O Brasil da diversidade exige transporte para diversidade

Por Adamo Bazani

Esta foi uma visão que se destacou, além do próprio debate sobre a Copa 2014, na Transpúblico que teve a participação de mais de 70 empresas, entre montadoras, encarroçadoras, auto-peças e acessórios, revendedoras e viações. Apesar da necessidade de uma política nacional para o setor, o Brasil é um país de grande diversidade econômica, cultural e territorial, e os transportes também devem ser pensados localmente, para atender cada demanda.
Se, antigamente, um modelo de ônibus tinha de servir para o País todo, hoje os fabricantes são unânimes de que deve haver um atendimento específico para cada região e passageiro. E a gama de modelos apresentados na feira mostrou isso.

Para as cidades que necessitem de corredores exclusivos e possuem grande número de passageiros, foram apresentados veículos e chassis articulados, bi-articulados e trucados (três eixos) urbanos.

Para aquelas que exigem respeito às pessoas com deficiência, além do tamanho dos chassis, os ônibus tem desenhos mais variados. Uma opção interessante, apresentada pela Volvo, é o chassi B9 SALF. Com carroceria Caio Mondego LA, o ônibus inteiro é de piso baixo, evitando os degraus internos, em carrocerias cuja frente e meio têm piso baixo, mas da metade para trás, o piso é convencional, havendo a necessidade de degraus no meio do corredor do ônibus.

Preferência do empresariado

Ônibus Midi

Apesar de os ônibus de média e alta capacidade serem apontados como soluções para as grandes cidades, o evento foi nacional e contemplou empresas de várias regiões do Brasil, que possuem condições de asfalto precárias, ruas e avenidas estreitas e linhas em bairros com muitos desníveis e curvas. Por isso, os chassis e carrocerias midi, os micrões, intermediários entre micro-ônibus e ônibus convencionais, eram os mais procurados sempre que os empresários ouviam a pergunta: “Qual seu modelo de interesse?”. Os custos de manutenção destes veículos são menores e, uma triste realidade social, dispensam cobradores, mão de obra a menos para pagar salário. Alguns micrões, como Sênior Midi, Spectrum, Foz Super, oferecem capacidade de passageiro igual a alguns ônibus antigos, como Vitória, Amélia e Gabriela, mas sem o cobrador e com consumo e manutenção menores. Em algumas cidades, empresas inteiras já operam com micrões. Solução que ainda é alvo de contestações, já que o motorista tem de dirigir e cobrar ao mesmo tempo, num veículo cujas dimensões são um pouco inferiores aos convencionais.

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De chuva

Por Maria Lucia Solla

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Olá,

Tem chuva que é persistente;
teimosa.
É um som de O Rappa
Com cadência controlada para não deixar cair a munição carregada.

E cuidado aí, meu irmão, que munição também quer dizer provisão.

O temporal, não.
Já chega derrubando.
Morre exaltando sua glória, sob canhões de luz
e o rufar seco e ensurdecedor dos surdos
que lhe abrem alas.
É o abrir e fechar do samba, sem a história do recheio.
Ele vem, cai, mas derruba em cheio.

E tem também a garoa que é marota
pisa leve e dança como ninguém.
Não espante; encanta.
Não ataca; acata.
A Natureza toda se abre e lhe dá as boas-vindas.

Às vezes ela chega de mãos dadas com o sol
e riem; e fazem rir.
Noutras, se enreda num papo-cabeça com a lua.
Um adágio que traz consigo
solidão.

E você, que chuva é?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung que, mesmo em férias, faz questão de compartilhar o texto dela com os leitores, faça chuva ou faça sol.

Da Segunda Guerra Mundial ao primeiro ônibus nacional

Por Adamo Bazani

Qual a relação de um fato histórico lamentável, a Segunda Guerra Mundial, com a fabricação do primeiro ônibus totalmente nacional ?  Duas coisas tão distintas se encontram na história de Carlos Alfredo Nitsche, que ajudou a fabricar o Super B, que tinha como nome técnico, Monobloco O 321, na Mercedes Benz do Brasil, em 1958.

“Quando vejo um ônibus passar pela minha frente, meu coração se agita – ajudei a começar com tudo isso no Brasil – mas quando ouço na TV sobre ataques entre países e até nossa violência urbana, sinto algo esquisito, é como se a ferida que a Segunda Guerra me deixou ainda não fosse cicatrizada”, diz emocionado logo no início da entrevista, Nitsche, natural de Curitiba (17.05.21)

Trabalhando na lavoura, a vida era difícil, mal dava para a família se sustentar aqui no Brasil. Decidiu então seguir para Alemanha onde parte da família ainda vivia. Em 13 de maio de 1939, Nitsche embarcou no velho Navio Caparcona, de bandeira alemã, cheio de frutas tropicais (que na Alemanha tinha valor de “ouro”) e sonhos. Foram três meses de viagem cansativa, marcada pela esperança.

O sonho, logo descobriu, não iria se realizar. Ancorou em Hamburgo, em 30 de agosto de 1939, e se hospedou na casa da tia, Maria Kripler. O cenário era de uma Alemanha diferente da que imaginava. “Autoritarismo no Governo e instabilidade política. As informações nos chegavam de forma bem mais lenta e camuflada. Se soubesse como estava a Alemanha, não embarcaria no Caparcona”. Dois dias após chegar ao Velho Continente, estoura a Segunda Guerra Mundial.

O início do real sofrimento

Em 1941, Alfredo Nitsche foi convocado para lutar pelas tropas de Hitler. A condição de filho de alemães, permitia com que o governo o chamasse.

“Foi uma dor no coração, mas se não fosse, seria preso”.

O cotiaido da Guerra mostrou uma realidade que, segundo Nitsche, por melhores que sejam as produções de filme e documentários,  jamais poderia ser expressada pela arte. “Na Guerra, não existe arte, não existe lado lúdico. A morte se faz presente em tudo, sentimos o cheiro dela, o gosto dela. Não tínhamos esperança, não sabíamos se o futuro viria ou não. Tudo o que víamos eram pedaços de corpos no chão. É como se o ser humano fosse uma boneco marionete nas mãos dos poderosos, que cansavam de brincar com eles e os espedaçavam”.

“Na Guerra, a gente cria uma amizade, a força do grupo era impressionante. A União, não da tropa, mas de seres humanos que lutam pra viver, nos dá algo sobrenatural. Isso fazia com que a gente não morresse de depressão, que houvesse um sorriso, mesmo que para disfarçar. A amizade na Guerra é algo que a gente sabe que vai acabar, mas é como se fosse um anestésico que não cura a doença, mas que diminuiu a dor”.

À noite, os soldados cantavam, contavam piadas da própria desgraça, tocavam gaitas, mas no dia seguinte tinham de pegar em armas para matar ou morrer. Uma das coisas que mais marcaram Alfredo foi ver amigos que abraçava na noite e, no dia seguinte, morriam estraçalhados. No campo onde Alfredo Nitsche atuou, uma das marcas eram as granadas.

Sofrimento para quem estava na Guerra, e para familiares que ficaram do lado de fora. Os parentes de Nitsche, como outras milhares de pessoas que tinham entes queridos nos campos de batalha, viviam a expectativa e o descaso da falta de informações. Tudo o que chegava era pela imprensa e incompleto. Tudo muito mascarado e o governo alemão só expedia, vez ou outra, comunicados dizendo que o parente não estava entre os mortos.

“Na Guerra, éramos isolados do resto do mundo”

Uma explosão, a dor e um alívio

Em 1942, a explosão de três granadas vitimou Alfredo Nitsche. As marcas dos ferimentos podem ser vistas até hoje. A dor era grande, mas no hospital militar Alfredo queria tudo, menos curar dos ferimentos, principalmente depois de saber que tropas brasileiras desembarcariam para lutar contra a Alemanha.

“Eu jamais lutaria contra meus patriotas brasileiros. Sou filho de alemães, mas minha terra é o Brasil”

Alfredo Nitshe conta que jogava sal nas pernas para as feridas não cicatrizarem. Além de não permitir que lutasse contra os brasileiros, os ferimentos das granadas proporcionaram a Alfredo que ele casasse e tivesse filhos ainda na Alemanha.

Em 1943, uma família da cidade de Benshuasen, serviu no hospital militar um almoço de confraternização para soldados feridos. Foi aí que conheceu a jovem e bonita Helena Ernestine, com quem, ainda na condição de soldado, mas sem condições de batalha, casou-se na Igreja Luterana de Benshuasen.

Helena já estava grávida quando casou e, em 3 de outubro de 1943, nasceu o primeiro filho, Herbert Walter Gerd Nitsche, e dois anos depois, a menina Doris Anni.

Como não curava da perna, Alfredo foi dispensado da Guerra e ganhou duas medalhas, logo escondidas e queimadas pelo pai de Helena. “Se pessoas contra o Eixo descobrissem este material conosco, poderiam até nos matar”.

Itália, Alemanha e Japão se renderam em setembro de 1945. Terminou a gerra e se iniciaram novos problemas. “A miséria na Alemanha era de assustar e de doer o coração. Não havia indústrias, pois quase todo o parque industrial foi usado para fabricar instrumentos bélicos, os campos estavam destruídos, a morte ainda vagava, mesmo com o fim dos tiros, bombas e granadas”.

Helena conta que tinha de caminhar pro três horas para conseguir leite para os filhos. A situação não foi pior por causa da herança brasileira trazida por Alfredo: o saber plantar. “Tínhamos uma pequena horta em casa”

Em 1946, Alfredo foi trabalhar num albergue da ONU. Foi aí que, segundo ele, descobriu que numa guerra, como esta, ninguém ganha. As pessoas dividiam comida com ratos e muitas famílias alemãs se passavam por judias para conseguir o alimento de graça. Sem condições nenhuma na Alemanha, a família de Nitshe e a família voltam ao Brasil em 1947.

(Na semana que vem você vai conhecer a segunda parte da história de Alfredo Nitsche, e saber como ele se envolveu na fabricação do primeiro ônibus nacional).

Adamo Bazani, repórter, busólogo, que gosta de ônibus, mas acima de tudo que ama histórias de gente.

Na foto acima, Carlos Alfredo Nitsche aparece abaixo do retrovisor em frente ao ônibus monobloco O 321 com parte da equipe de operários e diretores da Mercedes Benz, do Brasil, em São Bernardo do Campo.

De côncavo e convexo

Por Maria Lucia Solla

Assista ao vídeo De côncavo e convexo apresentado pela autora

Olá,

Não dá mais para seguir!
Que é isso, amigo; é só pensar positivo que você vai conseguir.

Conseguir o quê?
Pensamento positivo, meu filho, é o pensamento que afirma o desejo de quem?
Não necessariamente o teu, só porque neste mundo  você nasceu.

Mas vou pedir à poesia para dar lugar a algo diferente.
Hoje não quero rimar, quero divagar.
Dá para entender, gente?!

E por falar em divagar, ressoa nos meus ouvidos o conselho/ultimatum de quem diz que te quer bem, desde que você aja tim-tim por tim-tim como lhe convém.

Vá devagar. Vire aqui. Estacione ali.
Não faça assim, faça assado!
Caramba!
À minha volta está tudo errado!

Você não vê, meu camarada, que esse caminho não te leva a nada!?
Mas que caminho é esse, gente, e o que é nada, se a forma da alma não for eventualmente decifrada?

Sapato? 36!
Calças? 38!
Quer um biscoito?
Não, não posso!
Responde com voz entrecortada
a adolescente esquálida, sem expressão.
Desencantada. Des-animada.

E assim todos; os de alma redonda, quadrada, estrelada, tentam se encaixar na forma a eles… reservada.

E aí dói.
Crescer dói, diz você.
E eu pergunto: por quê?

Não posso mudar meu caminho
mesmo que ele me condene a, no meio da multidão, viver triste e sozinho!

E aí adoece.
Antes do tempo, envelhece.
No seio da família, aborrece.
E até o melhor amigo te esquece.

Então, crescer, evoluir, elevar-se nada mais é do que contentar-se?
Claro que sim.
Simples assim.

Não tem GPS mais afinado que o contentamento.
É ele a voz de Deus.
É ele que sopra de mansinho; um sopro tão amigo, tão delicado que, aí sim, deixa
você encantado.

Se há receita para te deixar bem, é aquela de perceber, a cada dia, a forma que a tua alma tem.
Vale a pena.

Experimente, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, agradeço sempre por escrever no Blog do Mílton Jung

As babás “brazileiras” e os bebês americanos

Brasileiras cuidam dos americanozinhos

Brasileiras cuidam dos americanozinhos

O som não era estranho. O sotaque também não. O papo que rolava entre as três moças sentadas no banco de madeira era em português. A que falava mais alto tinha um acento mineiro. O inglês interrompia a conversa das brasileiras apenas quando era para chamar atenção de alguma das crianças que brincavam no parque de Ballard Park, no centro da pequena Ridgefield. Duas delas, com certeza, eram babás, trabalho comum para as brasileiras que vivem nos arredores desta cidade de Connecticut. Costumam ganhar em torno de U$ 10 a U$ 15 por hora para cuidar dos filhos das famílias americanas.

O valor embolsado no fim do mês depende muito da condição que vivem por aqui: legal ou ilegal. Esclarecendo que o viver legal significa apenas ter os papéis em dia.

A maioria delas mora em Danbury, pertinho daqui. Moram em casas de qualidade mediana, normalmente com muita gente dentro. Cortiços mais bem organizados do que os que conhecemos principalmente em São Paulo. Desde a derrocada da economia dos Estados Unidos, a vida deste pessoal não tem sido fácil. Muitos voltaram para o Brasil temendo o cerco aos imigrantes, outro lugar-comum nos momentos em que a turma da casa roga por emprego. Mesmo que a função não seja a preferida deles.

Aos “brazileiros” está pegando, também, a falta de dinheiro da família americana que começa a cortar as depesas no departamento pessoal, antes mesmo do cafezinho da empresa. E aí o problema não é apenas com as que exercem a função de babá. Sobra para as faxineiras, os motoristas e os fazem-tudo. Se não perdem o emprego, ficam com a grana mais curta.

Houve quem deixasse para trás a casa já comprada. Outros ainda conseguiram vender uma coisa aqui e outra lá, antes de botar o pé no avião. Mesmo algumas famílias com um dedo no “greencard” não aguentaram o tranco e decidiram voltar. Assim como vieram, vão com a esperança de que “onde não estou, está melhor”.

Com tudo, ainda existem muitos brasileiros por aqui. Na loja de vinho, no balcão da sorveteria, vendendo aparelho eletrônico no grande magazine ou no banco de madeira do parquinho chique. Ali, pertinho de mim, sem identificar minha origem, as três brasileiras conversavam sobre seu cotidiano, quanto recebiam, quando tinham vencimentos cortados, as exigências da patroa e do patrão. As crianças por quem são pagas para cuidar brincavam despreocupadas nas armações de ferro dispostas e construídas de maneira segura e amigável.

As babás também pareciam despreocupadas, mas investiam no inglês todas as vezes que tinham de pedir atenção das crianças. Gostei do método de uma delas: “Bob, one !”; Bob, two !”. Não tenho ideia da reação dela após o “Bob three !’, mas o Bob, sabe, pois desceu correndo de onde estava.

Passei a prestar atenção nas crianças acompanhadas pelas mães e, pelo tempo que uma delas ficou ao celular, logo percebi que estava sendo exigente demais com as babás. As crianças, pelo menos ali, foram feitas para ficarem soltas. Se não souberem aproveitar esta liberdade e segurança que tem, “one, two and …..”

“Vou com o meu carro”, diz usuária de ônibus fretado

Reproduzo neste post comentário deixado por Talita Urdiales sobre a restrição da prefeitura de São Paulo ao uso de fretados na capital paulista:

“Sou usuária do transporte fretado há 6 anos, moro na Zona Leste e trabalho na Zona Oeste (Rebouças). Concordo que existem exageros em relação a longas paradas em locais inadequados e também um certo abuso no trânsito, porém, acho que os benefícios que os ônibus trazem para a população são maiores que os malefícios.

Por diversas vezes já utilizei o transporte público de SP e mesmo sendo considerado o melhor do Brasil como foi citado em entrevistas com o Secretário Alexandre de Moraes, ainda está muito longe do ideal.

A alternativa apresentada pelo prefeito e pelo secretário municipal para a região leste foi: ir de fretado até o Metrô Belém e de lá ir de metrô até o meu destino. Essa proposta é simplesmente absurda, atualmente gasto de R$225,00 com o fretado, e garanto que o custo em trabalhar todos os dias de carro será menor do que o que gastaria indo até os “bolsões” que a prefeitura pretende criar e de lá ir de metrô até o escritório.

Frases como as que o prefeito e o secretário municipal de transportes divulgaram apenas nos mostram a total falta de conhecimento dos problemas no transporte público de SP. Tenho absoluta certeza que nenhum deles teve o “prazer” de conhecer a linha vermelha do metrô que liga a região Oeste a região Leste de SP. Gostaria de convidá-los a conhecerem a linha vermelha em horário de pico e depois disso divulgarem frases como a seguinte:“Um transporte como o de São Paulo é o melhor transporte público do país sem qualquer comparação, não há nível de comparação e que nós estamos cada ano que passa melhorando muito”, diz Alexandre de Moraes, secretário municipal de Transportes. 30/06/2009 – SPTV 2ª edição – Rede Globo.

Assim como TODAS as pessoas que pesquisei no meu fretado, irei todos os dias com o meu carro e acredito que não serão poucos os usuários de deixarão de usar os fretados e passarão a usar seus veículos.

É uma utopia pensar que o transporte público de SP seria capaz de suportar uma demanda de mais 50 mil pessoas (número divulgado pela própria prefeitura). O transporte JÁ está sobrecarregado e não presta um serviço de qualidade digno da maior e mais importante cidade do Brasil.

Se o intuito do Sr. Prefeito era melhorar o trânsito, sinto informá-lo que esta medida terá efeito contrário, porque 20 ou 30 carros prejudicam muito mais o trânsito do que 1 ônibus que comporta 45 pessoas. E se o intuíto do Sr. Prefeito foi melhorar o ar de SP, com certeza terá efeito contrário, nem todas as pessoas que utilizam o fretado tem carros novos e ainda que tenham, com certeza 20 ou 30 carros poluem muito mais que 1 ônibus.

Sei que minhas palavras ficaram muito vagas, mas tenho uma sugestão: Te convido e também convido o nosso querido prefeito e seu secretário para me acompanharem no meu percurso dos Jardins até a Zona Leste de duas maneiras: ônibus + metrô e de fretado em uma sexta-feira (dia em que o trânsito de SP que já é muito ruim piora ainda mais).

Admiro a iniciativa de melhorar o trânsito da cidade, mas acho que uma decisão tão importante quanto esta não pode ser tomada de uma maneira tão arbitrária como aconteceu. Se a intenção é diminuir os transtornos causados pelos fretados, deveria-se criar regras onde este serviço que é tão utilizado não seja prejudicado, mas aperfeiçoado. Minha sugestão é: tempo máximo de utilização dos ônibus, utilização dos pontos de ônibus existentes para o embarque e desembarque de passageiros, inspeção veicular para o controle de emissão de poluentes, substituição do óleo diesel pelo BioDiesel que polui menos, credenciamento de todas as empresas e percursos existentes, entre outras a serem definidas.

Jardineira faz viagem ao passado em São Paulo

Por Adamo Bazani

Passeio de Jardineira em Tradicional Bairro de São Paulo é uma viagem na história da cidade. O ronco do motor remete a uma época saudosa, mesmo que desconhecida para muitos.

É possível mesmo com o corre-corre de São Paulo, os imóveis e prédios modernos e a grande população, dar uma volta ao passado? Matar saudade ou sentir um pouquinho de uma época que muitos admiram, mas não viveram?

Sim, é possível. E as “máquinas do tempo”, são duas Jardineiras, ônibus antigos, bem diferentes da configuração dos veículos atuais. Uma de 1931 e outra de 1932.

O passeio nestes ônibus é uma dica para quem gosta de veículos de transporte coletivo, para quem é interessado na história da cidade de São Paulo ou, simplesmente, para quem está cansado da mesmice do Shopping e Cinema.

E os simpáticos ônibus parecem uma máquina do tempo mesmo.

Quando os motores Ford dos anos 30 são ligados e os veículos começam a transitar pela região do Ipiranga, tradicional bairro de São Paulo, palco da Independência do Brasil, a sensação é de estar numa época gostosa.

É claro, os velhos ônibus são ultrapassados pelos novos, como os Caio Mondego Articulados de última geração da Viasul, que passam pela região. É possível ver trânsito, o caos da cidade, mas, também, com as vagarosas avançadas das Jardineiras, pode-se notar uma São Paulo diferente, que passa rápido pela nossa frente, mas que não é percebida.

A começar pelas ruas de paralelepípedo que ainda são conservadas no bairro.

A guia da viagem mostra edificações que nos fazem imaginar como era uma São Paulo mais tranqüila, mais simples, mas ao mesmo tempo, mais clássica.

E na viagem no tempo, que dura 25 minutos em média, é possível ver que desde o início do século passado, São Paulo já era a cidade das diversidades.

Em algumas ruas, casas ainda com a janela e a porta que dão direto para a calçada, bem no estilo operário do bairro. Construções simples e aconchegantes. Em outras ruas, grande edificações, como o próprio Museu do Ipiranga, o Mosteiro onde viveu e morreu a beatificada Madre Paulina, hoje ocupado por uma faculdade, mas com as características mantidas, o casarão onde morou o famoso advogado e figura importante na história de São Paulo, Ricardo Jafet, entre outras preciosidades do bairro do Ipiranga, escondidas pelas modernidades e principalmente pela correria do cotidiano.

E dirigir uma Jardineira dessa é uma arte.

Para se ter idéia, a direção do veículo de menos de 6 metros de comprimento é tão pesada, que é mais confortável fazer as estreitas curvas do Ipiranga com os gigantes Caio Mondego, de 18 metros. As quatro marchas têm de ser trocadas no tempo certo. A suspensão é dura, mas o balanço da Jardineira é gostoso.

O ronco do motor é diferente e chama a atenção, mesmo de quem não é busólogo. Prova disso foram as pessoas que tiravam fotos e faziam perguntas nas paradas das Jardineiras.

Mas por que Jardineira? Porque não eram chamadas de ônibus, nome de origem francesa, do final do século XIX, que significa “para todos”, remetendo a algo coletivo.

Mais uma vez a história explica. Segundos profissionais mais antigos e a guia do passeio, o nome se dá por causa das operárias dos anos 30, da região da Mooca e Ipiranga, bairro cujo nome era escrito com Y (Y significava Rio, e o restante do nome, vermelho).

Os ônibus com as laterais abertas transportavam na ida e na volta as operárias, que usavam chapéus floridos. Por este formato de carroceria, toda aberta na lateral e pelas flores dos chapéus, taxistas, artesãos, padeiros e até os próprios motoristas falavam que os ônibus pareciam Jardineiras, e o nome pegou.

O cheiro da gasolina (nesta época no Brasil os ônibus não eram a Diesel) misturava-se com o perfume das operárias.

Ser cobrador era uma profissão de risco. Ele andava no estribo do veículo em movimento, que patinava nas subidas de barro,como da Rua Bom Pastor.

O passeio vale a pena.

Para quem é da época, saudades; para quem gosta de ônibus e de história, uma mina de ouro; para a criançada, uma diversão. Aliás, para ver como o passado tem vida: quando viajamos na Jardineira, crianças de 5, 6, 7 anos, diziam coisas do tipo: “Andar de ônibus antigamente era legal” – falavam alegres, como se de alguma maneira tivessem vivido a época.

As Jardineiras percorriam o Ipiranga, Mooca, Brás, Praça João Mendes até o centrão de São Paulo.

São mais de 70 anos de ônibus muito bem preservados. Será que em 2079, se houver um Caio Mondego preservado, hoje um dos mais modernos, haverá um passeio assim? Que sensação ele deve passar?

Serviço

Operarias e seus chapeus floridos deram nome a estes onibus

Operárias e seus chapéus floridos deram nome a estes ônibus

Os passeios são feitos aos finais de semana, das 9h às 16h. A passagem é de 5 reais, para manter os veículos, o passeio pelas ruas do Ipiranga (que se transforma do Ypiranga) e do Sacomã dura cerce de 25 minutos. Apesar de parar no Museu do Ipiranga e em outros pontos, o embarque só é possível na Rua Huet Bacelar, 407 – Ipiranga, em frente ao Aquário de São Paulo.

Adamo Bazani, é busólogo, repórter da CBN e um jovem saudosista.

De caqui e vida

Por Maria Lucia Solla

Maria Lucia Solla, De caqui e vida

Assista ao vídeo De caqui e Vida, apresentado por Maria Lucia Solla

Olá,

Estava lavando um caqui na pia da cozinha quando me dei conta da escuridão em que vivemos.
Me dei conta de nossa ignorância.

Depois de milhares de anos, morando aqui, a gente ainda luta contra a vida. Disputa com ela.
Se defende dela.
Morre de medo.

Tudo bem, não somos simples. Nossa máquina é complicada, mas veio de fábrica, assim.
A semente é escolhida de acordo com o terreno onde será plantada.
Planta de sombra não vinga ao sol.
Planta solar, em gruta escura e fria, nem com reza braba vingaria.

Muitos já quebraram a cabeça, queimaram as pestanas e perderam um par de parafusos, tentando desvendar os mistérios da vida, mas poucos se desprenderam do detalhe e vislumbraram o Todo.
Poucos viram além do véu.
Einsten foi um deles. Botou um linguão enorme pra fora e sorriu com um olhar zombeteiro.

Pois eu, que não pertenço a esse grupo, tive um eureka, lá na pia da cozinha; percebi o paralelo entre comer uma fruta e viver a vida que a gente , por falar nisso, mal e mal desfruta.

Peguei o caqui, lavei, e depois não sabia se devia secá-lo com um pano de prato ou com uma folha de papel toalha. Meu caqui veio do mercado, embalado e sufocado, condenado a uma cela com capacidade para 4, e dividida com outros 7 caquis.

Lavo só na água corrente?
Água não é livre de impureza. Germes bactérias…
Jesus me abana; me dá umas férias!
Mergulho em solução de água sanitária?
Nesse ponto meu plexo solar dá saltos mortais. Não, não; acho melhor não.

Ai paro e penso: caramba, que vida louca vamos levando. Sabendo que a viagem é de ida e volta, começamos chorando e seguimos esperneando.

Quando a gente percebe o corpo, dando à luz o ego, e se dá conta de que tem um veículo à disposição, para ir de lá pra cá, a gente se confunde com ele e o mantém de vidros fechados e escurecidos, e segue rezando a cartilha que alguém deixou no banco do carona.

A gente se prende ao ego a tal ponto que se rende a ele. Só se desprende da cegueira, parcialmente, na chegada ao destino, se tiver sorte. Quando estiver frente a frente com os não-olhos da morte.

Enfim, tanto conhecimento na área científica e social não basta para que a gente se dê conta do fundamental: Não sou o veículo!

Ele permite que eu me movimente e que eu interaja com o que vejo fora de mim, mas é só isso.

Simples assim.

Como a vida do caqui; do seu nascimento até o seu fim.
Sua trajetória o leva a se realizar em mim.
E a sua trajetória, para onde o leva?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos como caqui, pensa na vida e escreve no Blog do Milton Jung.

Do editor: Não me perguntem o motivo, mas a plataforma de edição do blog mudou sem aviso. Isso me atrapalha pra burro (e me faz sentir como tal). Não consigo, por exemplo, publicar no post o vídeo da Maria Lucia. Você terá de clicar lá no link para assistir à moça. E se alguém souber como publicar vídeos do You Tube no sistema de edição padrão do WordPress, agradeço a ajuda.

“Rádio é a única mídia que você leva no bolso”

Milton Ferretti Jung

Peço licença para um momento família. Mas vocês verão que o espaço aberto no Blog tem razão de ser pelo talento das duas figuras que se encontraram em um bar de Porto Alegre, na noite de quinta-feira (sim, a mesma quinta em que assistia pela internet à semifinal da Libertadores). Ruy Ostermann, o professor, e Milton Ferretti Jung, meu mestre, sentaram lado a lado para o programa “Encontros com o Professor” e fizeram um bate-papo de velhos amigos que enfrentaram as situações mais inusitadas da profissão e da vida pessoal.

Da compra de um fusca, entregue com o cartão de visita do mecânico, a transmissão de um jogo de futebol que jamais foi ao ar, os dois se divertiram e divertiram o público que ocupou as cadeiras do StudioClio, na rua José do Patrocínio, na capital gaúcha. Eu não estive por lá, distante que estava nestas férias, mas soube por visitantes que os dois deixaram o local rapidamente, pois tinham compromisso diante da tela da TV para torcer pelo Grêmio. Sim, meu vício é genético.

Ops … dizem que o professor não confessa, nem por tortura, para quem torce lá no Sul. Então, não posso taxar que ele deixou o bar para “torcer” pelo Grêmio.

Do palco, uma frase para quem acredita na potência do rádio: “A rádio tem seu lugar, sempre! É a única mídia que podemos levar no bolso”, disse Milton Ferretti Jung

Para conferir alguns momentos você vai ao site do “Encontros …”