Tire a roupa se não quiser aparecer



Por Carlos Magno Gibrail

Marta Suplicy surpreende quando pergunta a Kassab se é casado, se tem filhos. Sarah Palin, vice de McCain, gasta 150 mil dólares em roupas e surge uma nova pessoa.

Duas notas com um mesmo tom. A linguagem das roupas desvenda essa conexão.

A moda é uma forma de comunicação e na medida em que você se veste está sinalizando qual o seu comportamento.
Que pode ser tradicional, contemporâneo ou ecológico, para ficar numa reduzida tipologia de estilo de vida.

“Estilo de vida é a forma pela qual uma pessoa ou um grupo de pessoas vivenciam o mundo e, em conseqüência, se comportam e fazem escolhas”. Pierre Bourdieu.

Estas escolhas acontecem para comprar casa, carro, móveis, roupa, viagem e, também, para decisões a respeito de profissão, casamento, investimento, escola dos filhos, entretenimento, esporte, candidatos etc. A resultante destas escolhas reflete normalmente uma coerência que define o estilo de vida da pessoa. Uma das mais poderosas ferramentas de análise.

A leitura desta linguagem pela moda pode ser apreendida através de teoria existente, que se iniciou na França.

Hoje, uma das maiores autoridades é a brasileira Fátima Whitaker, escritório em New York e residência em Lisboa. Apresenta nove tipos, incluindo os três citados e entre seus clientes a Gap, Macys, JC Penney, La Redoute, Vivarte, Cori e Renner.

As pessoas tradicionais usam roupas clássicas, cores definidas, gostam de bordados e dourados. São conservadoras, apegadas às tradições. Como Marta e Sarah.

Marta manipula o discurso, Sarah manipula a roupa. Uma veste o clássico, expõem o preconceito e quer ser contemporânea, outra é tradicional e investe em roupas contemporâneas. Para quem sabe a linguagem da moda elas não surpreenderam. Nem Gabeira, contemporâneo e ecológico sem simulacro.

Os contemporâneos querem saber quem são e o que querem da vida. Usam roupas sem muitos detalhes, preferem o prata ao dourado, não são ligados em bordados e brasões.

Ecológicos usam roupas sustentáveis e se preocupam com o meio ambiente.

E você? Já descobriu seu lifestyle?

Alguma dúvida comente ou mande sua foto que a devolveremos com nosso parecer.

E, não se preocupe com a elegância, que é mais simples. Basta estar adequado ao ambiente.

Se ainda tiver alguma insegurança veja os jogos do Palmeiras. O seu técnico é paradigma da deselegância, com terno e gravata na função esportiva e dentro do gramado.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, e, assim como se veste, escreve com estilo contemporâneo toda quarta-feira aqui no blog

A Batalha das Profissões

Por Carlos Magno Gibrail

Cirurgiões e instrumentistas têm suas divergências nos centros cirúrgicos. “O conflito instala–se entre médico e enfermeiro quando os médicos desvalorizam a atitude do enfermeiro”, diz G. Carapinheiro. Entretanto até hoje não tivemos nenhuma batalha de bisturis ou de estetoscópios em centros cirúrgicos.

Arquitetos e engenheiros têm atribuições sobrepostas em algumas atividades. Considera-se aos arquitetos mais plástica e formas, aos engenheiros mais racionalidade. Nenhum registro de briga de pranchetas e réguas T entre eventuais agressivos profissionais da área.

Dentistas e protéticos, uma relação cotidiana e até aqui nenhuma ação guerreira atirando moldes e dentaduras uns ao outros; a não ser discussões acirradas com pacientes sobre preços.

Jornalistas e assessores de imprensa discutem até se estes devem ser considerados jornalistas, mas aqueles saem mesmo do sério quando são deixados de lado por alguma informação exclusiva dada ao concorrente. Nada, entretanto leva a microfones ou gravadores arremessados uns aos outros.

E muitas outras atividades que se complementam e resolvem suas diferenças sem atritos maiores.

Até quinta feira (16 /10/08), quando em SP/Capital, no entorno do Palácio dos Bandeirantes, área proibida para manifestações, profissionais da Policia Civil, ao serem obstruídos em seu intuito de falar com seu Chefe por elementos da Policia Militar, entraram em combate real. Usaram seus apetrechos de trabalho, isto é, armas e munições destinadas ao combate de criminosos.

As Policias Civil e Militar, atribuídas das atividades de polícia judiciária e de apuração das infrações penais e da policia ostensiva, respectivamente, estavam fazendo o que deveriam impedir que se fizesse.

O Governador projetou a culpa em terceiros, esquecendo-se que não importa a causa, a função de chefia é a autoridade competente para a solução do conflito.

“Está de pé, mais do que nunca, o problema do convívio profissional das duas polícias. E, vai sem dizer, o imperativo de apagar o estopim da crise. Resta saber se o Palácio dos Bandeirantes terá a necessária lucidez para tanto”. Estadão, N&I.

Mas de quem é a culpa?

Segundo o cineasta José Padilha e o sociólogo e ex-BOPE Rodrigo Pimentel “o fracasso da policia é dos políticos”, referindo-se ao episódio de Sto. André mas com os mesmos protagonistas.

E continuam: “o GATE com uma microcâmera de fibra ótica saberia que o sequestrador tinha encostado um armário na porta de entrada e que os reféns não estavam na sala, mas no quarto e que uma invasão pela frente perderia preciosos segundos, dando tempo para ele atirar nas reféns”.

“Mas o GATE não tinha nem escada adequada, muito menos a câmera e perdeu preciosos segundos”

Cineasta e Sociólogo-Capitão, concluem: “Parafraseando Nietzche, é preciso defender os nossos policiais dos nossos políticos!”.

Carlos Magno Gibrail não é jornalista, é doutor em marketing de moda, e escreve toda quarta-feira aqui no blog sem jamais ter sido ameaçado por algum dos meus colegas com o diploma em riste.

Reeleição: democracia ou monarquia?

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Por Carlos Magno Gibrail

Ricardo Teixeira, em 2015, completará 25 anos como presidente da CBF, suplantando seu ex-sogro João Havelange que ficou 24 anos dirigindo a FIFA.

Nepotismo à parte, Carlos Nuzman já garantiu 17 anos no COB através de eleição às pressas com justificativas que nem a Pollyanna aceitaria.

Muito menos o Juca Kfouri, que atento coloca o talento a serviço do bom jornalismo:

“CARLOS NUZMAN chegou ao paraíso. Atingiu aquele ponto que só a pessoa sem nenhum problema de consciência, ou com todos, alcança: dane-se o que vão dizer de mim. O que tem a consciência tranqüila sabe que nada pode feri-lo. O que perdeu a vergonha na cara não está nem aí mais para coisa alguma, só quer desfrutar, pensem o que pensarem as pessoas, a opinião pública, o país”.

“Lembremos que Nuzman quer comandar a operação Rio-16 como Ricardo Teixeira, sua filha e sua turma, comandarão a Copa-14”.

” Não se envergonha ao ver a vil manobra exposta na primeira página do principal jornal da cidade onde mora, ele que preferiu usar jornais menores para publicar o edital da convocação de sua clandestina reeleição, em desobediência ao estatuto da entidade que preside”.

Enquanto isso… Os clubes de futebol copiam esta perenidade à custa do processo de reeleição.

Desponta como paradigma reverso o São Paulo FC. Lidera todos os rankings, nacionais e internacionais, entre os clubes brasileiros. Lidera também no tempo menor de permanência dos presidentes, causa evidente do efeito acima, que podem ficar no máximo cinco anos no poder.

A política também começou a utilizar o sistema de reeleição, quando FHC mudou as regras, em 1997, para se reeleger.

Lula, seu sucessor, contrário ao novo critério, agradeceu.

Enquanto isso… Nesta última eleição 60% dos prefeitos se candidataram. 67% ganharam no primeiro turno. Percentual que supera os 58% de 2004 que acompanhou a tendência crescente da arrecadação.

De 190 bilhões orçamentários de 2007 estimava-se 245 bilhões para 2008, que em função da crise pode chegar a 215 bilhões.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (cnm.org.br) Paulo Ziulkoski acha que “as reeleições têm ocorrido porque os prefeitos têm feito boas gestões pelo Brasil”.

Se nem a Pollyanna endossa, não serei eu a concordar.

Eu sou a favor da democrática rotação de poder

No País
Na Nação
Nos olímpicos
No futebol
E você?

Aproveite e dê a sua opinião. Comente!

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, não tem medo da mudança, por isso aceitou trocar para quinta-feira o texto que sempre publica às quartas, aqui no blog. Semana que vem estará de volta à quarta-feira.

O capitalismo no divã

Por Carlos Magno Gibrail

Você é a favor do socorro do governo aos agentes financeiros?

Estima-se em US$ 1,5 trilhão o auxílio, num PIB americano de 13,8 trilhão. O Mundial é de 54, Europa 12, Japão 4,3 , China 3,2, Brasil 1,3, Rússia 1,2, Índia 1,1.

O total circulante é de US$ 157 trilhões e o de títulos com garantias reais em circulação equivale a US$ 57 trilhões.

Paul Samuelson diz:

“O capitalismo puro não pode evitar alguns ciclos econômicos. Tampouco se pode contar com o laissez-faire dos mercados para cuidar dos próprios males. A era da incerteza passa a ser a era da ansiedade”.

Nouriel Roubini, influente economista da New York University, acha que o governo passou de um extremo a outro:

“Os USA se tornam URSS”

“A crise é fruto dos excessos do liberalismo e do laissez-faire destes últimos dez anos. Os reguladores acreditaram nas virtudes do livre mercado e da auto-regulamentação. O julgamento deles foi incorreto. A lição é clara: precisamos de uma regulamentação melhor. A via mais correta é a do meio, com uma regulamentação mais rígida que, entretanto, não crie obstáculos à inovação”.

David Smick, interlocutor de Alan Greenspan, de George Soros e do ex-secretário do Tesouro Lawrence Eagleburger, está retomando a tarefa de explicar a nova ordem contemporânea depois de T. L. Friedman – “O Mundo é Plano”. No “The World is Curved – Hidden Dangers to the World Economy” ele cita a China como uma ameaça menosprezada:


“A Europa está se desacelerando, e o Japão enfrenta uma recessão. Os emergentes – com algumas exceções, como o Brasil – também sentem a demanda pelos seus produtos diminuir”.

“Os EUA, primeiro país a entrar em desaquecimento, será o primeiro a sair, em algum momento no final de 2009. O Brasil é muito especial. Ficamos tão fixados na idéia de G7 e depois G8, mas a realidade é que não existe o grupo das maiores economias mundiais sem a China, a Índia, o Brasil e a Rússia. O Brasil tem que fazer parte do grupo de líderes. Acredito firmemente que o mercado financeiro não voltará a ser saudável enquanto não houver uma solução global. É um momento histórico importante como aquele posterior à Segunda Guerra, quando os países se sentaram à mesa em Bretton Woods”.

Nelson Barrizzelli, Doutor em Economia pela USP, credita a mesma importância e lembra que no acordo de 1944 no qual estiveram presentes 45 países aliados a delegação inglesa foi chefiada por John Maynard Keynes, que defendia o intervencionismo estatal e criticava o liberalismo de Adam Smith e J.B.Say.

Segundo o acordo de Bretton Woods, as moedas dos países membros passariam a estar ligadas ao dólar e a moeda americana vinculada ao ouro. Foram criadas duas entidades de supervisão, o FMI e o Banco Mundial.

Durante vinte anos, o sistema Bretton Woods funcionou como previsto para em 15 de agosto de 1971, quando o passivo americano era de 70 bilhões de dólares e o estoque de ouro de apenas 12 bilhões, Nixon por fim ao acordo e à conversibilidade do dólar em ouro.

Barrizzelli lembra:

“Em 90, a crise foi cambial, desta vez temos uma crise de confiança no sistema financeiro dos países desenvolvidos A mídia amplifica o problema, com suas manchetes espetaculares. Cria-se desta forma uma crise psicológica”.

“O crédito nos países desenvolvidos foi zerado. Os bancos dos países em desenvolvimento terão dificuldades para conseguir recursos com baixas taxas de juros. O resultado é que o crédito se tornará escasso e caro”.

Barrizzelli aconselha:

“Evite se endividar, mantenha investimentos de longo prazo, não se preocupe com movimentos de curto prazo. O Brasil vai crescer menos, mas vai continuar crescendo”.

“Se puder compre Petrobrás e Vale”.

Joaquim Toledo, Phd em Economia pelo MIT, Diretor do Banco Nossa Caixa, acredita que a intervenção é necessária e ganhará não só quem tem aplicação, pois a bola de neve irá afetar os imóveis que desvalorizarão, diminuirá o ritmo da construção civil que é setor que emprega muita mão de obra. O emprego cai e a recessão marca presença.

“A essência dos bancos é tomar e emprestar dinheiro, respeitando um multiplicador de seus recursos próprios”.

“Se todos sacam não há recursos”.

“Liberalismo puro é utopia, o Estado tem que estabelecer um conjunto de regras para controle das operações financeiras”.

“A crise originada na questão hipotecária, referia-se a situações de famílias que passaram a pagar prestação da casa própria menor do que a do aluguel, num imóvel melhor que o anterior. Só que no terceiro ano a prestação subia e a família não tinha condições de pagar.”

“No sistema havia instituições que não estavam sujeitas ao Acordo da Basiléia que, em 1988, estabeleceu em 12 vezes no máximo a utilização do capital e reservas.”

“E, inventou produtos que fugiram do controle financeiro, onde as empresas que davam o crédito não eram responsáveis pelo risco inerente.”

“No Brasil uma série destes produtos não seria viável, pois o nosso sistema tem mais controle”.

Bruno Amadei Jr.
, Adm., da IntegralTrust e da CredCapital:

“Até que ponto a crença baseada na complexidade e superioridade dos novos modelos existentes e que estão para ser pensados e desenvolvidos pode justificar a visão de que os mesmos são infalíveis?”

E, aconselha para o crédito estruturado:

“No curto prazo a tendência é de um aumento da aversão ao risco de crédito por parte dos investidores e maior procura por funding por parte dos bancos e empresas, ou seja, haverá um descasamento entre a oferta e demanda de recursos. No médio e longo prazo os bons projetos de crédito estruturado deverão ganhar a preferência e confiança dos investidores do mercado de capitais”

Ricardo Young
, do Ethos, ao mesmo tempo em que não identifica sustentabilidade neste processo todo, sinaliza que na utilização deste montante de socorro, há exigência de aplicações sustentáveis para o mercado americano.

Depois de sonhar que com 700 bi acabaria com a fome no planeta, vem para a realidade informando que ITAÚ, BRASIL e BRADESCO subscreveram o Principio do Equador, que estabelece normas vinculadas à sustentabilidade para a concessão de empréstimos a partir de 10 milhões de dólares.

Pela internet diz-se que a diferença entre 29 e 08 é que naquela época os banqueiros e executivos se retiravam jogando-se das coberturas dos prédios. Hoje estão saindo com milhões de dólares, pela porta da frente.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta escreve aqui no blog.

A Amazônia quem diria foi parar no Pari

Por Carlos Magno Gibrail

No Canindé, no Tatuapé, na Mooca, no Bexiga, no Jaçanã e, em toda São Paulo.

Se você mora em São Paulo e acha que não tem nada a ver com o desmatamento da floresta amazônica, está muito enganado, pois São Paulo é a grande consumidora de quase tudo que vem de lá.

A cidade paulistana recebe da Amazônia produtos legais e ilegais, e até mesmo fenômenos naturais.

Madeira, carne, soja e carvão, além de chuva. Mas muita chuva, 70% do que chove em São Paulo vem da região amazônica. O roteiro é simples, sai da floresta para o rumo oeste, bate na Cordilheira dos Andes e volta em direção a São Paulo.

Dos produtos, o rastreamento já foi iniciado e tem até Seminário agendado, para em dois dias expor os caminhos percorridos de toda a cadeia produtiva ilegal. Lojas de móveis, restaurantes, supermercados, é o ponto final desta via de distribuição. Perversidade à parte, quem sabe não se descobre alguns milagres de preços baixos.

Para Oded Grajew “exibir os dados levantados para obter politicamente o apoio dos setores envolvidos é o objetivo do Movimento Nossa São Paulo e do Fórum Amazônia Sustentável, responsáveis pelo evento Conexões Sustentáveis São Paulo – Amazônia”.

Governador e Prefeito há um ano marcaram presença em ação: “Estamos aqui para nos solidarizar ao Greenpeace e às entidades ambientalistas. A prefeitura e o Estado de São Paulo estão tomando medidas para barrar o consumo de madeira ilegal da Amazônia”, declarou Serra.

Nesta ocasião foram apresentados números da Operação Primavera, que apreendeu em nove estradas do Estado mais de 300 toneladas de madeira nativa que saiu ilegalmente da Amazônia. Uma operação nos depósitos de madeira da capital paulista apreendeu mais de 200 toneladas de madeira ilegal, rendendo R$ 300 mil em multas. De 16 depósitos verificados, 11 estavam totalmente irregulares.

Ainda assim, o problema continuou e Adriana Ramos, do ISA, adverte que São Paulo absorve 20% do consumo brasileiro de madeira do Amazonas. É por isso que a ultima parte do programa do Seminário evocará um Pacto com as empresas envolvidas e outro com os candidatos á Prefeitura de São Paulo.

Enquanto isso, em terras amazônicas e paulistanas uma coerência.

As imobiliárias e os madeireiros são os grandes doadores das respectivas campanhas políticas.
Ricardo Young alerta “Com a descentralização das autorizações de desmatamento aos Estados, entregamos o galinheiro ás raposas”.

Parece mesmo que o Sergio Leitão do Greenpeace é quem apresentará uma firme e definitiva solução, direcionada ao desmatamento zero.

Para Carlos Minc, as campanhas eleitorais são as principais responsáveis pelo aumento atual na área desmatada. Segundo ele, em época de eleição os políticos afrouxam a fiscalização para não perderem votos.

De acordo com os dados do INPE, calculados a partir de imagens de satélites, 756,7 km² quilômetros quadrados de floresta foram destruídos em agosto – área equivalente à mais da metade da cidade de São Paulo. Em julho, o instituto registrou 323,9 km² de florestas derrubadas.
O governo do Pará, responsável pela maior fatia desta derrubada contrapõem, alegando questão fundiária e nuvens cobrindo a região no mês anterior.

O ministro precisa esclarecer ao INCRA, que está protestando pelos seis primeiros lugares no desmatamento e marcar presença no Seminário São Paulo – Amazônia, que sua assessoria já tinha descartado.

Enquanto isso, terça-feira, 23 de setembro de 2008, segundo a Global Footprint Network, foi “o dia da ultrapassagem do limite global”. Ou seja, entre os dias 1º de janeiro e 23 de setembro, a humanidade consumiu todos os recursos que a natureza pode produzir em um ano. A partir de 24 de setembro, e até o final do ano, a humanidade passou a viver, “sacando a descoberto”, para ficar na terminologia dos dias atuais.

Desde 1986, a vimos esgotando os recursos teoricamente produzidos em um ano sempre mais cedo. Em 1996, o consumo ultrapassava 15% da capacidade de produção do meio natural, e o “dia da ultrapassagem” caía em novembro. Em 2007, a ultrapassagem ocorreu em 6 de outubro.

Cabe a nós a decisão de reverter ou não esta situação.

Vídeo “Amazônia à venda” que roda na internet

Este vídeo faz parte de jogo do Guaraná Antártica

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve artigos no blog toda quarta-feira e tem certeza de que, apesar de ter nascido em Parati, tem um pezinho na Amazônia. Ele, eu, você, todos nós.

Sustentabilidade: “Interdependência ou morte”

Por Carlos Magno Gibrail

De D.João V a Oded Grajew, de Ray Anderson a Ricardo Guimarães (autor da frase acima), de Al Gore a Jens Stoltenberg, criatividade às ameaças é o que não falta.

A Sustentabilidade acompanha permanente e indefinidamente a todos. É da alçada de dirigentes e dirigidos independentemente de dimensões, poder e hierarquia.

Do levantar da cama até a volta para dormir estaremos diante de ações que podem ajudar ou piorar o relacionamento com a natureza ou com outras pessoas. Se usufruirmos e não devolvermos, não sustentaremos o planeta para as futuras gerações ou as nossas relações pessoais.

Em 1728 ficou pronta a obra que D.João V mandou construir com a preocupação da conservação dos 4 mi livros em pergaminho: a Biblioteca Joanina, na Universidade de Coimbra. Até hoje todas as obras estão impecáveis, graças as paredes de 2,11 m , as madeiras que absorvem a humidade e, principalmente, a colônia de morcegos incumbida de exterminar traças e baratas. O trabalho adicional consiste em forrar piso e estantes com um tapete de couro à noite e retirá-lo na manhã seguinte. Similar ao que fazem os ingleses em Wimbledon.

Ray Anderson da Interface Flor não vende mais carpetes, presta serviços de forração de pisos. Substitui quando desgastado, reciclando com parte do mesmo material e estima que, até 2020, não mais extrairá elementos da natureza pois fechará o ciclo com impacto zero ao meio ambiente.

Paulo Itacarambi ressalta que com isso a matriz de produção não entrará em colapso, como é comum quando o ritmo é só de crescimento. Extrair, produzir, descartar. Efetivando a obsolescência programada ou percebida.

Casas Bahia e Brastemp estão com a logística reversa, isto é, na entrega dos móveis retornam no mesmo veículo para o depósito onde são separados, plástico, isopor, papelão e o sofá velho, que é desmontado e as partes doadas para quem as aproveita. O mesmo acontece com os eletrodomésticos nas compras pela Internet.

A Companhia Industrial de Vidros do Nordeste, tem a operação “Papa Vidro” para recolher garrafas que serão reutilizadas.

O Instituto Ethos , fundado por Grajew , com 1357 empresas associadas, correspondendo a 35% do PIB nacional, propõe a Responsabilidade Social Empresarial e está á disposição.

Em pesquisa de 2007, o Instituto Akatu, entidade destinada a orientação e apoio do consumidor nas questões de RSE, detectou que existe uma visível distância entre as aspirações e a realidade na relação dos consumidores com as empresas e suas responsabilidades sócio-ambientais. Isto, entretanto não se reflete em ações concretas por parte dos consumidores no momento da compra.

O Movimento Nossa São Paulo cobra, antecipadamente, dos candidatos à Prefeitura e à Câmara, o compromisso com a responsabilidade social. A partir desta gestão , teremos indicadores a cada 6 meses , tais como número de alunos por sala, evasão escolar, acidentes de trânsito, índice de congestionamento, etc

Jens Stoltenberg, da Noruega, recém materializou o Fundo Amazônia com US$ 20 milhões para por em seguida mais US$ 120 milhões, de acordo com a taxa de desmatamento. Previsão de US$ 1 bilhão até 2015 na conta de 2006, quando menos 5.500 km2 do limite de 19.500 km2 de desmatamento foram atingidos.

No Brasil, já são mais de 5 milhões de hectares de florestas certificadas pelo selo internacional FSC. Atualmente, 207 empresas possuem a certificação para a cadeia de produção e comercialização dos artigos de madeira (cadeia de custódia).

O FSC emite dois tipos de selo para os produtos, um que atesta que o material é 100% certificado, e outro, chamado selo misto, que garante que no mínimo 70% do material utilizado na fabricação tem o certificado.
Fundador da ONG Amigos da Terra, o ambientalista Roberto Smeraldi, convenceu os bancos a só liberar financiamentos a companhias que têm responsabilidade ambiental.
Se a Rosana Jatobá fica no máximo 15 minutos no banho, com toda aquela “extensão territorial”, é hora de repensarmos o nosso chuveiro.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, toda quarta-feira, escreve textos sustentáveis aqui no blog. Não declara no Imposto de Renda Social o tempo que fica no banho, mas se esforça para mudar hábitos.

Código do consumidor: 18 anos entre tapas e beijos



Carlos Magno Gibrail

Você acredita nos livros de Marketing que dizem que o consumidor é o rei e manda no mercado?
Você apostou nas privatizações?
Você ficou satisfeito com todos os bens ou serviços que adquiriu?

O 11 de setembro brasileiro remete a 18 anos de CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (CDC), que, se ainda não estabeleceu uma relação de igualdade dos cidadãos com as empresas, serve de guia para as reclamações.

Maria Inês Dolci, advogada atuante na área, analisa o CDC: “Ele chega à sua maioridade como um forte aliado do consumidor. Prova disso é o crescente número de reclamações à medida que o consumidor se conscientiza sobre seus direitos e exige das empresas produtos e serviços de qualidade. Hoje, o abuso ainda impera em alguns setores, e há inclusive, tentativas de lobbies de desfigurar o CDC, mas as entidades de defesa do consumidor como a Pro teste têm se mantido alertas”.

Se voltarmos aos anos 60 – 70, verificaremos que boa parte dos brasileiros acreditava que a privatização dos serviços públicos seria a solução.

John Kenneth Galbraith, o economista de Kennedy alertava: “A tecnoestrutura das grandes empresas procura influenciar sistematicamente as políticas públicas, provendo os técnicos e nomeando políticos que tomarão as decisões relevantes para o desenvolvimento das suas atividades privadas. Com a simbiose burocrática forma-se um quadro de crescente interação entre grupos privados e funcionários governamentais que acaba contaminando as políticas de governo e colocando-as a serviço de interesses especiais e particulares”.

Citando Galbraith, Eduardo Suplicy na Revista de Economia Política: “No Brasil, a simbiose burocrática está presente em muitas áreas. O Banco Central deveria ser a autoridade máxima do sistema financeiro, mas atua freqüentemente em consonância com os grandes bancos”.

Elio Gaspari apostando na privatização: “O metrô de São Paulo é estatal. Impedida de entrar no trem com seu cão-guia, uma advogada cega foi buscar seu direito na justiça. Brigou durante seis anos e três julgamentos, mas prevaleceu. O metrô do Rio é privado. Uma senhora cega quis entrar com o seu cão. Passada a perplexidade dos fiscais, ela entrou e foi contratada pela empresa para dar cursos de bom atendimento aos clientes com deficiências físicas.”.

Galbraith enfatiza: “O mito que diz que a grande empresa é um simples fantoche do mercado, um servo impotente do consumidor, é, na verdade, um dos dispositivos pelos quais ela perpetua a sua influência”.

Veja o ranking das 515.000 reclamações fundamentadas recebidas pelo Procon, em 2007

Na área Geral, a Telefonica ficou em primeiro lugar, seguida do Itau. Em Serviços Gerais, Telefonica, de novo, e Vivo; Fornecedores de Bens, Siemens na frente comMitsubishi/Aiko/Evadin logo atrás; na Habitação, deu Itaú, em primeiro, e Santander, em segundo; nos Serviços Privados, Net em primeiro, TVA/Ajato, em segundo; e na área de Alimentação e Saúde, Avimed/Aviccena lidera seguida pela Samcil

São dados absolutos e não incluem toda a rede de reclamações existente. Mas já dá para agir e os SACs em boa hora são o primeiro alvo. O Ministério da Justiça começa a corrigir alguns pontos através das “Propostas do sistema nacional de defesa do consumidor para a melhoria da qualidade dos serviços de atendimento ao consumidor (SAC). Áreas temáticas: Telefonia fixa, Móvel, Internet, TV a Cabo, Banco Comercial, Cartão de Crédito e Aviação Civil.” E, com isso vamos poder falar com “seres humanos”, cancelar serviços, etc.

O que espanta é tratar-se de empresas cujo principal ativo são suas marcas e, ter que vir do Governo a chamada para a melhoria. Assim como ocorreu recentemente com a Volkswagen no caso Fox.

As estruturas de atendimento têm fórum próprio e você percebe que dentro das organizações a influência dos SACs é pequena, sem poder real e de outro lado há um foco exagerado no lucro imediato, forçando ao não atendimento para evitar despesa.
Precisamos de mais pesquisa e análise, pois parece que há uma perversa relação direta entre lucro e reclamação. Assim como mais divulgação, papel preponderante da imprensa.

Renata Lyra, em sua dissertação de mestrado na Univ.Fed. Fluminense, expõem que o principal objetivo da imprensa não é somente o de esclarecer aos consumidores quais são seus direitos, e quais órgãos eles devam buscar. Nela está presente, também, a “espetacularização”, fenômeno analisado por Guy Debord quando “parecer” é mais importante do que o “ser”.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve toda quarta-feira aqui no blog e dá atenção ao consumidor (leitor) 24 horas por dia.

Câmeras em ação: De chácara a gramados

Por Carlos Magno Gibrail

O técnico Leão pôde comprovar a emboscada seguida de agressão que foi vítima. Câmeras de segurança instaladas no local gravaram tudo. O Santos Futebol Clube tendo disponibilizado as imagens interferiu na privacidade de algum cidadão? Do “Leão de Chácara” que o emboscou e lhe deu pancada? Dos facínoras “santistas” que empunhando uma arma medieval quase o assassinam? Ou da vítima, que poderia preferir o anonimato?O Leão, técnico, o do gramado, personalidade forte, será que era favorável às câmeras? Nos clubes, nos esportes, nas ruas, nas lojas, nas residências?

Em Bruxelas, no domingo, Massa ganhou 10 pontos graças a elas. No US Open tenistas as usaram para evitar erros que poderiam inverter resultados de partidas de milhões de dólares .

Da Alemanha, através do celular, o proprietário de casa no litoral paulista identificou ladrões que tentavam roubá-la. Acionou a polícia paulista que os prendeu todos.

“Babás” são filmadas espancando bebês e “empregadas” socando idosos.

Calcula-se que existam 4,2 milhões de câmeras no Reino Unido, uma para cada 15 habitantes.

“Londres, onde 150.000 câmeras vigiam as ruas – um cidadão comum que ande por elas a caminho do trabalho é filmado 300 vezes por dia”, diz a Revista VEJA.

Até “puxão de orelhas” as câmeras transmitem aos londrinos não tão educados. Ao mesmo tempo em que não evitam críticas ao número cada vez maior de monitoração.
“Somente um em cada cinco crimes é resolvido por conta da vigilância”, afirmou Dee Doocey, porta-voz do partido Liberal Democrata, na Assembléia de Londres, responsável pelo policiamento nos 32 distritos de Londres e o centro da cidade.

As cidades brasileiras há anos vêm implantando câmeras nas ruas. Manaus, Fortaleza, Teresina, Natal, Recife, Maceió, Goiânia, Campo Grande, Cuiabá, Belo Horizonte, Brasília, Petrópolis, Rio de Janeiro, Suzano, Praia Grande, Curitiba, Londrina, Joinville, Porto Alegre, etc.

Gilberto Kassab fala em inaugurar um “Observatório Municipal de Violência e Segurança”, em São Paulo. Já instalou 3.500 câmeras em vias e escolas. Está agora preparando a compra de outras 8.500, que vigiarão freqüentadores de parques e cemitérios.

Geraldo Alckmin, promete instalar 18 mil câmeras de vídeo na cidade de São Paulo para combater a ação de criminosos. Alckmin diz que criará uma “Sala de Situação”, com um “sistema integrado de câmeras gerenciado pelo software de risco, usado pela cidade de Londres.”.

Marta Suplicy quando foi prefeita criou uma pasta específica para a segurança municipal, que acabou extinta em 2005 pela gestão Serra e Kassab. Assim como Marta, Alckmin quer recriar a secretaria que seu colega de partido extinguiu.

O uso do aparelho é defendido por especialistas em segurança pública, mas há ressalvas. Diretora do Ilanud (Instituto Latino Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente), Paula Miraglia vê as câmeras como instrumento preventivo. “Mas é preciso clareza sobre as leis que cercam a gravação e o uso das imagens. E a população tem que saber que está sendo filmada”, diz Miraglia.

Alvin Toffler, em 2003 já dizia a VEJA: A tendência, é que o uso de câmeras aumente de forma exponencial no futuro. “As empresas vão observar o que fazemos no supermercado, nas lojas, checando absolutamente tudo: nosso comportamento nos corredores, em frente às prateleiras. Criaremos uma sociedade cada vez mais investigativa”.

Paco Underhill já nesta época desenvolve toda uma teoria de varejo baseada em observação através de câmeras. Do best seller “Why we buy” ao “Call of the mall” as reações e desejos dos consumidores são registrados e analisados de forma apurada.

No livro “O Fim da Privacidade”, o cientista político canadense Reg Whitaker diz que as pessoas estão abrindo mão de sua privacidade voluntariamente, em troca de serviços melhores e mais segurança.

Pela utilidade do produto que fornece, é inevitável a crescente demanda que virá. Por isso mesmo, há que se regular o fornecimento e uso das câmeras e suas imagens públicas.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e enquanto escrevia este artigo acompanhava, pelo computador, o movimento da casa dele. Toda quarta-feira está aqui no blog e durante a semana conversa com você na área reservada aos comentários.

SP Capital: Transe no trânsito

Por Carlos Magno Gibrail

SP arrecada 25 bilhões de reais, perde 33,1 bi com engarrafamento e 1,4 bi com acidentes e, ainda assim, produz 331 bilhões de reais por ano.

O automóvel, o ônibus, a moto, e a bicicleta querem espaço e vias exclusivas; os moradores não querem trânsito pesado; os comerciantes querem estacionamento permitido para automóveis e paradas de ônibus na loja do vizinho; e os pedestres exigem respeito nas ruas e calçadas.

A indústria automobilística cada vez mais afluente e influente coloca 800 veículos novos por dia na cidade de seis milhões de carros e 11 milhões de habitantes.

A indústria imobiliária empreende como nunca mais casas, apartamentos e condomínios. Além de patrocinar 12% da campanha do PSDB e 8% do PT na última eleição municipal.

As construtoras se antecipam e propõem aos candidatos um Plano Viário para abocanhar 15,6 bilhões de reais, construindo 54 viadutos, 44 avenidas e 18 pontes. Dinheiro suficiente para levar de 60 para mais de 140 km de metrô.

De acordo com Liane Nunes Born, o carro chega a ocupar 90% dos espaços e corresponde a 19% dos deslocamentos. O ônibus ocupa, em média, 25% do espaço urbano e corresponde a 71% dos deslocamentos.

Executivo e Legislativo, poderes municipais, premidos pelas forças das construtoras que os financiam nas campanhas, pela necessidade do voto de eleitores que os elegerão nesta cidade, trampolim para o sucesso da carreira política, como devem agir para que possamos equacionar o transe atual do trânsito?

Renato Balbim, na abordagem sistêmica de sua tese de doutorado vai à origem: “A idéia de circulação surge, em 1628, em referência ao movimento do sangue no corpo. Lavoisier no século 18 foi quem falou pela primeira vez em sistema de circulação”. É o mesmo dos dois corpos que não se sobrepõem.

Há falta de pesquisa sobre a mobilidade, continua Balbim: “Se sabe muito pouco sobre o que faz as pessoas irem de um lugar ao outro. A única que existe é a pesquisa de origem e destino.” E explica: “Deve-se ter claro que a noção de mobilidade supera a idéia de deslocamento, pois traz para a análise suas causas e conseqüências, ou seja, a mobilidade não se resume a uma ação”.

Dentre os vários tipos de mobilidade, chama atenção o da profissão, pois o sonho da casa própria, tão característico dos brasileiros, aliado a maior mobilidade nos empregos, origina uma maior distância nos deslocamentos casa-trabalho na medida em que as pessoas mudam de emprego.

Marcos Cintra, o calculista dos 33,1 bi de perda, aposta na circulação: “Na capital paulista, são 1.509 km2, por onde circulam quase seis milhões de veículos, ou seja, cerca de 4.000 veículos por km2. Em Manhattan, com área de 87,5 km2, circula 1,9 milhão de veículos, ou 22 mil carros por km2. Essa comparação mostra que a revascularização do trânsito em São Paulo, fazendo-o fluir por um número maior de vias, deveria ser a diretriz a ser seguida em curto prazo”.

Benjamin Steinbruch: “Em São Paulo, a solução definitiva só virá com o investimento pesado em transporte coletivo. Também é necessário tratar com serenidade o problema dos automóveis. Não adianta odiá-los. É melhor fazê-los circular. Há também medidas de gestão que podem facilitar o trânsito, como a desobstrução de rotas paralelas hoje fechadas por conveniência de moradores, a mudança de sinalização, a adoção de mão dupla e a facilitação de conversões com sinal fechado”.

Para Cândido Malta o jeito é cobrar pedágio urbano, investir no metrô, levar microônibus para as ruas a fim de suprir deficiências da malha subterrânea e usar carro particular só no fim de semana.

Jaime Waisman: “Não construir para o automóvel, investir na qualidade do transporte público.”.

Raquel Rolnik: “Não aos investimentos viários, o trânsito já entrou em colapso. Atenção para a mobilidade”.

Gregório Jung, 11 anos: “Não quero que acabem com os rios Tietê e Pinheiros”.

Quem decidirá isto é você. Vote.

De minha parte fico do lado do meio ambiente, mesmo porque já tem muita força com o automóvel e pouca com os trilhos e os moradores.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve neste blog às quartas sobre temas do cotidiano. Durante o resto da semana, bate papo com todos que publicarem sua opinião aqui embaixo. Há muito tempo tem diminuído as distâncias a bordo do seu computador portátil.

Olimpíadas: Três ouros por um tesouro

Por Carlos Magno Gibrail

Pelo PIB, somos o 9º país do mundo; pelo poder de compra o 6º; e pela população o 5º. Em Beijing, ficamos em 23º lugar. Incompatibilidade. E daí?

Daí que, segundo o Comitê Olímpico Brasileiro, houve progresso: “COB constata evolução do esporte brasileiro e registra conquistas inéditas em Pequim” é o que está escrito no site http://www.cob.org.br .

A verdade é que 23º lugar é inferior a classificação no ano da primeira participação brasileira, 1920, na Antuérpia, quando obteve o 15º lugar. Moscou, em 1980, 18º lugar; Los Angeles, em 1984, 19º lugar; Atenas, em 2004, 16º lugar; também são melhores que a posição de Pequim 2008.

De 1920 até 1956, diferentemente de hoje, não havia apoio formal aos atletas, mas tivemos Guilherme Paraense, na Antuérpia, ganhando ouro em tiro, e Adhemar Ferreira da Silva com ouro, em 1952 e 1956, no salto triplo.

Adhemar, que foi descontado do salário na Prefeitura de São Paulo pelo prefeito Jânio Quadros, dos dias em que esteve ausente representando o Brasil nas Olimpíadas, recebeu apenas apoio do São Paulo Futebol Clube, onde treinava. Na camisa do São Paulo, existem duas estrelas douradas que simbolizam as medalhas de Helsinque e Melbourne.

Juca Kfouri comenta que “nunca antes neste país se deu tanto dinheiro ao esporte de competição, nada menos do que 1,2 bilhões de reais, nos últimos quatro anos. Cada medalha custou, portanto a monstruosidade de 80 milhões de reais. E não se investe quase nada na prática de esportes nas escolas…”.

É preciso estabelecer um sistema que considere o esporte como fator agregador de saúde, educação, e inclusão social. Além dos crescentes recursos públicos, o sistema capitalista demonstra cada vez mais interesse em atuar nesta área. O COB tem como patrocinadores oficiais Olympikus, Petrobrás, Caixa, Sadia, Sol, Oi. Empresas estatais como o Banco do Brasil, Correios, Eletrobrás e Infraero também participam. Esperamos que a exigência do capitalismo aos seus executivos por resultado, permaneça tal qual nas suas empresas. Aguardemos.

De outro lado, iniciativas como as do Pão de Açúcar, que criou um Projeto de Esportes ambicioso, serão sempre bem vindas.

Nuno Cobra insere: “O homem global é formado por corpo, mente, espírito e emoção. Parece até coisa sabida, praticada, mas não é! Vive-se parcialmente.”.

“Para seu perfeito funcionamento o corpo necessita de movimento. Mas movimento ordenado, sem sacrifícios. O esforço faz bem desde que o prazer o acompanhe.” Do grego Hipócrates, pioneiro ao valorizar o exercício físico e do poeta romano Juvenal, que em latim se expressou “Mens sana in corpore sano”, mente sã em corpo são, temos a base científica e filosófica a que Nuno se refere.

Kfouri arremata: “A Organização Mundial de Saúde afirma que para cada dólar investido na massificação do esporte poupam-se três dólares na saúde”.

Cabe apenas um alerta, bem apresentado na Revista Brasileira de Medicina do Esporte :

“A grande exigência do esporte competitivo tem provocado sérias conseqüências em atletas envolvidos em treinamento de alto nível. Por sua vez, a mudança dos padrões estéticos tem levado indivíduos a buscarem, por meio do exercício físico, a redução da massa corporal, o aumento da massa muscular e do condicionamento aeróbico. É comum atletas e não-atletas excederem os limites de suas capacidades físicas e psicológicas ocasionando o desenvolvimento da síndrome do excesso de treinamento (over training),”

Com tanta tecnologia e recordes quebrados até onde iremos? De acordo com o Instituto de Pesquisa Biomédica da França, até 2068: “A progressão dos recordes nas provas esportivas caminha para um limite absoluto que é o da espécie humana e não do indivíduo”.

Causa e efeito, meio e fim, acredito que o caminho para medalha de ouro não é apontar para as Olimpíadas, que deve ser apenas efeito. Causa, meio e fim, estaremos trabalhando nas bases, com crianças nas escolas, nos clubes, nas associações, nas comunidades, de todas as classes sociais. E por que não, com adultos e idosos?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e usa a camisa do São Paulo não apenas porque é fã do Adhemar Ferreira da Silva. Toda quarta, ele escreve aqui o blog e durante a semana bate papo com os ouvintes-internautas nos comentários.