Por Carlos Magno Gibrail
Você acredita em pesquisa?
Pesquisemos as pesquisas.
As pesquisas influenciam o eleitor e o consumidor?
Para saber a língua de um país, precisamos perguntar a quantos habitantes?
Para examinar o tipo sanguíneo, quanto precisamos extrair de um indivíduo?
Se as pesquisas podem revelar as verdades do momento por que não são usadas com maior freqüência?
Se a disponibilidade para ser pesquisado é importante por que não ficamos á disposição?
Frank Newport, sociólogo, diz que as pessoas não acreditam em pesquisas porque são egocêntricas. Duvidam que suas idéias possam ser traduzidas em números.
Da mesma forma que as marcas líderes atraem parte dos consumidores por serem as primeiras, também os candidatos que aparecem na ponta recebem parte das intenções de voto. Entretanto, os produtos na ponta do ranking não têm 100% do mercado nem os eleitores seguem 100% os primeiros da pesquisa.
Um desavisado estrangeiro que chegasse ao Brasil sem saber qual o nosso idioma, após falar com algumas poucas pessoas irá saber que o português é a nossa língua. Ou irá às 180 milhões para confirmar? Nem São Thomé iria.
George Gallup exemplifica que poucas gramas dirão qual o tipo de sangue examinado. Não há necessidade de tirar o sangue total do paciente.
Ibope, 66 anos, e Vox Populi, 20, trabalham nas residências, procurando o pesquisado onde acreditam obter respostas com mais credibilidade. O Datafolha, 21, colhe nas ruas, buscando todos os extremos da população e objetivando rapidez. Consegue pesquisar 1.700 pessoas por dia.
Ambos os critérios funcionam, mas a metodologia adotada deve considerar todos os extratos referentes ao produto pesquisado respeitando a proporcionalidade de seu segmento. A Vogue publicou uma pesquisa sobre as marcas mais desejadas do Shopping Iguatemi, em São Paulo. Não apresentou a metodologia e apontou marcas que certamente eram desejos da maioria dos freqüentadores, sem considerar a segmentação. Nenhuma das marcas importadas mais caras apareceu como desejo de consumo.
No mundo dos produtos e marcas as pesquisas se dividem em quantitativas e qualitativas. As primeiras perguntando um a um, durante uns 15 minutos e as segundas sem perguntas diretas, em discussão em grupos de 3 a 4 h. Ambas têm sua utilidade e dependem do que se busca, entretanto hoje se sabe que o consumidor serve muito mais para avaliar do que para criar.
A Ford ensinou ao mundo que de construção de carro quem entende é o fabricante. De usá-lo, é o consumidor. Na década de 60 resolveu perguntar como deveria desenvolver um novo carro. Veio o Edsel, o maior fracasso da indústria de automóvel e o maior sucesso para as aulas de pesquisa de mercado até hoje.
Na ultima eleição presidencial a pesquisa final foi Ibope 50%, Vox Populi 46%, Datafolha 48% para o resultado real do candidato Lula de 46 %.
Considerando que a pesquisa se propõe apenas a um balizamento do momento e não a uma previsão de resultado futuro, precisamos apenas saber usar a informação. Tal qual outro produto qualquer.
É preciso evitar a atitude dos políticos, que as usam quando estão na frente e as abominam em caso contrário. E é um método adotado para tudo que fazem – uma coerência ao incoerente. Também pudera. Já vivem num mercado cuja segmentação na representação política foi abortada em tempos idos e permanece até hoje numa desfigurada representatividade dos Estados na Republica Federativa do Brasil.
No âmbito empresarial salvo para lançamentos de novos produtos e serviços, as pesquisas de satisfação e avaliação de atendimento são inexplicavelmente pouco usadas. A disponibilidade dos dirigentes de serem contatados, que é uma extraordinária fonte, também. Procon, compradores camuflados e colunas de consumidores na imprensa são canais de comunicação relevantes.
Tom Peters costuma gritar nas palestras que determinados presidentes de grandes organizações americanas de sucesso estão à disposição para qualquer pessoa e qualquer assunto. Telefona para eles no meio do show. O executivo atende prontamente. Inacreditável. Tom sugere à platéia: ao sair daqui pegue o telefone e ligue para a sua empresa ou para sua casa. Pesquise você mesmo.
Há anos, Ricardo Semler ligou direto para um alto executivo em New York, marcou entrevista para o dia seguinte e fez negócio. Recentemente a imprensa publicou que ambos lucraram milhões de dólares.
Ricardo Bellino foi direto ao Donald Trump, sem apresentação e ficou sócio dele.
Que tal ligar para Martin Winterkorn em Wolfsburg na Alemanha e contar a repercussão efetiva do caso Fox?
Carlos Magno é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira publica um novo texto aqui no blog participando ativamente de debates com os ouvintes-internautas. O celular dele está sempre à mão para ligar a quem quer que seja. Inclusive para você.