‘É picaretagem’, diz Transparência sobre diretores

Sessenta e sete diretores é muito, é pouco ou resolve as coisas lá na Assembléia Legislativa de São Paulo ? O CBN São Paulo ouviu representantes de duas ONGs que acompanham o trabalho legislativo para saber se a quantidade de diretores se reflete na organização do trabalho. E na produtividade. Para a Transparência Brasil e o Voto Consciente não há dúvida. É gente de mais.

Cláudio Weber Abramo da Transparência diz que é picaretagem (ouça)

Rosangela Giembinsky, do Voto Consciente, reclama da falta de informação (ouça)

‘Eu não sabia’, dizem deputados sobre inflação de diretor na Assembléia Legislativa de São Paulo

Sobrou para Assembleia Legislativa de São Paulo. Aliás, sobrou diretor na Assembleia, segundo reportagem publicada pelo Estadão, nesta quarta.  São 67 para 94 deputados e 3,5 mil funcionários. A denúncia vem na onda que se iniciou no Senado e seus 180 diretores. Pela manhã, o presidente da Casa falou, deputado da oposição falou, secretário legislativo falou, e as entidades em defesa da ética na política gritaram. Afinal, é muito gente mandando e ganhando salários que chegam a R$ 12 mil para pouca produtividade. E com o dinheiro público.

Apesar de ter tanta gente no cargo de diretor, parlamentares paulistas dizem: “Eu não sabia”.

Ouça a reportagem de Luciana Marinho sobre a Assembleia Legislativa de São Paulo

Cidade tem de estar comprometida com mudanças

“Por favor, preciso de cinco minutos para tomar banho” A frase dita assim no momento em que chega a uma reunião no escritório, virou um clássico dos executivos descolados na Suécia que decidiram trocar o carro  para vestir a calça de bicicleta. A rápida e significativa história foi contada na tarde desta terça-feira pelo assessor-executivo da Agência Sueca de Habitação, Construção e Planejamento Olov Schultz na abertura de uma das sessões de ideias do I Fórum de Sustentabilidade Suecia-São Paulo, realizado no Renaissance Hotel, nos Jardins.

Estocolmo tem características geográficas  diferentes de São Paulo. Mas não é isto que faz a diferença. É a consciência e o comprometimento do poder público e da esfera privada com o tema da sustentabilidade. Pois não se consegue impor a troca do carro pela bicicleta sem antes mudar o comportamento do cidadão e da cidade com as questões ambientais.  Mudança que se dá pelo investimento em tecnologia, por exemplo, tendo como objetivo o desenvolvimento do ambiente urbano.

São diferenças que podemos enxergar nos detalhes – ali onde mora o Diabo, como diria minha vó. No encontro, do qual participei como mediador, não deixei de prestar atenção que Stefan Andersson do Ministério de Empreendimento, Energia e Comunicação  falou em oferecer ao cidadão sueco acesso aos meios de transportes e não esqueceu de complementar: de boa qualidade.

Em São Paulo, um incrível mapa que reunia todas as linhas de ônibus, lotação, trem e metrô na capital foi apresentado por Laurindo Junqueira da Secretaria Municipal de Transportes. Toda a capital com transporte à disposição. Disse ele que os ônibus carregam por dia a cidade de Estocolmo inteirinha. Em cinco anos, dobrou a população que usa o sistema. No metrô são 8,5 passageiros por metro quadrado, na hora de pico. Quanto a qualidade do serviço prestado, é outra história.

Sem contar que o diesel ainda é o combustível que move a nossa frota. Segundo Simão Saura Neto, da Secretaria Municipal dos Transportes, os 14 mil e 500 ônibus da capital rodam 87 milhões de quilômetros por mês e queimam 38 milhões de litros de diesel. Gás natural, motor híbrido, álcool e biodiesel ainda aparecem na tela do que podemos ter no futuro. Para ter ideia, os suecos já são transportados por ônibus a biodiesel desde os anos 80. (saiba mais no post abaixo).

Houve renovação na frota. Com 6.500 ônibus novos em três anos deixou-se de jogar no ar 3.320 toneladas de poluentes. Aumentou o controle da emissão de gases no transporte coletivo e individual. Volf Steinbaum da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente destacou a inspeção veicular que levou dez anos para ser implantada, em São Paulo. Na Suécia, dois anos de debate, votação e implementação fizeram com que o pedágio urbano se transformasse em realidade.

Pedágio ? Steinbaum não tem duvida que São Paulo terá de aplicar a ideia do poluidor/pagador, mas sabe, também, da falta de coragem das administrações municipais em financiar este debate na capital.

Prá encerrar, perguntei a Steinbaum se ainda há esperança. Pediu licença a Barack Obama e fechou a conversa: “We can change”. Precisamos mesmo, digo eu, para em seguida pegar um táxi e levar uma hora e meia no trânsito para chegar até minha casa.

Suécia fala de cidade sustentável, em São Paulo

Em dois dias de encontros, técnicos, executivos e autoridades públicas da Suécia apresentarão projetos e idéias na área de sustentabilidade urbana com o objetivo de convencer a cidade de São Paulo a investir em tecnologia e conhecimento já desenvolvidos no país nórdico.

O tema central da discussão na abertura do I Fórum de Sustentabilidade Urbana São Paulo-Suécia será o transporte e a infra-estrutura com temas que abordarão os instrumentos políticos para redução de emissão de gazes e as ações do poder público para incentivo a veículos e combustíveis limpos.

O uso de etanol em ônibus para transporte de passageiro é uma das apostas da Suécia que está em teste na capital paulista. Para o coordenador do Projeto Best ( BioEthanol for Sustainable Transport) no Brasil, José Roberto Moreira, o investimento no metanol pode reduzir em até 80% o índice de poluentes emitidos em relação aos ônibus movidos a etanol.

Ouça a entrevista do professor da USP José Roberto Moreira

“Se fizer no fogão, o que eles fazem ao volante, será um desastre”

Por Adamo Bazani

Solange em sua amada Scania
O cenário é do fim dos anos 60, no bairro Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Com a expansão e reorganização das vias que cercavam o rio Pinheiros, que até os anos 20 era sinuoso e tinha pequenos portos para a extração de areia, diversos loteamentos começaram a se formar nos bairros próximos. Foi num desses terrenos, numa casinha humilde que nascia mais uma grande paixão pelos transportes.

Uma paixão tímida no início, sufocada por preconceitos, mas que ficou em brasa amena dentro do coração e que vinha a se inflamar 30 anos depois. Solange Guarento, hoje motorista de serviço de lotação regular intermunicipal, lembra que com seis anos de idade, quando via os ônibus, bastante coloridos (não havia padronização na pintura) passar na recém expandida Marginal Pinheiros, sentia algo diferente no coração. “Me chamava a atenção ver os ônibus indo pra lá e pra cá. Comecei a anotar os prefixos, os nomes, as cores. Ia pra escola sem saber ler direito, mas sabia que o ônibus de cor amarela me levava lá. Era tudo ainda parado no Campo Limpo. O ônibus dava vida”.

Filha única, Solange não tinha com quem compartilhar a paixão que nascia. Os familiares poderiam repreendê-la. “Como uma menina, que deveria gostar de casinha, roupas e bonecas, ia dizer que o que chamava a atenção era o ônibus?”.

Na época, mulher tinha que ser dona de casa, professora, datilógrafa.  Mas, bem antes mesmo do termo “busólogo” se tornar conhecido, Solange, em silêncio, praticava a arte de admirar os transportes. “Anotava os prefixos, desenhava, elaborava na cabeça novas linhas e, mesmo sem entender direito de mecânica e detalhes técnicos, nomes de encarroçadoras, como Carbrasa, Caio, Ciferal, etc faziam parte do meu vocabulário”.

Os passeios nos trólebus importados dos Estados Unidos, e operados pela CMTC nos anos 70, também faziam Solange sentir algo diferente no coração. “Eu quando criança, pegava trólebus, perto de casa para ir ao Belém, na casa do meu tio. Me fascinava a suavidade da viagem, a educação e a atuação dos motoristas, com seus uniformes impecáveis. Nesta época, não me via como motorista; só mais tarde, quando já dirigia, pensei: por que não? Mas faltava a oportunidade.”

A paixão da época de menina, deu lugar às exigências e cobranças da sociedade. Solange foi trabalhar em outras áreas, estudou e o amor ao ônibus parecia ter sido uma fase de infância e adolescência.  “Sabe aquelas coisas que você gostava quando era jovem e hoje até desacreditaria que curtia aquilo”.

Mas com Solange, a paixão pelos transportes estava arraigada. No fim dos anos 80, ela consegue um serviço para o transporte escolar na cidade de São Paulo.
“A correria da cidade, o trabalho na rua, vendo os ônibus pra lá e pra cá, as cores, os modelos e até mesmo a fumaça, me fizeram sentir aquela menina de seis anos de novo”

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Canto da Cátia: Árvores sufocadas

Árvores fotografas pela Cátia Toffoletto, em São Paulo

Os casos de maus tratos às árvores tem aumentado, na cidade de São Paulo. Podas mal-feitas, cortes de raízes e troncos sufocados pelo concreto são vistos em vários pontos da capital como registrou a repórter Cátia Toffoletto. Na reportagem que foi ao ar no CBN SP, a Cátia relata situações de crime ambiental, ouve especialistas e mostra como você deve agir quando se deparar com situações como essas.

Ouça a reportagem de Cátia Toffoletto sobre os maus tratos das árvores

Das brigas no futebol

Abro este espaço para chamar sua atenção para texto publicado semana passada aqui no blog e assinado pelo nosso colunista Carlos Magno Gibrail. Depois do que aconteceu no Pacaembu, em São Paulo, no Maracanã, no Rio, vale reflexão mais séria sobre o tema.

Leia aqui “Do futebol e a fábula” 

Ouça o que disseram, nesta segunda, nossos entrevistados na CBN:

Ministro dos Esportes, Orlando Silva, em entrevista ao Heródoto Barbeiro

Profª Flávia da Cunha Bastos, de Administração Esportiva da Escola de Educação Física e Esportes – USP

Advogado Maurício Krieger, especializado em direito esportivo

Foto-ouvinte: Em família

Carona no carrinho

O carroceiro saiu a passear com as crianças que pareciam se divertir na carona do carrinho usado para transportar material reciclável. A imagem foi registrada pelo ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias, na rua Professor Picarolo próximo da avenida Nove de Julho, na Bela Vista, em São Paulo.

De céu e inferno

Por Maria Lucia Solla

Olá,

A turba alvoroçada prepara-se para um encontro com um mestre. Esperam que, num passe de mágica, ele possa lhes abrir as portas do céu. Ansiedade campeia e prolifera no ar.

A figura do mestre se aproxima sem que ninguém perceba. Nada de carruagem de fogo, helicóptero, ou nave espacial. Chega sem cortejo. Passeia o olhar pela multidão, sorri e não diz; pergunta: Quem sabe onde ficam Céu e Inferno? 

Menina entre o céu e o inferno, na AmarelinhaApós um mergulho no silêncio da surpresa, segue-se um ensurdecer de vozes descompassadas, pipocam desmaios, e alguns entram em transe, falando línguas só conhecidas no recôndito de suas próprias almas. Ninguém sai incólume. Há os que ficam imóveis, o olhar perdido num horizonte qualquer, tomando coragem para ver, e há outros, fisicamente agitados, que despejam, em público, o conteúdo de malas e malas de conceitos sufocantes, dos quais nunca haviam se separado. E endireitam a coluna, aliviados do peso. Ele olha. Sorri novamente um sorriso maroto, e vai embora. Parte como chegou. Sem Pompa e Circunstância.

Se isso aconteceu ontem, hoje, nesta realidade ou noutras paralelas; se ainda está para acontecer ou ainda se nunca aconteceu, não faz a mínima diferença.

Se eu estivesse lá, faria parte do grupo que fala mais que a boca. Diria que hoje vejo claro e cristalino que céu e inferno não ficam nem lá em cima, nem lá embaixo. À esquerda, à frente, à direita ou atrás. A gente se acostumou a olhar para fora.

Quantas vezes transitei por esses dois conceitos! Pior do que o esquizofrênico que constrói o castelo de areia e vai morar nele, eu acabava morando num castelo de areia que nem era meu. Tropeçava no céu e dizia: Inferno! Vivia um tempão ardendo no mármore do inferno, acreditando que aquilo era o mais próximo do céu que eu conseguiria chegar.

Então, fi-nal-men-te entendi, na mente e no coração ao mesmo tempo, que não fazia mais sentido continuar acreditando num céu e num inferno tamanho-único Não fazia sentido continuar a fingir que acredito que tudo acontece do lado de fora. Joguei fora a crença de que alguém pode manejar as rédeas da minha vida, enquanto eu descanso dela.

Não acredito mais que ter razão seja importante, e procuro não desperdiçar os preciosos minutos da minha vida, perseguindo sonhos que decididamente não são meus.

E você? Como andam seus conceitos de céu e inferno?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

De céu e inferno na voz da autora e com a música War cantada por Edwin Starr

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e autora do livro “De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa”, publicado pela Libratrês. Todo domingo relata por aqui a experiência conquistada desde os tempos em que pulava amarelinha

Foi a caipirinha: Cartilha com erro vira galhofa no Chile

Recortes de La Nacion 1

Com ironia e bom humor, foi assim que o jornal chileno La Nacion tratou do erro encontrado em cartilhas de geografia distribuídas pela Secretaria Estadual de Educação, em São Paulo. A manchete entre aspas grafou as duas palavras de maneira errada, e a reportagem diz que os autores brasileiros teriam decidido refazer o trabalho de Simon Bolivar e redesenharam a América do Sul, beneficiando o Paraguai com uma saída para o Atlântico e lhe oferecendo mais um território, afastando o Uruguai do mar, retirando um pedaço da Bolívia – “sem ao menos dar-lhe uma prainha” – e eliminando do mapa o Equador.

Para que não ficasse dúvida, o jornal resolveu ilustrar a reportagem com as correções feitas no mapa entregue aos alunos das escolas públicas do Estado de São Paulo. E concluiu o texto: “Buena la caipiriña!”.