Conte Sua História de SP: futebol na Sé antes da televisão

 

Por Nivaldo Cândido de Oliveira Júnior
Ouvinte-internauta do Jornal da CBN

 

 
Ouça o texto que foi ao ar na CBN, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

1958. Junho. Copa do Mundo na Suécia.

 

Na época, com dez anos, iria fazer o “vestibular” para o Ginásio tendo aulas de reforço de Português e Matemática (acho que eram as matérias solicitadas). Aluno do Caetano de Campos, escola estadual, então na Praça da República (sem a fama que depois lhe foi imposta), saia duas vezes por semana em direção à Praça da Sé, onde teria as aulas.

 

Como tínhamos tempo, no gramado do prédio dos Matarazzo, onde hoje é a sede da Prefeitura, marcávamos o gol com nossas mochilas (de couro e sempre muito pesadas), a bola de meia e, sem medo de nenhuma violência externa, a não ser as discussões próprias do jogo, fazíamos nossas peladas. Eu joguei bola nos jardins da prefeitura.

 

 
Ah, sim, por oportuno, convém lembrar que na praça da Sé, havia um grande telão (atenção, não tínhamos transmissão de TV, evidentemente), com o campo desenhado e, conforme o locutor transmitia o jogo, com imã a bolinha era deslocada (se não me engano pelo Atílio Ricó) e nós víamos o jogo da Copa.
É mole?

 

Nivaldo Cândido de Oliveira Júnior é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade, escreva para milton@cbn.com.br e comemore os 459 anos de São Paulo.
 

 

Conte Sua História de SP: nasci no aniversário de São Paulo

 


Por Décio Blucher
Ouvinte-internauta do Jornal da CBN

 

 
Ouça o texto que foi ao ar na CBN, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

Meus pais se casaram no início de 1960 e passaram a lua de mel em um cruzeiro que partiu de Santos com destino a Buenos Aires. Na mesa do jovem casal outro par de “pombinhos” recém-casados foi instalado: Helena Maria e Giusti. Ambos os casais permanecem saudáveis e muito amigos, 53 anos após o primeiro encontro. Mas a nossa história se passa no dia 24 de Janeiro de 1962.

 

Meus pais, Diva e Edgard Blucher, compartilham, novamente, a mesa do Restaurante Le Casserole, com os amigos Helena Maria e Giusti. Meus pais já tinham uma filha, Thais, primeira neta dos dois lados e ganhadora do prêmio de bebê Johnson ao completar um ano. Já era o orgulho da família. Diz a lenda familiar que as duas avós Clara e Fanny esgotaram a tiragem da revista O Cruzeiro.

 

Retornando a fatídica noite de 24 de janeiro de 1962. Meus pais jantaram com seus amigos. Minha mãe novamente grávida de nove meses. Ao fim do encontro, os casais se despediram em frente a banca de Flores no então glamouroso centro da cidade. Após alguns momentos a procura de um taxi que os levaria ao bairro do Bom Retiro, meus pais decidiram iniciar a jornada a pé. As estatísticas mudam conforme a versão, mas após percorrerem aproximadamente metade da distância encontraram um taxi que os levou a residência.

 

Na primeira hora do dia 25, minha mãe comunicou ao meu pai que a bolsa havia rompido. Bem, nós três nos dirigimos à Maternidade Pro Matre. Às seis horas da manha, eu nasci. No dia da fundação da cidade, aniversário de minha mãe, a meia quadra da mais Paulista das avenidas.

 

Para manter a tradição, todo dia 24 de Janeiro, retorno com minha esposa Patrícia, meus pais, irmão, irmã, cunhada, cunhado e alguns de nossos seis filhos ao Le Casserole para comemorar esta data marcante.

 

Há alguns anos, meu pai sugeriu que talvez fosse o momento de repensar o restaurante devido à deterioração do velho centro, mas esta data mágica é uma combinação do encontro da família com o local. Nenhum dos dois teria significado sem o outro. A caminho dos 51 anos de nosso primeiro jantar, eu, mamãe e papai receberemos os demais membros da família no próximo dia 24, sempre no Le Casserole.

 

Décio Blucher é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Conte mais um capítulo da nossa cidade, escreva para milton@cbn.com.br e comemore os 459 anos de São Paulo.
 

Conte Sua História de SP: meus passeios antes do Minhocão

 

Por Ivson Miranda
Ouvinte-intenrauta do Jornal da CBN

 

Ouça o texto que foi ao ar na CBN, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

Vista do Minhocão

 

Quem passa pela região de Santa Cecília e arredores e vê o estado de degradação, não tem ideia que lá já foi um local sofisticado, antes de o Governador Paulo Maluf cometer um atentado urbanístico, o pior que a cidade sofreu, no século 20: o Elevado Costa e Silva, vulgo Minhocão.

 

Durante um período da minha infância, morei na Barra Funda e meu pai trabalhava na Rua Rosa e Silva, travessa da Av. General Olímpio da Silveira. Ele nos levava nos fins de semana para passear naquela região.

 

Começávamos o passeio na loja Clipper, o primeiro magazine a ter escadas rolantes no Brasil, do lado da Igreja de Santa Cecília. Íamos cortar o cabelo, sentados em pequenos jeeps vermelhos. Corte curto dos lados e topete saliente, que ficava duro com um produto que era passado com ajuda do pente. Depois, o lanche, com direito a um delicioso misto quente e sorvete. Satisfeitos, saíamos caminhando pelas ruas arborizadas onde senhoras elegantes traziam no colo cachorros pequines, a raça da moda na época.

 

Na Praça Júlio de Mesquita, eu gostava de ficar procurando detalhes na Fonte Monumental, que funcionava, e ainda tinha as lagostas de bronze. Em dias de sol, os jatos d’água transformavam-se em múltiplos arco-íris. Perto dali, havia o Cine Metro, diversão era garantida nas manhãs de domingo com desenhos animados de Tom e Jerry. Confesso que mais de uma vez fiquei torcendo para que o gato finalmente pegasse o rato. De lá, visitávamos a feira de numismática e filatelia da Praça da República.

 

Passeávamos também pelos Campos Elíseos. Eu ficava admirado com os casarões, construções cheias de detalhes, de um tempo em que um mestre de obras tinha que ser um artista. Numa dessas casas havia várias camélias plantadas rente ao muro, exalando aroma muito diferente do cheiro permanente de dejetos humanos que agora persiste. E não havia uma multidão de zumbis sem controle vagando pelas ruas.

 

Fico imaginando se a minha cidade não tivesse sido profanada por aquela serpente de concreto e asfalto, se desde aquela época a opção fosse o transporte coletivo. Seria uma metrópole melhor e mais humana.

 

Ivson Miranda é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br e comemore os 459 anos de São Paulo.

Conte Sua História de SP: o caminhãzinho do meu pai

 


Por Elza Conte
Ouvinte-internauta

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Uma história de São Paulo dos anos 1950. Éramos quatro irmãos. Domingo à tarde era dia de passear no caminhãozinho de meu pai. Todos apertadinhos, cabíamos na sua cabine, mais minha mãe, que sempre levava um de nós no colo. Conforme fomos crescendo, e a cabine já não agüentava seis pessoas, o irmão mais velho e, às vezes, o mais novo, iam em cima do caminhão com orgulho da coragem de enfrentar uma viagem com todos seus perigos.

 

Quando chegávamos ao destino era sempre uma grande festa. Todos se divertiam muito com os passageiros que o veículo conseguia transportar. Cinto de segurança? O que é isto? Nem sabíamos da sua existência. Quando íamos à casa da Tia Angelina, irmã de meu pai, na volta o nosso primo Orlando, irmão postiço e sempre presente em nossa casa e vida, voltava junto no caminhãozinho, aumentando para sete o número de passageiros. Amado e inesquecível caminhãozinho.

 

Há muitas histórias sobre ele para contar-lhes.

 

Neste aniversário de São Paulo, hoje muito diferente das tardes de domingo passeando com nossos pais, sintam a diferença da segurança em que vivíamos e vivemos.

 

O nosso grande medo, nestes passados mais de 50 anos, era o Homem do Saco, um pobre infeliz que carregava um saco de estopa, estilo Papai Noel, cujo mal odor sentia-se de longe. Eu, sempre questionadora, argumentava porque Papai Noel não era mal cheiroso como o Homem do Saco. Seria porque no saco do Papai Noel havia presentes, e vindos do céu? Destaque-se que eu acreditei no bom velhinho até os nove anos de idade.

 

Lindas lembranças perceptivas que as conservo como recursos mentais para utilizar sempre que memórias menos agradáveis invadem minhas lembranças. Hoje, minha vivência de Coaching e Programação Neurolinguística tem explicações sistêmicas sobre essas fantásticas percepções, fundamentais e importantes para nossa saúde mental.

 

Quando a noite caía, na Rua Conselheiro Lafayette daqueles anos, um senhor de alcunha Mimi, que tivera morado nas proximidades, e sem teto, como hoje o chamaríamos, vinha dormir no caminhãozinho, devidamente autorizado por meu pai. Em um dos compartimentos do caminhão ficava guardado um velho cobertor, que era usado pelo Mimi e que, respeitosamente, no silêncio da noite, pegava o protetor de seu corpo maltratado pela bebida e pelo desgosto da solidão e se acomodava nas poltronas da cabine do veículo. As portas do caminhão não tinham fechadura. Podiam ser abertas a qualquer momento e por qualquer pessoa. Todavia, apenas o Mimi o fazia.

 

Às quatro horas da manhã, quando as luzes da casa já estavam acesas (meu pai era feirante e saia muito cedo para o trabalho), Mimi já se preparava e esperava sentado meu pai chegar, para tomar um cafezinho que ele lhe oferecia, religiosamente, todas as madrugadas. Às vezes, e por não ter destino a seguir, enquanto Mimi tomava seu café, meu pai o tinha como companhia para trocar algumas palavras dentro da madrugada de São Paulo, onde se conseguia ter um automóvel parado à frente de casa com as portas sem fechadura.

 

Para ocupar o tempo, Mimi voltava andando do local onde meu pai o havia deixado. Sentava-se à beira da recém-inaugurada Radial Leste, esperando que lhe fossem oferecidas algumas moedas. Sempre lembro dessa criatura que, espero, tenha tirado alguma aprendizagem dessa vivência e siga em paz onde estiver (minhas vibrações e pensamentos mais positivos a você Mimi).

 

Na volta do trabalho, meu pai trazia a xícara do Mimi, que era lavada para ser ocupada no dia seguinte. Esta história se repetiu até o dia que Mimi morreu tragicamente. Ainda me lembro da xícara em um cantinho de nossa pia, como que fazendo uma homenagem ao fiel guardador noturno do caminhãozinho de meu pai.
Histórias de uma São Paulo cheia de calor humano e com a segurança que nunca mais iremos encontrar.

 

Elza Conte é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br e vamos comemorar os 459 anos de São Paulo.

Conte Sua História de SP: pecado na procissão de São Miguel

 

Por Suely Pires Eustachio Vale
Ouvinte-internauta

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio, no Jornal da CBN

 

Nasci na Zona Leste de São Paulo, mais especificamente em São Miguel Paulista, na época, 1949, Baquirivú, ali, vizinho de Guaianazes. Vivi 60 anos nesse bairro, que mais parecia uma cidade de interior, onde se reconhecia as pessoas pelo sobrenome: “ele é dos Piassi”, ou “ela é dos Lapenna”, ou “ele é dos Velucci”, e assim por diante. Tempo que se comprava com caderneta no açougue e do “Seu Osvaldo”, e no empório do “Seu Firmino” e se comprava em prestações o material de construção no Depósito Jaraguá, onde eu ia de mãos das com o meu pai, muito orgulhosa, no início do mês para pagar as prestações da casa que fora construída recentemente.

 

Estudei no Colégio D.Pedro I, da rede estadual de ensino, em frente ao Mercado Municipal do bairro, onde começa a Rua Serra Dourada, que hoje se parece mais com a Rua Direita do centro de São Paulo, tão grande é o movimento de pessoas.

 

Continuo residindo na Zona Leste, no bairro do Tatuapé, mas pelo menos uma vez por mês vou a São Miguel Paulista para fazer compras em um supermercado do bairro com minha tia Nim. Tenho saudades dos amigos e parentes que ainda estão lá, dos anos vividos na Rua Professor Joaquim de Camargo e das procissões do Santo Padroeiro, São Miguel, quando o Padre Aleixo Monteiro Mafra (hoje nome da praça principal, onde se encontram a capelinha e a Igreja Matriz), são-paulino roxo, saia da procissão, ia até uma casa ou bar para tomar informação do resultado do jogo do seu time do coração. Era o que bastava para carolas dizerem: “que pecado”!

 

Suely Pires Eustachio Vale é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Escreva para milton@cbn.com.br e vamos comemorar os 459 anos de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: o Sargento salvou meu casamento

 

Por Bernadete Areias Borges
Ouvinte-internauta

 

Mosteiro de São Bento

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio, no Jornal da CBN

 

Rodrigo e eu marcamos nosso casamento no Mosteiro de São Bento, centro da cidade, para o dia 17 de janeiro de 2004. A escolha do local foi feita depois de termos rodado São Paulo inteira a procura de alguma igreja diferente de todas que já tínhamos ido. Visitamos a Capela da PUC, mas era pequena para os 300 convidados. A Catedral da Sé, mas era grande demais… Enfim, decidimos com um ano e meio de antecedência que o Mosteiro de São Bento seria a igreja ideal. Durante este período, nos aproximamos dos monges e aprendemos a apreciar ainda mais as belezas do Mosteiro. As exigências foram cada vez mais fazendo sentido. Eram proibidas velas para não estragar as madeiras, flores grandes para não diminuir a beleza … Tivemos muita dificuldade de contratar um coral que não tivesse voz feminina, pois mulheres não poderiam passar pela clausura, acesso até o lugar das vozes.

 

Tudo estava perfeito, atendendo nossos sonhos e respeitando a importância do Mosteiro de São Bento, até que recebi uma ligação do meu avô Roberto. Paulistano de 80 anos, aposentado do Jockey Club de São Paulo, conhecia o Centro de São Paulo como ninguém e foi ele quem me alertou: – “Você está sabendo que haverá uma caminhada pelo Centro Histórico de São Paulo para comemorar os 450 anos da cidade no dia do seu casamento?”.  Pronto, já não sentia mais minhas pernas e meus sonhos tinham desabado!

 

 
Procurei mais informações e descobri que todo o Centro seria fechado para carros e a caminhada passaria pelo Mosteiro de São Bento por volta das cinco horas da tarde. Meu casamento estava marcado para as seis, impreterivelmente, após as 18 badaladas dos sinos da Igreja. Falei com todas as secretarias envolvidas, prefeitura, DSV, até que descobri uma Base da Polícia Militar em frente ao Mosteiro. Liguei, expliquei para um Sargento minha situação e ele, provando de que ainda existe gente boa neste mundo, de a solução. Uma vez que os acessos estariam fechados, pediu que eu comunicasse a todos meus convidados que viessem pela Rua Florêncio de Abreu e subissem a ladeira lateral ao Mosteiro (que é contramão e tem trânsito proibido), pois haveria um acesso permitido apenas aos convidados do casamento.

 

 
Claro que não acreditei que isso funcionaria, mas como não havia nenhuma outra opção, fizemos as comunicações devidas  e começamos a rezar para São Bento. A semana foi longa, mas a espera foi compensada: ao seguir as instruções, passei pela caminhada como alguém famosa, com toda a pompa dentro de um Rolls Royce (que pertenceu a Getúlio Vargas), sendo fotografada por todas pessoas que estavam admirando e prestigiando a mais linda das cidades brasileiras, São Paulo. Ao chegar no Largo São Bento, quem veio me receber? Ele, o Sargento. Mesmo estando de folga fez questão de organizar a chegada dos convidados e me dar todo suporte para o grande dia. Batedores da Polícia Militar escoltaram meu carro, que ficou parado em um isolamento da PM até a entrada na Igreja. Infelizmente – seja pelo nervosismo seja pela emoção – não me lembro do nome do Sargento que tanto me ajudou, mas é a ele que dedico minha homenagem à São Paulo.

 

Bernadete Areias Borges é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Escreva para milton@cbn.com.br e comemore conosco os 459 anos de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: meu mico paulistano

 

Por Carlos Santiago
Ouvinte-internauta

 

1958

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio no Jornal da CBN

 

Certa vez, meados de 1995, embarquei num ônibus que saía da Vila Mariana e percorria toda avenida Paulista e Doutor Arnaldo, seguindo pela Sumaré, que era meu destino. A viagem era para ser tranquila, sem transtorno. No entanto, quando o ônibus chegou ao Paraíso, o trânsito parou. O trânsito em São Paulo sempre para quando a gente precisa andar. E ficou alguns minutos sem sequer se mover. Eu que já estava com pressa para chegar ao compromisso marcado – a gente está sempre com pressa em São Paulo – não suportei aquela ansiedade. Logo percebi que estávamos em frente à estação Paraíso e tive uma ideia brilhante. Pago a passagem, peço para descer aqui mesmo, corro para o Metrô, embarco no trem e vou até a Estação Clínicas, desembarco, volto à Paulista, e pego o ônibus que vai para o Sumaré que esta mais à frente. Driblo o congestionamento e chega a tempo na reunião. Jogada de gênio. Rapidamente pus o plano em ação, desci do ônibus, entrei na estação do Metrô, peguei o trem, desci do trem e em poucos minutos estava na Clínicas. Logo cheguei no ponto a espera do próximo ônibus. Porém, com o passar do tempo percebi que havia sido muito otimista com relação a quantidade de ônibus disponíveis na linha. Imagine qual não foi a surpresa do motorista, do cobrador e de alguns passageiros, que me reconheceram, assim que entrei no mesmo ônibus pela segunda vez, em meia hora. Todos me olhavam com um enorme ponto de interrogação, sem entender minha estratégia. Eu mesmo não pude conter o riso diante do ridículo da situação, pois além de pagar três passagens em vez de uma, cheguei atrasado do mesmo jeito. Fora o mico paulistano.

 


Carlos Santiago é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Envie um texto para milton@cbn.com.br e vamos juntos comemorar os 459 anos de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo: o desfile de carro dos Matarazzo

 


Por Darcy Gersosimo
Ouvinte-internauta

 

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio, no Jornal da CBN

 

Era o ano de 1942. Eu tinha sete anos. Morávamos na Rua Visconde de Parnaíba, 2851, bairro do Brás. A casa lá está. Construída em 1911. A única que não foi reformada no quarteirão. Morei ali com meus saudosos pais durante alguns anos. Bons tempos… Parecia uma pacata cidade do interior.

 

Meus avós paternos eram italianos e os maternos espanhóis. De origem modesta, simples, vivíamos muito felizes. Naquela época, pela manhã, eu via passar um senhor com algumas cabras com um sininho tilintando dependurado no pescoço. Ele tirava leite delas na hora e vendia para quem quisesse comprar. Diziam que era um ótimo fortificante para as crianças.

 

Eu via os caminhões da Companhia Antarctica Paulista deixar barras de gelo nas portas das residências. Eu achava que naquelas casas morava “gente rica”, porque eles tinham uma geladeira. Ingenuidade! Ficava admirado ao ver passar as carroças das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo puxadas por robustos cavalos holandeses, com grandes patas, entregando as massas alimentícias da marca Petybom. O recolhimento de lixo também era feito por carroças puxadas por cavalos. Os “lixeiros” iam despejando as latas cheias deixadas ao lado de nossas portas e depois as devolviam.

 

Certo dia vi passar muitos automóveis de luxo, subiam a Rua Visconde de Parnaíba. Fiquei admirado pois não era comum ver tantos carros em cortejo, a não ser quando acompanhavam um enterro. Muitos anos depois fiquei sabendo que foi o dia do casamento dos pais do Senador Eduardo Suplicy. Os automóveis conduziam os convidados que iam para a grande festa na antiga Chácara Piqueri, no Tatuapé.

 

Eu poderia escrever muito mais sobre esse tempo maravilhoso, pois tenho muitas outras histórias para contar, mas sei que não devo me alongar.

 

Darcy Gersosimo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Você pode nos ajudar a contar mais capítulos da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br e vamos juntos comemorar os 459 anos da nossa cidade.

Conte Sua História de SP: sentindo as emoções do Museu do Futebol

 

Nesta semana, o Conte Sua História de São Paulo tem edição especial, em homenagem aos 459 anos da nossa cidade, com novos capítulos contados pelos ouvintes-internautas e lidos às 7h10, no Jornal da CBN. Os textos serão publicados aqui no Blog e você, se gostar, é convidado a compartilhar este momento nas redes sociais. Vamos ao primeiro texto da série:

 

Regina Fátima Caldeira de Oliveira
Ouvinte-internauta CBN

 

Museu do Futebol

 

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio, no Jornal da CBN

 

Sou uma paulistaníssima que nasceu na Parada Inglesa ainda a tempo de fazer algumas viagens no Trenzinho da Cantareira. Não posso dizer que tenho minha terra natal guardada na retina. Nasci com um glaucoma que me fez perder por completo a visão aos sete anos de idade. Mas posso afirmar que São Paulo está impressa na minha pele, gravada nos meus ouvidos e impregnada nas minhas narinas.

 

Acho que a minha história com São Paulo começou muito antes do meu nascimento porque sinto um prazer indescritível quando leio romances de Maria José Dupré, Dinah Silveira de Queiroz, Zélia Gattai e tantos outros escritores que retratam a vila bandeirante do século 18, a cidade colonial do século 19, percorrida a cavalo, a promessa de megalópole do início do século 20 em cujas avenidas circulavam bondes barulhentos.

 

Muitos são os fatos marcantes no meu relacionamento com Sampa e se eu tivesse tempo e inspiração talvez também pudesse escrever um lindo romance para homenageá-la. São Paulo tem muitos problemas, mas tem a melhor gastronomia do mundo e, principalmente, tem um povo maravilhoso que recebe de braços abertos todos os que aqui chegam. Tem também coisas grandiosas que enchem de orgulho o meu coração. Tem a Cidade Universitária, o Autódromo de Interlagos, o Mercado da Cantareira; tem o Memorial da América Latina, o Hospital das Clínicas, o Parque do Ibirapuera; e tem … ah!, tem tanta coisa boa e bonita que seriam necessárias muitas páginas para contá-las!

 

Mas hoje, para ajudar a celebrar os 459 anos de fundação dessa minha terra querida, vou falar de um momento muito agradável que vivi há cerca de quatro meses no Museu do Futebol. Ao contrário de todos os museus, este já foi concebido prevendo a visita de pessoas com deficiência. Éramos um grupo de aproximadamente 40 pessoas, entre as quais havia cinco cegos. Logo na entrada, as monitoras que vieram nos receber explicaram que a visita seria voltada para os interesses das pessoas cegas.

 

A primeira emoção veio ao tatear a maquete do Estádio do Pacaembu, concretizando formas e locais que desde a infância eu apenas imaginava. Depois, a surpresa de, tocando uma estatueta, saber exatamente em que posição fica o corpo de um jogador para fazer um gol de bicicleta.

 

Em outra sala, tocando botões em um grande painel, pude ouvir gravações de gols em diferentes épocas, feitas por narradores que foram ídolos de meu saudoso pai e meus também. E o que dizer da emoção de ouvir o ruído das diversas torcidas como se estivéssemos, de fato, presentes nos grandes clássicos!?

 

Tudo isso, acompanhado de textos em braille e das explições claras, objetivas e delicadas das monitoras, fez daquela tarde de setembro um momento inesquecível! E o Museu do Futebol está aqui, nessa São Paulo tão querida, para a qual sempre volto cheia de saudade mesmo depois de uma viagem de apenas alguns dias!

 


Regina Fátima Caldeira de Oliveira foi o personagem do Conte Sua História de São Paulo. Envie seu texto para milton@cbn.com.br e vamos comemorar juntos os 459 anos de São Paulo.

Conte a sua história de São Paulo

 

Livro Conte Sua História de SP

 

Minha história com São Paulo começou em 1991 quando cheguei aqui para trabalhar em televisão. Foi aqui que voltei ao rádio, em 1998, para ser âncora na rádio CBN. Por todo este tempo, seja transmitindo notícias seja relatando casos de moradores, sempre contei histórias de São Paulo, mas foi em 2006 que passei a fazer isto de maneira formal com a criação de um quadro no programa CBN SP em homenagem aos 452 anos da capital paulista. O Conte Sua História de São Paulo transformou-se em livro, ganhou depoimentos gravados e a parceria do Museu da Pessoa, e se reforça a cada novo aniversário.

 

Neste mês de janeiro, convidamos você a escrever mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto contando momentos que marcaram sua vida, lembranças da escola, dos amigos, da rua em que viveu. Relate fatos curiosos, divertidos ou emocionantes que viveu na capital paulista. Estas histórias serão levadas ao ar na CBN, dez delas às vésperas do aniversário de 459 anos de São Paulo, de 14 a 25 de janeiro, dentro do Jornal da CBN. As demais farão parte do Conte Sua História de São Paulo, aos sábados, no CBN SP, no decorrer do ano.

 

Sua história pode ser enviada para o e-mail milton@cbn.com.br ou se você quiser compartilhar desde já com os raros e caros leitores deste blog, não se acanhe, escreva e depois divulgue na área destinadas aos comentários deste post.

 

Vamos escrever juntos mais uma história de São Paulo.