Foto-ouvinte: Chafariz “revitalizado” na Nove de Julho

 

Por Marcos Paulo Dias

 

Chafariz

Já que a prefeitura não passou por lá, o artista foi.

O recado foi dado aqui no Blog do Mílton Jung, em 28 de maio de 2010, no post “Nove de Julho desrespeitado”:

O Túnel 9 de Julho pode ser considerado um patrimônio? Lancei a questão no Google e, logo, veio a resposta, no sítio da Prefeitura: ”Com 460 metros de extensão, foi o primeiro túnel da cidade e, durante muito tempo, considerado em símbolo da modernidade da metrópole.” Hoje, o que se vê por lá é muita sujeira, resto de alimentos, descaso e abandono. O chafariz permanece desligado, além do vazamento em um dos canos na parte interna. Acumula lixo e, também, água da chuva, o que facilita a proliferação de insetos. Moradores de rua usam o espaço como dormitório.

Voltei lá semana passada (21/09/11), um ano e quatro meses depois e a situção é a mesma, nada mudou. Melhor, pouca coisa mudou. Encontrei dois grafites, talvez com a intenção de contribuir com a revitalização do local ou chamar atenção para o descaso. Infelizmente não posso dizer o nome do artista, pois não tive a sorte de encontrá-lo. O que eu ainda não consigo entender é o descaso da Prefeitura com o patrimônio da nossa cidade.

De estar feliz

 

Por Maria Lucia Solla

Das nuvens

Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora

Felicidade é estar com a barriga cheia e o sono em dia, com tudo funcionando como deve: coração batucando legal, rins fazendo a sua função, sem greve, sem rebelião. Felicidade é enxergar bem, respirar o ar da vida e não o da morte, e saber que os que te cercam têm isso também

Estar feliz é poder ir daqui-pra-lá-e-de-lá-pra-cá, principalmente se o daqui for de um canto confortável e gostoso, e se o pra-lá for um lugar que faz o coração batucar, ainda mais forte e mais depressa, animado pela adrenalina que brota da excitação. Felicidade pode ser estar numa cantina num vilarejo escondido na Bolívia, pode ser o sushi do restaurante favorito comido em casa, sentado no chão, apoiado na mesa de centro na frente da TV, assistindo a um programa que faz a gente sorrir feito bobo, ou lendo um livro que não dá para largar e interrompendo a refeição um milhão de vezes para anotar as ideias que não param de chegar, para engolir o que mastigou, para digerir o que leu, para assimilar o que pensou.

Estar feliz é ter confiança nos dirigentes do país, do ônibus, do trem e do carro, sentindo que o barco vai bem conduzido, não faz água e fica longe do perigo. Estar feliz é poder viver com a consciência tranquila e o coração em paz. É saber que ninguém está espreitando atrás da fresta para te pegar no pulo e tirar vantagem de você. É poder receber o que comprou sem precisar lutar na justiça por meses, às vezes por anos, perdendo saúde e sono. É poder ter respeitado o que é seu, oferecendo respeito em troca.

Estar feliz é confiar que o banco cuida do teu dinheiro, que o médico que te atende sabe o que está fazendo, é ter consciência do que está comendo. Felicidade é poder acreditar em quem diz que gosta de você, é não usar o outro até gastar e aí não ter mais, é deixar ir quando o prazo termina, não iludir, não ser manipulado, roubado, emboscado, traído.

Estar feliz é ter mais motivo de sorrir do que de chorar, é ter quem a gente ama gostando de ser amado e se deixando amar. Estar feliz é trabalhar no que gosta, ou ao menos gostar do que faz, e ter a oportunidade de escolher o que fazer. É saber que o ônibus vai chegar, que a gente vai sentar e, a viagem, nem vai perceber. Estar feliz é andar descalço na praia com o sol acariciando o corpo, a brisa desmanchando o cabelo e cara de idiota, chupando um picolé e se sentindo o maioral. Nem que seja uma vez por mês no bate-volta.

Estar feliz é viver intimamente com a arte, é criar, é recriar, não matando o já criado; reinventando, reinventando, reinventando. É garantir cadeira cativa para a ilusão. Estar feliz é aceitar que a gente está aqui e pronto, e a partir daí pavimentar dia a dia o caminho para estar feliz cada vez mais vezes e por mais tempo. É transformar num só conceito de amor, criatura, criação e criador.

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Cada semana com a sua moda

 

Por Dora Estevam

… E esta foi a vez da semana de moda londrina. Cerca de 70 grifes apresentaram suas coleções primavera-verão 2012. Veja como foi a movimentação:

Show também para os homens. Designer, organização, tudo maravilhoso. Novas experiências, novas ideias, tudo fashion.

Embora as coleções apresentadas façam muito sucesso por serem atrativas visualmente, tem uma turminha que consegue chamar atenção dos holofotes mesmo fora da passarela, são as celebridades.

Deu para notar a mistura de cores, padronagens e tecidos?  É a moda particular de cada uma delas. As informações estão no ar e ninguém precisa seguir a risca nem copiar dos outros, faça da moda a sua moda.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Abaixo-assinado pelo Hospital do Crack

 

Por Devanir Amancio
ONG EducaSP

Carroceiros pedem hospital do crack

O Núcleo de Trabalhos Comunitários da PUC São Paulo – NTC, sob a direção da professora Maria Stela Craciani, dá a largada dentro da PUC na corrida contra o crack, e inicia, nesta quinta-feira, a coleta de assinaturas para exigir das autoridades a recuperação dos viciados. O abaixo-assinado intitulado “Grito pela vida. Hospital do crack já !” será levado pelo Movimento Fórum do Crack para outras universidades, escolas estaduais e municipais, e comunidades da Região Metropolitana de São Paulo. Catadores de recicláveis – como o carroceiro Pelezinho de Perdizes – também vão reivindicar o “Hospital do Crack”.

Considerando a gravidade do assunto, a sua profundidade na sociedade brasileira e a sua presença dentro dos lares é possível estimar a coleta de 1 milhão de assinaturas. No dia 30 de setembro o abaixo-assinado chega à Praça da Sé.

Texto do abaixo-assinado:

“Aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Nós, cidadãos brasileiros abaixo-assinados, viemos, através deste instrumento, pleitear aos poderes públicos, particularmente ao Executivo, na figura da presidente Dilma Roussef, do ministro da Saúde Alexandre Rocha Santos Padilha e do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e ao Judiciário a criação, implementação e observação de políticas efetivas para combater e eliminar a presença da droga conhecida como “crack” na sociedade brasileira. Já mais do que tarda o momento de darmos um basta às diretrizes equivocadas que têm norteado as ações nesse sentido, caracterizadas pela leniência, passividade e omissão que apenas contribuem para engrossar o contingente de dependentes químicos desde os mais remotos pontos da zona rural até as grandes cidades, arregimentando pobres e ricos, principalmente jovens, na sua escalada destrutiva sem precedentes.

Também é nesta direção que propomos , particularmente , a criação do “hospital federal do crack” em São Paulo, como referência para todo o País.”

Paulistano perde um mês por ano no trânsito

 

Cruzamento insano

O paulistano perde mais tempo nos congestionamentos e na fila do ônibus, e anda cada vez menos a pé. E, neste cenário, considera que problema do trânsito está se agravando na cidade. Estas são algumas da conclusões da quinta edição da pesquisa sobre mobilidade urbana encomendada pela Rede Nossa São Paulo ao Ibope apresentada nessa quarta-feira, véspera do Dia Mundial Sem Carro.

Após ouvir 805 pessoas, o Ibope identificou que o tempo médio de deslocamento gasto no trânsito diariamente passou de 2h42 em 2010 para 2h49 em 2011. 19% dos entrevistados disseram que perdem mais de 4 horas nos congestionamentos que também atrapalham a vida de quem depende do transporte público. Comparado a pesquisa do ano passado, mais pessoas dizem que aumentou o tempo de espera nos pontos de ônibus. Se antes 34% tinham esta percepção, hoje 47% pensam assim. Com resultados como esse não é de se surpreender que mais da metade (55%) considera o trânsito péssimo.

Durante apresentação dos dados, Oded Grajew, coordenador da Rede Nossa São Paulo, disse que “é como se as pessoas passassem um mês por ano no trânsito”.

Leia post completo no Blog Adote São Paulo, da revista Época SP

Dia Mundial Sem Carro é uma chance que temos

 

Cartaz dia mundial sem carro

O Dia Mundial Sem Carro motivou os alunos do CIEJA – Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos do Butantã – a refletirem sobre a mobilidade urbana, a qualidade do transporte público, a prioridade ao automóvel e o impacto destas políticas na saúde da população. O projeto é organizado pela professora Elisabet Gomes de Nascimento que enviou o material produzido durante o mês de setembro pela turma do módulo 4, que corresponde a 7a. e 8a. séries do ensino fundamental. Aproveito este dia 22 de setembro para publicar o resultado do trabalho, a começar pelo cartaz desenhado pela aluna Osmarina Soares de Carvalho que ilustra este post coletivo:

“MANIFESTO – DESABAFO” (alunos do módulo 4-O)

Nós que andamos por São Paulo, observamos e sentimos na própria pele, o quanto esta cidade é hostil para quem anda a pé e para o ciclista. A começar pelas péssimas condições de circulação das calçadas e sem falar no desrespeito a faixa de pedestre, além da falta de ciclovias e ciclofaixas. O poder público deveria investir prá valer em metrô, trem de superfície, corredores de ônibus em toda a cidade. Deveria também oferecer desconto no IPTU para as empresas, condomínios e prédios residenciais, que praticassem a carona solidária. Quantos amigos faríamos diminuindo a solidão motorizada? Quantos automóveis deixariam de circular e como melhoraria o trânsito na cidade? Sem falar na melhoria da qualidade do ar. Já pensou quanto tempo ganharíamos a mais com nossas famílias, descansaríamos mais, teríamos mais tempo para estudar, para ler, para o lazer? Quantas vidas pouparíamos? Estamos desabafando e sugerindo tudo isso, estimulados pela “Semana da Mobilidade e Dia Mundial sem Carro”. É uma chance que temos de nos fazer ouvir.

MEU DIA SEM CARRO
Por Mario A. Silva, 55 anos

Depois de muito tempo sem usar transporte coletivo e com meu carro no rodízio, eu precisava ir ao centro da cidade. Pedi o carro emprestado para minha filha, mas justamente neste dia ela levaria minha neta ao médico. Pensei, não tem outro jeito: o negócio é enfrentar este terrível transporte coletivo (só ouço falar mal dos transportes públicos).

Fui dormir já pensando no sofrimento do dia seguinte.

Saí de casa às 8 horas e depois de esperar por trinta minutos, embarquei e comecei minha viagem. Paguei a passagem com um tal de bilhete único com o qual a pessoa tem direito de trafegar durante três horas e usufruir de até quatro conduções pelo valor de uma passagem. Havia lugares vazios, me sentei e comecei a reparar, que à medida que as pessoas iam entrando, se cumprimentavam como se fossem velhas conhecidas. Uns aproveitavam para tirar um cochilo, sei lá, ou mesmo fingindo para não ceder lugar aos idosos e mulheres com crianças de colo.

Celulares e tablets não faltaram no ônibus, além do velho e bom livro e jornal. Alguns devoravam a leitura, até liam em pé.

Chegando na estação do metrô, vi centenas de pessoas se aglomerando e se apertando a espera do trem. Me perguntei, e agora? Apesar do empurra-empurra entramos todos, os mais ligeiros conseguiram se sentar. Tudo organizado. Trens modernos com serviço de informações anunciando as próximas estações, ar condicionado, tudo limpo.

Fiz várias baldeações e não avistei nenhum ambulante ou coisa do gênero. Cheguei ao meu destino: a Estação da Sé. Reparei que tem farmácia popular, lanchonetes, banca de jornal, balcão de informações e um aparato de seguranças para zelar pelo bem estar dos usuários. Quando estava retornando para casa, encontrei um amigo que me ofereceu carona. Agradeci e recusei pois fiquei tão entusiasmado com a ida que quis curtir a volta também de coletivo.

Sei que não posso negar para as falhas que ainda existem no transporte público. Não está no ideal, mas está caminhando no rumo certo. Parabéns aos governantes que tentam fazer o melhor para a população.

Gastei apenas R$6,00 reais. Andei um trajeto de uns 40 quilômetros ida e volta, num espaço de três horas, sendo que o que mais demorou foi o ônibus uma média de trinta minutos. Se tivesse ido de carro teria demorado bem mais e não teria aproveitado o passeio.

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Menos carros e mais cidade

 

Foi nosso colega de redação Gabriel Dudziak que encontrou o artigo a seguir, assinado pelo arquiteto e urbanista Itamar Berezin, no qual destaca a relação entre a arquitetura e o aumento no número de carros nas cidades brasileiras. Na Semana da Mobilidade em que se discute o impacto do automóvel e a necessidade de diversificarmos os modelos de transporte, o texto nos ajuda a refletir sob um outro ponto de vista:

O problema do trânsito nas grandes cidades é um tema que cada vez mais ganha voz na discussão de diferentes setores. Em meio a tantas conversas, muitos são os motivos apontados para o caos que parece não ter mais solução. Mas o que alguns ainda não se atentaram é que o setor da construção e arquitetura também influencia não somente no crescimento das metrópoles, mas, também, na quantidade de carros que circulam nelas.

Em uma cidade como São Paulo, que possui mais de 11 milhões de habitantes, o uso dos automóveis é uma verdadeira cultura. São cerca de 3,5 milhões carros emplacados e circulando na capital, além daqueles que vêm de fora e entram na cidade todos os dias. Mas há espaço para toda esta frota de veículos?

Buscando atender esta demanda, escritórios de arquitetura e construtoras têm projetado prédios que contemplam um número maior de vagas por exigência da legislação, agravando ainda mais a já complicadíssima situação do trânsito. Por exemplo: dentro do segmento da construção civil, para projetos de prédios comerciais, é aconselhado seguir uma regra básica legal de disponibilizar uma vaga para cada 35m² de área construída.

Um edifício que possui 2 mil m² de área construída, por exemplo, deveria ter, em média, 57 vagas em sua garagem. Mas não é exatamente isso que vem acontecendo. Orgãos governamentais solicitam, quase sempre, a construção de garagens com um número maior de vagas. Para diversos empreendimentos, a justificativa usada é a de que grande parte das pessoas virá trabalhar com automóvel. Isto nos remete a outro problema. Atualmente, temos um crescimento horizontal da capital paulista em função do atual plano diretor municipal, e não da verticalização com edifícios, como muitos acreditam. São Paulo tem menos de 20% de seu território verticalizado.

Com um mercado imobiliário altamente inflacionado, tanto em novas unidades como usados, as pessoas são obrigadas a sair da região central da metrópole, em função dos altos preços praticados. Temos, então, um ‘congelamento’ da cidade e uma redução do seu crescimento, já que a maioria das pessoas cada vez mais estão obrigadas a procurar alternativas fora de São Paulo e vem à capital somente para trabalhar, fazer compras, cumprir compromissos…

Isso causa um aumento da circulação de carros diariamente e, consequentemente, maiores congestionamentos, mais poluição do ar e uma significativa diminuição da qualidade de vida. Só para se ter ideia, o individuo que opta por tomar um ônibus para ir para trabalho, ao invés de ir de carro, reduz para um décimo o impacto ambiental provocado pelo automóvel no trajeto. Sem dúvida, pesados investimentos para oferecer um transporte público abrangente e de qualidade precisam ser realizados. Mas, infelizmente, São Paulo está ainda longe de oferecer estímulos reais para o cidadão deixar o carro na garagem ou conseguir morar próximo do seu local de trabalho. Bons exemplos estão mais próximos de nós do que imaginamos.

Saindo do lugar comum que toma como referências grandes metrópoles como Paris, Londres ou Nova York, que são de países desenvolvidos, podemos citar a Cidade do México. A capital possui um sistema de metrô com mais de 200 km de trilhos, que atende a cinco milhões de pessoas diariamente e custa menos que 40 centavos de Real. Já a malha do metrô paulistano tem modestos 70,5 km de extensão. Com um transporte público bem-estruturado e que incentiva o uso regular de bicicletas por meio de ciclovias, a Cidade do México conseguiu tirar milhares de carros das ruas e, assim, sair da lista das dez cidades mais poluídas do mundo. Se persistir esta situação, teremos nos próximos 10 ou 15 uma estagnação do crescimento habitacional, mas ainda com demandas crescentes de transportes e serviços. Assim, veremos São Paulo passando por uma situação que já acontece em outras grandes capitais no mundo que é a falta de capital para continuar investindo em melhoramentos.

Memória nos muros de São Paulo

 

O muralista e artista plástico Eduardo Kobra fez uma nova obra de seu mais antigo projeto em São Paulo, o “Muro das Memórias”. O trabalho, na av. Hélio Pelegrino, mostra uma cena da década de 30. Segundo Kobra, alguns dos personagens do mural olham para fora, “como que cobrando as pessoas de hoje sobre as transformações sem planejamento que prejudicaram a cidade de São Paulo”. Além de Kobra, participaram do trabalho outros três artistas do Studio Kobra: Agnaldo Britto Pereira, Marcos Rafael dos Santos e Andressa Munin Duarte.

A greve dos correios e as contas a pagar

 

Hoje, no Jornal da CBN, falamos sobre o impacto da greve nos Correios e o prejuízo que os clientes podem ter com as contas que não chegarem em tempo para serem pagas. Recebi depois do programa, a mensagem de Marli Aparecida Sampaio, ex-diretora do Procon de São Paulo, atualmente na ONG SOS Consumidor, sugerindo a leitura a seguir que esclarece muitas das questões envolvendo a paralisação dos carteiros. O artigo foi escrito pelo professor universitário e desembargados do Tribunal de Justiça Rizzatto Nunes:

Tenho sempre referido os correios no Brasil como exemplo de serviço de alta
qualidade e eficiência. Ou, como digo, um dos caminhos mais rápidos entre
dois pontos é o correio. Realmente, é induvidoso que esse é um dos melhores
serviços públicos do país e que cumpre a missão estatal que se espera obter
de todo serviço essencial (público, privado ou privatizado). Mas, seus
funcionários entraram em greve, que segundo anunciado, não terminou e não se
sabe quando cessará. Por conta da paralisação, muitas pessoas podem já ter
sofrido danos ou ainda podem vir a sofrer até a completa regularização do
sistema.

Por isso, hoje cuido dos direitos dos consumidores afetados pela greve e
lembro as regras de prevenção para evitar problemas.

Ø Responsabilidade objetiva da ECT

Inicialmente, quero deixar claro que todo dano causado é de responsabilidade
primeira da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) por expressa
disposição do Código de Defesa do Consumidor. É que ela responde pelos
vícios ou defeitos de seus serviços, o que inclui, naturalmente, a ausência
dos mesmos.

Para que a ECT seja responsabilizada não há necessidade de que seja apurada
sua culpa. É a chamada responsabilidade objetiva decorrente da exploração da
atividade empresarial e seu risco. O empreendedor público, privado ou de
atividade privatizada explora o mercado de consumo e a própria exploração da
atividade gera risco social, independentemente de sua vontade.

É evidente que, por exemplo, quando uma correspondência entregue pelo
consumidor aos serviços do correio não chega a seu destino no prazo ou
simplesmente se extravia, essa falha não se dá por interesse da empresa. Ela
não decorre da vontade dos administradores da ECT, mas da atividade em si,
eis que falhas sempre existirão no sistema de leitura ótica, na incorreta
observação do pessoal que faz seleção dos envelopes e pacotes, no transporte
etc. Portanto, o dano existirá, apesar da vontade em sentido contrário dos
administradores e funcionários.

Ø Danos sofridos

A lei sabe disso. Ela sabe que, apesar do esforço do prestador do serviço,
em algum momento, por evento imprevisto, o serviço falhará causando danos ao
consumidor. Naturalmente, a responsabilidade é a mesma na ausência do
serviço, como a que ocorre no período de greve e que persistirá mesmo após
seu fim por mais algum tempo até que o mesmo se normalize.

Por isso tudo, a lei estabeleceu a responsabilidade objetiva. Basta a
constatação do serviço contratado e seu defeito para que possa ser pedida
indenização. Desse modo, se o consumidor sofrer algum dano por atraso ou não
entrega de correspondência, poderá pleitear indenização.

Ø O problema das contas que vencem nesse período

A ausência de um serviço como o dos correios sempre gera danos em larga
escala, atingindo fornecedores e consumidores. Nos serviços massificados,
como os de telefonia, tevês à cabo, cartões de crédito, empréstimos
bancários etc, o serviço dos correios é fundamental para seu funcionamento.
Isto porque, é através dele que a maior parte dos milhões de faturas são
entregues mensalmente para pagamento.

Ø Consumidor responsável

Entretanto, o não recebimento de uma fatura não retira a responsabilidade do
consumidor em pagá-la no prazo se o credor manda as faturas pelo correio
mas, simultaneamente, coloca à disposição do consumidor outro modo de quitar
o débito. Explico.

Cabe ao fornecedor entregar as faturas antes da data do vencimento. Todavia,
com a paralisação dos serviços do correio, a entrega fica prejudicada. O
fornecedor, então, tem de oferecer uma alternativa de pagamento ao
consumidor. As segundas vias devem ser oferecidas via fax, email, acesso ao
site, por ligação telefônica etc. Se essas segundas opções são oferecidas,
cabe ao consumidor utilizá-las para o pagamento da dívida.

É bom lembrar que quando os serviços dos correios não estão paralisados,
isso não impede que alguma correspondência não seja entregue. Logo, mesmo
fora desse período crítico, pode acontecer do consumidor não receber fatura
para pagamento dentro do prazo ou simplesmente não recebê-la.

Ø Risco do empresário

Se o consumidor não recebe a fatura para pagamento, não se pode imputar a
ele a responsabilidade pelo pagamento no prazo. Não tem sentido culpa-lo
pelo que ele não fez. É risco do fornecedor entregar a fatura com tempo
suficiente para pagamento, risco esse que não pode ser repassado ao
consumidor. Todavia, cabe ao consumidor se acautelar.

Ø Prevenção

Para eventualmente tentar não ser responsabilizado, o consumidor tem que
provar que não recebeu a fatura, o que é muito difícil de faze-lo quando ela
não é entregue. Dá para fazer a prova, por exemplo, se o consumidor avisou
por escrito seu novo endereço para recebimento da fatura e ela foi enviada
ao antigo ou quando o próprio correio coloca carimbo de entrega atrasada
(Anoto que nesse caso, é a ECT quem deve ser responsabilizada pelo atraso).
No entanto, afora esses tipos de exceções, o consumidor acaba sendo
responsabilizado pelo atraso. Por isso, para evitar prejuízos, apresento as
observações a seguir.

Ø O controle das datas

O consumidor deve manter uma agenda com datas dos vencimentos de suas
faturas regulares. Se até a véspera do vencimento, ainda não recebeu alguma,
então, deve entrar em contato com o credor, solicitando segunda-via para
efetuar o pagamento. Essa é uma regra geral para o dia-a-dia e,
evidentemente, nesse período de greve deve ser imediatamente seguida. Para
aquele que não faz esse tipo de controle, a saída é pegar as contas do mês
anterior, ver as datas dos vencimentos e checar o prazo que existe para
pagá-las.

Atualmente, todos os grandes fornecedores mantém Serviços de Atendimento ao
Consumidor (SACs) e/ou sites, nos quais é possível obter uma segunda via da
fatura. Se a credor não tiver esse tipo de serviço, como já disse acima, ele
é obrigado a dar outra alternativa para pagamento, como, por exemplo, envio
do boleto via fax ou apresentação de dados bancários para depósito em conta
(nº de conta corrente, banco e agência, número do CNPJ — se for pessoa
jurídica — ou CPF

Encare essa: Desafio Intermodal 2011 é amanhã

 

Desafio Intermodal 2009Imagem do Desafio Intermodal de 2009, realizado em São Paulo

 

Felipe Aragonez, do Instituto CicloBR, convida o paulistano a participar do Desafio Intermodal 2011, amanhã, terça, dia 20 de setembro, em São Paulo. Por dois anos participei do evento que alerta para a importância de a cidade ser diversificada também nas opções de transporte para seus cidadãos. Na primeira, encarei o helicóptero que perdeu para uma bicicleta; na segunda, ano passado, botei o pé no pedal e fiz o maior percurso que havia realizado até então, em meio ao trânsito confuso de São Paulo. Bem orientado e com tranqulidade cheguei à prefeitura de São Paulo. Cansado, sim, mas muito satisfeito por ter ajudado a mostrar que é possível mudar o foco de uma cidade quando se pensa no coletivo. Leia o texto do Aragonez e se não der para entrar nop Desafio, use a proposta para repensar seus hábitos:

 

Qual meio de transporte é mais eficiente nos deslocamentos urbanos? Essa é a pergunta que o Desafio Intermodal, pelo sexto ano consecutivo, se propõe a responder.

Cerca de 15 pessoas participarão em diferentes modais, como carros, motos, ciclistas, cadeirantes e pessoas integrando os transportes públicos como ônibus, Metrô e Trem. Eles serão testados pelo tempo gasto para se chegar ao destino final, o custo que cada um gera e quantos quilos de gás carbônico emitem. Ou seja, não basta chegar em primeiro lugar, os impactos ambientais também serão importantes.

O Desafio pretende mostrar as infinitas possibilidades de se locomover pela cidade além de analisar o desempenho do transporte público ano a ano.

Como o Desafio Intermodal faz parte dos eventos que promovem o Dia Mundial Sem Carro, ele será realizado no dia 20 de Setembro (terça feira).

A saída acontece na Praça General Gentil Falcão, altura do número 1.000 da avenida Eng. Luis Carlos Berrini (ver mapa), às 18h00 em ponto. Cada participante deverá chegar ao prédio da Prefeitura do Município de São Paulo com o seu modal.

As Regras

O tempo computado será o deslocamento completo da pessoa e não do modal. Portanto, levaremos em conta o tempo que a pessoa leva até o modal e o tempo que ele perderá para estacionar o veículo. Como o ciclista desmontado se equipara a um pedestre, o único veículo que não será necessário estacionar é a bicicleta.

No deslocamento deverão ser respeitadas todas as regras de trânsito, os pedestres terão que atravessar na faixa, a não ser que ela esteja a mais de 50 metros. Nesse caso, segundo o art. 69 do CTB, ele poderá atravessar no local que considerar mais seguro.

O pedestre corredor terá que correr na calçada, caso isso não seja possível, será tolerado que ele use a rua.

Todos os participantes estarão uniformizados.

A relação dos modais a serem avaliados

Pedestre caminhando
Pedestre correndo
Ciclista por vias rápidas
Ciclista por vias calmas
Ciclista por vias calmas (feminino)
Ciclista + Metrô com bicicleta dobrável
Motociclista
Automóvel
Ônibus
Trem + Metrô
Trem + Ônibus
Ônibus + Metrô
Cadeirante
Programação do Desafio

17h00 – Início da Concentração Na Praça Gal Gentil Falcão e atendimento a imprensa.

17h45 – Alinhamento dos participantes e explicação das regras do desafio

18h00 – Será realizado um contato telefônico com um representante da organização do desafio, lá na Prefeitura e ele dá a largada pelo viva-voz do celular.

Nesse momento as pessoas se dirigem até o seu modal e cada um faz o trajeto que achar mais conveniente.

18h25 – Previsão de chegada dos primeiros participantes em frente à Prefeitura de São Paulo

20h00 – Previsão de chegada do último participante

Locais e data

20 de setembro de 2011 (terça-feira)
Partida: Praça General Gentil Falcão – Brooklin (Altura do número 1.000 da avenida Eng. Luis Carlos Berrini) (ver mapa)
Chegada: Prédio da Prefeitura ao lado do Viaduto do Chá.

Felipe Aragonez
Secretário Geral

Instituto CicloBR