APAS e prefeitura lançam campanha contra sacola plástica

 

Pouco disposta a por em prática a lei que proíbe o uso de sacolas plásticas na cidade de São Paulo, derrubada na Justiça pelo sindicato da indústria do plástico, a prefeitura decidiu abraçar a causa da associação dos supermercados. Poderia ter recorrido, usado de sua estrutura jurídica, mas em lugar de lei, decidiu-se por campanha de conscientização.

Na época em que anunciamos a parceria entre APAS e prefeitura, assessores de comunicação do secretário do Verde Eduardo Jorge negaram que houvesse qualquer acordo. Agora, porém, é oficial: no dia 15 de dezembro, às 11 e meia da manhã, na Praça Victor Civita – Museu Aberto da Sustentabilidade, o prefeito Kassab e os supermercadistas da capital participarão de ato público para lançar a campanha Vamos Tirar o Planeta do Sufoco que incentiva o cidadão a usar nas compras sacolas retornáveis.

Apesar de os cerca de 1200 supermercados estarem se adaptando às mudanças – muitos já oferecem alternativas para as sacolas descartáveis -, a campanha começará mesmo no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, e vai se espalhar por cidades do interior do Estado. Em Jundiai, onde projeto piloto foi realizado, reduziu-se em até 95% o uso das sacolas descartáveis, as que ainda embalam as compras são feitas de material biodegradável – que não são a melhor solução, mas têm menor impacto do que as que usamos atualmente.

De quereres

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De quereres” na voz e sonorizado pela autora

Deus queira que apesar da nossa empáfia disfarçada de curiosidade não encontremos mais respostas. Já deu. Olha o que aconteceu quando deixamos de acreditar que a lua é uma das deusas protetoras do amor, apaixonada  e amante do sol, e passamos a acreditar que ela é só um satélite escuro e esburacado. Olha o que aconteceu quando trocamos a crença na magia do fogo pela do isqueiro a gás; a crença no amor de verdade pelo interesse fugaz.

radicais
trocamos velhas crenças
por novas
modernas
descartamos na ceifada
os matizes
passamos de um extremo a outro
parece que só no fanatismo
nos sentimos felizes

Equilíbrio é a solução; ou você nunca brincou de gangorra, de bambolê ou de estátua, onde ele equilibrada e sobriamente é o objetivo do jogo.

Deus queira que não consigamos adivinhar o que há na mala arrastada pelo próximo minuto, e que o presente do Papai Noel não chegue desembrulhado e de véspera, que é prerrogativa de peru.

E na onda de pedidos a Deus, deixo para lá o equilíbrio e peço que Ele queira que o trânsito à minha volta se evapore, e que do seu vapor surjam gramados bem cuidados onde a gente possa passear ao som da sinfonia de pássaros, e não dessa desarmonia mal-educada, orquestrada por carros dirigidos por seres sem consciência e sem a mínima educação. Basta um carro se por na frente do carro de um pirralho mimado que o buzinaço começa. E contagia. É o código para a manifestação dos pirralhos mimados anônimos. A boa notícia é que os espaços entre a histeria de um e a birra do outro são maiores. Queira Deus que esses pragas sejam um modelo em extinção e que levando consigo as certezas engessadas façam curvar nossos narizes. Que possamos aprender a seguir o caminho em vez de exigir seguidores. Que sejam domados os dominadores e os preconceituosos. Que a gente possa voltar a caminhar pela rua sorrindo, papeando, sem tremer a cada moto que se aproxima, sem ver cada outro como inimigo o tempo todo. Que as crianças possam brincar na Natureza de verdade, com amigos de verdade, sem ter que controlar tudo o tempo todo com um controle remoto.

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Vestido de festa

 

Por Dora Estevam

Festa no fim de ano é o que não falta. A principal delas e a mais preciosa é o Natal, seguida pela festa de passagem de ano. Por serem notáveis, é normal a busca por um vestido novo. Mas vestido de festa não é muito simples de escolher: ou são muito volumosos (quem tem quadril grande reclama) ou acabam saindo do nosso orçamento. Como o assunto aqui é moda, a ideia é oferecer a você inspiração com modelos de vestidos que estiveram nos desfiles na última temporada de moda, em Paris.

Interessante ver que o colorido, nesta época do ano, cai muito bem: laranja, verde, pink e azul turquesa, são cores que estão em alta na temporada.

Há mulheres que não gostam de tantas cores, por isso separei alguns modelos pretos usados por celebridades como Gisele Bundchen e a It girl Olívia Palermo.

Aproveite que está por aqui e veja os vestidos deste vídeo da grife Elie Saab e se delicie:

Discreta ou sexy faça a festa à sua moda. Usar um vestido nestas celebrações denota elegância e feminilidade à mulher.

Dora Estevam é jornalista e escreva sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Pelo direito de usar o RG

 

Você tropeça na calçada malfeita, quebra a roda no buraco da rua e tem prejuízo por serviço mal-prestado, paga a conta e vai para casa indignado com o prefeito da sua cidade ou o Governador do Estado – seja lá quem for o irresponsável. Dificilmente pensa na possibilidade de entrar com ação na Justiça em busca do que é seu direito, afinal ninguém tem tempo para nada e as coisas são muito complicadas mesmo. Deixa prá lá.

Uma senhora de 65 anos, moradora do Rio de Janeiro, resolveu reagir e mostrou que vale a pena reivindicar por aquilo que a lei lhe garante, conforme registra o Blog Ponto de Ônibus, do meu amigo Adamo Bazani. Ela havia sido impedida de embarcar, de graça, pelo motorista da empresa Auto Ônibus Brasília, porque não estava de posse do cartão RioCard, documento criado pela prefeitura do Rio para cadastrar pessoas com 65 anos ou mais e autorizá-las a andar de ônibus sem pagar passagem. Incomodada com a atitude do motorista, ela acionou a justiça e a empresa foi condenada a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 5 mil. A desembargadora Inês da Trindade Chaves de Melo entendeu que a lei que garante transporte gratuito para idoso é federal, assim bastaria a apresentação de um documento oficial e legítimo (RG ou carteira de motorista, por exemplo) que comprovasse a idade do passageiro.

A empresa vai recorrer da decisão, com certeza, mas o comportamento desta senhora permite que o assunto ganhe destaque e os idosos, os motoristas, as empresas e as prefeituras estejam mais bem informados sobre o assunto. Além disso, nos leva a pensar um pouco sobre estes sistemas criados pelas prefeituras que, até entendo, tentam organizar o serviço mas em nome de facilitar a vida do cidadão criam mais uma burocracia e aumentam os custos. Se o RG é suficiente para provar a idade de uma pessoa, por que obrigá-la a se cadastrar, preencher formulários, colar fotografia, assinar embaixo e, se bobear, ainda ter firma reconhecida em cartório? As vezes, penso que a intenção seja que o eleitor leve no bolso o cartão com o logotipo da administração para não esquecer na eleição seguinte. Vai ver que é apenas implicância minha.

De crime e castigo

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça De crime e castigo na voz e sonorizado pela autora

Por que coisas ruins acontecem a pessoas boas é o título de um livro que li há muito tempo. Do conteúdo só me lembro o título, um mistério que me fascina, levada em caríssima conta a relatividade dos adjetivos ruins e boas. Me distancio, aperto bem os olhos, olho para o mistério dos acontecimentos, tento enquadrar uma tela onde o desenho do que percebo faça algum sentido, mas o desenho muda, muda sem trégua, e não vejo sombra de definição antes que uma cena tome o lugar de outra, e outra e outra.

Quem sabe? Se é que existe resposta que não mude de feitio no mesmo ritmo em que se cria a próxima pergunta. Ontem aquela ruga não estava ali, a dor do abandono também não. O novo amor, que parecia que nunca ia chegar, chegou e já foi embora também, como todos os amores de todos os tempos, de todos os mundos. Como tudo. Tanto chega e tanto vai, o movimento é contínuo; dele é feita a vida, mas a gente não passa incólume. Se permite marcar, se permite impressionar. E o registro se modifica também, como foto velha que desbota. A dor do parto cresce para ser lembrança de alegria; uma ou outra alegria, que estava na caixinha de pronto socorro contra a tristeza, foi se perdendo pelo caminho, e quando mais a gente precisa dela, cadê?

O Deus que mora em mim, e em quem eu moro, não tem fraqueza humana; é equilíbrio puro, na essência da pureza jorrada da fonte. Lá onde ela não nasce porque sempre jorrou. Ele não mantém um diário, ou blog, onde anota cada falha tua, cada escorregão meu para depois enviar-nos a sua ira em forma de dor. Sei que ruim e bom são faces da mesma moeda que nos serve de chão; agora, o difícil é deixarmos de ser a criança mimada que sofre a cada coisa que não acontece a seu contento. Somos pirralhos batendo os pés. Por isso sofremos. Não somos santos nem bandidos.

Não sei você, mas eu tenho a tendência de melhorar o ruim e enfeitar o bom. Para esse eu tenho sempre tempo e disposição para mais um retoque. O ruim da história é que à medida que camuflo as crateras, ando em círculo e caio no mesmo buraco. Aí, dói.

Sou inteligente, dura na queda, mas aprendo a viver devagar demais. Fico tentando puxar a vida para a minha estrada, quando o indolor seria andar livremente explorando quantas alamedas pudesse. Cabeça mais rápida que o coração. Imagino uma ponte entre os dois e tento mandar o conhecimento ponte adentro, estrada a fora, para chegar ao coração, onde tudo se concretiza, porque é só quando ele entende, quando ele aprende, que teoria cresce e vira compreensão.

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Nós amamos sapatos

 

Por Dora Estevam

Que as mulheres amam sapatos mais que tudo nesta vida não é nenhuma novidade, mas convenhamos, hoje em dia, tem cada modelo de sapato que não dá para se apaixonar. Não é porque é de marca que temos de comprá-los ou aceitá-los.

Vou dar um exemplo: tem um modelão do estilista Christian Louboutin que é tão grosseiro que não dá para entender como saiu do forno.

Mas eu posso interpretar à minha maneira: Sr. Louboutin, assim como nós, também tem seus dias de pouca inspiração, aquele em que se erra a mão. Todas nós erramos. Sir Louboutin, na maioria das vezes, faz as mulheres se apaixonarem pelas suas criações, uma mais linda e mais cara que a outra. As vitrines são um verdadeiro paraíso para as endinheiradas. São os sapatos mais desejados do mundo, creio.

 

 

Voltando aos modelos, tenho visto nas fotos de moda de rua de Paris, Londres e Milão algumas sandálias com saltos tão diferentes. Elas usam no dia-a-dia sem a menor culpa, ou dor nas costas, aparentemente. Eu sei que tem mulher que não gosta de sair de casa sem salto, mas têm muitas outras que não usam mais salto, só sapatilhas ou chinelos, por vários motivos: dor nas costas, depois de ter filhos e conforto, entre outros.

Agora, o bacana de tudo isso é acompanhar os desfiles e ver o que os estilistas estão propondo e se for do seu agrado aproveitá-los. No desfile de verão Yves Saint Laurent, para 2012, foram lançados sapatos com umas placas de metais em cima do peito do pé, são chiquérrimos. São bonitos e têm uma cara de confortável.

Por aqui as vitrines estão todas recheadas de sandálias de verão: muito coloridas como laranja, amarelo e turquesa. Os bichos continuam nesta temporada, prints em cobra ou leopardo, são maravilhosas. Os scarpins em camurça também estão com a corda toda, e eu, particularmente, adoro, cai bem com calça, shorts ou saias. Como os estilistas brasileiros são criativos não faltam modelos e estilos de saltos. Das sapatilhas às sandálias, as brasileiras vão passar o verão muito bem assessoradas no quesito moda.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda, ao sábados, no Blog do Mílton Jung

Comboio dos pobres

 

Comboio de Kombi

O comboio de kombi transportando carrinhos e ambulantes, fotografado pelo ouvinte-internauta Francisco dos Santos, revela bem mais do que uma curiosa imagem do cotidiano da cidade de São Paulo. Após publicá-la no nosso álbum digital do Flickr, o colaborador do Blog Devanir Amâncio acrescentou informações que alertam para um tipo de exploração bastante comum na periferia da capital. Fiquei sabendo que comboios como esses são muito conhecidos nas áreas mais pobres da Grande São Paulo, alguns considerados suspeitos e odiados por parte desta população:

“Eles vendem queijo, ‘danone  caseiro ‘, carne seca ,mel , roupas de cama,mesa e banho e muitas bugigangas. Pães não se vê mais. Vendem para receber no final do mês ou em três vezes. No Jardim Jangadeiro,  Jardim Ângela, Capão Redondo, os pobrezinhos – a um passo da “classe C” – estão endividados com as “lojas ambulantes”. São como agiotas ou piores. Ai de quem não pagar. A cobrança  fica por conta de um “Xerife”. Os índios, em Parelheiros, zona Sul e no Jaraguá, zona Oeste, estão devendo até a alma para os  ‘ambulantes deliverys’, que poderiam ser chamados de empresários da miséria e necessidade alheia.

……

Não podemos generalizar. A maioria dos jovens (vendedores) que empurram os carrinhos, subindo e descendo morros – quase sempre – é menor de idade, se alimenta e se veste mal; tem a aparência debilitada pelo desânimo, é semi-analfabeta. Eles saíram  do sertão do Nordeste e outras regiões do Brasil  em busca de uma vida melhor.

Devanir conversou, também, com Dona Antônia do Grajaú, gari e moradora da zona Sul da capital. Ela disse que essa gente não tem nada dos mascates de antigamente, de Minas e Paraná. Na descrição dela, aqueles eram honestos, donos do próprio negócio: “Quando chegavam, na época da colheita, era uma festa. Dormiam na casa do freguês, parecia da família”.

Pelo que se percebe a situação é completamente diferente e beira ao desrespeito aos direitos humanos, com necessidade de intervenção do Ministério do Trabalho, Vigilância Sanitária, Polícia Militar e órgão de assistência social.

Inspeção veicular: limpar o ar e os contratos

 

Fumaceira em carro escolar

O artifício usado pela prefeitura de São Paulo para implantar a inspeção veicular na cidade é questionado pelo Ministério Público e está no centro de polêmica que levou ao bloqueio de bens do prefeito Gilberto Kassab e do Secretário Municipal do Meio Ambiente Eduardo Jorge e mais uma dezena de executivos da CCR, grupo que comanda a Controlar, responsável pela prestação do serviço na capital paulista. Isto, porém, não deve ser motivo para a cidade desperdiçar uma experiência interessante que será estendida para os municípios brasileiros com mais de 3 milhões de moradores. É fundamental que se analise os resultados práticos da medida que obriga toda a frota licenciada em São Paulo a passar por vistoria uma vez ao ano.

A inspeção veicular tirou do ar da cidade de São Paulo um volume de poluição equivalente ao produzido por uma frota de quase 1,4 milhão de carros, calculou o engenheiro Gabriel Murgel Branco, da empresa Enviromentality, em estudo apresentado no meio do ano. Para chegar a este número, levou-se em consideração a redução da emissão de monóxido de carbono na camada atmosférica. Em outro trabalho, o doutor Paulo Saldiva, do Laboratório de Poluição Atmosférica da FMUSP, identificou que a vistoria rendeu ao PIB paulistano R$ 55,56 milhões, cruzando os dados do quanto foi retirado da poluição do ar, o custo médio das internações na rede de saúde e o quanto o trabalho de um paulistano rende.

Apesar das avaliações positivas de especialistas, sexta-feira passada, a Cetesb divulgou o Painel da Qualidade Ambiental, no qual a poluição do ar na Grande São Paulo surge dos maiores inimigos à saúde do cidadão. Ozônio e poeira estavam mais presentes no ar em 2010 do que em 2009, conforme balanço da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Por exemplo, foram registrados 37 microgramas por metro cúbico de material particulado, em 2010, contra 32, em 2009.

Mesmo com a inspeção na capital, a poluição está mais presente no ar devido aos aumentos da frota de carros e do trânsito – mais carros por mais tempo nas ruas. Seria pior se a vistoria não fosse realizada, mas é péssimo, também, sabermos que todos os veículos licenciados na cidade ao lado – seja ela qual for – roda por aqui sem nenhum controle. Sem contar que a falta de fiscalização efetiva permite que “carros fantasmas”, na maioria mais antigos, poluam o ar sem qualquer punição.

Digo isso para concluir que a suspeita de erro nos procedimentos de contratação da empresa que faz a inspeção em São Paulo, denunciado pelo Ministério Público Estadual, não deve ser motivo para suspender definitivamente o programa na capital. Que se limpe os contratos, assim como a inspeção pode ajudar a limpar o ar.