Por Carlos Magno Gibrail
Você é a favor do socorro do governo aos agentes financeiros?
Estima-se em US$ 1,5 trilhão o auxílio, num PIB americano de 13,8 trilhão. O Mundial é de 54, Europa 12, Japão 4,3 , China 3,2, Brasil 1,3, Rússia 1,2, Índia 1,1.
O total circulante é de US$ 157 trilhões e o de títulos com garantias reais em circulação equivale a US$ 57 trilhões.
Paul Samuelson diz:
O capitalismo puro não pode evitar alguns ciclos econômicos. Tampouco se pode contar com o laissez-faire dos mercados para cuidar dos próprios males. A era da incerteza passa a ser a era da ansiedade.
Nouriel Roubini, influente economista da New York University, acha que o governo passou de um extremo a outro:
Os USA se tornam URSS
A crise é fruto dos excessos do liberalismo e do laissez-faire destes últimos dez anos. Os reguladores acreditaram nas virtudes do livre mercado e da auto-regulamentação. O julgamento deles foi incorreto. A lição é clara: precisamos de uma regulamentação melhor. A via mais correta é a do meio, com uma regulamentação mais rígida que, entretanto, não crie obstáculos à inovação.
David Smick, interlocutor de Alan Greenspan, de George Soros e do ex-secretário do Tesouro Lawrence Eagleburger, está retomando a tarefa de explicar a nova ordem contemporânea depois de T. L. Friedman – “O Mundo é Plano”. No “The World is Curved – Hidden Dangers to the World Economy” ele cita a China como uma ameaça menosprezada:
A Europa está se desacelerando, e o Japão enfrenta uma recessão. Os emergentes – com algumas exceções, como o Brasil – também sentem a demanda pelos seus produtos diminuir.
Os EUA, primeiro país a entrar em desaquecimento, será o primeiro a sair, em algum momento no final de 2009. O Brasil é muito especial. Ficamos tão fixados na idéia de G7 e depois G8, mas a realidade é que não existe o grupo das maiores economias mundiais sem a China, a Índia, o Brasil e a Rússia. O Brasil tem que fazer parte do grupo de líderes. Acredito firmemente que o mercado financeiro não voltará a ser saudável enquanto não houver uma solução global. É um momento histórico importante como aquele posterior à Segunda Guerra, quando os países se sentaram à mesa em Bretton Woods.
Nelson Barrizzelli, Doutor em Economia pela USP, credita a mesma importância e lembra que no acordo de 1944 no qual estiveram presentes 45 países aliados a delegação inglesa foi chefiada por John Maynard Keynes, que defendia o intervencionismo estatal e criticava o liberalismo de Adam Smith e J.B.Say.
Segundo o acordo de Bretton Woods, as moedas dos países membros passariam a estar ligadas ao dólar e a moeda americana vinculada ao ouro. Foram criadas duas entidades de supervisão, o FMI e o Banco Mundial.
Durante vinte anos, o sistema Bretton Woods funcionou como previsto para em 15 de agosto de 1971, quando o passivo americano era de 70 bilhões de dólares e o estoque de ouro de apenas 12 bilhões, Nixon por fim ao acordo e à conversibilidade do dólar em ouro.
Barrizzelli lembra:
Em 90, a crise foi cambial, desta vez temos uma crise de confiança no sistema financeiro dos países desenvolvidos A mídia amplifica o problema, com suas manchetes espetaculares. Cria-se desta forma uma crise psicológica.
O crédito nos países desenvolvidos foi zerado. Os bancos dos países em desenvolvimento terão dificuldades para conseguir recursos com baixas taxas de juros. O resultado é que o crédito se tornará escasso e caro.
Barrizzelli aconselha:
Evite se endividar, mantenha investimentos de longo prazo, não se preocupe com movimentos de curto prazo. O Brasil vai crescer menos, mas vai continuar crescendo.
Se puder compre Petrobrás e Vale.
Joaquim Toledo, Phd em Economia pelo MIT, Diretor do Banco Nossa Caixa, acredita que a intervenção é necessária e ganhará não só quem tem aplicação, pois a bola de neve irá afetar os imóveis que desvalorizarão, diminuirá o ritmo da construção civil que é setor que emprega muita mão de obra. O emprego cai e a recessão marca presença.
A essência dos bancos é tomar e emprestar dinheiro, respeitando um multiplicador de seus recursos próprios.
Se todos sacam não há recursos”.
Liberalismo puro é utopia, o Estado tem que estabelecer um conjunto de regras para controle das operações financeiras.
A crise originada na questão hipotecária, referia-se a situações de famílias que passaram a pagar prestação da casa própria menor do que a do aluguel, num imóvel melhor que o anterior. Só que no terceiro ano a prestação subia e a família não tinha condições de pagar.
No sistema havia instituições que não estavam sujeitas ao Acordo da Basiléia que, em 1988, estabeleceu em 12 vezes no máximo a utilização do capital e reservas.
E, inventou produtos que fugiram do controle financeiro, onde as empresas que davam o crédito não eram responsáveis pelo risco inerente.
No Brasil uma série destes produtos não seria viável, pois o nosso sistema tem mais controle.
Bruno Amadei Jr., Adm., da IntegralTrust e da CredCapital:
Até que ponto a crença baseada na complexidade e superioridade dos novos modelos existentes e que estão para ser pensados e desenvolvidos pode justificar a visão de que os mesmos são infalíveis?
E, aconselha para o crédito estruturado:
No curto prazo a tendência é de um aumento da aversão ao risco de crédito por parte dos investidores e maior procura por funding por parte dos bancos e empresas, ou seja, haverá um descasamento entre a oferta e demanda de recursos. No médio e longo prazo os bons projetos de crédito estruturado deverão ganhar a preferência e confiança dos investidores do mercado de capitais
Ricardo Young, do Ethos, ao mesmo tempo em que não identifica sustentabilidade neste processo todo, sinaliza que na utilização deste montante de socorro, há exigência de aplicações sustentáveis para o mercado americano.
Depois de sonhar que com 700 bi acabaria com a fome no planeta, vem para a realidade informando que ITAÚ, BRASIL e BRADESCO subscreveram o Principio do Equador, que estabelece normas vinculadas à sustentabilidade para a concessão de empréstimos a partir de 10 milhões de dólares.
Pela internet diz-se que a diferença entre 29 e 08 é que naquela época os banqueiros e executivos se retiravam jogando-se das coberturas dos prédios. Hoje estão saindo com milhões de dólares, pela porta da frente.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta escreve aqui no blog.