Ocasião e perversão

 

Por Carlos Magno Gibrail

A cena em Guantánamo, prisão norte-americana de segurança máxima e torturas idem, durante o governo republicano de Bush, da policial dirigindo um prisioneiro em uma coleira de cachorro não deve ter saído da mente de quem a viu.

torturaPois é, segundo psicólogos muito provavelmente eu e você agiríamos da mesma maneira.

Na Universidade de Stanford, em 1971, foi realizado um experimento científico de comportamento onde estudantes foram divididos entre encarcerados e carcereiros. A estes se deu poder total de ação. Os alunos pesquisados eram normais e de boa índole.

A experiência teve que ser interrompida em seis dias, tal a perversidade dos carcereiros.

Fernanda Torres, atriz e agora articulista da Folha, apropriadamente ao processo eleitoral que vivenciamos retomou Stanford, sábado em sua coluna, para questionar o apego da humanidade às regalias do poder e as conseqüências.

Aproveitando a linha de raciocínio de Fernanda, que alerta que a ocasião faz o ladrão e, dado também o momento do futebol, não há como deixar de visualizar por todo o mundo o absurdo da quase totalidade das entidades representativas e dos respectivos Clubes dirigidos por pessoas que usam os cargos como ditadores. Poder total e tempo indeterminado.

A pesquisa de Stanford mostrou que é só dar um poder absoluto sobre alguém que a pessoa começa a tomá-la como posse e a tratá-la como um objeto. Donde podemos intuir que a posse tanto pode ser sobre pessoas ou sobre organizações. Este sentimento de propriedade gera apego e, certamente, fez com que surgissem guerras e demais ações de dominação, subjugando terceiros. Quer pessoas, espécies, animais e entidades.

O meio ambiente com seus mares, floras e faunas atacados por predadores, é testemunha viva deste problema. A política e o futebol, também.

Fernanda Torres conclui que: “A humanidade tem apego às regalias e a danação divina já não mais ameaça. A Lei da Ficha Limpa pode servir para proteger o político de sua própria fraqueza”.

Para o futebol, o presidente Lula já indicou o caminho democrático de no máximo oito anos de poder ao Ricardo Teixeira, que não concorda, pois, comprovando o experimento de Stanford, a CBF é possessão sua. Como tal, faz dela o que bem entender. E, assim, sucessivamente, a maioria dos presidentes das federações estaduais com o mesmo sentimento de posse vai tocando as entidades e apoiando a CBF, que por sua vez a apóia, que por sua vez apóia também a quase totalidade dos presidentes de Clubes, subservientes a estas entidades dos estados. É uma troca recíproca de favores iguais entre idênticos interesses.

Se os psicólogos de Stanford alertam que provavelmente eu e você faríamos o mesmo, é melhor atender a atriz e o presidente.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, às quartas, escreve no Blog do Mílton Jung

Propaganda, simulação encantada

 

Por Carlos Magno Gibrail

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Hoje, a propaganda brasileira, forte em números e em criatividade, com R$30 bilhões de faturamento anual e 57 Leões em Cannes, além do título de Agência do Ano pela AlmapBBDO, não depende tanto da política, quanto esta dela.

Entretanto, pela evolução dos últimos anos, a propaganda nacional ficará cada vez menos brasileira, e a sua dependência dos governos e candidatos poderá se tornar significativa.

A globalização e o poder das multinacionais estão concentrando em 17 agências 13 bilhões de faturamento anual dos 30 bilhões de reais de todo o setor.

A conta de propaganda paga pelo governo Lula -Presidência, Ministérios e Estatais – nos últimos seis anos aumentou em 48%. De 2003 a 2009 foram gastos 7,7 bilhões de reais, e apenas de 2008 para 2009 houve a evolução de 796 milhões de reais para 1,17 bilhões de reais.

As campanhas governamentais, a preço de tabela, que são normalmente feitas para o poder público, pois o setor privado é brindado com descontos, aumentaram de 2007 para 2008 de 2,26 bilhões de reais para 2,77 bilhões de reais, de acordo com levantamento do Grupo de Mídia de São Paulo.

Enquanto São Paulo passou de 59,3 milhões em 2007 para 158,3 milhões em 2008, o deputado Luis Carlos do Amazonas informa que São Paulo tem gasto de R$ 2,32 por pessoa, Rio de Janeiro gasta R$ 1,72, Pernambuco gasta R$ 3,7, Bahia gasta R$ 1,45 e Paraná gasta R$ 1,00, no Amazonas a taxa é de R$ 14,00 per capita.

Mas, tão importante quanto os números, é o aspecto ético não comprometido, pois de acordo com a Constituição

A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos” (artigo 37, XXII, § 1.º).

Constatamos que a realidade não é esta postulada pela Constituição.

É o que Jean Baudrillard chama de: “Simulação desencantada – o pornô – mais verdadeiro que o verdadeiro – este é o máximo do simulacro”, que encontramos nas comunicações governamentais com o objetivo da promoção pessoal através do simulacro da divulgação informativa ou de orientação social.

A partir de 3 de julho até 3 de outubro ou 31 se houver segundo turno, os governos federal,estaduais e municipais estão proibidos de veicular qualquer tipo de propaganda que possa ser caracterizada como favorável às administrações.

O que poderia ser um período de purificação passa para o que Baudrillard chamaria de “Simulação encantada – mais falso que o falso – este é o segredo da aparência”, da qual os candidatos vão se travestir e investir. Fecha a propaganda dos governos e abre a campanha dos candidatos.

Dilma na segunda-feira anunciou gastos de propaganda de 157 milhões de reais, Serra de 180 milhões de reais, e a modesta Marina 90 milhões de reais. Como bem rotulou no Estado de 3 de junho Eugenio Bucci, é a época em que : “A propaganda eleitoral vai ao paraíso”.

A eleitoral vai, mas a institucional em espera voltará cada vez de forma crescente, de acordo com a tendência desafiadora dos anos recentes.

É hora de eleição, e é preciso detectar a simulação e ir para a ação.

Do veto através do voto.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung


* Foto de propaganda nazista mostra jardim de infância para crianças alemãs e enfatiza a função materna na Alemanha, o resultado nós conhecemos (Alemanha, 1941)

A FIFA encurralada

 

Por Carlos Magno Gibrail

Mexicanos reclamam erro em favor da Argentina

Em tragédia anunciada, a FIFA marcou um evento em Pretória na segunda-feira para árbitros e convidou a imprensa para conversar e também aprender a analisar impedimentos.

Na véspera, domingo, 27 de junho de 2010, os dois jogos marcados para as oitavas de final apresentaram erros gritantes, inclusive de impedimento, a olho nu. À sistema eletrônico, nem se discute.

Em Inglaterra x Alemanha depois do primeiro gol alemão com impedimento não anotado, a Inglaterra marcou seu gol de empate quando perdia de 1×2, com a bola entrando 33 cm além da linha do campo, que o árbitro não validou.

Poucas horas após, no jogo Argentina x México, Tevez assinala um gol argentino completamente impedido. Com direito a repetição no telão do estádio.

A Inglaterra, prejudicada agora, beneficiada em 1966, certamente mudará de postura, pois no International Board, órgão incumbido de discutir e aprovar os recursos eletrônicos, do qual participam o País de Gales, a Escócia, a Irlanda e a Inglaterra, os ingleses e irlandeses foram contra o uso de qualquer meio eletrônico para tirar dúvidas.

Beckham e seus compatriotas devem ir adiante, assim como o jornalista escocês Andrew Jennings está há anos denunciando as peripécias da FIFA, e que agora começam a tomar um tom mais grave dada a coerência das incoerências nas estratégias utilizadas.

Jennings, em entrevista à jornalista Flavia Tavares sugere o encurralamento em função da força do futebol brasileiro, e denuncia o motivo da chamada que a FIFA deu no Brasil sobre as futuras obras para a Copa 2014:

Uma fonte havia me dito que Valcke e Ricardo Teixeira tinham tirado férias juntos, estavam de bem. Então, o que está por trás dessa gritaria? É pressão para o governo brasileiro colocar mais dinheiro público nas mãos da CBF. Mundialmente, as empreiteiras têm envolvimento com corrupção. Dá para sentir o cheiro daqui.

É o que já está acontecendo com a Copa de 2014. Qualquer brasileiro com mais de 10 anos sabe que a corrupção já está instalada. Por que ninguém faz nada?

E, para a ocasião das eleições, um recado:

O que me deixa enojado é que os líderes dos países – o primeiro-ministro britânico, o presidente Lula e todos os outros – façam negócio com essas pessoas. Eles deveriam lhes negar vistos, deveriam dizer que não querem se relacionar com dirigentes tão corruptos. E tenho certeza de que, se os governantes se voltassem contra a corrupção da FIFA, teriam apoio maciço dos torcedores/eleitores”.

Tudo indica que as coisas começam a mudar, e as facilidades encontradas pela FIFA serão coisas do passado, pelo menos por parte da mídia e da opinião publica.

A revista CARTA CAPITAL, traz entrevista de Jennings feita por Paolo Manso, em que acusa e aponta provas contra Havelange, Teixeira e Blatter. Sobre João Havelange e Ricardo Teixeira, em resposta à pergunta qual o resultado da chegada de ambos à FIFA e à CBF:

Um “boom” de corrupção! A imprensa suíça escreveu que Havelange e Teixeira embolsaram a maior parte das propinas.

As propinas pagas pela FIFA apenas nos anos 90 são estimadas pelo Tribunal de Zug na Suíça em aproximadamente 100 milhões de dólares.

Andrew Jennings fala sobre quando tudo começou:

Em 1976, o então presidente da entidade, o britânico Sir Stanley Rous, foi deposto. Ninguém podia corromper Stanley. Em seu lugar entrou o brasileiro João Havelange, que era muito corrupto. Foi ele que inaugurou o “sistema”, recebendo propinas via ISL.

São Paulo como sede da Copa 14 provavelmente centralizará ações que irão confirmar ou não as suspeitas das interferências políticas e financeiras em benefício de poucos, e em detrimento de todos. Um dos membros de Teixeira, Marco Polo Del Nero, já voltou da Cidade do Cabo, mas parece que foram ostras estragadas que o trouxe mais cedo.

O ministro dos esportes parece confirmar as preocupações de Jennings, pois escreveu na Folha de segunda artigo defendendo a “construção de um novo estádio à altura de São Paulo”.

A competência demonstrada pela FIFA, a partir de Havelange, no aspecto mercadológico é agora colocada em cheque e em choque quanto à transparência operacional, financeira, gerencial e moral.

A Copa 2010 evidencia falha grave na bola e na arbitragem, itens básicos da base do futebol. Permitir à Adidas tudo, e não permitir à arbitragem nada, é má-dministração ou má-fé.

Fabricar uma bola em que o maior goleiro do mundo em seu primeiro contato já detecta a similaridade com produto de supermercado, é simplesmente falta de tudo. Como sabemos a USP confirmou a avaliação de Julio César, informando que as costuras a menos impedem a circulação do ar, aumentando a sua resistência e ocasionando mudança de direção.

Imprensa e torcedores/eleitores, ao que tudo indica começarão a agir. É o que começamos a fazer. E, acuado, Joseph Blatter também. Informou, ontem, ao pedir desculpas à Inglaterra e ao México, que irá reabrir o processo sobre o uso da tecnologia. Ao mesmo tempo em que se sentindo ameaçado pela interferência de Nicolas Sarkozy no futebol francês, tornando o mau desempenho na Copa assunto de Estado, advertiu publicamente o governo francês.

Quem sabe uma nova Revolução Francesa não estará a caminho?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Pela ruptura no poder do futebol

Por Carlos Magno Gibrail

Henry e a mão na bola

Grande parte das mudanças da civilização veio através de rupturas geradas por revoluções, guerras ou dissidências em organizações em resposta a situações limite de concentração de poder.

Nas religiões, uma das dissidências marcantes foi a revolta contra a Igreja Católica, quando na Alemanha Martinho Lutero, em 1529, estabeleceu o Protestantismo, em resposta ao poder absoluto do Papa.

O esporte, cada vez mais ocupando papel destacado na ordem social e econômica dos países, claramente não está acompanhando estruturalmente o crescente espaço que a vida contemporânea lhe concede.

Dentro do esporte, o mais popular de todos, o futebol, e um dos primeiros a se profissionalizar, ainda guarda fortemente o amadorismo de origem nos aspectos de gestão, embora em outros esteja bastante evoluído.

A pequenez da administração do “Soccer” não combina com a grandeza do mesmo:

“O futebol movimenta U$ 256 bilhões por ano e se calcula é praticado por 400 milhões de pessoas em todo o mundo, oficialmente em 208 países que fazem parte da FIFA, muito mais do que os 192 filiados a ONU. A quantidade de gente diante das televisões para assistir a uma Copa do Mundo bate a casa do bilhão, muitos dos quais apaixonados e capazes de ir aonde nenhuma outra fé os levaria.” Milton Jung na sexta feira neste Blog.

Recursos eletrônicos, bolas com chips e árbitros profissionais são rechaçados. Tal repulsa emana do sistema de poder em que os mandatos das entidades representativas nacionais e internacionais não têm limites. Na FIFA, entidade máxima, Blatter está há tantos anos quanto quis, assim como permanecerá até quando desejar. Na CBF, Ricardo Teixeira, idem. Na maioria dos clubes brasileiros, também, idem.

São os PAPAS do século XXI, cujo crescente poder faz com que uma nação como o Brasil aceite avalizar uma COPA repassando poder total ao próprio presidente da entidade que presidirá o evento e que, pioneiramente na história das Copas, acumula o cargo da confederação de futebol do país sede. Ricardo Teixeira preside a CBF, preside a organização da COPA 14, e tem poder absoluto, sem a contrapartida prestação de contas, que serão endossadas pelo Governo Federal.

Não obstante a bajulação nacional de governadores de Estado, Teixeira decide sobre o destino da abertura da COPA, da qual é Senhor, colocando o maior e mais rico estado da federação brasileira em constrangedora subordinação, ainda que seja São Paulo a única cidade capacitada a abrigar tal evento.

A FIFA, a CBF, convenhamos, estão exagerando e se distanciando do apoio das plateias que teriam que atender. Historicamente nos aproximamos da dissidência, que é um primeiro passo para a ruptura definitiva.

Politicamente em âmbito nacional a criação de uma Liga dissidente é legal, enquanto internacionalmente há impedimento por regras estabelecidas de Unidade de representação. Mercadologicamente a dissidência poderá ser uma nova segmentação de mercado, criando um futebol com organizações modernas e regras atualizadas, respeitando o avanço tecnológico e a inteligência dos torcedores.

Que a mão de Henry e o empurrão no Morumbi sirvam de motivação para o surgimento de lideranças dissidentes.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feira no Blog do Mílton Jung

Pré-sal e pós-ética

 

Por Carlos Magno Gibrail

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Enquanto a British Petroleum, maior do mundo em petróleo, não consegue estancar o desastre ecológico no pré-sal do Golfo do México, acarretando insuperável prejuízo ao meio-ambiente americano, Pedro Simon, sucedendo ao conterrâneo e colega de PMDB-RS Ibsen Pinheiro, surge na madrugada de Brasília para brecar os ganhos de Estados produtores de petróleo, gerando contundentes prejuízos ao Rio e Espírito Santo. Mirando lucros eleitoreiros locais a si e a seus pares. Burlando a ética e a Constituição e renegando o próprio passado.

A emenda de Simon, aprovada pelo Senado propõe a divisão igualitária dos royalties entre os 26 estados da federação, desconsiderando a região onde se extrai a matéria-prima. Para compensar os estados de origem transfere à União o ônus regulador do ressarcimento.

Fere o artigo 20 da Constituição que estabelece a compensação ao estado fornecedor e desafia a ordem jurídica, pois entra em contratos já estabelecidos e os desconsidera.

Se o presidente Lula vetar terá 24 governadores e respectivos prefeitos contra, se não vetar terá a aprovação destes, mas violará a Constituição.

A jornalista Lucia Hippolito, conforme pauta na CBN de sexta feira, considera que Pedro Simon “está bancando Tiradentes com a nossa cabeça” e crítica severamente o Governo Lula que colhe a tempestade que iniciou quando enviou ainda nesta legislatura ao Congresso tema tão complexo e cheio de alternativas, aos aproveitadores e oportunistas em véspera de eleições.

O jornalista e escritor Ruy Castro também pensa nessa linha, e em sua coluna na Folha de segunda-feira, ao referir-se à “casca de banana” que Simon quis jogar para Lula, advertiu: “Com essa jogada, Simon iguala-se em marotice e oportunismo aos políticos que já atacou e, com isso, despede-se dos que um dia o admiraram”.

Para que ícones como Pedro Simon não desfaleçam na saída, há que se criar um mecanismo de controle no sistema político, que venha a coibir votações e atos públicos que envolvam gastos e investimentos a serem executados na legislatura seguinte, em véspera de eleições.

Se for a “oportunidade que faz o ladrão”, por que não a “oportunidade que faz o cidadão”?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

O exterminador do futuro

 

Por Carlos Magno Gibrail

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O exterminador do futuro para a ONG SOS Mata Atlântica é Aldo Rebelo, relator do Projeto de Lei que reforma o Código Florestal Brasileiro. Para ele são as ONGs, que de forma geral são patrocinadas pelo capital estrangeiro com interesse direto em impedir o avanço do agronegócio nacional.

Rebelo apresenta um discurso fortemente embasado em aspectos sociais. Criticando duramente a postulação do conservador inglês Roberto Malthus do século XIX, para quem a pobreza era imutável, transporta-a para a atualidade acusando os países ricos de absorver a tese malthusiana:

“O reacionarismo desumano de Malthus foi implacavelmente derrotado, na doutrina e na prática, mas ressurge, no confronto da agricultura fortemente subsidiada dos países desenvolvidos com a produção agrícola cada vez mais competitiva de nações como o Brasil”.

O romantismo de Aldo Rebelo, não encontra eco nos especialistas de tal forma que sábado através de artigo na Folha, os professores titulares* Thomas Levinson- Unicamp, Jean Metzger- USP, Carlos Joly- Unicamp e Ricardo Rodrigues- ESALQ ressaltaram que:

“A pretendida reforma deveria remover o estrangulamento para a expansão de terras agrícolas, hoje supostamente bloqueadas pela combinação de áreas de preservação permanente APP e reservas legais RL. Só que esse bloqueio não existe”.

“Realocando para cultivo agrícola terras com melhor aptidão, hoje ocupadas com pecuária de baixa produtividade, e aumentando a eficiência da pecuária nas demais, por meio de técnicas já bem conhecidas, a área cultivada no Brasil poderá ser quase dobrada, sem avançar um hectare sequer sobre a vegetação natural.”

A nova ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira um pouco nesta linha e querendo lembrar outra necessidade que é o fim do desmatamento ressalta: “Eu entendo que podemos expandir as fronteiras agrícolas sem a necessidade de se desmatar um hectare sequer”.

O ex-ministro Carlos Minc, alertava assertiva e oportunamente para os seguintes aspectos que considerava cruciais:

– Manutenção das RL reservas legais
-Manutenção da centralização das políticas de proteção ambiental, não permitindo a descentralização na forma de regionalização, transferindo aos Estados total autonomia
– Manutenção de condenação aos desmatadores, não permitindo sua absolvição

Do romantismo ao tecnicismo podemos derivar ao pragmatismo, que em termos de futuro aponta um limite aos 900 reais de subsídios na vaca européia, enquanto a produtividade brasileira irá quase duplicar. Entretanto as certificações deverão acompanhar as demandas e obrigarão o cuidado ambiental ser cada vez mais cuidado. É um alerta significativo para a bancada ruralista. Ou não?

Quanto ao futuro a melhor proposição vem do economista indiano Pavan Sukhdev, coordenador do projeto criado pelo G8 “A economia dos ecossistemas e da biodiversidade TEEB” em entrevista ao editor de Veja, Diogo Schelp:

“Em vez de arrecadar impostos sobre a renda e os bens, como é feito hoje, seria melhor taxar os efeitos externos negativos da atividade empresarial. As alíquotas deveriam ser aplicadas sobre o uso dos recursos naturais e dos materiais. O modelo atual apenas incentiva o mau uso do capital.”
Os ambientalistas agradecem. E nós também.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung


*Thomas Levinson – Prof. Titular da Unicamp e presidente da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação, Jean Paul Metzger – Prof. da USP e Coordenador do Laboratório de Ecologia de Paisagens, Carlos Joly – Prof. Titular da Unicamp e Coordenador do Programa Biota – FAPESP, Ricardo Rodrigues – Prof. Titular da ESALQ USP e Coordenador do Laboratório de Restauração.

Insensatez e demagogia

 

Por Carlos Magno Gibrail

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É melhor ser proibido de estacionar hoje do que ser obrigado a estacionar amanhã. Por total falta de espaço.

É proibido estacionar!

Em um ano esta deverá ser a realidade para a capital paulistana, se vingar o plano do secretário de transportes Alexandre de Moraes, reservando as ruas do centro expandido apenas para passagem, divulgado em manchete pela Folha há 10 dias.

Pelo proposto serão criadas 32.000 vagas de garagem em prédios e os caminhões e motos terão restrições de locomoção. Horários e locais serão revistos.

Essa política de exceções tendo em vista o crescente número de veículos que são introduzidos diariamente na cidade é absolutamente lógica. Entretanto, a população, já vitimada pela síndrome de Estocolmo, de acordo com recente pesquisa, que detectou boa parte dos paulistanos acomodados com o congestionamento, demonstra também um horror ao pedágio urbano. E a qualquer medida restritiva ao tráfego e circulação de automóveis. Síndrome e miopia que isoladas já seriam graves, mas juntas e somadas podem gerar um caos.

Moraes e Kassab sabem disso tudo. E, embora os técnicos como José Bento Ferreira da USP e Adalberto Felício Maluf Filho da Fundação Clinton apóiem as restrições, a precaução é tanta que há medo até de usar corretamente a palavra restrição.

O Secretário Moraes insiste que as mudanças são re-ordenamentos ou re-organizações, mas não são restrições.

Nem a imprensa escapa, pois a Ombudsman da Folha, Suzana Singer, domingo, puxou a orelha do seu jornal por ter dado manchete de primeira página à declaração do Secretário de Transportes quando anunciou a cobrança de estacionamento nas futuras garagens do centro expandido. Acatando críticas de leitores, ressaltou ainda que o jornal abriu pouco espaço ao desmentido da Prefeitura, que afirmava que vagas nas ruas continuariam. Como se o desmentido de Kassab fosse diferente do surrado expediente de culpar sempre a imprensa. De manipulação, de invenção, de intromissão, quando não de omissão.

Omissão que talvez ocorresse não fosse o diálogo de Gilberto Dimenstein na CBN com Mílton Jung quando, ao analisar reportagem do Estado sobre a ineficácia das obras recentes na Marginal, chamaram a atenção ao dinheiro desperdiçado em obras viárias, enquanto não se tem coragem de adotar o pedágio urbano.

Com o medo do pedágio urbano, esta proposta de cobrança de estacionamento por garagens privadas é no mínimo insensata, pois a solução é taxar os carros e reverter este capital para a construção de melhorias no transporte coletivo. Nunca deixar esta atividade para a iniciativa privada.
Como vemos a solução é simples. Basta usar as palavras certas.

Restringir os veículos: carros, caminhões, motos e priorizar os pedestres: ônibus, trens, metrô, bicicletas.
A dificuldade certamente é a eleição, ou o eleitor, que soubemos recentemente além da síndrome de Estocolmo e do trauma ao pedágio ainda está dividido entre voto obrigatório e voto facultativo.

Certamente os paulistanos deverão ter o trânsito merecido.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Da maloca querida à favela temida

 

Por Carlos Magno Gibrail

Foto da Galeria de George Campos no Flickr

Saúde, educação e habitação, trinômio básico para o bem estar de qualquer população. A acrescentar apenas mais três necessidades urbanas contemporâneas: segurança, transporte e previdência social. Temas adequados ao momento nacional, véspera de eleições estaduais e federais.

As variações climáticas extremas ocorridas recentemente, tal qual no passado, quando antecederam e aceleraram rupturas, como a Revolução Francesa, ressaltaram o problema habitacional brasileiro com o alastramento das favelas, extensa e intensamente.

Em 1897, Prudente de Moraes decidiu exterminar Canudos e seu líder Antonio Conselheiro arrasando a “Cidadela” para mostrar ao mundo que o Brasil tinha reconquistado o território do “incompreensível e bárbaro inimigo” como descreveu Euclides da Cunha. A desinformação governamental existente ficou evidenciada na duração da batalha de junho a outubro daquele ano, travada contra a população instalada em morros, entre eles o Morro da Favela, batizado com o nome da planta que o cobria, favela.

De volta ao Rio, sem o soldo prometido, os combatentes se instalaram no Morro da Providência e levaram a alcunha de favela trazida de Canudos. Com a Lei Áurea de 1888, e as reformas urbanas de Pereira Passos em 1902, o Rio iniciou a era das favelas. Ex-combatentes, ex-escravos e ex-moradores do centro da cidade passaram a ser favelados.

De lá até cá, somos a 8ª economia do mundo, mas dos 200 milhões de brasileiros 50 milhões vivem em favelas. Do Rio a São Paulo, que viu no processo de industrialização e urbanização a partir de 1950 o início do problema das favelas, a questão é efetivamente considerada como algo negativo a ser resolvido, embora visto de diferentes ângulos. De origem e de tratamento.

Os que consideram os favelados migrantes se integrando ao meio urbano e criando lugar que possa lembrar o campo, sugerem que é preciso treiná-los e reurbanizar o espaço, fazendo com que gradativamente passem a se incorporar ao mercado de trabalho e à cidade.

Outros visualizam as favelas como local onde se obtém votos, e neste aspecto visitam-nas constantemente, fazendo promessas e interferindo na vida da comunidade, agindo com acentuada demagogia, colocando o interesse eleitoreiro em primeiro lugar.

Há quem veja as favelas apenas como território de marginais e defende a total destruição, tipo Canudos.

Alguns mais criativos e românticos se inspiraram e compuseram sucessos musicais. Dorival Caymmi: “Eu não tenho onde morar. É por isso que eu moro na areia. Eu nasci pequenininho como todo mundo nasceu. Todo mundo mora direito. Quem mora torto sou eu.” (ouça aqui)

Jota júnior e Oldemar Magalhães: “Favela amarela. Ironia da vida. Pintem a favela. Façam aquarela. Da miséria colorida.”

Adoniran Barbosa: “ …O dono mando derrubá.Peguemo tudo a nossas coisa.E fumo pro meio da rua…” (ouça aqui)

Os mais técnicos como o economista Sérgio Besserman, em recente entrevista a Veja, tendo em vista a tragédia carioca, sugere que em casos de risco de terrenos contaminados ou íngremes, inevitavelmente a remoção é a saída correta. Em casos como as grandes favelas, tipo a da Rocinha no Rio, onde há uma enorme população é prudente reurbanizar. Quando não há este empecilho defende categoricamente a remoção: “Em contradição com a opinião dominante, acho que há muitos casos em que a remoção se justifica. Encarando uma questão de fundo econômico que é central: as áreas favelizadas provocam uma acentuada degradação da paisagem da cidade, um ativo cujo valor é incalculável. Portanto quando uma análise de custo-benefício revelar que a realocação de uma favela trará retorno financeiro e social elevados, por que não cogitar sua remoção?”

Besserman ressalta, todavia a fundamental questão da autoridade do Estado e do ordenamento jurídico no âmbito das favelas: “É preciso fazer primeiro o básico do básico: o Estado deve recuperar o monopólio da força nos territórios hoje dominados pelos bandidos. As favelas são lugares em que milhões de pessoas vivem sob outras leis que não a do estado de direito democrático. Na prática elas não estão sob a órbita da Constituição Brasileira.”
Considerando que o Brasil estará sendo observado dentro em breve em função da Copa e das Olimpíadas, e ainda este ano em eleições, é imprescindível absorver a lição de Canudos. É preciso discernir no uso das armas adequadas. Os canhões para os bandidos, a técnica para a estratégia e honestidade acima de tudo para o país e para a nação.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Aposentados e renegados

 

Por Carlos Magno Gibrail

Da intrínseca cultura brasileira reverenciamos a juventude e renegamos a idade. A começar pela própria. A aposentadoria não poderia encontrar destino melhor do que aquele que vimos ontem, vemos hoje, e certamente, veremos amanhã se não se fizer algo para mudar.

Se as pessoas fossem tomadas como produtos, fato não recomendável, o ciclo de vida provavelmente teria tratamento técnico melhor do que o dos aposentados pelo INSS. O Boston Consulting Group de Harvard estabeleceu quatro etapas dentro do Ciclo de Vida de produtos: Introdução, Crescimento, Maturidade e Declínio. Também chamadas de Criança Prodígio, Estrela, Vaca Leiteira e Abacaxi. A ciência é prolongar a Maturidade alongando a chegada ao Declínio ou, até mesmo, descartando-o e criando diversificações.Este inevitável ciclo, como o da vida das pessoas, exige acompanhamento permanente para adaptação às mudanças do mercado, aqui considerado como meio ambiente.

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Entretanto, não é o que tem sido aplicado à vida profissional dos cidadãos brasileiros. Embora, há décadas os aposentados ocupem um proeminente espaço na agenda política nacional.

Collor e FHC postaram medidas a favor da Previdência e, aparentemente, em detrimento dos trabalhadores. Direção que Lula também tomará, quando anuncia veto ao projeto aprovado pela Câmara e que foi votado ontem no Senado. Reajuste acima de 6,14% e fim do fator previdenciário.

O balizamento essencialmente político que tem sido dado aos aposentados tem levado de um lado a uma posição homogênea de quem está no poder e, de outro a um afastamento da técnica, da demografia e principalmente da sociologia.

Há nove meses observávamos que:

“Dos 26,5 milhões de brasileiros aposentados 8,5 milhões ganham acima de um salário mínimo. Não possuem mais força competitiva no mercado de trabalho, que os rejeita. Não recebem reajustes compatíveis na pensão devida pelo Estado, que os discrimina. E são taxados no valor que recebem de aposentadoria pelo Sistema Tributário, que os assalta. Ainda assim são acusados de ameaçar o INSS, como se fossem os responsáveis pela incapacidade atuarial de Governos passados e pela frieza contábil do Governo presente”.

(leia o artigo completo, publicado em 01/07/2009)

Na sexta, o deputado Flavio Dino saiu em defesa dos 8,5 milhões em artigo que elege como justiça social o aumento de 7,7% aprovado pela Câmara e baseado em 80% do PIB de 2008. Acresce ainda que o PIB de 2010 deva crescer pelo menos 6%.

Ontem, o editorial da Folha endossou a posição do economista Fabio Giambiagi, que, há 20 anos, defende mudanças nas regras da Previdência Social propondo equilíbrio contábil e alertando contra as bases numéricas em momentos de economia positiva. A “Bomba demográfica” que intitula o artigo é provavelmente inspirada no livro de Giambiagi: “Demografia, a ameaça invisível”.

Este cenário conturbado fica ainda mais nebuloso quando se introduz a recente opinião dos candidatos Dilma e Serra. Dilma propõe intervenções especificas e momentânea. Serra endossa o que Lula decidir. Ora, Lula já avisou que veta aumentos acima de 6,14%, e a retirada do fator previdenciário. E, assim como nunca neste país, é hora de o jornalismo consciente entrar neste quadro eleitoral e pressionar a posição dos candidatos sem tangenciar para também não renegar os 8,5 milhões de aposentados.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Marca BRASIL não marca posição

 

Por Carlos Magno Gibrail

Bandeira do Brasil

O Brasil é a 8ª economia do mundo com um PIB de US$ 1,77 trilhões, mas a sua marca, segundo pesquisa recente equivale à 22ª posição global, traduzida em US$ 255 bilhões.

Algo está errado. E, não é a pesquisa, realizada pelo conceituado economista britânico Simon Anholt, especialista em marcas de países e regiões mundiais.

Os Estados Unidos, com US$ 14 trilhões de PIB, apresenta US$ 19,7 trilhões de valor de marca, ocupando o primeiro lugar no ranking das marcas de nações.

Significa dizer que a marca Estados Unidos corresponde a 140% do PIB e a marca Brasil equivale a 14% do PIB. Gigantesca diferença para uma situação nitidamente antagônica de valores e de ações entre os dois países.

O Brasil surpreendeu o mercado internacional ao não sucumbir à crise financeira, entretanto é mal avaliado nesta pesquisa global que através de cálculo matemático leva em conta dados como a pauta de exportações, governança sob aspecto de estabilidade econômico/social e turismo na quantificação de numero de visitantes. A 8ª posição deste ranking de marcas corresponde a US$ 1, 402 trilhões. Uma incômoda diferença de US$ 1, 147 trilhão, que cabe ao Brasil descontar. Dos BRICs a marca China é a nona colocada (US$ 1,1 trilhão), a Rússia a 12ª e a Índia a 17ª. Ainda assim, o Brasil ganhou seis posições em relação à pesquisa anterior, realizada há dois anos, quando sua marca valia US$ 181 bilhões.

Esquema

Simon Anholt é consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Banco Mundial. Acompanha há dez anos os dados de cada país estudado e entrevista profissionais da área de comércio exterior, obtendo informações que ajudarão países a corrigir problemas que afetam seu crescimento e também por investidores.

Fundamentalmente chama a atenção pelas peculiaridades do Marketing de países e regiões comparativamente ao das empresas privadas. Nestas, se podem criar posicionamentos de produtos e serviços associando todo um processo de comunicação através de campanhas, demonstrações, slogans, desenhos de marcas e logotipos.

“Mesmo que muitos governos gastem muito dinheiro tentando fazer isso, não há provas de que isso funciona. A única forma certa de lugares mudarem suas imagens é mudando o jeito como eles se comportam: precisam focar nas coisas que elas fazem e produzem não o que eles dizem“.

De qualquer forma, empresas e nações jamais podem enganar na formação de marcas valiosas. O foco é atuar em cima dos pontos fortes existentes, além de difundir diferenciações e benefícios aos consumidores. Em comum fica o postulado de Al Ries e Jack Trout:

“O Marketing não é uma batalha de produtos, é uma batalha de percepção”.

Há mais de 10 anos, Al Ries, reconhecido autor de Marketing, em Seminário realizado em São Paulo, sugeria que o Brasil usasse sua força de imagem e associações positivas reconhecidas mundialmente tais como praia, futebol, Amazônia, bebidas típicas, culinária nativa, para lançar produtos pertinentes. Por exemplo, um utilitário ou caminhonete para uso urbano com o nome de Amazon. E isto foi antes do sucesso das caminhonetes Tucson, Porsche, BMW, etc. Do futebol, da grama ao grito de gol, passando pela venda do produto pronto até a medicina especializada.

Segunda e terça foram datas importantes para a melhoria da marca Brasil. Em Seminário estrelado por Simon Anholt, “BRAND BRASIL 2010: O valor da marca e das marcas de um país”, o consultor abordou uma análise sobre a complexidade que é gerir uma marca-país, os resultados de suas pesquisas, entre elas uma bem interessante em que 20 mil pessoas de diferentes países deram sua opinião sobre os produtos, impressões, pessoas, etc., de outros países.

Júlio Moreira, diretor da Top Brands, empresa organizadora do Seminário:

“O Brasil é mal pontuado por questões como a exportação, mais voltada a commodities do que a produtos manufaturados, e também pelo quesito turismo, pois recebe cerca de 5 milhões de turistas internacionais ao ano. A Croácia recebe 20 milhões.”

“Fatos locais também pesam na maneira como o país é visto internacionalmente. Já os recentes discursos do diretor do filme Avatar, James Cameron, contra a hidrelétrica de Belo Monte, também podem ter respingos na imagem do Brasil”.

Num momento em que é visível o acentuado processo de descomoditização de produtos e a intensa valorização das marcas, o Brasil, lastreado em mundiais primeiras posições produtoras de materiais e insumos básicos, desponta com um valioso potencial de agregação de valores às suas exportações. Quer manufaturando matérias primas, quer valorizando suas marcas. É trabalho para gente grande, do tamanho do 8º lugar da Economia. É preciso introduzir o Marketing, sem estereótipos e não esquecer que esta é uma batalha de percepções, mas não de enganações.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas agrega valor com sua cultura ao Blog do Mílton Jung