Como as encarroçadoras andam no Brasil – parte II

 

Na segunda reportagem da série sobre o mercado de carrocerias de ônibus no Brasil você conhecerá algumas inovações tecnológicas que só foram implatadas após um duro período em que “quase os ônibus foram para o brejo”.

CIFERAL


Por Adamo Bazani

A crise econômica que marcou a década de 1980 foi apenas um dos motivos que atingiram o mercado de carrocerias, no Brasil. Problemas administrativos e falta de capacidade para comandar o próprio negócio também afetaram as encarroçadoras, de acordo com o diretor executivo da Fabus, Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, Roberto Ferreira.

“Foi a época em que mais apareceram e desapareceram encarroçadoras. Muitos executivos e engenheiros de empresas maiores, ou demitidos, ou com a ilusão de terem um negócio próprio, fundavam suas encarroçadoras. Levavam um time limitado e na hora de gerenciar viam que não bastava apenas saber produzir ônibus, tinham de entender de finanças e negociações com montadoras, frotistas e governos. Muita gente quebrou a cara”

Os erros administrativos também eram cometidos por empresas com experiência no setor. Reduziam demais os preços para conquistar mercado, os custos aumentavam e a margem de lucro estreita os levava a operar com prejuízo. Houve perdas, também, devido a iniciativas audaciosas em um tempo de incertezas.

Roberto Ferreira cita o caso da Cobrasma, empresa tradicional do setor ferroviário.

“Ela decidiu lançar um ônibus rodoviário com chapa de aço inoxidável. O veículo ficou muito caro e pesado e ônibus pesado interfere diretamente no custo de combustível e desgaste de pneus. Além disso, a manutenção deste veículo era muito cara. Se batesse, não bastava um simples serviço de funilaria para desamassar a peça. Todo o componente tinha de ser trocado. Nem precisa dizer que o ônibus, cuja principal propaganda era a chapa de aço, não foi bem sucedido no mercado”
Houve casos pontuais que assustavam o setor de encarroçamento de ônibus. Um desses foi a falência da Ciferal, mesma empresa cujo dono fundou a Fabusa. A Comércio de Ferro e Alumínio Ltda foi uma das principais empresas do segmento. Hoje, atua apenas no setor urbano e, desde 2001, pertence a Marcopolo.

A Ciferal foi fundada, no Rio de Janeiro, em 11 de outubro de 1955 pelo austríaco Fritz Weissmann, depois que este se afastou da Carrocerias Metropolitana, criada em parceria com o irmão Franz. Foi uma das primeiras a implementar o duralumínioe a criadora, a pedido da Viação Cometa S.A, de São Paulo, do modelo Dinossauro, inspirado nos GMs americanos. As linhas modernas e inovações tecnológicas deixaram um legado nas estradas brasileiras. Ela também produziu em 1979 o primeiro trólebus Padron de 12 metros, com novas tecnologias, o Padron Amazonas.

Em 1982, sofreu um grande golpe. Somou-se aos problemas administrativos, o cancelamento de uma grande encomenda de trólebus para a CMTC. A Companhia Municipal de Transportes Coletivos, de São Paulo havia encomendado 1.200 carrocerias. A Ciferal investiu todos os recursos que tinha para adaptar a linha de produção. Novos componentes de fabricação foram comprados, o parque fabril foi remodelado, foram gastos vários recursos em estudos e engenharia. A CMTC alegou problemas financeiros e comprou apenas 200 ônibus. A Ciferal não teve condições de honrar o financiamento com o Banco do Estado do Rio de Janeiro e os fornecedores para a linha de produção. A falência foi decretada e o setor de carrocerias como um todo sofreu um grande abalo.
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Pauta #cbnsp: Sem-teto são assassinados em São Paulo

 

CBN SPSem vida – Seis pessoas foram assassinadas enquanto dormiam embaixo de um viaduto na rodovia Fernão Dias, no bairro do Jaçanã, zona norte da capital. Uma mulher está ferida. Motoqueiros pararam no local e atiraram contra os moradores de rua. Suspeita-se que tenha sido vingança contra o grupo que teria cometido assalto próximo do local. Acompanhe a reportagem da CBN.

Sem teto –
A presença de moradores de rua em área distante do centro de São Paulo não surpreende o coordenador da Associação Rede Rua, Alderon Costa. Ele disse que se estima haver de 13 mil a 18 mil pessoas vivendo nesta situação na capital pela falta de abrigos e infraestrutura para atendê-los. A preocupação maior é com a chegada das baixas temperaturas, como explica na entrevista ao CBN SP.

Sem luz – Falha em sistema elétrico deixa centro da cidade de São Paulo sem luz desde o início da manhã. Ouça a reportagem.

Sem água –
Serviço de manunteção deixará bairro do Morumbi sem água durante a quinta-feira. Ouça as informações.

Como as encarroçadoras de ônibus andam no País

 

Roberto Ferreira, da Fabus, há mais de 30 anos, relembra das lutas de empresários e funcionários para o desenvolvimento do setor de carrocerias, no Brasil. Na primeira parte desta nova série de reportagens, o “Ponto de Ônibus” mostra como o segmento enfrentou o período da inflação.

CARROCERIAS SOBRE CHASSI DE CAMINHAO

Por Adamo Bazani

O fechamento de uma empresa e a onda de demissão e incerteza são dos maiores sofrimentos para o trabalhador. Não se resume a números em uma estatística de desemprego, são famílias, sonhos e projetos ameaçados – um carro a ser comprado, uma casa ou um tratamento médico que caem por terra.

Quem assistiu de perto este cenário, por muitas vezes, foi Roberto Ferreira, diretor executivo da Fabus, Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, entidade que reúne as principais encarroçadoras do país. Há 33 anos na função de executivo da entidade, Roberto diz que a indústria de ônibus se desenvolveu muito e vive condição favorável, atualmente. Nem sempre foi assim, ressalta.

“Sou enfático em dizer que a indústria de encarroçamento de ônibus no Brasil é uma grande vencedora, contribuiu com o desenvolvimento do País e, mesmo que a duras penas, soube superar os momentos econômico e social mais difíceis, no s anos de 1980 e 1990”

Nascido no Bosque da Saúde, zona sul da capital paulistao, Roberto Ferreira, de 65 anos, mudou-se para Santo André, no ABC Paulista, quando era criança. Seu primeiro contato com os transportes foi entre os anos de 1966 e 1968, quando administrava com o pai, Olegário Ferreira, uma distribuidora de bebidas na região:

“Eu cuidava da parte administrativa na distribuidora, e meu pai com um velho caminhão vendia as bebidas. Tirando a área central do ABC, as demais ruaseram de barro e cascalho. Quando chovia era um Deus nos acuda. Meu pai atolava com o caminhão e eu tinha de providenciar o resgate. Na época, para trabalhar com transporte, não bastava apenas dirigir. Tinha de entender de mecânica. E eu via meu pai trabalhando, consertando o velho caminhão. Lembro-me, por exemplo, da dificuldade que era, principalmente nos dias depois de chuva forte, a subida da Rua Gamboa para a Juazeiro, no Paraíso, em Santo André. Quantas vezes o caminhão do meu pai atolava neste lugar”.

Na distribuidora de bebidas, Roberto conheceu as dificuldades no transporte e desenvolveu experiência para gerenciar empresas:

“Peguei o tino para gerenciar e dirigir um negócio de uma tal maneira que quando vendemos a distribuidora, ela valia três vezes mais que na época quando entramos no negócio”.

Na década de 1970, Roberto Ferreira continuava no ramo de transportes. Desta vez, como gerente da Expresso Santa Catarina, em Blumenau, uma empresa de transporte de carga seca. Querendo voltar para São Paulo, ele descobre uma vaga para diretor executivo da Fabus.

“Quando cheguei na sede da entidade, na Rua Guaiaúna, na Penha, fui entrevistado por um mestre em transportes: o senhor José Massa, na época presidente da entidade e que, entre 1945 e 1946, fundou a Caio – Companhia Americana Industrial de ônibus -, homem visionário, um dos pioneiros da fase profissional de fabricação de carrocerias no Brasil”.

Em 16 de fevereiro de 1977, ele assume o cargo de diretor da Fabus. Mal sabia que anos depois, por causa da conjuntura econômica, além de problemas específicos no setor, enfrentaria um dos maiores desafios de sua carreira.

“No início, pensava que era mais tranquilo que o gerenciamento da transportadora. Quanto estive à frente da Expresso Santa Catarina, eram problemas como caminhão quebrado, frete não entregue na hora, discussões por causa do preço das entregas, e na Fabus, todas as associadas entregavam seus balanços direitinho e relatavam as necessidades do setor, para entrarmos em contato com montadoras, fornecedores e poder público. Mas, as coisas logo depois não foram tão tranquilas assim”.
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Chopp do bom e pornografia da grossa no centro

 

Camilo visita a loja, Victor tira a foto Blog Centroavante

Camilo visita a loja, Victor tira a foto Blog Centroavante

Algumas centenas de títulos pornográficos preenchem todas as prateleiras da pequena loja na rua do Triunfo. Antes motivo de satisfação, o comércio atualmente sofre forte assédio dos DVDs piratas tirando o bom humor do proprietário. Este foi um dos pontos visitados nestes dias pela dupla de jornalistas da Revista Época SP, Camilo Vanucchi e Victor Ferreira, que passou a morar no centro da cidade e publica suas descobertas no Blog Centroavante.

Na conversa desta segunda-feira, Victor contou algumas das suas impressões desta região da cidade capaz de oferecer um chopp com a qualidade daquele servido no bar do Léo e ter as calçadas tomadas por moradores de rua e viciados em droga, tudo isso na mesma rua. E não pense que fazer esta “cobertura especial” é só diversão.

Acompanhe outros passeios feitos pela dupla na entrevista de hoje no CBN SP

Pauta #cbnsp: “Eu acabaria com o rodízio amanhã”

 

CBN SPUm milhão de veículos a mais passaram a andar na cidade por causa do rodízio municipal, segundo pesquisa encomendada pelo Sindicato dos Estacionamento Particulares (Sindipark). De acordo com dados do estudo desenvolvido pelo especialista Horácio Augusto Figueira 27,5% dos paulistanos tem um carro extra na garagem para “driblar” a restrição no tráfego. “Eu acabaria com o rodízio amanhã”, disse Horácio em entrevista à CBN. A Secretaria Municipal de Transporte entende que os dados não condizem com a realidade, pois pesquisa de Origem-Destino, realizada pelo Metrô de São Paulo, mostra que houve redução na proporção de famílias com mais de um carro. Enquanto em 1997, 10,5% das famílias paulistanas tinham dois carros, em 2007 este percentual ficou em 9,5%. Ouça a reportagem.

Transporte sustentável – Passageiros transportados com segurança e conforto, ônibus rodando em corredores segregados e com motores menos poluentes. É o cenário ideal para quem sonha ter um transporte sustentável, distante daquele que encontramos na capital paulista. Especialistas e vereadores discutem o assunto hoje na Câmara Municipal de São Paulo. Cícero Yagi, do Movimento Nossa São Paulo, em entrevista ao CBN SP, chama atenção para o fato de a cidade não ter indicadores confiáveis, descumprindo lei municipal, o que prejudica o planejamento do transporte.

Gripe suína – Começa a última etapa de vacinação contra a gripe suína na capital e as filas foram constantes nos postos. Durante o fim de semana, faltaram doses em alguns locais e a justificativa é que a procura foi acima do esperado. Nesta senama, o problema não vai se repetir, disseram autoridades ouvidas pela repórter Cátia Toffoletto na reportagem que você acompanha aqui.

Esquina do Esporte – O Campeonato Brasileiro começou no fim de semana com parte dos clubes atenta nas decisões pela Copa do Brasil e Libertadores, na quarta-feira. E no noticiário a rodada perde destaque pela expectativa da chamada da seleção brasileira que será amanhã, 13h. Mário Marra, novo comentarista da CBN SP, e Marcelo Gomes falaram sobre a possibilidade de haver novidades na lista a ser anunciada por Dunga.

Passeio de trólebus celebra passado de olho no futuro

 

Em comemoração aos 61 anos do trólebus no Brasil, organizações não governamentais e empresa operadora levam a população a refletir sobre a necessidade de transportes mais limpos e apresentam obras de expansão de rede de trólebus

Organizadores do passeio de trólebus

Por Adamo Bazani

Um encontro do passado com o futuro. Foi essa a tônica do passeio em comemoração aos 61 anos de trólebus no corredor que liga São Mateus, na zona Leste de São Paulo, a Jabaquara, zona Sul, pelos municípios de Santo André, Mauá, Diadema e São Bernardo do Campo. O evento que reuniu entusiastas e especialistas no setor de transportes, neste sábado, dia 8 de maio, é fruto de uma parceria entre a Metra (Sistema Metropolitano de Transportes Ltda), que é a empresa operadora do sistema, e movimentos sociais em prol do desenvolvimento dos transportes e da ampliação da oferta de veículos com tecnologia limpa, como Movimento Respira São Paulo, Movimento Defesa do Trolebus e Portal Via Trolebus.

Além de ser relembrada a história dos trólebus, considerados os veículos mais adequados à realidade econômica brasileira para oferecer um transporte de qualidade e sem emissão de poluentes, foram apresentadas aos participantes as obras de ampliação da rede elétrica para a colocação de trólebus no trecho do corredor entre Piraporinha, no ABC Paulista, Diadema e Jabaquara, na zona Sul de São Paulo.

O gerente de projeto funcional da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanas, que atuou em diversos sistemas de transportes do Estado, Airton Camargo e Silva, afirmou que a eletrificação do corredor é uma antiga demanda da população que é servida pelo sistema do corredor ABD e que só não se realizou anteriormente por conta da descontinuidade administrativa.

“Na época do governador Franco Montoro, no início dos anos de 1980, o Metrô elaborou um grande projeto de ‘Rede Metropolitana de Trólebus”, que não previa apenas o corredor ABD, mas diversas ligações, que devido ao grande fluxo de veículos e de passageiros, se optou por serem servidas por veículos de tração elétrica para não haver degradação ambiental. O primeiro corredor a ser construído foi este do ABC Paulista. As obras começaram em 1985. Terminou o governo Montoro, o sucessor Orestes Quércia concluiu o corredor segregado em 1988, mas não eletrificou o trecho entre Piraporinha e Jabaquara. Acontece que as administrações seguintes também não se empenharam como poderiam. Só agora vemos as obras em andamento. Na verdade é um sonho antigo da população” – comenta Airton.

Problemas na contratação das construtoras também atrasaram as obras que já deveriam ter sido feitas há mais de 20 anos.

Nova estação de alimentação

Apesar do sonho ser antigo, a eletrificação do corredor será dotada de novidades em relação aos outros sistemas existentes no Brasil. É o que explica Jorge Françozo do Movimento Respira São Paulo: “O que há de moderno será instalado nesse trecho do corredor. As subestações de alimentação são mais novas e avançadas e virá ao Brasil um sistema que já deu certo na Europa. O trecho terá Rede Flexível. É um tipo de rede aérea cujos fios que fornecem energia para os trólebus são sustentados por pêndulos. Esses pêndulos minimizam os impactos causados por variações no solo, o que possibilita menos quedas de alavancas, menor desgaste de fios e, pelo fato de a rede se ajustar mais ao movimento do veículo, é possível uma condução mais simples, com maior velocidade e segurança, principalmente em curvas, e menor desgaste dos fios”. Ele também atribuiu a demora pela eletrificação do trecho à dificuldade dos políticos se decidirem em favor do meio ambiente. “Creio que até o final deste ano, as obras estejam concluídas”.

Pesquisa realizada no corredor confirma que os usuários preferem os trólebus aos ônibus convencionais, por serem menos poluentes, emitirem menos ruído e oferecerem mais conforto.

Tanto Jorge Françozo como Airton Camargo afirmam que a tração elétrica confere maior potência aos veículos, inclusive em trechos de maior exigência do ônibus, é mais econômica, pode durar até quatro vezes mais que equipamentos de outras fontes de energia, além de trazer uma qualificação ambiental da região que servem.

O passeio também foi marcado pela solidariedade. Cada um dos participantes doou um quilo de alimento não perecível. O material será repassado para a “Casa de Lucas”, unúcleo beneficente que ajuda crianças carentes, localizado em Santo André. Mensalmente a Metra doa para a entidade 2 toneladas de papel, boa parte dos bilhetes usados engolidos pelas catracas, para reciclagem.

Adamo Bazani, repórter da rádio CBN, busólogo e costuma escrever às terças-feiras no Blog do Mílton Jung, mas não perde uma viagem sequer na história do transporte de passageiros.

De foco


 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Foco” na voz e sonorizado pela autora

De foco

Afine os ouvidos, abra bem os olhos, faça espaço na corrente contínua de pensamentos para que a consciência possa se expandir. Atravesse um novo portal por dia e transforme o mundo. Construa a paz. Seremos uma raça singular.

sem preto nem branco
amarelo ou vermelho
sem judeu
budista ou ateu

Raça de um único partido, em todos os sentidos, estados e países. Em todos os continentes.

Sem papo de aspirante a profeta. Sem ladainha de Nova Era ou de Terceiro Milênio. Sem mantra de Aprendiz de Guru e nem estratégia armada pelo marketeiro da hora para lançar nova grife divina, porta-voz do Altíssimo.

falo da vontade verdadeira
da disposição
falo do passo que brota da intenção
que brota do teu
e do meu coração

falo de um passo para o qual não existe
jamais poderia existir
receita ou lição
só o que existe é direção

E a direção para nós, frutos da Terra Brasil, está bem clara e estampada no seu símbolo maior:

ordem e progresso
só isso
tudo isso
é essa a nossa tarefa
nossa direção
nossa receita
nossa lição

Ordem e Progresso não é, como se quer ufanar, uma estampa, um cartão de visita do nosso comportamento de cidadão; de ser-humano. Está estampado ali, para nos lembrar da direção a seguir.

Mas nós vivemos focados no sentido oposto, adormecidos, babando, anestesiados pela desordem, pelos desmandos. Pelo caos. Estamos viciados na desordem. nos desmandos e no caos. Temos fome e sede de violência.

focamos no ele disse
no disseram que te disse que lhes disse
o que disse e o que não disse
cara
caretice

focamos no que está errado e por isso vemos tudo errado

Assim como dois mais dois são quatro, o objeto sobre o qual focamos fica iluminado, arejado, regado. Dá frutos, como rege a lei da vida.

Enquanto isso, ainda como dois mais dois são quatro, o objeto sobre o qual deveríamos focar, ou aquele que dizemos almejar, fica na escuridão, abafado, ressequido. Como rege a lei da vida.

É urgente que olhemos para nós mesmos com coragem, lealdade e cumplicidade, e que decidamos sobre o quê realmente queremos focar. Não há certo, não há errado; só coerência ou a falta dela.

E antes que eu me esqueça: se nossos egos não aproveitarem a bendita dor para se curvarem, nós quebraremos.
Ao menos eu, com certeza quebro.

“Não é só a morte que nivela; a loucura, o crime
e a moléstia passam também a sua rasoura
pelas distinções que inventamos.”
Lima Barreto
Policarpo Quaresma

“Nasci pobre, mulato e livre”
Lima Barreto
falando de si


Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, foco seu olhar nos artigos para o Blog do Mílton Jung

Vermelho Valentino para sua mãe

 

Por Dora Estevam

Se eu tivesse que oferecer um estilista de presente para uma mãe ou se eu fosse esta mãe, com certeza seria o italiano Valentino. O estilista que rompeu definitivamente o monopólio parisiense da moda e seduziu o mundo com criações luxuosas e femininas.

Eternamente vermelho.

Valentino abre 1

Quantas vezes você chegou a ver os vestidos maravilhosos de Valentino no tapete vermelho da festa do Oscar?

Vestidos deslumbrantes usados por mulheres indiscutivelmente elegantes como Audrey Hepburn, Jacqueline Kennedy e a princesa Diana. Na agenda contemporânea, Claudia Schiffer, Sharon Stone e Linda Evangelista.

Atualmente, as coleções assinadas por Valentino vão além de moda feminina e masculina, suas charmosas criações se expandiram para acessórios como perfumes, relógios, óculos e bolsas.

Sem dúvida o século 20 foi incrivelmente especial para o estilista que expandiu seu império para além da Itália, abriu lojas na França, Inglaterra, Japão, Estados Unidos, Coréia Indonésia, entre muitos outros países.

Valentino MeioQuando se fala em moda a impressão que dá é que tudo são flores, mas você imagina o que Valentino passou para chegar no topo da alta-costura?

Valentino Clemente Ludovico Garavani, nascido na cidade de Voghera, em 1932, teve que romper muitas barreiras a começar pelo monopólio parisiense que não admitia estilistas estrangeiros.

Valentino terminou os estudos em Milão, onde aprimorou seu conhecimento em arte e escultura, depois foi estudar em Paris  na Chambre Sybdicale de la Haute Couture. Na capital, aproveitou para fazer um estágio e algumas aulas de dança e teatro.

Ai você me pergunta, de onde vem afinal a inspiração para o estilista gostar tanto de vermelho? Bem, ainda nesta ocasião, o jovem Valentino começou a frequentar a Ópera de Barcelona, ao notar que a maioria das roupas dos trajes  usados em cena era vermelha, ele se deu conta que depois do preto e branco não existia cor mais bela.

Enfim, estamos falando de uma época muito elegante, La Dolce Vita italiana. Em 1957, com 27 anos, Valentino abriu seu próprio ateliê em Roma e lançou seu primeiro desfile solo. O impacto foi grande, até a atriz Elizabeth Taylor largou tudo para assistir, depois disso ela encomendou um vestido para a premiere de Spartacus. Faz ideia?

Dai em diante as estrelas Ornella Mutti, Sophia Loren e Mônica Vitti se encantaram com o jovem italiano.

Nos anos 60, a moda londrina invadiu o mercado com as criações de Mary Quant e com isso os preços da alta-costura baixaram muito. Valentino esperto que era, deu um verdadeiro golpe de mestre, preparou a sua coleção prêt-à-porter, se dedicou mais a criação e expandiu a marca.

Em 1968, ele costurava para as mulheres de políticos e as mais famosas atrizes, sem contar que fez o vestido de casamento da amiga dele Jacqueline Kennedy.

Valentino Abre

Valentino sempre foi inteligente e soube aproveitar as oportunidades e as mudanças de cada época. Digo isso, porque já em 70, com todas as mudanças sobre as quais falamos nesta coluna, ele criou peças incríveis com estampas extravagantes com leopardos, zebras e girafas, vestidos suntuosos de noite e não poupava plumas, paetês e bordados.

Em 2008, Valentino se aposentou, mesmo dizendo que não conseguiria ficar longe das tesouras. A marca ele já havia vendido para uma empresa britânica.

Talento e criatividade nunca faltaram para o mestre italiano que  sempre surpreendeu com suas criações arrojadas e sempre femininas.

Seduziu  mulheres do mundo inteiro. Porque sempre soube traduzir os sentimentos tão delicados, sofisticados, glamorosos e luxuosos.

As mães merecem um homem assim.

Dora Estevam é jornalista, escreve ao sábados no Blog do Mílton Jung e, mãe, fala em causa própria na coluna de hoje.

Parceria com ouvinte-internauta dá destaque ao Blog no JT

 

O Jornal da Tarde desta sexta-feira deu colher de chá ao Blog do Mílton Jung citando reportagem que foi publicada aqui na quinta-feira, a partir de colaboração da ouvinte-internauta Karina Mendes Francisco que flagrou a faixa de segurança pirata feita por um morador da capital na Avenida Miguel Estéfano, bairro da Saúde, zona sul de São Paulo. Confira a reportagem completa do JT e o post do Blog. Nosso agradecimento pela citação da fonte e pela dica da Karina.

Nota no JT

Pauta #cbnsp: “Derrubar minhocão é factóide”

 

High Line conquistou nova-iorquinos desde a inauguração em junho

High Line conquistou nova-iorquinos desde a inauguração em junho

O anúncio do prefeito Gilberto Kassab (DEM) de que pretende derrubar o Minhocão, em São Paulo, é um factóide, disse o arquiteto Kazuo Nakano, do Instituto Pólis. Concorda com ele, o engenheiro urbano Luiz Célio Botura que chamou a medida de “publicidade política”. O próprio prefeito ao ser entrevistado na rádio CBN sobre o tema disse que “não há projeto”.
Para entender melhor a intenção da prefeitura de São Paulo,
acompanhe as reportagens e entrevistas que estão na página da CBN SP

Enquanto o projeto não vem, deixo a sugestão que encontrei em Nova Iorque, onde a linha de trem abandonada na região de Chelsea se transformou em um parque suspenso (foto acima e post aqui)

Leia e ouça outros destaques na pauta #cbnsp:

Violência na agência – Um aposentado com marcapasso foi impedido de entrar em agência do Banco Bradesco, discutiu com o segurança e foi baleado na cabeça. Outro cliente foi ferido, também. A pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP Viviane Cubasdisse que o comportamento é resultado da falta de qualificação desses profissionais que atuam na segurança privada, fator que também atinge policias.

O cliente baleado está internado em estado grave,
segundo reportagem da CBN

Noite Paulistana – Saiba quais os destaques da música, do cinema e do teatro neste fim de semana em São Paulo, nas sugestões de Janaína Barros