Tem lixo que é lixo e lixo que é dinheiro

São Paulo não tem mais onde por o lixo que produz. Os dois aterros sanitários estão entupidos e a justiça, desde o ano passado, impede que as empresas coletoras utilizem estes espaços. Loga e Ecourbis foram obrigadas a pagar para despejar os resíduos em duas cidades da região metropolitana.

A expectativa é que o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) se posicione sobre o pedido das empresas que atuam no mercado de São Paulo para que voltem a usar os dois aterros interditados pela justiça.

Em uma semana, na qual quatro lixões foram interditados (leia detalhes mais abaixo) pelo governo do Estado porque as cidades não fazem o tratamento dos resíduos sólidos e geram prejuízos ao meio ambiente e à saúde pública, pelo menos uma boa notícia vem do lixo. A prefeitura de São Paulo vai assinar os documentos que autorizam o início das obras financiadas pelo dinheiro arrecadado com o leilão de créditos de carbono provenientes do gás tratado no Aterro Bandeirantes, no bairro de Perus. Dos R$ 34 milhões arrecadados, boa parte será aplicada na região.

Além das três praças que terão obras iniciadas após a assinatura pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) serão inauguradas sete praças revitalizadas. O dinheiro também será investido no plano de bairro, na ciclovia que ligará os distritos Anhanguera e Perus e no Parque Linear Ribeirão Perus. Mas estas idéias ainda estão apenas no esboço, ou seja, no campo das promessas,

Para entender

O crédito-carbono é uma forma de financiar a redução da evolução da emissão de poluentes na atmosfera. O objetivo é reduzir em 15% o avanço da poluição no mundo até 2012, meta estabelecida através de um protocolo assinado pelos 172 países participantes, na cidade japonesa de Kyoto. Os países que conseguem reduzir a taxa de poluentes de maneira satisfatória ficam com crédito e podem repassar esse crédito para os países que não conseguem. Os compradores-poluidores normalmente têm recursos financeiros e compram os créditos dos que conseguem a redução.

Foto-ouvinte: A batalha do trânsito

A cidade dominada por carros assiste à uma batalha cotidiana na qual o desrespeito ao próximo se revela na buzinada do motoboy, na mudança brusca de faixa do motorista ou na velocidade em excesso para “vencer” o adversário. O resultado é que o trânsito na capital paulista está muito violento. O ouvinte-internauta Marco Yamamoto se diz assustado com a freqüência com que vê acidentes graves na pista. O que aparece na foto foi o segundo que ele assistiu em dois dias. O primeiro na avenida Roberto Marinho e o da imagem na Francisco Morato.

Vereadores de Ilhabela aprovam lei de metas

A exemplo da capital paulista, a Câmara Municipal de Ilhabela aprovou a Lei de Metas que obriga o prefeito a apresentar programa de governo até 90 dias após a posse. Os nove vereadores da casa estavam em plenário e votaram a favor da emenda à Lei Orgânica que foi encaminhada pelo Movimento Nossa Ilha Mais Bela.

Os integrantes do movimento encaminharam a proposta em fevereiro e, desde lá, acompanharam o andamento do projeto nas quatro comissões que funcionam na Câmara Municipal. A proximidade dos cidadãos levou os vereadores a acelerarem o processo. Na noite de segunda-feira, com a Câmara lotada, a emenda passou por unanimidade. E não precisa ir à sanção do prefeito.

A mobilização da sociedade civil reproduziu os passos do Movimento Nossa São Paulo, responsável pela iniciativa na capital paulista. Outras cidades paulistas também pretende aprovar, ainda este ano, a mudança na Lei Orgânica.

Com a Lei de Metas, o prefeito assim que assumir precisa elaborar programa com indicadores que pretende alcançar no decorrer dos quatro anos e apresentá-lo à sociedade ao completar três meses no cargo. Com estes dados, o cidadão poderá acompanhar o desempenho do administrador e cobrá-lo sempre que se desviar de seus objetivos.

Crédito para reduzir viagens dentro de São Paulo

Uma das maneiras de diminuir os índices de congestionamento na cidade de São Paulo é a descentralização dos serviços e para tanto é preciso políticas públias que incentivem a abertura de vagas em áreas distintas, na capital. Segundo o pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade André Urani o incentivo fiscal e a criação de crédito para pequenos e médios empresários deve fazer parte desta política.

Ouça a entrevista dele ao CBN SP:

Cidade com lixão interditado não tem coleta seletiva

A cidade de Itanhaém, no litoral paulista, recolhe até 60 toneladas de resíduos por dia, mas não realiza coleta seletiva. O município foi um dos que tiveram o lixão interditado pelo Governo do Estado, na abertura da Semana do Meio Ambiente.

O diretor do departamento de Meio Ambiente de Itanhaém, João Paulo de Barros, diz que ficou surpreso com a decisão do governo estadual:

Canto da Cátia: Greve e broncas

O cidadão que precisou dos serviços do posto do INSS, no Glicério, ficou do lado de fora, nesta manhã, devido a greve dos vigilantes que causou transtornos , também, no trânsito da capital. A Cátia Toffoletto, nossa “Papparazzo da Cidadania”, registrou o problema logo cedo e depois tentou acompanhar a passeata dos grevistas, mas o congestionamento atrapalhou o caminho dela. Assim como de milhares de paulistanos.

É a transparência, idiota !

Mais uma levantada pela Folha de olho na lista dos funcionários da Câmara que você encontra na página do legislativo, na internet, graças a ação popular encabeçada pelas guerrilheiras do Voto Consciente:

“Os vereadores Atílio Francisco (PRB) e Jorge Borges (PP) fazem “nepotismo cruzado” na Câmara de SP. Borges mantém, em seu gabinete, um filho de Francisco, que, por sua vez, contrata uma filha de Borges.

Os dois vereadores são ligados à Igreja Universal do Reino de Deus. Francisco é presidente municipal do PRB.

Esse é mais um caso de nepotismo na Câmara apontado pela Folha desde a semana passada. Os casos foram identificados após a publicação da relação de funcionários no site da Casa, atendendo a uma lei municipal proposta pela ONG Voto Consciente.

Com os casos de Atílio Francisco e Jorge Borges já são dez os vereadores identificados com a prática do nepotismo. A contratação de parentes não é ilegal, mas a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado já aprovou um projeto de lei que proíbe a prática.”

Foto-ouvinte: Muro da discórdia

“Moro na Rua Dom Bernardo Nogueira, 696, na Vila Gumercindo. O terreno vizinho ao nosso prédio, foi comprado há 3 anos pela construtora Tecnisa, porém a demolição foi feita pela metade, o terreno foi murado e transformou-se num criatório de ratos, mosquitos da dengue e um depósito de lixo. Além disso, a vista de quem visita o nosso prédio é terrível”

O recado-fotografado é do ouvinte-internauta João Caldas que pede ação da Subprefeitura do Ipiranga contra a construtora Tecnisa, responsável pelo terreno.

Um popstar que você jamais ouviu falar

Tudo bem. Você é muito jovem. Seus pais são orientais. Ou circula pelo bairro da Liberdade. Ou é fanático por mangás. Neste caso, você não apenas ouviu falar como ouviu Miyavi cantar.

Escrevo para todos aqueles que não se encaixam no perfil acima. Gente que, assim como eu, jamais havia sido apresentado ao popstar japonês que esteve, nesse fim de semana, em São Paulo. A primeira vez que vi o rapaz foi em uma escola de mangá, revistas em quadrinhos japonesa, na Liberdade, onde vários meninas e meninos, vestidos de roupa escura e cabelos coloridos, esperavam em longo corredor para a abertura da loja que venderia os ingressos para a primeira apresentação do ídolo.

Nem o nome nem as vestimentas dele me davam certeza de que se tratava de um rapaz. Miyavi reinventou o visual kei, mistura do jeito japonês de ser com tendências ocidentais (fui ao Google buscar esta definição). Tem rosto com traços femininos. Exagera na pintura e nas cores (constatação própria). Ele é o preferido dos cosplayers, jovens que se travestem de mangás (ensinou-me meu filho mais velho), que proporcionaram um show especial do lado de fora do Bunkyo, Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, na Liberdade, é lógico.

A fotógrafa Luci Júdice Yizima, que tem colaborado com o blog, esteve na apresentação de Myavi, que reuniu centenas desses jovens. “Sua passagem foi meteórica, mas deixou rastro. É sensível observar a mudança de comportamento dos adolescentes e de alguns adultos também. Com isso, estimula ainda mais a influência da cultura japonesa em nosso cotidiano”, comentou em mensagem pós-espetáculo.

O que mais me impressiona – e me satisfaz – é comprovar que é possível o surgimento de fenômenos como Myiavi sem a ajuda da mídia tradicional, no Brasil. Há na internet, principalmente, uma cultura sendo forjada que a maioria de nós não consegue acompanhar e detectar. Bem-vindo são os movimentos alternativos. Se é que não somos nós mesmos.