Para variar, que tal um sanduíche?

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Se você aceitar o convite da Ailin Aleixo, do ÉpocaSP na CBN, siga essas dicas e não vai se arrepender:

Ponto Chic

A rede de três lanchonetes, inaugurada em 1922, ganhou fama em função do bauru. O sanduíche leva rosbife, tomate, pepino em conserva e uma gostosa mistura secreta de quatro queijos, misturados em banho-maria, tudo dentro do pão francês. De fato é ótimo, mas quem sempre repete o pedido perde a chance de provar outras delícias. Experimente o cheeseburger. Leva a mesma mistura de queijos, em porção farta que mal cabe dentro do pão, sobre bife alto e suculento. Ou ainda o sanduíche de lascas de pernil assado na casa, com o indefectível molho acebolado. A porção de fritas vai bem com tudo: as batatas são bem gordinhas, como era moda antigamente. Os salões também pararam no tempo, com jeitão de boteco e serviço bastante simpático. A unidade da Barra Funda serve bufê a quilo no almoço.

Largo Padre Péricles, 139 – Barra Funda, 3826-0500

Oregon

São mais de quatro décadas servindo pilhas e pilhas de hambúrgueres no mesmo balcão. O carro-chefe do lugar é o cheese salada clássico: hambúrguer, queijo, alface, tomate e maionese caseira. Não espere os bifões altos da moda lá a carne é fininha e bem tostada, como era de praxe em outros tempos. Também tem hambúrguer de calabresa: a opção de luxo leva maionese, pepino em conserva e cebola crua. A porção de fritas, gigante, traz batatas bem fininhas, cortadas à mão. E o milk-shake dá para dois. Experimente o oregon, com licor de cacau e generosa cobertura de chantilly, chocolate granulado e cereja. Também serve pratos rápidos, como filé com salada russa ou peito de frango com creme de milho.

R. Pinheiros, 1.146 – Pinheiros, 3814-3819 e 3031-1065

Chico Hamburguer

Beirute, calabresa burger, lombinho, sanduíche de frango, filé mignon… O cardápio é sem fim e até modernidades como o hambúrguer de salmão já foram incorporadas nessa lanchonete quarentona, inaugurada em 1963. Mas o queridinho da clientela é o cheese salada supermelecado de maionese temperada. Cebola, bacon, Catupiry, queijo cheddar, cogumelo, milho e molho vinagrete estão entre os complementos que podem ser pedidos à parte. Para beber, a refrescante soda italiana de maçã verde faz ótima parceria. Prefere algo mais docinho? O smoothie de morango com limão e calda de framboesa é de pedir bis.

Av. Ibirapuera, 1753 – Moema, 5051-3764

Tem Festival Mediterrâneo, em São Paulo

Os restaurantes La Vecchia Cucina, Piselli, Quattrino, Salvattore e Trio estão de cardápio novo, conta Ailin Aleixo no Época SP na CBN. Em comum entre os pratos elaborados para o festival está o azeite, ingrediente indispensável na cozinha mediterrânea. Cada um dos restaurantes apresenta um menu diferente, que fica em cartaz durante todo o mês de novembro.

Restaurante La Vecchia Cucina (chef Sergio Arno)
http://www.lavecchiacucina.com.br

Entradas: Camarão no vapor com pesto ao azeite aromatizado com alho e peperoncino / carpacio de vitela ao azeite de alecrim / saladinha verde com queijo de cabra temperada ao azeite de quatro pimentas / bacalhau com azeite suave.

Primeiro prato: Tagliolino ao molho de anchovas aromatizado com azeite.
Prato principal: Robalo ao forno com aromas do mediterraneo temperado com azeite trufado.
Sobremesa: Pannacotta com calda de caramelo.

Preço R$ 95 por pessoa.
R. Pedroso Alvarenga, 1088, Itaim, 3079-7115

Quattrino Jardins e Itaim (proprietária Mary Nigri)
http://www.quattrino.com.br

Entrada: Favas frescas, ovos de codorna com molho e azeite com trufa branca.
Prato Quente: Capelinni com bottarga e azeite extra virgem ou risoto de quinua com pinoli e azeite 4 pimentas.
Sobremesa: Abacaxi grelhado com gengibre, sorvete de creme e fio de azeite aromatizado.

Preço R$ 68 por pessoa
R. Oscar Freire, 506

Sallvattore (chef Hamilton Mellão)
http://www.sallvattore.com.br

Entrada: Degustação de mini arancinis ao azeite granfruttato.
Prato Quente: Ravióli de brie e pistache com azeite trufado.
Sobremesa: Torta de maçã com sorvete de canela.

Preço R$ 44 por pessoa
R. Ssalvador Cardoso, 131, Itaim

Trio (chef Roberta Nepomuceno)
http://www.trionet.com.br

Entrada: Salada de lula e erva-doce com azeite delicato.
Prato Principal: Robalo recheado com queijo feta coberto com espinafre e coulis de tomate com azeite clássico.
Sobremesa: Folhado de damasco caramelizado regado com azeite delicato; Pudim de mel e azeite de 4 pimentas e doce de sêmola e amêndoas feito com azeite clássico.

Os pratos estarão no buffet diário. Cada dia da semana será colocado um deles para degustação.

Buffet R$ 39,90 (sobremesa, R$ 8,50 e Brunch aos domingos R$ 49,90).

Piselli (chef Boris Melon)
http://www.piselli.com.br

Entrada: salada de polvo com batatas, broto de soja e azeite de manjericão (R$ 22).
Prato Principal: Risoto com ragú de cordeiro e funghi ao azeite de alecrim (R$ 54).
Sobremesa: merengue com frutas vermelhas (R$ 16).

R. Padre João Manuel, 1253, Jardins

Transportadores: Os Bandeirantes Urbanos (II)

Transportadores: Os Bandeirantes Urbanos (II)

Por Adamo Bazani

(Contianção do post de ontem)

Laudelino Gimenez
O bem humorado Laudelino ao volante de uma Jardineira

Outro patrimônio vivo da Auto Viação ABC é o motorista Laudelino Gimenez, de 75 anos. Ele começou na área de transportes no setor de vendas da empresa “Café São Bernardo” e, em 1956, foi trabalhar com as famílias do Grupo que hoje é proprietário da Viação ABC. Ele se recorda das dificuldades para dirigir ônibus na época com volantes duros e pesados. Enfrentava lama, barro, subidas aparentemente impossíveis de se trafegar, mas se divertia muito enquanto trabalhava. Ele lembra que assustava os garotos que o auxiliavam numa linha que parava em frente a um cemitério de São Bernardo do Campo. “À noite, sem iluminação nenhuma na rua – isso não existia na época -, eu pedia para eles pegarem água para o radiador do ônibus numa torneira que ficava na mureta do cemitério. Me escondia no ônibus, fazia barulhos estranhos, me despenteava e aparecia do nada e os garotos corriam” – diverte-se. Isso quando Laudelino, na descida da Avenida Pereira Barreto, entre santo André e São Bernardo Campo, simplesmente se levantava e dizia aos passageiros que o ônibus Perdeu o freio. “Tinha gente que queria pular do ônibus”. Laudelino nunca foi de beber, mas às vezes simulava que estava bêbado e assustava os passageiros no ponto final.

A história dos transportes no ABC Paulista, também revela detalhes curiosos da região. Na época, os moradores brincavam que o bairro Baeta Neves era chamado de risca-faca, por ser considerado violento. “Batia seis da tarde, aparecia o fiscal na garagem e falava: – Lá eu não fico até mais tarde” – lembra o empresário João Antônio Setti Braga. O pessoal chamava a região de “bairro dos índios”, o que inspirou para o nome da Viação Cacique, uma das empresas que o grupo teve no ABC Paulista.

Além da própria ABC e da Cacique, a família teve importantes empresas como a Viação Vila Galvão, na Capital Paulista e a Auto Viação Vila Alpina.

Gerações se formaram dentro da empresa. O gerente Carlos Eduardo de Andrade, de 33 anos, filho de um funcionário da ABC, já freqüentava a garagem desde os 11 anos de idade e sempre demonstrou paixão pelo ramo.

Além de empreendimentos em outras áreas, o grupo é dono da SBC TRANS (São Bernardo Transportes), com aproximadamente 420 ônibus, a Metra (que opera o sistema de corredor ABD ligando a região às zonas Sul e Leste de São Paulo), com cerca de 260 veículo e a Eletra, uma das pioneiras em tecnologia de tração alternativa ao diesel, como os ônibus híbridos, que são referencial mundial.

Mas tudo começou com a ABC, que dentre todas hoje, é uma das menores, com 80 carros. “É como se a ABC fosse mãe, aparentemente franzina, pequena, mas que teve grandes filhos”. Lembra João Antônio que nunca se esquece de ser grato aos funcionários, do mais antigo ao mais novo, independentemente da função, e orgulha-se em considerar o grupo como empresa familiar.

Adamo Bazani é repórter da rádio CBN e busólogo, um apaixonado e pesquisador da história dos ônibus. Toda terça conta um novo capítulo para você que acompanha este blog.

Delícias no Paraíso

Não é exagero, não. Mesmo porque o Paraíso ao qual se refere a Ailin Aleixo, no Época SP na CBN, é o bairro. Foi de lá, de uma mesma rua, que ela tirou duas ótimas sugestões gastronômicas da cidade de São Paulo:

Beco do Bartô

Não é força de expressão: o restaurante fica mesmo em um beco, lugar escondidinho e muito simpático. Apesar da aparente rusticidade, já que todas as mesas ficam na área externa, a cozinha é das mais sofisticadas. Quem cuida do fogão é Vagner Carlos, que saiu da equipe de Laurent Suadeau e, com ele, aprendeu lições importantes a base é francesa, mas os sabores brasileiros estão bem presentes. Há receitinhas bem caseiras, caso do ótimo salpicão de frango com iogurte e batata palha, e outras bem mais elaboradas. A costela laqueada, por exemplo, cozinha por cerca de 15 horas e chega à mesa acompanhada de polenta cremosa e agrião. Outro prato interessante é a pescada amarela assada, coberta por molho de leite de coco e dendê inspirado na moqueca baiana. Para a sobremesa, não dispense os doces caseiros. A goiabada quente com queijo branco gratinado é um negócio, assim como o doce de leite com queijo cremoso.

R. Sampaio Viana, 216 – Paraíso, 3884-0119

Sal & Pimenta

O chef e proprietário Simon Anthony é um sujeito globalizado. Nasceu na Inglaterra, cresceu em Portugal e, hoje, comanda um restaurante pequenino e muito simpático no Paraíso, aberto somente para almoço. As mesas se dividem pela sala e quartos de um antigo sobradinho, todo decorado de azul e branco, e o sotaque dele não deixa dúvida de que se trata de uma casa portuguesa com certeza embora a tabuleta na porta anuncie que a cozinha é contemporânea. O cardápio traz clássicos lusitanos como bolinho de bacalhau (em falta no dia da visita, um deslize considerável…), alheira, arroz de pato, bacalhau a brás e uma excelente açorda de bacalhau, bem molhadinha e temperada com coentro, cebola e alho os pratos mais caros custam R$ 28. O almoço é muito concorrido também em função dos pratos do dia, receitas mais brasileiras a precinhos ainda mais camaradas. Pode ser picadinho com arroz, feijão e farofa, ou peito de frango recheado com espinhafre, arroz e batata dourada o menu está sempre atualizado no site. Para a sobremesa, Simon serve arroz doce português com canela e pêra bêbada no molho de vinho e canela.

R. Sampaio Viana, 276 – Paraíso, 3889-9071

Transportadores: Os Bandeirantes Urbanos (I)

Transportadores: Os Bandeirantes Urbanos (I)

Por Adamo Bazani

João Antonio Setti Braga
Empresário Setti Braga ao lado de funcionários posam diante de uma jardineira restaurada

“Um investimento de risco e que exigia visão”. Foi assim que um dos proprietários das empresas que compõe o grupo originado pela Auto Viação ABC, João Antônio Setti Braga, de 60 anos, classificou o início dos transportes coletivos na região do ABC e na Capital Paulista.

Investimento de risco e visão, porque ele se recorda que bem nos primórdios da Grande São Paulo, como conglomerado urbano, os ônibus (ou jardineiras até os anos 40) iam até loteamentos e chácaras praticamente sem habitação nenhuma.

“Assim como os bandeirantes que cortavam matas e enfrentavam morros, assim foi com os pioneiros dos transportes, tanto empresários como funcionários. É como se os transportadores fossem bandeirantes urbanos” – afirmou João Antônio Setti Braga. Após a criação dos pontos finais nestes loteamentos, é que eles cresciam, tornavam-se vilas, bairro e até centro comerciais.

O empresário viu e contribuiu para o crescimentos de bairros, considerados hoje importantes, em São Bernardo do Campo, como Baeta Neves, Batistinni, Baraldi e Cento. Ele viu também pequenos caminhos, praticamente tomados por lama e terra se tornarem importantes vias, como a Avenida Pereira Barreto, uma das principais ligações entre Santo André e São Bernardo do Campo e, claro, a Rodovia Anchieta nascer e crescer, unindo na época de maneira mais segura, o Litoral, a Capital e o ABC.

O envolvimento da família Setti Braga com os transportes vem bem antes da criação da Viação ABC, fundada em 1956 por José Fernando Medina Braga e Maria Myrtis Setti Braga. Já nos anos 20, Adelelmo Setti deu os passos nos transportes no ABC Paulista. O trabalho foi assumido por João Setti. Em 1925, um ônibus jardineira fazia a ligação entre a Vila de São Bernardo do Capo e a Estação de trens de São Bernardo, hoje, estação da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – em Santo André (na época, era tudo um município só). Com a entrada de João Fernando Medina Braga no ramo, em 1947 o grupo tomou corpo o que proporcionou a criação da Viação ABC.

Mas a história do grupo vai muito além da atuação de empreendedores.

Motoristas, mecânicos, cobradores, gerentes empreenderam suas vidas e forças para o sonho dos transportes da Grande São Paulo, se tornar realidade. Muitos deles, são considerados pelos proprietários do grupo como da família, e até hoje atuam na empresa.

Elisiário Bonfim dos Santos
Elisiário Bonfim que trocou o status da metalurgia pelos ônibus

É o caso do mecânico Elisiário Bonfim dos Santos, de 67 anos. Natural da Bahia, ele foi com a família para Marília, onde atuou em duas empresas de ônibus, depois veio para São Bernardo do Campo. Em 1964, ele ia tentar um emprego na Volkswagen, quando encontrou o empresário José Fernando Medina Braga na porta da garagem. Os dois conversaram, Braga ofereceu um emprego na empresa e, na hora, Elisiário esqueceu a montadora (na época, trabalhar numa montadora era um sinal grande de status).

“Formei meus filhos, fiz minha vida e conquistei tudo devido à Viação ABC. Fui ajudado a comprar um terreno para construir minha casa e até a lua de mel a empresa me pagou quando casei”. O mecânico se recorda de cada detalhes dos diversos modelos que passaram pela empresa. “Fomos os pioneiros a ter o monobloco 0 364, da Mercedes Benz, em serviços urbanos. A própria Mercedes gravou uma propaganda comigo e com os carros da empresa, que passava antes da abertura do Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão”, orgulha-se ao lembrar.

(Continua amanhã, quarta-feira))

Adamo Bazani é repórter da rádio CBN e busólogo, um apaixonado e pesquisador da história dos ônibus. Toda terça conta um novo capítulo para você que acompanha este blog.

Estação nova, cardápio novo

Os restaurantes começam a oferecer novos cardápios com a proximidade do verão e a Ailin Aleixo já tem boas sugestões para você:

Antiquarius

A casa portuguesa mais clássica da cidade, acabou de ganhar seu menu executivo de almoço. Composto de uma versão ”light” do famoso e delicioso couvert da casa, uma entrada, um prato principal e uma sobremesa, custa R$ 89. Parece caro? E é, mas bem em conta do que um jantar no restaurante: a porção de lula a dore (chamada de lula à sevilhanha), por exemplo, custa R$ 59. Voltando ao almoço: são dez menus diferentes, cada um homenageando uma região de Portugal. Tráz os montes e Alto Douro tem , por exemplo, galinha a cabidela e robalo com endívias assadas; Algarve, ostras gratinadas e franguinho cerejado; Ribatejo, feijoada branca de lulas e bacalhau ao creme de cebola… É, certamente, uma ótima maneira de degustar as delícias da casa sem sofrer na hora da notinha.

Al. Lorena, 1884 – Jardins – São Paulo – SP, 3082-3015

Thai gardens

A entrada da primavera– e, com ela, a chegada do calor— fez muitos restaurantes darem uma alterada no cardápio, com pratos mais leves e que usam ingredientes da estação. No Thai Gardens, um dos melhores e mais bonitos restaurantes asiáticos de São Paulo, a mudança ocorreu no menu degustação, servido somente no jantar. A sequência de onze pratos e sobremesas não teve as entradas alteradas mas trocou todos os principais, que ficam assim: res kratiam (salteado de carne bovina no azeite com alho e cebola, aromatizado com erva-doce), frango ou camarões ao curry verde (com brotos de bambu, vagens e jiló), o delicioso Pad Thai (talharin salteado com cebola, broto de feijão, cenoura e amendoim), triângulos esmeralda (filés de frango marinados em tamarindo, envoltos em folha de Baithoy) e Pla Pat King (cação á milanesa com gengibre e shimeji, com molho de shoyo e ostras). Para quem quer uma amostra da culinária tailandesa no almoço, o Thai Gardens oferece, diariamente, um caprichado bufê (R$ 32 durante a semana e R$ 45 aos finais de semana)

Av. Nove de Julho, 5871 – Vila Olímpia – São Paulo – SP, 3073-1507

De decisão

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Às vezes me dá gana de choramingar. Tanta coisa que não acontece do jeito que eu queria que acontecesse. E os imprevistos, então. Chegam logo detonando a rigidez da minha teimosia que acha que meu desejo é soberano e meu bem-estar, condição para que o mundo continue a girar. Então o anjo do sorriso chega todo brincalhão, me faz cócegas, e acabo rindo de mim mesma. Ouço meu riso se soltando, e ele me faz lembrar do quanto é monótona, arrastada e bolorenta, a ladainha do queixume. Afinal, a grande importância que eu outorgava a tudo que acontece à minha volta não tem a mínima importância. E eu me calo, e sorrio.

Tem dias que vem uma vontade louca de deixar de ver o que eu não quero ver, mas o anjo do equilíbrio me faz entender que ali não existe meio-termo. Se fechar os olhos para o que não quero, deixo de ver o que quero. Então escancaro meus olhares.

Às vezes penso em deixar de comer certas coisas gostosas. Você sabe o que é. Aquela tendência masoquista-judaico-cristã-muçulmana-evangélica, que a gente tem de se flagelar. Negamos o prazer, como fez o personagem do prefeito, no filme Chocolate, e um dia escorregamos, inevitavelmente. E aí sim, é um tal de se entregar e se lambuzar… A emenda acaba sendo pior que o soneto. E balançamos entre o acreditar que não merecemos nada de bom, que já nascemos pecadores e dependentes da absolvição do outro, e que tudo que é bom é ilegal, imoral ou engorda. Achamos que é preciso ser ou anjo ou demônio para que o mundo perceba e abalize nossa existência. Mas nesses momentos, o anjo do prazer se mostra para mim, e com uma das asas aponta para a cozinha. Aceito o convite. Entro, asso, corto, decoro; brinco com os ingredientes. Sou curiosa. Misturo, separo e observo as reações. Vejo ingredientes se encontrarem como se tivessem nascidos uns para os outros e vejo outros se pegarem a tapas ao primeiro contato, ou se revelarem na hora da digestão. Como as pessoas. E acabo brindando à vida entre aromas e sabores.

Tem dias que duvido do amanhã. Penso em nem levantar da cama quando ouço certas coisas. É tanta insensatez, tanta agressividade, malandragem, impunidade. É tamanha a burrice. Tamanha a desumanidade. Então, o anjo da esperança chega sorrindo e me deixa de pernas bambas quando roça os lábios nos meus olhos e toca de leve meus ouvidos. Imediatamente sintonizo num novo ouvir e leio mais, vejo mais vezes os filmes favoritos e me aventuro pelos desconhecidos.

Às vezes penso em desistir do amor. Então chega o anjo da vida, me olha bem no fundo dos olhos e por ali mesmo destranca a porta do meu coração. E eu? Deixo-me invadir, e amo. Pelo imenso prazer de amar.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça este texto na voz da autora:

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora e escreveu o livro “De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa”, publicado pela Libratrês. Todos os domingos está aqui no blog em texto e voz.

As melhores caipirinhas e drinques temperados

Foi a Ailin Aleixo falar no “Época SP na CBN” para os ouvintes-internautas começarem a escrever em busca de informações e detalhes. Todos atrás das melhores caipirinhas da cidade. Houve até quem procurasse detalhes sobre a música que embalou minha conversa com a Ailin. Essa informação deixo para manhã pois quem escolheu e levou ao ar foi a Fernanda Campagnucci, da produção do CBN SP.

Vamos a categoria “Caipirinha Exótica”:

Vencedora

De uva com gelo de hortelã do Vira-Lata

Surpreender o paladar é a proposta da caipirinha R$ 13,20 criada pelo chef Eduardo Duó. E consegue. O primeiro gole tem apenas o gosto da uva com o destilado. À medida que o gelo de hortelã derrete, o aroma e o sabor mudam, sem roubar o gostinho da uva. Completa a mistura o pedacinho de cana-de-açúcar usado como mexedor. R. Minas Gerais, 112, Higienópolis, tel.: 3258-6093. Ter. a qui., 12h/15h e 19h30/0h; sex., 12h/15h e 19h30/1h; sáb., 12h/17h e 19h30/1h; dom., 12h/17h.

Finalistas

De manga com gengibre e raspas de limão do Obá
R. Dr. Melo Alves, 205, Jardim Paulista, tel.: 3086-4774. Seg. a qui., 12h/15h e 20h/0h; sex., 12h/15h e 20h/1h; sáb., 13h/16h30 e 20h/1h; dom., 13h/16h30. Preço: R$ 14.

De mexerica com pimenta dedo-de-moça do Veloso
R. Conceição Veloso, 56, Vila Mariana, tel.: 5572-0254. Ter. a sex., 17h30/0h30; sáb., 13h/1h; dom., 16h30/23h. Preço: R$ 10.

Categoria “Caipirinha Tradicional”

Vencedor

Veloso

Deusdete Souza, barman responsável pelas incríveis bebidas, chega a fazer aos sábados – do meio-dia à meia-noite – 220 caipirinhas R$ 10! Souza confessa alguns dos seus segredos na preparação do drinque. O primeiro: cortar as duas partes laterais do limão-taiti, partir pela metade e retirar a parte central, responsável pelo amargor. Segundo: cortar em fatias finas, adicionar duas colheres de sobremesa de açúcar e amassar suavemente, girando o socador. Terceiro: colocar gelo no copo até a borda, completar com o destilado e mexer bastante – e de baixo para cima.Souza serve a caipirinha sem canudo, apenas com o mexedor, para o aroma do drinque ser degustado a cada gole. R. Conceição Veloso, 56, Vila Mariana,
tel.: 5572-0254. Ter. a sex., 17h30/0h30; sáb., 13h/1h; dom., 16h30/23h.

Finalistas

Astor
R. Delfina, 163, Vila Madalena, tel.: 3815-1364. Seg. a qui., 17h/3h; sex. e sáb., 12h/4h; dom., 12h/0h. Preço: R$ 11,50.

Esch Café
Al. Lorena, 1899, Jardim Paulista, tel.: 3062-2285. Seg. e ter., 12h/0h; qua. a sáb., 12h/1h; dom., 12h/23h. Preço: R$ 15.

Vitor Mattos: “A estrada é um vício construtivo”

Por Adamo Bazani

Paixão. É este o sentimento que o paulistano, nascido em Perdizes, que morou cerca de 40 anos no Jaçanã, zona Norte de São Paulo, demonstra quando o assunto é transporte de passageiro. Vitor Mattos, é motorista, e ainda trabalha no ramo. Transporta estudantes no próprio ônibus, em Minas Gerais.

Ele começou a trabalhar em uma Kombi, aos 13 anos, mesmo sem carteira de habilitação. Vitor diz que aprendeu a dirigir vendo os motoristas de ônibus da empresa paulistana Nações Unidas: “Eu sempre corria para os bancos (pós porta dianteira) e não tinha quem me tirasse de lá”. Os ônibus eram de direção dura ainda, Mercedes Benz, com carrocerias Bela Vista e Jaraguá .

O primeiro ônibus que Vitor conduziu foi por acaso. Era uma viagem do litoral de São Paulo à capital paulista. Ele recorda que o motorista na época, apelidado de gaúcho, tinha bebido demais e passou mal na estrada.  Vitor não teve dúvidas: “Assumi a direção e trouxe o ônibus até o planalto, ai o “óleo diesel” entrou no sangue e não saiu mais”.

Aos 18 anos, em 1977, começou a trabalhar na Turfe Turismo, uma pequena empresa de Guarulhos. A idade não era suficiente ainda para guiar ônibus rodoviário, mas na época, muitos motoristas de ônibus começavam cedo mesmo. A Turfe fazia linhas de fretamento em médias e curtas distâncias.

Mas o sonho de Vitor mesmo foi a estrada, onde ele construiu sua vida, aprendeu muita coisa e viu as cidades crescerem sob os possantes que dirigia. Conseguiu uma vaga na Expresso Brasileiro Viação, por onde passou várias vezes, e dirigiu os ônibus da Viação Impala, Andorinha, Cometa, gigantes no setor. Ele disse que era notória a diferença entre as empresas de grande porte e as menores. Nas grandes, o motorista apenas dirigia. Nas outras tinha de limpar, entender da manutenção, etc.

Diferente também era a rotina na estrada e na cidade.

“No serviço urbano, você tem um esforço físico e mental maior, mas está todos os dias em casa. No rodoviário, você trabalha com mais “luxo” se podemos dizer, mas ao mesmo tempo  você  trabalha muito a noite,  e praticamente trabalhei a vida inteira a noite, até porque gosto de rodar a noite e os percursos são maiores e você praticamente fica um dia em casa e um fora ( dependo da linha) e os passageiros geralmente são “mais educados”.

“E no fretamento e turismo é um misto dos outros dois, porque de 2ªa 6ª é um serviço “urbano” melhorado e aos finais de semana se torna um “rodoviário” piorado, pois geralmente os passageiros vão bebendo, bagunçando,  sujando o carro que, aliás, é o motorista que limpa na maioria das vezes, pra fazer a linha no outro dia cedo. Ou então faz viagens mais longas onde fica dias fora de casa, e servindo de guia turístico nas cidades que às vezes você não conhece ou mal conhece a entrada e saída”

A rota Rio – São Paulo foi uma das que mais percorreu na carreira. Foi nessa  linha que viu coisas que jamais conheceria se não pegasse a estrada. Prá começar, Vitor viu tanto São Paulo como o  Rio de Janeiro se transformarem muito rapidamente. Testemunhou a duplicação, reformas, asfaltamentos diversos em rodovias como a Presidente Dutra e Fernão Dias, quando os itinerários eram outros. Viu empresas do setor de transporte nascerem e desaparecerem, assim como empresas de outros ramos. Nos dias de chuva, a estrada era um perigo maior, ainda mais à noite. Com tristeza, Vitor lembra que muitos amigos perderam a vida em acidentes gravíssima, muitas vezes por imprudência e imperícia dos outros motoristas ou dos próprios condutores dos ônibus.

Na estrada, teve um contato muito maior com o semelhante. Ele explica que cada passageiro é uma história, que, de certa forma, ele participou. E era gente de todo o tipo. Pessoas grosseiras, outras tímidas, mas que, quando descobria quem era, até se espantava, pela importância social e ao mesmo tempo, humildade. Na época, mesmo já com a aviação, artistas, generais, empresários, usavam constantemente os ônibus nas ligações Rio – São Paulo. Ele lembra que teve de expulsar um famoso cantor dos anos 80 do ônibus, porque estava bêbado e incomodando os passageiros.

Mas a relação com os passageiros era uma das coisas que mais gosta e afirma enfaticamente que é o motorista quem faz o passageiro. Se o usuário encontra um motorista asseado, educado e disposto a esclarecer dúvidas e tratá-los bem, a relação é harmoniosa.

A relação mais próxima entre empresários e motoristas também desperta saudades em Vitor. Quando esteve na Cometa, ele lembra que um dos fundadores da empresa, Tito Masciolli, poderoso empresário do setor na época, e tratado pelos funcionários como Major Tito, parava os ônibus na porta da garagem para cumprimentar os motoristas. No entanto, Vitor Matos compreende que hoje há empresas dentro de empresas e que essa relação direta é quase impossível.

Um grande passo na carreira do motorista foi quando foi indicado para ser piloto de testes da Mercedes Benz do Brasil. Foi aí que sua habilidade em se relacionar com as pessoas se desenvolveu mais ainda. Lá, além de dirigir os ônibus e acompanhar a evolução tecnológica no setor, ele tinha de ensinar o consumidor final, motoristas e empresários a operar de melhor maneira os ônibus, que a partir dos anos 80, começaram a registrar um desenvolvimento tecnológico rápido.  Desde o início do século passado até os anos 80, a tecnologia era muito restrita. Dirigir era uma arte difícil, os veículos não ofereciam o conformo necessário. Da década de 80 pra cá, houve um salto tecnológico e alguns modelos acabam sendo melhores pra dirigir que muitos carros de passeio de luxo.

Apesar de alguns ônibus do início e de meados do século passado não serem tão confortáveis, Vitor é enfático ao dizer: “Não existe ônibus ruim, o que existe é profissional mal preparado”

Hoje, aposentado das empresas, Vitor tem seu próprio ônibus em Minas Gerais, e não pretende parar tão cedo, pois tudo o que conquistou na vida, foi graças ao diesel e aos milhares de quilômetros percorridos em grandes máquinas possantes de transportes de vidas. Tanto é que o experiente motorista não tem dúvidas em afirmar que: “A estrada”  é um vício construtivo, pois a cada quilômetro rodado você aprende algo de bom ou de ruim, e cabe ao profissional discernir o que deve fazer ou agir”

“Outra coisa  era o glamour da rodoviária,  se é que podemos dizer assim. Você chegando imponente com o “carrão”, os passageiros observando você manobrar devagar para encostar na plataforma, a postura de embarque, o trato com os passageiros, a saída devagar, fazendo “nana nenem” ( andando devagarzinho) para que os passageiros se acomodassem e fossem ganhando “confiança em você”, a chegada lenta na Rodoviária e ao abrir a porta da cabine ver todos ainda ” dormindo” e ter a sensação de dever comprido e que “aqueles passageiros confiaram em você e dormiram a viagem toda’  praticamente entregando suas vidas nas mãos de um profissional”.

Adamo Bazani é jornalista e busólogo. É meu convidado para toda terça-feira desembarcar neste ponto uma história da vida de quem sempre esteve atrás da direção.

A melhor feijoada de São Paulo

Nossa Ailin Aleixo, da Época SP na CBN, começa a semana na qual falará dos melhores da cidade segundo opinião dos leitores e críticos gastronômicos da revista Época SP. Nesta segunda, vamos a feijoada:

Baby Beef Rubaiyat

Vá somando: para começar, caldinho de feijão muito bem temperado, com direito a um cardápio de nove batidas, todas deliciosas. A seguir, feijão de caldo beeeem cremoso, com grãos plantados na Fazenda Rubaiyat. E à vontade. Os pertences – do nobre lombinho de porco aos cortes mais injustiçados – aparecem separadinhos no bufê, para facilitar o serviço. Os acompanhamentos são muitos, sempre fresquinhos, chegando a todo momento da cozinha – e muitas vezes mais parecem pratos principais; tem até baby javali. Bistecas, lingüiças e até rodelas de abacaxi podem ser grelhados na hora, diante do freguês. A seguir, vem o bufê de sobremesas: são cerca de 20 tipos de doces, escolha das mais difíceis. Ah! A caipirinha, de cachaça ou vodca, está incluída no preço R$ 69. Diante desta lista de atrativos imbatíveis, sem esquecer do serviço, sempre impecável, não há páreo para a feijoada do Baby Beef Rubaiyat. Além de ser a mais saborosa, é a melhor relação custo-benefício da cidade. Al. Santos, 86, Paraíso, tel.: 3141-1188. Seg. a qui., 11h30/15h30 e 19h/0h; sex., 11h30/15h30 e 19h/0h30; sáb., 12h/0h30; dom. 12h/18h.

Finalistas

Dinho’s

Al. Santos, 45, Paraíso, tel.: 3016-5333. Seg. a qui., 11h30/15h30 e 19h/0h; sex., 11h30/16h e 19h/0h; sáb., 11h30/0h; dom., 11h30/18h. Preço: R$ 68.

Beth Cozinha de Estar

R. Pedroso Alvarenga, 1061, Itaim Bibi, tel.: 3073-0354. Seg. a sex., 12h/15h30; sáb., 12h/16h. Preço: de R$ 35, 50 a R$ 41.