Pratos olímpicos: Massa caseira chinesa

Os bons pratos de São Paulo estão no comentário da Ailin Aleixo, em Época SP na CBN, que vai ao ar, de segunda à quinta, às 11 e 45 da manhã, logo após o bloco de esportes do CBN SP. Se você quiser outras informações da Ailin veja as entrevista publicada no dia 31 de julho, aqui mesmo no blog.

Agora, acompanhe as sugestões da Ailin Aleixo, desta segunda-feira:

Ton Hoi

Esqueça tudo o que você já ouviu falar a respeito de restaurante chinês. Aqui você encontra atendimento simpático acima de qualquer suspeita. A cozinha envidraçada deixa à mostra o prepato dos pratos e a limpeza dos bastidores. Tente ocupar uma das mesas que gficam perto do aquário de massas: é bacana ver cozinheiros recheando pães e moldando macarrão, tudo fresquinho e artesanal. No comando do fogão de alta pressão, o cozinheiro Tommy Wong se dedica à culinária de Pequim. Comece com o wan tan frito e reveja os conceitos de um bom pastel: lindo, de massa levíssima e delicada, bem sequinha, com recheio delicioso de carne. Entre os pratos principais, não deixe de experimentar uma das opções de macarrão frito ou no molho. A versão à moda da casa vem com ostras, lulas, camarões, peixe e variedade de legumes, todos com cozimento perfeito. Para encerrar, esqueça um pouco as manjadas frutas caramelizadas e prove a gostosa banana recheada com doce de feijão azuki e coberta com gergelim torrado.

Av. Prof. Francisco Morato, 1484, Butantã
tel.: 3721-3268
Pratos Principais: de R$15 a R$ 95

Haudy

Não fosse a placa como nome do restaurante presa no portão de ferro, este chinês passaria despercebido. Lugar simplório, dividido entre três saletas, com atendimento simpático e eficiente. No Haudy as massas frescas são preparadas diariamente e ganham deliciosas combinações. Entre elas, o macarrão à moda vem com camarão no ponto exato, shimeji, champignon, cebolinha e brócolis. Servido dentro de uma cesta de batata palha, o prato família feliz mistura carnes, frutos do mar, legumes e ovos de codorna. Na hora da sobremesa, experimente a gostosa gelatina de amêndoas.

R. Dom Armando Lombardi, 490, Morumbi
tel.: 3726-9370
Pratos principais: de R$ 18 a R$ 85

De amor e só

Por Maria Lucia Solla

Olá,

É sábado, quase uma e meia da tarde, e me dou conta de que faltam menos de duas horas para o nosso encontro. Projeto na minha tela mental, usando criatividade de ponta, uma possibilidade do que vai acontecer durante a tarde e o início da noite. Capricho no filme; imagino cada detalhe e fico assistindo, encantada e confortavelmente, o olhar perdido no sonho.

Volto à realidade arrastada por um pipocar de descompassos internos – que sobrecarregam coração e estômago – provocados por míni descargas de adrenalina, e sou empurrada para o chuveiro, por uma revoada de borboletas, no estômago. O tempo bate asas também, e ainda quero tomar banho, lavar cabelo, decidir o que vestir e, principalmente, não me atrasar. O relógio não perdoa. Vai ser bom chegar lá primeiro; quero tentar criar certa familiaridade com o lugar, uma vez que minha relação com grandes shoppings sempre foi péssima.

Sabonete com cheirinho de laranja, xampu e creme com aroma de frutas e o incrível prazer do banho me acalmam um pouco. Um toque de batom nos lábios e nas maçãs do rosto, e é a vez da roupa. E agora? Decido pelo conforto, que embeleza mais que cirurgia plástica. Jeans e blusa com decote em vê ganham por maioria absoluta. Tênis? Melhor as botas verdes. São mais divertidas, e riso é fundamental. Um toque de perfume, e fecho tudo com uma dezena de pulseiras e correntes de prata, cintilando à volta do pescoço. Quem sabe o registro da minha presença, um dia, possa ser reconduzido a mentes e corações, no rastro da cor e do aroma, do tilintar de sinos e, por que não, de pulseiras?

Chego quinze minutos adiantada. Não me sinto só uma estranha no ninho. Sou uma estranha no ninho só, e as pessoas em volta me fazem sentir ainda mais só. A ansiedade, que deveria ter deixado em casa, me faz esquecer de marcar andar, cor e número do espaço onde deixei o carro. Registro mentalmente a necessidade de comprar uma caderneta de anotações e pendurá-la no pescoço ou, numa versão mais moderna, comprar um gravador digital – disco rígido externo.

Na frente dos cinemas ando de um lado para o outro; devagar, para quebrar o descompasso entre a excessiva imobilidade do corpo e a frenética agitação dos neurônios, seja lá qual for o meu patrimônio. Sou quase um farol marítimo descontrolado, numa ilha pequena. Olho para todos os lados e, às vezes também, para cima e para baixo. Não quero ser pega desprevenida. Outras descargas de adrenalina podem ser fatais. Melhor prevenir.

Na manhã seguinte sou envolvida por braços amorosos, enlaçada por pernas ansiosas, e sou beijada, beijada, beijada.

Vó, a gente já acordou, e não quer ir embora nem hoje.
A gente quer ficar com você.
Vó, posso tirar foto?
Vó, quero mingau de aveia.
E eu quero tomar banho de banheira.

A folia, na cama, durou mais de uma hora, e nunca me senti tão bem amada.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano.

Delícias francesas e belíssimo custo/benefício

Estas foram as sugestões da Ailin Aleixo, no boletim “EpocaSP na CBN”, desta quinta-feira. Ela volta na segunda-feira, mas você pode ouvir a entrevista que a editora da revista Época São Paulo concedeu ao Blog do Milton Jung rolando a página mais para baixo. Bom proveito:

Blu Café & Bistrô

Aos poucos, o simpático café inaugurado em 2005 foi assumindo a vocação de restaurante e, hoje, é ponto de encontro de professores da Puc no horário do almoço. São sempre duas opções a cada dia, mais o cardápio à la carte. À noite, o ambiente se transforma. Em vários
ambientes à luz de velas, incluindo um gostoso terracinho na entrada e um recém-inaugurado lounge, a clientela ouve boa música – há shows de jazz às quartas, sextas e sábados, a partir das 21h30 – e prova receitas como escalopes paris com fricassé de cogumelos e gorgonzola. À frente da cozinha está o chef Alencar Ribeiro, que imprime toques
contemporâneos à base francesa. Ele acaba de criar um menu degustação de quatro etapas, a R$ 72 por pessoa, que inclui folhado de vieiras com espaguete de pupunha e carré de cordeiro com molho de framboesa acompanhado de risoto negro com semente de girassol.

R. Monte Alegre, 591, Perdizes, 3871-9296
Pratos principais: de R$ 19,50 a R$ 42,80

L´atelier Michel Darque

O simpático e aconchegante bistrô do chef francês Michel Darqué – que já comandou a cozinha do hotel Renaissance – impressiona pela qualidade de tudo o que é servido: desde o couvert, com diversas qualidades de patês e pães, que chegam quentinhos à mesa, até as
entradas e pratos principais, como o lagostim com arroz preto e salada, bem preparados e servidos em porções grandes para os padrões franceses. A carta de vinhos conta com ótimas opções, como os da adega grega Notios, e são bem recomendados pelo maître. O restaurante, pequeno, requer reserva – não é necessário mais do que um dia de
antecedência, porém.

R. Costa Carvalho, 195, Pinheiros, 05429-130
Pratos Principais: de R$ 29 a R$ 59

Robin des Bois
O pedaço da rua Capote Valente no qual fica o Robin Des Bois não é bonito nem badalado. Ainda bem: quem sabe assim o bistrozinho preserva seu ar intimista e sua freqüência tranqüila. O serviço simpático e a decoração caprichada também merecem elogios. Entre as boas opções do cardápio enxuto, e de preço justo, estão o magret de pato com polenta
e rúcula e molho de framboesa, e ainda o atum com crosta de gergelim e purê de banana da terra. Para quem curte sabores agridoces, o fromagerie – brie, reblochon, parmesão, queijo de cabra com frutas e salada – é perfeito para petiscar. O ponto fraco é a carta de vinhos,
restrita e com rótulos de pouca qualidade.

R. Capote Valente, 86, Pinheiros, 3063-2795
Pratos Principais de: R$ 18 a R$ 36

Ailin Aleixo dá sabor e cultura ao CBN SP

A mais recente voz do CBN São Paulo é a da jornalista Ailin Aleixo que você ouve quando estão faltando pouco menos de 15 minutos para o meio-dia, no momento em que a fome começa a tirar sua atenção do trabalho e no escritório o que os colegas querem saber é onde será o almoço. Editora do roteiro cultural da revista Época SP e especialista em culinária, Ailin surge no programa para nos deixar com mais fome ainda, pois busca da sua experiência – e dos colegas de redação, também – as dicas de restaurantes, bares, botecos e todo tipo de espaço interessante na cidade.

Acostumada a contar especialidades de chefes de cozinha, na entrevista que você acompanha aqui no blog Ailin Aleixo fala do que mais gosta na mesa, e mostra que o perfil dela não se encaixa na máxima “quem sabe faz, quem não sabe comenta” .

Ouça, comente e deixe seu recado para Ailin Aleixo

Vinho e happy-hour dá happy-wine

Happy Wine – ambiente charmosos e petiscos harmonizados com vinhos tem conquistado o paladar dos paulistanos que trocam os botecos de fim de tarde por uma boa taça. Acompanha as sugestões da Ailin Aleixo, editora da Época SP e que está no CBN SP, de segunda a quinta, às 11 e 45 da manhã, no boletim “Época SP na CBN”

In Vino Amici
Numa rua tranqüila do Itaim fica a In Vino Amici, para apenas 40 pessoas. As mesinhas ao ar-livre em frente à casa são as mais disputadas. A adega tem cerca de 450 rótulos e as opções da taça mudam sempre de acordo com a escolha da sommeliére Maitê Marani. As caçarolas são a especialidade da casa. A de escondidinho com queijo de cabra é uma perdição e custa R$ 16.

Rua Pais de Araújo, 111, Itaim Bibi

Saint Vinsaint

A enoteca investe em rótulos brasileiros e as taças variam entre R$ 15 e R$ 45. Além disso, os fins de tarde são regados a jazz ao vivo. Se você estiver com fome, cale a pena experimentar a bem-cuidade gastronomia do lugar. Uma dica: a geléia de damasco que acompanha as tábuas de queijos (que custam entre R$ 18 e R$ 45). É bem gostosa.

Rua Professor Atílio Innocenti, 811 – Vila Nova Conceição.

Tel.: (11) 3846-0384

Kylix Vinhos
Fica uma charmosa casa de 1910. O legal do lugar é curtir diversos ambientes: a delicatessem, a sala de charutos, o wine bar e a loja. Além das opções em taçãs, que variam entre R$ 9 e R$ 12, vale a pena dar uma olhada nas opções da loja – já que os vinhos são vendidos praticamente pelo preço da importadora e você pode consumir na sua happy-wine. Boas opções de petiscos como a bruschetta valpolicella (R$ 9) e a seleção de queijos (R$ 18) ambas acompanhadas por uma especial mostarda com mel e frutas cristalizadas.

Av. Angélica, 681, Santa Cecília

Frutos do mar deliciosos, e sem esvaziar os bolsos

As sugestões de Ailin Aleixo, Editora da Época SP e comentarista do “Época São Paulo na CBN”, que vai ao ar de segunda à quinta, às 11 e 45 da manhã:

Espaço Tambiú

Escondido no andar de baixo de uma loja de decoração em Perdizes, fica este charmoso e surpreendente restaurante de pescados. Os dois chefs—o paulistano Clóvis e o corumbense Ronaldo—ficam atentos às reações dos clientes ao provarem deus pratos e não se contêm: curiosos, vão até a mesa para saber a reação da clientela. No Espaço Tambiú, tudo é assim: espontâneo e cuidadoso; por isso mesmo, tão especial. A tenra bracciola de pintado recheada de cogumelos, brócolis, castanha-de-caju e damasco, acompanhada de arroz de coco, além de lindamente apresentada, é delicada e suave. Outra ótima surpresa ficou por conta da saborosa e leve lasanha de peixe. De sobremesa, vá direto na goiabada caseira ralada grossa com sorvete de creme.

R. Diana, 381, Perdizes, tel.: 3872-8191

Pratos principais: de R$ 20,90 a R$ 55

Pilico

A fachada é feia e não há uma placa sequer. Só o entra-e-sai de gente bem vestida chama atenção—e quem paga pra ver nunca mais esquece. Da cozinha de José Rubens Lê suer, o Pilico, saem fabulosos pratos de frutos do mar, que chegam à mesa pelas mãos da mulher dele, a Bia. Não espere qualquer tipo de requinte. A própria Bia anuncia o que está em falta, sem constrangimento. Lá se encontram centollas (caranguejo gigante do Chile), artigo raro por aqui, e dezenas de outros pedidos igualmente deliciosos. A moqueca de peixe e camarão, de tão leve, pode ser degustada num dia de trabalho sem grandes prejuízos para o período da tarde. AH, eles só atendem com reserva.

R. Diogo Moreira, 296, Pinheiros, tel: 3814-2283

Pratos principais: de R$ 21 a R$ 99

Sobremesas matadoras

Por Ailin Aleixo
Editora da Época SP

Não hesite em escolher o restaurante em função de uma delas, diz a comentarista do quadro “Época São Paulo na CBN”, que vai ao ar, de segunda à quinta, às 11 e 45 da manhã, no CBN SP:

Carlota

O carlota pernambucana é um dos mais deliciosos bolinhos de Carla Pernambuco. Parece um petit gâteau, com recheio cremoso de bananada e sorvete de canela para acompanhar. Preço: R$ 15.

Rua Sergipe, 753, Higienópolis, tel: 3661-8670

Eñe

Os gêmeos catalães Sergio e Javier Torres Martinez sabem mesmo surpreender. Seus buñuelos de chocolate y coco (R$ 14) são trufas de chocolate que levam uma camada de massa bem levinha por fora e depois são fritas. Acompanha sorvete cremoso de coco. R. Dr. Mário Ferraz, 213, Itaim, tel: 3816-4333

Brasil a Gosto

A chef Ana Luiza Trajano sabe como ninguém valorizar os ingredientes nacionais. A simplicidade de sua cocada de forno (R$ 16) é encantadora. O doce é composto pela cocada em si, mais uma bola de sorvete de limão sobre um biscoito de castanha-do-pará e um fio de melaço.

R. Prof. Azevedo do Amaral, 70, Jardim Paulista, tel: 3086-3565

Buddha Bar

Bel Coelho colocou tudo que é bom no seu creme de café (R$ 18): uma camada de doce de leite por baixo, o tal creme de café no meio, salpicado com farofa de castanha e amendoim, mais uma espuma quente de chocolate por cima.

R. Chedid Jafet, 131, Itaim, tel: 3044-6181

Da idéia de Deus

Por Maria Lucia Solla

Olá,

A cada porção de tempo, minhas crenças e valores sofrem uma gigantesca embaralhada, assim como se o vento das emoções soprasse tudo, sem dó nem piedade, e deixasse uma confusão sem fim. Não consigo ainda deixar de ficar em pânico, quando tudo está de pernas para o ar dentro de mim, mas pouco a pouco vou encarando o processo e, rindo ou chorando, vou encontrando ordem na confusão. Dá um trabalho danado e exige a energia que muitas vezes custo a encontrar.

Nesta específica porção de tempo, depois de sopradas particularmente fortes do vento das emoções, tenho pensado muito sobre o conceito Deus. Nunca fui fiel ou agregada a nenhuma religião por vontade própria, mas meu interesse por elas nasceu de um diálogo com o Père Roland, diretor da escola onde eu cursava o primário, e professor de catecismo. A escola era dirigida por padres canadenses, super-hiper-modernos. Andavam sem batinas, com calça esporte, e só usavam o colarinho branco que os identificava como padres, sob a gola da camisa. Circulavam pelo bairro, de motocicleta. Da igreja à escola, e vice-versa. Seres que eu nunca vou esquecer. Às vezes penso que não eram deste planeta. Quem sabe…

Eu sempre ficava triste na aula de catecismo. Um dia o Père Roland viu que eu estava engolindo o choro e pediu para eu ficar mais uns minutos na sala, para conversar. Foi só ele perguntar, Maria Lucia, por que você fica sempre tão triste, que eu abri as comportas. Chorei uma cachoeira e meia e ele esperou que eu terminasse. Foi a primeira vez que alguém me ofereceu tanta regalia ao mesmo tempo. Respondi, tenho muita pena de Deus, e buá, chorei de novo. E por quê? Perguntou, reprimindo os olhos azuis para não escancararem a ponto de eu me assustar. Ele é muito sozinho, eu disse. Não tem mulher, e seu único filho morreu. Père Roland, surpreso, me presenteou com um sorriso cúmplice. Passou a mão pelo meu cabelo e disse. Ele não está sozinho; Ele tem você e eu. E me fez sorrir.

Desde então, tento entender esse Ser tão inacreditavelmente poderoso. Lá, no diálogo com meu professor, entendo agora, eu expunha a minha solidão, chamando-a de solidão de Deus; mas e o resto da humanidade, como lida com isso? Gregos e troianos idearam não um, mas muitos deuses. Deuses e deusas. Eles os idearam à sua imagem e semelhança. Os deuses tinham emoções, exatamente como os humanos, se apaixonavam por humanos, faziam semideuses com eles, saciavam sua fome e sua sede. Tinham as mesmas qualidades dos humanos. As consideradas positivas e as consideradas negativas. Sabiam ser ciumentos e vingativos. Combatiam entre si e construíam armadilhas uns para os outros. Hoje, evoluídos que somos, ideamos um Deus único, perfeito, onipotente, onipresente e onisciente, e dizemos que foi Ele que nos criou, à sua imagem e semelhança. Durma com um barulho desses!

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano.

As dicas da Ailin Aleixo aqui no blog

A jornalista Ailin Aleixo está de segunda à sexta no CBN SP apresentando o quadro “Época SP na CBN” no qual traz informações sobre a gastronomia e a cultura paulistana. A partir de hoje, você terá aqui no blog as dicas da Ailin que, nesta quarta-feira, fez as seguintes sugestões sobre carne à moda argentina:

Cabaña Del Asado

A casa fica num curioso complexo de lazer, a Vila do Jardineiro, que tenta reproduzir o clima country em pleno Butantã: além de vários restaurantes e lanchonetes enfileirados, como numa cidadezinha do interior, há lojinhas. No Cabana, a especialidade são os cortes argentinos na parrilla. Porções generosas de carne chegam a mesa no ponto pedido—embora o “ao ponto” do argentino seja mais sangrento que o brasileiro. Os acompanhamentos são pagos à parte: farofa de ovo, batata suflê, cebola assada… todos gostosos e bem servidos. Av. Eliseu de Almeida, 1077, Butantã

Pratos principais de R$ 29,90 a R$ 42,90

Ávila

Aqui, a parceria vinho e comida é levada a sério. O lugar também funciona como enoteca e a curtição é fazer a escolha da bebida direto das prateleiras, com orientação do sommelier.

Da grelha à moda Argentina saem cortes altos, como o bife de chorizo, o vacio e a tapa de quadril. Entre as sobremesas, há duas opções imperdíveis: a panqueca de doce de leite argentino (com uma deliciosa calda de laranja e açúcar queimado) e a limonada Ávila, uma taça de sorvete de limão batido com vodca e hortelã.

R. Bandeira Paulista, 520, Itaim

Pratos principais de R$ 36 a R$ 59

Sobremesas de R$ 10 a R$ 14

La frontera

O belíssimo salão arte decó foi inspirado nos antigos bares de Buenos Aires. Quem pede um ojo de bife tem não só a chance de escolher o peso do corte, de 200 ou 300 gramas, como ainda decide o acompanhamento: não dispense os nhoques quadradinhos de batata assados na grelha com creme de parmesão.

R. Coronel José Eusébio, 105, Consolação

Pratos principais: de R$ 22 a R$ 74″

Mais informações no site da Época São Paulo

De Inferno e Paraíso

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Chego à conclusão de que, apesar de vivermos neste planeta há milhares de anos (falam em milhões, mas meu cérebro não alcança), nunca deixamos de ser uma raça de crianças mal criadas, em todos os sentidos, mimadas e birrentas, que não enxerga um palmo além do próprio umbigo. Uma raça que não cresceu. É só olhar em volta, ou no espelho, para constatar. Somos uma raça que se arrebenta, se corta, se enxerta, se pica, se mutila, vende literalmente a alma ao diabo, para lutar contra o desenvolvimento natural do corpo e contra o amadurecimento da essência, da alma, do espírito, do seu eu mais profundo, ou como queira chamar.

Somos uma raça egóica, que não aceita brincar se não ditar as próprias regras, e se não sair ganhando. Uma raça que acredita que os fins justificam os meios, e que agride com atitudes, gestos, palavras, tapas, surras, facadas e tiros, à mínima frustração. As agressões só diferem na diversidade das técnicas empregadas e das feridas aparentes. Somos uma raça infantil que brinca de gente grande fazendo de conta que é príncipe encantado, bruxa malvada, ali babá, peter pan, cinderela, marquês de sade, madrasta, lobo malvado, batman, robin, e o rei nu. Brincamos de fazer guerras e guerrilhas com gente de verdade, que morre de verdade, por Deus e pelo Diabo. Somos uma raça que não cria; basicamente procria. Uma raça que vive e revive o passado para não enxergar o presente, e ainda não sabe por que é que morre de medo do futuro. Uma raça que se corrompe de dentro para fora, e que já está purgando. Enganamos, chantageamos, roubamos e matamos. Sozinhos, em pequenos grupos, ou em bandos irrefreáveis.

Agora, o planeta Terra, que é hoje isso que a gente vê por aí, já foi sede do Paraíso. Era aqui mesmo, neste chão que pisamos; você e eu. Sei disso porque já fui além dos limites da cidade grande e dos relacionamentos pequenos, e vi pedaços dele, que sobreviveram até nós. Praticamente intocados.

Lá no início dos tempos, quando já havia conchavos e corrupção, cavamos nossa expulsão do Jardim do Éden por uma simples maçã, e pusemos a culpa no Criador. Depois, mal pusemos os pés na rua, começamos a construir o Inferno maior e melhor de todo o Universo e de todas as galáxias e nebulosas juntas. Uma das características da nossa raça. Logo depois do conchavo, da desobediência e da expulsão, passamos a procriar, desrespeitar pais e matar irmãos. Confesso que conheço muito pouco da Bíblia. Um salmo aqui outro ali não conta, mas ela fala de nós, não fala? Não é que fale de um povo longínquo do passado ou do futuro, e nem de personagens de um filme americano do século passado. Nossos pecados, alegrias e tristezas, ainda são os mesmos. Era após Era, são exatamente os mesmos. Muda só o cenário.

Atenção! Essa gente toda no jornal e na televisão somos nós. Você, eu, nossos filhos, netos, a parentada toda. Faço coro com a jornalista Eliane Cantanhêde: “Salvattore Cacciola! Sinta-se em casa”.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, está neste blog com textos sobre o cotidiano.