Ônibus fica mais caro que metrô, em SP

 

Um registro histórico no sistema de transporte de passageiros em São Paulo: pela primeira vez, feitos todos os reajustes anuais, está mais barato andar de metrô do que de ônibus. Por este, desde janeiro você paga R$ 2,70; pelo outro, a partir de 9 de fevereiro, pagará R$ 2,65. A diferença de R$ 0,05 vai provocar mudança de hábito nos passageiros ?

O professor de engenharia de Transportes Públicos da Escola Politécnica da USP Jaime Waisman acredita que sim, mesmo porque o sistema de ônibus está lento. E agora, caro. Para ele, a operação poderia ter um custo menor se houvesse investimento em corredores exclusivos que aumentariam a velocidade do transporte e ofereceriam mais conforto ao passageiro.

Ouça o que disse o professor de engenharia Jaime Waisman

“Linha de ônibus” para os alagados de São Paulo

 

Ônibus para enchente

Longe de me meter em área que nosso companheiro Ádamo Bazani é craque, mas é evidente que o ônibus da direita parece mais apropriado para transportar passageiros pelas ruas de São Paulo do que o da esquerda que está sendo usado para levar os moradores dos jardins Pantanal e Romano para casa. No humor sarcástico do pessoal que vive na região, a prefeitura assim que providenciar a compra dos modelos mais modernos vai implantar o bilhete-úmido, e o governo do Estado já teria autorizado a criação do Pedágio Aquático.

(a foto do bote resgatando moradores foi enviada pelo ouvinte-internauta Robson Simphronio e está publicada no Blog Notinhas de São Miguel)

Ônibus a etanol, o Brasil não faz a lição de casa

 

Na Região Metropolitana de São Paulo apenas dois ônibus a etanol rodam em caráter de teste, enquanto na Europa os passageiros já são transportados há muitos anos com álcool produzido no Brasil.

CORREDOR ABD

Adamo Bazani

Ninguém tem dúvida: o Brasil é dos maiores produtores mundiais de álcool combustível, o etanol. Nem por isso as cidades brasileiras são beneficiadas pelo uso de ônibus com motores movidos a combustível mais limpo. A afirmação é de especialistas do projeto Best (BioEthanol for Sustainable Transport).

O Best é responsável pelos estudos de operação de ônibus a etanol em diversas regiões do mundo. É ideia da União Europeia e coordenado pela prefeitura de Estocolmo na Suécia. Aqui no Brasil, está a frente dos estudos Centro Natural de Referência em Biomassa – Cenbio.

O coordenador do projeto no Brasil, José Roberto Moreira, acompanha os testes de dois ônibus urbanos a etanol que rodam na Região Metropolitana de São Paulo, incluindo a capital. Um modelo opera desde 2007 no corredor Metropolitano ABD, que liga São Mateus, zona leste, a Jabaquara, zona sul, e passa pelas cidades de Santo André, Diadema, São Bernardo do Campo, com extensão para Mauá. É um Marcopolo Viale Scania. O outro ônibus é um Caio Millenium II Scania, que opera apenas na capital desde novembro de 2009.

Os veículos reduzem em até 80% o nível de poluição em relação aos ônibus a diesel. Para chegar a esta conclusão, foram colocados atrás dos ônibus a etanol dois ônibus “sombra” a diesel. Assim é possível fazer a comparação simultânea tendo as mesmas condições climáticas, que interferem na qualidade do ar.

Apesar de os testes indicarem menor poluição e bom comportamento dos ônibus em operação, José Roberto Moreira disse em diversas entrevistas que faltam incentivos do governo brasileiro para o desenvolvimento de mais pesquisas e, principalmente, para tornar mais barata a produção de veículos a etanol.

O “Ponto de Ônibus” entrou em contato com a Metra, empresa que opera o corredor ABD, e funcionários da empresa, desde engenheiros a motoristas, declaram que o comportamento do ônibus a etanol no corredor é muito bom: “não fica atrás dos veículos a diesel convencionais”. No corredor também operam trólebus, ônibus híbridos e um a hidrogênio, ainda em testes na garagem.

Uma verdade que não surpreende, por exemplo, Estocolmo, na Suécia, onde a Scania, empresa com sede mundial no país, apresentou recentemente a terceira geração de ônibus a álcool – 80% do produto, ironicamente, fabricados no Brasil.

Scania lança 3a geração na Suécia

Na opinião dos técnicos, o Brasil tem tecnologia para a produção destes ônibus, modernos centros de pesquisa e combustível em abundância. Mas enquanto aqui rodam apenas dois ônibus – em teste – na capital sueca são cerca de 600.

O etanol é mais caro que o diesel – basta conferir na bomba de combustível mais próxima da sua casa -, porém o ganho ambiental faz valer a pena o investimento maior. Sem contar que o diesel é consumido mais rapidamente nos motores, ou seja, rende menos quilômetros por litro.

Para os técnicos do Projeto Best que acompanham a situação dos transportes no país e o impacto que este tem no meio ambiente, o Brasil tem o material didático (etanol, veículos modernos e centros de pesquisa), mas não faz a lição de casa.

Adamo Bazani é repórter da CBN, busólogo, escreve às terças no Blog do Mílton Jung e preza seus pulmões.

A cidade de Kassab está no caminho certo

 

“Estamos no caminho certo”. Faça chuva ou faça temporal, o discurso do prefeito Gilberto Kassab (DEM) não muda. Nesta manhã, quando o sol ainda raiava sobre os paulistanos, ele foi entrevistado no CBN São Paulo, após a assessoria de comunicação dele ter sugerido a conversa para que esclarecesse os pontos polêmicos sobre a mudança no horário de funcionamento das feiras livres de São Paulo. Confesso que logo imaginei que Kassab iria anunciar um recuo na decisão, pois havia ouvido reclamações de feirantes e consumidores no fim de semana. Ao contrário, reafirmou que está correto na medida adotada e a população apenas precisava se acostumar a uma mudança de hábito.

Quanto às reclamações prefeito ? Não teria havido. Foram os repórteres que não entenderam a “sugestão” de uma senhora que trabalha em feira livre e ele respeita muito. “Lembro até o nome dela”.

Se o tema é feira livre, se é sujeira na rua, se é buraco no asfalto, não importa. A resposta é sempre a mesma.
Capa Época SP fevereiroParece estar convicto de que todas as medidas foram tomadas e o drama das famílias encharcadas que aparecem na televisão no fim da tarde é coisa de outro mundo – assim como as reclamações registradas pelos repórteres. Aliás, esta é outra estratégia do prefeito, repetida à exaustão na entrevista ao CBN SP: avaliar o trabalho da imprensa. Esta reportagem não está precisa, “mas eu respeito muito”. Aquela outra confundiu os números, “mas eu respeito muito”. E tem a terceira que Kassab também respeita muito e destaca para mostrar a exatidão das políticas que está implantando, apesar de todos os problemas provocados nas gestões anteriores, lógico.

Foi o que fez ao comentar a reportagem da Folha de São Paulo, publicada semana passada, sobre a coleta seletiva do lixo. A pauta era clara: as empresas Loga e Ecourbis não estariam cumprindo o serviço previsto em contrato, moradores chegaram a dizer que o caminhão não passava na rua há algumas semanas. Para o prefeito, a reportagem era o sinal de que o serviço de coleta seletiva estava melhor na gestão dele. “Não entendi, prefeito”, falei de bate-pronto. Ele me explicou, afinal “me respeita muito”. E prometeu enviar os números (talvez assim, eu consiga entender melhor).

A entrevista completa você acompanha no portal da rádio CBN que agora tem uma página que fala apenas de São Paulo. Clique neste link, ouça a opinião do prefeito e dê sua opinião.

Este comportamento do prefeito Gilberto Kassab diante dos problemas da cidade foi destaque na reportagem de capa da revista Época São Paulo com a manchete “Uma cidade que só Kassab não enxerga”. Cercado por números negativos, incluindo os de sua popularidade em queda, o prefeito aparece sorrindo em fotos feitas na época da eleição, em 2008.

A Cátia voltou, os buracos permanecem

 

Buraco na Major Sertório

Estrategicamente um dia após a vitória do Corinthians contra o Palmeiras, a repórter Cátia Toffoletto retornou ao trabalho. Garante que é coincidência. Pode ser. O que não surpreende em nada foi o que ela encontrou pelas ruas de São Paulo, logo cedo. Uma quantidade enorme de buracos e crateras a incomodar o trânsito paulistano que começa a retomar a rotina após as férias escolares. A cada esquina a manchete que havia lido no Jornal da Tarde, enquanto circulava pela capital, se concretizava: “Paulistano enfrenta um buraco por minuto”.

Marcou sua volta ao canto da Cátia, coluna que mantém aqui no Blog, com umai conversar com os moradores da capital para saber o que eles pensam desta situação:

Ouça a reportagem, ao vivo, da Cátia Toffoletto, no CBN SP

Se quiser saber o que o prefeito Gilberto Kassab tem a dizer sobre isso, visite a página da CBN SP na internet.

Paraisópolis terá rádio comunitária

 

Das maiores favelas do País, Paraisópolis que nasceu na borda do bairro do Morumbi vai inaugurar uma rádio comunitária que será transmitida em frequência modulada, a partir de 2 de março. A União dos Moradores de Paraisópolis recebeu a concessão pública para explorar o sinal nos próximos 10 anos e criou um conselho com integrantes da comunidade para controlar a programação. Os apresentadores, repórteres e demais profissionais serão todos moradores da Paraisópolis, conforme informou Gilson Rodrigues, que dirige a entidade. Ele ressaltou que na própria favela são desenvolvidos cursos técnicos para preparação desses profissionais.

A rádio será coordenada pelo Joildo dos Santos, diretor de comunicação da União dos Moradores e por um grupo de jovens comunicadores. Joildo, aliás, é um dos integrantes do Adote um Vereador, ideia que incentiva o cidadão a acompanhar o trabalho na Câmara Municipal de São Paulo.

Ouça como será a rádio Nova Paraisópolis, na entrevista com Gilson Rodrigues ao CBN SP

A Nova Paraisópolis FM funcionará na frequencia 87.5.

A emissora faz parte de um plano de comunicação desenvolvido pela comunidade que inclui um jornal e o site www.paraisopolis.org e o jornal Paraisópolis. Em brevem os moradores pretendem lançar ainda uma revista.

Foto-ouvinte: Buraco da Girassol

 

Buraco na Girassol

Um buraco não é apenas mais um buraco quando fotografado e analisado pelo ouvinte-internauta Tavinho Costa. Este que você vê aí em cima é na rua Girassol, na Vila Madalena, zona oeste, aberto pela segunda vez em um mês, resultado de vazamento mal resolvido. Antes de reclamar do pobre coitado, Tavinho ajusta sua câmera e o registra com uma plasticidade singular, talvez como agradecimento ao benefício que o rombo no asfalto trouxe para pedestres e crianças: “os carros passam por esta ladeira como se fosse pista de corrida; com o buraco e os cones, os motoristas diminuem a velocidade, e nós nos sentimentos mais seguros”.

Coração de repórter, lágrima de gente

 

Carla Vilhena chora no Pantanal

O drama das famílias que moram no Jardim Romano, zona leste de São Paulo, emocionou a jornalista Carla Vilhena da TV Globo. Não suportando ouvir o relato da moradora que está há mais de um mês com sua casa cheia de água e corre o risco de perder a moradia, a apresentadora do SPTV não se conteve e chorou muito, conforme registro feito por Gilberto Travesso, do Blog Notinhas de São Miguel. Bom saber que ainda há quem se sensibilize com as dificuldades do cidadão abandonado pelo poder público.

Mensagem que recebi da colega de profissão Carlo Vilhena (publicado em 04.02.2010 às 22:13)

“Uma vez ouvi de um jornalista:
– Carla, estou deixando a reportagem, porque perdi a capacidade de me emocionar.
Fiquei chocada. Ao mesmo tempo em que ele era sincero, parecia sofrer com sua própria falta de sentimento.
Graças a Deus, vinte e cinco anos depois do meu início de carreira no Jornalismo, ainda sinto. E muito.
O drama de cada um daqueles moradores me toca fundo no coração, principalmente depois que tive meus filhos.
Hoje compreendo o sentimento de um pai, de uma mãe, que não podem dar uma vida melhor à família.
Me sinto mais próxima de todos aqueles seres humanos que estão ali, abandonados por tudo e por todos.
É muita humilhação ter que passar por isso, dia após dia, mês após mês.
Sinto muito não poder fazer mais por essas pessoas. Mas o pouco que posso, vou continuar fazendo.
Obrigada pelo apoio e pelo carinho.

Carla Vilhena”

De ORAÇÃO na comemORAÇÃO

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De ORAÇÃO na comemORAÇÃO” na voz da autora

Flores Maria Lucia Solla

Olá,

vou deixar que o ego fale de uma vez, e em primeiro lugar como é do seu feitio, para que ele se aquiete e permita que o divino fale, e que eu me cale.

vitória
e isso sem dúvida
é motivo de história

Durante duzentas semanas produzi um texto por semana. Ininterruptamente. Escrevi dos lugares mais inusitados, mas escrevi. Escrevi sorrindo, chorando, mergulhada em todo tipo de emoção.

jorrei alegria quando tinha
tristeza eu deixava fluir
quando vinha

sussurrei gritei
militei dengosei
no fundo e na superfície
me domei

e sigo me apequenando dia a dia
ante a Criatura e o Criador
na alegria e na dor

Criador que a religião quer enlatar
nas suas leis quer encaixar
nas palavras dos livros sagrados quer justificar
exclusividade vive a alardear
e que graças a Ele nada disso consegue alcançar

e termino agradecendo
a você que me vem lendo

lembrando um trecho da Oração de Cáritas, onde pedimos, na minha leitura:

Pai/Mãe,
dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos a Vós;
dai-nos caridade, fé e razão;
dai-nos simplicidade para que nossas almas reflitam a Vossa Imagem.

Comemore comigo e pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung sempre com uma oração à vida

Bermuda e chinelão, muito cuidado aí !

 

Por Dora Estevam

Bermuda Luiz Melodia 1

Outro dia um amigo chegou revoltado porque a sogra disse que ele não poderia usar bermuda no almoço oferecido por ela. Outra conhecida falou que quer morrer quando encontra um homem de bermuda em restaurante. Uma verdadeira invasão, diz ela. Houve a que fez uma festa de casamento em casa e exigiu smoking para os homens. Perguntei a razão: “Os homens se vestem muito mal e eu não quero ninguém de bermuda na minha festa”.

O fato é que por todo lado que se olha tem um homem de bermuda, na maioria das vezes aqueles bermudões coloridos, bem estampados. E sem pudor, eles vão de um lado para o outro acompanhados dos famosos chinelos de dedo.

Poder, revista da jornalista Joyce Pascowitch, em dezembro, fez ensaio com o cantor Luiz Melodia e em uma das fotos colocou bermuda e chinelos de couro nele.

Bermuda Luiz Melodia 2

A stylist da revista, Manoela Fiães, explica a produção:

“Optei por colocar a bermuda por ser de linho e com chinelos de couro. Para usar esta vestimenta tem que ter estilo. Particularmente, eu acho muito deselegante estar num restaurante ou sentada num banco de shopping e, de repente, chega um homem com bermuda e chinelos de dedos e se senta do meu lado. Não gosto de ver esta situação, acho um desrespeito com as pessoas”.

Sem perdão, Manoela diz que se por acaso for sair com o namorado e ele estiver vestido desta maneira, ela não sai. E não é questão de ser fresca, não; é questão de ter noção de espaço e um pouquinho de etiqueta.

Manoela lembra as dicas que o avô costuma dar, tipo não sentar a mesa sem camisa, ou com boné, ou descalço. O homem fica com cara de desleixado e nenhuma mulher gosta.

Bermuda Luiz Melodia 3

Quando se é jovem, se acha isso careta. Mas não é. É etiqueta mesmo. É o que falta nas pessoas, hoje. Para a stylist da revista, a invasão das bermudas, que só deveria ser usada na praia, se deve a exploração dos estilos casual e despojado. Perdeu-se um pouco a formalidade. Esqueceu-se que há lugares e lugares. A pessoa tem de ter noção do espaço, alerta Manoela. Ela é carioca e mora em São Paulo, já está acostumada a ver homens de bermudas por todos os lados.

Para quem quer fazer estilo sem faltar com a educação, siga as recomendações de Manoela: vista bermudas de linho, jeans ou sarja; se gosta de chinelo, calce os de couro, bem maiores, para que não fiquem com cara de chinelo de dedo.

Esta aparência dá nova leitura ao homem. Não precisa ser careta, basta seguir um pouco as regras de etiqueta, estar bem vestido no lugar certo e você não será pego de calças curtas.
As mulheres vão adorar !

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre estilo e moda no Blog do Mílton Jung.

N.E: Imagens deste post é quebra-cabeça da foto de Luiz Melodia feita por Felipe Hellmeister para a revista Poder, leia mais aqui