas.

Esta decisão reabriu o debate sobre a divisão do Piauí, Projeto do deputado Paes Landim PTB, reunindo 87 municípios no sul composta de 27% da população do Estado e tendo Alvorada do Gurguéia como capital. Entretanto, diferente do Pará, que conseguiu através de fortíssimo esquema a votação simbólica, não houve nem manobras nem consenso de peso.

Todavia não se pode desconsiderar interesses e forças na direção de manipulações futuras, pois segundo o senador Wellington Dias PT há mais de 20 projetos semelhantes no Congresso, e oficialmente o seu partido é contrário a novos desmembramentos. Posição que o PSOL se destacou no caso recente do Pará, atacando com veemência o tipo e o resultado da votação. Tomada que difere do DEM, ao menos na visão do piauiense Júlio César Lima na reportagem de Vanessa Mendonça de O DIA:

“Não é divisão. É fortalecimento. Os estados criados recentemente, Mato Grosso do Sul e Tocantins, mostram isso. Vamos nos articular com os parlamentares do Maranhão (que lutam pela criação do Maranhão do Sul) para colocar a matéria em votação”.

A empresária Sofia Avny do Nacional Shopping atesta o sucesso de Tocantins, mas contesta a réplica no Pará alegando que Carajás e região são áreas ricas em recursos naturais, e com eficácia administrativa não precisam de divisão. Além disso, lembra que é preciso investigar compras recentes de grandes áreas nas regiões envolvidas, tais quais as aquisições de ações no mercado financeiro podem caracterizar crime se realizadas com informações privilegiadas.

A jornalista Lucia Hipólito, tão precavida quanto a gasto público e meio ambiente, surpreendeu ontem ao descrever ao âncora do Jornal da CBN Milton Jung , o apoio aos desmembramentos de estados.

Estudo do IPEA, Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas mostra que o custo fixo anual estimado para a manutenção de um novo Estado é de R$832milhões.

Enfim, de todos os riscos parece que o maior mesmo é ao chegar a montanha entregá-la a Maomé. Neste caso, exímio planejador e manipulador em benefício próprio.

Carlos magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Preservando a galinha dos ovos de ouro

 

Por Carlos Magno Gibrail

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É o que os ambientalistas e os cientistas esperam que a Câmara Federal faça hoje, se efetivamente ocorrer a votação do novo Código Florestal.

Depois do alerta de São Pedro, quando vimos a natureza esbravejar nas encostas fluminenses, matando a população que se instalou inadvertidamente em suas áreas, parece que o comunista Aldo Rebelo, cedeu. Falou segunda à imprensa, em alterar o substitutivo aprovado em 2010.

Como se sabe, dentre as modificações propostas, a ocupação de encostas está contida nas prerrogativas a serem introduzidas no novo Código Florestal.

Agora, Rebelo informou, especificamente, que os 30 metros de mata ciliar preservada nas margens dos rios, com largura de 10ms ou menos, serão mantidos.

Resta saber se o mesmo tratamento será dado às reservas legais que hoje significam 80% na Amazônia, 35% no Cerrado e 20% na Mata Atlântica.

A questão da anistia aos criminosos ambientais também foi aprovada em julho na comissão especial. É um dos pontos mais polêmicos.

A tramitação prevê votação na Câmara para hoje, antes de ir ao Senado novamente, que deve proceder em sequência antes de ir à presidenta Dilma para sanção ou veto parcial. A previsão é que depois de votado pelos deputados, senadores e presidenta deverão executar rapidamente a análise e voto, pois está havendo entendimento prévio.

Entretanto, há uma discordância em relação a data de hoje escolhida para votação, pois a SBPC – Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência e a ABC – Academia Brasileira de Ciências pedem mais dois anos, até que estudos estejam terminados focando cientificamente os impactos do novo Código.

Reunidos, Marco Maia (Presidente da Câmara), Afonso Florence (Min. Desenvolvimento Agrário), Izabella Teixeira (Min. Meio Ambiente), Luiz Sérgio (Min. Relações Institucionais), Wagner Rossi (Min. Agricultura) e os líderes das bancadas não chegaram a um consenso sobre o alongamento ou não do prazo para votação na Câmara.

Evidencia-se a pressa dos ruralistas na rápida votação, antevendo que a reflexão maior levará complicações às suas pretensões. É incongruente, mas imediatista, que justamente os ruralistas não defendam o meio ambiente em que vivem e produzem. Estão dispostos a matar a galinha dos ovos de ouro.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

A foto deste post é do álbum digital Flickr de Olhar Jornalístico

Política acima da inflação

 

Por Carlos Magno Gibrail

Dim Dim!

A inflação é hoje o prato do dia, para a mídia e para os agentes econômicos. Também pudera, ameaça toda a economia brasileira que vem fortalecida desde 1994, quando se estabeleceu as regras que controlaram a emissão de moeda.

E a ameaça vem mais pelos dirigentes do que pelos agentes, na medida em que os aumentos de impostos e os gastos do governo não foram controlados.

As chances de evitar a inflação de forma correta não são fáceis, pois os governos buscam objetivos pessoais, usando aumento de impostos e de gastos, enquanto os meios de comunicação, ou por interesses também pessoais ou por falta de competência técnica, não conseguem fortes e efetivas sugestões para a solução.

É um cenário que repete sistematicamente a questão do aumento da taxa de juros, opção preferida pelos governos nestes 16 anos, que como sabemos é o mesmo que dar remédio para baixar a febre sem buscar a causa, dado os resultados obtidos.

Clovis Rossi, na FOLHA de domingo, comenta que em maio de 2003 resumiu estudo do FMI enviado pelo leitor Jacques Dezelin, onde mostra que em 1.323 casos de 119 países entre 1982/98 a inflação caiu com ou sem aumento da taxa de juros em 62% dos 476 casos examinados. Em apenas 50% de 398 situações a inflação caiu após o aumento de juros.

E Rossi arremata: “conto tudo isso para dizer que não há ciência nas críticas ao BC por ter aumentado 0,25% a taxa de juros, em vez do 0,50% exigido pelos mercados. Ninguém pode decretar o efeito que terá o 0,25% ou que teria o 0,50%”.

Expondo estes fatos ao Professor Economista Nelson Barrizzelli, FEA USP, e solicitando análise e sugestões, ouvi:

“Com uma dívida pública já acima de 1,75 trilhões de reais, e crescendo diariamente, uma taxa de juros de 12% ao ano atrativo ao capital estrangeiro, um constante aumento do gasto de custeio para cobrir despesas, a solução não é o aumento da taxa de juros, mais atrativa do que empreender. Afinal 12% ao ano sem risco, superam a aventura de ser empresário”.

“Só o aumento na taxa Selic da semana passada (0,25%) acarretará este ano despesas adicionais de juros de R$ 4,37 bilhões, número nada desprezível para um país onde educação, saúde pública e infra-estrutura estão sucateadas. Aumentar os juros para conter a inflação gerada por um governo perdulário que gasta desbragadamente com o custeio de uma máquina pública emperrada e ineficiente, é o mesmo que receitar analgésico para curar o câncer. A dor pode ser menor por pouco tempo, mas a doença acaba matando o paciente”.

“A solução é o governo respeitar a base da teoria econômica não aumentando impostos e gastar o que se arrecada. Para controlar a execução é necessária uma imprensa sem necessidade de concessão governamental e sem medo de ferir ou perder fontes de informações. É preciso também discernir de economistas notáveis que estejam envolvidos no sistema, como manipuladores ou como operadores”.

Rossi e Barrizzelli colocam uma luz necessária no momento econômico nacional, neste momento em que vimos presenciando muitas críticas e poucas soluções.

Bom sinal, que jornalistas econômicos e economistas políticos poderiam fortalecer.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung


A imagem deste post é do álbum digital de Carlos Eduardo, no Flickr

Insensata votação

 

Por Carlos Magno Gibrail

Brasil! Rumo ao Hexa!

No momento em que o Senado prepara os primeiros estudos sobre a reforma política e parte dos brasileiros não crê em melhorias ao sistema, Tiririca, real fruto do processo atual, já sabe o que os políticos fazem.

E aprendeu rápido a agir como alguns colegas. Nomeou os amigos, que criaram a famosa frase que o elegeu, para seu gabinete. Pediu restituição da hospedagem no passeio da família no Porto d’Aldeia Resort de Fortaleza e tem colaborado em programas cômicos. CQC e Pânico na TV deixaram de receber um palhaço, mas apresentaram um deputado, exímio aprendiz.

Os mais de um milhão e trezentos mil votos que obteve e o bizarro fizeram que a mídia distinguisse espaço diferenciado às suas atividades. Uma louvável contribuição, pois está permitindo aos seus eleitores e aos nobres congressistas que terão que efetivar a reforma política, uma visão parcial, mas real dos efeitos do atual sistema na última eleição.

Talvez no voto facultativo o nosso Forrest Gump não tivesse tanta aprovação, e muito menos levado tantos companheiros de legenda ao Congresso. Entretanto, apenas o voto não obrigatório e sem legenda não resolverá. Na eleição de 2010, com R$ 3,3bilhões de gastos totais, somente R$ 736 mil foram de contribuições individuais, que segundo as contas de Fernando Rodrigues da FOLHA, corresponde a 0,022%. A proibição de empresas doarem e a ênfase no eleitor-patrocinador seria uma benção ao processo democrático. Quem paga, certamente vai atrás do resultado, e aí a ADOÇÃO seria inevitável.

Melhor, muito melhor o eleitor cobrando trabalho do que as empresas cobrando contratos. Sensatez para uma Sensata eleição, que tem todos os indícios para precauções. Lúcia Hippolito na segunda feira relatou ao Milton Jung, no Jornal da CBN, que o PT prepara Lula, recém-palestrante internacional e milionário, para uma batalha em torno da reforma eleitoral, onde um dos pontos será a defesa da lista fechada. Uma verdadeira ameaça ao voto direto.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, às quartas, escreve no Blog do Mílton Jung


A imagem deste post é do álbum digital do Flickr de Paulo Santa Rosa