Aumentar o número de leitores é a única saída

Encerrada a entrevista com o professor de História da Arte da PUC-Rio Elmer Correia Barbosa sobre a dificuldade para a edição de livros, no Brasil, veio a cobrança da colega e ouvinte-internauta Paula Calloni:

“Tava ouvindo a entrevista do prof. Elmer. Ansiosa, porque estou escrevendo um livro e queria saber mais sobre o “caminho das pedras”. Estando pronto, como fazer? Romaria nas editoras? Pagar do bolso pra publicar? E a entrevista se limitou a constatar que é difícil. E daí?

Como se faz? A informação principal, que muitos candidatos a escritores, como eu, esperavam, não veio.

Socorrooooo….”

Tem razão a Paula. Pelo menos em parte. Primeiro, a entrevista foi mais curta do que gostaríamos. A conversa estava boa, o entrevistado uma sumidade e de fácil comunicação e o assunto provocador. Mas o diabo do tempo nos impediu de seguir a frente e se aprofundar no tema. Quem sabe descobrir o “caminho das pedras” como me cobra de maneira pertinente a Paula Calloni.

Digo em parte, pois se ouvirmos a entrevista do professor ficará claro que a maior dificuldade para a distribuição dos livros é o número reduzido de livrarias e, causa ou consequência, o pequeno número de leitores. “Livro é um négócio”, destacou Elmer. E como tal deve ser tratado para que os autores consigam encotrar seu espaço.

Deixarei a entrevista para você ouvir, avaliar e comentar, principalmente. Quem sabe ajudar a Paula e todos os demais escritores que estão escravos deste mercado a lançarem seu primeiro, segundo e tantos mais livros.

De bastidor: Uma não-candidata

Anai Caproni no CBN SP

Fala mais grosso do que é alta. Não faz questão de sorrir. Tem olhos que revelam a falta de esperança e faz gestos com o rosto que reforçam esta impressão. No discurso é coerente com a comunicação não-verbal. Sem ilusão.

Assim se apresenta Anaí Caproni, a não-candidata a prefeito pelo PCO.

O Tribunal Regional Eleitoral ainda não deu a palavra final sobre se ela estará na disputa. Havia dúvidas sobre os compromissos eleitorais que deveriam ter sido cumpridos por ela (votar ou justificar a ausência em eleições anteriores) e sobre a prestação de contas do candidato a vice, Roberto Gerbi. E se o TRE rejeitar definitivamente o registro dele, ela também fica fora da disputa.

Todo este imbróglio apenas reforça o discurso do PCO e sua não-candidata: o jogo eleitoral foi feito para os grandes partidos e a elite brasileira.

Não são estas as justificativas para chamá-la de não-candidata. Anaí Caproni não tem nenhuma esperança – assim como seus olhos – de que o PCO consiga chegar a prefeitura. Nem mesmo uma vaga na Câmara de Vereadores. E nisso é muito mais honesta do que a maioria dos nanicos que participaram até aqui das entrevistas do CBN SP.

Por que disputar a eleição, então ?

Aproveitar o pouco espaço que tem (“milésimos de segundos na televisão) para vender o seu peixe: organização operária, poder a partir da base, etc, etc, etc. Se você realmente quiser fisgá-lo ouça a entrevista que está à sua disposição dois posts abaixo.

Pouco se falou sobre propostas para a cidade, mesmo porque seria incoerente uma não-candidata ter programa de governo. Fiz questão, porém, de falar de transporte público, afinal a Causa Operária abandonou o PT no governo Erundina quando o partido decidiu apoiar a extinção da CMTC. Anaí defende a reestatização do sistema, medida que – segundo ela – também não vingará pois há uma máfia (“a mesma que matou Celso Daniel”) interessada em explorar o trabalhador, etc etc etc. Ah, é contra o pedágio urbano, também.

Fim de papo. Hora das despedidas. Posso estar enganado, mas imagino tê-la flagrado com um sorriso disfarçado no rosto. Um risco de esperança, talvez, ou apenas agradecimento pela primeira entrevista na “grande mídia” desde que começou na campanha.


Perguntômetro

Três e-mails, dois Twitter, um comentário no blog.

Canto da Cátia: Nova Cracolândia sem luz

A prefeitura se esforça para rebatizar a região de Nova Luz, mas o cenário que a Cátia encontrou por lá não condiz com o desenhado nas notas oficiais. A Cracolândia, sem nenhuma luz, segue Cracolândia. Eram oito e meia da manhã de quarta-feira quando ela passou pela rua Helvétia e registrou a cena com o telefone celular. Preste atenção nas imagens. Quem encontrar um policial ganha um passeio de graça neste cartão postal de São Paulo.

Foto-ouvinte: Pão quente, cidade suja

Em vigor desde o ano passado, a Lei Cidade Limpa conseguiu retirar boa parte da publicidade externa que havia na capital. A foto do ouvinte-internauta Luis de Arruda Camargo, no entanto, mostra que nem todos são iguais – ou agem igual – diante da lei. A padaria que serve pão fresquinho aos clientes expõe sete anúncios, entre faixas, placas e cartazes na Rua Pacheco Chaves, no. 875, bairro da Mooca.

“Espero contar com a fiscalização da subprefeitura de Vila Prudente”, escreve Luis.

Foto-ouvinte 1: Pato andador


O pato de prontidão, posando como cão de guarda, no alto do telhado chamou atenção do ouvinte-internauta Francisco Navarro Junior que mora na Vila Talarico, zona leste de São Paulo. Ele decidiu compartilhar com os demais a imagem após ouvir no CBN SP a história de um pato que passeava, correndo risco de ser atropelado, na Avenida Ataliba Leonel, na zona norte, e acabou salvo por um motorista que o levou para casa. A dúvida cruel: seria este o mesmo pássaro andador ?

Candidata do PCO, Anai Caproni, é nossa entrevistada

Fechamos a semana de entrevistas com os candidatos à prefeitura de São Paulo recebendo a representante do Partido da Causa Operária, Anaí Caproni. Ela é a penúltima a participar desta série que se encerra semana que vem com a presença do prefeito-candidato Gilberto Kassab (DEM).

Você participa da entrevista que vai das 11 e cinco da manhã às 11 e meia deixando sua pergunta ou comentário aqui no blog, pelo email milton@cbn.com.br ou pelo Twitter.

Leia o perfil divulgado pelo PCO da candidata Anaí Caproni:

“Anaí Caproni nasceu em São Bernardo do Campo, tem oito irmãos e é filha de metalúrgicos do ABC. Seu pai, Manoel Caproni, trabalhou na montadora Perkins durante trinta anos e foi fundador do PT na região do ABC.
Nas eleições de 1982, época de ascenso do movimento operário principalmente na região do ABC, Manoel Caproni fez da casa da família um núcleo de reuniões dos militantes, candidatos e moradores do bairro onde morava, trabalho que resultou na eleição de alguns vereadores. Posteriormente, houve uma desilusão muito grande com a atuação destes vereadores, pois logo no período seguinte à eleição eles abandonaram as reivindicações populares e adotaram uma atitude elitista, se isolando na Câmara e esquecendo dos movimentos populares que ajudaram a elegê-los.
Causa Operária, que na época ainda era uma tendência interna do PT, fez uma análise correta da política da maioria da direção do PT, criticando as coligações, o apoio e a entrada de políticos burgueses no PT. Estas idéias aproximaram Anaí Caproni, que passou a atuar politicamente junto com os companheiros desta tendência. O desenvolvimento pleno deste relacionamento com a tendência Causa Operária se iniciou na época da expulsão do PT, em 1990, e culminou com uma participação ativa no trabalho de construção e legalização do Partido da Causa Operária, em 1997.

Estudos
Formou-se técnica em eletrônica na E.T.E Lauro Gomes, escola técnica profissionalizante que era mantida pelas montadoras do ABC, onde tradicionalmente estudavam os filhos dos metalúrgicos porque os pais conseguiam indicação das empresas em que trabalhavam. Atualmente, está cursando a faculdade de Direito no Largo São Francisco, curso este que, nas próprias palavras da candidata, “é importante para quem tem uma atividade política intensa e no caso de um partido revolucionário, de uma pessoa que tem uma atuação sindical, o curso de Direito é fundamental para enfrentar os problemas legais”.

Trabalho
Anaí Caproni iniciou sua vida profissional nas indústrias metalúrgicas do ABC e posteriormente em São Paulo. Já foi servidora do Poder Judiciário de São Paulo e hoje trabalha na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos como operadora de triagem e transbordo, onde tem uma atuação ativa no movimento sindical com a corrente nacional Ecetistas em Luta.

Atuação política
A principal inspiração para a militância política foi o impacto causado pelas mobilizações operárias do ABC no final da década de 70 e início de 80. A criação do Partido dos Trabalhadores em oposição aos partidos governistas tradicionais da época do bipartidarismo (Arena e MDB) impulsionou seu interesse pela política. A participação de seu pai, Manoel Caproni, na fundação do Partido dos Trabalhadores abriu as portas para uma vida de militância política em todas as esferas de sua vida social.
Em 1983, no movimento estudantil, iniciou sua atuação política participando da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Bernardo do Campo como militante de Voz Estudantil, grupo estudantil da tendência Causa Operária. Na época, final da ditadura militar, durante o governo Figueiredo, estavam se reconstruindo as entidades do movimento estudantil.
Mais tarde, trabalhando como metalúrgica no ABC, atuou no movimento sindical com a Oposição Metalúrgica e contra o peleguismo da Força Sindical, de Luis Antônio Medeiros e de Joaquinzão.
É diretora da Federação Nacional dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Fentect) e atua ativamente no movimento sindical dos trabalhadores dos Correios. Este ano, esteve à frente da chapa da corrente nacional de oposição classista Ecetistas em Luta para as eleições do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios, Telégrafos e Similares do Estado de São Paulo (Sintect-SP).
Participou ativamente na construção e legalização do Partido da Causa Operária, sendo hoje membro da Direção Nacional e do Comitê Central do partido. Coordena o Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, organismo do PCO voltado à organização política das mulheres.
Foi candidata a vereadora pelo PCO nas eleições municipais de 2000, ao governo do estado de São Paulo em 2002, e hoje é a candidata pelo PCO a prefeita da cidade de São Paulo.”