São Paulo precisa de voluntários e caminhões

Para organizar e transportar as cerca de 300 toneladas de alimentos e material doados às vítimas das enchentes em Santa Catarina, a Defesa Civil de . O apelo foi deito pelo secretário municipal de Segurança Urbana Edson Ortega, no CBN São Paulo:

A Defesa Civil de São Paulo fica na rua Afonso Pena, 130, próximo da Estação Pinacoteca, centro da cidade. E o telefone para as empresas dispostas a transportar as doações é o (011) 72511806.

Presidente da Câmara defende gastos de vereadores

Durante entrevista com Cláudio W. Abramo, da Transparência Brasil, citei mensagem encaminhada ao CBN São Paulo, pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Antonio Carlos Rodrigues. Reproduzo aqui no blog a nota na íntegra:

“A respeito de avaliações e declarações divulgadas pela ONG Transparência Brasil sobre os trabalhos da Câmara Municipal de São Paulo, gostaria de fazer o seguinte comentário:

Cada Gabinete tem um chefe de Gabinete e até 17 assessores. Assim, o total de funcionários é de até 18 e não 19 como divulga a Transparência Brasil. Está incorreta também a informação da ONG de que “dos 1.984 funcionários do Legislativo paulistano, mais de mil são nomeados pelos vereadores.” Dos 990 cargos existentes nos 55 gabinetes desta Casa, 924 estão ocupados.

A Transparência Brasil divulgou no mês de março último um relatório intitulado Orçamento do Poder Legislativo, onde no item “custo por habitante”, a ONG classifica a Câmara Municipal de São Paulo como a terceira mais barata por habitante entre as capitais brasileiras. O custo citado é de R$28,53. Neste relatório a capital do país mais cara é Palmas, com R$ 87,10, seguida de Florianópolis com R$ 72,57.

Quanto à avaliação da ONG sobre a produção legislativa considero que o critério adotado pela Transparência Brasil não é claro e discordo dele. Não considero a Câmara “um Parlamento caro, que produz pouco e fiscaliza pouco” como afirma o Sr. Claudio Weber Abramo. Algumas ONGs classificam de baixo impacto as Leis aprovadas para denominação de ruas. Um morador das áreas mais carentes da cidade sabe como é importante morar numa rua regularizada, que tem um nome, um número e um CEP. Só assim este morador pode receber correspondência, fazer um crediário, etc. Acredito que a denominação de rua dá dignidade e cidadania ao morador.

Outro ponto a ser destacado é que a produção de um Legislativo não se mede apenas pelas Leis aprovadas em Plenário. Existem muitas outras ações relevantes, tais como: fiscalização dos atos do Executivo, trabalho das Comissões Permanentes, Temporárias, de Estudo, além das Comissões Parlamentares de Inquérito. Outra ação relevante é a convocação de Audiências Públicas para a população manifestar sua opinião sobre projetos em discussão na Câmara.

Cabe também ao vereador, como legítimo representante do povo, a missão de percorrer as diferentes áreas da cidade para ouvir e buscar soluções às demandas encaminhadas pelos moradores.

Vereador Antonio Carlos Rodrigues
Presidente da Câmara Municipal”

Vereadores gastam muito e gastam mal, diz Transparência

Os vereadores mantém no gabinete funcionários que não necessitam e, por isso, gastam mal o dinheiro público. É a opinião do diretor-executivo da ONG Transparência Brasil Cláudio Abramo sobre os R$ 7,5 milhões usados, neste ano, para cobrir as verbas indenizatórias a que têm direito. São mais de R$ 500 mil por mês, de acordo com levantamento feito a partir de dados publicados pela Câmara Municipal de São Paulo:

Na entrevista ao CBN São Paulo, Cláudio W. Abramo falou, também, sobre as campanhas eleitorais dos principais candidatos à prefeitura de São Paulo que “esconderam” o nome dos doadores usando artifícios permitidos por lei:

Câmara pode liberar rodízio de carro para advogados, em SP

A Câmara de Vereadores de São Paulo pode colocar em votação esta semana projeto de lei que libera o rodízio de carros para os advogados. A proposta é do vereador Edvaldo Estima do PPS.

Ouça o que pensa o presidente da Comissão de Assuntos e Estudos sobre Direito de Trânsito da OAB-SP Ciro Vidal:

E agora conheça a opinião do vereador do PT Francisco Macena:

O autor do projeto, vereador Edvaldo Estima (PPS), não foi encontrado pela assessoria dele para falar sobre o assunto.

E você ? É contra ou a favor a idéia de liberar os carros dos advogados do rodízio municipal ?

Invasão de mexilhões

Já ouviu falar em moules et frites? É um prato francês (mexilhões e fritas, na tradução literal), e está virando moda por aqui. Combina muito bem com o verão e com um bom vinho branco ou espumante gelado. Veja onde encontrar, na lista preparada pela Ailin Aleixo:

* Allez, Allez!
Luiz Emanuel prepara a receita clássica à la marinière: mexilhões temperado com vinho branco, salsinha e alho (R$ 23)tel.: 3032-3325

* Chef Rouge
Até o final da estação, só aos finais de semana, Renata Braune serve a versão clássica e mais cinco variações (R$ 42)tel.: 3081-7539

* Ici Bistrô
Benny Novak prepara suas moules et frite usando tomilho e cebola roxa (R$ 38)tel.: 3257-4064

* Le Petit Trou
São quatro receitas: à marinière, ao curry, à la riecoise (maçã e farinha de pão) e ao acafrão com bacon (R$30)te.: 3097-8589

* Odeon
Serve cozidos em cinho branco, com creme de leite e salsinha (R$ 35,80)tel.: 3071-2873

Briga de vizinho lota delegacia e fóruns

Por Márcio Rachkorsky

Não canso de ressaltar a falta de preparo de muitas pessoas para viver em condomínio, sobretudo em harmonia com seus vizinhos. Paradoxalmente, a cada dia, mais pessoas optam por viver em grandes condomínios, com centenas de vizinhos!

Em matéria de capa, o Jornal da Tarde de ontem (30/11), noticiou que as BRIGAS DE VIZINHOS SÃO AS GRANDES CAMPEÂS DE QUEIXAS NA POLÍCIA. Representam 80% das ocorrências na Polícia Militar Comunitária. Parece surreal, mas o número é esse, 80% das queixas versam sobre desentendimento entre vizinhos !!! Um número assustador, que denota, claramente, a importância do trabalho de conscientização, uma missão árdua para os síndicos. Segundo a matéria, 30% dos desentendimentos ocorrem por causa de cachorros, 25% por vagas nas garagens, 12% por vazamento de água e 8% por barulho de crianças. De janeiro a setembro de 2.008, dos 25.224 casos atendidos pela Polícia Militar Comunitária e das 8.730 ocorrências das Delegacias Comunitárias, aproximadamente 27.000 ocorrências foram motivadas por brigas entre vizinhos. Segundo o Delegado Hevaldo Pedrosa Bastos, “ se essas divergências não forem resolvidas de imediato, podem se transformar em tragédias”.

Interessante frisar que boa parte das brigas e desentendimentos ocorrem em condomínios luxuosos, com ações judiciais que se arrastam por longos anos, contrariando a lógica e o bom senso.

Márcio Rachkorsky é advogado e comentarista do quadro Condomínio Legal que vai ao ar quartas e sextas, na CBN, às 11 da manhã. Toda segunda-feira, publica um artigo inédito aqui no blog.

Pergunte ao vereador

Escolha um desses seis vereadores e pergunte tudo aquilo que você sempre teve vontade mas nunca pode. Algumas das perguntas deixadas aqui no blog serão selecionadas para serem feitas durante o debate logo mais à noite, promovido pela Revista Época São Paulo. As demais me comprometo a repassar em mãos ao fim do encontro do qual participarei como mediador.

Gabriel Chalita (PSDB), Antonio Goulart (PMDB), Netinho de Paula (PCdoB), Milton Leite (DEM), Mara Gabrilli (PSDB) e Senival Moura (PT) foram os seis vereadores mais bem votados na cidade de São Paulo.

Para participar ao vivo do debate, a inscrição é gratuita e deve ser feita pelo e-mail claudiad@edglobo.com.br. O auditório da Editora Globo fica na Avenida Jaguaré, 1485, sétimo andar.

De Plutão em Capricórnio


Por Maria Lucia Solla


Olá,

Atenção terráqueo, Plutão está chegando para se hospedar em Capricórnio. Uns dizem que já chegou. Para outros, a chegada se dará em 2009. De qualquer maneira, para um hóspede que não vem para ficar por menos de vinte anos, os preparativos não podem ser feitos de um dia para o outro. Imagino Plutão, de mala e cuia, checando a lista do que levar na viagem. Quem conhece um pouco de mitologia sabe que esse senhor não é de brincadeira. Assim, vai juntar a fome à vontade de comer porque Capricórnio, garanto que também não é.

O reino de Plutão traz oportunidade de nos livrarmos do que já não serve mais. Incentiva a busca do novo, tanto na gaveta do armário quanto no comportamento diário. Pede coerência entre o que se diz e o que se faz. Ele toca o coletivo. Mexe no caráter de toda uma geração. Provoca reestruturação emocional e espiritual e chega sempre que há necessidade de coibir abusos. Dizem os astrólogos que a reunião desses poderosos senhores abre caminho para que o poder – político, econômico, social, territorial, ambiental ou comportamental – seja questionado e mude de mãos.

Plutão leva aproximadamente 250 anos para fazer uma volta completa, visitando os doze signos do zodíaco. Para quem acredita que os astros agem e a gente reage, é preciso informar que você só se reinventa se e quando quiser. Os astros apenas influenciam e dão um empurrãozinho, segundo suas características. Plutão vai longo empurrando sem dó nem piedade. Sorte de quem estiver razoavelmente equilibrado. Sorte é modo de dizer.

E o seu anfitrião? Bem, Capricórnio é um signo regido por Saturno, que é o Senhor do Tempo e da Sabedoria. É taciturno, para dizer o mínimo. Oferece muito, mas exige dos seus regidos uma austeridade e um grau de responsabilidade bem apertados.

Resumindo radicalmente o assunto, a tarefa é questionar-se mais do que ao outro, é aceitar-se e mudar para melhor em vez de esperar que o outro faça terapia. O comportamento automático, viciado e bolorento, precisa ir embora e dar lugar a outro que espelhe a alma a cada instante e que dê prioridade ao bem-estar do grupo. De qualquer modo, meu amigo, carona nessa fantástica viagem, só para quem se dispuser a ao menos apontar o polegar na direção pretendida. Esse será, astrologicamente, o evento mais importante da década. Acreditando na influência dos astros ou não, não custa colocar a vida em ordem, acertar as contas e buscar seu ponto de equilíbrio, É bom relembrar que Plutão chega quando há necessidade de coibir abusos.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça este texto na voz da autora:

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora, autora do livro “De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa”, publicado pela Libratrês, está todo domingo aqui no blog.

Ouvinte-internauta pede jornalistas com língua precisa e afiada

Foi na limpeza das pastas que formam minha caixa de correio eletrônico que descobri a mensagem abaixo do ouvinte-internauta Fernando Cabral. Estava guardada para ser explorada um dia qualquer em que o tema fosse oportuno. O e-mail é de abril de 2007, portanto escrito antes do surgimento deste blog. É provável que ao armazená-la minha intenção fosse esperar a chance dela ganhar vida própria ao ser publicada na internet. Imagino que a posição de Fernando Cabral não tenha mudado neste tempo todo, mesmo porque nós jornalistas não mudados, também. Portanto, trazê-la para o blog, neste sábado, me parece oportuno. Cabral alerta para a maneira como nós profissionais de comunicação nos comportamos diante da língua portuguesa:

“Não sei se a CBN tem pessoa ou departamento responsável pelo aperfeiçoamento da linguagem jornalística. Como você é um profissional de destaque e de influência, achei que valeria a pena comentar com você o que segue abaixo.

Quando repórteres usam linguagem aguada ou imprecisa, todos perdem: eles, a credibilidade; o ouvinte, a precisão da informação; a língua, sua eficácia. Isto é truísmo: não exige demonstração.

É também truísmo dizer que os jornalistas sofrem contágio dos colegas: como alguns se manifestam, todos se manifestam; copiam-se mutuamente. Isto gera uniformidade e mesmice. Palavras surgem para a fama, são adotadas, viram bordão e são repetidas até esgotar a paciência do leitor.

“Blindagem” é um exemplo. Tempos atrás alguém disse que Henrique Meirelles havia sido “blindado”. Repórteres de jornal, televisão e rádio repetiram o termo até a exaustão. Uma imagem criativa virou um clichê insuportável. (Ultimamente seu uso tem esvaecido. Já vai tarde.)

Outro exemplo é “suposto”. Esta palavra se encontra em evidência máxima; portanto, na capacidade máxima de chatear o ouvinte ou leitor. Para o repórter, tudo é “suposto”: suposto culpado, suposto acusado, suposto autor, suposto crime. Há até a suposta lista de Furnas, que comento entre parênteses: com base na própria imprensa, a lista nunca foi suposta: ela existia. A discussão recaia sobre sua autoria; sua autenticidade; sua origem. Portanto, não era correto dizer “suposta lista”; correto seria dizer “suposto autor”, “supostamente feita por fulano” ou “atribuída a sicrano”. Mas fecho os parênteses.

Ademais, mesmo se o uso fosse correto, já teria cansado por excesso de uso. Por isto, candidato-me ao acacianismo: o inefável “suposto”, pode sempre ser substituído por expressões construídas com “alegar”, “atribuir”, “imputar”, “dizer”, “afirmar”. Exemplos: “a lista, atribuída a fulano…”; “a polícia imputou a sicrano…”; “o promotor disse que lista foi feita por beltrano”.

Mas, há coisas que aborrecem mais do que a repetição, o lugar-comum e o modismo: a imprecisão e a incorreção, por exemplo. Ilustro: não passa um dia sem que ouçamos notícia sobre crimes, prisões, inquéritos e processos. Os repórteres, contudo, parecem incapazes de distinguir entre suspeitos, indiciados, acusados, réus e condenados. Confundem-se e confundem o leitor ou ouvinte.

Ora, há uma distância considerável entre suspeito e condenado. A imprensa não deve e não pode confundir o ouvinte trocando um pelo outro. É errado e é injusto.

Tempos atrás ouvi um repórter da CBN desinformando que um fulano de tal havia sido condenado como suspeito de assassinato. Como é possível? Se a pessoa foi condenada, para todos os fins práticos e legais, ela é condenada, não é “suspeita”. Por definição.

Suspeito, também por definição, é aquele sobre o qual recai a desconfiança, ou conjectura de que pode ser o autor de um crime. Indiciado é aquele que a polícia indica, oficialmente, como provável autor do crime. Acusado (ou denunciado) é aquele contra o qual o Ministério Público apresentou denúncia. Réu é aquele contra o qual o juiz aceitou uma denúncia. Condenado é aquele que a Justiça apontou como culpado.

Em nenhum destes casos cabe ao repórter dizer “suposto”: suposto suspeito, suposto acusado, suposto condenado. A não ser que esteja inventando a notícia.

Mas os repórteres, criativos que são, conseguem confundir tudo, como aquele que disse que “o suposto assassino foi condenado pela Justiça”.

Os repórteres fazem bem em se cuidarem para não cometer crimes contra a honra. Mas isto não deveria implicar em empobrecimento da linguagem; menos ainda no empobrecimento da própria informação. Entretanto, é isto que faz o repórter a cada vez que usa a palavra “suposto” de forma incorreta ou desnecessária. É também o que ocorre quando um suspeito é chamado de réu ou um condenado é chamado de suspeito.

“Suposto” exemplifica o uso de linguagem aguada quando, ao referir-se a alguém que o Ministério Público denunciou, o repórter diz “o suposto acusado”. “Suposto acusado”, como? Desde o momento em que o Ministério Público apresentou a denúncia ele é “acusado” – ou denunciado – não é “suposto acusado”.

Além disto, se a pessoa foi condenada pela Justiça, ela não é suspeita, indiciada, acusada ou ré: é condenada. Como tal deve ser tratada pelo repórter, sob pena de termos imprecisão, incorreção, desinformação.

Se a ferramenta do repórter é a linguagem, é bom que seja afiada e exata, não aguada e imprecisa.”