Do cheiro do Mercadão ao grito do povo

Mercadão de SP por Fernando Stankuns, no Flickr

São Paulo é cidade para muitas sensações. Percebe-se em pesquisas formais e enquetes casuais. Quarta-feira passada, o colunista Carlos Magno Gibrail provocou os ouvintes-internautas a descreveram a cidade a partir dos cinco sentidos. Reproduzia ação da SPTuris que desenha o Mapa das Sensações.

Na pesquisa oficial, os mais de 600 internautas que deixaram suas  percepções sobre a capital paulista indicaram 2 mil e tantos locais que marcaram seus sentimentos pelo olfato, visão, audição, tato e paladar. Aqui no blog, nossos ouvintes-internautas também foram generosos nas opções oferecidas, 72 indicações.

Há cenários assíduos dentro os que mais emocionam. O Mercadão, centro da cidade, excita tanto pela língua como pela narina dos seus frequentadores. É no prazer provocado por um pastel de bacalhau, um sanduíche de mortadela, as azeitonas expostas na banca ou no conjunto da obra.

Nada supera, o pastel de feira, lembrança mais registrada entre todas. E daí tanto faz a feira.

Locais inusitados surgiram nas dicas dos ouvintes-internautas quando o tema é o olfato e o paladar: a porta do estádio. As barraquinhas no seu entorno mexem com os torcedores já devidamente tomados pela expectativa da espera do jogo. O sanduíche de calabresa da Dona Joana – com mais de 60 anos, fez questão de lembrar um dos participantes -, no caminho do Morumbi, foi lembrado duas vezes na enquete do blog (preciso experimentar). Se equipara aos cheiro e sabor provocados pelo café e o pão francês feito na hora.

Torcida na arquibancada do Morumbi por Lilit Pari, no álbum do Flickr

Nossa enquete sinaliza que o futebol é elemento importante neste cenário, não apenas pelos cheiros que exala. Aguça a visão quando as arquibancadas estão lotadas, o tato no sonhando instante de pegar a taça de campeão e os ouvidos com o som entoado pelas torcidas.

Estranhos ouvidos, registre-se. Se satisfazem com o grito de “É campeão”   no estádio e dos feirantes na Ceasa; se irritam com a sirene, a buzina e o barulho do trânsito; se emocionam com o sino da Igreja Santo Antônio,  as crianças brincando no parquinho perto de casa e o “silêncio salpicado de gorjeios no Trianon”.

Olhar, ouvir, cheirar, tocar e saborear. Nem mesmo todos os problemas que encaramos no cotidiano do ambiente urbano foram suficientes para nos tirar a capacidade de exercitar estes sentimentos. Esta aí uma notícia que me faz sentir bem.

Você ainda pode participar da pesquisa realizada pela SPTuris acessando o Mapa das Sensações.

Veja outras imagens de São Paulo no álbum do Flickr de Fernando Stankun e Lilit Pari 

De descobertas

Por Maria Lucia Solla

Click to play this Smilebox slideshow: De descobertas 18.04.09
Create your own slideshow - Powered by Smilebox
Make a Smilebox slideshow
Ouça e veja as “descobertas” na voz da autora clicando na imagem acima. A música é St. louis Blues – Benny Goodman  

Olá,

Esta semana, dirigindo à noite na Marginal Pinheiros, fiz uma descoberta do tipo dois. Deliciosa.

Conheço e percebo dois tipos de descoberta. A do tipo um que acontece de fora para dentro, e é chamada de aprendizado ou conhecimento, e a do tipo dois que acontece de dentro para fora, e é chamada de percepção, intuição, clarão, loucura ou eureka. Vão em sentido contrário, mas são porções da mesmíssima realidade, e uma contem a outra. A do tipo um é popular e circula por aí, feito celebridade. A do tipo dois já se mostra com cautela; é comentada a boca pequena, como no tempo da fogueira e da forca. Ao pé do ouvido.

No entanto, o modo como somos treinados a viver nos dificulta o contato com a descoberta do tipo dois, e a gente não consegue ver o que mora debaixo de véus, carimbos, dissimulação, e crenças adquiridas. Imagine! Crença adquirida! Adquirimos sim, herdamos, engolimos a seco ou com um trago, recebemos intravenosamente… Compramos a maioria das crenças, e nem chiamos. Que loucura!

Na adolescência, um dos meus amigos tinha mais de um carro, e meu pai não gostava nem um pouco quando ele me trazia da escola para casa num carro diferente. O que os vizinhos iriam pensar?! Claro que ele herdou essa crença. Não podia ser uma escolha dele. Eu era sua filha. Ele me conhecia. Conhecia meus amigos. Percebia quem eu era. Ou não? Enfim, só um exemplo de que corremos o risco de nos transformarmos naquilo que aprendemos. Usamos fragmentos de conhecimento para construir barreiras, dogmas, preconceitos, e para nos protegermos da vida.

Não nos deixamos permear.

Impermeabilizamos as cidades, e é exatamente o que fazemos conosco. Veias, artérias, vísceras; nossas emoções. Nos reprimimos doentiamente, e adoecemos doentiamente. Lutamos contra a própria Terra, através da terra e dos rios. Nós a aprisionamos, nós a sufocamos, nós a violentamos. Boicotamos nossa sociedade criando partidos que abrigam indivíduos que tiram partido deles. Nós os criamos para que se oponham visceralmente. Brigam tanto, medindo forças, que acabam brigando só por si mesmos e estamos conversados.

Mas voltando a elas, a maior parte das vezes, quando fazemos uma descoberta do tipo um, entramos em contato só com uma partícula da realidade. Aquela visível através dos olhos do corpo, inteligível através da mente terrena. Não reconhecemos o outro; não percebemos o outro. Estamos tão acostumados a olhar carcaças e a usá-las como espelho, que acabamos nos contentando com pouco.

Subverter é preciso. Afinal, subverter não quer dizer descobrir? Não quer dizer mudar a vertente? Mudar a direção? Sub não é um prefixo que dá a idéia de por baixo, pela base da estrutura? Então, é por isso que o verbo foi mandado para a masmorra. Subverter ganhou outro significado, outra roupagem. Hoje quer dizer quebrar a ordem vigente. Percebe?

Prefiro chamar a descoberta de dentro para fora de percepção, que está em estreita sintonia com a Vida. Perceber é um verbo que usamos quase sem perceber. É como se ele se escondesse dele, e nele mesmo. Os esotéricos seguramente perceberam que o perceber se escondia  ali e, alguns se prevaleceram dessa percepção para dominar e manipular o  mundo em volta, sem que o mundo percebesse. E a história se repete.

E você, costuma perceber?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, nos ajuda a olhar as coisas de outro modo, sem modos nem modas.

A periferia invade o céu de São Paulo

Na Cooperifa tem Poesia no Ar

Balões de gás hélio espalharam-se pela noite de São Paulo transportando a criatividade e poesia de artistas, atores e autores da periferia. Esta foi a terceira edição do Poesia no Ar, promovido pelo movimento literário da Cooperifa, que às quartas-feiras se reúne no Bar do Zé do Batidão, na Chácara Santana, zona sul da capital paulista.

Nosso colaborador Marcos Paulo Dias esteve por lá, nesta semana, e ficou impressionado com aquela turma viciada em cultura. Ele conversou com o Sérgio Vaz, idealizador do movimento e registrou o forte abraço que envie para todos. Eles merecem.

As fotos são do Marcos e a poesia que transcrevo é do Sérgio que assina o Blog Colecionador de Pedras:

Uns querem bala perdida
nós poesia
quem cala a ferida,
anemia.

A pólvora
que risca o beco
sai dos lábios
que nem tiro sêco.

Poema traçante
que rasga o peito da noite,
um levante,
levando declaração de guerra
camuflada de alegria.

Avante,
nosso exército
marcha nas sombras
sem pisar nas flores
das primaveras
que plantaram bombas.

O Poema que voa
não é pássaro nem avião
muito menos
projétil de metralhadora.

O perigo da poesia
Não está no balão que baila no ar,
mas nas mãos duras
que cavam o pão amargo
do dia a dia
nas trincheiras
do trigo
e da erva daninha.

Sim,
gás Sarin
contra nossa letra torta.
Mas
o que não mata
engorda.

Em tempo
da tua paz
Verás
que nem tudo era
palavra, em ar comprimido,
e quando o gás do teu riso cabar
é nossa vez de chegar
com o Urânio enriquecido.

O voo da vida

Maria Lucia Solla compartilha com a gente seu olhar do outono de São Paulo

Texto de Armando Italo que extraio dos comentários do post “O tempo passa diferente para algumas pessoas”, de  Abigail Costa; e imagem assinada pela nossa comentarista dominical Maria Lucia Solla que compartilha com a gente seu olhar do outono paulistano:

O tempo a vida.

Consegue, consegue, não consegue

Consegue, consegue, não consegue.

Nascemos e depois de preparados, acionamos os motores, taxiamos dentro das regras, alinhamos na cabeceira da pista a nossa aeronave da vida.

Muitas oportunidades, em um dia lindo, com céu totalmente azul, cavok como dizemos na aviação, ventos calmos.

No início da rolagem da nossa aeronave da vida, damos potência nos motores, manetes todas a frente, no batente, rolamos vamos ganhando velocidade, V1, V2, V3 rotate!

Saímos do chão!

Vamos subindo, ganhando altura inicialmente numa razão de subida acentuada, manetes full, potência nos motores.

A medida que vamos ganhando altitude, o “ar” vai se tornando mais rarefeito, causando menos sustentação aerodinâmica na aeronave da vida, como consequência, temos então que começar a diminuir a nossa razão de subida gradativamente em uma parábola, ajustando e configurando a nossa aeronave da vida, potência dos motores, etc.

Por vezes, durante a subida, vamos nos deparar com “surpresas” como turbulências, correntes ascendentes e descendentes, chuva, vento, granizo, nuvens negras pela proa, os temíveis e terríveis CBs, cumulus nimbus. Até nivelar a nossa aeronave da vida no nível de vôo “programado” nos sistemas gerenciadores de vôo.

Para aquele “piloto” determinado, persistente, que estudou tudo o que podia, treinou, este estará em condições de enfrentar “as adversidades” que provavelmente surgirão, pela proa e durante toda as etapas do voo da aeronave da vida.

Lá em cima, já nivelado, voando acima dos dez quilômetros de altitude, acima dos trinta mil pés, no silêncio da imensidão, no ar totalmente rarefeito em velocidade mach vamos então apreciando o que é de mais lindo e agradecemos a Deus, a natureza, o quanto nos custou até conseguir colocar uma aeronave voando onde está.

Voando calmamente, “silenciosamente” sobre as nuvens, e tudo lá embaixo.

Só que em um momento, “a algumas milhas” do nosso aeroporto de destino, teremos então que iniciar a descida e o processo é inverso e de certa forma complexo.

Toda cautela, destreza, proficiência, cálculos matemáticos e da física, serão realizados com ou sem auxílio dos sistemas da nossa aeronave da vida, opção de cada um.

Da mesma forma que aprendemos a subir com a nossa aeronave da vida, voar nivelado gerenciando, pilotando, temos que agir no início de descida até o pouso seguro.

Armando Italo é ouvinte-internauta do CBN SP, frequentador assíduo do Blog do Milton Jung e apaixonado por aviação.

Entenda as irregularidades na merenda escolar

Clique nas imagens e veja outros documentos que fazem parte da investigação

Documento do Proced

O Ministério Público de São Paulo descobriu novas irregularidades cometidas por 10 empresas que fornecem merenda em escolas municipais, na capital paulista e outras cidades brasileiras. Além disso, foram levantados documentos que comprovam que as empresas pertenciam aos mesmos donos.

De acordo com reportagem de Adamo Bazani que foi ao ar na CBN, o MP tem informações de que ao menos 111 contratos de prestação de serviços foram feitos sem licitação, entre 2006 e 2007. Há indício de que pelo menos 400 itens não foram cumpridos, mesmo assim as empresas não foram punidas pelo poder público. Haveria contratos que sequer foram formalizadas, de acordo com o promotor Sílvio Marques.

Quase como se tivessem assinado com o “fio do bigode”. Na confiança, se você me entende.

A maracutaia na concorrência foi identificada, também pelo Proced, órgão disciplinar da prefeitura de São Paulo: “havia pregões maculados para as empresas ganharem as concorrências”, está escrito em um dos documentos assinados pela procuradora do município Fernanda Dutra Drigo de Almeida.

IMG_0409

“Os indícios descobertos pelo Ministério Público, por documentos e gravações telefônicas, demonstram claramente e ,sem sombra de dúvida, que houve conluio entre as empresas participantes e provável vazamento de informações sigilosas”, constatou a procuradora.

Mais adiante ela afirma que “causou estranheza o fato de as responsáveis pela fiscalização dos contratos, Joana D’arc Pereira Mura e Rosmari da Silva serem da ABERC – Associação das Empresas de Refeições Coletivas”.

A promiscuidade foi identificada por Fernanda de Almeida como “irregularidade gravíssima”.

A então responsável pelas merendas no período investigado, entre 2006 e 2007, Beatriz Aparecida Tenuta, e as responsáveis pelas fiscalizações de contrato, Joana D’arc Pereira Mura e Rosmari da Silva, foram afastadas dos cargos.

A reportagem da CBN teve acesso aos documentos que fazem parte das investigações do Ministério Público de São Paulo. Alguns deles publicados neste post.

Continuar lendo

Foto-ouvinte: A mais feia de São Paulo

Brigadeiro Luis Antonio

Antes mesmo de fechar as contas da preferência dos leitores do blog em relação as sensações provocadas por São Paulo, sou provocado a olhar para o outro lado da cidade. O ouvinte-internauta Eduardo Mucillo recentemente foi trabalhar na avenida Brigadeiro Luís Antônio. Ele está espantado com a quantidade de casarões abandonados que parecem prestes a desabar. Contou pelo menos quatro dessas construções antigas com péssimo aspecto, entre as ruas Pedroso e Humaitá.

Eduardo, autor da imagem acima, comenta: “A avenida Brigadeiro Luís Antônio, junto com a Santo Amaro e a Ricardo Jaffet, concorrem ao triste título de avenidas mais feias de São Paulo”.

Que outras avenidas e locais entrariam nesta lista, na sua opinião ?

Moto vai ser proibida de andar entre carros, vai encarar !?

Motos no corredor

Proibir motos de circular entre os carros é dos desafios mais complicados no trânsito brasileiro, depois que o presidente  Fernando Henrique perdeu a oportunidade de manter a regra no Código Brasileiro, aprovado em 1997. O veto a determinação que havia passado no Congresso Nacional abriu espaço para a construção de um hábito perigoso que tem causado uma série de acidentes com mortos e flagelados. No ano passado, mais de 6 mil e 700 perderam a vida sobre motos, no País.

A frota de motocicletas cresceu imensamente nos últimos anos. De 2004 a 2008, enquanto o número de carros aumentou 35%, o de motos chegou a 82%, no Brasil. A falta de investimento em transporte público empurrou muitos passageiros para fora dos ônibus e para cima das motos. A maioria sem o menor preparo. Além disso, o excesso de congestionamento fez dos motoboys função primordial para o funcionamento da cidade.

Em meio a este cenário, o Congresso Nacional volta a carga e tenta impedir a circulação das motocicletas entre os carros. O primeiro passo foi dado com a aprovação de projeto de lei na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e agora vai para o Senado. A proposta divide opiniões.

Para o professor, especialista em segurança no trânsito, José Almeida Sobrinho, o Brasil terá de encarar este desafio, pois tem de se ter como prioridade a vida das pessoas.

Ouça o professor José Almeida Sobrinho

A criação de faixas exclusivas para motos é outra proposta em debate. São Paulo tem uma única experiência até hoje, na avenida Sumaré, com resultados extremamente positivos. Nenhuma morte foi registrada em acidentes na via, na zona oeste de São Paulo. Agora, estuda criar nova pista segregada pela avenida Liberdade e rua Vergueiro, corredor que seria criado para proibir a circulação das motos na avenida 23 de Maio.

A ideia é defendida pelo urbanista Cândido Malta que chama atenção para outra ação necessária: o pedágio urbano. Seria uma forma de restringir a circulação de carros, investir no transporte público, reduzir o fluxo de veículos e diminuir a quantidade de mortes no trânsito.

Ouça a entrevista do urbanista Cândido Malta

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Motociclistas Empregados de São Paulo Aldemir martins de Freitas, o Alemão, contesta a proibição de circulação de motos entre os automóveis e na avenida 23 de Maio, como estuda a prefeitura.

Ouça a entrevista do presidente do SindMoto Alemão (publicada às 11h54)

Cidade Limpa: Liminar cai e outdoors vão abaixo em Cotia

Reprodução de imagem da Revista Circuito sobre retirada de outdoors em Cotia

Os anúncios externos que ainda resistiam a aprovação da lei Cidade Limpa começaram a ser retirados pela prefeitura de Cotia, região metropolitana de São Paulo. A ação foi possível após a administração municipal ter conseguido derrubar liminar que concedia à empresa Savino Outdoor o direito de manter seus painéis na cidade.

O combate a poluição visual em Cotia se iniciou em 1º de janeiro deste ano e foi inspirado no programa desenvolvido pela prefeitura da capital paulista. De acordo com a versão on-line da Revista Circuito, que circula na região, desde o início do ano foram removidos mais de 600 painéis e aproximadamente 5 mil placas. “No centro de Coria é possível ver que 90% dos estabelecimentos já estão com suas fachadas reformuladas, dentro dos padrões permitidos”, informa a reportagem.

Para quem não mora na região, o impacto provocado pela lei Cidade Limpa pode ser percebido circulando pela rodovia Raposo Tavares de onde os painéis começam a desaparecer. Aliás,  sempre me chama atenção quando deixo a capital em direção a maioria das cidades da região metropolitana o choque provocado pelos gigantescos anúncios.

A lei Cidade Limpa em São Paulo nos deixou mal-acostumados.

Dona Iva, quem diria, é fora-da-lei

A lixeira da Dona Iva e de todos os paulistanos está com os dias contados

Católica, apostólica, romana, e praticante, Dona Iva está com 77 anos bem vividos e exceção a um ou outro
desentendimento com vizinhos é daquelas senhoras que ninguém tem nada contra. Passeia com seu cachorrinho na coleira e jamais esquece de limpar a sujeira deixada por ele. Na padaria, simpática como sempre, pede para o caixa colocar as comprar nos sacos de papel. São mais ecológicos, ensinou o neto mais novo.

 

Cada três dias da semana, sabe que as sete da noite, antes da novela começar, tem de levar o saco de lixo para a rua, duas horas antes do caminhão da coleta passar. Assim que houve o barulho, corre para a janela, cumprimenta os funcionários de macacão laranjan e aproveita para ver se não ficou nenhuma sujeira no caminho.

 

Lembrei dela hoje pela manhã na conversa com o subprefeito de Pinheiros, Nevoral Bucheroni, que informou estarem fora da lei os suportes de ferro instalados nas calçadas que servem para o depósito dos sacos de lixo. Estas armações podem ser encontradas aos montes diante de casas, prédios e empresas, na capital paulista. Muitas bem no meio do caminho, atravancando o passeio. Argumento, aliás, que levou a aprovação da Lei 13.478, de 2002, que proíbe a presença desses equipamentos sobre as calçadas.

 

Como nunca antes nesta cidade houve fiscalização ou pedido de retirada destas lixeiras, a ação da Subprefeitura de Pinheiros, nesta semana, que notificou alguns condomínios no bairro, causou indignação dos moradores. Alegam que não terão onde depositar o lixo enquanto esperam o caminhão da coleta.

 

O subprefeito Bucheroni, na entrevista ao CBN SP, disse que os prédios devem manter locais apropriados dentro do seu terreno que permitam acesso aos coletores ou que os sacos de lixo sejam depositados sobre a calçada apenas duas horas antes do horário previsto para o caminhão passar.

 

Ouça a entrevisa com o subprefeito de Pinheiros, Nevoral Bucheroni

Pobre Dona Iva. Tão certinha, cuidadosa e simpática. Não sabia que o zelo para impedir que os cachorros da vizinhança furassem os sacos e espalhassem o lixo pelo chão fazia parte de um crime contra a cidade. Vai ter de arrancar da calçada aquela lixeira que comprou de um rapaz que passava pela rua se não quiser receber uma multa de R$ 500.

 

Talvez ela até fique triste e enfurecida com o subprefeito, mas amanhã quando for passear pelo bairro encontrará a calçada livre. Das lixeiras, por que os buracos continuarão por lá, assim como as cadeiras e mesas do bar da esquina, o totem do valet, e todas aquelas coisas que nós sabemos bem atrapalham a caminhada da Dona Iva.

Canto da Cátia: UNE contra vestibular

Manifestação na Paulista

A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) passearam na avenida Paulista pelo fim do vestibular, nesta manhã 14.04. No meio da discussão, a proposta do Governo Federal de substituir o vestibular tradicional pelo “Enem seriado”, em que o exame seria adotado ao fim dos três anos do ensino médio.

A Cátia Toffoletto, além de registrar em foto, conversou com os líderes da manifestação que consideram a proposta ainda tímida. Segundo eles, que defendem o “Enem seriado”, não basta substituir o vestibular tradicional pelo novo Enem. É preciso ir além. Eles foram à Paulista.
.