Canto da Cátia 1: Carnaval no parque

As ruas no entorno do Parque Antártica estão tomadas por adereços palmeirenses para comemorar o título estadual depois e 12 anos. E a Cátia Toffoletto que acompanha a torcida alvi-verde desde a compra de ingressos (veja nota e foto neste blog) não deixa por menos: foi comemorar, ou melhor, fotografar a ressaca do carnaval.

Marcha da Maconha: O Brasil é um país sério

No Recife, 1.500 pessoas saíram em marcha para defender a liberação da maconha naquela que foi a maior manifestação deste domingo, no Brasil. Houve prisões em Salvador e no Rio, onde um cachorro teve de esperar seu dono na porta da delegacia. Em São Paulo, apesar de alguns insistirem em se encontrar no Ibirapuera, a polícia não agiu porque só a marcha estava proibida, a reunião, não. Gabeira, ícone da luta pela legalização da maconha, apareceu em algumas cidades, mas só nas máscaras carregadas por militantes. Na maioria das capitais, a ação do Ministério Público e a decisão da Justiça de proibir a caminhada renderam mais manchetes para o evento do que o próprio evento em si conseguiria.

Considerando os efeitos da manifestação e o que nos disse o promotor público Marcelo Barone ao defender a proibição do evento (confira a entrevista postada no dia 30/04, quarta-feira), não há nenhum risco de o Brasil deixar de ser um país sério.

Foto-ouvinte: Apagão em São Paulo

Você consegue identificar alguma imagem na fotografia acima ? Nem os moradores da rua São Feliciano que enviaram o material para o blog com a intenção de conseguir aquilo que até agora não conseguiram reclamando à prefeitura de São Paulo: luz.

“Meu sobrinho foi assaltado em frente a casa dele, nessa falta de responsabilidade ele ficou sem seu celular, documentos e seu relógio”, contou o ouvinte-internauta Deusnesio de Moraes. Já ligou para a prefeitura e a Eletropaulo (o que considera uma espécie de loteria ser atendido) mas o apagão permanece conforme você pode ver nas outras imagens enviadas por ele (clique na foto acima).

Tá ruim, mas pode ficar pior

Pegar o metrô logo cedo em São Paulo não tem sido fácil para muita gente. A introdução do sistema de bilhete único aumentou o número de passageiros nas linhas que não conseguem crescer na mesma proporção. O nível considerado aceitável de lotação é de até 6 passageiros para cada m², no metrô. Na linha vermelha que atende a zona leste, calcula-se que, atualmente, haja 9 passageiros por m². A automatização tem sido uma das apostas do Governo do Estado para melhorar este cenário, pois seria possível diminuir o tempo entre um trem e outro.

Que venha logo o novo sistema, antes que os agentes de plataforma tenham de fazer curso de qualificação com os colegas que trabalham no metrô de Tóquio.

Lei Bob-Esponja pode ajudar a cidade

Os grandes empreendimentos imobiliários devem ser obrigados a trocar o asfalto que cobre a área de estacionamento por piso “ecológico” que reduz a impermeabilização do solo, na capital paulista. Além disso, deve ser desenvolvido sistema para reaproveitamento da água da chuva. Lei aprovada pela Câmara foi enviada ao gabinete do prefeito de São Paulo e está sendo adaptada ao Plano Diretor da cidade para que possa entrar em vigor.

Após ouvir entrevista com o vereador José Rolim (PSDB-SP) à CBN, autor da lei que pretende “enxugar” a cidade com mais rapidez, um ouvinte-internauta nos encaminhou esta imagem aérea de um dos shoppings da cidade: “Imagine só a cada milímetro de chuva quanta água é jogada diretamente no Tietê. Será que eles desconhecem o conceito de responsabilidade sócio-ambiental ?”, pergunta em mensagem enviada ao programa.

Nova tentativa contra a corrupção

Humberto Dantas
Conselheiro do Movimento Voto Consciente

“Com o objetivo de dimensionar o nepotismo – minimamente imoral e teoricamente incluído no rol da corrupção – o Movimento Voto Consciente de São Paulo conseguiu aprovar uma lei de sua autoria na Câmara dos Vereadores. Sancionada pelo Prefeito Gilberto Kassab sob o número 14.720/08, e publicada no Diário Oficial do Município em 26 de abril, obriga a todos os órgãos do Poder Público – Executivo, Legislativo e Judiciário (Tribunal de Contas) – divulgarem listas completas na internet contendo os funcionários lotados em suas repartições. Se a iniciativa não veta o nepotismo, pelo menos abre caminho para que a sociedade promova uma varredura ética e moral nos corredores de alguns organismos públicos. Além disso, tornará possível verificar a presença daqueles colaboradores tradicionalmente chamados de “funcionários fantasmas”.

As pesquisas não desmentem a afirmação de que o brasileiro confia mesmo é na família. Trabalho de Alberto Carlos Almeida, divulgado no livro A Cabeça do Brasileiro, o índice de entrevistados que confia na família é igual a 84%. Amigos, vizinhos, colegas de trabalho e pessoas em geral são os outros grupos analisados, e não atingem sequer um terço dos entrevistados. Tal cenário mostra grande apego aos parentes, mas a cultura brasileira não pode confundir as questões de ordem privada com a vida pública. Afinal de contas, o parente do político é parente do político. Para a imensa maioria da população este sujeito se encaixa no grupo das “pessoas em geral”. A despeito de tal ambiente, o mesmo levantamento mostra que parcelas consideráveis da população concordam que um sujeito eleito para cargo público deve usar sua posição em benefício próprio. Se partirmos do pressuposto que políticos têm à disposição diversos cargos de confiança, parece possível supor que parcelas da opinião pública concordam com a nomeação de parentes para esses postos.

Essa atitude chamada de nepotismo, e considerada corrupção pela filosofia política. O resultado da teoria, no entanto, nem sempre é legitimado, e sequer combatido legalmente. No Brasil, não é pequeno o descaso com a nomeação de parentes para cargos públicos. A lei sequer é clara nesse sentido, e milhares de exemplos são conhecidos. Como a questão é legitimada por parcelas da sociedade, onde a proibição se faz efetivamente presente o brasileiro costuma dar o famoso “jeitinho”. Criamos os mais diferentes meios de burlarmos a regra. O mais famoso é o nepotismo cruzado, onde o indivíduo A contrata o parente de B, que lhe retribui o favor. A dificuldade diante de tal realidade é tão significativa que por vezes a imprensa e a justiça – quando empenhada e respaldada pela lei – não conseguem dimensionar o fenômeno.

A ação, de conquista de uma Lei de autoria da sociedade civil, deve servir de inspiração a outras cidades e estados. Não parece possível aceitar que o patrimônio público mantenha-se afastado da transparência. A mesma pesquisa citada neste texto mostra que parcela expressiva da sociedade concorda com a frase: “já que o governo não cuida do que é público, então ninguém deve cuidar”. Se esse é o sentimento que vigora, o Movimento Voto Consciente afirma ser contrário à sentença. Afinal de contas, como dizia o filósofo Jean-Jacques Rousseau: quando os indivíduos colocam seus assuntos de interesse pessoal à frente das questões de ordem pública o Estado está fadado ao caos”. Será que falta muito para atingirmos esse status no Brasil?”