Por Adamo Bazani
Leia a primeira parte deste texto clicando aqui
Depois de largar as empresas de ônibus nas quais trabalhou, José Pereira se dedicou exclusivamente ao transporte de cargas e jamais imaginara retornar aos ônibus mudando a tradição da família, identificada com os caminhoneiros.
Mas o que é o destino (para os que acreditam nele) ? Mas o que são as oportunidades (para os mais céticos) ?
José Pereira começou a atuar mais na região da Grande São Paulo, depois de rodar Brasil a dentro, com a ampliação da atividade fabril nos anos 80. Época em que os trabalhadores faziam muitas greves, corriam o risco de ser demitido, mas sabiam que, bastava não estar listado pelo Regime Militar, tinham emprego no dia seguinte em outra indústria.
Foi para uma dessas indústrias que José Pereira prestou serviço de transportes. Na realidade, trabalhou para a empreiteira contratada pela Solvay, fábrica do setor químico, com sede em Rio Grande da Serra, que ampliava seu parque industrial construindo uma espécie de cidade particular com moradias, praças, galpões, hospital e linhas de ônibus.
O dono da empreiteira perguntou a José Pereira se ele não teria ônibus para transportar os operários, sem que a empresa dependesse do horário restrito das empresas que faziam o transporte urbano. Muitos trabalhadores começavam o turno cedo demais, antes mesmo de os “ônibus correrem a linha”, outros iam até de madrugada, quando o sistema não funcionava mais. Assim que ouviu quanto o empreiteiro pretendia pagar, ele não teve a menor dúvida em encarar o negócio.
Em 1983, iniciava, com um velho monobloco O 362, o transporte de operários. O ônibus fabricado em 1971 era bem rodado, mas dava conta do recado.
A era de transportadores de carga dava lugar aos poucos para a dos transportes de passageiros. “Quando se planeja obras, industrias, residências, se pensa em tudo, menos no operário. Ninguém tinha se dado conta que o pessoal precisava voltar pra casa, mesmo que fosse perto do local da construção”.
Em 1985, José já tinha 13 ônibus, para os operários das obras da indústria Solvay, e outras obras, também. Começava a operar a empresa Zezinho Turismo, apelido de José até hoje. Anos mais tarde, foi rebatizada Zetur Fretamento.
Naquela época, a Refinaria de Cubatão, no litoral, também se expandia e os ônibus de José operaram nas obras da refinaria.

Continuar lendo →