Personagens do Ceagesp

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Desperdício do Ceasa

Dona Iraci Andrade, de 70 anos, mora no Jardim Rochdale, em Osasco, e aprendeu a fazer a famosa sopa de cebola do Ceasa. A cada 15 dias vai à Ceagesp, na zona oeste, buscar cebola e outros alimentos que encontra no chão ou dentro das caçambas. “Sustento os meus quatro netos com tudo que levo daqui. É muita coisa boa no lixo. Levo só para o meu gasto e também dou um pouquinho para os vizinhos, mas conheço gente que leva pra vender, abriu uma quitandinha…”

Dona Iraci classifica como pecado, o desperdício de alimentos no Ceasa.

O descascador de alho

O cearense José Segundo da Silva Filho, o “Veinho do Aio”, de 70 anos, ganha R$ 2,00 a cada caixa de alho descascada. “Quando estou animado descasco dez no dia. Para inteirar… ganhar mais um dinheirinho , faço uns biquinhos.” É encontrado no Pavilhão BPR do Ceasa

Macalé do Ceasa

Walter Souza Filho, o Macalé , de 75 anos, é  o carregador mais antigo e popular, do Ceasa. Trabalha como carregador desde os 15 anos. Paulista de Marilha, o ex-sindicalista Macalé, se orgulha de ter o primário completo, e faz questão de deixar claro que nunca foi pelego. Indignado, diz que no Ceasa muitos não sabem ler e escrever, o que o aborrece.

Macalé mora na Cohab Raposo Tavares , Zona Oeste,  e pergunta sobre uma  coisa que, segundo ele,  o incomoda há  tempo:

” Para onde foi parar o acervo fotográfico do início do Ceasa , que retratava o  dia a dia dos trabalhadores ? ”

Caixas da Ceasa

Caixeiro monta caixas de frutas e legumes. Cada caixeiro ganha R$ 70 e monta em média mil caixas por dia.

De quadrilha

 

Por Maria Lucia Solla

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O que é que corrompe o bicho homem, o que é que faz ele roubar, trapacear, enganar, maquinar, tramar na penumbra, no sussurro, no barraco, no palácio, em pequena, em grande quadrilha? É o dinheiro, é o poder? Não, meu caro, dinheiro e poder só facilitam a passagem para que a personalidade doente, egoísta, mimada, desvirtuada, abra as asas sobre a alma. Roubo, trapaça, engano e formação de quadrilha são cartadas ilegais no jogo desta sociedade, mas entra governo sai governo, o enredo é o mesmo dentro e fora dele, acima, abaixo e dos lados. Não entendo como a corja é tratada com deferência dentro e fora do cargo, antes do delito, durante o próprio e depois dele. O cargo que investe o cidadão sempre mereceu a deferência devida à sua importância, à sua nobreza. Hoje nobreza só entra em cena na qualidade do tecido de ternos e gravatas, saias e casaquinhos que seguem o modelo ditatorial da moda; e de todo o resto, muito muitíssimo! já que quando a farra acaba, se leva tudo embora amoitado, na mala da ilegalidade, da impunidade, da iniquidade.

O político é montado e transformado num manequim, para agradar o maior número possível de eleitores que vai se espelhar no modelo, como cantor de pagode ou artista de novela. A corja se candidata e nós a elegemos, torcendo e defendendo o seu partido na batida de torcida de time de futebol. A camisa é amada a despeito de quem está dentro dela. Corta-se e penteia-se o cabelo como manda o marqueteiro de plantão, e Botox não pode faltar porque ruga é sinal de preocupação, e poder não pode dar mostra de humanidade e muito menos de tangibiidade. Alguém acredita que veste o rei, e nós acreditamos que vemos as suas vestes.

A sensação de impotência que me traz a realidade política e social, podre, descontrolada, violenta, egoísta, comprometida com o escuso, armada de diploma ou de tresoitão, é desesperadora, tal goteira no teto do quarto, bem em cima da cama, mirada no travesseiro e que pingasse toda noite, a noite inteira, no meio da minha cara.

A parte do povo que ainda não forma quadrilha se atropela, se machuca, cada um defendendo o quê? O seu.

Há muito tem sido cobrado de mim maior interesse pela política, com direito a discurso partidário e tudo, mas como pode vir a ser maior algo que nunca existiu? A política é o retrato de um povo; a nossa reza pela cartilha do inculto contra o culto, do pobre contra o rico, e vice-versa, e isso eu confesso não adianta, não me interessa.

Choro por ti, povo brasileiro, choro por mim, impotente, incapaz de qualquer coisa que possa fazer de ti e de mim, dos teus netos e dos meus, cidadãos respeitados e amparados pela sociedade. Seguramente não estarei aqui, mas espero, do fundo do meu coração – e nisso eu sou boa – que um dia possam ver o outro como companheiro de vida; não como inimigo a espreitar no beco, na virada da esquina, dentro de casa.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de línguas e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Corte o cabelo e faça sua cabeça

 

Por Dora Estevam

Mudanças à vista!

Mulher quando põe na cabeça que vai mexer no cabelo ninguém segura. Nem os namorados! Não é pra menos, são tantas as variedades de cortes, cores e estilos que se torna impossível fugir das tentações.

As campeãs em mudanças são as celebridades. Como elas mudam; parece tão fácil !

Tem uns modelos que são super fofos. Eu, por exemplo, gosto muito das tranças, usei muito quando era garota. Elas são tão joviais e sensuais, dependendo do momento e do estilo.

Quem não se lembra das trancinhas da Britney Spers no clip Baby One More Time

O diretor Nigel Dick jura que nem havia pensado no cabelo da cantiora e quando ela apareceu, achou uma gracinha. E ficou mesmo, ainda mais com os lacinhos em rosa. Foi o primeiro vídeo dela, em 1998, e a ideia era ter a escola como cenário. Tudo combinando: tranças, colégio … o resultado você já sabe (se não, confira no vídeo).

As últimas mudanças mais comentadas em Hollywood são das celebs Blake Lively e Scarlett Johansson. Do loiro foram para o vermelho strawberry. As coloristas que fizeram as mudanças aconselham a quem quiser o cabelo cereja para que não exagerem, faça aos poucos.

Vale lembrar que estas moças famosas mudam em função dos filmes; na vida real a coisa funciona diferente. Não vá sair colorindo ou cortando os cabelos só porque achou bonito, dependendo do que você fizer o estrago será razoável, além de aguentar amigos e parentes falando sobre o desagradável estrago.

O nosso corte de cabelo muda muito e, na maioria das vezes, a gente nem percebe. Só quando olha as fotos, aí, sim, a surpresa; e as diferenças são apreciadas. Separei algumas fotos de cabelos que marcaram época e foram muito imitados. Você vai se lembrar e pode até ser que já tenha usado um deles.

Nos anos 80, a moda que marcou muito foi a dos cabelos enormes, quanto maior era volume mais bonito. Madonna e Witney Houston usaram. Nos 90, da androginia, as mulheres optaram pelos cortes mais curtos, bem curtos, popularizados pelas tops e atrizes Linda Evangelista, Winona Ryder e Demi More. E, em torno de 2007, Victoria Beckham e Rihanna revolucionaram com os fios assimétricos.

Há vários motivos para uma pessoa mudar o cabelo: mudança de trabalho, casamento, namoro, idade, cidade, conquistas, status social, entre infinitos propósitos. O legal é saber que existem muitos profissionais no mercado que podem te ajudar (não vai sair feito criança picotando a franja, por exemplo). Além de vídeos que estão na internet, os quais mostram mudanças e esninam a fazer os cortes, como usar tinturas e apliques, mesmo nos casos mais difíceis.

Veja esta moça o que fez com o próprio cabelo. Ela estava cansada de esperar pelos fios mais longos e optou por uma peruca. É uma boa ideia para enfrentar a ansiedade. Ficou interessante e criativo.

Natural ou sintético, o importante é fazer uma boa escolha para não chorar mais tarde. Agora,se algo der errado não se esqueça que cabelo é igual grama, crescem depois do corte.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

De pressão

 

Por Maria Lucia Solla

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Ouça “De pressão” na voz e sonorizado pela autora

Depois de anos de surpresa nos olhares que vinham na minha direção, e da pressão das amigas, comprei uma panela de pressão. Às vezes nem eu acredito; vou até a cozinha, abro o armário debaixo da pia e espio. Ela está lá, feia, desafiadora, perigosa, alta, cilíndrica, e brilhante, diferente das panelas que moram no meu fogão – de ferro, de pedra e de barro -, e que, fiéis, me acompanham na alquimia da cozinha, há tempo; campeãs do cozimento lento. Um bom feijão preto, feito na panela de ferro, não tem rival.

Gosto da comida feita devagar, de ver o processo do cozimento acontecendo. Tenho uma panela elétrica que trouxe de fora, há muito tempo, que cozinha os alimentos por até oito horas e mantém todos os humores de todos os ingredientes, lá dentro. Tem uma tampa de vidro e vivo passando por perto só para ver a transformação dos tomates, do pimentão, da coloração dos caldos que vão se misturando, na mágica da culinária.

Quando casei, me dei conta de como estava crua para a empreitada, porque só sabia fazer prato de festa, coisa de dia especial; firulas da alimentação. O dia-a-dia nunca tinha passado na minha cabeça. Fui criada para estudar, e isso quer dizer que afazeres da casa não faziam parte do meu aprendizado. Não julgo. Foi assim e pronto. Casada e querendo, muito mais do que devendo, cuidar e brincar de casinha, comprei um livro de receitas e era assim que eu me preparava, dia sim e outro também. Acontece que além de me casar despreparada para as lides da cozinha, ainda fui morar em outro estado, que usava uma linguagem diferente da do meu estado de origem. A Rede Globo ainda não tinha alongado os seus tentáculos pelo território todo, e a linguagem era diferente, de verdade, em cada estado na Nação.

A primeira vez que fui ao açougue, em romaria por quitandas e verdureiros, com a lista dos ingredientes copiada da receita escolhida para o dia, caí do cavalo. Pedi lagarto e, como o meu sotaque era diferente, além das minhas roupas, atraí olhares de clientes e atendentes do local. La-gar-to? disse o açougueiro que me atendia, e eu repeti, encolhida e envergonhada: lagarto. Tu pode explicar melhor? Corei, que é o que acontece com a gente quando sente vergonha, e confessei: na verdade não sei explicar, mas se o senhor me mostrar alguns cortes de carne, eu digo qual é. Me dei conta do bizarro nome do corte de carne lá do meu estado, ouvia risos, mas não havia nada que eu pudesse fazer. Tentei me manter firme, em cima dos saltos, apesar de sentir que não era justa a situação. Finalmente o açougueiro me mostrou um corte de carne que tinha o mesmo formato do lagarto, com perdão da palavra, assado, que era servido na casa que antes era minha e agora era só dos meus pais e do meu irmão. Me entusiasmei: é esse! é esse! O açougueiro olhou para os lados, virando ligeiramente os olhos, e disse em tom de vitória: tu quer dizer tatu!

Hoje eu teria olhado para ele, e para todos os sorridentes em volta, erguido as duas sobrancelhas e dito dãhr! e teria saído de lá rindo do absurdo da situação, mas eu era só uma menina solitária, em terra estrangeira.

Aprendi a cozinhar, ao longo do tempo, por amor à cozinha, à comida, aos diferentes paladares e hábitos alimentares e hoje, mesmo sem lista de ingredientes, consigo fazer bonito com o que encontrar na geladeira ou na despensa. Uma coisa não sei; se vou manter a panela de pressão no plantel. Nunca vi, nos países do Mediterrâneo, que é de onde viemos, a maioria de nós, uma panela de pressão.

Vou estudar o caso e aceito informação e sugestão.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

A cidade não é cinzeiro

 

Por Pedro Cardoso da Costa
Ouvinte-internauta da CBN

Com o passar do tempo e algumas medidas, embora tímidas e insuficientes, diminuiu este tipo de sujeira na cidade em geral, mas com a lei que proíbe fumar dentro dos ambientes fechados, as frentes de grandes prédios se tornaram verdadeiros monturos. A diminuição de fumantes também contribuiu para a melhoria. O foco fica nas bitucas, por serem a principal sujeira.

Nenhum problema arraigado se resolve com facilidade, mas este não requer milhões de dólares para ser resolvido. Apenas um pouco mais de empenho das autoridades, especialmente dos prefeitos. Além da participação daqueles mais engajados nas questões sociais. Ainda que toda unanimidade seja burra, todos poderiam contribuir; especialmente os diretores de escolas, seus professores e os comerciantes.

Nos últimos anos, as matrículas de crianças em idade escolar chegaram a quase cem por cento no Brasil; o número de alunos universitários tem aumentado ano após ano. Nenhum desses indicadores tem contribuído numa mudança de comportamento dos brasileiros. Comprovado por quase cem por cento dos fumantes ainda atirando suas bitucas nas ruas. Um procedimento conhecido por todos é o “piteco” de dedo indicador para atirar a bituca longe. É muito difícil encontrar cinzeiros portáteis; eles existem e não são utilizados. Não escapam nem as calçadas de bares de luxo e de lojas chiques. Jardins e canteiros das cidades se tornaram verdadeiros cinzeiros. Como implícito antes, há exceção de pessoas, mas não há de classes sociais e de escolaridade.

Existem medidas que qualquer um poderia adotar. Por exemplo, a exposição de cartazes em locais de grande movimentação de pedestres ou de carros, a conservação ou limpeza dos postes de iluminação em frente ao comércio ou à residência. Distribuição de mensagens em panfletos, em aparente contradição, mas ninguém é obrigado a jogá-lo na rua.

Os comerciantes são os mais decisivos nesse processo de melhoria de limpeza das cidades. Deveriam manter as calçadas sempre limpas, com varrição com esmero algumas ao dia, com a retirada total da sujeira, sem jogar no meio-fio, como a maioria faz. E de tempo em tempo recolher papel de bala, palito de fósforo e pontas de cigarro. Além disso, todos deveriam colocar bituqueiras ou cinzeiros com areia na frente do estabelecimento para induzir o fumante a utilizar naturalmente.

Campanhas educativas periódicas nos meios de comunicação ficariam a cargo das prefeituras municipais. Com eventualidade, até os governos estaduais e o federal deveriam contribuir com outras campanhas mais abrangentes, que envolvessem os três “r” famosos, redução, reaproveitamento e reciclagem, além do Meio Ambiente.

Todos poderiam dar uma contribuição até as cidades se tornarem plenamente limpas. A ponta de cigarro é apenas a sujeira mais comum, mas nenhum objeto deve ser jogado nas ruas. Elementar. Jogar objetos nas ruas é uma conduta arraigada e grosseira, que precisa ser combatida com a mesma força com que ela teima em permanecer. Todos, por si mesmos, precisariam se tocar definitivamente de que rua não é cinzeiro nem lixeira.

Compensação ambiental é questionada em São Paulo

 

Árvores cortadas na Marginal Tietê

Uma das metrópoles menos verdes do mundo, São Paulo perdeu nos primeiros quatro meses do ano 12.187 árvores. É como se quase um Ibirapuera inteiro tivesse sumido entre 1.º de janeiro e 30 de abril – o parque tem 15 mil árvores – para dar lugar a prédios, conjuntos habitacionais e obras de infraestrutura. Os números fazem parte de um levantamento da Comissão do Verde e Meio Ambiente da Câmara Municipal, obtido com exclusividade pelo Estado.

O texto acima abre reportagem publicada no fim de semana pelo Estadão e mostra situação complicada para a capital que se esforça para se transformar em referência mundial como cidade ambientalmente correta.

Os cortes ocorreram devido a obras públicas e privadas, pedidos feitos por moradores e doenças. De acordo com o levantamento, 621 árvores morreram, nesse período.

Na CBN, o secretário do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge disse que, às vezes, a retirada das árvores é inevitável e quando isto ocorre é exigida a compensação ambiental, mas que ele tem feito o possível para impedir a derrubada: “Realmente, a gente tem de ter corte, infelizmente. Eu digo, não, não, não, as pessoas ficam até bravas comigo, mas às vezes é preciso dizer sim”.

Sem levar em consideração que os números se referem ao ano de 2011, o secretário comentou à rádio que um dos motivos que levaram ao aumento no corte de árvores foi a obra da Marginal Tietê, ocorrida entre 2009 e 2010. Ele calcula que havia cerca de 4.900 árvores na região e cerca de 1.000 tiveram de ser removidas, mas que para autorizar a derrubada, o Governo do Estado foi obrigado a plantar 160 mil árvores.


Ouça aqui a reportagem de Guilherme Salviatti e a entrevista com o secretário Eduardo Jorge

A justificativa não ameniza a crítica de Heitor Marzagão Tommasini, do Defenda São Paulo, que tem relatado as perdas ambientais sofridas pela cidade nas últimas décadas. Em e-mail que me encaminhou, o arquiteto lembra que “o Atlas Ambiental (2001) demonstrou que durante 1991 e 2000 foram suprimidos 5.345,64 hectares de área verde na cidade, equivalente a 35 Parques do Ibirapuera”.

Árvore seca

Marzagão considera um equívoco a ideia de a compensação ambiental ser feita, na maioria das vezes, em áreas distantes do local que foram retiradas. Apesar de concordar com a proposta de se privilegiar regiões que não têm árvores, comenta que “onde foram suprimidas áreas verdes e vegetação arbórea há efetiva perda ambiental – por isso os impactos são chamados de vizinhança”.

Além disso, reclama da forma como a reposição é realizada: “A prefeitura informa que plantou milhares de mudas, mas o que vemos são milhares de mudas morrendo. São plantadas muito próximas, sem fazer a cova de forma correta, não fazem a rega necessária. Considero que simplesmente plantar mudas sem a técnica devida é condená-las à morte”.

Carro elétrico não precisa muito para seduzir

 

 

Fiquei com inveja da moça no saguão do aeroporto de Congonhas, nesta semana. Ela era elegante e tinha um ar de intocável como todas estas modelos contratadas para fazer pose ao lado de um carro. Minha inveja, porém, não se centrava nestes quesitos. Era pelo fato dela ter a oportunidade de se sentir um pouco dona daquele carro chamativo que estava em exposição: um Nissan com motor elétrico. O modelo ainda não está à venda no Brasil, lamentavelmente. Se o tivesse, eu entraria na fila com certeza.

Por coincidência, nesta mesma semana encontrei post no Blog Marketing Now, da Madiamundomarketing, que destacava anúncio de lançamento do carro elétrico da Renault, na Europa. A ideia dos criadores do comercial de TV foi questionar o cidadão sobre seu comportamento em relação ao uso do automóvel, altamente poluidor, comparando com outros hábitos que fazem parte de nosso cotidiano.

Em BH, sete em cada 10 já abandonaram sacola plástica

 

As sacolas plásticas estão saindo aos poucos da vida dos mineiros, uma mudança de hábito provocada pela lei que proibiu o uso deste material no comércio de Belo Horizonte, em vigor há um mês. De cada dez moradores da capital, sete não usam mais as sacolinhas para levar as compras para casa, de acordo com a prefeitura.

Puxando o traça e fazendo as contas, deixaram de ser usados 13,5 milhões de sacolinhas e de ser jogado no meio ambiente 60 toneladas de plástico. Por outro lado, alguns funcionários perderam o emprego e uma parcela da produção da indústria do setor está parada.

Hoje, somente 15% dos consumidores estão levando para casa as sacolas de plástico, nos supermercados. Estas são feitas de amido do milho ou recicladas e custam R$ 0,19 cada uma. Os demais usam sacolas retornáveis , carrinhos de feira ou caixa de papelão.

A lei em vigor na cidade de Belo Horizonte havia sido apresentada em 2008 quando foi aprovada e sancionada pela prefeitura, mas jamais regulamentada. O prefeito Márcio Lacerda resolveu por ordem na casa – ou no lixo -, assinou dois decretos, um proibindo o uso da sacola plástica comum e o outro permitindo o uso das recicladas e oxiobiodegradáveis por até 120 dias.

Os fabricantes protestam contra a medida e alegam que tiveram de demitir funcionários devido a queda de 30% da produção provocada pela entrada em vigor da lei.

É importante verificar como os mineiros estão se comportando a medida que foi a primeira capital a adotar esta medida por lei. Na cidade de São Paulo a proibição se inicia em janeiro de 2012, tempo durante o qual o mercado terá de se adaptar.

A restrição às sacolas plásticas deve aumentar ainda mais, pois a proibição está em discussão na Assembleia Legislativa de São Paulo com o projeto de lei 226/201, de autoria da deputada Célia Leão (PSDB). O tema está agora nas comissões de Constituição e Justiça e de Meio Ambiente devendo ser realizadas, em breve, audiências públicas. Se for aprovado, o uso dessas sacolas estará probido nas 645 cidades paulistanas.

Rosângela Giembinsky, do Movimento Voto Consciente, chama atenção para a importância da presença do cidadão no debate: “Por ser projeto de grande abrangência com consequência de curto e longo prazos, o cidadão tem de dar sua contribuição. Vale o debate pois existem vários lados com interesse, as empresas que fabricam as sacolas, os supermercados que deixam de ter as despesas, o meio ambiente e o cidadão”

De beijo redentor

 

Por Maria Lucia Solla

De beijo redentor

Ouça “De beijo redentor” na voz e sonorizado pela autora

Como é que a gente faz para não ser babaca, não ir atrás do lero-lero, acreditando no diz-que-diz, fofocando em ritmo de bolero, perdendo tempo de ser feliz?

Quero saber quem foi que começou tudo isso que é feio, triste, sujo, que esconde o bom e alardeia o ruim, do qual eu fujo.

quero saber porque acreditamos
que ser feliz é pecado
que quem ri é palhaço
quem tem dinheiro é que é ricaço
e eu no meio disso tudo
o que é que eu faço

Peço aos deuses de todos os credos que assoprem no meu ouvido, que me façam acreditar de novo naquilo de que hoje duvido; que levem de mim o condicionamento de acreditar em tudo que é racionamento, em vez de acreditar no poder do riso, que é exatamente do que preciso.

vade retro medo
inimigo maior que bandido
que me boicota, que de mim faz chacota
que me transforma num bicho
acuado encolhido

Me coloco à mercê de um anjo para que me use, faça de mim o que for preciso para que possamos todos receber o beijo redentor que cure a nossa dor e reacenda em nós a chama da esperança e do amor. Para que minha mente e meu coração finalmente se aliem, e que a força então gerada possa de mim redimir o pecado, e eu daqui para frente possa assumir o samba e deixar para trás o choroso fado.

Deuses, se é que existem, e se existem, se é que me ouvem, e se disso tudo que eu peço algo ainda estiver sobrando, mandem pra mim um pouco.

não que eu mereça
mas antes que eu enlouqueça

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

A elegância das echarpes nesse inverno

 

Por Dora Estevam

Vem chegando o frio e aquela vontade de cobrir o pescoço. No armário vários lenços e echarpes de lã, de seda, de malha, enfim, nas cores variadas. Ou não. Sejam como forem, são acessórios sempre funcional no inverno. Presente em todas as ocasiões, se proliferam nas lojas e bancas de vendas da cidade.

Por muito tempo o lenço era usado pelas mulheres da elite. Hoje, versátil, tornou-se peça-chave nos mais humildes armários. Viraram mercadorias tão disputadas como sapatos e bolsas.

Missoni, Yves Saint Laurent e Alexander Mc Queen introduziram cores abstratas nos lenços transformando-os em colírio para as mulheres. E para os olhos masculinos, também. Para o bolso, então, nem se fala.

Hoje é possível encontrar todos os padrões de lenços e echarpes. Os motivos variam entre tribais, desenhos abstratos, estampas coloridas … Um estilo que fez muito sucesso e ainda vendede mais é o lenço palestino. Aquele xadrez com franjas.

Em Nova Iorque, os lenços viraram multitaskers chamando a atenção para a forma como são usados. Muitas formas, por sinal. Você não sabe se é um lno, um vestido ou um echarpe mesmo, de tão versátil. Os truques para usar a peça são exibidos em vídeos que ensinam como torcer e fazer os nós da vida nos lenços.

E por falar em vídeo. Separei um bem bacana que ensina centenas de estilos:

Ao navegar em blogs como Carolines Mode, Street Peeper, Sartorialist e Jak & Jil – que fotografam pessoas nas ruas – fica bem visível o uso crescente dos echarpes. As fotos que abrem este post, eu encontrei por lá.

Só sei dizer que o tal do lenço virou mania mundial e vitrines que tratavam o item com desprezo agora exibem com o maior glamour. Para a gigante Hermes o crescimento do uso do lenço só ajudou a capitalizar mais ainda a empresa. Através de campanha na mídia social eles colocaram uma jovem para ensinar como fazer um laço.

Veja o resultado:

O bom de investir em um echarpe é que o sapato fura, a bolsa esfola, mas o lenço dura muito tempo.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung