Por Adamo Bazani

Cemitérios de ônibus infelizmente não são novidades. Mas a cada passo que se dá na cidade de São Paulo, cada vez mais terrenos com centenas de ônibus literalmente apodrecendo são encontrados.
Douglas Nascimento do site São Paulo Restaurada achou este terreno na Barra Funda. Lá, são encontrados veículos da extinta CMTC- Companhia Municipal de Transportes Coletivos.
De acordo com os integrantes do site, que lá estiveram em julho passado , são mais de 150 ônibus. Pelo menos 70 se fossem conservados poderiam ainda prestar algum tipo de serviço. Se não nas principais linhas, aproveitados por particulares, em empresas que têm menor itinerário ou como carros reservas.
A CMTC era pública, esses ônibus eram “nossos”, de nossa contribuição. Portanto, o que está apodrecendo lá na Barra Funda é dinheiro público. Se com o fim da Companhia Municipal, por questões burocráticas, os ônibus não pudessem ser utilizados por outras empresas, vendidos, logo após a extinção da CMTC, teriam rendido um bom retorno ao erário. Hoje, tem valor de sucata.
Além de veículos mais antigos, como Caio Amélia e Monoblocos O 364, dos anos 80, há carros do fim dos anos 90, como Caio Vitória, Monobloco O 371 e Caio Alpha, apodrecendo. O que mostra mais uma vez o total descaso de quem foi o responsável por encostar esses ônibus.
A CMTC deixou de existir entre 1994 e 1995, o que significa que ônibus com poucos meses de uso foram parar lá. Mesmo com defeitos mecânicos, eles poderiam ser consertados ou repassados para empresas que tivessem condições de assumi-los.
Renovação de frota é um direito do passageiro e um dever de empresários e poder público. Mas jogar ônibus em condições no lixo, literalmente, é queimar o dinheiro da população.
Para se ter uma idéia, na região do ABC Paulista, é necessária uma renovação da frota, o que vem ocorrendo aos poucos. Mas há veículos da mesma faixa etária destes que estão apodrecendo na Barra Funda que, conservados e com a manutenção em dia, servem muito bem a população e dão “inveja” a muitos outros mais novos.
Empresas como Viação ABC, Metra, São José, São Camilo, Expresso São Bernardo e Tucuruvi, entre outras, operam com carros Vitórias em condições que dão dignidade ao passageiro. Não estão perfeitos, afinal alguns têm mais de 15 anos nas costas (ou na carroceria), mas são símbolos de aproveitamento total, e com qualidade, da vida útil de um ônibus. Para se ter ideia, mesmo com os “Vitorinhas”, os mesmos que estão apodrecendo no terreno flagrado pelo pessoal do “São Paulo Restaurada”, a Viação Tucuruvi, que opera entre São Caetano do Sul, Santo André e São Paulo, foi considerada pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos – como a terceira melhor empresa entre as 40 que prestam serviços nas três regiões metropolitanas, no estado de São Paulo.
Isso significa que o dinheiro das passagens, pelo menos está sendo investido na manutenção do carro, até o fim de sua vida útil, e a posterior renovação da frota. Diferentemente do que ocorreu na transição CMTC / SPTrans.
E quando outros cemitérios aparecerem, eles devem ser denunciados.
Adamo Bazani é jornalista da CBN e busólogo