Jardim Ângela não é curral

 

Por Devanir Amâncio

Maria do Agameno

Maria do Carmo, de 62 anos, e seu marido João Lorenço, de 70 anos, do Jardim Nakamura, região do Jardim Ângela, zona sul, sugerem que os vereadores, o prefeito e o subprefeito do M’Boi Mirim subam de joelhos a rua Agamenon Pereira da Silva, rua interditada e abandonada pela Prefeitura de São Paulo. Dona Maria disse que está cansada de papo furado e que os moradores, injuriados, promentem escorraçar os oportunistas na eleição do ano que vem.

Maria do Agamenon

“Sempre são os mesmos, tratam o bairro como curral. Tem um que é cara de pau, chega como um cachorrinho. Dia desses foi vaiado no barrancão, do outro lado. Ninguém no bairro quer esmola, bloco, camiseta, bola… Pagamos impostos… Queremos uma solução para o nosso problema. Moramos aqui desde 1971. Muita gente paga IPTU. Há 8 anos eu pagava 180 , agora 1.440 reais… alguma coisa está errada.”

De cair a ficha

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora

Preparando o almoço, mantive um olho na faca e outro na Valentina e, como sempre, aprendi com ela.

Valentina come um prato de ração e uns dois biscoitinhos caninos por dia divididos ao longo do dia. De manhã come meia maçã dividida em quatro pedaços. É um ritual gostoso, divertido; enquanto preparo o café da manhã, dou a ela um a um os quatro pedaços. Quando corto a maçã ela vem se chegando, senta perto de mim de frente para o balcão da pia, sem dar um pio, me olha sem piscar e sem mexer, dos lindos cabelos, um fio. Eu ofereço um pedaço, ela se levanta, se apoia nas patinhas traseiras, se estica e delicadamente recebe a maçã da minha mão; então se vira e vai para a sala, deita na caminha de lá e roc-roc. Terminado o primeiro pedaço ela volta, e o ritual se repete; mas ela não volta depois do quarto pedaço. Eu me encanto e penso que ela é melhor do que eu na relação com números! Além desses hábitos, quando preparo alguma coisa e corto tomate ou manga, ela sente o cheiro – adora tomate e manga!! – se põe perto de mim, sentadinha, olhando para cima na esperança de um pedaço e sempre recebe um agrado. Geralmente mais de um.

Agora, tem vezes em que estou preparando outra coisa, como hoje, quando eu cortava uma berinjela em cubinhos, ela, mesmo sem sentir o cheirinho característico do que gosta, e sabe que eu dou, se planta ali e fica de guarda. Patrulha a pia. Eu digo as palavras mágicas: não tem nada, não pode, vai brincar, e ela se vira, faz menção de sair e volta. Se põe um pouquinho mais longe, mas fica ali olhando para mim. Vai que…

E eu fiquei ali encantada, sorrindo feito boba, porque me dei conta da tenacidade dela, da esperança, da fé inquebrantável num bichinho tão pequeno, que dizem não pensar.

O cachorro é tão condicionável quanto nós, certo? Posso ir até a pia e cortar o que for, que ela fica por perto mesmo tendo ouvido as palavras mágicas que querem dizer: vai para a tua caminha que aqui não tem nada para você. Ela entende, não pede coisa nenhuma, mas fica ali, alerta. Vai que…

Então eu sorri, e sorrio até agora quando lembro da caída de ficha desta manhã, e me dou conta de que somos muito mais frágeis do que ela. Desistimos fácil. Quantas vezes desistimos antes mesmo de tentar. E com isso a gente perde, perde, perde. Dali viajei, repensando minha vida, e não paro de sorrir. Devo estar no caminho certo. O que você acha?

Pense nisso ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Elas desfilam, você dança

 

Por Dora Estevam

Toda vez que uma grife coloca sua criação nas passarelas, os convidados são tomados pela ansiedade de ver as roupas novas, as modelos novas e, também, a trilha sonora do desfile. Nem tão nova assim. Ao contrário, na maior parte das vezes são músicas que marcaram época e dão um toque especial no show. Como as coleções são inspiradas em épocas o papel da música é muito importante. Roupa+musica+perfume remetem a lembranças.
 
Então, separei algumas trilhas para você entrar no ritmo das passadas das modelos. O playlist vem com trilhas das semanas de moda de Paris e Milão. Coloque o seu fone de ouvido e boa viagem: 
 
A história de Jeanne Moreau foi contada na coleção de Roland Mouret em Paris.
 

Lembra do desfile da Balman que eu postei semana passada com a trilha do INXS?


 
Ainda em Paris, Stella McCartney optou por Son2 de Blur.


  
Lady Gaga com sua Black Jesus Amem fez a platéia delirar no desfile Mugler, no ultimo 28 de setembro em Paris.

Um pouquinho da Itália: um Mambo Italiano de Sophia Loren para o desfile de Dolce&Gabbana, apresentado em Milão.


 
 Para matar as saudades em Milão o destaque também ficou com a trilha Willim’s Blood de Grace Jones para o desfile Salvatore Ferragamo, tudo para a primavera 2012, o desfile foi apresentado em 25 de setembro em Milão.

É isso, espero que você tenha gostado, um bom fim de semana.

Dora Estevam é jornalista e escreve, aos sábados, sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung

Hackers vão abrir dados da Câmara de Vereadores

 

Plenário da Câmara

As barreiras entre o meu interesse e as contas públicas foram percebidas desde que o jornalismo passou a fazer parte da minha vida profissional, em 1984. Enquanto que as possibilidades que a tecnologia oferece para que haja transparência no setor começaram a aparecer com a rede Adote um Vereador, criada em 2008. Foi nesta época que me deparei com uma turma extremamente ativa e preparada, disposta a raspar dos documentos e das páginas da internet as informações necessárias; identifiquei, também, como os serviços oferecidos pelo Executivo, Legislativo e Judiciário eram toscos – seja por incompetência seja por medo da transparência.

A primeira experiência foi através de um físico, recém-formado na USP (é o que imagino pelo tanto jovem que me aparentava ser), Everton Zanella, que criou um wikisite do Adote um Vereador, espaço colaborativo e democrático no qual todo cidadão pode publicar e excluir informações, compartilhar inteligência e conhecimento. Graças a este trabalho voluntário, criado sem que eu mesmo conhecesse o Everton pessoalmente, a ideia do Adote ganhou dimensão nacional. O wikisite não é uma ferramenta para extrair dados públicos, mas me mostrou que algo estava acontecendo bem distante dos nossos olhos, acostumados a enxergar a vida offline. Jovens, em especial, criando páginas e serviços na internet capazes de descobrir, desvendar e disseminar informação.

Enquanto cobrávamos pela rede ou na mídia que os vereadores de São Paulo publicassem na internet as notas fiscais para comprovar os gastos com a verba indenizatória dos gabinetes, um outro rapaz desenvolveu programa que consegue extrair estas informações, divulgadas de forma confusa e pouco prática, e reuni-las em um site próprio, onde podemos consultar como é a dinâmica de compras e gastos dos parlamentares paulistanos. Você consegue verificar, por exemplo, quem são os fornecedores mais beneficiados com a verba indenizatória ou com que empresas cada um dos vereadores costuma negociar. Isto possibilitou que se identificasse que algumas prestadoras de serviço contratadas com dinheiro público sequer tinham sede própria ou se prestavam para aquela finalidade. Houve caso de gente que comprou serviço de buffet para produzir um site.

Leia o texto completo no Blog do AdoteSP e veja como os hackers vão invadir a Câmara

De dia mais dia menos

 

Por Maria Lucia Solla

De dia mais dia menos


Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora

Tem dia em que a gente está animado – movido pela alma – com o tanque cheio, sorriso atrevido, pele brilhando. Tudo muda quando a gente muda: pele olhar postura voz. Isso para falar só da parte de fora, a que dá para ver. Imagina lá dentro, as vias do sangue descongestionadas, o coração batendo ritmado, as glândulas que secretam hormônios fazendo o que têm que fazer. A receita dá certo, a gente fica palatável.

Agora, quando o bicho pega – e ele está sempre pronto para atacar na virada do minuto um para o minuto dois – o tanque vai a zero, as impurezas entopem os filtros, a pele murcha, os olhos caem, ficam opacos, o sorriso… que sorriso, tá doido? É o primeiro que se manda, e quando a gente puxa ele a força, vem deformado arrastado de má vontade. O intestino para de funcionar porque a gente está enfezado, a gente quer se esconder debaixo das cobertas e dormir para não viver, chora até os olhos perderem a forma, as sobrancelhas caírem e as olheiras beijarem o queixo, e mano olha para você e diz: para de chorar, não chora!

Tá doido?

São tantos os issos-e-aquilos que levam a uma e outra disposição, que nem sendo médico químico astrólogo físico acupunturista dietista psiquiatra vidente, daria para entender. Ninguém entende os próprios humores, vai entender os do outro? Se bem que olhar de fora dá uma perspectiva diferente, fora o fato de a pimenta arder em boca alheia.

Na fase animada basta o silêncio de alguém que se ama, que o clima muda, o coração aperta, a boca seca, e a respiração perde o compasso. Em baixa, basta um contato, e a gente logo abana o rabo. Digo isso com todo o respeito, porque observo a Valentina, e ela quase desparafusa o rabo quando está contente.

Assim, sem entender nada de nada, aposto no bom nível de equilíbrio que resulta da escolha consciente do que comer, de com quem conviver, do que fazer, do que ouvir e dizer, do que pensar, do que beber…

E você, aposta no quê?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Paris, Paris, Paris…

 

Por Dora Estevam

Jamais deixaria de falar da semana de moda da capital que eu mais amo, depois de São Paulo, é claro. Paris recebe com muito prazer os estilistas com suas coleções de moda primavera 2012. A cada desfile uma surpresa, este em especial da Balmain está demais. Eu gostaria de comprar todas as roupas desta marca. Sem brincadeira, é chiquérrima.

Como olhar não paga, então vamos apreciar o que tem de bonito no mundo, não acha? Sem dúvida, é um show de criação de moda que precisa ser apreciado.

Com todos estes milhares de cristais e bordados dourados, com os tecidos fluídos franceses, e a inspiração na androginia dos toureiros, tendência para a temporada. Notaram os rabos de cavalo das tops? Quem resiste? A trilha é do grupo INXS, famoso dos anos 80.

Paris continua sendo a maior lançadora de moda mundial, todos os olhares estão voltados para esta semana. As marcas mais tradicionais como Chanel, Christian Dior, Balenciaga e Balmain, esta do vídeo, são as mais cotadas para as apresentações, todas as pessoas envolvidas no meio querem estar lá.

Sinta mais um pouco da atmosfera da fashion week parisiense:

A semana de moda ainda está pela metade, tem muito desfile para ser apresentado. Semana que vem eu mostro outras novidades e inspirações de moda pra você.

Dora Estevam é jornalista e escreve, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Fórum Social de SP: Outra cidade é possível

 

Rua de terra

O que fazer em nossa cidade para que o interesse público e os direitos do cidadão e cidadã prevaleçam sobre o interesse do dinheiro e do lucro? Dez mil pessoas estarão reunidas, no fim de outubro, em busca de respostas para esta que será a questão central do Fórum Social de São Paulo. É a primeira vez que uma cidade brasileira traz para dentro do seu ambiente a mesma filosofia que move o Fórum Social Mundial, que se consagrou por pensar, discutir e refletir temas que privilegiam o cidadão e não o capital.

São Paulo é a sexta maior cidade do planeta e somada a população da região metropolitana somos mais de 19 milhões de pessoas. Apenas na capital, temos sete milhões de carros, além daqueles que passam ou vem para cá, que se transformam na principal fonte de poluição do ar. E com a frota crescente não é de se espantar que o número de dias em que a qualidade do ar ficou imprópria aumento 146% nos primeiros sete meses de 2011 na comparação com o mesmo período de 2008. Tudo isso, claro, impactando ainda mais a rede pública de saúde.

Produzimos 17 mil toneladas de resíduos por dia e os dois aterros sanitários que funcionavam na capital estão entupidos, sem capacidade de receber um caminhão sequer. Temos de exportar os dejetos para cidades que ficam na Grande São Paulo, região onde as prefeituras ainda permitem o surgimento de lixões, locais que “abastecem” cerca de 17 mil pessoas, infelizmente.

Leia o texto completo e a minha resposta para a pergunta inicial no Blog Adote São Paulo, da revista Época SP

Meu Jardim Suspenso ainda está lá

 

Democrático, mesmo no futebol, este blog abre espaço, nesta terça-feira, para reproduzir texto do ouvinte-internauta Luis Fernando Gallo, diretor de fotografia, fotógrafo de primeira e palmeirense de coração. Ele foi ver como estavam as obras da arena de seu clube, construída no mesmo espaço do Parque Antarctica. Fez algumas imagens e revelou outras que estavam em sua memória:

Divina Memória: obra no Palmeiras

Resignado, assustado e emocionado, me deparo frente ao meu Palestra Itália, o meu Parque Antártica, cuja arquitetura deixava o campo num lindo Jardim Suspenso. Foi lá que, em 1965, meu pai me levou pra ver um Palmeiras e São Paulo. Eu, com seis anos, já estava sendo doutrinado para o reduto tricolor da família. Mas a memória infantil é um “Super HD”, nunca mais você apaga suas emoções. Foi o que aconteceu. Quando vi o elegante Djalma Santos, que, usando sempre a força das suas mãos, o primeiro brasileiro a fazer da cobrança de lateral em um cruzamento para a área adversária, foi algo inesquecível.

O sucesso atual dos treinadores gaúchos pelos clubes da nossa cidade, Mano Menezes, Tite, Carpeggiani, e Luis Felipão Scolari, não apagam a lembrança do pioneiro de Taquara (RS), no banco, com aqueles óculos imensos e sempre fumando, bicampeão Brasileiro e Paulista na década de 1970, o mestre Oswaldo Brandão.

Como apagar as imagens das jogadas elegantes e clássicas do “Divino” Ademir da Guia, o “Pai da Bola”, maior jogador que vi jogar, depois de Pelé. Junto com e Dudu, formaram um meio campo que jogaram juntos por 10 anos.

Essas memórias de minha infância iam se apagando diante do que eu me deparava, tudo no chão, aquelas máquinas demolindo tudo, fui fotografando sem parar toda aquela transformação.

Lá na frente, junto com os meus netos com certeza terei muito que contar. Agora, definitivamente, com obras a todo vapor, e com “dinheiro privado”, a nova Arena Palmeiras, com sua ótima localização, será com certeza um grande marco cultural e esportivo para a nossa cidade. É a torcida de um alvi-verde paulistano da gema!

Ah! Com toda modernidade empregada meu “ Jardim Suspenso” será mantido !!

Sinalizador ajuda cegos a pegar ônibus, em Londrina

 

Placas que lembram os sinalizadores usados antigamente pelas equipes de fórmula 1 têm ajudado pessoas com problemas de visão a pegar ônibus, em Londrina, no Paraná. A ideia foi do presidente da Adevilon – Associação de Deficientes Visuais de Londrina, Antônio Carlos Ferreira, virou lei na cidade e está valendo desde a semana passada, leio em post do Blog Ponto de Ônibus, do colega Adamo Bazani. Foram distribuídas até agora 100 dessas placas feitas de papelão, divididas em três filetes, presos em espiral e com letras e números convencionais e braile. O equipamento serve para as pessoas que têm dificuldade de identificar o número da linha de ônibus que está chegando no ponto. Assim que ouvem um ônibus se aproximando, estendem a placa com o código da linha e o motorista para facilitando o embarque. Até então, era necessário contar com a ajuda dos demais passageiros ou parar todos os ônibus quando se estava sozinho no ponto.

Leia a reportagem completa no Blog Ponto de Ônibus