O futebol nosso de cada dia e o diacho da imparcialidade


Por Carlos Magno Gibrail


Ary Barroso, flamenguista declarado; Nelson Rodrigues, fluminense extremista; talvez bastassem através da genialidade reconhecida em suas artes, para servir de paradigma às futuras gerações, ao apresentarem suas paixões quando no exercício do jornalismo esportivo.

Salvo exceções, como Juca Kfouri e Victor Birner, a grande maioria esconde suas preferências.

Nas outras esferas a situação é ainda mais distante, pois ninguém se apresenta. Política, negócios, artes, culinária todos que certamente escolheram as áreas de atuação por admirá-las, escondem juízos de valores e opções pessoais.

Quando não, exageram, ao decidirem explicitar posição em cima de um mesmo tema, como Diogo Mainardi que viveu longo tempo só atacando Lula, a ponto de escrever um livro chamando-o de anta. Desprezando princípio da comunicação que adverte a possível reversão do resultado, como também a lição do mestre Carlos Lacerda neste tipo de jornalismo, que é preciso carisma e linguagem agressiva de alto nível. Tanto que os dois principais algozes deste declinaram da vida (Vargas) e do cargo (Jânio), enquanto o daquele bate recorde de popularidade (Lula).

“A verdade é raramente pura e jamais simples” Oscar Wilde.

Marcos Nobre, sociólogo e filósofo, lembra que o formato notícia fica por conta da modernidade eletrônica, via internet e blogs. O jornal moderno, ou se aplica na pluralidade da informação através da variedade das seções de análise e de opinião, ou organiza as informações diferenciadamente apresentando posições. “Também por isso a ideologia da neutralidade da notícia já não convence mais. Qualquer que seja o formato a informação só faz sentido hoje se explicitar sua tomada de posição”.

Grande parte da imprensa esportiva viveu anos informando que os europeus não davam importância ao campeonato mundial de clubes.

Ronaldinho Gaúcho e Cia. aos prantos desmascararam esta informação, plantada, evidentemente, por jornalistas torcedores de clubes que nunca chegaram até Tóquio.

Há dias, Manchester United ganhou o título e seus jogadores enlouqueceram na comemoração, embora alguns tivessem informado que sua torcida estava contra sua ida ao Japão.

Na política, o jornalismo não identificado de direita, sempre cobrou a independência do Banco Central. Agora estão perguntando quem manda no país, o Lula ou o Meirelles?

Ao mesmo tom que perseguiam o objetivo do grau de investimento, que ao chegar foi minimizado.

A força das expectativas como uma das verdades da economia ao ser aplicada é criticada pelo mesmo jornalismo que antes a reclamava.

Não tenho dúvida quanto à necessidade do posicionamento do jornalista, a questão é a escolha. Enviar um fã da Madonna para cobrir o seu show? Ou outro que não a admire? Pedir para aficcionado da cozinha francesa fazer reportagem da cozinha brasileira? Colocar um jornalista keynesiano para entrevistar um economista liberal? Enviar a Dubai um são paulino para cobrir a vitória do SPFC? Ou a Soninha para tentar secar?

Carlos Magno Gibrail
é doutor em marketing de moda e toda semana está aqui no blog. Para presidente, votou em branco na última eleição. Em São Paulo, escolheu Soninha no primeiro turno e “branqueou” no segundo. No passado, votou em Jânio, no Lula, no Mercadante, no Suplicy, entre outras escolhas. O SPFC é o time eleito.

PIB, IDH, FIB, IFF, você sente e pressente

Por Carlos Magno Gibrail

Siglas variadas para buscar única sensação, a do bem estar.

PIB, Produto Interno Bruto, representa a soma em valores monetários de todos os bens e serviços finais produzidos num determindo período.

O Brasil está em 9º lugar no ranking do PIB mundial.

Como sabemos, índices gerais não mostram condições específicas, que as escondem, quanto maior a concentração da riqueza.

Para considerar saúde, renda e educação, criou-se o IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, que além de calcular a renda per capita, leva em conta a expectativa de vida ao nascer para definir as condições de saúde. Para a educação inclui-se o percentual de adultos alfabetizados e a taxa bruta de matrícula, medida pela razão entre o total de estudantes nos ensino fundamental, médio e superior e a população em idade escolar.

O Brasil ocupa o 70º posto na classificação geral do IDH.

“O PIB foi elaborado na década de 1950 e está defasado há muito como indicador de desenvolvimento de um país. O FIB, Felicidade Interna Bruta, complementa os indicadores de qualidade de vida, juntamente com o IDH”, afirma o economista Ladislau Dowbor, da PUC SP.

“A idéia do FIB é incorporar a felicidade, medida por critérios técnicos”, explica Susan Andrews, psicóloga e antropóloga de Harvard, e coordenadora do FIB no Brasil. Para medir o FIB, a percepção dos cidadãos em relação a sua felicidade é analisada em nove dimensões: padrão de vida econômica, critérios de governança, educação de qualidade, saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso à cultura, gerenciamento equilibrado do tempo e bem-estar psicológico.

Pela pesquisa World Values Survey, deste ano, que envolveu 350 mil pessoas em 97 países e territórios, a Dinamarca lidera, Rússia e Iraque estão entre os dez menos felizes e o Zimbábue, na África, ficou em último lugar. O país mais rico, os Estados Unidos, ocupou o 16º lugar na lista.

O Brasil é o 30º país no ranking do FIB.

Um protótipo do FIB foi colocado em prática em abril, em Angatuba, São Paulo. Na capital paulista, o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, propõe, a partir de 2009, iniciar pesquisas de medição do FIB em subprefeituras.

O IFF, Índice de Felicidade Futura, foi concebido e pesquisado para o BID pela FGV. Foram 150 mil entrevistados pelo Gallup World Poll, em uma amostra de 132 países. A pesquisa mostra a satisfação prospectiva de um cidadão do mundo com a vida. A perspectiva de felicidade futura cai com a idade do indivíduo, de 7,41 aos 15 anos até 5,45 para aqueles com mais de 80 anos, quando a felicidade presente e futura se equivalem.

A juventude é um estado de espírito não determinado pela idade em si, mas pela postura da pessoa diante do seu futuro. O jovem acredita que o melhor da vida ainda está por vir.
No Brasil, é particularmente alta a expectativa em relação ao futuro – na escala de 0 a 10, nossa nota média é 8, 78, mais do que qualquer um dos 132 países pesquisados.

O Brasil é número 1 no IFF do mundo.

“Em estudo da FGV, sobre a classe média – O brasileiro é aquele que apresenta a maior expectativa de felicidade futura, superando inclusive os EUA, 9º do ranking, e Dinamarca, líder mundial de felicidade presente, mas 3ª do ranking de felicidade futura”. Marcelo Néri, FGV.
PIB 9º, IDH 70º, FIB 30°, FIF 1° demonstra acentuada concentração de renda e que somos efetivamente um país do futuro. Condição, que bem trabalhada pode nos levar mais rápido a presente próspero e mais justo. Ou não?

Dê a sua opinião.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda semana escreve neste espaço para a felicidade geral da nação (do blog, com certeza).

Liberar demissões para aumentar admissões

Por Carlos Magno Gibrail

Reduzir benefícios trabalhistas para aumentar empregos e salários. São proposições que poderiam ficar como utopia capitalista ou liberal, não fosse a Dinamarca.

Melhor ambiente de negócios do mundo, menor corrupção do mundo, menor taxa de desemprego do mundo ” quase o sonho do pleno emprego ” 1,5% , maior flexibilidade do mercado de trabalho do mundo. Seguro-desemprego de 2.000 euros durante quatro anos, apoio total ao novo empreendedor durante um ano e meio. Se não der certo, a empresa é fechada sem nenhum ônus.

Não existe salário mínimo, garantias ou benefícios no emprego e a demissão pode ser feita a critério da empresa. Não há contribuições sobre a folha de pagamento dos salários.

O primeiro-ministro dinamarquês Anders Fogh Rasmussen está em seu terceiro mandato, e cada vez mais popular está convicto que o livre mercado é bom para todos.

Com meta de inflação em 2%, sendo que ela sempre fica abaixo, com cautela em relação à burocracia da UE e crítica permanente ao excesso de medidas, com redução da dívida pública, que hoje esta em 23,2% do PIB, e em rota decrescente, e com
superávit nominal e receitas superando as despesas em 7%, caminha para uma invejável posição de liderança.

É a passagem do “estado bem-feitor” para o “estado possibilitador”.

Economia forte, com sindicatos e empresas fortes, governo atuante , gerando trabalhadores qualificados e muito paparicados pelas companhias recrutadoras.

O presidente Lula esteve o ano passado em Copenhagen, pela segunda vez, talvez para estudar um pouco mais o fenômeno nórdico, embora especialistas considerem difícil a exportação para o Brasil devido a diferenças quantitativas e qualitativas.

A população é de 5 milhões contra 190 milhões, os impostos são da ordem de 50%, embora os dinamarqueses, dada a quantidade dos benefícios sociais, estejam satisfeitos com o seu peso.

A cultura também é diferente, são pessoas muito ligadas ao meio ambiente, com muita consciência sustentável, preocupadas com o coletivo. A mão de obra é qualificada e se concentra em design, logística, comunicação e em novas fontes de energia, principalmente a eólica.

De todo modo Erik Nielsen, conselheiro para assuntos internacionais da LO, a central sindical que Lula visitou, disse que os trabalhadores não devem temer as reformas trabalhista ou sindical ” desde que elas venham para fortalecer a posição de empregados em uma economia mais flexível. “Esse tipo de reforma não é ruim”

Diferenças à parte, é claro que vale a pena estudar o fenômeno dinamarquês. Pelo menos fica evidenciado o acerto do sistema aberto com suporte do governo garantindo os benefícios sociais de emprego, escola e saúde.

Ponto crucial nem é a diferença, que pode receber adaptação, mas o início. Ovo ou galinha? Tostines?

Com certeza a partida não será o “homem grávido”, mas a liberação para desagravar os encargos trabalhistas e mudanças na justiça do trabalho. Que visitem mais a Dinamarca!

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve toda quarta-feira aqui no blog e ainda não visitou a Dinamarca, mas já viajou na idéia dele.

O veneno que mata é o que cura


Por Carlos Magno Gibrail

A mordida de uma cobra venenosa se cura com o próprio veneno. É a natureza bem interpretada pela sabedoria do homem dando uma lição de inteligência. Um “benchmarking” deste “case” pode resolver infinitos problemas atuais, cujas soluções requerem apenas a mesma lógica e inteligência usada por Vital Brasil.

O automóvel, cujo veneno polui e congestiona, é um dos mais óbvios candidatos à taxação através do pedágio urbano. Entretanto, é solução ao mesmo tempo rejeitada pela própria população contaminada e temida pelos governantes.

O aumento da arrecadação de impostos passa pelo caminho mais fácil da redução dos mesmos, entretanto, está para nascer um Governo que aposte no óbvio, e faça o certo, isto é, diminua a carga tributária.

Para aumentar os empregos é preciso diminuir as garantias do mesmo, pois empresas e empreendedores teriam menos restrições a admissões de novos trabalhadores. Aí, vem o Sr. Chinaglia e levanta o que nem o Governador da Califórnia conseguiu fazer em Holywood, o homem grávido.

Diante deste tipo de propostas é que se questiona a profissionalização dos políticos. Um cidadão normal, não-político e, inserido no mundo real, dificilmente apresentaria um projeto destes.

Para baratear os alimentos, não podemos permitir a utilização de processos predadores da natureza. Muito menos anistiar agricultores que desmataram rios, encostas e morros. Reinhold Stephanes e a famosa bancada ruralista pretendem abaixar os preços aumentando as chances das distorções climáticas. Para reduzir os preços, que se aumentem as exigências ecológicas e as punições aos predadores.

Para decrescer ou eliminar o desmatamento, os créditos de carbono devem ser eliminados. 20% da emissão anual de gases-estufa vêm do desmatamento tropical.

O governo do Brasil é contra usar florestas para gerar créditos de carbono e propõe que o UN-Redd (Programa da ONU para redução de emissões por desmatamento e degradação) seja alimentado por doações voluntárias. Entretanto, Eduardo Braga do Amazonas acordou com Schwarzenegger investimentos no Brasil, e o seu Estado assinou com a rede Marriott.

Redução do desmatamento não pode gerar licença para poluir, muito menos acelerar o próprio desmatamento para possibilitar maior volume de recursos a negociar. “Existe uma preocupação com o saldo de desmatamento, em que a derrubada de uma parte da floresta é compensada com a conservação ou expansão de uma outra.” Joseph Zacune.

Para abater o desmatamento abatemos o crédito para poluir.

Para reduzir o risco advindo de economistas que fazem previsões erradas é necessário usar outros economistas e não, restringi-los ou ignorá-los, como pretende Clovis Rossi.

Nelson Barrizzelli, economista, não tem dúvidas que economistas notáveis e economistas militantes em organizações financeiras, consultados permanente e exclusivamente pela mídia, têm gerado as distorções ora evidenciadas.

“As previsões se equivalem a dos jogadores de búzios” segundo Rossi.

De acordo com Barrizzelli, dos notáveis, surgem previsões que os demais não as confrontam. Dos militantes, idem, e como a Economia vive de expectativas, os agentes econômicos passam a tomar decisões baseadas nestes cenários, muitas vezes distorcidos. E, exemplifica, que um empresário do mercado de luxo vai reduzir em 20% os números para 2009, em função das informações gerais, embora este ano continuasse crescendo 30%. Perguntado por que, respondeu que está seguindo a expectativa geral.

Portanto, para curar previsões comprometedoras o remédio é consultar economistas que estejam com a “barriga no balcão”, para usar uma expressão do varejo, que significa estar atento ao mercado no próprio mercado.

Para eliminar as bactérias poluentes do lago do Ibirapuera em SP é preciso inserir quantidade planejada das mesmas bactérias. É a biotecnologia criando um “blend” específico de microorganismos para melhorar a eficiência do sistema natural e despoluir o meio confinado.

Omar Grecco, diretor da Superbac, empresa nacional expertise de ponta, é quem nos concedeu estas informações. Grecco disponibiliza ainda esta tecnologia a São Paulo, gratuitamente, no ensejo de aproveitar a visibilidade deste lago e expor a sustentabilidade.

Valores em reais baixos e valores reais altos, este é um projeto esperto. Que tal executivo e legislativo de SP Capital ?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira está aqui no blog oferecendo mais veneno para curar nossa falta de criatividade.

Negros, um salto para a humanidade; Gays: um passo atrás


Por Carlos Magno Gibrail

Referendo conjunto com as eleições que coloca Obama no poder, tira avanço alcançado meses antes na Suprema Corte da Califórnia. O casamento gay recebe voto contrário no plebiscito americano na Califórnia, na Flórida e no Arizona. Em Arkansas, a maioria contrária vai além atingindo a adoção de crianças por casais de gays.

Em tudo isso o que mais chama atenção é que a maior parte dos negros votou junto com os mórmons e os católicos. E, provavelmente, com a Ku Klux Khan também.

Os líderes dos grupos de defesa dos direitos dos homossexuais tributam o resultado dos referendos à comunidade afro-americana, quando 70% votaram contra os gays. Sinal que o preconceito, vilão indeletável das sociedades, permeia não só as maiorias como também as minorias, vítimas primeiras.

Ou será que o vigilante da Casas Bahia era de classe social e racial diferente do jovem assassinado? Emblematicamente este caso retrata a incompreensível rejeição da minoria pela minoria.

A ONG Gay Lawyers estima em 16 milhões o número de homossexuais no Brasil, quase 10% da população. Sonia Azambuja, analista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise e membro da IPA International Psychoanalysis Association, infere que a grande injustiça aos gays é que se impõe uma carga extraordinária de medo para que assumam a homossexualidade, tal a rejeição que terão que enfrentar diante da sociedade preconceituosa que vivemos.

“Cotado para assumir o posto de capital mundial do turismo gay e com fama de liberal, o Rio está longe de se livrar do preconceito e da violência. Uma pesquisa feita em parceria pela Uerj, Universidade Candido Mendes e Grupo Arco-Íris, mostra que 56% já foram ameaçados de agressão ou morte por sua condição sexual e 16% foram efetivamente agredidos por esse motivo. O trabalho também revelou que mais de 90% dessas pessoas nem chegaram a registrar queixa em delegacia”, comenta Michel Alecrim.

Karen Schwach, da SOS Dignidade, diz que a maior prova da ira da sociedade aos gays é o caso mais explícito de bissexualismo estampado pelos travestis. Por exibirem a escolha, não têm espaço na sociedade organizada, restando como opção de trabalho a prostituição e afins.

Azambuja lembra ainda que a origem do comportamento gay longe de ser uma doença é constitucional – cromossômico – ou edípico. Portanto, nada a ver com processos de cura. Em todos os casos de pacientes homossexuais que tem atendido, não há nenhuma intenção de “cura” e sim de enfrentamento com os fantasmas naturais de mentes humanas e com um problema efetivo que é o narcisismo.

Nos últimos dois anos, em algumas regiões, ganharam o direito de adotar crianças, de deixar pensão para os companheiros e até de desfilar pelas ruas, sem esconder sua opção. Em Mato Grosso, Sergipe, Rio e Distrito Federal e em 76 municípios é crime discriminar gays e lésbicas.

O INSS também deu uma demonstração de liberalidade ao regularizar a concessão de pensões a viúvos de homossexuais.

O projeto de lei federal Marta Suplicy, que legaliza a união civil entre homossexuais e condena a homofobia, está parado no Congresso desde 1998.

Ainda assim, o potencial do mercado animou empresários paulistas a criarem a primeira Associação Comercial GLS do Brasil. São Paulo tem cerca de 90 estabelecimentos simpáticos aos gays.

No dia 10 de dezembro ,os gays dos EUA estarão repetindo o que os imigrantes já fizeram. Realizarão, simultaneamente a escolha do Nobel da Paz, e do International Human Rights Day da ONU, o Dia Sem Gay.

Se você quiser apoiar, basta não ter preconceito e clicar em www.daywithoutagay.org.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve toda quarta-feira aqui no blog e já registrou o apoio dele no site do Day With Out Gay.

Sofisticado, no popular

As possibilidades de diálogo entre o simples e o sofisticado na comunicação e cultura brasileira estão em discussão no 3o. Jornalirismo Debate. Provocado pelos organizadores do evento para falar sobre esta relação enviei o seguinte texto:

Jornalista não sabe nada do que fala, mas conhece quem sabe. Adepto a frase do jornalista e escritor Zuenir Ventura, fui procurar a opinião de quem entende de sofisticação e popularidade, meu colega de blog Carlos Magno Gibrail, doutor em marketing de moda:

Considerando que o sofisticado normalmente é algo que necessita de apuração, como o gosto por um bom vinho, pela música erudita, pela seleção de um perfume, em principio é mais dificil encontrar algo sofisticado que seja do agrado da maioria das pessoas.Se o homem não desenvolve seus 5 sentidos , suas habilidades ficarão atrofiadas.. Entretanto alguns produtos naturais são sofisticados, tais como uma pura água gelada de nascente, uma cachaça bem elaborada, um peixe recém-pescado, sem nenhum tempero , uma havaiana com camiseta hering e calça de jeans bem produzidos num ambiente adequado a este traje. Um samba de uma nota só. João Gilberto e um violão. Será que o samba e João Gilberto são populares? Ou pagode e Zeca Pagodinho? Bem, estes não são sofisticados embora dependendo das circunstâncias tornar-se-ão, por exemplo numa casa de praia com sol e boa cerveja. Que tal? Aí já é um luxo se for com exclusividade.

Quando passava férias em Paraty, local com muita chuva de verão, a preocupação era se ia ou não chover. Aprendi a consultar os pescadores que sempre acertavam as previsões. Entendi daí a diferença entre cultura e erudição, pois eles eram cultos, na medida que cultivaram através da observação um conhecimento natural e sofisticado, pois raras pessoas podem usufruir de algo funcional e necessário.

O dificil é responder tudo isso em meia dúzia de palavras. Para isso precisaremos sofisticar, ou seja, apurar, filtrar. Que saco hein? Puxa mas aí já é bem popular

Depois da aula, me lembrei da frase de um sofisticado escritor brasileiro muitas vezes criticado porque apesar de genial empobrecia o texto: “Dizem que os diálogos que eu crio são pobres. Só eu sei o trabalho que dá empobrecê-los”- Nelson Rodrigues.

Este conversa entre mim e Carlos Magno Gibrail o inspirou a escrever o artigo publicado na quarta-feira (26/11) no blog. Para ter acesso ao texto, clique aqui e vá até “O Brasil não é para iniciantes”.

O Brasil não é para principiantes

Por Carlos Magno Gibrail

“As únicas coisas que negros sabem fazer bem são música e esporte”. É o que acreditam 20% dos brasileiros, segundo os recentes dados do Datafolha.

Ficou faltando quantificar o percentual daqueles que nem nisso acreditam. Sugiro que comecem nova pesquisa no “sofisticado” Clube Paulistano na cidade de São Paulo.

E, além do “quatrocentão” Paulistano passem pelo “contemporâneo” Paineiras do Morumby e analisem a necessidade deste aviso: “É proibida a permanência sem camisa e de maiô, no Restaurante Social” .

O velho Chacrinha, mestre da comunicação dizia que só gostava de ir à casa de pobre ou de gente muito rica, pois são autênticos.

Nas vésperas do terceiro Jornarilismo que debaterá “Popular x Sofisticado” eis que sócios do Paulistano contra o show de Zeca Pagodinho se manifestam: “Esse cachaceiro que vá se apresentar no Corinthians”.

Evidente falta de conhecimento e de educação carregada de preconceito, destes associados de clubes de São Paulo, que é a maior cidade japonesa fora do Japão, maior cidade portuguesa fora de Portugal, maior cidade espanhola fora da Espanha, terceira maior cidade libanesa fora do Líbano e terceira maior cidade italiana do mundo.

Tamanho “blend” deveria resultar em exuberante receita de amistosidade. Entretanto os fatos mostram que ainda falta fortalecer conceitos saudáveis para evitar preconceitos maldosos.

O sofisticado é algo refinado, apurado e pode ser encontrado em tudo aquilo que se trabalhou para melhoria. Quer serviço ou produto.

Música, vinho, prosa, verso. Através de cultura ou erudição, ou seja, apreendido por observação natural ou por metodologia.

Sofisticação, portanto, é sintonia fina, rara, como uma refrescante água cristalina direto da nascente, um perfume exaustivamente elaborado, uma partitura magistralmente executada de música erudita, uma cachaça de Paraty destilada artesanalmente pelo Príncipe de Orleans e Bragança ou pela Maria Izabel, sucessora da Branca do Peroca.

Luis Nassif dá um gole final: “Apesar das Brahmas e Schincariois, sou fã do Zeca Pagodinho, que considero da mais fina estirpe do samba de roda”.

O popular pode ser sofisticado e o sofisticado pode ser popular.

Graças à democracia e aos bons costumes.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira está aqui com artigos sofisticados que já se transformaram nos mais populares do blog.

Aos mestres, sem carinho …

Por Carlos Magno Gibrail

E aos jornais, TVs, revistas, rádios, internet, políticos, governos e todos que poderiam ter ajudado o ensino e não o fizeram.

Na carona de notícia policial a mídia dá atenção.

Felizmente há indícios que o destaque não será tão passageiro. Carlos Silva, autor do título acima, ombudsman, cobra da Folha maior cobertura e mais densidade.

A CBN entrevista pessoas envolvidas e que poderiam melhorar a situação do ensino. Constatamos que precisamos de mais ação e competência.

Pobreza e paternidade não vale mais como desculpa. Steven e Stephen autores do Freakonomics, trazem à tona o trabalho de Judith Harris. Ela diz que a crença que os pais contribuem imensamente na educação dos filhos é um “mito cultural”. “A influência de cima para baixo dos pais é suplantada pelos efeitos imediatos da pressão dos iguais, a força esmagadora exercida diariamente pelos amigos colegas de escola”.

Uma bomba em 1997, seu livro de tão polêmico teve dois títulos, um dos quais foi “Os pais são menos importantes do que se pensa, e os amiguinhos, mais”.

E o espanto continuou, porque pesos pesados, como Steven Pinker, psicólogo cognitivista e escritor best seller chamou as idéias de Judith de “perturbadoras” no bom sentido.

Países em desenvolvimento também não servem como justificativa de educação pública problemática, pois os EUA têm tido muitas dificuldades, a ponto de recentemente a cidade de Washington estar oferecendo bônus de 400 reais mensais para pontualidade e aplicação nas escolas públicas.

Obama coloca as filhas em dispendiosa escola privada, abrindo mão de atitude politicamente oportunista, preservando, certamente, uma melhor educação às meninas.

Dimenstein sonha: “A magia está em converter a rua, com seus encantos, numa aventura do conhecimento e, assim, fazê-la entrar na escola”.

Nem tanto, pois Montoro, governador, em 1983 encomendou pesquisa sobre a Educação e, de acordo com o pesquisador da época, Julio Tannus, da JT Pesquisa de Mercado, uma das soluções sugeridas, era abrir as escolas à comunidade para que esporte, cultura e lazer estivessem à disposição permanente da população local.

Carlos Magno Gibrail
é doutor em marketing de moda, escreve toda quarta-feira aqui no blog e sabe que é preciso derrubar as paredes da sala de aula para aprender mais.

Os centauros da Era da Internet



Por Carlos Magno Gibrail

“O futuro pertence às pessoas que vêem possibilidades antes que se tornem óbvias” – BBC

E pela taxa de crescimento, é preciso correr, pois de 2.000 até hoje, de 360 mil internautas passamos para 1,4 bilhão, o que corresponde a 305% de aumento.

Dos 6,4 bilhões da população mundial, 22% são usuários da Internet. Entre a África com 5% de internautas e os EUA com 73%, identificamos um enorme potencial de crescimento.

Dos 192 milhões de brasileiros, 20% utilizam a Internet, o que significa quase 40 milhões. Desse, 11 milhões freqüentam o comércio eletrônico.

Diante do vigoroso avanço virtual, como fica o mundo real?

Concretamente, o influente e premiado jornal americano Christian Science Monitor informa o encerramento da edição impressa e a permanência na Internet.

“Campanha é um termo militar que, na Idade Média, designava o local onde os exércitos combatiam. A atual eleição presidencial norte-americana marca o aparecimento de um novo campo de batalha: o das comunidades digitais. A Web 2.0 é a grande vencedora da eleição” – Marcelo Coutinho, IBOPE.

“O profissional de relações públicas de uma poderosa corporação vai ao seu blog, pede licença para conversar com seus “navegadores” e oferece parceria para interagir com esta comunidade. O gesto inimaginável há alguns anos é bastante comum neste momento. E não se espante se foi posto a correr daquele espaço” – Maristela Mafei, CDN.

Na propaganda, M.McLaren da McCann afirma que o agente fundamental de mudança tem sido a penetração da internet e integração dela à vida das pessoas. E, que o modelo de persuasão não funciona, pois não temos mais a voz da marca, mas a voz das pessoas.

Depois de anos de promessas, os comerciantes de livros e fabricantes de eletrônicos estão mergulhando no mundo dos livros digitais. Os novos “leitores” são mais leves que um best seller de ficção em capa dura, oferecem leitura fácil e permitem que os usuários carreguem 200 títulos em um aparelho que pesa menos de meio quilo – Painel Editorial, Reuters.

Diante de tantas transformações, cabe aqui indagar, são apenas absorção de novas opções ou descarte de velhas utilizações?

Jornais, revistas, livros, bancas, livrarias, lojas deixarão de existir ou coexistirão parceiras das novidades?

Eu aposto na multiplicidade dos canais e na sua interação, como também no consumidor pluralista.

“O consumidor híbrido não é um ciberconsumidor nem um consumidor tradicional, mas uma nova mistura. É o consumidor centauro, meio virtual meio real.

Ainda haverá pessoas que a nove mil metros de altitude vão chamar a comissária para servir um drinque” – Yoram Wind, Convergence Marketing.

E você?

Que já é um internauta, acredita nas mudanças ou nas rupturas?

É um ciberconsumidor, continua tradicional ou é um centauro?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, toda quarta-feira escreve aqui no blog e pode ser definido como um consumidor flex

A vaca e a mandioca



Por Carlos Magno Gibrail

Da vaca só não se aproveita o berro. Da mandioca, produto brasileiro nato, base da alimentação de carentes, levada à África para matar a fome continental, tudo se aproveita e se suspeita que possa ajudar na crise financeira atual.

Desde Cabral, foi alimento básico para países em desenvolvimento com ricas aplicações em diversos tipos de receitas nas culinárias nativas e, mais recentemente, fonte de energia sustentável com projetos desenvolvidos em combustíveis.

Parte do capital despendido para administrar a atual economia mundial está sendo dirigida para fontes de energia alternativa. A mandioca é uma das opções.

Nigéria e Tailândia, mandioca como base da alimentação e da economia, primeiros lugares em amido e fécula, respectivamente, apresentam melhor produtividade que o Brasil, segundo maior produtor mundial.

É daqui, entretanto, que surge grande avanço, via CbPak , empresa brasileira, fazendo com a mandioca produto substituto do isopor.

Da produção mundial de petróleo, 4% são destinados ao isopor, item incômodo na questão da sustentabilidade. Não é degradável, armazenável nem palatável para os catadores de resíduos, pois não permite compressão e ocupa muito espaço.

“O aumento da capacidade de produção em cinco vezes e uma transação inédita, com compra de participação acionária pelo BNDES, mostram que o substituto biodegradável do isopor feito a partir de fécula de mandioca deixou de ser um investimento de risco” – Cbpak, Cláudio Rocha Bastos.

Ricardo Young do Ethos mostra que a mandioca é mais rentável que o suco de laranja, vendido a 82 dólares a tonelada enquanto ela é comercializada a 220 dólares a tonelada.

No Congresso, Aldo Rebelo aprovou proposta para incluir mandioca no pão, vetada por Lula e denunciada por Nilson Mourão como resultado de lobby dos Moinhos de trigo. Restou, no entanto, o Promandioca de Edigar Mão Branca, que inclui medidas para melhorar a produtividade, estimular o consumo de mandioca e criar condições para ampliar a sua utilização como fonte de alimento. E Fernando Coelho Filho obteve aprovação do projeto de incentivo ao álcool de mandioca.

Como fornecedor de proteínas a 1 bilhão de carentes, com apoio de Gates, como produto de exportação importante de nações da África, como complemento do trigo para o pão, como fonte de energia alternativa ou como matéria prima para um novo isopor, a mandioca, podemos dizer, é insuperável. Dela aproveita-se até a metáfora.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve toda quarta aqui no blog e adora uma tapioca no café da manhã.