Os maquiadores e seus truques

 


Por Dora Estevam

Pode acreditar ! Se você ainda não viu, vai ver agora o que um creme super poderoso pode realizar na vida ou na pele de uma pessoa. O filme que você vai assistir é da campanha para lançamento de um creme; e como garoto propaganda ninguém mais nem menos tatuado do que Zombie Boy o garoto que tem no corpo o desenho de um esqueleto.

Ficou impressionada ? Desculpe, eu fiquei. Foi um trabalho incrível, você imaginou a reação das pessoas vendo esta transformação. Será que a mãe dele viu isso? É incrível. Sem contar a beleza do menino escondida atrás desta pintura.

O produto foi desenvolvido para melhorar a aparência estética de quem tem problemas com a pele ou na pele. A história é que uma marca de cosméticos francesa lançou a linha Dermablend Pro e contratou o rapaz para ser garoto-propaganda do produto, que podemos, sim, dizer que é milagroso. Ah, o nome verdadeiro do garoto é Rick Genest.

OK, vamos continuar falando em maquiagem só que agora mais suave, mais leve, mais menina; está de volta a maquiagem feminina que tem os olhos pintados com delineador e o risco sai em forma de gatinha. A moda ficou marcada nos olhos de Brigitte Bardod, Elizabeth Taylor, Kate Moss e Sophia Loren.

Para quem tem o hábito de se maquiar é muito fácil fazer o risco, mas para quem não tem, a mão fica trêmula, o risco fino demais e torto ou grosso e borrado … e por ai vai o estrago do limpa e faz.

Para facilitar a sua vida esta semana a maquiagem Eudora fez uma apresentação de produtos novos no salão do cabeleireiro Marcos Proença, em São Paulo. Algumas meninas que participaram do lançamento da coleção foram maquiadas por ele. Como eu não pude ir, separei o vídeo da blogueira lindíssima e muito querida Mariah, no qual o badalado Lavosier faz um olho gatinho na moça. Ele vai pintando e falando sobre o assunto. Bem legal!

Este é o poder da maquiagem, acredite. As meninas acima já popularizaram este olhar, agora é com você.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Que São Paulo você quer em 2022?

 

Outono em São Paulo

Faz dois anos estava com 30 pessoas em volta de uma mesa e três perguntas em cima dela. Tínhamos um dia inteiro para responder ao desafio que havia sido apresentado por cinco organizações e movimentos sociais de forte atuação na capital paulista:

1. Qual sua visão para integrar utopia e realidade para São Paulo em 2022?
2. O que projetar e priorizar para 2022?
3. Como construir os caminhos para a concretização das propostas?

Antes de seguir em frente, uma explicação para a data citada: em 2022 comemora-se o bicentenário da Independência e o centenário da Semana de Arte Moderna, e se encerra a vigência do Plano Diretor Estratégico que a cidade esqueceu de implantar e rediscutir nestes anos todos. Bons motivos para provocar a reflexão sobre a São Paulo que queremos ou a que podemos ter.

Lembrei-me do encontro agora porque no fim do mês – dia 23 de novembro – será lançado o Projeto São Paulo 2022, com a intenção de oferecer ao cidadão e ao setor público informações sobre a Capital e, assim, levar adiante a construção de uma cidade que contemple uma agenda de desenvolvimento justo e sustentável.

Naquela oportunidade me coube o papel de provocador. Estava lá para gerar reações dos demais participantes da mesa de discussão e fazê-los imaginar como seria esta cidade melhor que todos buscamos. Antes deles falarem, porém, apresentei o que considero ser fundamental para que se possa planejar. E repito neste artigo. Nossas ideias – sejam quais forem – têm de estar calçadas em três dimensões: custo, acesso e qualidade. Nenhuma se sobrepõe a outra, todas precisam ser medidas com a mesma régua. No Brasil, costuma-se por as questões do custo em primeiro lugar e o resultado tende a ser o aumento do gasto no setor público e a redução no privado, sem que haja efeito no acesso aos serviços e na qualidade oferecida.

Leia o texto completo no Blog Adote São Paulo

Acampa Sampa: troca de afago e banheiro para o público

 

O pessoal do Acampa Sampa resiste no Vale do Anhangabau, centro de São Paulo, e o colaborador deste blog, Devanir Amâncio, da ONG EducaSP, toda vez que passeia por ali registra um momento desta ação. Para esta sexta-feira, publico dois “flagrantes” do local, assinados e fotografados pelo Devanir:

Banheiro do Ocupa Sampa

A privada do Ocupa Sampa – no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo – é de verdade e também poderia ser interpretada como um inteligente protesto contra a falta de banheiros públicos na cidade, e a falta de saneamento básico no Brasil e no mundo, principal causa de morte por diarréia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O sem-teto Antonio da Silva Monteiro,40,pintor e pedreiro, diz que ainda não assimilou o objetivo do Ocupa Sampa, e não sabe nada sobre os 7 bilhões de pessoas no mundo, mas levou seus préstimos ao movimento: construiu um banheiro com plástico e pedaços de madeira encontrados no lixo.

“Fiz rapidinho…Se o prefeito usasse a cabeça construiria vários desses no centro. Na hora do aperto ninguém liga pra luxo[…]

Uma turista alemã achou fantástica a ideia do sem-teto.

Tapume do amor

O Movimento Ocupa Sampa quer melhorar  a comunicação com o povo  e transmitir seus objetivos com clareza.  Projetou no tapume da Praça da Artes – em construção – no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo, um frase cercada de coraçõezinhos: ” Kassab, mais amor por favor”.

                                           

Foto-ouvinte: Arte no tapume mostra história da Paulista

 

Tapumes com arte

Os tapumes de um empreendimento na Paulista se transformaram em telas gigantes para desenhistas da cidade que estão reproduzindo cenas dos 120 anos da história da avenida. Entre as ruas Pamplona e São Carlos do Pinhal é possível ver parte do trabalho realizado pelos artistas da ONG Revolucionarte que contará com a imagem de bondes e veículos do passado, silhuetas de pessoas pintadas em cores, além do Masp, estações do Metrô e outros marcos do local. Lek, um dos instrutores do projeto, destaca que os tapumes estão oferecendo visibilidade para o talento de vários desses artistas da ONG, que tem como objetivo oferecer cursos profissionalizantes de pintura artística para jovens de comunidades carentes. Eles aplicam a técnica da aerografia com o uso de tinta e compressores de ar, o que exige precisão e habilidade nos traços. A iniciativa é da CCDI e Cyrela, responsáveis pela construção da torre comercial na avenida Paulista

De certeza

 

Por Maria Lucia Solla

Sei que me sentir contente depende de mim, que a gente é o que pensa, que é o que come, que é o que diz, que dá o que contém; e sei que, de tudo isso, você sabe também. Então se a gente sabe, por que tanto esforço, tanta neura? Para onde vai o que se aprende? Para cantos diferentes do cérebro, arquivado por assunto, quando nossa vida deveria fluir naturalmente, como os rios? E a gente vai sendo contido e se represando, policiando o mundo e se policiando. Então o viver vira um jogo, com todo mundo se desequilibrando no tabuleiro, buscando o céu, com os pés apoiados no inferno. A gente vive de rédea curta para mal e mal se equilibrar no fio da navalha, na lei da época, seguindo regra da cartilha que alguém nos deu, aquela que você segue e a que sigo eu. Regra que vive mudando ao sabor da pesquisa, a cada lei divina que o homem inventa… ah! mas tem alguma coisa muito simples escondida por aqui; a gente é que ainda não vê. Tem insatisfação para todo lado. O sono é mais curto do que o corpo inquieto, o doce é pouco para a fome de afeto. O natural virou moda. O que é da terra ficou caro porque a gente se afasta tanto da gente que valoriza o que deixa para trás, lá, atrás, sempre.

Lá em casa era meu pai que orquestrava a minha alimentação, e caprichava. Era suco de tomate docinho de manhã, era gema crua na colher, numa caminha de azeite de oliva, duas vezes por semana, se bem que as galinhas eram criadas pela minha tia. Enfim, a comida era colorida, como sempre foi no Mediterrâneo, de onde tantos, viemos. A gente comia o que tinha cabeça e o que não tinha, com escama e sem escama, com casca, sem casca, cozido, assado, no vapor, na grelha, na churrasqueira e frito, com perdão da palavra. Comia com ou sem sal, pimenta de cheiro ou canela de pau.

Por que é que a gente hoje gosta do que não pode, ou pode muito pouco do que gosta? Quem foi que introduziu o leite condensado na papinha de fruta, a comida mineira e o churrasco gordo nas nossas vidas? O magnata da indústria de alimentos que encheu as telinhas da nossa TV com imagens do pecado, embrulhadas em papel dourado? A mamãe que deu refrigerante na mamadeira do bebê? O papai que distribuiu sacos de salgadinho para sossegar a gurizada?

Arrisco dizer que a culpa não é de ninguém, e que a gente simplesmente ainda tropeça às cegas, cada hora se agarrando a uma crença diferente, mas… sei não, melhor não arriscar. O que sei mesmo! é que hoje fujo da certeza porque sei, em todas as minhas células, que ela é minha maior prisão. E você, arrisca dizer o quê?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Sua majestade o tecido

 

Por Dora Estevam

Você já parou para pensar que ao olhar uma roupa na vitrine, o brilho dos nossos olhos fica diferente? Muitas vezes, você nem percebe, mas as cores, as estampas e o modelo que nos seduzem vêm carregados de um detalhe que só quem é do ramo conhece: a qualidade do tecido.
 
O tecido usado nas roupas é que faz virar qualquer olhar. O tecido chic, refinado, caro; ou o tecido simples, barato, comum. Normalmente o consumidor final tem conhecimento dos tecidos mais comuns usados em uma estação. Se eles estão na moda fica mais fácil; caso contrário, fica difícil reconhecê-los.
 
E não é para menos, se você não é daquelas pessoas que ficam esfregando os dedos nas roupas e as virando ao avesso para identificar o tecido,  vai ter muita dificuldade mesmo. É claro que uma consumidora viajada sabe o que é bom ou não, mas as emergentes ainda não conhecem.
 
Eu abordei o assunto de tecidos porque esta semana a consultora de moda Maria Helena Daniel, lançou no mercado o Guia Prático dos Tecidos (Editora Novo Século). Com 30 anos de experiência no mercado de confecção, a consultora resumiu num catálogo, com nada menos que 180 modelos de tecidos, todos fotografados e escritos um a um, tudo o que nós gostaríamos de saber sobre o tema.
 

O vídeo acima foi feito pelo consultor de moda Lula Rodrigues. A conversa girou em torno da inspiração da empresária para montar o livro. A entrevista foi feita dias antes do lançamento. Detalhe especial para a simpatia da escritora.

O Guia vai servir para os estudantes de moda, lojistas que querem treinar as vendedoras, consumidoras cuidadosas e todos que amam o assunto, que por ser mais técnico é menos abordado nas lojas. Até mesmo porque falta tempo para uma boa conversa mais específica.
 
Vai ajudar, também, a consumidora que acha tudo caro a ter uma ideia do mundo que foi movido para aquele tecido estar lá na mão dela. É caro? É. Tem que ser. Na maioria das vezes.
 
Os estilistas mais renomados do Brasil, Alexandre Herchcovitch, Ricardo Almeida e Reinaldo Lourenço, foram consultados por Maria Helena na montagem do catálogo. A consultora também contou com a colaboração das tecelagens Rosset e Santa Constância, marcas nacionais e bem respeitadas.
 
Em 312 páginas, a leitora e o leitor vão entender tudo o que está por trás de uma etiqueta. Decifrar o mundo da tecelagem e aproveitar a experiência nas próximas compras. Você vai ler sobre as tramas, fibras, texturas, costuras e  saber por que a autora chama o tecido de Majestade.
   
Sem falar das curiosidades. Por exemplo, um polyester não troca calor com o meio ambiente; a lã fria pode ser um ótimo tecido em países tropicais; os forros devem usar tecidos de fibras naturais. Todas informações preciosas que precisamos conhecer para um consumo consciente.
 
Entender o mundo dos tecidos pode ser mais fascinante do que você imagina. E como o assunto está em voga aproveitei e separei umas fotos dos tecidos que foram usados nas últimas semanas de moda internacionais: NY, London, Milan e Paris. Tecidos que saíram das cartelas e foram para as passarelas.


 
Agora é com você leitor (a) escolha a peça e divirta-se com os tecidos.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung. 

Foto-ouvinte: Calçada descalçada na Amaral Gurgel

 

“Há exatos dois anos, a calçada do quarteirão da Rua Amaral Gurgel (59 a 99), entre a Santa Isabel e o Largo do Arouche, está toda quebrada do lado ímpar. (…) Prefeitura começou a trocar todo o asfalto desta rua e se esqueceu de finalizar o serviço. Obtive como resposta da sub-prefeitura da Sé que estava em licitação. Até quando???”

O recado e a foto são do ouvinte-internauta Vlademir Lopes Guimarães que cansou de ver pessoas idosas caíndo no passeio público, motivo suficiente para ele se incomodar com o que diz ser responsabilidade da “inoperância da prefeitura”.

Acampa Sampa tem biblioteca e reciclagem

 

Acampa Sampa reciclagem

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Manoel Del Rio: “Se estivessem acampados na porta da Caixa Econômica Federal – reivindicando moradia para os pobres – ou na frente do Banco Central, na Paulista, contra os juros altos, ninguém segurava “[…]

Mesmo com pouca clareza de objetivos e prioridades, os acampados do Anhangabaú, o ‘Vale do Povo’, região central de São Paulo, pensam com criatividade. O grupo organizou o “cantinho da reciclagem”, que chama atenção de longe. Já tem gente pensando que o Acampa Sampa é para reivindicar do prefeito Gilberto Kassab política de reciclagem para a cidade.

O advogado Manoel Del Rio, presidente da ONG Apoio – Associação de Auxílio Mútuo, foi conhecer a função social do Acampa Sampa e se inteirar sobre as ideias dos jovens espoliados; chegou com livros e a Constituição Federal para a bibliotequinha do movimento.

” Olha, eles estão aqui até agora porque são inofensivos a governos. O acampamento está debaixo do viaduto (Viaduto do Chá), escondido… Se estivessem acampados na porta da Caixa Econômica Federal – reivindicando moradia para os pobres – ou na frente do Banco Central, na Paulista, contra os juros altos, ninguém segurava , as autoridades estariam dando pulos de medo. A adesão seria total, atrairiam a atenção do mundo todo.”

Gentileza gera gentileza, diz fiscal de trânsito

 

O agentes de trânsito de Vila Velha, no Espírito Santo, Jobson Meirelles, foi referência em campanha na Semana Nacional de Trânsito, em setembro. Por indicação dos próprios condutores e pedestres pelo trabalho desenvolvido no município ele foi homenageado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES) com uma placa de honra ao mérito e um vídeo que mostra seu trabalho como guarda na Praia da Costa.

De a raça humana

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora

Você tem medo de quê?

Não precisa pensar muito; basicamente, um tem medo do outro. Nos escondemos, disfarçamos, para não ficar cara a cara um com o outro. Escondemos nosso tesouro na bolsa, no cofre, na gaveta, no banco, no pote de café, no fundo do coração e não nos sentimos, nunca, a salvo.

Há homens e mulheres – assim como você, como eu – que vivem para matar, trapacear, trair, roubar, torturar, esfaquear, queimar com colheres aquecidas na chama do fogão, diante dos teus olhos e dos olhos dos teus filhos, tenham eles a idade que tiverem. As instituições que protegem crianças de filmes que trazem cenas violentas, cenas de sexo, recheadas de palavrão e pornografia, nada podem fazer. Lidam com a superfície, enquanto o outro, teu irmão de raça, atravessa tuas portas e tuas janelas e expõe sua selvageria sem pudor, exalando, ele também, um cheiro acre de medo e de suor.

Quais são os teus valores?

Temos muitos, os dizíveis e os indizíveis. Os nossos sempre válidos; os do outro quase sempre inválidos. Somos amordaçados por leis sociais para não dizermos o que pensamos. Por quê? Porque nem eu nem você somos os santos que apregoamos ser. Vivemos nos dominando, nos controlando, nos ajustando e acabamos formando um bando disforme de desnorteados e desajustados, de fazer dó. Os homens que invadem as casas, torturam e abusam sexualmente de adultos e crianças são teus irmãos, meu amigo, e não pensa que são sempre pobres coitados, não. Muitos e muitas deles e delas compram na Oscar Freire e fazem flutuar de suas carteiras notas polpudas, com dedos sujos de sangue, de vergonha e de dor, e seus narizes manchados de pó.

Onde você vai se esconder?

Numa fortaleza debaixo da terra? Num cano de esgoto carregando um revólver de ouro como fez Kadhafi, antes de ser abusado, machucado, quebrado, torturado e finalmente morto? Onde? Num carro blindado, guiado por você embebedado, injuriado, desanimado, apavorado de perder o que não tem? Debaixo da cama? Atrás do papai e da mamãe?

Debaixo da toga o juiz treme, sob a cartola o cartola se espreme, vestido de fraque o gabola esconde a fraqueza, a moleza, sua falta de educação e de gentileza, que parece ter saído de moda carregada pela pressa de chegar a lugar nenhum.

Você tem medo de quê?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung