De finanças e financiadores

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Nunca fomos íntimos, mas reconhecemos a existência uns dos outros – eu mais respeitosamente do que eles – em minha opinião, é claro. Só nos confrontamos mesmo, quando inevitável. De qualquer modo fico sempre desconfiada e, nos nossos encontros, faço o possível para não baixar a guarda. Não importa quantos números estejam presentes.

Quando terminei o primeiro grau, no século passado, encontrei um segundo grau bifurcado. Era possível optar entre Clássico e Científico. Os nomes são claros, e eu, viciada em letrinhas, dava pulos de alegria pela possibilidade de ficar o mais longe possível deles, e o mais perto possível delas. Alguns amigos abominavam a divisão. Pois era isso mesmo; para eles, era uma questão de divisão, enquanto para mim subtraía da minha vida, como um toque de varinha de condão – com as quais me relaciono bem – uma parcela enorme de problemas. Eu lucrava.

Olhe o poder dos números! Divisão e subtração. Só pode ter sido inspiração deles que, percebendo que eu falava do nosso relacionamento, vieram controlar meu relato e com certeza, me inspiraram com essa história da divisão e subtração, me desviando das queixas que eu ia fazer.

Eu admiro, de verdade, aqueles que se dão bem com eles. Conheço pessoas que não poderiam viver sem eles, e me parecem felizes. Mas eu, querendo ou não, evitando ou não, tenho encontros diários, e obrigatórios, com eles. Não dá para escolher o Clássico, hoje. Pensando bem, talvez meus amigos tivessem alguma razão. Os números estão em tudo, na nossa vida. Estão nas contas que recebo mensalmente, abro, observo com olhos inquisidores e procuro me concentrar. Felizmente, o instinto de sobrevivência é forte. Percebendo perigo no contato, e para não deixar que o cérebro vá a falência, me distrai. Já encontrei, e já me desculpei por isso, contas de anos anteriores, dentro de livros que eu estava lendo na ocasião.

A partir de mais esta confissão, é fácil entender porque jamais me ofereceria para cuidar das finanças de ninguém. Palpites na área, então, fariam rir o mais sisudo cidadão.

Agora, passeando por esse raciocínio, pensei – e onde estarão todos aqueles que preferiram o Científico e os números? Onde é que se escondem, e por quê? Na minha vida, faço o que sei fazer. Para os números, contratei um contador capaz e que me inspira confiança. Não tenho do que me queixar. Agora, no país, no estado, na cidade de São Paulo, com tantos cérebros privilegiados, não tem ninguém que possa ajudar a cuidar do nosso dinheiro? A sensação de impotência, frente às próximas eleições, me dá vontade de chorar. Como é que você se sente, na sua vida e na sua cidade?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça este texto na voz da autora:

Maria Lucia Solla é professora de língua estrangeira e terapeuta. Autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, tem encontro marcado com a gente todo o domingo aqui no blog.

Prá começar bem o dia

Ailin Aleixo nos leva aos cafés da cidade no “Época São Paulo na CBN”.

Oscar Café

O ambiente harmoniza com a atmosfera fashion das redondezas. A clientela, sempre muito chique, pode escolher entre cinco menus de café-da-manhã. O mais simples traz bebida quente, suco, fruta, cesta de torradas, geléia, manteiga e mel. O top de linha ganha o reforço de cream cheese, salmão defumado e pain perdu. Fora dos cardápios fechados, a vitrine oferta pão de queijo, brioches, croissants, muffins e bolos. Mas quem acorda cedo tem que esperar: as portas são abertas apenas às 10h. Preço: de R$ 19,70 a R$ 29,60 por pessoa. Horário: sáb. e dom., 10h/13h.
R. Oscar Freire, 727, Jardim Paulista, tel.: 3063-5209

Boutique Bar Nespresso

Chique, é para quem quer começar o dia com estilo – e não se importa de pagar por isso. O café-da-manhã, servido no jardim ou no interior da loja, vem num pacote fechado: uma fruta, um suco, uma bebida quente e uma seleção de pãezinhos doces e salgados, que chegam à mesa em uma linda bandeja de vários andares. O serviço, embora atencioso, é bastante enrolado e requer uma certa paciência. Portanto, vá sem pressa. Preço: R$ 34 por pessoa. Horário: sáb. e dom., a partir das 9h.
R. Padre João Manuel, 1164, Jardim Paulista, tel.: 3064-9974

Le Vin Patisserie

Bem ao lado do bistrô funciona uma simpática doceria, que vende os incríveis doces e pães do chef pâtissier Henri Schaeffer. São apenas duas mesinhas dentro da loja, mas há várias delas na calçada, onde é possível tomar café-da-manhã diariamente, a qualquer hora. Há quatro menus petit déjeuner à escolha. O mais barato traz cestinha de pães, manteiga e geléia, suco de laranja natural e uma bebida quente. O mais caro vem com mamão, bebida quente, suco, sanduíche de queijo brie e uma torta média. À parte, ainda é possível pedir ovos quentes ou mexidos. Preço: de R$ 12 a R$ 28 por pessoa. Horário: diariamente, a partir das 8h.
Al. Tietê, 178, Jardim Paulista, tel.: 3063-1094

Feira Moderna

Nos fundos de uma loja moderninha, com foco no artesanato brasileiro, funciona um café com a mesma pegada. Da cozinha saem três menus de café-da-manh㠖 o no 3, mais caprichado, vem com pão, manteiga, geléia, café com leite, broinha de milho, ovos mexidos e pão de queijo. À parte, é possível pedir tapiocas salgadas e doces, bolo de rolo e de banana, rabanada e outras delícias regionais, como sucos naturais de cupuaçu, tamarindo e graviola. Só não serve para madrugadores. Embora o café-da-manhã esteja disponível diariamente, a casa só abre às 10h. Preço: de R$ 6 a R$ 14 por pessoa. Horário: diariamente, a partir das 10h.
R. Fradique Coutinho, 1248, Vila Madalena, tel.: 3032-2253

Na mesa da tradição

Três dos mais antigos restaurantes de São Paulo estão no roteiro de hoje da Ailin Aleixo, do “Época São Paulo na CBN”:

La Tambouille

Há 37 anos o resturante de Giancarlo Bolla é um dos mais chiques da cidade. O ambiente é formalíssimo, com direito a piano até na hora do almoço e atendimento de primeiríssima, ao mesmo tempo educado e simpático. Prepare-se para pagar por isso. O couvert sai por R$ 17 no almoço e R$ 23 no jantar (é bem verdade que, variadíssimo e caprichado, é quase uma refeição completa). E mesmo o menu executivo, que lá se chama menu leggero, custa R$ 69 por pessoa. Inclui entrada e um prato principal, que podem ser escolhidos dentro de uma lista bem variada, mais uma sugestão do chef a cada dia: tem cassoulet de pato às terças, picadinho as quartas e bolito misto às quintas. À noite, Bolla oferece seu cardápio franco-italiano, no qual figuram pratos como polvo ao molho de escargots, fantasia de pasta recheada e marreco de leite com risoto de pimenta-jamaica.
Av. Nove de Julho, 5925 – Bela Vista – 3079-6277

Fasano

Comecemos pela comida: as criações do italiano Salvatore Loi proporcionam uma experiência gastronômica inesquecível. Com técnica precisa, o chef trabalha ingredientes de primeira em receitas aparentemente simples, sem misturas desnecessárias, o que dá o merecido destaque a cada sabor. Há detalhes primorosos. Na salada de camarão e vieiras ao forno, a casquinha crocante e rosada que cobre o crustáceo não lembra em nada qualquer tipo de empanado já visto ou provado. Já na polenta com fonduta de gorgonzola, a singeleza da entrada faz a gente lembrar de almoço de mãe. Como nem tudo é perfeito, nem mesmo a cozinha do Fasano, o molho de vinho branco que cobria a perdiz com polenta estava um ponto acima no sal – o risoto de faraona com cogumelos esponjosos, em compensação, estava impecável. Quanto ao ambiente, é de fato elegantérrimo. Mas, como todo bom restaurante de hotel, tem de tudo, até turista de tênis bebendo caipirinha. O serviço, sem deslizes, acompanha o ritmo: freqüentadores mais descontraídos recebem sorrisos fartos, inclusive do famoso sommelier Manoel Beato. Prepare-se para pagar muito por isso. Só o couvert, que tem apenas pão, manteiga e grissinis, custa astronômicos R$ 24 por pessoa.
R. Vitório Fasano, 88 – Jardins – 3062-4000 / 3896-4000

Rodeio

Uma das casas de carne mais tradicionais – e antigas, já que foi aberta em 1958 -da cidade, o Rodeio resistiu à pressão do sistema de rodízio e continua servindo suas saborosas carnes à la carte. O couvert, farto (e caro: R$ 18,50 por pessoa), encarece um pouco o total gasto por pessoa, mas compensa por incluir diversas opções de pães e uma salada grande à escolha do cliente. O ambiente, dividido em pequenas salas, lembra uma casa de campo e possui ”estações de finalização” para garantir o ponto certo da carne, que chega fumegante à mesa. Não deixe de pedir o arroz Rodeio (conhecido em outros lugares como Biro-Biro, a receita original vem da Rodeio). O clima aconchegante e intimista também caiu nas graças de famosos e grandes empresários, que podem ser vistos com freqüência por lá.
R. Haddock Lobo, 1498 – Jardins – 3474-1333

Tem coisa nova na cidade

E exótica, também, como indica, nesta terça-feira, Ailin Aleixo, do “Época São Paulo na CBN”:

Mulligan

O recém-inaugurado Mulligan tem ambiente gostoso, luz baixa, cadeiras confortáveis boas para bater um papo demorado – diferente de qualquer pub, estabelecimento imediatamente associado à Irlanda. Lá, o foco não são as bebidas, e sim a gastronomia daquele país. Nem por isso a carta de cervejas poderia ser tão fraca – no dia da visita, havia apenas dois rótulos de cerveja escura (além do chope Guinness) e pouquíssimos internacionais. Um defeito a ser corrigido rapidamente para não frustar os freqüentadores. Até lá, é melhor escolher um dos bons vinhos da carta enxuta feita em parceria com a importadora Grand Cru. No menu, pratos executados corretamente, como o camarão grelhado com gengibre acompanhado de panquecas de batata típicas da Irlanda (chamada de boxty), shiitake com gruyère gratinado e o encorpardo e saboroso Beef e Guinness Casserole, cozido de carne, minicebolas, bacon e cerveja. Na sobremesa, o bolo de chocolate com uísque poderia ser mais molhadinho e a torta de maçã com chantilly, apesar de saborosa, veio com massa grossa demais para a quantidade de recheio.
Rua Bela Cintra, 1579, Jardins, 3892.1284

Anna Prem

Aberto em julho, o restaurante tem à frente uma equipe que leva a sério a alimentação. Para começar, os proprietários, todos vegetarianos, escolheram uma casa de 400 m², linda, construída em frente ao parque da Aclimação. Arejado, o sobrado tem jardim interno e várias salas, uma delas com varanda e outra com mesas baixas, para comer descalço e sentado no chão. Kaksmi Kanta Devidasi, a chef de cozinha formada em culinária ayurvedica na Índia, é monja há mais de vinte anos. Anuncia que sua comida é equilibrada, sem fritura nem açúcar e livre de agrotóxicos. Nas panelas não entra alho e cebola, mas nem por isso o resultado deixa de ser saboroso. O bobó de shiitake com brócolis, sugestão dos domingos, leva leite de coco e azeite-de-dendê. Às quartas e sábados tem feijoada com tofu e ricota defumados, bardana, paio de vegetais, coco e legumes, acompanhada de farofa de gérmen de trigo, couve orgânica, mandioca cozida, arroz integral, salada verde e laranja. Outra especialidade é o thousa, uma espécie de panqueca de farinha de grão-de-bico, de lentilha ou de ervilha. São sempre quatro opções por dia – uma delas vegan, sem proteína animal. Como é de lei nos restaurantes vegetarianos, no piso inferior funciona uma loja de produtos naturais e uma lanchonete com algumas receitas da chamada culinária viva: nenhum dos ingredientes passa pelo processo de cozimento. Nessa linha há shakes, sucos e doces como o mangolícia, gostosa mistura de manga com coco seco, pasta de tâmara e cardamomo.
Rua Muniz de Souza, 1170, Aclimação, 3208-7552

Italianos com ótimo custo-benefício

São as dicas da Ailin Aleixo, do “Época São Paulo na CBN”, neste começo de semana.

La Rita Allósteria Dei Venitucci

Quem conheceu o antigo restaurante de Vincenzo Venitucci, a Casa Venitucci, em Perdizes, lembra que o proprietário ficou famoso pela ótima comida, pelos preços altos e pelo indomável mau humor. Após um tempo fora de cena, ele agora está à frente de uma casa beeem diferente. Seu temperamento se mantém o mesmo, o talento na cozinha também, mas a ambientação e o cardápio, sobretudo a coluna da direita, são bem diferentes. Instalada dentro de um galpão no Piqueri, com a cozinha aberta na parte dos fundos, a casa não oferece qualquer sofisticação – e os preços são condizentes com a simplicidade do lugar. Prepare-se para comer bem. Vincenzo prepara receitas de sua terra natal, aquelas típicas da nonna, nem sempre fáceis de encontrar em São Paulo, como frango capão cozido com legumes, azeite e vinho ou coelho ao molho de tomates, especiarias e ervas. Há ainda boas massas artesanais, como o tagliatelle com manteiga e raspas de tartufo (em porção simbólica, o que permite o preço baixo). É bom ter paciência com o serviço. O vinho tinto chegou geladíssimo à mesa e faltavam vários itens do cardápio no dia da visita.

Av. General Edgar Facó, 1.127 – Piqueri – 3976-0130

Nello´s

Bonita camisa, Fernandinho. Se você tem mais de 30 anos, com certeza vai se lembrar dessa frase que caiu na boca do povo por volta de 1984. Pois bem, o astro da campanha publicitária é Nello de Rossi, dono da cantina, que antes de pisar em solo brasileiro foi ator na Itália, com filmes produzidos nos estúdios do Cinecittà, em Roma. Suas lembranças estão estampadas nas paredes do restaurante, com cartazes de cinema e fotos antigas. Hoje, o sucesso do lugar são as massas caseiras para combinar com molhos à escolha, como o capelete à romanesca e o espaguete à puttanesca, servidos em porções individuais. Uma das receitas mais pedidas é o nhoque à Rina (nome da esposa do dono), que na verdade são umas bolotas de ricota e espinafre com molho de tomate e orégano. Entre as carnes, o saltimbocca alla romana chegou à mesa salgado e acompanhado de talharim (trocado a pedidos) com molho um pouco aguado. De sobremesa, faz uma gostosa pastiera de grano (torta de ricota com frutas secas).

R. Antonio Bicudo, 97 – Pinheiros – 3082-4365

Il Cacciatore

Casinha simples, simpática, antiga, pintada de cor-de-rosa, cravada no Bixiga há 56 anos. O restaurante se destaca no pedaço não só pela construção, mas também pela qualidade da comida – preparada sem os exageros comuns das cantinas. Os donos, o casal Gianfranco Caccia e Maria Rita, vão para a cozinha e fazem tudo artesanalmente, massas, tortas e sobremesa. A especialidade são as receitas típicas da Lombardia. As carnes de coelho, javali, perdiz, cordeiro e vitela aparecem em preparos vigorosos, à base de vinho, acompanhados de polenta ou risotos. Se for tempo de alcachofra, não tenha dúvidas, peça a deliciosa torta. Entre os pratos principais, o cotechino chega à mesa com um delicioso refogado de lentilhas. O escalope ao olive é um filé ao molho de azeitonas pretas servido com delicado ravióli de abóbora.

R. Santo Antônio, 855 – Bela Vista – 3120-5119

Do tudo que vem do nada

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Assustadoramente já é quinta-feira. Prazo limite, com alerta vermelho para eu enviar a coluna para o jornal. Desde que acordei, estou agitada. O prazo limite, com alerta amarelo, foi ontem de manhã. Há dois dias venho tentando. Verdade. Dei o melhor de mim, e nada! Ultrapassei o limite da hora de dormir e só fui cambaleando para o quarto, quando percebi que meus olhos já não distinguiam o teclado do computador, do mouse; e vice-versa. Uma palavra não conseguia combinar com outra, e pensamentos brotavam de toda parte, dançando todos os ritmos possíveis, menos aquele que poderia encaixar na minha música. Aí pensei, vou falhar. Não vou escrever e pronto.

A situação era mais ou menos esta. Cabeça cheia, pensamentos querendo sair fantasiados de palavras, só que todos ao mesmo tempo, e acabavam embolados, na tentativa. Um caos. Fui dormir triste, mas finalmente fui. Parei. Quando não se sabe o que fazer, o melhor é não fazer. Quando não se sabe o que dizer, se não for possível calar, é melhor ao menos filtrar o que se diz.

Hoje acordei assim, assim. Não sabia por onde começar. Meditar, nem pensar. Quando você mais precisa é que não consegue mesmo. Comer? Tinha a garganta entupida por palavras natimortas, e o estômago cheio das não ditas e de sentimentos que borboleteavam sem trégua. Foi aí, no meio da confusão que o celular tocou. Apesar de atrasada, fiquei muito feliz de ouvir a voz do meu primo Pedro. Um dia destes vou contar para vocês sobre o presente que a vida tem me dado. Nestes últimos dois meses e meio, tenho ganhado, a prestação, uma preciosa família que eu nem sabia que existia. Pois bem, Pedro é um primo que vem nesse pacote. O primeiro que chegou. Ligou para dizer, basicamente, que gosta do que eu escrevo. A generosidade dele me destravou e me permitiu chegar até aqui.

Até então eu estava tentando escrever sobre a possibilidade, hoje no Brasil, de comprar uma ferramenta que quebre o sigilo telefônico de qualquer pessoa. No caso, por menos de mil reais, e em redes espalhadas por todo o território nacional, feito loja de eletrodomésticos.

Só que as ferramentas são seres humanos!

Agora entendo que eu não tinha, mesmo, nada a dizer sobre isso. Criticar para quê? Para competir com peritos? Sem dizer que minha crítica não traria nenhuma tonalidade nova para a situação. Seria inútil; pura descrição. Melhor não. A única idéia que me ocorre, como sempre, é revolução na educação e na consciência de cada um. Só que quando – e se – isso realmente acontecer, o resultado estará completamente instalado – como programa de computador – daqui a, pelo menos, três gerações. E não conheço muita gente que aceitaria um contrato de investimento para que seus tetranetos pudessem receber dividendos. Você conhece? Mas é bom lembrar que, nas letrinhas bem miúdas no final da página, existe a garantia de retorno individual imediato. É só experimentar.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça este texto na voz da autora

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira, autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, publicado pela Libratrês, e todo domingo está aqui no blog nos ajudando a pensar melhor a vida.

Esqueça o cream cheese, esses são japoneses tradicionais

A semana em que ouvintes-internautas discutiram se sushi em churrascaria tem vez termina com a Ailin Aleixo oferecendo lugares em que a comida japonesa realmente vale a pena ser saboreada:

A1

Esqueça os sushis e temakis. O A1 segue a linha dos pequenos restaurantes japoneses, onde os clientes sentam ao redor do balcão para tomar saquê e comer petiscos. Você se sente mesmo em Tóquio: mais de 70% da freqüência é oriental e tudo está escrito em japonês – mesmo os itens do menu foram traduzidos em um português com sotaque, como ”lombo grelhada” e ”estilo japonesa”. São apenas 13 lugares, com menu executivo no almoço e, à noite, uma interessante oferta de petiscos, preparados pelo cozinheiro Daiske Takao. Vá de bolinho de lula, língua de boi, kara ague (frango crocante) e até sashimi. Para finalizar, arrisque o udon (macarrão à base de farinha de trigo) ou o soba (de trigo sarraceno), ambos cozidos com legumes e caldo de peixe. Só tem uma sobremesa: uma prosaica salada de fruta com sorvete de creme.
Av. Paulista, 854 – Jardins, 3145-1833

Aizomê

Shin Koike nasceu em Tóquio e de lá trouxe toda a base da sua cozinha e o purismo com que seleciona os ingredientes que vão para o prato. A raiz-forte tem que ser in natura, importada do Japão, assim como o shoyu. Peixe prego não entra no cardápio por causa da quantidade de gordura e o salmão também não. Mas eles não fazem falta diante de tanta coisa boa. No menu-degustação, dez itens chegam em seqüência. Pode começar com uma porção de buri empanado e vagem com gergelim. Segue com carpaccio de pargo ao molho ponzu e pimenta, ostra com limão e shimeji e magret de pato ao molho de laranja. De sobremesa, surpreendente cheese cake de tofu com calda de frutas vermelhas e delicioso suflê de chocolate. Digamos que é uma cozinha franco-japonesa, sem espaço para os triviais combinados de sushi e sashimi. Bom reservar, o restaurante é pequeno e os 46 lugares da casa são disputados. No almoço, as opções são servidas no menu executivo e na mini-degustação de sete pratos.
Al. Fernão Cardim, 39 – Jardins, 3251-5157

Koyama

Aberto há 20 anos, esse japonês não se deixou levar pelos modismos e segue firme na linha tradicional. Isso vale para a comida e para o salão – simples, com quatro salas com tatame (cobra taxa para o uso do espaço) e um ambiente com mesa especial para teppan-yaki. No cardápio bilíngüe, os pratos quentes se destacam em clássicos como o shabu shabu (fatias de carne e verduras em caldo fervente), o yosenabe (cozido de peixe, frutos do mar, frango, shiitake, shimeji, acelga e cenoura) e o ishikari-nabe (legumes e salmão cozido no caldo de missô). O omakase, seqüência com oito pratos e uma sobremesa, é uma boa amostra da culinária típica. Entre os frios, o combinado também agrada, com bons cortes de sashimi e sushis sem invencionices. Experimente o missoshiro, bem temperado e cheio de vôngoles, um dos melhores da cidade.
R. 13 de Maio, 1.050 – Bela Vista, 3283-1427 / 3283-1833

Lasanhas para o frio paulista

E deliciosas, muito deliciosas, como destaca Ailin Aleixo, nossa colega do “Época SP na CBN” nas dicas desta quarta-feira:

Divina Itália – carne seca com abóbora

Lugar simpático, aconchegante, com jeito de casa da nonna, com poucas mesas, jardim acolhedor, cozinha à mostra no corredor. Serviço confuso, apesar da grande simpatia dos garçons. Couvert ótimo e simples, pão, manteiga, sardela, pasta e ratatouille. Cardápio restrito mas interessante, com massas frescas. No almoço, há opões de grelhados com massas a preços convidativos. A lasanha sertaneja é o destaque entre os cinco tipos oferecidos pela casa. Um suave molho de abóbora é o diferencial deste prato com carne seca desfiada, coentro, muzzarela e cebola, a R$ 38,50, e que pode ser dividido tranquilamente por duas pessoas. Surpreende pela leveza e delicadeza, apesar dos ingredientes marcantes. A lasanha Divina Itália, a mais clássica de todas, leva presunto, carne e molho bechamel (R$ 30) – tem uma delicadeza no preparo, mas a carne some no meio do molho. Há ainda: Natural (ricota, abobrinha e berinjela), frango e bacalhau com brócolis.
Rua Mourato Coelho 789 Vila Madalena – 3814-3344

Gigetto – carne e presunto/queijo

O serviço é discreto na medida, o garçon vem quando é chamado e o maitre é extremamente atencioso. O couvert é farto e o destaque é para o pão italiano com alho que vem quentinho, junto com pão italiano, berinjela, manteiga, azeitona e sardela. Há muitos tipos de lasanha, todas com carne, queijo e presunto: sugo, bolonhesa, quatro queijos, molho branco e com lingüiça, com preços variando entre R$ 42 e R$ 46.
A lasanha em si – bolonhesa – é substanciosa sem ser pesada. Uma delícia com gostinho de casa da vovó. É uma bolonhesa clássica, com massa nem fina, nem grossa, muita carne moída bem temperada e bastante molho de tomate. Tudo bem molhadinho. Há ainda a chance de pedir o molho quatro queijos à parte. O molho, também extremamente rico, é muito saboroso.
Rua Avanhandava, 63 Bela Vista, Centro – 3256-9804 / 3256-6530

Brasiliani – com polpetinhas

A cantina com jeitão familiar localizada na Vila Romana tem uma receita muito particular de lasanha. A invenção é a lasanha com minipolpettas, ou seja, massa, mussarela, muito molho de tomate e pequenas almondegas entre as camadas. Parece estranho mas é bem gostoso. A porção é farta para uma pessoa mas não dá para dividir.

Rua Marco Aurélio, 102, Vila Romana – 3875-3915

Ótimas churrascarias até para quem gosta de peixe

Não é uma homenagem aos gaúchos na Semana Farroupilha, mesmo porque lá no Rio Grande churrascaria é para carne vermelha. Nada de peixe. Mas valem as dicas da Ailin Aleixo para quem quer levar a namorada ou namorado vegetariano:

The Prime Grill

É preciso coragem para abrir um rodízio de carnes a poucos metros do consagrado Fogo de Chão. Para driblar a concorrência, a casa apostou na boa oferta de peixes e frutos do mar. Há ostras frescas, ovas, lula, polvo, três tipos de salmão defumado, carpaccio de haddock, camarão, sushi, sashimi, mexilhão, lagosta gratinada e costela de tambaqui. Mas o melhor é mesmo o churrasco. São 25 carnes: costela, avestruz, javali, cordeiro uruguaio, picanha, alcatra, maminha… Não dispense o bife ancho – em maciez e suculência, supera todos os outros. Aos sábados e domingos, há sala de recreação no piso superior.

Av. Moreira Guimarães, 520 – Moema – São Paulo – SP 5052-2228

Ponteio Grill

Há ostras frescas, camarão, siri, bacalhau, sushi e sashimi, além dos itens mais comuns como palmito, folhas e queijos. Também de entrada, vale provar a morcilla. No quesito carnes, a casa se destaca entre alguns rodízios mais afamados, com cortes de respeito como o entrecôte argentino, macio e suculento. O carré de cordeiro e a costelinha de porco também são bem gostosos. Aqui, o carrinho de sobremesas foi abolido e os doces ficam expostos numa vitrine.

Av. Imperatriz Leopoldina, 1925 – Vila Leopoldina – São Paulo – SP 3832-4060

Vento Haragano

Os donos são de Nova Bréscia, no Rio Grande do Sul, cidade que leva a fama de ser o berço de bons churrasqueiros. É de lá que os irmãos Laste trazem toda a tradição da casa. A começar pela recepção feita por moças gaúchas vestidas de ”prenda” – com um vestidão típico, de festa, com rendas e mangas bufantes. Os garçons usam bota e bombacha e o chimarrão é cortesia. Em rodízio, são servidos picanha e contrafilé argentinos, cordeiro uruguaio, cupim, fraldinha, lingüiça e frango. Ao todo são 33 tipos de carne, além do salmão e da costela de tambaqui. No bufê de saladas, há cerca de 70 itens, incluindo o saboroso haddock defumado e a feijoada. O carrinho de sobremesas foi abolido e os doces ficam estampados num cardápio exclusivo com algumas delícias elaboradas pelo chef patissier Flávio Federico. A churrascaria oferece outros diferenciais: carta de vinhos com mais de 600 rótulos, sala de recreação infantil com monitores (aberta às sextas no jantar e nos finais de semana) e sistema de transporte para levar e trazer os turistas hospedados em hotéis da região.]

Av. Rebouças, 1001 – Cerqueira César – São Paulo – SP 3083-4265

Música, comida e espetáculo na mesa

Para começar a semana, Ailin Aleixo de “Época SP na CBN”, apresenta duas sugestões de restaurantes de comida contemporânea:

Brooklyn

Para quem curte musical, é diversão na certa. De vinte em vinte minutos, as luzes se apagam, um pianista dá o tom e os garçons viram estrelas, cantando trechos de musicais da Broadway. É bacana – para quem entra no espírito e não liga muito para o serviço. Afinal, para os artistas, cantar é muito mais importante que servir mesas e a comida pode demorar um pouco pra chegar. Sorte que as receitas inventivas do chef Junior Belém valem cada centavo e minuto de espera. A lula recheada com musse de salmão tem cozimento perfeito e vem acompanhada de um delicioso risoto em su tinta, com tomate concassê. Outra gostosura é o confit de pato ao molho de damasco turco com cuscuz de legumes, foie gras e ameixa seca. A casa cobra couvert artístico: R$ 15 (seg a qua.) e R$ 20 (Qui. a sáb.)

R. Baltazar Fernandes, 54 – Brooklin, 5533-4999

D.O.M.

Alex Atala não é apenas um chef simpaticíssimo e uma celebridade da gastronomia (e da tv) nacional. Alex Atala é um profissional apaixonado e dedicado– duas características que ficam evidentes em suas criações no DOM, o 40. melhor restaurante do mundo segundo a lista dos 50 melhores da renomada revista inglesa Restaurant. Ir ao DOM dói no bolso para a maioria dos mortais, mas é daquelas experiências sensoriais que serão lembradas por muito tempo. A casa trabalha em dois sistemas: à la carte e menu degustação(é possível escolher quatro pratos, queijo e uma sobremesa, ou ainda oito pratos, queijo e duas sobremesas). Entre as entradas, o foie gras com crocante de arroz selvagem e avelã, sorbet de pimenta cambuci e consome de Bonito apresenta contrastes harmônicos e completamentares de temperaturas e texturas. No menu principal também há destaque para os ingredientes brasileiros, caso do maciíssimo cupim cozido em baixa temperatura com purê de batata e pequi e do cremoso e crocante risoto de grãos e castanhas. Para finalizar, delicie-se com a cremosa pirâmide de chocolate ao creme de tamarindo.

Rua Barão de Capanema, 549 – Jardins, 3088-0761