Paellas na mesa ou no sofá

A comentarista do “Época SP na CBN” Ailin Aleixo começa a semana embalada pela gastronomia espanhola:

Toro

Não espere do chef madrilenho Julian Gil os arroubos criativos que fazem a fama da culinária espanhola contemporânea. O cardápio está muito mais para o clássico, com uma ou outra pitadinha de inovação: paellas, parrilladas e zarzuelas são o carro-chefe. O arroz da paella marinera estava um pouco seco, porém bastante saboroso. Saindo dos frutos do mar, há poucas opções – o prato de cordeiro ao molho rôti, que assa durante seis horas, desmancha ao ser garfado e traz como guarnição uma ótima farofa de jamón. Quem ficar no couvert e nas tapas não se arrepende: esparrame-se no sofá, peça uma sangria e prove os chipirones encebollados, lulas grelhadas ao molho rôti e cebola, simplesmente sensacionais.

R. Joaquim Antunes, 224 – Pinheiros, tel.: 3085-8485

Don Curro

Era uma vez um toureiro espanhol que se casou com a neta de uma cozinheira do Palácio Real de Granda. Os dois vieram parar no Brasil e inauguraram um restaurante. Essa é a história de Francisco Rios Dominguez, o Don Curro, e de dona Carmen, que em 1958 criaram a casa espanhola que leva o nome de guerra de Francisco, Meio século depois, sob administração da segunda geração, o lugar permanece imbatível em sua categoria. Da enorme cozinha, visível do salão, saem pratos gigantes de sabor inigualável. Os calamares rellenos de Dona Carmen são lular inteira recheadas com polvo, vieiras, cebola e tomate, tudo refogado em vinho branco. A estrela da casa,contudo, é a paella especialmente na versão com lagosta– os bichos são criados em aquários dentro do restaurante. O preço é salgado (R$ 248), mas a porção alimenta até quatro pessoas.

R. Alves Guimarães, 230, Pinheiros, tel.: 3062-4712
Delivery- 3062- 4712

De construção e desconstrução

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Os indivíduos da nossa espécie levam cerca de nove meses, sem contar os acidentes de percurso, para chegarem até esta ilha planetária. Passamos a viagem toda, a bordo, confinados num compartimento muito menor do que poltrona de avião em classe turística e ainda tem vezes que precisamos ser arrancados à força de lá de dentro. Mistério…

Aterrissamos amassados, assustados, xucros e reclamando; e partimos não muito diferentes. Às vezes chegamos como presente e noutras como provação. Mistério…

No desembarque, aparentemente sem bagagem nenhuma, na primeira puxada de ar, no primeiro contato com a atmosfera daqui, sofremos uma espécie de amnésia, dispositivo não opcional da nossa configuração. Alguns chegam com esse dispositivo desbloqueado e acabam sendo venerados por desvendarem o desconhecido, mas a maioria vem formatada assim, com memória insuficiente ou, propositadamente, com dispositivo de segurança; quem sabe. Esquecemos quem somos e por que viemos, mas não tenho idéia do porquê. Quem sabe é para exercitarmos a imaginação e para criarmos, cada um de nós, o que desejamos ser e o que queremos fazer durante nossa estadia aqui.

Chegamos muito parecidos uns com os outros, e isso me faz acreditar que viemos do mesmo lugar. Indícios de que tenhamos o mesmo objetivo durante a estadia e o mesmo destino ao final dela existem, mas provas não há. O bilhete é de ida e volta. Gostando ou não daqui, você volta. Compulsoriamente. Vai embora. Por vezes o indivíduo é embarcado às pressas, sem tempo para se preparar, mas eu não entendo mesmo a razão de chegarmos nus e voltarmos vestidos. Hábito adquiridos, quem sabe.

Os que chegaram aqui antes, e principalmente os que solicitaram o nosso embarque, começam a acreditar que você é mesmo um presente, que pertence literalmente a eles, e fazem de você gato e sapato. Treinam você, educam você, alegam promover o seu desenvolvimento moral, intelectual, emocional e físico, e não se conformam se você não se enquadra. Ligam você na tomada deles. Se você quer ou não, se isso faz você feliz ou não, poucos se importam. Querem construir seres a partir dos seus moldes. Querem que você faça e seja o que eles não conseguiram, apesar de já estarem aqui há mais tempo. Vibram através das suas conquistas e daquelas de outros parceiros de viagem, mas nem pensam em perseguir as próprias. E aí a gente acha que é tudo assim mesmo, que a viagem é o que contam e o que mostram dela.

Uns se conformam e colocam sua viagem no piloto automático, mas para aqueles que gostam de dirigir, sempre há tempo. Sempre há esperança, uma vez que não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Portanto acredito que devamos nos desconstruir, de tempos em tempos. É saudável que mexamos os esqueletos, que saiamos da área pretensamente de conforto e que experimentemos alternativas, procurando descobrir do que é que precisa a nossa alma. Vou dar uma dica: se dói, o caminho está errado.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês, e todo domingo está aqui no blog.

A democratização da gastronomia

Ailin Aleixo, da Época SP

“À partir de 18 agosto, próximo sábado, até dia 31, acontece na cidade a Restaurante Week.
O evento, que nasceu em Nova York e hoje ocorre em mais de 100 cidades pelo mundo, visa dar acesso aos grandes restaurantes a pessoas que não tem costume ou dinheiro para frequentá-los usualmente. É também uma magnífica oportunidade de fazer uma ronda gastronômica gastando muito menos que o usual– todas as 50 casas participantes oferecerão menu de almoço (entrada+ prato principal+ sobremesa) a R$ 25 e jantar (entrada+ prato principal+ sobremesa) a R$ 39.

Aqui vão algumas delas: AK Delicatessen, Chakras, Nam Thai, Tête à Tête, Tarsila, La Risoteria Alessandro Segato, Obá… E é bom, antes de sair de casa, ligar para fazer reserva: em 2007, mais de um milhão de pessoas prestigiaram o projeto.

Para conhecer todos os restaurantes da Restaurant Week em São Paulo, e dar uma olhada em seus cardápios para o evento, acesse aqui.

O Restaurant Week está associado a responsabilidade social: no Brasil, a instituição que receberá as doações espontâneas dos comensais é a Ação Criança, que alimenta mais de 5000 crianças por dia, somente na capital paulistana. É só pedir para incluir R$1 a mais na conta”.

Vá ao hotel comer

Os hotéis não são apenas locais para hospedagem. A boa mesa também está à disposição como nos mostra a editora da Época SP, Ailin Aleixo, que de segunda à quinta, apresenta “Época SP na CBN”:

Eau

Acaba de entrar em cartaz o novo jantar do chef Laurent Hervé, com 23 pratos e dois menus-degustação. O francês assumiu a cozinha do sóbrio e elegante Eau no fim do ano passado, mas foi reformulando o cardápio aos poucos: primeiro veio o (caro) menu executivo para almoço, lançado em fevereiro, e só agora os pratos mais elaborados dos pedidos à la carte. Um dos pontos altos, servido nos dois horários, é o le bar, filé de robalo coberto com uma delicada camada crocante de pão de forma e mel. Ex-chef executivo do Maxim’s de Paris, Hervé anda encantado com os sabores brasileiros e já se rendeu à mandioquinha, à pupunha, ao cajá e à graviola, ingredientes que tem usado com propriedade – só falta achar o ponto do sorbet de pitanga, ainda amargo em excesso

Hotel Grand Hyatt– Av. das Nações Unidas, 13.301, Morumbi- tel.: 6838-3207

Tarsila

Restaurantes em hotéis– com raras exceções— tendem a ser sem graça e sem gosto. Mas o Tarsila está entre as raridades. Apesar da decoração ter aquele quê de lobby, o serviço simpático e bem treinado e o cardápio elaborado pelo chef Marcelo Pinheiro são argumentos mais do que suficientes para fazer não-hóspedes dirigirem-se ao hotel Intercontinental. A primeira vista arriscadas, as criações são de uma eficácia surpreendente, como o creme de caju com catupiry, frango defumado e erva cidreira e o origami de caranguejo com salada de brotos de machê. Cremoso, o risoto de lagostim ao pesto de rúcula e tuille de camarão tem tempero no ponto, que deixa transparecer o sabor dos tenros moluscos. Entre as sobremesas criativas e bem apresentadas, destaque para a deliciosa torta ópera com Mousse Cítrico e Açúcar Cruciante (lâmina de açúcar com sementes de pimenta da jamaica). Além do jantar e do almoço excutivo, o restaurante oferece, aos domingos, um brunch (R$ l95 por pessoa) com jazz ao vivo que inclui de steak tartar preparado na hora, ostras frescas até cortes especiais de carnes e estação de massas.

Hotel Intercontinental– Alameda Santos, 1123, Cerqueira César, te.: 3179-2555

P. Verger

Para chegar ao restaurante não há outro caminho: tem que passar pela recepção do hotel e subir dois lances de escadas (ou pegar o elevador). Depois disso, dá para esquecer que o P. Verger fica dentro do Sofitel. O salão tem um estilo próprio e ganha vida com a arte do fotógrafo parisiense Pierre Verger– daí o nome do restaurante. Quem domina a cozinha é outro francês, Patrick Ferry. Com base nas técnicas do seu país, porém contagiado pelos ingredientes do mundo, o chef apresenta um cardápio muito criativo. Bom começo, especialmente nas noites frias, são as sopas. A melhro delas é a de lentilha com pedacinhos de foie grass. Entre os pratos principais, o canelone de cordeiro não é o que se imagina. Trata-se de uma carne enrolada, recheada com tomate seco e queijo de cabra.

Sofitel– R. Sena Madureira, 1.355 – Vila Mariana, tel.:3201-0800

Portugueses e seus bacalhaus maravilhosos

Acompanhe as sugestõe do dia da Ailin Aleixo, do “Época SP na CBN”:

A Bela Sintra

Se você não curte lugares badalados, não vá ao Bela Sintra: ele é o restaurante do coração de várias celebridades (Hebe, Adriane Galisteu, Amaury Jr…) e seu salão fica constantemente cheio. Merecidamente. Há três anos, o chef Valderi Gomes comanda uma das melhores cozinhas portuguesas de São Paulo. Em suas panelas nascem suculentos bacalhaus, como o desfiado com batata palha e ovos, além de frutos do mar impecáveis (o lagostim aberto com purê e creme de queijo estava soberbo). Para acompanhar, reserve uma verba adicional e prove um bom vinho português da ótima carta. Caso você não dispense a sobremesa por nada, muita calma: apesar de corretas, não são mesmo o forte da casa.

R. Bela Cintra, 2325, Jardins, tel.: 3891-0740

Ora pois!

Nem sempre culinária portuguesa significa um desastre na carteira. Um bom exemplo é esse simpático restaurante, comandado por três irmãos lisboetas, desde 2000. A casa tem um ambiente informal, bem decorado (até o banheiro é uma graça) e louça azulejada. O cardápio capricha no bacalhau (são sete tipos). O com natas (lascas com batata frita e creme branco à base de natas gratinado) vem bem preparado – já a porção de Gomes de Sá foi um pouquinho econômica no peixe. Há ótimas opções de vinhos portugueses, com preços camaradas (peça o Redondo, safra 2004, e seja feliz). Dois poréns: o bolinho de bacalhau leva batata (um pecado) e o atendimento é mais seco do que bacalhau de feira.

R. Fidalga, 408, Vila Madalena, tel.: 3815-8224

A Casota

Não se trata de um restaurante inspirado na culinária portuguesa. A casa de dona Milu é portuguesa autêntica, e das boas. Doceira de mão cheia, a proprietária começou a carreira modelando açúcar e gemas – e, até hoje, esse é o seu ponto forte. Entre as dezenas de sobremesas, uma mais sensacional do que a outra, destaca-se o dom rodrigo, espécie de trouxinha de fios de ovos. Depois vieram os pratos por encomenda e, finalmente, a casa de portas abertas, onde só se servem pratos típicos da terrinha. Prove o bacalhau duque de palmela, substanciosa mistura com camarões, queijo, creme de leite, batatas fritas e amêndoas. Ótimo. As opções de carnes também são muitas, com pratos tradicionais como dobradinha à moda do porto e favas guisadas à portuguesa. Convém esquecer a dieta.

Av. Miruna, 442, Moema, tel.: 5093-6751 e 5093-6329

Nossos poucos e bons alemães

A Ailin Aleixon, do “Época SP na CBN”, traz sugestões germânicas para aproveitar nossos poucos dias frios:

Bierquelle

O proprietário, Diathelm Maidlinger, nasceu na antiga Tchecoslováquia, cresceu na Alemanha e trabalhou na Suíça – e todas essas influências estão no cardápio da casa, inaugurada em 1984. Suas especialidades são as salsichas e lingüiças, fabricadas lá mesmo e pouco conhecidas por aqui. Os nomes são verdadeiros trava-línguas, como nürnberger rostbratwurst (minilingüiça de porco grelhada), tiroler rostbratwurst (lingüiça de porco tirolês com pimenta verde) e curryburst (salsicha de curry). A salada de batatas que acompanha alguns pratos é bem diferente da versão nacional: não leva maionese e chega à mesa quente, temperada com caldo de carne, pepino e toucinho. Os fondues de queijo, carne e chocolate são outro ponto forte do lugar, que tem decoração típica, quase cenográfica

R. Pascal, 608 – Campo Belo, tel.:5093-4327

Konstanz

Casa em estilo alpino com lambris de madeira nas paredes e toalha xadrez nas mesas. Basta a temperatura cair um pouquinho para os casais fazerem o pedido previsível: fondue. Mas o cardápio reserva uma cozinha muito mais vigorosa, com receitas germânicas como o eisbein (joelho de porco) e o gulash (cubos de carne ao molho de tomate com páprica e spätzle). Um bom começo é o bolinho de cerveja – na verdade, feito com chope claro, carne moída e bacon. Entre os pratos principais, prefira o kassler cozido ao grelhado, que perde a maciez depois de passar pela frigideira. Sugestão para paladares que apreciam sabores agridoces, o pato à Konstanz vem com molho de laranja, repolho roxo “temperado” com vinho, açúcar e canela e um purê de maçã exageradamente doce. Muito parecido com a compota que recheia o bom apfelstrudel.

Av. Aratãs, 713 – Moema, tel.: 5543-4813

Die meister stube

Localizado dentro do pequeno clube alemão Kolpinghaus, o restaurante de Helga Mathi tem dois ambientes distintos: um salão com decoração típica e um simpático jardim, muito agradável durante o dia. Adota o chamado cardápio internacional, mas vale mesmo pela cozinha alemã clássica: são pratos enormes, que alimentam duas ou três pessoas: o steak alemão é um hambúrguer picante gigante temperado com páprica, acompanhado com batata com bacon e cebolas. Tem também um rodízio, a R$ 65 por pessoa, que traz joelho de porco, salsichão, salsicha, chucrute e batata. Para sobremesa, vale pedir o apfelstrudel caseiro.

R. Barão do Triunfo, 1.213 – Campo Belo – São Paulo – SP, tel.: 5536-4982

De Iluminação ou iluminação e esperança

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Tem gente que ainda diz que escrevo sobre auto-ajuda, termo que anda mais esfarrapado e sujo do que bêbado em briga de bar. Não. Fique claro que não escrevo sobre auto-ajuda e não tenho pretensão nem vontade de chegar à Iluminação. Ando mais empenhada em conseguir um bom eletricista para consertar parte da iluminação aqui de casa. Quando escrevo não dou receita nem conselho, só penso demais e falo de minhas próprias experiências. Quase despudorada. Escrevo e falo muito sobre a importância do auto-conhecimento e do despertar da consciência, porque é no que acredito e é o que busco. Acredito que sem a tal da consciência, não saímos do lugar, e ainda corremos o risco de andar para trás, de escorregada. Procuro viver melhor e ficar de bem com a vida mesmo que doa, para curtir minha estadia aqui na terra. Tento entender ação e reação e sou fascinada pela interação. Aí não tem fórmula e nem receita que ajude. Cada um dá o que tem e a gente sempre se surpreende com a variedade.

De qualquer maneira, hoje vi mais uma luz no fim do túnel. Quando se está no escuro, qualquer chama de vela é um milagre. Qual a extensão dele e o estado do pavimento, isso é outra história, mas às vezes essa luz é o reflexo de uma sacada; daquelas que dá vontade de pular. Tipo eureka. Sempre espero que essas caídas de ficha cheguem acompanhadas de fogos de artifício que fiquem pipocando até eu cansar de ver e de ouvir seus iuhus de alegria. Espero uma chuvarada de estrelas cadentes na manhã de um domingo comum; mas nunca é assim. A ficha cai sem aviso prévio; sem glamour, sem champanhe gelado. Estou tomando um capuccino cremoso, no Café Blenz do shopping perto de casa. É a segunda vez na semana que venho aqui para me conectar à internet do café. Surpresa para mim; gostei da experiência.

Vim só para retocar e enviar o texto que estava alinhavado no notebook, baixar e-mails, responder os mais urgentes, e ponto final. Só que no trajeto para o shoppping, ouvi o diretor de políticas públicas do Greenpeace, Sérgio Leitão, entrevistado por Jung, o Milton. Terminei de ouvir a entrevista no carro, no estacionamento, até que um funcionário veio perguntar se estava tudo bem. Sim, sim, tudo bem. Eu era de novo uma menina; a estudante que em grupo parava o táxi para perguntar se estava livre e depois gritava, viva a liberdade, e ria muito. Riso nervoso misto de folia, política e transgressão. Era a consciência que começava a despertar. Pois bem, o sabor voltou, ao longo da entrevista. Há esperança!

Semana que vem conto sobre a ficha que caiu.

Pense nisso, ou não, e até semana que vem

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês.

Ouça aqui a entrevista sobre a qual Maria Lucia Solla se refere no texto acima:

Vá de táxi, mas não perca

É o que recomenda Ailin Aleixo, editora da Época SP, e nossa comentarista na CBN. De segunda à quinta, ela está no ar com o boletim “Época SP na CBN”, às 11 e 45 da manhã.

Acompanhe as dicas de hoje sobre novos bares na cidade:

Bar Praça

Da rua, enxerga-se o cenário de luzes verdes onde a figura principal é a árvore de Jasmim-manga. Diz a lenda, que quem sonha com um breve casório, deve dar um beijinho no caule da ”estrela” do jardim. Porém, o mais eficaz é arranjar uma mesinha em volta dela e disparar olhares para o pessoal bonito que freqüenta o bar. Os shows são animadíssimos e o lugar é legal pra passar a noite dançando ao som de rock nacional e MPB – até se você estiver na parte de cima, dá para assistir a banda que toca no térreo. Os drinques são bem executados e alguns valem quase por uma sobremesa. É o caso dos docinhos Praça de Espanha (licor de morango, frangélico, amarula sorvete de creme, chantili e cereja) e do Praça Vila Madalena (vodca, licor de chocolate branco, sonho de valsa, sorvete de creme fredissimo e chantili). O cardápio é completo – agrada desde o pessoal que vai pra jantar aos que vão só para uma boquinha despretensiosa. Os grelhados na chapa fazem sucesso nas mesas e, embora o mais pedido seja o de picanha, vale a pena sair do óbvio com o de carne de sol com mandioca, brócolis e catupiry. Um bom docinho para fechar a noite é a tapioca de coco, morango e leite condensado. Mas, fique de olho na fila. A comanda tem de ser paga no balcão e, se você deixar pra sair na ”hora do rush” a espera é certeira.

R. Aspicuelta, 585 – Vila Madalena. tel.: 3031-3123 / 3032-7107

Boleiros

A bola rola solta neste recém-inaugurado bar, caçula do existente na Vila Olímpia. Amplo e iluminado, o espaço – com deck, área ao ar livre e salão – é perfeito para conversar com a galera ou, óbvio, acompanhar aquele jogão de futebol. Para isso, existem três plasmas e um telão. Faixas de times do mundo inteiro cobrem a parede e têm como companhia camisetas autografadas por Pelé e Zico. O cardápio – na forma de álbum de figurinha – é rico em opções. Em turma, a chapa mista serve bem e acompanha vinagrete e farofa. A porção de pastel não poderia faltar. Famosa, ela não decepciona em tamanho e recheio. Há sandubas frios de mortadela e salame. Garçons zelosos sempre estão a postos para servir o competente chope Itaipava. A caipirinha de abacaxi é refrescante. Por uma sugestão do atendente, folhinhas de hortelã foram adicionadas. Bela jogada. Os banheiros podem ser considerados um gol de placa se o quesito for limpeza. Ainda dá para se entreter com as diversas capas de revistas futebolísticas expostas nas paredes. Caso haja tempo para prorrogação, há sorvetes Rochinha como sobremesa.

R. Mourato Coelho, 1194 – Vila Madalena. tel.: 3031-8020

Imperatriz Villa bar

Decorado com motivos brasileiros, o Imperatriz Villa Bar fica em uma gostosa rua da parte nobre da Vila Leopoldina. A vida noturna do bairro não é das mais agitadas, por isso, a freqüência é de casais, famílias e, na happy hour, do pessoal que trabalha nas empresas próximas. Com esses dias de friozinho, é servido um buffet bem cuidado de sopas gratinadas e, aos sábados, rola uma feijoada ao som de chorinho. O balcão do bar é convidativo para sentar a dois e pedir chopes gelados direto do balcão. Porém, a ampla parte de trás da casa com metade do espaço ao ar-livre é bem charmosa – e onde fica a churrasqueira. A caipirinha Imperatriz com vodca, tangerina e pimenta rosa é boa para quem gosta de sabores exóticos. Na petiscaria, o forte são os espetinhos: o de queijo meia-cura (que é difícil vir no ponto certo) estava delicioso. Um bom sanduba é o generoso bife à milanesa, maionese light, rúcula e gotinhas de limão no frança. E, se você estiver lá perto na hora do almoço, se jogue na costela no bafo.

R. Passo da Pátria, 1.673 – Vila Leopoldina, tel.: 3644-4363

A maneira mais completa e incrível de passear por sabores

A comentarista do “Época SP na CBN. Ailin Aleixo, fala do menu degustação, e traz duas sugestões para você:

Tête a Tête

O encantador bistrô de Gabriel Matteuzzi e Pilar Perez-Hita, inaugurado em fevereiro, já está abrindo para almoço. O menu executivo sai a R$ 35 e é uma ótima alternativa para experimentar as inventivas receitas do jovem chef. São seis opções diárias, entre entradas, principais e sobremesas, que se revezam aleatoriamente: pode ser salada verde com emulsão de açafrão, fideuà (prato típico catalão à base de macarrão cabelinho de anjo e frutos do mar) ou bife de chorizo com legumes sautée ao presunto cru. De sobremesa, crema catalana, variação espanhola para o creme brûllé. À noite, se mantém o serviço à la carte e o menu confiança, de três ou sete tempos, com duas novas receitas: galinha d”angola assada a baixa temperatura com cuscuz marroquino e azeite de avelãs, e truta morna com salada e vinagrete de echalote, acompanhada de farofa de bacon.

R. Bahia, 480 – Higienópolis
tel.: 3825-6312
Prato Principal de: R$ 42 a R$ 56

From The Galley

Cozinha completamente aberta, mesa coletiva com vinte lugares e uma taça de prosecco servida logo na entrada. Impossível não se sentir em casa com o jeito de receber de Neriton Vasconcelos. Para ele, um hobby. Para os convivas, uma experiência gastronômica de oito etapas sem hora para acabar. Por isso, a reserva é essencial e não adianta insistir. Os ingredientes são comprados no dia. Sal kosher, tartufo e foie gras são itens obrigatórios no cardápio que muda a cada mês. No dia da visita, a refeição começou com um substancioso creme de ervilhas frescas com bacon e batata, raviolone de ossobuco com caldo de carne (um tanto salgado), bolinho de siri com encorpado molho de moqueca, camarão ao limão siciliano e envelope de filé mignon recheado de lâminas de foie gras. O ponto alto do jantar ficou por conta de uma espuma de queijo brie com mel de tartufo – combinação surpreendente de sabor. Depois desse tour por criações, a sobremesa trouxe o paladar de volta para o Brasil, com um gostoso quindim de coco, bem menos açucarado que a receita original.

R. Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, 761 – Itaim Bibi
tel.:3073-0928
Menu degustação por R$ 190 (8 etapas)

Mais sugestões na Época SP

Risotos, os reis do cardápio

Ailin Aleixo, que apresenta “Época SP na CBN”, traz sugestões de restaurantes que tem no risoto seu prato principal. A Ailin é editora da Época SP e está na CBN de segunda a quinta, às 11 e 45 da manhã.

Se você clicar no arquivo do dia 31 de julho aí do lado direito vai encontrar uma entrevista na qual a jornalista fala da sua profissão e relação com a gastronomia.

Por enquanto, anote as dicas de hoje:

Riso & Altro

O proprietário Beppe Negozio, um típico siciliano que fala alto e gesticula muito, está sempre no salão a receber a clientela. O clima é bem descontraído. Leve em conta o nome do restaurante e opte pelos risotos, molhadinho, bem temperados e no ponto certo de cozimento— são cerca de 20 receitas. O de vitelo, shiitake e mascarpone é uma delícia.

R. Tavares Cabral, 130 , Pinheiros, tel.: 3815-5739
Pratos principais: de R$ 26 a R$ 50

Picchi

Depois de passar pelo Emiliano, o chef Pier Paolo Picchi alçou vôo e abriu seu endereço próprio. Porém, com os pés bem firmes no chão– e nas receitas italianas. Entre as de base mais clássica, está o risoto de queijo de cabra com alho poró.

R. Jerônimo da Veiga, 36, Itaim, tel.: 3078-9119
Pratos principais: de R$ 37 a R$ 106

La risoteria Alessandro Segato
O clima de vila italiana, a iluminação baixa e o pianista que toca durante quase toda a noite dão um ar romântico a Risotteria. Mas o restaurante, apesar de servir perfeitamente a casais apaixonados, é ótimo para pequenos grupos que curtem um bom jantar acompanhado por vinho e conversa. Tome cuidado para não exagerar no farto e caro couvert porque a atração principal da casa– os risotos– são muito bem servidos. São 16 opções fixas, além da sugestão do chef. No dia da visita, o risoto de miscelânea de castanhas com trufas negras estava rigorosamente no ponto.

R. Pe. João Manuel, 1156, Jardins, tel.: 3068-8605
Pratos principais: de R$ 48 a R$ 129