Sexo temporão

 

Por Carlos Magno Gibrail

Sexo e personalidades

A hipertensão cresceu no Brasil e atingiu o alto percentual de 24,4%. Rio com 28% e São Paulo com 26% são as cidades mais atingidas.

Diante deste quadro preocupante, o Ministério da Saúde convocou uma coletiva de imprensa para alertar e orientar a população, divulgando o início de uma campanha para evitar a ansiedade que causa a hipertensão. A doença está associada a fatores genéticos, hábitos alimentares, obesidade e estresse.

“Fazer sexo ajuda”.

“As pessoas têm que se mexer. A pelada do fim de semana não deve ser a única atividade. Os adultos devem praticar exercícios, caminhar, dançar, fazer sexo seguro”.

“O deputado Darcísio Peronde falou cinco vezes ao dia. Mas acho que cinco vezes por semana está bom”.

Foram as palavras de José Gomes Temporão, Ministro da Saúde, no lançamento da Campanha contra a Hipertensão.

Os hipertensos, se não pertencerem ao perfil sexual de Michael Douglas, Tiger Woods, Vagner Love, estarão diante de mais um ponto de tensão. Todas as indicações médicas para tratamento podem ser regularmente contratadas. Menos, evidentemente, a proposição mais acentuada pelo Ministro. Sexo saudável e seguro não se vende regularmente em academias, ginásios, farmácias.

É claro que foi uma graça impertinente ao momento e ao cargo de Ministro.

A imprensa reagiu como esperado. Pegou a deixa e o papel de retransmissora apenas, dado o curioso do tema. Certamente, iria despertar o interesse do público consumidor de seus veículos. Foi o que se viu durante a semana, nos jornais, nas rádios, revistas, internet, e até chamadas insistentes como uma das atrações para o Fantástico de domingo. E, quem assistiu verificou a inexatidão técnica da orientação, pois o sexo tem pré-requisitos. Do contrário pode acarretar problemas e não solução.

Temporão conseguiu chamar atenção para a Campanha, mas a graça roubou a pegada técnica. Diferentemente do Fantástico, a maioria das publicações abordou apenas a questão da recomendação da prática regular do sexo. As demais condições a serem absorvidas, entendidas, traduzidas, pois são complexas, ficaram em segundo plano.

O item alimentação, por exemplo, tem através do tempo trazido dúvidas. Hoje, na cidade de Okinawa, onde pessoas de 100 anos pedalam pelas suas ruas, o alimento básico é a carne de porco, tão combatida por muitos. O vinho, o uísque, a carne vermelha, o ovo, o leite de vaca, o azeite, ora são proibidos ora são endossados. Para início e retomada de exercícios há medidas que não podem ser desconsideradas, porém nada foi esclarecido, mesmo a titulo de cuidados iniciais.

Sem dúvida, o Ministro deu o tiro no pé e, provavelmente, um pontapé nas vendas de preservativos e consultas médicas para esclarecimentos.

Bom jornalismo e marketing serão bem-vindos na comunicação da próxima campanha do Ministério da Saúde.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung. Consta que não tem problemas de pressão alta.

Marginal sem sinal

 

Por Carlos Magno Gibrail

Protesto ambiental na Marginal

Marginal sem sinal de sinalização, de racionalização, de precaução e, até mesmo de elegância por parte de Serra, ao inaugurar o investimento de 6,9 bilhões de reais no complexo Marginal e Rodoanel na capital paulista.

“A crítica é um fenômeno brasileiro e quem reclama é espírito de porco” disse Serra, minimizando os comentários que apontavam a condição de inacabada da obra inaugurada, e sem sinalização e iluminação condizente.

Para Kassab: “A obra, podendo ser liberada para a circulação de veículos, não vejo nenhum sentido de isso não ser feito”

A verdade é que passado quase um mês da abertura das novas vias observamos um desempenho ainda embrionário. Dados da CET apontam redução de 44% na lentidão, de acordo com matéria do jornalista Renato Machado no Estado de segunda feira, embora outras fontes alertam pela prematuridade das medições. Fatores pró e contra ainda se manifestarão. A precariedade das condições atuais, a demanda reprimida ainda não totalmente apresentada, a familiaridade com a possibilidade de novos trajetos, advirão plenamente em breve.

A imprensa, unissonamente, cumpriu o seu papel e abriu espaço no momento da inauguração e alertou para o perigo de obra inacabada. Acidentes, desvios de rotas, aborrecimentos e, principalmente, desrespeito com a população que afinal de contas pagará a conta.

A Dersa, empresa responsável pelas obras, não soube explicar até agora o motivo de tamanha falha. Anuncia que as faixas, chamadas de sinalização horizontal serão efetivadas até maio. A vertical, a sinalização aérea, ficará pronta apenas em agosto.

Diante de tal quadro, esquadrinhado pelos jornais, internet e TV com reportagens mostrando motoristas em marcha a ré em vias intensas de tráfego ou parados sem destino em meio a vias cercadas por muros sem sinalização, fui verificar como realmente estava a situação da Marginal Tietê. Experiência que convido a todos que estiverem dispostos a uma verdadeira aventura, a fazer.

Já informado pelo risco, aproveitei a necessidade de viajar para Cuiabá na quinta-feira e decidi dispensar táxi e motorista da empresa e dirigir até Cumbica para experimentar talvez um pouco da saga dos Bandeirantes.

A cara e a situação de obra inacabada são tantas, que a presença permanente de equipamentos de construção e de entulhos é tão grande quanto a ausência total de placas de sinalização. Quando existem, são para indicar, por exemplo, que deve–se ficar na faixa 2 e 3 para a rodovia Ayrton Senna, mas não há marcação de faixa.
Chegando ao aeroporto, mais como Indiana Jones do que como Bandeirante, pois o perigo percorrido não foi pouco, identifico outra situação abusiva. Enquanto o estacionamento sairá menos do que 30 reais, o táxi ida e volta custaria 280 reais. O que explica a lotação quase plena do estacionamento, mas não dá para entender o estímulo para o uso do carro particular e mais uma desconsideração com o consumidor cidadão.

Se não fosse o atual estágio letárgico da população paulistana, quer pela Síndrome de Estocolmo que a coloca ao lado do congestionamento, quer pelo egoísmo e apego ao carro próprio, poderia apostar na vingança através do voto. Poderia, mas não faria e não faço. O futuro está imprevisível, mas por pouco tempo. Com a necessidade de 125 avenidas paulistas/ano para zerar a entrada de 500 carros/dia, São Paulo irá parar em breve. Aí não precisaremos nem de obras inacabadas, nem de sinalizações.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung.


O autor da foto é André Pasqualini e faz parte do ábum digital do CBNSP

Copa & Aeroportos

 

Por Carlos Magno Gibrail

Aeroporto de Congonhas por Luis F Gallo

A FIFA, fazendo jus às mais errôneas tipologias de gestão, que a caracteriza, ignora também a Lei de Pareto. Ou, mais grave ainda, aplica-a da forma não indicada. Cuida dos 20% que poderão no máximo solucionar 80% das questões não cruciais à execução da Copa 14 no Brasil. Ao invés de tratar dos 20% que resolveriam 80% das operações mais significativas para um evento bem organizado: Infra-estrutura e estádios inexistentes.

Enquanto foca atenção no estádio do Morumbi, que é dentre os indicados o que menos deveria preocupá-la, pois já existe e o investimento a ser feito será privado, ignora a capacidade urbana das cidades, sem a qual os consumidores nem chegarão para assistir ao espetáculo.

Cabe então à imprensa o alerta, que já começou. A revista Veja de 4 de abril elencou vários tópicos à Infraero com críticas severas , ao que a Infraero contrapôs, alegando ainda que tinha encaminhado dados solicitados pela revista , e que não foram considerados na análise.

Para Veja: Guarulhos, Brasília, Salvador estão com pátios saturados – as companhias aéreas estão anunciando bilhões em investimentos sem contrapartida da Infraero – o que está ruim vai piorar – há corrupção na Infraero – o número de passageiros está dobrando nos principais aeroportos – nos horários de pico é o caos – em Seul com 30 milhões de passageiros/ano há 120 guichês de atendimento da polícia, em Cumbica para 21 milhões de passageiros/ano há 21 guichês – nas salas de embarque a recomendação é ter 1m2 por pessoa, em Congonhas, Confins, Porto Alegre , Brasília e Fortaleza não é o que acontece.

Para a Infraero: Guarulhos, Brasília, Salvador estão com pátios saturados apenas nos picos e as companhias podiam estender os horários – a Infraero vai investir 7 bilhões até a Copa – não haverá caos se considerar os investimentos e a melhoria dos sistemas – a corrupção está sendo combatida – as ampliações atenderão a demanda – pela otimização sugerida pela IATA não há como ter capacidade para o pico e ficar com o aeroporto vazio fora dele – haverá aumento dos guichês da policia federal de 21 para 29 – as causas para as salas de embarque não apresentarem espaços mínimos de 1m2/pessoa deve-se normalmente a condições climáticas e atrasos de vôos, independentemente da atribuição da Infraero.

Acrescentemos a informação publicada na Folha de domingo que Cumbica no primeiro bimestre apresentou aumento de 50% comparativo a 2007. Chegamos a uma situação de risco, se mantida a tendência. Considerou-se o ponto de partida de 20,5milhões de passageiros/ano 2010 para estabelecer a capacidade instalada para 2014 de 30,5 milhões de passageiros para uma estimativa de 29,5 milhões de passageiros. Ora, se em 3 anos, com crise financeira mundial no meio, chegou-se a 50%, em 2014 o fluxo será maior.

Fica evidente que aspectos como os dos aeroportos, que envolvem Governo, Infraero e companhias aéreas que não se entendem, além de variáveis mercadológicas e econômicas, são complexos e merecedores de um acompanhamento amplo e permanente, administrativo e técnico.

Mais uma vez concluímos que o futebol, embora sendo o artigo esportivo mais popular do mundo, continua a demonstrar que as empresas que o oferecem não obedecem as melhores práticas de administração. Quer se trate de organização, de finanças, de operação ou de marketing.

Os sistemas sucessórios são ditatoriais com as piores maneiras de manutenção do poder. As tecnologias são rechaçadas com intenção de manter sob controle o incontrolável, ficando com o poder sob a arbitragem humana.

É por isso que a categoria futebol, mesmo sendo esporte líder mundial e as empresas que o representam tendo marcas de massa, consumidores fidelizados e apaixonados (sonho de qualquer executivo do mundo dos negócios), não tem nenhuma organização no ranking das maiores companhias do planeta.

Carlos Magno Gibrail, doutor em marketing de moda e escritor do Blog do Mílton Jung às quartas-feiras, está publicado hoje devido ao feriado de 21 de abril.

Escola sem medo

 

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Por Carlos Magno Gibrail

A FOX TV em 20 de abril de 1999 espetacularizou a chacina protagonizada por Eric e Dylan no cenário da Columbine High School, em Colorado, nos Estados Unidos, através de transmissão nacional ao vivo. Na hora do almoço entram no refeitório, matam um professor e em seguida caminham carregados de armas automáticas procurando suas vitimas. Depois de 900 tiros e 12 mortos, se suicidam.

Os “bocós” de 17 e 18 anos, como Eric e Dylan eram chamados não tinham efetivado uma ação, mas uma reação.

Lamentável que este preço tão alto para a sociedade americana não tivesse servido de estímulo para que a origem e a causa do “Bullying” não fossem abrandadas.

Ainda hoje, algozes e vítimas carecem de atenção, tanto na América quanto no Brasil.

Aqui, país menos armamentista, mas com estatística vergonhosa, quando de 8ª Economia ostenta 88º em Educação é de se perguntar, preocupadamente, como vamos nesta questão dos maus tratos aos colegas e da violência nas Escolas.

A Plan Brasil, afiliada da Plan International, organização presente em 66 países, que cuida de 75.000 crianças brasileiras, contratou a CEATS – Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor e a FIA – Fundação Instituto de Administração da USP, para pioneiramente efetivar um mapeamento sobre o “Bullying escolar no Brasil”.

O resultado desta pesquisa foi apresentado, hoje, no auditório da Ação Educativa, em São Paulo.

Moacyr Bittencourt, Country Director da Plan Brasil, antecipou a apresentação da pesquisa, que, responsavelmente, apresentamos um resumo, desejando que este levantamento chame a atenção de todos para que a violência física ou moral possa ser combatida em nossas escolas.

Foram pesquisados 5.160 alunos, 14 grupos com 55 alunos, 14 pais e 64 técnicos, nas 4 regiões do Brasil. Houve fase quantitativa e qualitativa.

70% já viram pelo menos uma vez algum colega ser maltratado na escola

10% vêem todos os dias maus tratos em colegas

9% vêem várias vezes por semana

29% já maltrataram colegas

Regionalmente aparecem as seguintes taxas de maus tratos: nordeste 5,4%, norte 6,2%, sul 8,4%, sudeste 15,5%%.Desconcertante verificar que nas regiões mais ricas as taxas são maiores.

Na internet a incidência constatada é de 17%, com duração de uma semana de ofensas e ataques.

As formas mais comuns de Bullyng são: xingamentos, apelidos, insultos e ameaças. Os locais mais incidentes são a sala de aula e o pátio de recreio. O que é inexplicável, pois denota falta de controle da escola por serem locais de fácil visibilidade e controle.

As reações da vítima: 49,5% nega maltrato 6,6% fica magoada, 6,3% se defende, 5,4% fala com o pai, 5% revida, 4,7% fala com o diretor, 4% pede que parem, 3,3% fala com os amigos, 1,6% fala com irmãos.

As consequências na vítima são a perda do entusiasmo, da concentração e medo de ir à escola. No agressor são as mesmas, isto é, perda do entusiasmo na escola e falta de concentração.

As características da vítima não estão nem na cor nem na etnia. As diferenciações são outras, enquanto o dos agressores concentra-se no desejo de aceitação social, da necessidade de exercer influência sobre os colegas e a busca de popularidade. Além da ausência do medo da punição.

Os professores opinam que por serem externas as causas, isto é, família e sociedade, não podem resolver definitivamente a questão. Agem punindo os agressores com suspensões e advertências, chamando os pais para conversar com educadores e equipes técnicas. Sugerem campanhas, palestras e grupos de discussão. O que faz sentido porque ficou claro na pesquisa que os alunos não identificam o Bullyng.

Os pais afirmam que a escola não sabe lidar e transferem para eles a responsabilidade de resolver conflitos.

Qualquer observador mais atento não terá duvida em afirmar que a solução está na junção da escola com o lar. Lastreado na pesquisa, fica aberto o caminho para a melhoria do ensino em nosso país. Uma grande oportunidade para que o conhecimento obtido da pesquisa venha a ajudar o conhecimento das crianças e adolescentes de hoje.

E, principalmente, a sua felicidade.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung

Hora de tomar chá de cadeira

 

Por Carlos Magno Gibrail

Morumbi da Galeria de Alvez no Flickr

O futebol e Ricardo Teixeira têm tudo a ver. Imagem e semelhança da grande maioria dos dirigentes de federações e clubes. Teixeira é a favor dos poderes plenos, da perpetuação nos cargos, dos sistemas e regras imutáveis, da aversão absoluta às mudanças, da paixão por si próprio, do apoio total aos bajuladores e da administração focada na manutenção do poder pessoal, adotando os amigos e expurgando os inimigos.

Não é a toa que o esporte mais popular do planeta não exiba nenhuma empresa dentro do ranking das melhores e maiores do mundo. Além da maioria dos clubes apresentarem crônicos prejuízos. A FIFA e demais federações, detentoras dos monárquicos poderes, conferem os lucros. Na Alemanha faturou US$ 2,6 bilhões, na África do Sul prevê US$ 3,8 bilhões e para o Brasil planeja US$ 4,4 bilhões onde 70% dos ingressos já estão vendidos.

Estranhamente, mas dentro do padrão incoerente do futebol, a FIFA começa a exigir do Brasil mais do que o fez em outros países. Isenções fiscais, vantagens operacionais, e de repente dirige a atenção para São Paulo. Afirmou ao governador José Serra que São Paulo teria a abertura da Copa, e que o Morumbi, indicado pela Prefeitura e Estado como a única alternativa, seria o local.

Entretanto a seguir, o secretário-geral da FIFA começava a torpedear o projeto apresentado, desqualificando-o. Ao mesmo tempo que ignorava as demais sedes, muitas das quais não cumpriam as datas e condições mínimas então exigidas.

Em 19 de março, finalmente, o todo poderoso Jerome Valcke declara a respeito do Morumbi, em entrevista coletiva após a reunião do comitê executivo da entidade na Suíça: “O último projeto que recebemos preenchem todos os requisitos pedidos”.

Em menos de 15 dias, Ricardo Teixeira ignora Valcke e ataca o Morumbi. Não surpreendeu quem acompanhava a luta travada no Clube dos 13. Apenas confirmava a marcação serrada para a disputa do poder e as consequentes vantagens financeiras e estratégicas neste campo encharcado de ações e traições políticas. Teixeira não perdoava o apoio de Juvenal Juvêncio à Koff. Muito menos a sua candidatura como Vice do Clube dos 13. Entidade que conseguiu trazer as quotas de TV de 20 para 450 milhões em benefício aos clubes.

Juvenal, iludido por Teixeira, deixa-o desiludido. Ou vice-versa. Ente ilusões e desilusões façamos alusão ao que interessa, pois a FIFA, Blates e Teixeira precisam mais de São Paulo, do que São Paulo necessita da Copa.

A coerência da escolha do governo paulista fica bem clara nas palavras que o Presidente da SPTuris Caio Luiz de Carvalho atenciosamente nos concede:

“Desde que começou a corrida pela Copa de 2014 no Brasil, indicamos o Estádio do Morumbi como sede dos jogos em São Paulo por vários motivos: é o maior da cidade e tem a capacidade exigida, tem a melhor infraestrutura e o SPFC se comprometeu a investir nas reformas necessárias, inclusive assinando esse compromisso (“Stadium Agreement”). O Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo, após o estudo inicial, consideraram que não seria viável construir um novo estádio na cidade com verba pública, já que só o município possui outros sete estádios (alguns deles, inclusive, subutilizados e que vem apresentando pouco público durante as partidas), um novo seria muito dispendioso e possivelmente não “se pagaria”, ou seja, talvez fosse apenas mais um para a cidade custear, bancar sua igualmente cara manutenção após a Copa e que poderia ser subutilizado. Por isso, o Comitê Paulista optou por focar seus investimentos em obras que a cidade realmente necessita como intervenções em transporte público e mobilidade”.

De outro lado, a dependência da Copa 2014 a São Paulo é evidente se olharmos os números da cidade, que Caio nos forneceu:

São Paulo – com orçamento de 34 bilhões de reais para projetos de infraestrutura, transporte público e mobilidade que ficarão prontos para a Copa de 2014 -, com 15% do PIB do Brasil, 6% da população e, portanto, disparada em primeiro lugar quanto às possibilidades econômico-financeiras, tão importantes para uma COPA, reflete em infindável relação de quesitos esta posição.

É a primeira cidade turística, tendo recebido em 2009 mais de 11,3 milhões de visitantes. Seus 410 hotéis possuem 42.000 quartos enquanto o Rio 26.000, Brasília 20.000 e BH 8.000. E os hotéis de São Paulo comemoraram em 2009 uma taxa de ocupação de 63%, com um valor médio de 190 reais por unidade habitacional. Os 90.000 eventos realizados certamente contribuíram.

12.500 Restaurantes, 15.000 bares, 3.200 padarias oferecem como opção 52 tipos de cozinhas diferentes.    45 grandes shoppings, 59 ruas comerciais especializadas em 51 segmentos, 240.000 lojas, comercializam produtos do mundo todo.

Para a cultura, 110 museus, 160 teatros, 260 cinemas, 90 bibliotecas, 40 centros culturais, 105 faculdades e 28 universidades.

No transporte, o aeroporto de Cumbica recebeu 20 milhões de passageiros em 2008, Congonhas 14 milhões e os três terminais rodoviários 16 milhões. São 89 estações de trem, 55 estações de metrô e 83 km de linha, 200 heliportos. 32.000 taxis, 15.000 ônibus. E o porto de Santos fica a 70 km de São Paulo.

Diante disso, com Serra ansioso, Teixeira pretensioso, só nos resta ouvir Juca Kfouri e tomar chá de cadeira, esperando a queda do Ricardo Teixeira.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Mílton Jung e tá crente que vai assistir à abertura da Copa do Morumbi


Veja mais imagens na galeria de Alvez, no Flickr

Eles não usam Black-tie

 

Por Carlos Magno Gibrail

Filme1981 & Greve2010

Do sucesso teatral da peça “Eles não usam black-tie” em 1958, passando pela consagração cinematográfica em 1981 numa interpretação da realidade brasileira pós-64, encontramos nessa sexta feira atuação real do mesmo cenário, sem encenação. Do ABC para o Morumbi. E ainda mais algumas diferenças nos protagonistas, que de operários e ditadura, passaram a professores e democracia.

Entretanto, não conseguimos a elucidativa análise de Gustavo Wagner do El Porteño sobre “Eles não usam black-tie” como película, então, internacionalmente aclamada: “Surpreendente a forma com que Hirszman concretiza a tão buscada síntese entre o intelectual e o popular, entre a ideologia e a arte”.

Algumas certezas, porém, afloram no mundo real, pois o salário inicial de um professor em São Paulo é de R$ 1.830,00 para 40hs/aula, enquanto outras profissões embaladas e embasadas por forte corporativismo e lastreadas em áreas do poder judiciário e legislativo chegam a R$ 18.000,00.

Sabemos que Educação, Saúde e Habitação são fundamentais para o efetivo desenvolvimento de uma nação, mas não soubemos até hoje implantar plenamente este trinômio da cidadania.

O Brasil, 8ª economia do mundo, é pela UNESCO a 88ª em educação. Algo está errado! Dos US$ 1,6 trilhões do PIB em 2008, investimos 3,5%, quando 5% seriam o mínimo. São Paulo, do orçamento de R$ 126 bilhões para 2010 alocou 16 bilhões para a Secretaria da Educação, fora os investimentos do Governo Federal. Ainda assim não são suficientes às demandas de instalações, operações e recursos humanos.

O movimento grevista encabeçado pelo APEOESP – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, através da liderança de Maria Izabel Noronha, em matéria ontem na Folha, reivindicou melhoria das condições de trabalho, piso salarial e fim da avaliação dos professores.

Paulo Renato Souza, secretário da Educação, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, defendeu a avaliação, que propõe resolver os desejos dos professores, aumentando eficiência, ganhos e consequentes condições de trabalho. Segundo ele, na medida em que assiduidades, tempo de permanência e provas são levadas em conta, e a análise é em função da diferenciação na própria escola e não no resultado absoluto, o índice obtido é real e imparcial.

Os professores Cesar Minto da USP e Neide Barbosa Laisi da PUC, entrevistados do Mílton Jung, criticam a avaliação porque os alunos são diferentes, assim como as condições de trabalho. Faltam bibliotecas, laboratórios, materiais, etc. E, o ponto de partida será sempre diferente para cada avaliação.

Os deputados Carlos Gianasi do PSOL e Milton Flávio do PSDB mantiveram opinião na rádio CBN, respectivamente, a favor e contra a tese dos professores. Gianasi acusa a existência de 75 escolas de lata, de um sistema de avaliação ruim, que o professor é responsável e não quer greve, que o governo não negocia e não dá atenção, e que as premiações com comissões e bonificações excluem o salário base e os aposentados. Milton Flavio defende a avaliação e os bônus que atingem 33% dos 210.000 professores e pode corresponder a três salários a mais, e que os totais dos recursos na educação podem chegar a 30% do orçamento.

Num período de predominância de administração PSDBista, onde surgiram percalços dos professores com Mário Covas, Franco Montoro e agora com José Serra, é nítido que Covas e Montoro, embora respectivamente com tapas e grades palacianas derrubadas, altivamente enfrentaram, confrontaram e resolveram com atenção direta os grevistas. Serra e seu Secretário, ainda que protegidos pela lei que impede manifestações nas imediações da sede do governo, não se apresentaram. Professores e governantes ofereceram, então, um espetáculo cujos papéis fugiram do script civilizado e reproduziram o que se viu no cinema.

Peça importante para explicação desta volta à cena do cenário da ditadura em plena democracia, Gabriel Chalita secretário da Educação do governo Alckmin, hoje no PSB, concedeu-me entrevista onde solicitei que explicasse por que em tão pouco tempo este destempero do professorado. E Chalita acredita que as reivindicações, que as considera corretas, poderiam ser administradas através de negociação pela autoridade, capacidade e boa vontade de Serra e de Paulo Renato. Até o confronto com os policiais poderia ter sido evitado.

Cunho político e avaliação predominam nesta composição de antagonismos. A atribuição política aos atos dos professores é tão evidente, mas camuflada quanto à resposta de João Havelange ao Presidente João Goulart, citado ao jornalista Roberto Kaz para a revista Serafina: “Não trabalho com política”. Ora, sabemos que Havelange fez e faz política a vida inteira.

Quanto à avaliação, boa lição está contida no best-seller Freakonomics, do economista Steven Levitt e do jornalista Stephen Dubner, no qual afirmam que os sistemas de incentivos devem tomar cuidado com as doses e com os trapaceiros.

Uma escola de Israel tinha problema com atraso de pais para retirada dos filhos e resolveu multá-los. O pequeno valor estabelecido incentivou os atrasos, pois compensava financeira e moralmente. As escolas de Chicago estabeleceram provões para avaliar os alunos em testes de múltipla escolha, cujos resultados poderiam premiar ou punir os professores. Salvo uma descuidada professora que escreveu as respostas no quadro da sala de aula, e alunas adolescentes alegremente contaram em casa que o provão tinha sido um sucesso, os demais professores trapacearam respondendo eles mesmos as questões. Foram pegos por algoritmo que descobriu sequências impossíveis de acontecer, como todas as perguntas difíceis corretas e as fáceis erradas.

Como se vê, a situação não é simples nem fácil, mas na Educação é conveniente que em casa de ferreiro o espeto seja de ferro. Educação se resolve com Educação.

Carlos Magno Gibrail, doutor em marketing de moda, escreve no Blog do Mílton Jung às quartas-feiras e nunca deixa de fazer a lição de casa.

Novo PSIU para melhor ouvir Jesus ?

 

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Por Carlos Magno Gibrail

Preconizadas e advertidas por Lula, surgem as “gracinhas” dos políticos em ano de eleições. Petróleo, PSIU e até mesmo horário de jogo de futebol. É a síndrome da derivação. Mexe-se naquilo que já está andando, enquanto há uma enormidade de problemas a serem resolvidos. Entretanto o escapismo não é aleatório, é intencional, pois se mira na base dos patrocinadores e/ou nos eleitores.

É o caso de SP. O vereador Apolinário (DEM) conseguiu mudar o PSIU, entidade que vagarosamente, mas consistentemente vinha evoluindo, com o argumento aparente de corrigir uma distorção de conceito e de sistema de medição. Discordava do valor atribuído à multa, relativo ao tamanho do ambiente gerador do ruído, e também da forma em que se media, pois propôs levar o controle para o local da reclamação e não o da origem.

Esta aparente confusão de origem e destino de som que, aliás, desconsidera a resolução No 1/90 do CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente, que remete à ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 10 151 e 10 152, tem o intuito de criar obstáculo para as reclamações ao PSIU.

Da denúncia anônima e medição no local emissor à denúncia identificada e controle na sede do denunciante com presença do denunciado e de testemunha, é um passo e tanto para o fim das reclamações ao PSIU.
Acusar as denúncias de falsas porque das 180.900 das quais o PSIU compareceu 140.000 vezes e multou apenas 6.032, é concluir exatamente o inverso.

É a mesma contramão de raciocínio que, de um lado embala os argumentos do Projeto Apolinário, quando na verdade está prestando serviço às Igrejas que falam com Jesus através de cânticos e sermões em altos brados. De outro, conflita com o Prefeito Gilberto Kassab, do mesmo partido, e José Police Neto (PSDB), líder de Kassab na Câmara Municipal. Ambos discordaram de Apolinário, com veto e voto contra, respectivamente.

Procuramos entender com Police Neto como São Paulo pode retroceder tanto, na poluição sonora, após ter um feito com a poluição visual, mais difícil e menos importante. Afinal foram extintas milhares de empresas, enquanto aqui se discute apenas o controle dos emissores de som acima das normas. Ao que, com a autoridade de quem votou contra o Projeto Apolinário, disse que o retrocesso tem conserto apresentando um novo Projeto. Ação que acredito provavelmente se fará, dada a reação da população. Ao mesmo tempo, José Police chama a atenção para o fato de que a fiscalização sobre o limite de horário da 1hora da manhã é fácil e está de pé.

Na entrevista realizada por Mílton Jung na segunda-feira, na CBN, ficou evidenciado que o Projeto Apolinário visa atender às Igrejas, eleitorado base do vereador, e foi usado para negociar apoio de outros partidos para contrapartidas de votação. Não se sabe quem votou em quê.

O Prefeito e seu líder estão preocupados com o bem estar da população. Talvez porque :

Olho no céu e vejo
Uma nuvem branca
Que vai passando
Olho na terra e vejo
Uma multidão
Que vai caminhando…

Roberto e Erasmo – Jesus Cristo

Palavras que refletem emoções ou emoções que são refletidas em palavras, não precisam de altos decibéis para serem ouvidas, absorvidas ou sentidas. A multidão sabe disso. Aguardemos as próximas eleições.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Mílton Jung e convida o eleitor, independentemente de credo, cor partidária ou gênero, a gritar contra lei do barulho

Devassa na cerveja e nos bons costumes

 

Por Carlos Magno Gibrail

“Não precisa explicar. Eu só queria entender”

Planeta dos Homens e o macaco Sócrates

A Schincariol após cumprir a notificação de sustação liminar pelo CONAR Conselho de Auto-regulamentação Publicitária, que proibiu a exibição do comercial com Paris Hilton, só podia mesmo é se refugiar no humor.
Em 1977, a TV Globo relançava o programa “Planeta dos Homens”, que tinha sido apresentado um ano antes em substituição ao americano “Planeta dos Macacos”. De abordagem nos costumes, passou a cunho político, aproveitando os sinais de censura mais branda que parecia substituir à draconiana.

Inventaram o “Grêmio Recreativo Escola de Samba Aprendizes da Democracia”, que ensaiava exaustivamente, mas ainda não conseguira se apresentar.

Criação de Max Nunes e Haroldo Barbosa, o macaco inteligente, Sócrates, não assimilava as contradições dos humanos e perguntava: “Não precisa explicar. Eu só quero entender”.

É a questão que surge à decisão do CONAR ao acatar as solicitações através de vários processos que recebeu para tirar a campanha Schincariol do ar.

O primeiro, do próprio CONAR, pois não considera ético realizar ações como as veiculadas no site do produto, que estimulem o consumo exagerado de bebidas alcoólicas.

Consumidores, alegando que a abordagem desrespeitosa e apelativa caracterizava a campanha de propaganda da Devassa, denunciaram-na ao CONAR.

Um terceiro processo foi aberto, pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. O órgão, que tem status de ministério no governo federal, alegou que o site da Devassa tem conteúdo sexista e desrespeitoso à mulher.

Em 2010, ainda vale a indagação do Sócrates de Max Nunes, pois embora não haja mais ditadura militar, aparece uma censura contraditória, pois existem propagandas aos montes muito mais “sexistas”, “desrespeitosas à mulher”, “apelativas”, etc.

As campanhas recentes das marcas Arezzo, Calvin Klein, Ellus, com apelos sexuais, expostas em sites, revistas, e nas ruas em painéis, não foram censuradas.

Calvin klein, anuncio

Não quero entender. Eu preciso de alguma explicação…

Fala-se que o pessoal da Propaganda está com medo de perder o segmento das bebidas, depois das baixas do fumo, e das ameaças nos segmentos dos remédios, das crianças, das campanhas políticas, etc. Também se escuta que é obra da própria Schincariol, pois suas vendas devem crescer com mais um caso de proibição. O comercial no “You Tube” está em aproximadamente 700 mil acessos. Ao mesmo tempo se desconfia da AmBev, que até agora não se manifestou.

Fofocas de bebedores de cerveja.

A Schincariol, como que para reafirmar a atualização dos personagens do Jô, ainda traz a figura do estrangeiro que é enganado pelo brasileiro, quando pergunta o significado das palavras. E, sutilmente troca “dirty girl” por “sexy girl” na explicação dada à Paris Hilton, segundo a repórter da coluna de Monica Bergamo. Como se devassa e sexy tivessem o mesmo sentido.

Ao macaco Sócrates talvez o melhor mesmo seja procurar na “Risadaria”, show de humor político e de costumes (de 19 a 21-Bienal do Ibirapuera SP) patrocinado pela Devassa, a explicação para tanto desentendimento. E, atenção para a advertência das leis da Economia, que recomenda cuidado com os cartéis.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve no Blog do Mílton Jung e gosta de beber cerveja com liberdade.

Grátis para todos, luxo para poucos

Por Carlos Magno Gibrail

Comabte à piratariaÉ o futuro. Pelo menos é o que Chris Anderson – editor da revista “Wired”, ganhador do prêmio “General Excellence” em 2005, quando foi “Editor do Ano” pela revista “Advertising Age”, e autor de “A cauda longa” e “Free o futuro dos preços” – prevê.

E não é tarefa difícil, pois basta um pouco mais de atenção ao nosso redor para identificarmos que empresas gigantes como Google, You Tube e Financial Times oferecem produtos grátis e mesmo assim são bilionárias. Talvez até por isso mesmo.

A degustação de produtos é o princípio básico, que evoluiu para amostras grátis de parte de produtos e serviços, em quantidade ou qualidade incompleta, ficando a seqüência para ser financiada por quem comprá-los.

Antes disso, no início do século passado a gelatina Jell-O de Frank Woodward e a lâmina de barbear de King Gillette, apenas se implantaram depois da distribuição gratuita e maciça de livro de receitas, e de acoplar ao aparelho de barbear brindes a um preço muito baixo.

Mas, isto é passado, neste início de século XXI o grátis está centrado na redução de custos e na vantagem da divulgação em massa de marca e produto. Um transistor custava, em 1961, US$ 10, hoje US$ 0,000015. Se esta proporção tivesse atingido Gillette, provavelmente ele teria que vender espuma de barba acompanhada do aparelho e da gilete grátis.

Custos baixos geram abundância, que por sua vez acarretam escassez. É uma das leis da Economia. Herbert Simon em 1971, no início da Era da Informação observou que informação em grande quantidade implicaria na carência da atenção. Quanto aos produtos, para uma grande quantidade teremos uma comoditização generalizada, acarretando preços baixos ou aquém da linha de seus custos. A água de marca, o café Premium em contraponto ao grátis servido nas empresas, são bons exemplos citados por Anderson.

www.flickr.comphotosmathieustruckE, aqui há espaço propício para lembrar Abraham Maslow que em 1943 apresentou a genial pirâmide das necessidades humanas. Preenchidas as básicas surgem novas e cada vez mais sofisticadas e intangíveis. O que corrobora o raciocínio de que a abundância e facilidade de consumo criam a perspectiva do surgimento de produtos e serviços “Top”.

Chris Anderson na “Wired” usa o que chama de modelo “freemium”. Foi o que explicou ao jornalista Sérgio Dávila, de Washington para a Folha em agosto de 2009: “O que está na www.wired.com é de graça, faturamos um pouco com a publicidade on-line, e isso levanta assinaturas para a revista, que é o nosso “Premium”. A revista é mais que palavras, é um pacote visual, com fotos, arte e um conceito de edição. De graça você não tem o pacote”. Enquanto que o seu “Free o futuro dos preços” ficou inicialmente na internet disponível para leitura e cópia, agora está no “audiobook”. Quem quiser ouve o livro todo, ou entra no site www.elsevier.com.br e lê o prólogo e o primeiro capítulo.

Sobre a pirataria, um grande mal para a economia, Chris alerta que são os piratas os primeiros a usar a distribuição gratuita. No caso brasileiro demonstrou conhecimento ao afirmar que nem toda a pirataria é real, citando o “tecnobrega”, onde os autores autorizam os camelôs para reprodução e venda de CDs sem pagamento.

No vestuário a pirataria complica mais, principalmente quando a qualidade não é grosseira. Dipa di Pietro, ex-diretor de produto da Nike e atual Diretor de Branding do GEP (Cori, Luigi Bertolli, M) nos informou que credita a visível atuação de camelôs e ruas especializadas à legislação brasileira. Branda na concepção e falha na execução. Uma pena, pois de sua experiência internacional de Nike sabe que um bom policiamento em faccionistas e pontos clássicos de distribuição levam a uma vitória sobre os piratas.

Niger RomaRestaria apenas o flanco dos consumidores, que podem até levar produtos similares, mas o luxo não irá junto. Talvez com o “Premium”, se tiver agregado ao que Manoel Alves Lima, CEO da FAL Falzone & Alves Lima, chamou de mimos e gentilezas, ao interpretar os especialistas da 99ª NRF National Retail Federation, realizada em New York no mês de janeiro e exposto em seminário na terça passada em São Paulo.

O novo paradigma do Luxo foi o tema que Alves Lima presenciou com Stephen Sadove, CEO da Saks. Este ponderou que seus consumidores buscam a exclusividade no produto e no ponto de venda, onde apenas estão disponíveis produtos que guardam valor e transferem prestígio sob marcas ícones em suas especialidades.

Para Lima, que traduz o clássico “Retail is detail” como “UMPC”, Um Muito de Pequenas Coisas, chega a este novo Luxo. É uma loja de roupas baratas disponibilizando um estilista famoso gratuitamente para ajudar as compras individuais. É um banheiro de Supermercado impecavelmente limpo com flores frescas. É uma loja de aparelhos que se dispõe entregar e instalar a compra recente, imediatamente na residência do comprador.

Hoje, temos exemplos em quantidade de produtos e serviços grátis, começando pelo rádio, datado de 1920, passando pela TV, pela internet, pelos e-mails, pelos cartões de crédito, pelas passagens aéreas. E essa relação não terá fim. O luxo virá também, mas não de todos nem para todos. Como fornecedor ou consumidor é bom ficarmos atentos. Vale a pena. Poderá ser um luxo!

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung oferecendo-nos seu conhecimento e experiência de graça. Não é um luxo !

O portão da esperança

 

Por Carlos Magno Gibrail

A casa de Sílvio Santos, que fica no Morumbi, é assaltada. A notoriedade do apresentador e do bairro geram mídia proporcional, mas divorciada das estatísticas.

A tendência das notícias é acentuar a propensão do Morumbi para assaltos, apresentando o bairro como área propícia ao crime.

FolhaSP RecorteDos mesmos veículos onde podemos ler informações e notas sobre mapeamento da criminalidade na cidade, onde o Morumbi comparece dentro do padrão normal de segurança, repórteres solicitam entrevistas dirigidas para obter opiniões que possam alarmar e fazer daquele fato, matéria a ser incluída na pauta do dia (leia reportagem publicada no jornal Folha de SP).

É a espetacularização do crime, que não contribuí em nada para combatê-lo, glamourizando muitas vezes a ação criminosa.
Fato que alcança também a atitude de moradores, que aliados da mídia, endossam e agem num viés de avestruz ao fechar ruas e montar condomínios. Como se os muros já fracassados na história da humanidade não bastassem para bastar tais soluções. Nos seus conceitos e preconceitos.

VejaSP Fev 2010Embora os assaltantes da casa de Sílvio Santos tivessem optado pelos muros dos fundos, no terreno do colégio Pio XII, os moradores resolveram completar o fechamento da rua com mais um portão (leia reportagem publicada na Veja SP).

Estes moradores, diferentemente de medida anterior, quando corretamente mudaram a mão para impedir que os carros que faziam atalho para o congestionamento da manhã descaracterizassem a rua e a região, desta vez optaram pela colocação de um portão, fechando ilegalmente uma rua que tem saída e não é estreita suficiente para obter aprovação para uso limitado.

Muros, portas, portões não são esperança de empecilho para ações criminosas. O enclausuramento atua a favor do bandido que já tem a surpresa como arma fundamental. O sistema fechado inibe a redondeza de perceber o assalto, além de criar comportamento isolacionista do morador, potencializando atitudes elitistas, conservadoras, arrogantes e superiores, desprezando o entorno. No aspecto material e humano, quando desconsidera os limites de velocidade e os vizinhos. Vira cidadão somente ao fechar o portão da “sua” rua, enquanto a esperança não é fechá-lo, mas abri-lo.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve no Blog do Mílton Jung às quartas-feiras, e conhece muito bem o Morumbi