Portal da limpeza corre risco de virar factóide

 

Entulho na avenida Pacaembu (Foto: Eros Della Bernardina)

Acompanhar a qualidade da varrição das ruas pela internet, monitorando o trabalho dos garis através de fotografias, é a última do prefeito Gilberto Kassab (DEM). A ideia surgiu em reunião com as empresas prestadoras de serviço, sexta-feira passada, e tem de estar no ar semana que vem. Até a tarde desta terça-feira ninguém sabia explicar ao certo como funcionará o site.

O risco é que o Portal da Limpeza – nome sugerido por Gilberto Dimenstein – tenha o mesmo destino da página eletrônica que seria colocada no ar com a relação completa do valor do novo IPTU-2010 “na semana seguinte”, conforme promessa feita pelo secretário municipal de Finanças Walter Rodrigues, no dia dois de dezembro (ouça aqui), no CBN São Paulo. Na entrevista, ele disse que era uma ordem do prefeito. Os boletos de cobrança estão para chegar na casa dos paulistanos e o site não saiu.

Mesmo sem ainda ter em mãos o endereço do site que “vai acabar com as bocas de lobo entupidas na cidade”, o ouvinte-internauta Eros Della Bernardina pôs mãos à obra: fotografou boca de lobo completamente encoberta por entulho que está acumulado na avenida Pacaembu diante da sede do Memorial da América Latina, zona oeste da capital. Material que. aliás, não é responsabilidade das empresas de varrição.

A propósito: até esta terça-feira, a Limpurb – que coordena a limpeza pública na cidade – também não sabia informar as regras da lei que exige das empresas hora certa para recolher o lixo.

Na política, promessas não cumpridas tem nome: factóide.

Ambientalista alerta governo Lula sobre preço da gasolina

 

Todos estão de olho no preço do álcool e reclamam com razão dos aumentos que ocorrem desde dezembro. Na ponta do lápis, contas feitas, abastecer com gasolina carro com motor flex já sai mais barato em ao menos dez estados brasileiros, incluidos São Paulo e Distrito Federal. A gritaria tem sido geral.

Hoje, porém, o ambientalista e ex-integrante do Ministério do Meio Ambiente (Gestão Marina Silva) João Paulo Capobianco chamou atenção para outro aspecto. A distorção no preço do combustível pode ter sido provocada pela estratégia do Governo Lula de segurar o valor do litro da gasolina para evitar pressão na inflação e conter críticas da opinião pública. Ele lembra que o álcool estava muito barato e o ajuste era necessário, mas se tornou problemático devido ao preço baixo da gasolina.

Apesar do custo, Capobianco sugere que o motoristas prefira abastecer o carro com álcool para evitar maior impacto ambiental. Ele citou pesquisa recente que mostra que o álcool combustível reduz em até 73% as emissões de gás carbônico – principal causador do efeito estufa – na comparação com a gasolina.

Ouça a entrevista completa de João Capobianco ao CBN SP

Trapalhada leva governo a mudar prazo de pagamento do IPVA

 

Foram necessários dois dias de transtornos para o Governo de São Paulo anunciar mudanças no pagamento do IPVA, adiando as datas para os veículos com placas final 1,2 e 3. Até ontem, a Secretaria Estadual da Fazenda se negava a mudar o prazo de vencimento alegando que cerca de 1 milhão de proprietários de veículos haviam conseguido fazer o pagamento e que o sistema estava apenas lento, mas não havia parado. Não resistiu ao segundo dia de reclamações e no fim da tarde divulgou nota que reproduzo a seguir.

Antes uma lembrança e uma constatação: Ano passado foi o mesmo fiasco do tal “sistema” (que costuma não ter nome) e fica muito claro que a infra-estrutura projetada para atender o contribuinte pelos meios eletrônicos está aquém das necessidades.

Vamos as novas datas de pagamento, em São Paulo:

Os contribuintes que não conseguiram pagar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) por conta da lentidão do sistema verificada em determinados horários na rede bancária, terão uma nova oportunidade para efetuar a operação. O governador José Serra determinou que os proprietários de veículos com placas final 1 (com vencimento no dia 8/1), final 2 (que venceu na segunda-feira, 11/1), e os de final 3, que vencem nessa terça-feira, 12/1, poderão quitar o imposto ou optar pelo parcelamento no período de 22 a 26 de janeiro. A Secretaria da Fazenda vai ajustar seu sistema para que esta operação seja realizada e os contribuintes tenham acesso aos benefícios previstos nas regras do IPVA.

Represas cheias, planos de emergência vazios

 

Cidades que integram o Sistema Cantareira, em São Paulo, tem seus planos de emergência colocados à prova com a informação da Sabesp de que as cinco represas da região estão no seu limite e com a sequência das chuvas comportas terão de ser abertas causando mais enchente. O Governo do Estado fez o alerta sexta-feira e a Defesa Civil espera que medidas sejam adotadas rapidamente para evitar mortes.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil no Estado Coronel Luis Massao Kita muitas cidades – não apenas em São Paulo – não tem coordenadoria municipal nem plano de emergência traçado, colocando em risco à população.

Ouça a entrevista com o coordenador da Defesa Civil do Estado Luis Massao Kita

O Sistema Cantareira é formado pelas represas de Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, tendo na região dez municípios, dos quais cinco não têm plano de emergência, segundo informou o Portal G1 (leia aqui).

Foto-ouvinte: Prédio em decomposição

 

Prédio em pedaços

Ao ler o post sobre o prédio que será recuperado ao lado da sede do Masp, o “comentador” do Blog do Mílton Jung Armando Italo lembrou-se de outros que estão precisando de uma ajudinha. O da foto acima fica na rua Sete de Abril na esquina da Xavier de Toledo, centro da capital.

“Esta é São Paulo, cidade sem história, sem memória !”, escreveu em seu comentário.

Os Flechas, a evolução dos Dinossauros

 

Da disposição das poltronas que ofereciam mais conforto aos passageiros até a criação de um dialeto para as estradas brasileiras, os modelos que vieram na linha dos Dinossauros também deixaram suas marcas no transporte rodoviário. Conheça algumas dessas novidades na segunda reportagem desta série.

Dinossauro 4703 x Cometa Flecha Azul 5518

Por Adamo Bazani

Os Dinossauros, apesar do apelido, eram modelos de ônibus mais leves, menos ‘beberrões’ e com motor que aproveitava melhor sua potência. Tinham boa fama nas estradas e excelente apelo de marketing. Isto tudo somado a relação custo-benefício fizeram com que a Cometa decidisse seguir em frente com a linha.

Foi, então, que em 16 de março de 1983, a empresa lançou a fabricante exclusiva para os modelos de ônibus duralumínio, a CMA – Companhia Manufatureira Auxiliar. Nascia a era dos Flechas, já que, comercialmente, por questões de licença, a empresa não podia continuar com o nome Dinossauro, além de dar a linha a ideia de evolução.

Graças a parceria com a Scania, a Cometa trazia nos Flechas inovações que apenas anos depois seriam vistas nos demais ônibus brasileiros. Um exemplo: o Flecha Azul Automático (nome dado por causa da faixinha azul sobre a carroceria aluminizada nos ônibus). O modelo, sobre chassi Scania BR 116, prefixo 5223, trazia uma caixa de transmissão eletroautomática.

Em 1985, foi lançado o Flecha Azul II. Era 20 centímetros mais alto que a versão anterior e todas as poltronas estavam dispostas de modo a não ficarem na coluna divisória das janelas. (Tem modelo de ônibus até hoje em quem o passageiro, ao olhar para o lado enxerga apenas um pedaço de lata da coluna). Em 1987, saiu uma série nova de Flecha Azul II com quatro, em vez de três lanternas traseiras de cada lado. A mudança ofereceu maior visibilidade aos demais motoristas e se transformou em uma espécie de sistema de comunicação entre eles. Vitor Matos, motorista que atua em transporte de estudantes em Minas Gerais atualmente, explicou que a forma com a qual o condutor acionava as oito lanternas transmitia uma determinada mensagem. Dependendo das “piscadas” da lanterna, ele indicava que queria ultrapassar, que poderia ou não ser ultrapassado, que seguiria em velocidade alta ou reduzida, que havia perigo ou policiamento na pista. “Era o dialeto das estradas”

Neste vídeo, feito pela Comunidade de Admiradores deste tipo de ônibus, é possível conferir o jogo de luzes de um Flecha Azul.

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Falha no sistema não adia pagamento de IPVA em SP

 

Pelo segundo ano consecutivo (que eu lembre), o paulista enfrenta dificuldade para pagar o IPVA devido a problemas no sistema eletrônico. Desde a abertura dos bancos, os proprietários de carros com placa final 2 reclamavam do atendimento lento e ineficiente. “O sistema está fora do ar” era o que se ouviu dos funcionários dos bancos. Na internet, a vida não era mais fácil.

O governo do Estado de São Paulo admite o transtorno causado ao contribuinte, mas diz apenas que se o pagamento não foi feito nesta segunda, ele ainda pode se beneficiar do desconto de 3% até o dia 21 de janeiro, mas é preciso “antecipar o licenciamento do veículo, quitando o IPVA e os demais débitos, como seguro obrigatório DPVAT, taxa para emissão do documento de licenciamento e multas”.

Leia a justificativa para a dificuldade imposta ao contribuinte e a explicação de como pagar o imposto:

Em determinados horários e instituições bancárias, o sistema online de pagamento de IPVA apresentou lentidão hoje (11/1) em razão de concentração de pagamentos em alguns períodos do dia. Estes picos de demanda provocaram, em alguns casos, maior tempo de resposta dos servidores da Prodesp e espera para a geração de comprovante de pagamento nos guichês e terminais de auto-atendimento. Dados preliminares revelaram que, até as 16h30, foram realizados um total de 1 milhão de pagamentos no sistema bancário.

O sistema se manteve ativo, sem interrupção de comunicação, durante todo o dia, apesar da lentidão verificada em períodos de grande concentração. Em situações como essa, em que há dificuldades na operação do sistema on-line, as instituições bancárias estão autorizadas a utilizar sistema de contingência, possibilitando o recolhimento do IPVA, mesmo que ocorra instabilidade na comunicação entre seus sistemas operacionais e os da Secretaria da Fazenda, operados pela PRODESP.

O contribuinte que eventualmente não conseguiu efetuar o pagamento com o desconto de 3% poderá ainda fazê-lo até o dia 21/01 e garantir o benefício. Para isso, basta antecipar o licenciamento do veículo, quitando o IPVA e os demais débitos, como seguro obrigatório DPVAT, taxa para emissão do documento de licenciamento e multas. O proprietário do veículo poderá também efetuar o pagamento integral do imposto no mês de fevereiro, sem o desconto.

Masp promete reformar edifício, sem megalomania

Prédio abandonado é do Masp

No início, havia proposta megalomaníaca de criar um mirante do qual seria possível enxergar o litoral do alto do prédio que está ao lado da sede do Masp, na avenida Paulista. Passaram-se alguns anos, reclamações de promotores e manifestação de urbanistas, e a proposta para o local ficou mais próxima da realidade.

A ideia de aumentar o prédio permanece, mas apenas até 70 metros, evitando assim que o edifício se transforme em uma aberração urbanística na mais importante avenida da capital paulista. O custo da obra também é alto, R$ 14 milhões, mas o dinheiro estaria garantido.

O prédio foi comprado pelo Masp há alguns anos e a aparência é de que enfrenta um processo de degradação pelo abandono (veja as fotos no álbum digital do CBN SP no Flickr). Feio, sim, abandonado, não – disse o secretário-geral do Museu de Artes de São Paulo Luis Pereira Barreto que explicou, em entrevista, o que o Masp pretende fazer no local:

Ouça a entrevista do secretário geral do Masp Luis Pereira Barreto no CBN SP

“A natureza nunca é culpada de nada”, diz geólogo

 

O estado de São Paulo tem um mapa que identifica as áreas de risco e determina quais terrenos podem ser mais ou menos ocupados. Com base neste documento, a carta geotécnica, é que os municípios tem de traçar seu desenvolvimento. A explicação é do geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos que credita a este trabalho, entre outros, a redução no número de mortes provocadas por deslizamentos, na Serra do Mar.

Em entrevista ao CBN São Paulo, o ex-diretor do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas – responsabilizou a forma de ocupação do espaço urbano pelas tragédias que tem sido registradas nesta virada de ano. “A natureza nunca é culpada de nada” disse ao explicar que as chuvas que ocorrem neste período com forte intensidade costumam se repetir a cada 10, 20 ou 30 anos.

Álvaro Rodrigues dos Santos disse que está otimista em relação as soluções técnicas para combater o problema, mas pessimista quanto as decisões políticas. Na conversa desta manhã, no CBN SP, o consultor de geotecnia descreveu algumas ações que ajudaram a impedir mais mortes no Estado de São Paulo:

Ouça a entrevista do geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos ao CBN SP