A cara de São Paulo aos 459 anos

 

 

Foram dezenas de imagens, enviadas desde o primeiro dia em que convidei os ouvintes-internautas a participarem desta série no Blog. Imagens de pessoas pedalando, conversando, caminhando, passeando pela cidade. Imagens de prédios, casas, praças, pontes e horizontes de São Paulo. Algumas de hoje, outras de um passado gostoso de lembrar. Feitas de helicóptero, de dentro do carro, da janela de casa, do topo do prédio, em pé na calçada. Todas revelando um pouco da cara da nossa cidade que completa 459 anos de fundação, nesta sexta-feira, 25 de janeiro. A todos que participaram desta promoção, meu agradecimento por entenderem o espírito deste ato, o de compartilhar a história de São Paulo

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

 

Arte na Igreja do Calvário

 

A Igreja é de 1926; o grafite, obra recente, assinada por Eduardo Kobra. Para a ouvinte-internauta Tina Kalaf, a “Igreja do Calvário emprestando sua face para o novo” é a Cara de São Paulo aos 459 anos, série fotográfica promovida pelo Blog do Mílton Jung. A reunião destes dois tempos em uma mesma cena pode ser encontrada na rua Cardeal Arcoverde, 950, bairro de Pinheiro.

 

Veja o álbum de imagens coma Cara de São Paulo aos 459 anos.

 

PS: Por descuido deste blogueito, ao publicar o post, troquei o nome do autor da foto, que já está corrigido, o que não me exime de culpa.

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

 

O sol nasce na Mooca

 

Um céu colorido pelo dia que começa na Mooca, dos mais tradicionais bairros da capital paulista, foi escolhido pela ouvinte-internauta Ana Lucia Vieira Santos para representar a “Cara de São Paulo aos 459 anos”. Esta vista, ela tem do terraço do prédio onde mora.

 

Veja o álbum completo com fotos enviadas pelos ouvintes-internautas e nossos colegas da CBN com a “Cara de São Paulo aos 459 anos”.

Conte Sua História de SP: cheguei dia 25 para ficar

 

Por George Nogueira de Lima
Ouvinte-internauta do Jornal da CBN

 

Ouça o texto que foi ao ar na CBN, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

Vinte e cinco de janeiro de 1999. Foi exatamente esta data que saí de Fortaleza, no Ceará, para tentar a vida em São Paulo. Viajei por aproximadamente 50 horas em busca de fazer a vida na “cidade grande”. Tinha apenas 19 anos. Se quer tinha concluído o ensino médio. Tão logo cheguei na cidade comecei a trabalhar de office boy em uma pequena assessoria de cobrança, que fechou as portas em menos de seis meses de atividade. Foi aí que comecei a fazer o supletivo para concluir o ensino médio e melhorar as expectativas de vida. Concomitantemente, fui trabalhar na região do Brás, fazendo estoque em uma loja de cama, mesa e banho.

 

Findo o ano de 1999, conclui o ensino médio e emendei o vestibular em uma faculdade de Direito. A partir daí, as coisas melhoraram, e com pouco mais de seis meses de faculdade consegui um estágio, minimizando um pouco o sofrimento de pegar caixas pesadas e percorrer as ruas Orientes, Maria Marcolina e adjacências. Concluí o curso de Direito no fim de 2004 e fui aprovado no primeiro exame da Ordem dos Advogados.

 

São Paulo me propiciou a fazer uma graduação. Também formei família. Hoje, tenho uma vida estável com casa própria, carro novo, faço viagens com a família … Tenho uma vida privilegiada, mas que me custou muito suor, noites em claro, frio, calor, saudades. Não foi fácil, mas não vim em busca de facilidades. Quem quer trabalhar, venha para São Paulo. Aqui tem. Tem trabalho e oportunidades. Hoje, sem renunciar a minha terra natal, me sinto cidadão paulistano. Sempre retorno à Fortaleza para gozar parte das minhas férias, mas sinto que meu lugar é São Paulo.

 

George Nogueira de Lima é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br e comemore os 459 anos de São Paulo.

Minha visita à Coimbra portuguesa

 

Por Julio Tannus

 

Coimbra, Portugal

 

Em tempos longínquos o local foi ocupado pelos Celtas, mas foi a romanização que transformou esta região culturalmente. A sua presença permanece nos vários vestígios arqueológicos guardados no Museu Nacional Machado de Castro, construído sobre o criptopórtico da Civita Aeminium, o fórum da cidade romana. Depois vieram os visigodos entre 586 e 640, alterando o nome da localidade para Emínio. Em 711, passa a ser uma cidade mourisca e moçarabe. Em 1064 é conquistada pelo cristão Fernando Magno e governada pelo moçarabe Sesnando. 

A cidade mais importante ao Sul do Rio Douro foi durante algum tempo residência do Conde D. Henrique e D. Teresa, pais do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, que ali nasceu. Por sua mão é integrada em território português em 1131. Datam desse tempo, em que Coimbra foi capital do reino, alguns dos monumentos mais importantes da cidade: a Sé Velha e as igrejas de São Tiago, São Salvador e Santa Cruz, em representação da autoridade religiosa e das várias ordens que aqui se estabeleceram.

 

Foi em Coimbra que aconteceu o amor proibido de D. Pedro I (1357-67) e da dama de corte D. Inês, executada por ordem do rei D. Afonso IV, que viu nesse romance o perigo de uma subjugação a Castela. Inspirando poetas e escritores, a sua história continua a fazer parte do património da cidade. 

Durante o Renascimento, Coimbra transformou-se num lugar de conhecimento, quando D. João III (1521-57) decidiu mudar definitivamente a Universidade para a cidade, ao mesmo tempo que se criavam inúmeros colégios em alternativa ao ensino oficial. 

No séc. XVII os jesuítas chegaram à cidade, marcando a sua presença com a construção da Sé Nova. No século seguinte, a obra régia de D. João V (1706-50) enriquecerá alguns dos monumentos de Coimbra e sobretudo a Universidade e o reinado de D. José I (1750-77) fará algumas transformações pela mão do Marquês de Pombal, sobretudo no ensino. No início do séc. XIX, as Invasões Francesas e as guerras liberais portuguesas iniciaram um período conturbado, sem grandes desenvolvimentos para a cidade. Desde então foram os estudantes que a recuperaram e a transformaram na cidade universitária por excelência em Portugal.

 

História da Universidade

 

Coimbra, Portugal

 

Ao assinar o “Scientiae thesaurus mirabilis”, D. Dinis criou a Universidade mais antiga do país e uma das mais antigas do mundo. Datado de 1290, o documento dá origem ao Estudo Geral, que é reconhecido no mesmo ano pelo papa Nicolau IV. Um século depois do nascimento da nação, germinava a Universidade de Coimbra. Começa a funcionar em Lisboa e em 1308 é transferida para Coimbra, alternando entre as duas cidades até 1537, quando se instala definitivamente na cidade do Mondego.

 

Inicialmente confinada ao Palácio Real, a Universidade espraiou-se por Coimbra, modificando-lhe a paisagem, tornando-a na cidade universitária, alargada com a criação do Pólo II, dedicado às engenharias e tecnologias, e de um terceiro Pólo, devotado às ciências da vida. Estudar na Universidade de Coimbra é dar continuidade à história da matriz intelectual do país, que formou as mais destacadas personalidades da cultura, da ciência e da política nacional.

 

Com mais de sete séculos, a Universidade de Coimbra conta com um património material e imaterial único, peça fundamental na história da cultura científica europeia e mundial.

 

Coimbra
Amália Rodrigues

 

Coimbra é uma lição
De sonho e tradição
O lente é uma canção
E a lua a faculdade
O livro é uma mulher
Só passa quem souber
E aprende-se a dizer saudade
Coimbra do choupal
Ainda és capital
Do amor em Portugal, ainda
Coimbra onde uma vez
Com lágrimas se fez
A história dessa Inês tão linda
Coimbra das canções
Coimbra que nos põe
Os nossos corações, à luz…
Coimbra dos doutores
Pra nós os teus cantores
A fonte dos amores és tu.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve, às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

Ponte Estaiada do alto

 

A Ponte Estaida, a despeito das polêmicas em torno de sua construção e funcionalidade, é o mais novo cartão postal da cidade. Inaugurada em 2008, batizada Octávio Frias de Oliveira e construída sobre o rio Pinheiros, é das imagens que mais chamam atenção em São Paulo. Na novela, na televisão, nas fotos feitas por ouvintes-internautas e, não poderia ser diferente, no foco da nossa colega Isabel Campos, que além de boa voz e repórter de rádio, tem olho clínico para captar as imagens da cidade, a ponte é a “Cara de São Paulo aos 459 anos”. Esta foto foi feita em um sobrevoo com o helicóptero da CBN.

 


Veja o álbum completo com as imagens enviadas pelos ouvintes-internautas para a série “A Cara de São Paulo aos 459 anos”.

Foto-ouvinte: a cara de São Paulo aos 459 anos

 

Prédio do Banespa
 

Batizado Altino Arantes, todos os chamam de prédio do Banespa. Os mais íntimos, Banespão. Mesmo que o dono atual seja o Santander. O edifício é um dos mais emblemáticos da capital paulista, o terceiro mais alto da cidade e o quinto, do Brasil. Tem a cara de São Paulo, como diz o autor da foto Ricardo Biserra.
 

Veja aqui o álbum com as imagens escolhidas pelos ouvintes-internautas da CBN para comemorar os 459 anos de São Paulo.

Conte Sua História de SP: nas ladeiras e bailes do Sumaré

 

Por Tarcísio Barbosa
Ouvinte-internauta da CBN

 

Ouça esta história sonorizada pelo Cláudio Antonio

 

Nasci em 15 de fevereiro de 1963, era um sábado de carnaval. Minha paixão por São Paulo pode ser descrita pela minha infância. Nasci e cresci no bairro do Sumaré num momento interessante de transição da cidade, dos anos 70 a 80.

 

Morávamos muito próximo da extinta Rede Tupi, que era a Globo da época, com liderança absoluta de audiência em todos os horários, sete dias por semana. Foi interessante conviver com o murmúrio dos fãs e atores que circulavam pelas redondezas. As novelas eram filmadas no terreno da “caixa d’água” como chamavam o reservatório de água da região, que ficava em frente ao prédio da Tupi, hoje MTV. Agora, ali é uma praça pública.

 

O bairro do Sumaré, por sua topografia, foi o berço do skate paulista. A pracinha do skate, na verdade, era um circuito de ruas muito calmas que estão entre a Dr. Arnaldo e a Heitor Penteado, com ladeiras perfeitas para o esporte. Nos fins de semana, se reuniam mais de 500 pessoas e até o tráfego de veículos era comprometido.

 

A década de 1970 foi recheada de skate, bailes domingueiros na Sociedade Esportiva Palmeiras e os bailinhos que aconteciam sextas e sábados nas garagens ou nas próprias casas. Nestas festas eram comuns brigas de turmas pois a rivalidade existia entre os moradores de diferentes locais do bairro.

 

No Sumaré também soltávamos muito pipas, diversão típica nas férias escolares.

 

Um fato interessante foi o convívio com os irmãos Vilas Boas. A sede da FUNAI funcionou durante anos em frente ao prédio que minha família morava na Rua Capital Federal. Assim convivíamos com os índios que eram trazidos do Xingu para tratamento ou outras necessidades.

 

Já na década de 1980, o bairro se tornou muito mais populoso e com concentração enorme de prédios. Não era mais possível andar de skate devido ao trânsito. A Tupi foi extinta, e virou Rede Manchete com suas operações concentradas no Rio, tirando todas as atividades da antiga sede. A Funai saiu do bairro. E a Sociedade Esportiva Palmeiras deixou de promover os famosos bailes domingueiros.

 

Não quero parecer nostálgico. A proposta não é essa. Quero, sim, dizer que amo minha cidade. São Paulo me proporcionou ser quem sou, e ter tido uma infância rica em brincadeiras na rua, em contato com as pessoas, sem medo de violência e desfrutando do convívio de muita gente interessante.

 

Vou completar 50 anos e, atualmente, moro no Cambuci com minha mulher minha filha e meu filho. Faço questão de passar pelas ruas do Sumaré sempre que possível, é uma forma de relembrar como foi boa minha infância e adolescência.

 

Tarcisio Barbosa é o personagem do Conte Sua História de São Paulo. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br e vamos comemorar juntos os 459 anos de São Paulo.

De definição

 

Por Maria Lucia Solla

 

Flores

 

Dizemos que o que se planta, se colhe; e ao mesmo tempo mora na mente a crença na sorte e no azar. Eu colho o que planto e vira e mexe me vejo de mãos dadas com uma ou o outro. Quando passo um tempo com um deles, depois da festa ou do sofrimento, me dou conta de quanto aprendo, de quanto cresço, de quanto tenho e do pouco que preciso. Tem também o fato de que o que é sorte para um pode ser azar para o outro. De qualquer ângulo que eu olhe, dentro ou fora do cerco, esses dois aparentados me dão a oportunidade de me tornar mais humilde e de me levar a entender que estar no comando do barco é uma função que se curva frente à força do mar. Sinto que vale mais o que tenho, do que o que não tenho.

 

Na verdade é preciso ter coragem para seguir o coração e para perceber a oportunidade que a sorte carrega. É pegar ou largar. Sorte e azar são duas faces da moeda, como tudo neste planeta de contrastes. Sorte vem vestida de alegria, satisfaz; azar vem devastando na porta de entrada. Agora, que a moeda cai de um lado ou do outro e vira a vida de pernas para o ar, isso não dá para negar.

 

Tenho aprendido que não é a sorte que vem até mim, mas sou eu que percebo o caminho até ela e decido ficar ali o maior tempo possível. Cada um escolhe o seu caminho, ou não…

 

“A definição está sujeita a revisão; é um ponto de partida, não algo esculpido em pedra para ser defendido até a morte.” Daniel C. Dennet, no livro que ganhei do Dimas e do Zeca, Quebrando o Encanto.

 

Até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

A semana de moda masculina de Milão

 

Por Dora Estevam

 

Apesar de estarmos no meio da semana de moda de Paris, quero que você veja algumas tendências apresentadas na semana anterior, a de Milão. Os italianos apresentaram uma coleção mais próxima da realidade, mostraram que sabem fazer roupas masculinas. Ternos bem cortados, alfaiataria perfeita, sweaters coloridos e calças mais largas. Acompanhe os comentários dos editores que se sentaram nas primeiras filas dos desfiles e foram entrevistados pelo querido Tim Blanks da Style.com.

 

Gucci

 

 

Prada

 

 

Dolce & Gabbana

 

 

Street style, shooting dos editores

 

Vou mostrar para vocês algumas fotos dos editores que foram cobrir a semana. Veja como eles se vestiram para a cobertura.Esteja atento às roupas das meninas. Influência masculina total.

 

 

Paris

 

E segue até domingo, dia 20, a semana de moda de Paris, vejam estas fotos do primeiro dia dos desfiles, que começou na quarta-feira, dia 16.

 

 

E então, quais as suas impressões com relação a moda italiana e parisiense?

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung, aos sábados.