Por Maria Lucia Solla
Olá,
Peço licença aos astrólogos de plantão para falar de Saturno. Primeiro porque sou curiosa, e depois porque o assunto é fascinante. Segundo a astrologia, Saturno é o planeta que rege o comportamento dos nascidos sob o signo de capricórnio; e nenhum verbo combinaria melhor com esse Velho Senhor – o planeta, não o capricorniano. Da forma como percebo, reger, no caso dos planetas, é oferecer ao regido seus domínios, apresentar-lhe os aposentos, pontuar as regras de convivência e deixar que fique à vontade, na ilusão de que ilude o anfitrião, quando está transgredindo. Saturno é paciente, até porque tem todo o Tempo disponível, mas quando reage, deixa bem claro quem é que manda e esfrega-lhe as regras de convivência no nariz. Interessante lembrar que meu pai usava métodos muito parecidos. Também ele era conhecido por afrouxar a corda até o limite – dele; nunca o da corda – e de repente ZUM. Dava um puxão, sem direito a aviso nem explicação. Que não me deixe mentir, meu único irmão.
Mas, voltando a falar de Saturno, ele disponibiliza as ferramentas certas para que seus regidos aprendam principalmente a lidar com o Tempo. E não é de admirar, porque ele é conhecido como Senhor do Tempo. Para mim, romântica que sou, ele é o Super-Homem do Zodíaco. Seria capaz de rodar a terra ao contrário, para desmorrer seu grande amor.
Evidentemente que reger o comportamento de uma fatia da população não é, na galáxia, sua única função. Ele sai para fazer sejam lá quais forem suas tarefas quando não está por perto, mas tudo no seu reino é disposto de forma a lembrar seus hóspedes, de metas como Sucesso, Autoridade, Família e Tradição nessa ordem, para não dar lugar a suposição.
Saturno é severo. Não admite desordem, imprudência, nem loucas aventuras. Para estar com a conta zerada na estadia saturnina, haja firmeza. É nos seus domínios que circulam reis e vencedores, de espinha dorsal inquebrantável, mas generosamente flexível. Ele é especialmente temido o planeta, não seu regido porque quando resolve cobrar responsabilidade, não vem com chamego, não. É zeloso e paciente, mas quando encrespa, gira os anéis como chicotes, e sabe cobrar. Claro, é possível fingir que nem se está percebendo, e ignorar o alerta interno, que vem antes das chicotadas, mas cada um paga o preço que pode e quer pagar. Nas lojas e na vida. Certo?
Agora, se você for atento, vai perceber que existe um véu de melancolia, timidez e romantismo, no fundo do olhar dos filhos de Saturno. Mesmo quando estão rindo, o véu fica lá, assistindo.
Eu estou em dívida com o meu regente, e você; já olhou em volta para saber como é a casa do seu regente? Vale a pena, mesmo que não acredite nessas coisas.
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.
Ouça este texto na voz da autora:
Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro De bem com a vida mesmo que doa, lançado pela editora Libratrês, escreve todos os domingos aqui no blog e adora conversar com os ouvintes-internautas que deixam comentários logo abaixo.