Por Carlos Magno Gibrail
Há uma semana, dia da Independência, havia a expectativa sobre o impacto das manifestações contra a corrupção, deflagradas a partir da imagem de Jaqueline Roriz recebendo propina. Quem esperava a repetição de 1984 na Campanha das Diretas ou de 1992 na caçada ao Caçador de Marajás, terá que aguardar. Talvez breve, em 12 de outubro.
Até lá, é bom lembrar que munição para esta guerra contra a corrupção não falta. Aumento de salários públicos de forma corporativista, desvios anuais de 49 a 69 bilhões de reais, aumentos projetados de estados federativos para gerar mais cargos e gerir mais e más influências, aumentos de vagas de vereadores, representação desfigurada no Congresso Nacional, não limitação do número de representantes, 25.000 cargos nomeados, nomeações baseadas em troca de favores políticos e não por competência, financiamento das eleições sem origem e destino configurados, destinações de verbas em troca de poder eleitoral, incontestáveis objetivos pessoais de homens públicos em detrimento do bem público, falta de compostura a ponto de registrar promessas em cartório e descumpri-las, ou de negar obviedades como no caso de Jaqueline absolvendo-a pelo fato do crime anteceder a função, como se isso não fosse agravante, etc. etc.
Para os políticos é hora de repensar. A começar pela Presidenta, cuja faxina ao mesmo tempo em que atraiu extenso apoio geral da população, também recebeu a ira dos tais políticos indesejáveis. A ponto de frear o ímpeto inicial, que não pode arrefecer.
Para os contribuintes, é hora de participar. Nem que seja virtualmente.
Para a mídia, é bom que assuma também um papel maior, assim como fez nos grandes eventos do passado. É hora de sair das páginas internas e ir para as capas.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.
A foto deste post é do álbum digital de André Pereira Homer, no Flickr









