A cultura da periferia em alta

 

Cooperifa no CEU Campo Limpo
“O povo só consome coisa ruim porque é servido coisa ruim, mas que fique bem claro que ele gosta é de coisa boa”, escreveu Sérgio Vaz, entusiasmado com o resultado da Mostra Cooperifa, na zona sul de São Paulo. No CEU Campo Limpo e CEU Casablanca, atividades artísticas e culturais marcaram estes últimos dias de festa e reflexão,

No Casablanca, mais de 500 crianças assistiram ao espetáculo da Cia Babalina da Espanha e a intepretação mágica de bonecos. “Cada riso, cada grito, cada olhinho brilhando era a prova que todo o trabalho e luta para levar arte e cultura para a periferia, está valendo à pena”, disse Sérgio.

No Campo Limpo, atividade em dois tempos. De dia, houve debate sobre cultura e ativismo na periferia: “Foi puro alimento para a alma”, descreveu. À noite, as pessoas lotaram o teatro para assistirem às apresentações de dança dos grupos Cia Sansacroma (Rascunho de Solano) e o Balé Capão Cidadão. “A platéia foi ao delírio e o teatro quase veio a baixo. Muitos aplausos, sorriso e lágrimas de alegria. Catarse !”

Canto da Cátia: De última hora

 

Sinalização de última hora

No segundo dia da interdição parcial das pontes na Marginal Tietê, a prefeitura ainda coloca a sinalização que orienta o motorista a escapar dos congestionamentos, segundo registro da Cátia Toffoletto. O improviso não ocorre somente neste fato. Pedestres e passageiros de ônibus também foram esquecidos e enfrentam dificuldades nestes primeiros dias.

Sabesp vai pagar prejuízo de carro que caiu no buraco

 

Carro engolino por buraco Gabriel

A Sabesp avisou, em nota, que vai ressarcir os prejuízos materiais da motorista do carro que caiu em um buraco na alameda Gabriel Monteiro da Silva, próximo da avenida Rebouças, na noite de segunda-feira, conforme denunciado no Blog do Milton Jung.

Marcela Ayala da Fonseca passava pelo local às 6h40 da tarde quando ficou presa em um congestionamento no acesso da Gabriel para a Rebouças. O piso cedeu e o carro dela foi “sugado” para o buraco. A Sabesp havia prometido fazer contato ainda nesta terça-feira com a ouvinte-internauta.

Leia a nota enviada pela empresa:

A Sabesp lamenta o ocorrido. No local foi realizado o conserto de um coletor de esgoto. As obras haviam sido concluídas há alguns dias, quando foi fechada a vala e feita a base de concreto, restando apenas a capa asfáltica. Com as fortes chuvas, porém, a base de concreto cedeu cerca de 30 cm. Uma equipe da Sabesp trabalha, neste momento, no local.

A Sabesp entrará em contato com a proprietária do automóvel e irá ressarci-la de eventuais danos que tenham ocorrido com o veículo.

Uiraquitan, inovação nos anos 70

 

Por Adamo Bazani

Modelo desenvolvido em São Bernardo do Campo para Curitiba, que tinha motorista em “mirante” sobre os passageiros, assustou indústria na época, mas deu importantes lições para novos modelos e sistemas de ônibus

Uiraquitan. Você já ouviu falar deste modelo de ônibus? Pois, foi uma das oportunidades da cidade de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, ter tido influência direta na implementação do sistema de ônibus expresso Segregado, de Curitiba, inédito no País. Mas as inovações propostas na época pelo DEPV – Departamento de Pesquisa de Veículos, da FEI – Faculdade de Engenharia Industrial da Fundação Educacional Inaciana de São Bernardo do Campo assustaram e o modelo não passou de uma miniatura e vários desenhos. O projeto foi encomendado pelo IPPUC (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba), no início dos anos 70, que na contramão dos investimentos ferroviários, decidiu, de maneira bem sucedida, investir em linhas de ônibus de grande demanda, troncais, em corredores exclusivos, e linhas alimentadoras, que serviram de modelo até para outros países, como a Colômbia que implantou o Transmilênio.

O Uiraquitan, desenvolvido pelos engenheiros da FEI, de São Bernardo do Campo, já revolucionava pela posição do motorista, que ficava numa alta cúpula de vidro, acima dos passageiros. Isso mesmo, se hoje, vemos alguns ônibus panorâmicos com o salão de passageiros sobre os motoristas, no projeto do ABC para Curitiba, o motorista que ficava em cima do passageiro. O objetivo do “mirante” era oferecer maior visibilidade tanto para motorista como para passageiros.

Não bastasse essa inovação, a acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, que hoje é obrigatória em todas as carrocerias produzidas desde julho de 2009, já foi preocupação dos engenheiros da época, que planejaram o Uiraquitan para que o salão de passageiros ficasse a 20 centímetros de altura em relação ao solo.

O modelo, projetado em 1973, teria também painel eletrônico (algo adotado recentemente nos ônibus urbanos), que informava, além de itinerário e número de linha, quantos assentos estavam desocupados. Os engenheiros da FEI também tinham preocupação ambiental. Projetaram uma série de filtros no motor que já nos anos 70 reduziriam em até 50 por cento os níveis de poluentes.

A capacidade para transportar passageiros sentados, de acordo com o projeto, seria maior que um articulado de hoje: 80 sentados. Os articulados tem, aproximadamente, 60. Isso seria possível porque o posto do motorista ficaria acima do salão de passageiros e pelo fato de os bancos serem longitudinais. Os corredores também seriam mais largos.

No entanto, o ônibus não saiu da fase de miniatura, por vários motivos, entre eles, o desenho inovador para época, dificuldade de fabricação de alguns equipamentos e necessidade de uma barra de direção muito longa, por conta do “mirante do motorista”

Fracasso? Não, apesar de o Uiraquitan não ter sido fabricado. Assim como no mundo da moda, onde vemos roupas inimagináveis de serem encontradas nas ruas, mas que ditam tendências, o Uiraquitan apontou caminhos que depois de adaptados à realidade da indústria nacional de carrocerias viriam solucionar vários problemas, alguns ainda recorrentes, como a necessidade de ônibus acessíveis e menos poluentes.

De pronto, o Uiraquitan deixou a herança da maior visibilidade para motoristas e passageiros e de um salão de passageiros com melhor aproveitamento. Logo após a recusa do Uiraquitan, depois de analisar projetos de encarroçadoras como Nimbus, Marcopolo e Caio, o Instituto de Pesquisa e Planejamento de Curitiba, escolheu o modelo Marcopolo Veneza Expresso, com grande área envidraçada na carroceria. O IPPUC fez questão de exigir algumas características do Uiraquitan, como a visibilidade, o desenho diferenciado e o motor mais silencioso, traseiro, com no mínimo 200 cavalos de potência.

Com um pouco do Uiraquitan, em 22 de setembro de 1974, começam a circular os Marcopolo Veneza Expresso trazendo ao setor, o conceito de BRT – Bus Rapid Transit -, os ônibus rápidos de corredor segregado, termo usado em todo o mundo.

As propostas do Uiraquitan também foram usadas por outras encarroçadoras que aos poucos vinham assimilando os conceitos apresentados pela FEI. Alguns destes conceitos viraram obrigação por órgãos concedentes e fiscalizadores e opção de modelo de encarroçadoras, que o desenvolveram.

Por isso, dizer que o Uiraquitan foi um fracasso da engenharia do setor de transportes é um equívoco. Talvez, sem as idéias, consideradas loucuras na época, de seus projetistas, a indústria de ônibus nacional, uma das mais respeitadas do mundo, não teria chegado ao atual patamar.

O Uiraquitan pode ser visto apenas em miniatura, como na foto de nosso acervo publicada na abertura deste post. Já o Veneza Expresso, deixado de lado nos anos 80, por conta da maior demanda de passageiros e novas necessidades, teve um exemplar restaurado em 1999, com o uso de três carrocerias abandonadas, achadas em ferro velho de Curitiba e vários dias de trabalho.

Adamo Bazani é jornalista da CBN e busólogo. Toda terça-feira, escreve no Blog do Milton Jung

3.107 dias depois, Igor cumpre pena por assassinato

 

Oito anos mais velho, pesando pouco menos de 50 quilos, o que o fez parecer ainda menor do que já era, com os cabelos ralos de sempre, dentes apodrecidos e visivelmente extasiado. Com toda esta aparência de derrota, o ex-promotor de Justiça Igor Ferreira da Silva não perdeu a arrogância ao ser preso oito anos depois de fugir da condenação pelo assassinato da mulher que estava grávida. Convenceu a delegada que teria lhe dado voz de prisão a não colocá-lo no camburão da polícia, anunciou que estava se entregando e denunciou ter sido vítima de desrespeito aos direitos humanos durante a prisão.

Igor terá de cumprir os 16 anos e poucos meses de prisão, mas pode alegar problemas de saúde para ter a situação amenizada. Vai manter a tese de que a mulher foi morta por um assaltante e defender sua inocência. Todos os recursos possíveis e impossíveis serão usados por ele e família para tornar a condenação mais branda. Será persuasivo como já havia sido com seu advogado de defesa, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, a quem convenceu de que ficaria em casa enquanto o Órgão Especial do Tribunal de Justiça julgava seu destino, em abril de 2001. Tinha o direito de não comparecer diante dos colegas promotores. Assim que a sentença foi anunciada ele desapareceu.

Há oito anos, a polícia recebe notícias do paradeiro de Igor, algumas vezes policiais disseram ter estado muito próximos dele, mas nunca conseguiram colocar as mãos no ex-promotor. Teria tido aparições em Florianópolis e no Chile. Jamais confirmadas. Ele alega que sempre permaneceu no Brasil. A maneira como foi preso, após denúncia anônima, na calçada de uma rua da Vila Carrão, na zona leste, como se esperando a Justiça chegar, sinaliza que tenha cansado de fugir.

Durante três anos, os ouvintes-internautas do CBN SP acompanharam contagem progressiva do tempo de fuga do ex-promotor. A cada aniversário da condenação, realizávamos entrevistas com autoridades e especialistas no tema. Quase sempre o programa era seguido de um telefonema de membros da família de Patrícia Longo afirmando que confiavam na inocência de Igor Ferreira da Silva. Sim, os pais dela e irmão nunca acreditaram que o ex-promotor tenha sido o assassino. O pai dele, advogado, chegou a escrever um livro sobre o assunto acusando procedimentos ilegais da polícia e dos promotores que o julgaram.

Nos últimos anos, confesso, havia desistido de falar do caso.

A prisão aconteceu após 3.107 dias de fuga e concluiu o árduo trabalho da procuradora Valderez Deusdedit Abbud, que sustentou a acusação contra ele, convenceu os 25 desembargadores mais antigos da corte paulista, superou todas as barreiras impostas pelas manobras do experiente acusado e o desgaste de ter de condenar um colega do Ministério Público Estadual, mas que até esta segunda-feira não havia tido a oportunidade de ver a pena sendo cumprida.

Buracos da Cidade: Eu não disse !?

 

Carro é engolido em cratera da Gabriel

Eu avisei. Fui irônico, mas avisei. O buraco no ínicio da alameda Gabriel Monteiro da Siva, onde ela se aproxima da avenida Rebouças, começou com uma rachadura há algumas semanas, foi crescendo como menino faceiro e deixando suas marcas nos pneus dos carros. De traquinagem em traquinagem, virou gente grande e, na manhã de segunda-feira, ao passar por lá fiquei espantado com o fosso que havia aberto sob o asfalto. Falei sobre isto no CBN São Paulo e comentei do risco que havia no local. Para minha surpresa no início da noite encontrei a motorista Marcela Ayala da Fonseca ao lado de seu carro que havia sido engolido pela cratera. Parei para conversar e fotografar, enquanto o motorista do guincho quebrava a cabeça para saber como tirar o carro lá de dentro.

Ainda desolada com o acidente que, felizmente, não lhe causou nenhum dano físico, além do bruta susto de ver o carro sendo sugado pela incompetência pública, Marcela ao chegar em casa me enviou a mensagem a seguir:

Gostaria de deixar aqui minha indignação com relação aos “Serviços Públicos” de nossa cidade. Ou “desserviços”, em muitos casos. Hoje às 18:40 passei pela altura do no. 77 da Gabriel Monteiro da Silva e o meu carro simplesmente “AFUNDOU” no meio da via pública. Segundo comerciantes da região, aquilo era um buraco feito pela SABESP e que estava aberto há mais de uma semana. E para “cobrir” temporariamente o buraco durante os trabalhos, foi utilizada uma mistura de brita e areia, dando a ilusão de que ali se poderia trafegar. Ao passar por essa parte da rua, ela simplesmente CEDEU, pois havia uma camada de apenas 10 cm de areia e brita cobrindo uma CRATERA de 5m de comprimento, 1m de largura e mais de meio metro de profundidade. Sim. Parece inacreditável mas é a pura verdade. Depois de quase 2 horas tentando tirar o carro da cratera, com auxilio de 3 funcionários da seguradora, agentes da CET e diversas boas almas que apareceram para ajudar, me restará acionar meu seguro, pagar pelos danos, processar a Prefeitura e esperar sentada para que algum dia dentro dos próximos 20 anos eu seja ressarcida. Me sinto totalmente agredida. É vergonhoso tamanho descaso. Espero que NO MÍNIMO a cratera seja coberta para evitar que o problema se repita.

Processar a prefeitura e a Sabesp parece ser um dos caminhos a serem adotados neste caso, mesmo com a demora de uma ação na Justiça. Mas é a única forma de chamar atenção para a responsabilidade dos órgãos públicos.

Pontes interditadas: São Paulo não precisava disso

 

Obras na Marginal Tietê

A partir de amanhã, os motoristas que precisam passar pela Marginal Tietê enfrentarão sérios problemas de congestionamento com a interdição parcial de três pontes, intervenção necessárias para execução da obra de ampliação da via. Em novembro, mais duas pontes terão trânsito restrito. Para o urbanista e arquiteto Cândido Malta a cidade não tinha necessidade de enfrentar este transtorno, pois a ampliação da Marginal, além de gastar mais de R$ 1,5, não irá beneficiar o fluxo de tráfego na região.

Ouça a entrevista do urbanista Cândido Malta, ao CBN SP

O CBN São Paulo tentou conversar com a Dersa e a CET durante toda a manhã desta segunda-feira. Aliás, no sábado já havia convidado algum representante da empresa responsável pela obra na Marginal. Apesar da entrevista com a Dersa estar marcada para às 11 da manhã, a empresa disse que não poderia mais falar devido a outros compromissos.

Em relação a Companhia de Engenharia de Tráfego, de quem se pretendia apenas orientação de trânsito de como os motoristas deveriam se comportar a partir de amanhã, a informação foi de que somente o secretário municipal dos Transportes Alexandre de Morais poderia conceder entrevista sobre o assunto. Como, porém, estava ocupado nesta manhã, ninguém, da CET falaria.

Historicamente, coube ao ocupante da secretaria e da presidência da CET – funções exercidas por Morais, que também é secretário municipal de Serviços – falar da parte administrativa, ficando as orientações de trânsito e explicações sobre operações especiais aos técnicos. Mas parece que o atual secretário não confia em seus subordinados.

Prestação de serviço

As três pontes que serão interditadas parcialmente nesta segunda-feira, às 11 da noite:

Ponte da Freguesia do Ó

centro-bairro: primeira faixa à direita interditada
bairro-centro: primeira faixa à direita interditada

Ponte da Casa Verde

centro-bairro: última faixa à esquerda interditada
bairro-centro: sem interdição

Ponte Jânio Quadros

centro-bairro: interdição total
bairro-centro: sem interdição

As pontes do Limão e das Bandeiras serão interditadas, em novembro.

Heródoto, o sobrinho do presidente

 

Quem ouve seu discurso indignado contra o nepotismo na política, não imagina que o mesmo já foi beneficiado pela prática nos tempos de futebol. Velhos tempos, aliás, de quando zagueiro era chamado de beque. Tempos em que Heródoto Barbeiro era menino de calça curta e dava umas bicudas vestindo a camisa da Portuguesinha da Água Fria, nos campos de terra do Mandaqui. Lá era chamado de o “sobrinho do homem” e respeitado por tal condição apesar da performace em campo não estar altura dos grandes beques centrais.

A confisão de Heródoto Barbeiro, apresentada com exclusividade pelo CBN São Paulo, mobilizou os ouvintes-internautas como o ilustrador Juliano Oliveira que – a partir de informações fidedignas – desenhou um lance que marcou a carreira do nosso jogador de futebol. Naquela época, infelizmente, máquinas de fotografia eram raras.

Apesar dos poucos registros, o Dorival encontrou este flagrante após partida em que a Portuguesinha teria perdido por 6 a 0 para o Esmaga Sapo em torneio no qual haviam participado, também, Corinthians do Imirim, Estrela de Vila Celeste e Santos do Chora Menino. Revoltada, a torcida protestou derrubando a kombi que a família do menino Heródoto emprestava para o Tio levar a equipe, em troca dele ser mantido no time titular. Dorival diz que a foto seria de 1922. Tenho dúvidas.

Com a camisa 3, vestida pelo beque central Heródoto, jogaram grandes craques como Bellini, Orlando, Luis Pereira, Anchieta e Airton – os dois últimos ídolos do meu tricolor gaúcho. O futebol do “sobrinho do presidente” não se comparava ao jogado por estes talentos. Para Nelson Valente, ouvinte-internauta, Heródoto jogava de “beque de espera”, mas os que o conheceram com a bola nos pés dizem que o ideal seria chamá-lo de “beque sentado” (no banco).

Toda esta polêmica em torno das benesses recebidas pelo nosso colega Heródoto Barbeiro se deu após a divulgação da gravação a seguir:

Ouça a confissão de Heródoto ‘Sobrinho do Presidente’ Barbeiro