As mulheres e as bolsas

 

Por Dora Estevam

 

Como diz uma amiga jornalista do NY Magazine: “Bolsas e sapatos são como manteiga de amendoim e geleia – você não pode ter um sem o outro”. Por aqui diríamos pão com manteiga, talvez. O fato é que agora que as coleções estão todas nas lojas é hora de planejar a compra da sua bolsa PC: pão com manteiga. Que vai combinar com o seu sapato, sua roupa, sua maquiagem, a que vai complementar, ou seja, o seu sanduíche.

 

 

Os modelos para noite continuam em alta, sempre na moda e sempre com um charme descolado ou clássico chique, as minaudières (dengosas em francês) reaparecem nesta temporada em tons e texturas adaptados à moda brasileira e estão mais acessíveis devido as várias marcas que aderiram ao acessório nesta temporada.

 

A minaudière é uma pequena bolsa muito charmosa criada durante a década de 1930 por Charles Arpels, de Van Cleef & Arpels. Ainda na época muitos joalheiros e designers criaram seus próprios modelos. A proposta sempre foi esta mesmo, ser uma caixa pequena para guardar pouquíssimos objetos: batons, kit de sombras, cigarrilhas. Hoje, batom, camisinha, carteira de habilitação… o que mais você preferir.

 

As carteiras, muito usadas nos anos 70 e 80, reaparecem com abas em efeito envelope, com pequenas alças pra colocar em baixo do braço, elas são ótimas para coquetéis, casamentos ou jantares.

 

 

Para quem não consegue largar tudo em casa na hora de sair para o trabalho e quer ficar charmosa e arrumada, as bolsas desejadas do momento são as ladylike, estruturadas com laços em várias tonalidades que facilmente podem ser combinadas com as suas roupas. Para as mais recatadas a ideia é sair com a ladylike em um tom só, mas no caramelo com pouco de brilho e detalhes que oferecem um olhar feminino.

 

 

Vamos ver vários modelos de bolsas aqui (e por todo post) para descobrir o que está faltando no armário e ir às compras. Todos os detalhes são válidos na hora da escolha, das alças aos zíperes.

 

 

Boas compras!

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda no Blog do Mílton Jung, aos sábados

Foto-ouvinte: coleta seletiva e carro sem controle

 

Carro lixo

 

Sem coleta seletiva que atenda as necessidades de São Paulo, a prefeitura abre espaço para imagens como esta flagrada pelo ouvinte-internauta Jomar Silva, na avenida Santa Amaro, zona sul. Carros sem qualquer condição e colocando em risco a vida de todos, transportam enormes sacos com material reciclável. Jomar não entende é como um veículo desses pode rodar pelas ruas da capital neste estado: “passou pela Controlar?”.

IPTU ignora interesse da população

 

Por Julio Tannus

 

O IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano – estabelecido pela Prefeitura do Município de São Paulo, e de conformidade com a legislação definida pela Câmara dos Vereadores, atende somente aos interesses de órgãos públicos. Ou seja, ignora os interesses da população, a quem deveriam representar.
Ao analisarmos o que foi cobrado nos últimos oito anos no bairro de Higienópolis, zona Oeste da capital paulista, duas questões são absolutamente relevantes:

 

1) O aumento desse imposto está acima de qualquer índice econômico, conforme pode ser observado no quadro abaixo. De 2005 a 2012 o IPTU mais que dobrou de valor. A explicação que conseguimos apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados. E aqui levantamos a questão: se sou proprietário de um imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

 

O retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente. Ou seja, continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança. E assim por diante…

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung

A primavera, o verão e as estampas brasileiras

 

Por Dora Estevam

 

As araras das lojas brasileiras nem bem estão abastecidas com a coleção de verão e as peças estampadas já são destaques em todas vitrines. Depois da febre no calor americano e europeu,é a nossa vez. São tantos temas de estampas que você precisa olhar com carinho especial. Aqui estão as principais: florais, paisley (indianas), lenços e geométricas.

 

Na loja da marca Daslu a calça floral tem feito muito sucesso, nem bem chegou virou hit da estação. A ex-funcionária da loja, carinhosamente chamada e Dasluzete, Paulinha Abarno, apareceu esta semana com uma calça floral da marca no Facebook. Foi um sucesso.

 

 

A Daslu ainda optou pelos paisley – em formato de folhas arredondadas que foram muito usadas nos anos de 1970 -, geométricos e florais. Todas podem ser misturadas com peças lisas, cores neutras ou com cores mais fortes como os fluors, dependendo da estampa.

 

 

Em fotos de agências de notícias é comum encontrarmos celebridades com calças estampadas, que deixam o corpo realmente bonito. Há combinações de camisetas nas cores clássicas e sapatos neutros. Há quem combine tudo da mesma estampa. E as que misturam estampas com listras. Vai do gosto pessoal.

 

 

 

A tendência dos estampados foi destaque das passarelas de marcas internacionais como Stella McCartey, Oscar De La Renta, Balenciaga, entre outros.

 

Outra marca que optou por estampas foi a Mixed. Assista comigo ao making off da coleção de verão 2013 que já está nas lojas.

 

 

A marca fast fashion 284 também optou pelos estampados para compor as peças da coleção nova. Veja na foto abaixo o vestido lindíssimo da marca.

 

 

Definitivamente, 2013 não é ano para reprimir os seus desejos, vá em frente e use muitas estampas.

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida aos sábados, no Blog do Mílton Jung

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Como resolver o problema das calçadas da sua cidade

 

Texto publicado no Blog Adote São Paulo, da revista Época SP

 

 

Buraco na calçada dá lucro

 

Há oito anos, pouco depois da eleição municipal fiz enquete com personalidades paulistanas no programa que apresentava na rádio, o CBN São Paulo, com a intenção de saber o que gostariam de pedir ao prefeito que assumiria o cargo em breve, no caso José Serra (PSDB). Fiquei surpreso ao descobrir que para boa parte dos entrevistados calçadas bem cuidadas seriam suficientes para deixá-los mais felizes e satisfeitos com a administração municipal. Justificavam-se os pedidos feitos pelo rádio, afinal é nas calçadas que a cidade vive, somos todos pedestres, por mais que a maioria de nós seja fanática por carro. E como são mau cuidadas as calçadas que estão em nosso caminho. São tantos buracos, desníveis, barreiras e falta de espaço que se transformam em cenário de cerca de 100 mil acidentes por ano.

 

Nessa quinta-feira, conversei com Marcos de Souza, editor do Mobilize Brasil, site que acaba de concluir relatório sobre as condições nas calçadas do país, a partir de consulta feita em 228 lugares de 39 cidades com jornalistas e voluntários pela internet. A nota média das calçadas brasileiras foi de 3,55 e a capital paulista não foi muito além disso, pouco mais de 3,6. Nos dois casos, bem abaixo do 8, avaliação considerada aceitável para uma calçada. Se olharmos os dados apenas da cidade de São Paulo veremos que as calçadas também espelham a desigualdade que encontramos em outras áreas, pois temos a avenida Paulista com nota que chega a 9,3 e a rua Barão de Itapetininga com 8,75, no topo da lista. E lá embaixo, aparecem as calçadas da avenida Guarapiranga, na zona Sul, que receberam nota zero e as da rua do Oratório, na Mooca, que levaram nota 1.

 

Em São Paulo, temos 32 mil quilômetros de calçada usadas por cerca de 7,5 milhões de pessoas que fazem mais ou menos 14 milhões de viagens por dia. Por lei cada proprietário é responsável pelo seu espaço diante das casas e prédios, mas a prefeitura tem papel fundamental para a boa qualidade destas calçadas a começar pelo papel fiscalizador. Mais do que isto, porém. Deve dar prioridade ao tema, investindo o dinheiro que está reservado no Orçamento Municipal, calcula-se R$ 26 milhões, nas áreas em que o movimento é maior. Sabe-se que se houver uma força-tarefa em 10% das vias 80% dos problemas de acessibilidade serão resolvidos. Importante para isso mapear os locais onde ocorre a maior parte das viagens e acidentes.

 

Quem sabe o próximo prefeito não se comprometa com esta ideia!?

"Falta uma visão global da cidade", diz Lerner

 

Protesto no M'Boi Mirim

 

“Falta uma visão global da cidade” disse o urbanista e arquiteto Jaime Lerner em entrevista nesta segunda-feira ao Jornal da CBN. Com a experiência de quem ofereceu soluções para Curitiba e se transformou em referência internacional Lerner ensina que a cidade é uma estrutura de vida, trabalho e lazer e para se enfrentar os desafios impostos aos governantes é preciso soluções conjuntas. Ele entende que além das questões básicas como educação, saúde e segurança, é preciso estar preparado para encarar três pontos fundamentais, hoje em dia: mobilidade, sustentabilidade e tolerância.

 

Uma das coisas que o incomoda é o fato de a maioria das pessoas insistir na manipulação da tragédia, sempre apresentando os dados negativos da cidade, reclamando do seu tamanho e da falta de dinheiro no Orçamento. Defende que se resolva os problemas com o que se tem e se use a nossa energia para mudar tendências: “se você projeta a tragédia, aumenta a tragédia”.

 

Jaime Lerner diz que é um falso dilema que se coloca à população quando se discute investimento em carro ou em metrô. Alargar ruas e avenidas para melhorar a fluidez é transferir o congestionamento de um ponto para outro, e as cidades não têm dinheiro suficiente para ampliar as linhas de metrô. O que fazer então? Como mais de 80% das pessoas andam na superfície deve-se “metronizar o ônibus” colocando-os a circular em corredores inteligentes que aumentem a velocidade do transporte. Usa como exemplo o projeto de mobilidade do Rio de Janeiro para a Copa do Mundo e Olimpíadas, onde se estende apenas uma linha de metrô e se coloca o restante do dinheiro na modernização do sistema de ônibus.

 

“A cidade tem de ser como uma tartaruga, exemplo de habitação, trabalho e movimento, tudo junto”, compara Lerner que enxerga o casco da tartaruga como uma tecitura urbana que se for dividida mata o animal. “Está se separando a cidade por funções, separando as pessoas por guetos de gente rica e guetos de gente pobre.” Para Lerner é preciso resolver melhor a convivência das pessoas, aproximando o trabalho da casa e a casa do trabalho, o que reduziria a necessidade de investimento em transporte.

 

O que será que o seu candidato a prefeito e a vereador pensam sobre isto? Pergunte a ele e cobre soluções para os problemas que fazem parte do nosso cotidiano, antes de definir o seu voto.

 

<a href="”>Ouça a entrevista completa de Jaime Lerner ao Jornal da CBN

De incerteza

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Nós, filhos dos homens, nascemos e renascemos infinitas vezes numa vida só. Sempre sós. Todos nós. Ressuscitamos como nos fez ver o filho Dele, e a cada ressuscitar temos oportunidade de ver o novo a piscar. Tudo sempre novo. É paralisar, ou experimentar e enfrentar. Nos esforçamos no entanto para acreditar que tudo continua como era, pelo medo de soltar o velho, de deixar ir a dor e o prazer conhecidos, mas nada continua. Nada permanece. Vida é pura e simplesmente impermanência. Repetimos o que ouvimos, dizendo que vida é movimento, do mesmo modo que rezamos o Pai Nosso e a Ave Maria, como dizemos eu amo você, como dizemos quase tudo o que dizemos. Sem sentir. Sem verdade. O som corneteia pela boca, acostumado e apressado que é, e amordaça a alma. Usamos frases já feitas para não correr o risco de aceitar que nada é como antes, não é, Mílton Nascimento?

 

Rugas redesenham nossos corpos, a pele cansada de se agarrar em nós se afasta e a gente renasce. Sempre. Tem quem coleciona dores, tem os que preferem amores. Tem os que miam e tem os que criam, os que param enquanto outros se preparam e os que se queixam, com medo de continuar, com medo de se olhar de perto. Param no ponto. Passa uma, passa outra oportunidade, e nos esquivamos delas com medo de embarcar em mais uma viagem divina, aqui na Terra. Mas está ali, ao alcance da mão, sempre. Se a gente consegue se distanciar um pouquinho que seja do próprio ego, percebe que a certeza é só fumaça aprisionada por ele, fumaça que asfixia a incerteza, parteira do renascer.

 

E é por isso que eu me despeço de você, meu caro e raro leitor – plagiando o nosso hospedeiro, Mílton Jung – a quem não canso de agradecer por fazer parte deste plantel. Preciso parar para rever as minhas certezas e descartar uma a uma até chegar na incerteza que vai, espero, descortinar na minha vida a beleza que vislumbro de bem perto, sem conseguir realmente alcançá-la. Preciso parar para aprender, para sentir na pele o viver, para poder de novo querer e ter o que dizer.

 

Não sei dizer de quanto tempo preciso, mas conto com você para não me esquecer. Agradeço pela companhia e espero que possamos nos encontrar assim como quem não quer nada, numa próxima parada do trem do viver.

 

Agradeço por estes quase sete anos de encontros semanais, e espero voltar logo.

 


Leia aqui todos os textos escritos por Maria Lucia Solla

 

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Destaques Brasil primavera-verão 2013

 

Por Dora Estevam

 

Lançamentos que agitaram a semana dos lojistas. O varejo agradece. Foram muitas as marcas que rechearam as araras com as novas peças. E tem muita roupa bonita.

 

A moda está bem divertida: metálicos, franjas, cores vibrantes como os fluors, sandálias de tiras, super femininas, estampas (aliás, força total para os famosos conjuntinhos) e muito brilho; estampas étnicas e geométricas, sem contar as rendas e o couro.

 

Como eu gosto de dividir com você as novidades da moda, separei alguns vídeos de marcas bem legais que nesta semana fizeram eventos e desfiles para avisar as clientes que o novo já chegou. Varejo, e-commerce e atacado, todos abastecidos para atender a demanda desta temporada.

 

Vamos começar com a marca fast fashion Pop Up Store, da Fabiana Justus, apostou nos metálicos, tricôts, néons e nas franjas para a nova estação. Confira no vídeo gravado com exclusividade pela e-commerce OQVestir, no evento Fashion Day In, empresa virtual que agrega várias marcas nacionais. O desfile foi transmitido simultaneamente para a loja do Shopping Market Place, em SP. Confira!

 

 

A marca sofisticada Daslu apresentou o desfile num cenário primaveril, flores e mais flores alegraram o ambiente. Convidadas ricas e bonitas, o público perfeito para consumir a marca. Destaque para os conjuntos estampados e para os fluors. Veja o desfile de apresentação da grife, que também apostou na transmissão simultânea direto do Shopping Cidade Jardim para o novíssimo JK, SP. Play!

 

 

A estilista Adriana Barra também lançou o verão 2013 no mercado, em grande estilo. As estampas exclusivas são meticulosamente escolhidas pela estilista, ela coloca a peça no corpo para dizer exatamente onde cada estampa deve ficar. Este foi um making off da campanha dela que separei para você. Veja!

 

 

Se o varejo conseguiu abastecer as araras para receber o verão, apostando nas grandes vendas e demandas, o atacado também (além de entregar no prazo) já abasteceu os showroons com estoques para a reposição das lojas. É o caso das marcas que atuam no Itaim, bairro conhecido por confecções e atacadistas em SP. A Seventy Nine, marca para mulheres maduras, tem grades de numeração e cores de lindas camisas e regatas de seda, vestidos e saias fluidas, ela apostou nas cores clássicas como o branco, marinho e preto, com pitadas de cores atuais como azul klein, terrosos e estampas étnicas.

 

 

A Nem (também para mulheres clássicas e contemporâneas) apostou nos fluors verde e amarelo, nos terrosos, estampas em animal print e nos brilhos para a noite. Veja na entrevista que fiz com uma das proprietárias da marca a empresária Eloísa Pêra.

 

 

Neste post eu coloquei algumas marcas que particularmente tenho gostado de ver as novidades e acompanhar a movimentação. São marcas relativamente básicas e fáceis de encontrar em lojas paulistanas. Espero que tenham gostado das marcas.

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados

Enquanto isso no STF …

 

 

Imagem acima, colaboração do colega de Justiça e Cidadania Walter Maierovitch, é criação do Michelangelo das Caricaturas, Honoré-Victorien Daumie. Para que não fiquem dúvidas, o francês morreu em 1879, portanto qualquer semelhança com as sessões do STF é mera coincidência.

A incoerência no licenciamento de veículo

 

Por Julio Tannus

 

Voltando para São Paulo no final de 2011, num sábado lá pelas 15h pela Rodovia Washington Luiz, minha viagem foi subitamente interrompida por um policial militar rodoviário. Estava distante de SP um pouco mais de 400 km, próximo de São José do Rio Preto. Após apresentar a documentação de praxe – CNH e Certificado de Propriedade – fui solicitado a entrar no Posto de Polícia Rodoviária e incontinenti me informaram que o licenciamento estava vencido. Em consequência, o meu carro seria guinchado, levado para algum local na cidade de São José do Rio Preto por meio de um guincho de empresa terceirizada, e que, na segunda-feira, eu deveria me dirigir nessa cidade a um posto de Poupatempo para pagamento da dívida pendente.

 

Incrédulo, argumentei que deveria estar ocorrendo algum equívoco, pois sou absolutamente rigoroso com minhas contas. Após constatar no terminal de computador que efetivamente meu licenciamento estava vencido, lembrei-me que na época de renovação do licenciamento estava totalmente absorto em questões médicas de pessoa da família.

 

Foi assim que iniciei um longo processo de questionamento junto aos policiais presentes.

 

Resumidamente:

 

– Por que não posso pagar agora o valor devido e ter meu carro liberado?
– Por que não posso ir até uma cidade próxima e num caixa eletrônico saldar a dívida e ter meu carro liberado?
– Por que não é lavrada uma multa devido ao não pagamento do licenciamento e assim ter meu carro liberado?
– Por que não fui alertado que o meu licenciamento estava vencido?
– Por que um cidadão que sempre honrou com suas obrigações, é obrigado a ficar a pé quilômetros de distância de seu domicílio?
E, finalmente:
– Como pode uma lei exigir que uma autoridade policial deixe um cidadão a pé na beira da estrada, distante 400 km de sua moradia, por não ter pagado uma obrigação no valor de R$ 59,33?
– Como pode essa mesma lei não possibilitar que esse cidadão pague no ato a quantia exigida, possibilitando assim que prossiga sua viagem até o distante destino?

 

Por que então não manter a coerência?


 

– deixou de pagar a conta da Eletropaulo: a luz é cortada sem aviso prévio

– deixou de pagar a conta da Comgás: o gás é cortado sem aviso prévio

– deixou de pagar a conta da Telefônica: o telefone é cortado sem aviso prévio

– deixou de pagar a conta da Sabesp: a água é cortada sem aviso prévio

- deixou de pagar o IPTU: só entra em casa quando pagar e sem aviso prévio da penalidade

– deixou de pagar o licenciamento do carro: o carro é guinchado e o proprietário é colocado na beira da estrada, a noite, sem condução e a centenas de quilômetros de sua residência, sem aviso prévio da penalidade

 


Ou seja, a lei “olho por olho, dente por dente”

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung