De cassinos

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Foi no Uruguai, a primeira vez que fui a um cassino. Joguei uma ficha só, no vermelho 27 e ganhei 36 delas. Então, segurei meu tesouro até o momento de ir embora e, na saída, troquei todas elas por dinheiro de verdade, para usar do jeito que eu quisesse.

Pensei que jamais me deixariam entrar, mas Maria Elisa escolheu minhas roupas a dedo, me produziu, e maquiou. Um pouco de batom, um quê de blush, prendeu meus cabelos, e até eu acreditei que já tivesse chegado aos 18, como num passe de mágica do cinema. Sentia-me rainha, entrando no castelo, daquela ilha de fantasia. Mas mesmo o olhar inexperiente de menina-quase-moça, ou de moça-ainda-menina percebeu que o cassino era sombrio, apesar dos candelabros.

Eu tinha 14 e fazia uma viagem de carro, convidada por um casal de amigos dos meus pais. Maria Elisa brasileira, delicada, e muito feminina. Bernardo, uruguaio, forte, pele sardenta e cabelos puxando para o vermelho claro. Uma fogueira. Agora transforme a imagem que você faz de uma fogueira em outra, delicada, acolhedora, divertida e amorosa. Incapaz de queimar você. Assim era ele. E assim foi nossa viagem.

Foi, na verdade, minha primeira grande aventura. Papai concordou, nem sei como, e pela primeira vez eu saía da redoma da minha casa e da casa dos amigos, para me expor a uma realidade diferente e, ainda por cima, móvel. Meu lado cigano não sabia o que era melhor. Eu vivia um conto de fadas. Se bem que teve um dia no norte do Paraná, onde a terra era tão vermelha, que as casas brancas eram salpicadas de vermelho na metade superior, e acabavam vermelhas, salpicadas de branco, na metade inferior. Foi ali que meus sapatos favoritos, da primeira leva dos saltinhos, ficaram irremediavelmente manchados. Mas nem isso teve muita importância, tamanha a magia de tudo. Íamos a restaurantes todos os dia, tomávamos café da manhã nos hotéis, e eu não perdia um detalhe. Tudo mudava a cada minuto e a cada curva e sempre conseguia me surpreender. Sempre.

Anos mais tarde entrei, sem probabilidade de ser barrada, noutros cassinos, e cada vez gostava menos deles, até que percebi que não precisava entrar. Podia fazer o que me desse na telha. Mas vi muita gente apostar mais alto do que podia e afundar, arrastando junto o que sobrou da família. Vi gente encolhida num canto, girando o anel no dedo, olhando fixamente para ele, num dramático e dolorido ritual de despedida, antes de ir ao guichê para trocá-lo por fichas. Provocava em mim uma enorme tristeza. As cenas e seus prováveis motivos, se você é sensível, eram explícitas demais. Eu não jogava, portanto não ganhava nem perdia. Nunca dei muita importância para a sorte do primeiro dia

Assim aprendi, já na adolescência, que no cassino você entra, joga, e ganha ou perde. A responsabilidade pelo seu jogo e pelo destino que você dá ao seu dinheiro é sempre sua. Hoje, no entanto, me pergunto por que é que, aqui fora, no mundo da realidade comum, onde o cassino é proibido, como se nele morasse todo o mal do mundo, só uns poucos jogam deslavadamente, trapaceiam, enganam, roubam, corrompem, quebram a banca e a gente é que paga a conta.

Não entendo, e não vou entender. Portanto nem adianta tentar me explicar.

Mas…

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Esta gravação foi uma gentileza de Luis Eduardo Pacheco e Suiang Guerreiro. A música é Olhar de Mulher, de Ricardo Leão e Abel Silva por Caçulinha com participação especial de Ricardo Leão ao piano.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora, autora do livro “De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa”, publicado pela Libratrês, e todo domingo escreve aqui no blog para a nossa sorte.

Vote somente nos melhores de São Paulo

Uma eleição em que os candidatos com certeza não irão frustrar a sua expectativa. É o que a Ailin Aleixo, nossa colega do “Época SP na CBN”, propõe aos ouvintes-internautas do CBN São Paulo. Está aberta a votação para “O Melhor de São Paulo”, promovido pela Época, na qual você poderá escolher o melhor sorvete, a melhor caipirinha, a melhor churrascaria e outros melhores da capital.

Reúna a família, junte os amigos ou chame os colegas do escritório, peça palpites e depois clique aqui para participar desta votação. Vote consciente.

Franceses com ótimas novidades no cardápio

Para fechar a semana, nossa Ailin Aleixo traz duas dicas da sua lista de franceses:

La brasserie Erick Jacquin

Como de praxe, as receitas do chef francês são um prodígio de criatividade e técnica. Há novidades em todas as seções. Na página das entradas, salta aos olhos o lagostim assado com pupunha e emulsão de manjericão. A seguir, nos principais, um dos destaques é o tomate confit recheado com bacalhau, ravióli de azeitona e batata. Para os carnívoros, o irresistível filet de boeuf é assado com vinho tinto e traz torrada de pain d’épice, tutano e lentilhas de Puys. Em tempo: a coluna da direita sofreu alguns acréscimos consideráveis

R. Bahia, 683 – Higienópolis – São Paulo – SP F: 3826-5409

Chef Rouge

A chef Renata Braune dedica os meses de outubro e novembro ao menu Borgonha, cuja proposta é harmonizar seus pratos com os vinhos da região. Entre as novas criações, já com toques primaveris, tem creme de vieiras e camarões gratinados ao açafrão, vol-au-vent de escargot com creme de cogumelos morilles, perdiz recheada com terrine de aves e ainda confit de pato com molho de vinho e batata sautée frita na gordura do pato, entre outros pedidos. A carta, preparada especialmente para a ocasião, traz cinco tintos e três brancos do catálogo da importadora World Wine, com preços entre R$ 78 e R$ 302. Entre eles, o Hautes Côtes de Nuits Chardonnay La Vacherotte 2005 Domaine Guy Dufouleur e o Bourgogne Pinot Noir 2005 Domaine Olivier Guyot.

R. Bela Cintra, 2238 – Jardins – São Paulo – SP F: 3081-7539

Para os vegetarianos não brigarem comigo

Deixei de postar na terça, as dicas da Ailin Aleixo para os bons restaurantes vegetarianos da cidade. Vamos acertas as contas, então:

Gopala Hari

Agora, o antigo Gopala Prasada virou dois restaurantes distintos: o Gopala Madhava, no número 413, e o Gopala Hari, no número 429. Embora a sociedade tenha sido desfeita no mês de setembro, as casas já apresentavam pequenas nuances. Uma delas é o jantar, servido só no segundo endereço. Aliás, é nessa unidade que a divisão se faz mais evidente, a começar pela reforma no piso superior, com nova decoração e cardápio com brasileirismos como o escondidinho de jaca verde. A base continua a culinária indiana, com receitas condimentadas, chutneys e cozidos de lentilhas (dahl). Marca registrada do lugar, as pétalas de rosas jogadas nos degraus da escada são um mimo que agrada a todos. O mesmo não se aplica ao cheiro de incenso que domina o ambiente. Os lugares perto da janela são a alternativa para quem prefere sentir o aroma da comida – que é ótimo, por sinal.
Rua Antônio Carlos, 429 – Cerqueira César – São Paulo – SP f: 3283-1292

Horta café e bistrô

O sobrado agradável com varanda e mesas no quintal tem aquele jeito caseiro, mas o atendimento é profissional, feito por garçons ágeis e atenciosos. Nem assim a clientela perde tempo de olhar o cardápio. Os habituès fazem a escolha na pequena vitrine que exibe as opções do dia. São quatro pratos na linha ovolactogetariana (com uso de leite e ovos no preparo das receitas). Sem data certa para aparecer, há lasanha de gorgonzola e rúcula, braciola ao molho de shoyu com gengibre e picadinho de proteína de soja com feijão preto, banana, ovo e arroz integral. No crepe de verduras com abobrinha gratinada, percebe-se o uso de ingredientes de qualidade e ervas frescas. Mas nada com muita personalidade no sabor e a parcimônia no tempero é compensada com o sal sobre a mesa. O prato dá direito ao suco ou chá, uma entrada (salada ou sopa) e uma sobremesa – essa em porção minimalista, só para adoçar a boca. Às terças serve mussaká e toda quarta-feira tem feijoada vegetariana.
Rua Costa Carvalho, 159 – Pinheiros – São Paulo – SP f: 3031-5997

Gaia

Moderno e estiloso, o restaurante foge do padrão dos vegetarianos que combinam lojinha de produtos naturais com salão simplório e atendimento ruim. Tem até espaço com redes para o descanso após a refeição. O serviço atencioso, coisa rara no segmento, é de tirar o chapéu. Não há cardápio fixo. São três opções por dia, uma delas light: entrada, prato principal, sobremesa e suco têm preço único. A criatividade impera na cozinha com receitas como a couve-flor empanada ao molho de tahine e tomates recheados com mix de arroz integral, alcachofra e morango. Único prato com dia certo para aparecer, a feijoada faz um sucesso tremendo nas quartas-feiras.
R. Cônego Eugênio Leite, 1152 – Vila Madalena – São Paulo – SP f: 3031-0680

A pitada da Ailin: Duas novidades na cidade

Acompanhar a renovação gastronômica de São Paulo não deve ser fácil nesta cidade que muda a todo momento. A Ailin Aleixo, nesta quarta, traz algumas novidades paulistanas no “Época SP na CBN”:

Anita

A região colada ao Cemitério da Consolação não pára de ganhar restaurantes bacanas. O mais novo deles, inaugurado no finzinho de setembro, ocupa um lindo sobradinho dos anos 30, com bar no porão e salão pequenino. Da cozinha envidraçada chefiada por Fabiana Caffaro saem pratos bem simples, muitos declaradamente inspirados na dita baixa gastronomia, aquela dos botecos, mas com algumas gostosas frescurinhas. Tem filé oswaldo aranha (feito com prime rib), frango com creme de milho (empanado com panko, uma farinha de rosca japonesa) e deliciosos bolinhos de arroz (que levam creme de queijos na mistura). A entrela da casa, porém, é a máquina de assar galetos, a típica televisão de cachorro, estacionada na calçada inclusive à noite. As aves, bem torradinhas e douradas, chegam à mesa já cortadas, acompanhadas de farofa, batata bolinha ao alecrim e vinagrete de tomates verdes. Na sobremesa, não deixe de provar a ótima panqueca de doce de leite com sorvete de nata. No almoço executivo, vale o sistema de prato do dia: quarta-feira, por exemplo, é dia de mignon de porco com couve e quibebe de mandioca.
R.Mato Grosso, 154, Higienópolis,tel.: 2628-3584

Amazônia

Tucupi, tambaqui e as frutas típicas da região amazônica caíram nas graças de chefs badalados e marcam presença nas mesas de alguns restaurantes bacanas da cidade, como o D.O.M. e o Maní. Mas ainda faltava uma casa típica, autêntica, com receitas de raiz, sem parcimônia no uso dos ingredientes ou adaptações modernas. O Amazônia, aberto em agosto, preencheu essa lacuna. O paraense Paulo Leite, principal difusor dessa culinária em São Paulo (eram dele os restaurantes Tucupi e Carimbó, que funcionaram entre 1995 e 2004), se instalou no Bexiga, em salão despojado, e reproduz com fidelidade os sabores da sua terra. Servido em cuia, o tacacá (caldo de tucupi com camarão seco, goma de mandioca, jambu, ervas e pimenta) veio intenso em acidez do tucupi e anestésico por conta do jambu (erva que causa leve dormência na boca). O camarão tinha sabor forte e sal demais. Outra comida de sustância é a maniçoba, espécie de feijoada do Norte, preparada com folha de mandioca-brava (a maniva), carne de porco, dobradinha e mocotó. Farinha d’água crocante, amarela, colore o prato e umas gotinhas de pimenta-de-cheiro deixam a receita ainda melhor. Os peixes da Bacia Amazônica aparecem em pratos como filhote e pescada-amarela mergulhados no caldo do tucupi. Na hora da sobremesa, frutas como cupuaçu, açaí, teperabá e bacuri chegam à mesa na forma dos imperdíveis sorvetes. No almoço há bufê variado – mas não perca tempo e faça as escolhas à la carte.
R. Rui Barbosa, 206, Bela Vista, 3142-9264

Restaurante brasileiro com sabor de interior

Foi com o som da viola que Ailin Aleixo chegou nesta semana para anunciar três boas opções de comida tipicamente brasileira:

Graça Mineira

Maria das Graças Oliveira Rossi é mineira da Zona da Mata e, desde 1993, comanda as panelas do restaurante. O cardápio segue praticamente sem alterações desde então, uma fartura só. Os pratos, anunciados para dois, alimentam até quatro pessoas de apetite moderado. Você escolhe pelo bicho: porco, boi ou frango. Um dos mais pedidos é o leitão à pururuca, que traz a carne já cortada em pedaços, bem crocante, mais feijão-tropeiro, torresmo, mandioca frita, couve e arroz. Já a tradicional vaca atolada é a costela de boi ensopada com mandioca, couve e arroz. Se o tempo estiver firme, vale a pena tentar uma das mesas do jardim – atenciosos e muito ágeis, os garçons conseguem amenizar a espera nos almoços de sábado e domingo, quando uma multidão já começa a petiscar e bebericar cachaças artesanais na calçada. Encerre o repasto: com doce de leite ou cocada cremosa, ambos maravilhosos.

Rua Machado Bittencourt, 75 – Vila Mariana, 5579-9686

Xopotó

A culinária mineira é uma das cozinhas regionais mais apreciadas pelos paulistanos – e isso se reflete no grande número de casas desse tipo na cidade. O Xopotó é uma das mais interessantes, com boa relação custo-benefício e um ambiente com ar de fazenda do interior de Minas. Há o tradicional mais conhecido (tutu, feijão-tropeiro, costelinha e frango ao molho pardo) e algumas pedidas interessantes, como o arrumadinho (lingüiça longa defumada, arroz, ovo, tutu e couve rasgada), a picanha caipira com farofa de maracujá e a costelinha com ora-pro-nóbis e angu. O doce de abóbora com coco é apenas regular – já o doce de leite com queijo é matador. Se não for guiar depois, aproveite o menu com mais de 50 cachaças mineiras.

R. Doutor Fadlo Haidar, 136 – Vila Olímpia, 3829-1267

Colher de pau

Carne-de-sol puxada na manteiga de garrafa com paçoca, banana frita, macaxeira e batata-doce. Moqueca de peixe e camarão com leite de coco, azeite de dendê e pirão. Tem também vatapá, peixada, feijão-verde, galinhada… Aqui, o sertão e o mar se encontram num cardápio repleto de especialidades do Nordeste brasileiro. Veja o cardápio inteiro, ignore a cafta, o filé à parmegiana, o franguinho com legumes e experimente o carneiro cozido com legumes. É macio, suculento e vem acompanhado de um encorpado pirão de carneiro. Se a vontade de comer a tradicional carne-de-sol falar mais alto, renda-se ao carpaccio. Versão com sotaque cearense na qual as lâminas da carne são cobertas por um vinagrete de coentro e queijo coalho ralado. Na hora do almoço, há sugestões do dia a preços atraentes, mas as receitas fogem da cozinha nordestina. Melhor é ficar com o cardápio e as fartas porções para duas pessoas.

R. Dr. Mário Ferraz, 563 – Vila Olímpia – São Paulo – SP

3168-8068 e 3168-2617

De eleições

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Setembro se despede chorando, enquanto as renas de Papai Noel esfregam seus cascos nas nuvens, indóceis no partidor. Os duendes, por sua vez, preparam a linha de produção da fábrica de brinquedos, para atender aos milhões de pedidos costumeiros. Dizem que o bom velhinho foi inspirado em São Nicolau, santificado por sua generosidade.

Se você tem menos de dez anos, as chances são de que ainda acredite em Papai Noel, e tem toda razão. Continue acreditando, e nem ouça o que vou dizer. Mas se tem mais de dez e já deixou de acreditar nele, pense comigo. Todo mundo já ouviu falar de ficha suja e ficha limpa, não é? Se você deve e não paga, seu CPF cai numa lista da ficha suja e aí, adeus cartão de crédito, adeus conta no banco. Claro, se o seu CPF atesta que você não é bom de crédito, nem um louco o daria a você. A não ser sua mãe.

Li alguma coisa a respeito, um dia desses. Um relatório da organização Transparência Brasil afirma que mais de trinta por cento dos políticos concorrendo a cargos de vereador, vice-prefeito e prefeito, na eleição deste domingo, tem ficha suja. Nas dez principais capitais da pátria amada, de cento e sessenta e seis candidatos a vice-prefeito e prefeito, cinqüenta e seis seriam barrados se quisessem abrir conta em bancos ou ter um cartão de crédito com seu nome estampado nele. Quer dizer que esses cidadãos pretendem que a gente vote neles e que lhes entregue nosso suado cofrinho?

Desculpe, mas tive que enxugar as lágrimas. Acabei chorando de rir. Ou será que ri de tanto chorar? Não importa, só sei que li também que, nos últimos cinco anos, o combate à corrupção estancou no Brasil. Nesse quesito, no cenário mundial, estamos lá pelo octogésimo lugar, acompanhados dos países a nossa volta. Os companheiros também não passaram na prova. Estamos todos abaixo de umbigo de cobra.

Onde quero chegar com isso? Na verdade eu ia escrever só para desejar a você um bom exercício de cidadania, neste domingo.

Ah, só mais um minuto. Lembrei que também li uma análise interessante dos projetos apresentados, nos últimos três anos, pelos vereadores ainda em exercício na cidade de São Paulo. Interessante para ser lido numa sexta-feira à meia-noite, se você for chegado no estilo. A informação que mais me chamou a atenção foi a que diz que 91.4 % dos projetos aprovados, apresentados pelos vereadores de São Paulo, não traz benefício algum à cidade. Agora, trocando seis por meia dúzia, só para não deixar dúvida, também diz que o percentual dos aprovados que trazem benefício à cidade foi de apenas 8,6%. E a conta fecha. E fecha sobre nós que seguramos a bandeira cada dia mais gorda e mais pesada. Acabamos com um nome de rua aqui, de uma pracinha ali e muito sorriso de Botox e de Photoshop. E nossa dignidade, de mãos dadas com nosso dinheiro, desaparece magicamente. Pluff! E todo mundo esquece que já teve um dia.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça este texto na voz da autora:

Maria Lucia Solla é professora e terapeuta, autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, publicado pela Libratrês, e escreve aos domingos aqui no blog.

Novos bares para curtir o fim da semana

E o fim de semana, também, conforme nossa Ailin Aleixo do “Época São Paulo na CBN”:

Consagrado

Ambiente escurinho – daqueles que mal dá pra ler o cardápio -, bom para namorar. Assim é o Consagrado, o antigo alemão G.U.T., que parece só ter mudado de cardápio. A casa continua agradável como antes: gente bonita, boa comida e janelões de vidro para observar toda a esquina. Dos fãs do bar anterior, os sócios deixaram a famosa batata rosti recheada com queijo brie, servida com mix de folhas e palmito e a Tudo Salsicha, servida com fritas, molho curry e molho gorgonzola. Os pastéis especiais de carne-seca e catupiry e queijo brie e damasco são finos, bem recheados e sequinhos. Além do chope claro e escuro, a carta de cerveja dispõe de dez rótulos importados e cinco nacionais. Os vinhos também são uma boa pedida, com rótulos chilenos, argentinos e um italiano. Apesar de haver uma discreta pick-up no salão, a música do bar é voz e violão às quintas, sextas e sábados.
R. Bandeira Paulista, 812 – Itaim-Bibi – São Paulo – SP
3073-1417

Santo Paulo

O novo bar do estádio do Morumbi é um presente aos são-paulinos. A vista para o campo é incrível e em dia de jogo o lugar literalmente ferve. Diversas TV”s de plasma foram espalhadas na extensão do ”camarote” assim, até o mais míope dos clientes não perde um lance no replay. Nas mesas que tem os sofás como encosto dá para jogar futebol de botão – porém, no dia da visita, só tinham botões do São Paulo – e todo o staff é uniformizado com a camiseta do time. Lá, até os sequinhos pastéis de cream cheese com calabresa são tricolores e o dizer do hino ”Tu és forte, tu és grande” está impresso no jogo americano da mesa. Ou seja, se você não for simpatizante do time, não passe perto do portão 1 do estádio! Os garçons são boa-praça e metade deles admite não torcer para o tricolor. Então, se você também não for torcedor e não se incomodar, é bem vindo. O cardápio tem boas opções como o ”quem manda no jogo” burger american com queijo cheddar, bacon, pepino em conserva e molho barbecue. Nas opções de chope: Sol, Xingu e Heinecken, porém, no dia da visita, o movimento havia sido grande e não deu tempo de trocar os barris
Praça Roberto Gomes Pedrosa, s/n. – Morumbi – São Paulo – SP
3742-4432

Elídio

Após quase três meses de saudades do grande balcão de acepipes do Elídio, as portas foram abertas novamente. Paredes branquinhas, luzes embutidas no teto de gesso, três TV”s de plasma e um novo mezanino. E é claro que o apoio para os mais de 80 tira-gostos tinha de ganhar um ”upgrade”: um balcão de mármore travertino. Com a iluminação direcionada, os jilós em conserva, polvos ao vinagrete, mariscos, lingüicinhas apimentada, picles, moelas de frango, azeitonas, palmitos, queijos e afins dão mais água na boca. Os garçons, que já eram bem humorados, parecem estar ainda mais empolgados com a mudança, afinal, a tradição do lugar continua. Nas paredes, as mesmas camisas de times autografadas, chuteiras e fotos antigas de futebol – grande paixão de Elídio Raimondi, dono do bar. No cardápio, a sardinha grelhada é das mais pedidas e a alheira frita também é deliciosa. O bolinho do Elídio (de carne, coberto com parmesão) é dos melhores petiscos da casa. E, no meio de tanta comilança é só não esquecer do bem tirado chopinho Brahma – claro ou escuro – afinal, a chopeira, apesar de ser igual a antiga, também é novinha em folha
R. Isabel Dias, 57 – Mooca – São Paulo – SP
6966-5805 / 6121-3097

Novos e bons buffets de almoço

Hoje, a Ailin Aleixo ajuda aqueles que buscam um bom lugar para almoçar com os amigos do escritório, os colegas de profissão e aquele executivo com quem se pretende fechar um bom negócio (se o negócio não for bom, pelo menos a comida será boa):

Origens

O restaurante, situado dentro do hotel Radisson Faria Lima, tem um caprichado bufê de almoço. A proposta da casa, chamada Origens, é misturar culinárias de todo o mundo. Por isso, é possível encontrar, no mesmo bufê, paella (bem preparada, com grandes camarões), siri mole, massas (que apesar de ficarem sobre um fogo fraco, não estavam ressecadas), tenros filés ao poivre, além de uma bem servida mesa de saladas, queijos importados e até uma macia lula defumada. As sobremesas vem em miniatura, super bem apresentadas. Destaque para o petit gateau (que apesar de ser um bolo com recheio macio, estava ótimo) e a tortinha de nozes. À noite o sistema é à la carte com pratos como o Risoto de Chorizo com Castanha Baru e mousse de caldo de cana com molho de pinga, acompanhado de cocada de rapadura amarela e polvilho.
Av. Cidade Jardim, 625 – Itaim-Bibi, 2133-5960

Fred Frank Gastronomia

Há cinco anos no comando de um bufê com o mesmo nome, o banqueteiro soube usar a experiência no ramo na hora de abrir seu primeiro restaurante. O salão foi montado no mesmo imóvel, em um espaço que estava ocioso, e ficou simplesmente um charme. Claro, banhado pela luz do sol, funciona somente no almoço de segunda e sexta e tem mesas arrumadas com capricho – convenhamos, talheres de prata e louça bonita são um pequeno luxo e deixam qualquer refeição mais agradável. A equipe, atenciosa e eficiente, também destoa da maioria dos restaurantes que adotam sistema de bufê. Os pratos exibem apuro na escolha de ingredientes e no preparo. Diariamente, há duas saladas (fresquíssimas), uma quiche ou torta, mais seis itens quentes – no dia da visita, o destaque era o arroz de pato enriquecido com cenoura, cebola roxa, alho-poró, abobrinha e escarola, delicioso. As guarnições são um capítulo à parte: cenourinhas glaceadas, gratin de couve-flor, crumble de alcachofra… Só o namorado com lentilhas destoava: apesar de gostoso e com molho abundante, o peixe não resistiu ao efeito do rechaud e ficou ressecado. As sobremesas são pedidas à la carte: o amargo de chocolate é uma musse bem aerada com redução de vinho do Porto, um pecado que vale a pena cometer.
Av. Juriti, 429 – Moema,3791-4198

Villa Lorena

Inaugurada em julho, a casa se propõe a ser um bufê de almoço com um molhinho a mais. Além da mesa de saladas, bem fresquinhas e com vários molhos à escolha, há uma boa variedade de pratos quentes – parte das receitas é preparada num enorme forno a lenha, herança de uma pizzaria que funcionava ali. Quem comanda a cozinha é o catarinense Volmar Zocche, especializado em assados de grande porte – por isso, é possível encontrar um baita pernil como opção. No dia da visita, a carne estava macia e saborosa, porém um pouquinho ressecada. O bufê também pode ter cordeiro assado, galeto ou galinha caipira, dependendo do dia. Toda sexta tem bacalhau e, aos sábados, é vez de feijoada com leitão assado inteiro. A mesa de sobremesas é farta, mas merece mais cuidado.
Al. Lorena, 138 – Jardim Paulista, 3884-0803

Salgadinhos grã-finos abrem a semana

Ailin Aleixo está impossível neste começo de semana. Sempre pronta para duas ou três dicas, traz hoje cinco endereços onde você ao sentar à mesa deve superar a tentação de ir logo aos pratos tradicionais. Dê uma olhadinha nesses salgadinhos:

Mestiço– a chef Ina de Abreu é uma das únicas na cidade a fazer empadinhas. Este clássico da cozinha ganha recheio mais chique, de alho poró, e vem em tres unidades (R$ 12,90)
R. Fernando de Albuquerque, 277, Consolação

Capim Santo– O cardápio de salgadinhos da criativa chef Morena Leite torna a escolha realmente difícil. Além de uma curiosa coxinha de batata doce com faisão, tem croquete de pupunha com molho de limão cravo e paltelzinho de pato com molho de pitanga. As porções variam de R$ 23 a R$ 26.
Al. Ministro Rocha Azevedo, 471, Jardim Paulista

Tordesilhas– Entre os acepipes da Comissão de Frente, que reúne diversas entradinhas, está o bolinho grelhado de pernil, com interior rosado, imerso no tucupi (R$ 12).
R. Bela Cintra, 465, Consolação

Bananeira– Especialista em comida brasileira, o chef Mauricio Ganzaroli recheia seus pastéis com moqueca de camarão (R$ 19, a porção)
R. Marechal Hastimphilo de Moura, 417, Morumbi

Julia Gastronomia- Especialista no manejo de forno a lenha, a cozinha prepara deliciosos pastéis assados. A porção traz quatro unidades, duas de cogumelos com pato e duas de berinjela com queijo de cabra.
R. Araçari, 200, Itaim