De Valentina dos Mil Encantos

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Nome lindo, não é? Pois é assim que chamo o filhote de Shih Tzu que acabo de adotar. Acabo é modo de dizer. Já estamos dividindo alguns espaços e compartilhando outros, há dezessete dias. E tem sido um período intenso de descoberta, aprendizado, erro e acerto. Aos montes. Dos dois lados.

Às Valentinas humanas que se sentirem ofendidas pelo empréstimo do nome, peço que me perdoem, mas penso que deveriam se sentir envaidecidas. É um dos nomes mais fortes que conheço. Ele alia a força masculina (yang) à sedução feminina (yin). É assim que espero que ela seja. Completa. Equilibrada.

Hoje, minha pequena Valentina completa três meses de vida. Noventa e dois dias. É linda – corujice à parte. Tem o olho esquerdo ligeiramente de esguelha, observando o leste, enquanto o direito fica firme no sul. Com isso, ela consegue observar quase todas as coordenadas aqui de casa, por onde posso me movimentar e quem sabe desaparecer. Mesmo que eu pise macio, de meias ou descalça, tentando não chamar a atenção, ela percebe o movimento e se põe alerta. Difícil não pisar numa de suas patas ou no rabinho. Quando me dou conta de que ela não está ao alcance dos meus olhos, busco e… Cadê? Nada. Dou um passo e quase piso de cheio nela. E ela? Nem se abala. Corre pelo jardim, desvenda mistérios, cheira aqui, cheira ali, pega uma folha do chão, dá piruetas, corre e derrapa, e volta correndo para mim, para mostrar que vai tudo bem.

Antes que eu me esqueça de dizer; o apelido dela é Buda-Ninja.

Valentina não fala a minha língua, e nem eu a dela. Vamos aprendendo, aos poucos, o significado de gestos e movimentos. Gestos e movimentos têm cor, têm som. Isso eu vejo melhor, agora. E ainda faço reverência cada vez mais respeitosa à Comunicação. Se eu disser a ela, não faça isso, Valentina, que eu não gosto, e isso não é para você, ela acha que estou cantando para ela e fica toda satisfeita. Eu de dedo em riste e ela pulando para vir no meu colo. É capaz de repetir o que gerou a bronca, só para ouvir de novo a melodia.

Ninguém pensou em nada, não é? Não soou nenhum sininho…

Aprendi que um – que linda! -, acompanhado de um sorriso, a faz entender que o que fez foi bom. Um não, firme, com voz dura e o olhar no mesmo tom, resolve melhor do que um compêndio inteiro de psicologia canina. Sou nova nesse campo, mas entrei de cabeça. O que estou aprendendo, não está à venda, não! Portanto, a tudo que puder me trazer um sabor amargo na boca, NÃO, com uma baita careta. A tudo o que puder me trazer alegria, SIM, com um enorme e doce sorriso.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça este texto na voz da autora:

Esta gravação foi possível graças ao trabalho do Luiz e da Saiang, no Estúdio LP

Maria Lucia Solla é professora de inglês e terapeuta, escreveu o livro “De bem com a vida mesmo que doa”, publicado pela Libratrês, nos acompanha todo domingo aqui no blog e conversa com todos que deixarem mensagem para ela

Quinta é dia de feijoada, sim senhora !

Pelo menos no bate-papo da Ailin Aleixo, no “Época SP na CBN”:

Feijoada da Bia

Bia Braga age mesmo como uma boa mineira: há três anos, sem muito alarde, abre seu bufê somente aos sábados para uma concorrida feijoada com chorinho ao vivo. Sem tabuleta na porta, num canto obscuro entre a Barra Funda e Santa Cecília, o lugar vive cheio. Não chega a ser barato, mas os R$ 42 por pessoa dão direito a caldinho de feijão, porção de mandioca frita e feijão com carnes separadas, à escolha do freguês – tudo com reposição à vontade. Para quem não gosta de feijão, a opção é o bobó de camarão (mas esse vem empratado). A carta de cachaças é das melhores, com ênfase nos rótulos mineiros, mas o menu de sobremesas ainda requer atenção: os doces brasileiros não estão à altura do feijão.

Rua Lopes Chaves, 105 – Barra Funda – São Paulo – SP
3663-0433

Feijoada da Lana

Há doze anos a russa Lana Nowikow transformou a feijoada que preparava para os amigos em um bom negócio, hoje administrado pela filha Luísa. Durante a semana, a casa até serve uma opção de prato do dia a R$ 16: pode ser picadinho, moqueca de cação ou abóbora com carne seca, entre outros. Mas o grande atrativo é mesmo o feijão, sem gordura em excesso, servido de segunda a segunda. O tempero é sempre um primor – pena que o caldo não estava cremoso como de praxe no dia da visita. Nos fins de semana e feriados, o bufê custa R$ 44 e inclui petiscos, sobremesas caseiras, batida de limão e cachaças artesanais à vontade. Nos outros dias, sai pela metade, mas todos os extras são cobrados à parte.

R. Aspicuelta, 421 – Vila Madalena – São Paulo – SP
3814-9191

Pizzas com coberturas criativas

A variedade do mais popular prato de São Paulo não tem fim. Sempre aparece alguém para oferecer novos sabores à pizza como destaca Ailin Aleixo, do “Época SP na CBN”:

O Mellão (Hamilton Mello Júnior) da I Vitelloni é imbatível quando o assunto é pizza criativa. Reza a “lenda” que ele inventou a pizza de tomate seco com mussarela de búfala e rúcula, que caiu no gosto do povo e hoje é quase que obrigatório nos cardápios das pizzarias. Novidades é o que não faltam no cardápio dele. Tem pizza de minipolpetta com molho de tomate, de endívia com queijo brie e azeite trufado e até massa feita com cerveja ele inventou. A massa de cerveja tem um gostinho mais amargo e ganha uma consistência crocante depois de assada.

Virou moda cobrir a massa de pizza com combinações consagradas de outras culinárias. Por exemplo, o molho carbonara virou cobertura de pizza na Bráz (combinação de pancetta, pimenta-do-reino, ovos e espremidos e queijos grana padano e pecorino). Assim como a ponto chique (do famoso sanduíche – queijo fundido com lagarto e pepino em conserva) sobre a massa da Oficina de Pizzas. Tem também a pizza de confit de pato com alho no vinho e pimenta verde, uma inspiração francesa que virou cobertura na pizzaria Floriano.

No capítulo das frutas: pizza de manga com folhas, alho-poró e castanha (da Leona); de figo com vinagre balsâmico, presunto cru e ricota defumada) (Floriano) e a de maçã verde, com queijo brie, rúcula e peito de peru (Brascatta)

Anote os endereços:

I Vitelloni- R. Conde Silvio Álvares Penteado, 31, Pinheiros, 3819-0735

Braz- R. Vupabuçu, 271, Pinheiros, 3037-7975

Oficina de Pizzas- R. Purpurina, 517 , Vila Madalena, 3816-3749

Leona- R. Constantino de Sousa, 582, Campo Belo, 5096-3000

Floriano- R. Joaquim Floriano, 466 – Itaim-Bibi, 3079-3500

Brascatta- R. Passo da Pátria, 1.685, Lapa, 3835-5159

Novos e gostosos

Ailin Aleixo arrisca nas novidades e se dá muito bem. Estas são as sugestões que ela trouxe ao “Época SP na CBN”, deste terça-feira

Curry – cozinha indiana

Formada em hotelaria, Manuela Narvania se especializou em comida indiana depois que se casou com um empresário de lá. Abriu um bufê, ficou famosa no boca-a-boca e, finalmente, abriu seu próprio restaurante em meado de junho. A escolha do ponto não foi muito acertada, uma rua escondida no Morumbi, com numeração atrapalhada que engana até o Google Maps. Mas vale a pena procurar. O salão é pequeno e decorado com simplicidade, mas a cozinha de Manuela ganha até dos indianos autênticos da cidade. O cardápio contempla diversas regiões da Índia, dos assados no forno tandoor aos pratos vegetarianos. Comece com uma cestinha de pão nan fresquinho e siga beliscando as samosas, pasteizinhos com recheio de carne ou de legumes – os dois são picantes, mas sem exagero. O murg shahi korma, frango com molho cremoso e castanhas de caju, estava simplesmente maravilhoso, assim como jhinga coconut, camarão ensopado ao molho de coco, de textura impecável. Ambos combinaram muito bem com o kesari pullao, arroz vermelhinho de especiarias. O capítulo das sobremesas é curto, mas interessante. Além de arroz doce, o khir, tem sempre presente gulab jamun, bolinho de leite em calda de pétalas de rosas, muito bem feito sinal. A surpresa, porém, é o halwa, um incrível doce cremoso de cenoura temperada com cardamomo. Ainda não acabou: para fechar com chave de ouro, não deixe de pedir uma xícara de chá indiano com especiarias.

R. Barão de Melgaço, 636 – Morumbi – São Paulo – SP
3567-2777

Casalinga- cozinha italiana

De tanto ver os clientes comendo de pé na calçada, a família Franciuli, que administra a centenária Padaria 14 de Julho, decidiu abrir uma cantina no imóvel ao lado, que funciona somente de sexta a domingo. Vale ir até lá pelas receitas italianas, as mesmas vendidas nos panelões da padaria, tudo muito simples, com gostinho de comida caseira. As entradas são oferecidas num bufê a quilo. As massas são artesanais: o orecchiete pode vir na companhia de um suculento polpetone. Tem também perna de cabrito com brócolis e batatas, em porção generosa que dá para três, e um imperdível pernil, assado no vinho durante catorze horas. Pena que os donos não tenham caprichado na ambientação da cantina. O salão de 50 lugares, com decoração fria e mal-ajambrada, não reproduz a atmosfera antigona e acolhedora da padaria. O serviço também deixa muito a desejar.

R. 14 de Julho, 76 – Bela Vista – São Paulo – SP
3105-3215

Le Bou- cozinha variada

O restaurante, que só abria para o almoço, passou por um banho de loja e agora funciona também no jantar.Cuida da cozinha o talentoso chef Zé Bella Cruz, que vem da equipe de Sergio Arno. Há duas opções no cardápio: os pratos delicados, que vem a ser as entradas, e os pratos de resistência, osprincipais. Na primeira lista figuram omeletes recheadas com salada, quiches, rosbife com legumes grelhados e tartar de salmão, entre outros. Na segunda, entram uma série de massas e risotos, além de receitas moderninhas, como peito de pato com molho de uva e purê de mandioquinha, medalhão com cestinha filo recheada de creme de pupunha e o ótimo peixe do dia, com molho de gengibre e shoyu, acompanhado de crepe gratinado de cogumelos.

R. bandeira Paulista, 387, Itaim-Bibi – São Paulo – SP
3078-6704

De cinema

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Lá se vão sete anos que tenho passado quieta, reflexiva, e encastelada. Mas o que vejo lá longe? Aqueles vultos acenando lenços brancos, seriam os últimos meses do meu último ciclo de sete anos, se despedindo? Suspeito que sim; afinal, é tempo de mudar. A lua está crescendo, a primavera chegando e o sol começando a se mostrar sem muito pudor. Numa tarde gostosa, ao pôr-do-sol, lembrei de ter comparado a vida a uma trama de romance, num texto que escrevi em maio de 2006. Vou repeti-lo aqui, não por falta de assunto, mas pela importância do olhar para trás para avaliar a própria vida.

Aqui vai o texto:

Tenho andado muito quieta e pensativa. Fase de reavaliação de vida; sabe? De vez em quando é bom; é saudável. Na quietude, cheguei a uma imagem que tem me ajudado muito e que gostaria de compartilhar com você. Imagine que sua vida é um filme, e você, o protagonista de sua própria história. As pessoas que contracenam com você são apenas representações de si mesmas porque o verdadeiro eu de cada um só pode estar num único lugar, no seu próprio filme, protagonizando e produzindo o espetáculo. Quando não estão com você, continuam a atuar em seus filmes, contracenando noutros, e assim, infinitamente. Cada um tem seu próprio enredo, e interage e faz papéis pequenos ou de grande importância, em filmes alheios.

Não podemos perder de vista o fato de sermos coadjuvantes no filme dos outros, porque só podemos protagonizar nosso próprio filme. Quando alguém é agressivo com você, está apenas interagindo com mero representante seu e não com o verdadeiro eu. A cena se passa no filme desse alguém enquanto no seu próprio filme você pode se relacionar com as pessoas, da maneira que escolher – agredindo e se defendendo, entrando de cabeça no script deles ou escolhendo o seu papel e sendo fiel ao seu personagem e respeitando o personagem do outro.

Cheguei à conclusão de que prefiro escolher o papel do mocinho, do valente, do divertido, do artista, do idealista, do herói, do feliz, do realizado e satisfeito. Abro mão do papel de bandido, mal-humorado, ignorante, desesperançado, infeliz e insatisfeito. Percebo cada dia melhor minha responsabilidade pelas escolhas que faço e compreendo que o ensaio é o único caminho para uma excelente representação. Portanto, primeiro preciso decidir que papel quero representar no filme da minha vida e depois preciso ensaiar com dedicação e disciplina. Não me satisfaz um personagem medíocre; uma atuação de segunda linha.

Fomos treinados a reclamar de tudo que acontece contra nossa vontade e a reclamar daquilo que não acontece, apesar do nosso desejo. Precisamos cuidar mais da qualidade do nosso filme. Atenção especial para os cenários, para aparência pessoal e, principalmente, para a continuidade e a coerência do personagem. Belo desafio, não é?

Pois bem, vinte e sete meses se passaram e estou saindo da toca, satisfeita com o andamento do meu filme. E o seu; como vai? É sempre bom lembrar que o filme de ninguém deve ser mais importante nem mais apaixonante do que o seu. Divirta-se. Faça o melhor filme que puder.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça este texto na voz da autora

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Todo o domingo escreve aqui no blog a espera de dividir com você conhecimento e emoção.

Hora de conhecer novos bares de São Paulo

Com a proximidade do fim de semana, Ailin Aleixo, no “Época SP na CBN”, sugere novidades no roteiro gastronômico da cidade:

Bar do Santa

Quem esperava inovações no restaurante Santa Gula, a grande mudança de estilo veio no novo Bar do Santa. Amplo e com jeitão moderno – porém simples – o bar foi montado em um galpão sem o clima romântico do vizinho. A casa engatinha e ainda ganha clientela com boas e bem executadas opções no cardápio. O croquete mole do arbel, crocante por fora e com recheio molinho de queijo vem seis unidades e, se você estiver em quatro pessoas, melhor pedir duas porções (é bom demais). Nas opções de escondidinhos foram criadas algumas variações como, por exemplo, o dos Índios Mapuche: feito de frango e milho, com gosto levemente adocicado. Delicioso. No bar, a novidade é o chope Baden Baden Bock e Cristal, de Campos do Jordão, além do Primus e Nova Schin. A caipirinha fruto proibido – maçã, morango, cravo da índia e canela – tem um gosto exótico. Se você é fã de canela, não deixe de pedir.

R. Fidalga, 330 – Vila Madalena – São Paulo – SP
3812-7815

Bar do Nico

Em um iluminado casarão, com uma fonte logo na entrada, há oito anos o bar exala bom gosto em todos os quesitos. Dentro dele, grandes armários de madeira, um balcão suntuoso e portas e janelas ornamentadas. Dividido em varanda e dois salões, garçons cordiais desfilam por seus espaços. Os canapés feitos ali mesmo, à vista da clientela, são premiados. D.Pedro I traz lingüiça defumada moída e mostarda. Já o José Bonifácio oferece pasta de gorgonzola e presunto copa. Dentre as oito opções, é possível escolher duas para montar o prato. O tradicional bolinho de bacalhau é vendido por unidade ou em porções com 12. Bem recheado e com massa leve, a pedida é um acerto. Para bebericar, chope Brahma com colarinho e temperatura ideais. Já a caipirinha pode vir na positiva combinação de kiwi, morango, uva e maracujá. Casais com mais de quarenta dividem espaço com grupos formados só por mulheres e turmas animadas. Às quartas e aos sábados, a feijoada comanda a hora do almoço.

R. Moreira e Costa, 583 – Ipiranga – São Paulo – SP
2273-4811

Girassol

O antigo Arnesto Discos passou por uma repaginada geral e reabriu com nome e equipe novos. Continua o quintalzão coberto, com mesas espalhadas nos dois níveis do salão e um bar ao fundo. As pizzas, leves e saborosas, dividem os holofotes com uma original carta de caipirinhas. A da casa, ótima pedida, leva limão siciliano, maracujá e menta. O bar, aliás, é a grande obsessão do novo dono, que trabalhou como barman no Spot nos anos 90. O cardápio traz pequenos achados, como a beringela ao forno com rodelas de tomates frescos e parmesão gratinado. A partir deste mês, a casa deve abrir também para o almoço com outras opções de pratos.

R. Aspicuelta, 251 – Vila Madalena – São Paulo – SP
3819-9009

A releitura dos clássicos da nonna

Pense em restaurante italiano e logo virá a imagem das cantinas tradicionais. Ailin Aleixo, do “Época SP na CBN”, está aqui para provar que tudo pode mudar, se transformar, principalmente se estiver no Itaim:

Vino!

É cantina sim, e das chiques. Nada de camisas de futebol penduradas no teto ou toalhas xadrez. A entrada é pela loja de vinhos, com tintos, brancos e espumantes ao alcance das mãos. O cardápio segue na contramão das casas do Bixiga e leva a assinatura de Rodrigo Martins, também sócio do vizinho Pomodori. Os preços são menos salgados que os praticados na casa-mãe e as porções não têm o padrão cantineiro, de tamanho gigante para dividir com a família. Mas a fartura reina num rodízio de massas servido no almoço. Inclui salada, frango à passarinho, polenta frita, nhoque à bolonhesa, espaguete, risoto… São sete pratos para comer à vontade. No jantar, o cardápio traz receitas com jeitão caseiro, como a polenta com ovo caipira e caldo de carne. De fabricação própria, há massas como o ravióli de robalo ao molho de manjericão. Não tem carta de vinhos: o cliente escolhe a bebida direto na prateleira da loja – e paga o preço da importadora.

R. Professor Tamandaré de Toledo, 51 – Itaim-Bibi – São Paulo – SP
3078-6442

Sallvattore

O estilo mediterrâneo da decoração, as mesas de madeira e o grande forno no meio do salão (da onde saem gostosos paninis e pizzas) dão ao Sallvattore um tom descontraído, que em nada afeta seu ar classudo– apenas o torna mais aconchegante. Se seu paladar for afim com sabores fortes, prove a linguicinha cipollata flambadas na grappa e a polenta mole com gorgonzola. Entre a vasta gama de pratos principais– que incluem fartas porções de carnes, aves, massas, risotos, pizzas e paninis– o tagliatele aos quatro cogumelos ao creme estava equilibrado e saboroso. O linguado grelhado com molho de uvas e amêndoas com risoto ao prosecco estava suculento e não pesou a mão na doçura. A carta de vinhos, bem elaborada e com ótimas dicas, não deixa ninguém perdido nem de bolso vazio.

R. Salvador Cardoso, 131 – Itaim Bibi – São Paulo – SP
3078-8686

Due Cuochi Cucina

A carreira do Due Cuochi foi meteórica. Em apenas três anos, a cozinha do chef Paulo Barros faturou prêmios e passou a figurar entre os melhores restaurantes italianos de São Paulo – e olha que não são poucos. O que mais encanta no lugar é a simplicidade aliada à boa cozinha. O ambiente é pequenino, despojado e sem afetações, o que torna a experiência ainda mais agradável. Para o almoço executivo, há sempre três opções de pratos simples – o ravioli de queijo de cabra e ricota de búfala, servido às segundas, desmancha na boca – e uma boa seleção de vinhos em jarretas com ótimo custo/benefício. No jantar, crescem as opções e também a sofisticação das receitas, como a codorna recheada de legumes e cogumelos ao molho de tamarindo com risoto de parmesão

R. Manuel Guedes, 93 – Itaim Bibi – São Paulo – SP
3078-8092

Comida judaica, muitas delícias pouco conhecidas

Ailin Aleixo, nossa comentarista do “Época SP na CBN”, prepara um cardápio excepcional nesta terça-feira. Acompanhe:

Adi Soshi DeliShop

O clima é de almoço na casa de amigos. Os clientes vão chegando, cumprimentam os donos como se fossem velhos conhecidos e ocupam seus lugares. Shoshana e Adi Baruch, os proprietários, circulam acelerados pelo salão para dar conta dos pedidos. Há dois menus: um judaico e outro contemporâneo– vá direto ao que interessa e escolha um dos pratos típicos. Há Gelfite fish (bolinho de peixe), vareniques (“raviólis” de batata) e frango ao mel com batata. É um dos poucos restaurantes da cidade que preparam receitas romenas, como o mititei (espécie de cafta com alho) e ikra (patê de ovas de carpa, servido com azeitonas e cebola crua). Os doces são incríveis , O creme de caramelo tem a quantidade exata de açúcar e derrete na boca.

R. Correia de Melo, 206 – Bom Retiro, tel.:3228-4774

Centro de cultura judaica

Para entrar, primeiro a bolsa passa por uma esteira de raio-x, daquelas de aeroporto. A segunda etapa é uma porta de ferro pesadíssima com uma câmera focada no indivíduo. O restaurante fica dentro do Centro de cultura judaica, e quem é da colonia já está acostumado com o esquema. As mesas ficam num salão agradável, com pé-direito alto. O bufê é simples, porém traz receitas bem feitas. As melhores opções são o patê de ovo, o arroz sete grãos e o gefilte fish. Torça para ter quiche– é um dos mais macios da cidade. Aos domingos, monta brunch típico.

Rua Oscar Freire, 2500 – Sumaré, tel.:3065-4344

Ak delicatessen

O restaurante de Andrea Kaufmann é minúsculo e lota em questão de minutos, não importa o dia da semana. O sucesso é mais do que justificado. Com talento incomum, a chef consegue dar cara nova à culinária judaica, ao mesmo tempo em que reverencia ingredientes e modos de preparo tradicionais. Os vareniques, espécie de raviólis de massa bem levinha, são um bom exemplo. Na cozinha de Andrea, eles entram em combinações simplesmente geniais – vale a pena apostar no menu degustação, que traz uma unidade de cada sabor, e pedir repeteco da versão com recheio de batata-doce e molho de hadoque. O cardápio de pratos principais é reduzido e caprichado. A vitela em milanesa de especiarias estava um tanto seca, mas o robalo em crosta de zátar e molho cremoso de limão ficou na memória. Nem pense em sair de lá sem experimentar a sobremesa batizada de pain perdu, que mistura pão challah e frutas assadas em creme inglês. Divina.

R. Mato Grosso, 450 – Higienópolis, tel.: 3231-4497 / 3129-7359

Muito acima da média

Os melhores e mais charmosos bufês de café-da-manhã da cidade – e bem longe do barulho das megapadarias, estão nas sugestões de hoje da Ailin Aleixo, comentarista do “Época SP na CBN”:

La Table O &co.

É disparado um dos cafés-da-manhã mais bacanas da cidade. A começar pelo ambiente: há mesinhas no pátio dos fundos dos restaurante, onde bate o sol fraquinho da manhã. A mesa de acepipes é incrível. Tem cerca de 40 itens, com destaque para os pães a base de azeites, os muffins produzidos lá mesmo e a granola que a chef Clo Dimet prepara pessoalmente. Ainda inclui sucos, docinhos e uma bebida quente.

Rua Bela Cintra, 2023- A, jardim paulista, tel.: 3064-4433
Preço: R$ 22 por pessoa. Sáb. e dom., 9h/13h

Pain et Chocolat

O misto de café e confeitaria fica numa esquina arborizada, com direito a mesinhas na calçada e jardim de inverno– são essas as mesas mais disputadas. Pães artesanais e docinhos caprichados são a especialidade da casa e tomam conta di bufê– não deixe de provar os deliciosos muffins. Ainda tem muitas frutas, frios e bebidas quentes.

R. Canário, 1301, Moema, tel.: 5094-0550
Preço: R$ 19,90 por pessoa. Sáb. e dom., 8h30/14h

Paris 6

O lugar é gostoso, com mesinhas na varanda, e a mesa é farta e bastante variada: tem ovos mexidos, sucos, pães, ótimos croissants, bolos fofinhos, macarons, frios, frutas e bebidas quentes.

R. Haddock Lobo, 1240, Jardim Paulista, tel.: 3085-1595
Preço: R$ 18 (seg a sex) e R$ 25 (sáb e dom) por pessoa
Seg. a sex., 8h/12h; sáb. e dom., 8h/13h

Canto da Cátia: Ela voltou de olho no buraco

Depois de longa e merecida ausência – estava na Suécia, onde foi receber prêmio internacional de jornalismo -, Cátia Toffoletto volta a circular pela cidade de olho nas barreiras que se encontram no caminho do paulistano. A de hoje está na Marquês de São Vicente, próximo do viaduto Antárctica (o que ela fazia perto do Palmeiras ?). O cavalete alerta aos motoristas para o buraco que se transformou este bueiro, perigo às rodas e aos pedestres como saliento Cátia.