Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

 

Juca Kfouri

 

Um senhor sentado na praça comendo pastel é a cara de São Paulo, aos 459 anos, para a ouvinte-internauta Neusa Stranghette. E o senhor da foto, não é um senhor qualquer. Nem a praça é uma praça qualquer. É Juca Kfouri participando do programa especial em homenagem a São Paulo, promovido pela rádio CBN, no Pátio do Colégio, no ano passado.

 

Curta o álbum de fotografias da série “A Cara de São Paulo aos 459 anos”, promovida pelo Blog do Mílton Jung, construído pelos ouvintes-internautas da CBN.

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

 

Estação da Luz

 

Se no passado, milhares de pessoas chegaram a São Paulo pela Estação da Luz, no presente, milhares viajam através dela dentro da própria cidade. Com seus trens e passageiros, a estação, no centro da capital, é a cara de São Paulo aos 459 anos no olhar do ouvinte-internauta José Eduardo F. Boaventura.

 

Veja as outras caras de São Paulo no álbum de fotografias enviadas pelos ouvintes-internautas do Jornal da CBN. Vai por mim, vale a pena conhecer a cidade assim.

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

 

Bicicleta no Pátio do Colégio

 

A ouvinte-internauta Manuela Colombo foi passear com a amiga de bicicleta pelo centro e visitou o Pátio do Colégio, local em que a cidade foi fundada. Ela, a amiga, a bicicleta e a história se encontraram nesta imagem que é uma das muitas caras de São Paulo aos 459 anos.

 

Neste aniversário da nossa cidade, você está convidado a enviar uma imagem que considere a cara de São Paulo. Confira aqui o álbum com as fotos compartilhadas pelos ouvintes-internautas do Jornal da CBN. Se inspire e participe com a gente desta festa.

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

Vista desde a Vila Mariana

 

A partir desta semana, teremos aqui no Blog uma seção especial do Foto-Ouvinte com a “Cara de São Paulo aos 459 anos”. Cenas da cidades, ângulos desconhecidos, momentos do seu cotidiano registrados em fotos podem ser enviados para milton@cbn.com.br. Para começar publico foto feita pelo nosso colega de bancada, Thiago Barbosa, desde o apartamento dele no alto da Vila Mariana e com olhar voltado para a zona leste. É uma vista privilegiada, sem dúvida, que revela a dimensão de São Paulo e o horizonte tomado de prédios.

De nada

 


Por Maria Lucia Solla

 

 

Comecei a escrever sobre saquinho de supermercado, mas acabei dando num beco escuro, que atiçava as borboletas no meu estômago, e parei. Fui pensar e fazer coisas que também estavam na lista de urgência, e que me davam prazer. Criei, cozinhei, fotografei, dei uma olhada na logística dos meus planos, e recomecei a escrever no dia seguinte.

 

Estação de chuvas, você sabe, fica difícil desviar o pensamento. Para onde você olha está cinza, nebuloso, ameaçador, ou despejando água e soprando ventania que dá medo. A gente vê, lê e ouve sobre muita gente desabrigada e dolorida; gente que tenta não perder o pouco que acredita ter, enquanto a Natureza tenta reaver o que é seu de origem. Dizer o quê? Repetir a ladainha? Que a malha de canos que mora sob o solo já vem pipocando há muito tempo, mas outras prioridades mais cintilantes tomam o lugar da necessidade básica? Somos um país de terceiro mundo e novo rico. Fazemos plástica e implante de silicone, mas não cuidamos do que não é visível. Casaco de veludo e bunda de fora, como sabiamente diz a minha sogra, a dona Ruth.

 

Mas sabe como é o pensamento, você pensa que já espantou, e vem ele de volta querendo ser pensado. Me recusando a voltar à história do saquinho plástico, peguei um atalho e me dei conta de que no passado, nem tão passado assim, já que eu consigo me lembrar, a gente levava duas cesta de vime para as compras e vinha faceira da feira, do fruteiro, ou do armazém, com as cestas cheias e coloridas. Duas cestas porque temos dois braços. A gente comprava o que podia carregar.

 

Mas falar sobre o quê? Ligo a tevê e fico sabendo de uma pesquisa que diz que nós jogamos fora metade dos alimentos, in natura, processados e muitos ainda enraizados. Dizem que muitas vezes nem vale a pena colher o que não tem boa aparência porque o público alvo só compra o produto bonito. Vai fora um tanto tão escandaloso que poderia alimentar toda a população que passa fome no mundo.

 

Então pensei: vou falar sobre nada. Só que acabei me lembrando de um padre de Hamburgo Velho, no Rio Grande do Sul, perto de Porto Alegre, que eu não cheguei a conhecer, mas sobre o qual sempre falavam os meus sogros. Contavam que ele tinha um forte sotaque alemão e que nos enterros, quando jogava a terra sobre o caixão, dizia pô, pô, têra, têra, falando de morte e vida; da terra de onde vem o nosso corpo, e que nos alimenta e abriga, e da nossa volta a ela, literalmente em pó, para alimentá-la em retribuição. Eu acredito.

 

Acredito no ciclo da vida. Acredito que assim na terra como no céu, que assim fora como dentro. É só prestar atenção. Ou a gente presta atenção, ou não… e até a semana que vem.

 

Em tempo: Alguém sabe me explicar por que mulato virou pardo?

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Moda masculina conceitual

 

Por Dora Estevam

 

Até que ponto a moda conceitual pode ser levada a sério? Devemos achar bonito e aceitar os padrões da sillueta e dos figurinos propostos? São questões que desamparadas de imagem podem ser respondidas com muitos adjetivos positivos, mas, quando acompanhadas, a situação pode mudar. O que você diria se vir um homem pelas ruas da cidade ou em um escritório vestindo roupa feminina com cortes clássicos, excelente alfaiataria, cores sóbrias e acompanhadas de uma linda bota com babados na borda?

 

Chega de indagações, vou apresentar para você uma seleção de fotos do desfile do estilista JW Anderson, que ocorreu na London Fashion Week, a semana de moda que lançou a coleção inverno 2013-14, e quero que você tire as suas próprias conclusões. Intitulada de Matemática do Amor, Anderson praticamente subverteu as fronteiras entre a moda masculina e a feminina – agora quem usa a roupa da menina é o menino.

 

A coleção apresentada tem todas as características da moda feminina: babados nos shorts e blusas até o pescoço, tipicamente femininos, deram o tom decorativo a coleção. Os jornalistas de moda costumam dizer que Anderson não é apenas um dos designers mais emocionantes da moda, é, também, muito interessante e inteligente, criativo e inovador.

Outro estilista que optou por deixar a coleção afeminada foi o Christopher Kane. Tudo começou com uma camiseta que ele fez na coleção feminina com a estampa do Franskstein. Ele percebeu que os meninos estavam roubando as camisetas delas, daí decidiu desenvolver uma só para eles nesta coleção de inverno 2013-14. Na coleção tem também calça skinny, malhas com estampas de leopardo e grandes casacos peludos e fofinhos. Veja algumas criações nas fotos abaixo.

A estilista Vivienne Westwood também mostrou a coleção para eles. Os tradicionais xadrezes com pegada streetwear, detalhe para as sobreposições que ela faz nas produções.

Entre sacos empilhados de lixo, Meadham Kirchhoff mostrou a coleção para os homens na semana de moda londrina. Aqui, a subversão aparece nos meninos com sandálias e meias, pérolas e listras.

Se a ideia é se divertir com a moda então dê adeus aquele sweater cinza chato. Deu a louca nos irmãos Sid Bryan, Joe Bates e Mc Creery Cozette e eles mergulharam as malhas no mundo divertido dos desenhos. Eles adoram o mundo dos desenhos e a influência é sempre a música e a arte.

Por mim ficaria horas aqui mostrando as novidades do mundo da moda masculina, porém tenho que parar em algum momento se não o editor me mata, mas, para não dizer que tudo é subversivo e que a moda não é para quem entende de moda, vou postar algumas referências menos carregadas de energia conceito…se é que você me entende.

 

A coleção de Ford veio enraizada no início dos anos sessenta. O estilista elaborou uma coleção priorizando a silueta que veio mais fina mas não apertada. Paletós, camisas, coletes e belos sapatos.

Tá, mais um pouquinho e eu acabo. Um vídeo do desfile de Alexander McQueen, pode ser? Vamos lá, aperte o play e assista comigo.

 



Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda no Blog do Mílton Jung, aos sábados

Foto-ouvinte: a desconstrução se transforma em arte urbana

 

Arte urbana

 

Foi comprado para atender o sonho de um dos milhões de brasileiros que trocaram as pernas pelas quatro rodas de um automóvel. Deve ter guiado seu dono a lugares desconhecidos por nós. Tão misteriosos quanto o seu rumo foram os motivos de seu abandono. Pode ter sido a ingratidão de quem usufruiu dele enquanto esteve forte. Talvez a pobreza que impediu o pagamento das taxas, impostos, multas, reparos e combustível necessários para rodar. Quem sabe a intervenção do ‘amigo do alheio’ que se apropriou indevidamente dele para depois descartá-lo? Provavelmente jamais saberemos detalhes da vida pregressa desta carcaça de automóvel encontrada em uma das ruas de São Paulo. A única certeza é que hoje o que antes foi carro hoje se transformou em uma espécie de arte urbana misturada a um cenário caótico e colorido.

 

N.B: Por desatenção desta blogueiro, o nome do autor da foto não foi registrado.

De politicamente correto

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

O que quer dizer politicamente correto? O advérbio que dá qualidade a um adjetivo é um fator excludente na comunicação. Se eu digo que estou fisicamente cansada, excluo o cansaço mental, ou de outro tipo. Descrevo meu cansaço. Agora, correto é correto e pronto. De novo me lembro das coisas que meu pai dizia. Quando alguém comentava que fulano era muito honesto, ele interferia: não existe ninguém muito honesto, nem pouco honesto. Ou você é honesto ou não é.

 

O governo anterior fez uma tentativa parcialmente fracassada, de uniformizar parte da língua pátria. Ela não vingou legalmente, mas infelizmente de certa forma vingou porque está minando a fala da mídia, que leva a cartilha a sério. O falar e o escrever dos seus funcionários estão banhados nela. Mais grave ainda é o que está acontecendo com a linguagem e as ideias na literatura infanto-juvenil.

 

Mas você deve lembrar de:

 

Atirei um pau no ga-to-to
Mas o ga-to-to não mor-reu-reu-reu
Dona Chi-ca-ca ad(i)mirou-se-se
Do ber-ro, do ber-ro que o gato deu.
Miau!

 

Pois bem, já tem muita gente ensinando as crianças a cantarem:

 

Não atire o pau no gato-to
Porque is-so-so
Nao se faz-faz-faz
O gatinho-nho
É nosso amigo-go
Não devemos maltratar os animais
Jamais! (em algumas versões você encontra Miau!)

 

Odeio o politicamente correto. É preconceituoso, totalitário, prepotente e burro. Sou pelo respeito. Essa maneira de tentar amordaçar línguas e mentes, e salientar diferenças em vez de igualdades, me lembra a época do colégio, quando a gente tinha que encapar os livros malditos pelo regime da época.

 

E por falar nisso tudo, a presidente Dilma foi vaiada ao se referir a presentes na 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência como pessoas “portadoras” de deficiência. Foi vaiada pela platéia. Depois se corrigiu dizendo: Desculpa, pessoas com deficiência. Entendo vocês, porque portador não é muito humano, não é? Pessoa é”. E foi aplaudida.

 

Socorro!

 

“O politicamente correto é a negação da própria vida,” diz Ilan Brenman no seu livro “A condenação de Emília: O politicamente correto na literatura infantil”, editora Aletria, que nasceu da sua tese de doutorado em Educação, pela USP. Recomendo.

 

Então começo a treinar. No Rio Grande do Sul brigadeiro é negrinho. Quer dizer que daqui para frente vou ter que pedir, na doceria, um afro-descendentezinho? E você, imagine-se lendo para os pimpolhos, na cama antes de dormirem, A Euro-Caucasiana e os sete verticalmente comprometidos…

 

… ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Para acompanhar, joias e acessórios

 

Por Dora Estevam

 

As joias estão cada dia mais sofisticadas. De grife ou não, encantam e seduzem as mulheres, que adornadas se enchem de beleza e entusiasmo. A moda, mesmo minimalista, não fica sem os tais acessórios. Lisos ou cravejados, joias verdadeiras ou imitações, das bijus baratas às bijus caras, todos têm seu encanto.

 

Os editoriais de revistas exageram pois sabem que causam um desejo significativo nas mulheres, o desejo de possuir. Eles realmente enfeitam. Há as mulheres que preferem poucos, há as que gostam e usam muitos ao mesmo tempo. Nas fotos de street style também podemos ver como as pessoas usam os acessórios, neste caso homens e mulheres.

 

O fato é que sem os acessórios a roupa não fica completa. Pelo menos o kit básico tem que ter brinco, colar, anel e pulseira.

 

Em termos de referências os spikes deram o ritmo rocker à moda, eles vieram cravejados em couro e impulsionaram a moda dos acessórios. Coloridos ou não várias marcas continuam apostando neles. Vejam estes modelos de braceletes em prata, lindíssimos.

Mas nem só de spikes vive a moda dos acessórios, vejam estes modelos criados pela designer Marie-Helène de Taillac, com penas em ouro.  Ela se inspirou na Índia para desenvolver as peças. Habilidade de artesã.

No universo das joias tudo vira material de inspiração. Há a necessidade de se expressar, os designers encontram paixão nos detalhes, uma verdadeira fantasia alquimista. Para a designer Delfina Delettrdz este é um mundo irônico, surreal, e onírico. Dá só uma espiada nas peças da moça.

Se você esta achando complexo isso tudo, veja estas fotos de editoriais nos quais os objetos pontiagudos e as pedras se encontram trazendo um aspecto exageradmente divino.

Note nas pessoas como tudo flui quando usados nas ruas. São inúmeros sapatos, bolsas, brincos, bolsinhas de mão, óculos. O verdadeiro mundo dos acessórios.

Depois da febre dos aneis de falange, dos aneis de três dedos, dos brincos ear cuff, uma peça grande, que envolve boa parte da orelha e dos maxicolares, qual será, na sua opinião, o acessório de 2013?

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.