Secretário sugere síndico de lixo em São Paulo

 

Com a lei do lixo com hora certa, a prefeitura de São Paulo pretende que os moradores cumpram uma outra regra para reduzir o risco de enchentes: só colocar lixo na rua duas horas antes do caminhão fazer a coleta. Muitos ouvintes-internautas tem enviado e-mail perguntando como cumprir a lei se eles trabalham durante todo o dia e a coleta é feita, por exemplo, à tarde. Outra situação descrita: há ruas em que a coleta é de madrugada e para que a regra seja seguida o lixo teria que ser depositado após a meia-noite. Convenhamos, não muito seguro.

Fiz esta pergunta ao secretário municipal de Serviços (e de Transportes, também), Alexandre de Moraes, que sugeriu uma espécie de condomínio do lixo:

Ouça a ideia do secretário Alexandre de Moraes

Não tem mais como escapar de pedágio na Castello

 

Para chegar a capital paulista pela rodovia Castello Branco não tem mais como escapar do pedágio. Ou não terá mais, a partir de domingo quando será inagurada a nova praça de cobrança no único trecho em que ainda era possível sair, por exemplo, de Barueri e chegar a São Paulo sem precisar botar a mão no bolso.

A Viaoeste, concessionária responsável pela rodovia, se esforça para convencer os motoristas de que a maioria não vai pagar mais para rodar na Castello, pois haverá mudanças nos valores cobrados nas diferentes praças de pedágio. Os maiores prejudicados serão aqueles motoristas que deixam a região de Barueri e faziam um retorno de aproximadamente 6 quilômetros para não usar as faixas pedagiadas – sim, o neologismo passou a ser usado quando a concessionária criou as pistas marginais na Castello.

Há outra situação complicada: o motorista que sai da região de Alphaville ou Tamboré, onde há condomínios residenciais e comerciais, para chegar ao Rodoanel será obrigado a pagar os R$ 2,80 do pedágio da Castello, apesar de usar apenas alguns poucos quilômetros da pissta, e depois vai pagar mais R$ 1,50 para sair do Rodoanel em qualquer outra rodovia que acessar.

Ouça as explicações do presidente da Viaoeste José Brás Ciofi, na entrevista ao CBN SP

Pra se pensar

“Se a pessoa que não tem carro é obrigada a pagar um pedágio (com nome de tarifa de ônibus) para chegar de um ponto a outro, não vejo justificativa de não cobrar nada das pessoas que tem carro”
(De André Pasquilini, nos comentários deste post)

A caçamba da discórdia

 

Na caçamba

Estadão e prefeitura discutem há dois dias sobre infração de trânsito gravíssima cometida por Gilberto Kassab (DEM) ao andar, ao lado do Secretário Municipal dos Transportes (e dos Serviços), Alexandre de Moraes, sobre a caçamba de uma picape, em visita no Jardim Pantanal, zona leste de São Paulo. A assessoria do prefeito inventou até uma “autorização especial” que Kassab teria recebido da autoridade de trânsito (no caso, Moraes) para se comportar daquela maneira.

Gilberto Travesso do blog Notinhas de São Miguel, contra-atacou e reproduziu foto na qual repórteres fotográficos e cinegrafistas andavam sobre a caçamba de outra picape para registrar imagens de Kassab na mesma visita.

Faz de conta que o assunto é importante. O fato é que nos dois casos, se houve alguma irregularidade de trânsito, a multa vai para a Defesa Civil, proprietária das picapes usadas pelas equipes do prefeito e dos jornalistas.

Árvore caída, árvore derrubada

 

Árvore que cai

Aqui, uma árvore despencou sobre o carro do ouvinte-internauta Welton Pereira, após ter estacionado na rua Edson, no bairro do Campo Belo, zona sul de São Paulo. A dúvida dele é quem vai pagar pelo prejuízo provocado pelo incidente.

Árvore que vai cair

Aqui, as duas árvores ainda estão em pé porque a foto foi feita antes do crime cometido. Elas estavam diante da agência do Banco do Brasil, na avenida Padre Antônio José dos Santos, em Cidade Monções, também na zona sul. O ouvinte-internauta Arthur Dalmaso conta que a da direita foi derrubada e a da esquerda terá o mesmo destino. E cadê a responsabilidade ambiental do banco, pergunta.

Empresas e prefeitura brigam pelo preço do lixo

 

O lixo na cidade vai dar muita dor de cabeça ainda para o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e para os moradores de São Paulo. Apesar do otimismo demonstrado pelo secretário de Serviços (e de Transporte, também) Alexandre de Moraes, o que ouvimos no CBN São Paulo, nesta quinta-feira, sinaliza que a queda de braço entre as empresas que fazem coleta e tratamento de lixo e a prefeitura ganhará nova dimensão com o debate sobre o reajuste do contrato assinado, em 2004. O gasto mensal da prefeitura está em torno de R$ 48 milhões com as duas empresas, Ecourbis e Loga.

Os presidentes das concessionárias, entrevistados no programa de hoje, alegam que as empresas estão tendo gastos maiores com novas exigências da prefeitura e o aumento na quantidade de lixo recolhido. Segundo o presidente da Ecourbis, Ricardo Acar, nos três últimos meses de 2009 foram recolhidos 10% a mais de lixo do que no mesmo período de 2008. Alexandre de Moraes nega que isto esteja ocorrendo.

Já o presidente da Loga, Luiz Gonzaga Alves Pereira, põe na conta até mesmo mudanças que serão necessárias para atender a lei que obriga as empresas a coletar o lixo com hora certa. Para ele, haverá necessidade de se realizar número maior de viagens na cidade. Pereira criticou, ainda, o fato de que grandes gereadores de lixo, que teriam de contratar empresas particulares, estão utilizando o sistema público encarecendo ainda mais a realização do serviço. O empresário cobrou mais fiscalização pela prefeitura.

Alexandre de Moraes, em meio ao debate, acusou as empresas de não estarem cumprindo com suas obrigações. Ao ser questionado sobre o serviço que não estaria sendo realizado devidamente, o secretário não foi muito claro na resposta. Disse que as concessionárias não estariam cumprindo com o horário de coleta (mas a lei entrou em vigor na semana passada) e não teriam avançado em serviços como a coleta seletiva (mas foi a própria prefeitura que para tornar mais barato o serviço mudou os prazos)

Ouça as três entrevistas e tire sua própria conclusão:

Ouça o que disse o secretário de Serviços Alexandre de Moraes1401

Ouça as explicações do presidente da Loga, Luiz Gonzaga Alves Pereira

Ouça as justificativas de Ricardo Acar, da Ecourbis

Velhice abandonada, carrinho quebrado

 

Carroceiro com carrinho quebrado

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Para o carroceiro Francisco Inácio do Santos, a quarta- feira, 13/1/010, foi um dia de muito trabalho e reflexão. Seria apenas mais um dia de busca de materiais recicláveis, se a sua carroça não tivesse perdido a direção e quebrado na descida da rua do Ouvidor, Praça da Bandeira, com 250 quilos de papelão. Para consertá-la, contou com a solidariedade de algumas pessoas.

Francisco falou um pouco de seu trabalho: “Quando a tarde vai chegando, o cansaço é tremendo. Sinto uma enorme fraqueza nas pernas. Há horas que dá vontade de desistir e largar tudo. Não posso fraquejar. O que mantém um homem de pé é a disposição pelo trabalho, a fé num ser superior. De que tenho medo? Olha, a rua é brutal. Tenho medo de gente pessimista, ignorante… Medo de morrer puxando carroça. É muito peso. Estou a caminho dos 70. Não, não sou o único velho, tem gente mais velha do que eu no varal de uma carroça. É preciso garra! Nem todo mundo aguenta, pensa assim… A velhice não me assusta. O que me assusta é a velhice acomodada, maltratada, esquecida, abandonada. Não, não me sinto velho abandonado. As pessoas são diferentes. Tenho um projeto… Alguém sabe quantos velhinhos de rua tem a cidade? Muitos estão doentes, morrendo à míngua debaixo dos viadutos. Eu estou trabalhando. A cidade está entupida de moradores de rua. Uma hora tudo isso explode¨.

Francisco está cuidando de sua aposentadoria e sonha com a paz das praias de João Pessoa, Paraíba, a sua terra.

Pesquisa vai confirmar queda de satisfação com Kassab

 

A nova pesquisa que vai avaliar a opinião do público sobre o trabalho do prefeito Gilberto Kassab (DEM) reforçará a ideia de que há crescente insatisfação do paulistano com a administração municipal, neste momento. O estudo encomendado pelo Movimento Nossa São Paulo ao IBOPE tem metodologia diferente mas tende a confirmar a piora da avaliação constatada pelo Instituto Datafolha, no fim do ano.

Desde o segundo semestre de 2009, Kassab tem enfrentado dificuldades diante da opinião pública com a crise do lixo, recuo na merenda escolar, aumento do IPTU, passagem de ônibus mais cara, fim da devolução da taxa da inspeção veicular e, finalmente, as chuvas. Na pesquisa do Nossa São Paulo, porém, será possível perceber que o descontentamento não se resume a estas áreas, pois a avaliação é bem mais abrangente e mostra, por exemplo, a demora no atendimento da população nas unidades de saúde.

Entre trancos e barrancos, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) tem tentado se safar da enxurrada de críticas que recebe da população principalmente com as constantes enchentes e demais transtornos provocados pelas chuvas de verão. Teve maior exposição na mídia nas últimas semanas, com entrevistas programadas em emissoras de rádio. Mesmo sem solução imediata para a maior encrenca que tem no seu caminho neste instante, o alagamento nos Jardins da zona leste (Romano, Pantanal etc), foi ao local umas nove vezes. Ação que não foi suficiente para acalmar os ânimos da população que corre o risco de perder suas casas – mesmo porque em algumas das visitas ainda errou na mão. Ou no pé, pois se negou a colocá-lo na lama.

A pesquisa do Nossa São Paulo se repete pelo terceiro ano e, nesta edição, a principal novidade será a apresentação do grau de satisfação da população sobre os indicadores de bem-estar definidos em consulta pública, no ano passado. A crítica não ficará explícita apenas em relação ao prefeito, pois outras instituições serão avaliadas, como a Câmara de Vereadores. As informações foram coletadas entre os dias 2 e 16 de dezembro (portanto, antes da pesquisa Datafolha). O resultado oficial será divulgado dia 19 de janeiro, em comemoração ao aniversário da cidade.

Morre Zilda Arns, uma brasileira

 

Zilda Arns (Arquivo: Agência Brasil)

Das muitas notícias em 25 anos de jornalismo, poucas causaram tanta emoção como a sentida durante o programa ao saber da morte de Zilda Arns, da Pastoral da Criança.

Pouco antes de entrar no ar fomos informados de quatro brasileiros mortos durante o terremoto no Haiti, todos em dedicação à Força de Paz que atua no País. Sabíamos que haveria a possibilidade de ocorrerem mais perdas na tragédia.

Cada um dos soldados brasileiros que se transformaram em vítimas deste terremoto tem vida própria, referências da infância, relações mantidas desde a adolescência, fazem parte de uma família que deve estar sofrendo muito neste momento. Todos com o valor que uma vida deve ter.

Até então, porém, as mortes eram relatadas em números. Com a notícia sobre Zilda Arns, que chegou ao estúdio no ritmo da vinheta de plantão, ganharam nome e história. Ficaram mais próximas do nosso cotidiado. E talvez isto explique minha sensação de profunda tristeza durante a audição da notícia.

Líder humanitária e fundadora de um dos trabalhos mais incríveis desenvolvidos no Brasil em favor de crianças e famílias carentes, Zilda Arns é personagem brasileira, mas como lembrou o comentarista Gilberto Dimenstein talvez não com a popularidade – que, por sinal, jamais almejou – que o projeto de vida dela merecesse.

Ouça o comentário de Gilberto Dimenstein sobre o trabalho de Zilda Arns, na Pastoral da Terra

É possível que muitos conhecerão a projeção das suas iniciativas apenas a partir do noticiário da morte que tomará conta da programação jornalística, mas o modelo de atendimento às comunidades desenvolvido por Zilda Arns e sua equipe há muito tem repercussão em organismos nacionais e internacionas com influência em políticas públicas na área de saúde, alimentação, educação e cidadania.

Ouça a entrevista que fiz com Francisco Whitaker, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, sobre Zilda Arns, logo após a notícia da morte dela

Antes de encerrar o programa, tivemos a oportunidade de ouvir a voz de Zilda Arns a partir de gravação que foi feita pela CBN, em 2005, na qual ela explicou a construção da Pastoral da Criança, sua grande obra:

Ouça o que disse Zilda Arns, em 2005